Capítulo XIV – Meu próprio Sol

Narrado por Melinda

Eu ainda estava envolta em uma nuvem de sonhos, mas podia sentir uma leve queimação que subia por minhas costas acompanhando a linha da minha coluna até a minha nuca. Meus sentidos ainda nublados pelas sensações intensas da noite anterior começavam a reconhecer o toque suave de mãos carinhosas afastando os meus cabelos do meu rosto enquanto lábios quentes distribuíam beijos demorados por minhas bochechas, minha testa, meus olhos, meu nariz, pulando para o meu queixo para então envolverem os meus lábios.

_ Bom dia, docinho! – uma voz suave e aveludada sussurrava em meu ouvido – Acorda, dorminhoca! Eu já estou com saudades de você! – ele dizia manhoso.

Sorri ao ouvi-lo tão carinhoso. Sua voz preenchia os meus ouvidos me dando a certeza de que para ele a noite anterior tinha sido tão maravilhosa quanto para mim.

_ Bom dia, meu amor! – respondi abrindo os olhos e encarando aquele rosto perfeito que sorria lindamente para mim – Dormiu bem?

_ Dormi com os anjos! – ele respondeu acariciando o meu rosto, seu corpo colado ao meu – Na verdade, eu dormi com um anjo ... um anjo lindo de olhos azuis que me levou ao céu ontem à noite.

Meu sorriso se alargou ainda mais com aquelas palavras, toda a minha insegurança em relação à minha inexperiência deixada para trás. Seu rosto começou a se aproximar lentamente do meu, meu coração se acelerando instantaneamente ao sentir seus olhos verdes cravados nos meus. Os lábios doces e macios tocaram os meus em um beijo totalmente inocente.

_ Você precisa se alimentar, docinho! Eu já errei ontem permitindo que você dormisse sem jantar. Não vou cometer o mesmo erro de novo! Vem? – ele pediu me puxando da cama.

Brian envolveu o meu corpo em um robe de seda, esperou que eu lavasse o rosto e me levou pela mão até a mesinha no canto do quarto repleta de frutas, sucos, leite, café, pães, biscoitos e tantas outras coisas que eu tinha a impressão de que nem em uma semana daria conta de comer.

_ É muita coisa, bebê! – eu disse espantada – Eu não vou conseguir comer nem um décimo de tudo o que está aí!

_ Eu sei, amor! Eu não sabia o que você ia querer, então pedi um pouquinho de cada coisa! – ele disse sorrindo enquanto sua mão acariciava a pele do meu rosto.

Brian sentou-me em seu colo e tomamos o café da manhã em meio a carícias e brincadeiras. Ora ele me oferecia um morango e logo o afastava de minha boca quando eu tentava mordê-lo, ora lambuzava o meu rosto com iogurte lambendo tudo logo depois. A brincadeira, aos poucos, foi ficando mais séria, mais quente na medida em que a fome de comida era saciada, mas outra fome começava a surgir com intensidade.

Senti meu corpo estremecer quando Brian afastou um dos lados do robe espalhando chantilly gelado pelo meu seio. Sua boca quente o cobriu logo em seguida arrancando um gemido constrangedoramente alto de mim. Ele lambia e sugava com intensidade e gemia em minha pele me levando à loucura. Meu corpo já pedia por mais ... o fogo tomando conta do meu interior ... meu sexo latejando de desejo ao sentir sua ereção tocando em minha perna. Ajeitei-me em seu colo sentando-me de frente para ele, minhas pernas ficando uma de cada lado dos seus quadris. Suas mãos imediatamente agarraram a minha cintura com força, me apertando ... me puxando para mais perto ... roçando nossas intimidades sem interromper nosso beijo faminto até que o ar nos faltasse.

_ Você não está dolorida, amor? – ele me perguntou com a voz rouca e entrecortada pela respiração ofegante.

_ Estou! Estou totalmente dolorida de desejo por você, bebê! - peguei sua mão levando-a até o meu sexo absurdamente úmido.

Brian gemeu alto enterrando seu dedo em meu corpo, massageando as paredes do meu sexo. Sua boca tomou a minha, faminta ... quente ... enlouquecedora.

_ Faz essa dor passar? Faz, amor? – implorei com a voz falha pelos gemidos que eu não conseguia conter.

_ Eu vou fazer, docinho! Eu prometo que vou fazer! – ele disse com a voz rouca me abraçando pela cintura e se levantando comigo em seus braços.

Minhas pernas envolveram a sua cintura enquanto ele caminhava pelo quarto sem interromper o beijo que tínhamos começado. Ao contrário do que eu tinha imaginado, ele não me levou para a cama. Quando dei por mim, estávamos no banheiro e ele me colocava cuidadosamente sentada sobre o mármore frio do lavabo. Afastou-se de mim por um breve momento, apenas o suficiente para abrir a torneira da banheira de hidromassagem, mas já foi o bastante para o meu corpo protestar. Aquela distância também parecia ser demais para ele que voltou a me abraçar, passando as minhas pernas em volta da sua cintura e se encaixando lentamente em mim.

Meu coração saltava rebelde em meu peito vibrando a cada milímetro que o seu corpo invadia o meu ... duro ... quente ... vivo. Senti meu corpo sendo erguido novamente para em seguida senti-lo mergulhar na água quentinha e perfumada da hidromassagem já cheia e acionada. A língua quente e molhada de Brian corria a extensão do meu pescoço até os meus seios, dando igual atenção e carinho a ambos. Suas mãos me apertavam descendo pelo meu corpo até as minhas nádegas onde pararam com um aperto vigoroso que me tirou o ar. Brian me apertava contra o seu quadril se enfiando cada vez mais profundamente em mim e eu já podia sentir o meu sexo se contrair, apertando-o e prendendo-o dentro de mim, fazendo-me ver estrelas. Um rosnado alto escapou de sua garganta quando ele chegou ao clímax, me preenchendo com o seu sêmen. Ficamos ali, abraçados um ao outro, os corpos trêmulos pelo prazer avassalador, o fogo que antes nos queimava mesmo dentro d'água se tornando gradativamente mais tênue até ceder lugar a um leve torpor.

Meu corpo, aos poucos, foi amolecendo, meus músculos ficando totalmente relaxados. Eu sentia que não teria forças para me levantar, não que eu quisesse sair, mas sabia que não poderíamos ficar ali para sempre. Tudo o que eu queria era permanecer daquela forma para sempre, com o corpo de Brian me preenchendo como ainda fazia. Brian, que desde o clímax mantinha seu rosto enterrado no vão dos meus seios, ergueu o rosto e me fitou com os olhos em um tom verde escuro nunca visto antes. Ele não disse nada, eu não disse nada. Apenas nos olhávamos nos olhos, nos declarando mais uma vez sem palavras. Não precisávamos delas. A intensidade dos nossos olhos dizia muito mais do que poderíamos expressar em qualquer língua do mundo enquanto nossos corpos voltavam a se mover antes mesmo de nós pensarmos em fazê-lo, o prazer nos dominando mais uma vez.

Terminamos nosso banho sob o chuveiro, depois que a água da banheira tinha esfriado. Envolvemos nossos corpos com roupões felpudos que acariciavam a nossa pele ainda sensível e nos deitamos mais uma vez na enorme cama king size. Meus olhos já se fechavam, e meu corpo já se entregava a um leve torpor quando ouvi a voz doce e suave de Brian sussurrar em meu ouvido:

_ Durma, docinho! Sonhe com os anjos e tenha a certeza de que você é e sempre será a mulher da minha vida! – ele dizia enquanto eu mergulhava mais uma vez em um mundo de sonhos.

Narrado por Brian

Eu observava o seu sono tranquilo e repassava em minha memória cada detalhe das últimas 24 horas. Não podia e nem queria esquecer um detalhezinho sequer. Todos estariam gravados no tecido do meu cérebro para sempre. Se um dia eu perdesse tudo, ainda teria essas lembranças para me acompanhar e não me deixar enlouquecer.

Lembrei-me do carinho e do zelo na preparação do quarto e da surpresa do jantar que, no final, ficou intocado. Eu precisava retribuir, sentia que estava em dívida com ela. Não só pelo carinho de preparar o nosso ninho de amor, mas pelo amor que ela me dava ... pela entrega a que ela se permitiu ... por tudo.

Deixei um bilhete preso em uma rosa vermelha sobre o meu travesseiro para que, quando ela acordasse, não se assustasse com a minha ausência. Pedi a Sofia que entrasse no quarto com cuidado e colocasse o presente que eu tinha comprado sobre a cama enquanto eu providenciava a minha surpresa para Mel. Não tive dificuldades em conseguir o que eu queria. Bastou dizer que era um presente para a mulher da minha vida e fui prontamente atendido pelo gerente do resort. Eu tinha certeza de que ela iria adorar a vista. Eu tinha visto seus olhos brilhando de vontade de ir até lá e não havia nada que eu não fizesse para manter aquele brilho ou até mesmo intensificá-lo.

Sorri satisfeito com o resultado da arrumação que os funcionários do resort fizeram. Embora eles fossem pagos para esse tipo de coisa, fiz questão de dar uma gorjeta bem generosa em agradecimento pelo carinho e pela presteza em me ajudar. O novo cenário estava pronto. Faltava apenas a protagonista para dar a ele o brilho definitivo. Agora só me faltava ter forças para esperar as horas que ainda nos separavam.

Narrado por Melinda

Mesmo de olhos fechados eu tinha a sensação de que alguém me observava. Abri os olhos assustada sentando-me na cama ao perceber que Brian não estava no quarto. Uma rosa vermelha chamou a minha atenção sobre o travesseiro ao lado. Amarrado a ela, um bilhete com a caligrafia de Brian.

Docinho,

Hoje pela manhã pensei em lhe dizer com palavras o que o meu coração angustiado sente: Sente um prazer enorme quando te vê. Sente uma vontade louca de ficar sempre ao seu lado. Amor, você é a água que me mata a sede. Você é sem dúvida a minha crença. Seria difícil entender as dificuldades da vida, se não pudesse contar com você ao meu lado. Eu era um sujeito cheio de sonhos, mas com poucas realizações. Hoje existe em mim um homem cheio de realizações e sonhando cada vez mais, pois você realiza meus maiores sonhos e me faz sonhar diante de toda realidade. Te amo muito.

Seu Bebê

O sorriso que tomou conta do meu rosto não era grande o suficiente para expressar o tamanho da minha felicidade. Fechei os olhos inspirando o perfume delicioso da rosa, da minha rosa. Quando abri novamente os olhos, Sofia sorria parada diante de mim segurando uma caixa branca envolta em uma fita de cetim vermelho. Sorri de volta para a minha melhor amiga, prima e cunhada. Ela se aproximou em silêncio até sentar-se à beira da cama me entregando a caixa. Desfiz o laço com carinho, apreciando cada momento, cada detalhe, pensando no que ele teria mandado para mim. O lindo vestido verde que repousava sobre o papel de seda tinha o tom exato dos seus olhos. Sorri satisfeita ao ver a peça confeccionada com tanta perfeição. A caixa trazia mais um bilhete:

Amor,

Escolhi o verde para que você não se esqueça de mim, assim como não me esquecerei de você, durante as horas em que ficaremos separados. Não fique brava comigo, é por uma boa causa. Às 20:00h estarei em sua porta para buscá-la. Te amo mais a cada segundo.

Brian

_ Você está feliz? – a voz baixinha de Sofia me tirou dos meus pensamentos.

_ Não existe pessoa mais feliz do que eu neste mundo, Sofia! - respondi com um sorriso enorme no rosto.

_ Eu conheço alguém que poderia discordar de você, mas vou deixar que você veja com os seus próprios olhos! – ela disse me abraçando.

Depois de me trocar, Sofia me levou para o SPA do resort onde uma equipe enorme nos esperava. Recebemos massagens, tratamentos para a pele, para as unhas e para os cabelos, banho de imersão em chocolate e tantos outros cuidados que perdi completamente a noção do tempo. Embora eu soubesse que Brian estava preparando alguma surpresa para aquela noite, eu o queria perto de mim o tempo todo e passar tantas horas sem nem ao menos vê-lo ou ouvir a sua voz era uma verdadeira tortura.

Às 20:00h em ponto, eu abri ansiosa a porta do bangalô e minha vida estava ali, sorrindo lindamente para mim, vestindo uma camisa no mesmo tom azul dos meus olhos. Eu podia ver seus olhos incrivelmente verdes brilhando como duas enormes esmeraldas mesmo sob a luz fraca da varanda. Meus olhos espelhavam o brilho dos seus e o sorriso que atravessava o meu rosto de um lado ao outro não deixava dúvidas quanto à felicidade de tê-lo ali, diante de mim.

Fechei os olhos ao sentir as costas das suas mãos tocarem suavemente a pele do meu rosto. Como eu havia sentido falta daquele toque! Minhas mãos ansiosas formigavam de vontade de tocá-lo e seguiram em direção ao seu rosto sem que eu tivesse mandado. Brian também fechou os olhos sorrindo, apreciando o carinho. Os lábios macios tocaram os meus com leveza excessiva, como se eu fosse feita de uma porcelana extremamente frágil.

_ Eu sei que eu corro o risco de soar repetitivo, mas seria uma heresia não dizer: você está linda! – ele sussurrou em meu ouvido dando um beijo quente em meu pescoço em seguida.

Meu corpo todo se arrepiou ao toque dos seus lábios em minha pele.

_ Você também está lindo, amor! – minha voz saiu trêmula de ansiedade.

Brian sorriu para mim e pegou a minha mão me levando até o carro. Abriu a porta para mim, afivelou o meu cinto de segurança e me encarou com um olhar indecifrável.

_ Eu preciso que você confie em mim, docinho! – ele disse vendando os meus olhos com uma faixa de seda verde no mesmo tom do meu vestido – Tenha só mais um pouquinho de paciência! Em breve você vai saber o que eu preparei para nós dois esta noite!

Assenti sorrindo. Meu coração estava disparado no peito, louco para saber e sentir o que estava por vir. Eu não podia ver, mas se Brian estivesse comigo eu não precisava de luz. Eu tinha certeza de que ele me guiaria e me protegeria na escuridão.

Narrado por Brian

Eu dirigi o curto caminho até lá admirando o sorriso enorme estampado em seu rosto. Minha mão direita segurava a sua mão esquerda durante todo o trajeto. Já havíamos ficado muitas horas separados, eu não suportaria estar tão perto dela agora sem tocá-la.

Estacionei o carro e abri a porta para ela ajudando-a a sair. Ela pisava insegura, sem poder enxergar as pedras que pavimentavam o local. Parei diante dela e toquei o seu rosto com ambas as mãos. Ela sobrepôs as mãos pequenas e delicadas às minhas e sorriu mais uma vez. Passei o dedo sobre seus lábios macios que se entreabriram convidativos. Não resisti. Eu já tinha esperado tempo demais. Meus lábios cobriram os seus em um beijo cheio de saudades. Suas mãos voaram para os meus cabelos acariciando a minha nuca, causando-me uma série de tremores pelo corpo.

Relutante, encerrei o beijo sorrindo ao ver o beicinho de descontentamento que ela fez. Linda! Ergui o seu corpo delicado em meus braços e entramos. Enquanto subíamos as escadas, eu podia sentir o seu coração batendo com uma força absurda, tamanha era a sua ansiedade.

_ Falta pouco, docinho! Aguente só mais alguns segundos! – eu pedi sussurrando em seu ouvido.

Ela mordeu o lábio inferior sorrindo ainda mais ansiosa. Coloquei-a de pé de frente para a vista que eu queria que ela tivesse.

_ Eu vou tirar a venda dos seus olhos, mas eu preciso que você me prometa que vai mantê-los fechados até que eu peça para abri-los. Promete? – pedi envolvendo a sua cintura por trás.

Ela aconchegou seu corpo ao meu, repousando a cabeça em meu peito e assentiu. Desfiz o laço da venda deixando-o ser levado pelo vento. Acionei o mecanismo que ativava a luz e voltei a abraçá-la por trás.

_ Abra os seus olhos, amor! – voltei a sussurrar em seu ouvido sentindo-a estremecer.

Mel abriu os olhos e arfou com a visão. Estávamos na torre do velho farol que girava lançando sua luz forte na água escura do mar. A brisa suave da noite soprava em seu rosto deslocando alguns fios dos seus cabelos, deixando-a ainda mais linda e perfeita. Ela olhava encantada para o mar que exibia uma faixa prateada que se movia conforme a luz girava. Aquele sorriso estampado em seu rosto compensou as horas angustiantes que eu tinha passado longe dela. Mel estava feliz como uma menina que descobre sob a árvore de Natal a boneca que tinha pedido ao Papai Noel. Ela se virou de frente para mim, os olhos brilhando de emoção.

_ Como você soube? Eu nunca disse a ninguém! – ela perguntou extasiada.

_ Naquele dia em que almoçamos no restaurante aqui perto, eu percebi como você olhava para cá. Seus olhos brilhavam de uma forma tão intensa que eu tive a certeza de que você queria subir aqui e ver o farol funcionando! – eu disse colando a minha testa na dela.

_ Você é incrível, bebê!Eu te amo muito! – ela disse envolvendo seus braços em meu pescoço.

_ Eu também te amo muito, docinho! Demais! – respondi beijando seus lábios mais uma vez.

Um jantar delicioso nos esperava em uma mesinha delicadamente posta para dois. Comemos do mesmo prato, Mel sempre sentada em meu colo e fizemos amor na enorme cama montada dentro da sala de luz. Mel adormeceu em meus braços mais uma vez enquanto eu admirava suas feições delicadas. Sentindo o meu próprio sono chegar, desativei a luz do farol e tudo ficou escuro novamente.

De repente, me dei conta de que se um dia o mundo mergulhasse nas trevas, mesmo que a luz do sol se extinguisse e o mundo se perdesse na escuridão e no frio, eu ainda teria uma chance. Se aquela doce mulher ainda estivesse ao meu lado, eu teria a minha própria fonte de luz ... eu teria a minha própria fonte de calor ... eu teria o meu próprio sol.