Avisos
I– As personagens do universo Potteriano da honorável JK Rowling não me pertencem. Eu sei que vocês sabem, é só pra esclarecer as coisas mesmo.
II–Essa fic tem conteúdo yaoi, que é o relacionamento amoroso entre dois homens. Se você não gosta, então pare sua leitura por aqui. Não vou aceitar bem críticas a esse respeito
III- E contém SPOILERS de Harry Potter e as Relíquias da Morte. Depois não digam que eu não avisei ¬¬
Chegaram rapidamente ao Ministério, entrando nas salas e lançando o feitiço para encontrarem seres humanos. Vasculharam muitas salas até ouvirem estampidos. Eles estavam perto.
Entraram no hall das profecias e o encontraram destruído. Eles certamente haviam passado por ali. Correram o mais rápido que puderam e logo entraram na sala que guardava o arco da morte.
A luta foi difícil. Eles estavam em um número pouco menor que os comensais. Sirius lutou como lutara nos velhos tempos, tomando o cuidado de averiguar vez ou outra as condições de Remus. Sentia-se vivo finalmente a cada feitiço que saía de sua varinha.
A Ordem parecia dominar a situação e Sirius ria de Bellatrix.
- Você pode fazer melhor que isso! - o animago desviou de um feitiço vermelho da prima.
Repentinamente, viu outro feitiço vindo muito rápido. Quando sentiu um impulso em seu peito, sua expressão era de medo e espanto. A última coisa de que se lembrou era de ter visto Remus e Harry olhando para ele. Sentiu um estremecimento seguido de um formigamento no corpo todo antes de tudo se apagar.
Remus impedira Harry de saltar pelo arco bem a tempo. Segurava o garoto firmemente em seus braços, tentando impedir que ele tivesse o mesmo destino que seu padrinho. O lobisomem estava estático, olhava para o lugar por onde Sirius desaparecera e sentia seu peito comprimir.
-SIRIUS! - berrou Harry - SIRIUS! - ele lutava com todas as forças para se desvencilhar de Remus.
Vazio. Frio.
- Ele não pode voltar, Harry - ouviu sua própria voz embargada enquanto fazia uma força descomunal para segurar o garoto - ele não pode voltar porque está m...
- ELE NÃO ESTÁ MORTO! - Remus já não ouvia direito. Puxou Harry para longe do estrado. A luta continuava mas parecia um filme distante e sem importância.
Ele não conseguia acreditar no que havia acontecido. Era uma sala muito perigosa de se entrar... ele ouvia os gritos de Harry que pareciam tão distantes dele, tão longe da realidade. Continuou a segurar o braço de Harry por precaução. Estava anestesiado. Sentia o ar como uma pressão ao seu redor. Ele não viu quando Dumbledore chegou. Era tarde demais.
- Harry... Sindo muido - disse Neville, enquanto suas pernas não paravam de dançar descontroladas - Aguele homem... Sirius Blagg... era seu... seu amigo?
Harry confirmou com a cabeça.
- Aqui... - disse Remus em um tom fraco, apontando a varinha para as pernas de Neville. - Finite. - O feitiço se desfez: as pernas do garoto voltaram ao chão. Remus estava pálido. - Vamos... vamos procurar os outros. Onde é que eles estão, Neville?
Remus se afastou do arco enquanto falava. Parecia que cada palavra lhe causava dor.
- Esdão lá em cima. Um cérebro adagou Rony mas acho gue ele esdá bem... e Hermione desacordada, mas sendimos um pulso...
Quando Remus ouviu o grito de dor de Quim, Harry já havia se desvencilhado do seu aperto já frouxo e seguia correndo atrás de Bellatrix.
- Harry... não! - Mas era tarde demais.
Caiu de joelhos, ainda olhando fixamente para o arco, colocou as duas mãos no rosto e não conseguiu conter as lágrimas. Estava desesperado, sentia seu peito rachar ao meio como se alguém o estivesse rasgando com garras afiadas. Sirius não voltaria. Dessa vez, era definitivo.
Sirius... Seu peito apertava cada vez mais. Era injusto que ele não tivesse nem sequer um funeral digno.
Quando saíram da sala, Remus deu uma última olhada no arco, talvez esperando inocentemente que Sirius pudesse sair de lá algum dia e voltar a sorrir como sempre lhe sorrira. E talvez estivesse com Remus na próxima lua cheia e então dormiriam juntos e aquecidos um pelo corpo do outro. Deveria ter sido assim para sempre! Ele deveria poder ter Sirius nem que fosse apenas como o amigo que havia sido por tanto tempo... Sirius deveria ter podido experimentar a liberdade ao menos por um dia. Estava tudo errado.
Remus amava Sirius muito mais do que podia imaginar. Só sentiu isso de todas as formas quando o animago lhe fora arrancado dos braços.
Harry... ele precisava procurar Harry...
Primeiro sentiu a textura do lugar onde estivera dormindo por um tempo que ele não tinha como calcular. Não era de todo desconfortável mas não era o lugar próprio para se dormir, ele sabia. Mexeu primeiro os braços, os dedos e sentiu que estava tudo bem para abrir os olhos. Estava sob forma humana mas não reconhecia o lugar. Havia uma névoa fraca encobrindo os arredores mas ele achava que mesmo se não tivesse esse detalhe ele não se lembraria de ter estado ali antes.
Ficou de pé, sentindo um pouco de frio. Percebeu que estava completamente nu. Quis ter roupas e então elas apareceram em um lugar próximo a ele que tinha algumas pedras maiores. Pedras? Eram pedras cinzentas e arredondadas, sobre as quais suas vestes apareceram, junto a uma escova.
Por alguns instantes, hesitou. Como aquilo havia aparecido do nada? Ele não tinha nem uma varinha com ele... e foi então que presenciou uma varinha se materializar sobre as vestes. Ele reconheceu logo como sendo a sua varinha antiga, a mesma que ele usava em Hogwarts. Franziu o cenho. Havia algo errado ali.
O vento frio açoitou seu corpo uma vez mais, fazendo-o arrepiar-se e só então ele decidiu pegar as vestes e colocá-las. Apanhou a varinha e colocou no bolso, escovou os cabelos longos que lhe tocavam os cotovelos e se pôs a caminhar. Não sabia onde estava mas iria descobrir.
Caminhou uma boa distância e percebeu que a névoa se dissipava. Foi quando avistou ao longe uma figura familiar. Estreitou os olhos como se para ver melhor.
- Harry? - Disse mais para si que para o outro, tomando fôlego para gritar o mais alto que pudesse. Ele estava longe. - HARRY? - Sirius passou a correr na direção da figura que avistara e só então percebeu que ele estava acompanhado: havia uma garota com ele. Quem seria? E por que eles estavam naquele lugar estranho? Mas as perguntas poderiam ser feitas depois.
- SIRIUS! - a voz parecia a do Harry mas era um pouco mais grave. Talvez fosse apenas impressão.
- HARRY! - Sirius corria o mais rápido que podia, sorrindo.
- HARRY? PADFOOT, O QUE HOUVE COM O SEU SENSO DE OBSERVAÇÃO? - a figura que corria em sua direção gritou em tom zombeteiro, soltando uma gargalhada que ele sabia que conhecia de algum lugar.
Sirius parou quase tropeçando. Forçou a vista novamente e já estava perto o suficiente para perceber mais detalhes do rosto que se formava à sua frente.
- Padfoot? - murmurava para si mesmo como se pensar alto fosse levá-lo a alguma conclusão - Não pode ser...
Em poucos instantes, a figura já pulara e o abraçara apertado. Sirius podia ver a mulher se aproximando e rindo. Ele a conhecia...
- Eu não sou o Harry, sou o pai dele, serve? - Tiago ria enquanto abraçava Sirius.
- T... Tiago...? - Sirius se desvencilhou do abraço para poder olhá-lo melhor. Seus olhos percebiam cada detalhe daquele rosto tão familiar. E como ele se parecia com Harry! - É... é você? Mas como... eu não entendo... - olhava aturdido para o homem à sua frente.
- Você não se lembra? - Tiago o fitava intensamente, enquanto Lílian parava ao lado deles, com um sorriso acolhedor nos lábios.
Repentinamente, Sirius retirou a varinha do bolso e a apontou para o peito de Tiago.
- O que você tá fazendo? - Tiago o olhou ainda rindo. - Acha que pode me matar denovo, é?
- Como vou saber se isso não é um truque dos comensais. E como vou saber se não usaram, poção polissuco e...
- Já que você insiste... você tinha uma cueca da sorte avermelhada em Hogwarts. Sempre a colocava debaixo do travesseiro mas nunca usava. E sempre foi cabeça dura o suficiente pra nunca ter contado ao Moony sobre a predição da Trelawney, a qual - fez um gesto típico, bagunçando os cabelos - eu presenciei em uma noite em que estávamos em detenção, limpando as bolas de cristal da velha. - Tiago ria.
- Tiago! - Sirius parecia estar vendo o amigo pela primeira vez. - Fechou a distância entre eles com um abraço demorado e depois foi até Lílian e a abraçou da mesma forma. - Eu não acredito que são vocês... isso é bom demais pra ser verdade e...
- Não é de todo bom, é? - Lílian ficou mais séria.
- Não é de todo bom, Sirius. Tente se lembrar do que isso significa. - Tiago arrumou os óculos.
- Vocês voltaram a vida? - Sirius ficou mais sério.
- Béééé... errado. - Tiago respondeu, incentivando o amigo com o olhar.
- Eu... não... - Sirius pareceu entender somente agora o que havia acontecido.
- Você sim... - Tiago falou.
- Sirius, você está morto. - Lílian disse no tom mais macio que conseguia.
Sirius ficou estático por um instante.
- Mas eu não posso... o Harry, ele precisa de mim... o Remus...
- Quer beber alguma coisa, meu amigo? - Tiago disse, tirando a própria varinha.
- Eles estão lutando... eles precisam de mim... - Sirius fez menção de correr devolta para o lugar de onde viera mas Tiago o deteve.
- Não tem volta, Padfoot. Nós os vimos e eles estão todos bem. Voldemort tentou possuir Harry mas não conseguiu. Dumbledore está cuidando dele agora. Se você quiser ver... - Tiago disse sério, tocando o ombro do amigo.
- Tem como ver? - Sirius perguntou ainda aturdido.
- Tem sim. Se você quiser... - Lílian respondeu. - Sirius, você não sabe a falta que fez. Nós vimos tudo daqui e sempre estivemos torcendo por você. - sorriu.
- Eu quero ver... mas ah, quem está dizendo sobre fazer falta aqui? Eu não sabia se suportaria viver sem vocês! O que aconteceu... foi minha culpa, eu nunca devia ter permitido que o Pedro... - começou mas foi interrompido por Tiago.
- Sirius, é sério. Você não teve culpa de nada. Como nós iríamos saber que o Pedro era o traidor? Não havia meio de ninguém saber... apesar de ser o mais lerdo de nós, ele foi bem esperto dessa vez.
- Não se culpe. Tiago tem toda razão. Nós vimos você se culpando daqui e ficamos angustiados porque não tínhamos como nos comunicar com você para te dizer o contrário. - Lílian disse bondosa.
- Líl, eu te disse pra tentarmos o negócio do copo. - Tiago olhou sério para ela.
- Ah, Tiago, para com isso. - Lílian começou a rir.
- Que negócio do copo? - Sirius olhou para os dois, confuso.
- Lil me contou que os trouxas têm um tipo de brincadeira em que eles conversam com os espíritos usando um copo. - Tiago o olhou sério. - Eu queria tentar isso com você. Imagina se eu conseguisse? Eu nunca mais ia ter deixado você beber água em paz! - e desatou a rir.
Sirius não sabia se ria ou se ficava pasmo.
- Você faz piada com tudo... - Sirius começou a rir, bagunçando os cabelos do amigo.
Tiago agitou a varinha, conjurando três garrafinhas de cerveja amanteigada. Sirius o olhou com os olhos arregalados.
- Como você fez isso? - aceitou uma das garrafinhas.
- Agitando a varinha e... - Tiago respondia quando foi interrompido por Sirius.
- Não, eu digo... como você conjurou algo do que se alimentar... pelo que eu sei, só é possível conjurar água. - Sirius olhava Tiago beber ainda assustado. - Gamp disse que...
- Ah, As Leis de Gamp! Elas não funcionam por aqui. - Tiago sorriu tranqüilamente.
- Mas...
- Você vai se acostumar. Aqui é bem diferente. - Lílian disse, bebendo da sua garrafinha.
- Vamos? - Tiago ofereceu o braço a Sirius.
- Quanto cavalheirismo, Prongs! - Sirius não cabia em si de felicidade, apesar de estar apreensivo por dentro pelo que poderia acontecer aos que ele havia deixado para trás.
Tiago, que tinha um braço dado com Sirius, aparatou e Lílian imitou seu gesto. Sirius sentiu o puxão no umbigo e, quando deu por si, estavam em um lugar que mais parecia uma vila.
- É por ali. - Tiago indicou uma casa bonita, com um jardim cheio de rosas e trepadeiras na frente.
Entraram na casa, Tiago fechou a porta quando Lílian terminou de passar.
- Essa é nossa casa, Sirius. Seja sempre muito bem vindo! - Lílian disse, puxando uma cadeira enquanto Sirius e Tiago se sentavam no sofá amarelo.
- Tem a sua cara, querida. - Sirius disse, observando os detalhes da mobília que certamente eram do gosto de Lílian, o tipo de coisa com que Tiago jamais se preocuparia.
- Obrigada - Lílian sorriu.
Tiago agitou a varinha e então uma nuvem esfumaçada apareceu na sala, condensando-se em uma parte à frente dos três e imagens começaram a se formar nela. Sirius logo reconheceu a sua luta contra Bellatrix e assistiu estático a tudo o que acontecera. Quando viu Harry correr em direção ao arco, Sirius se levantou de um impulso, temendo o pior. Foi quando Remus apareceu e o segurou. Sirius se sentou novamente, aliviado mas nem tanto porque via o rosto pálido de Remus. A voz embargada do lobisomem cortou seu coração.
Lílian se sentou ao lado de Sirius, apertou a mão dele em um gesto de apoio que pretendia lhe dar forças para continuar vendo tudo o que perdera.Quando Dumbledore finalmente estava conversando com Harry, Sirius olhou para Tiago muito sério.
- Como o Remus está? - sua voz soou mais fraca do que pretendia. Tiago entendeu e logo as imagens mudaram.
- No exato momento é noite lá. - Tiago acenou com a varinha e Sirius reconheceu as formas de Remus deitado em uma cama. As imagens foram se tornando mais nítidas aos poucos, enquanto Sirius segurava uma almofada com força.
Os três assistiam Remus, com o rosto afundado no travesseiro, encolhido silenciosamente. O lobisomem respirava com dificuldade, chorava soluçado, afogando no travesseiro os sons que ele não queria que os outros ouvissem. Ele não fora para a reunião daquela noite. Não tinha forças.
- Padfoot, você tem certeza de que quer ver...? - Tiago olhou sério para ele.
- Eu preciso... - Sirius disse rouco, começando a chorar junto com Remus. - Eu ia contar a ele. Era para eu estar contando toda a verdade sobre a predição agora.
- Padfoot... - Tiago o abraçou preocupado.
Remus se sentia cansado, exausto. A anestesia parecia não passar nunca e as lágrimas pareciam não terminar. Ele sabia que precisava ser forte uma vez mais mas isso não estava funcionando. Nada funcionava. Seu peito não parava de doer, sua mente guardava as últimas lembranças de Sirius. Ele queria contar algo a Remus e parecia importante. Por um momento, amaldiçoou Snape, Tonks e Shacklebolt por terem entrado na casa sem avisar, por simplesmente terem escolhido aquele momento para entrar na casa. Sirius tentara dizer alguma coisa a ele e não tiveram tempo de conversar. E agora nunca mais poderiam...
Os lençóis ainda guardavam o cheiro de Sirius. Seu travesseiro, no qual Remus se agarrava agora como se disso dependesse a sua vida, também guardava um pouco do cheiro do seu dono. Era tudo o que restava ao lobisomem agora e ele se apegava a isso para não enlouquecer. Ele vira todos aqueles que amava irem embora um a um. Não havia mais nada para ele.
Não conseguia parar de chorar, nem mesmo quando se levantou e foi até a janela, abrindo-a devagar para olhar as estrelas. Um dia, Sirius havia dito a ele que sempre estaria olhando por ele e todas as vezes em que olhasse para o céu, o lobisomem o veria na forma de uma estrela.
Ele não fora suficiente para deter o animago naquela tarde. Ele queria tanto lutar... sentia-se preso naquela casa e estava entediado. E como ele sorrira enquanto lutava contra os comensais! Estava feliz como não o havia visto antes nesses tempos difíceis. De repente, lembrou-se do toque do animago, do seu calor quando dormiam juntos nas noites de lua cheia e a forma como Sirius o acordava todos os dias.
- Você sabia, não era? - Remus disse com voz embargada, as lágrimas escorrendo pelas bochechas frias pelo vento da noite.
Sirius se sobressaltou quando ouviu a voz do lobisomem. Queria tanto estar lá...
- Você sabia... - Remus sorriu. - Por isso me fez fazer aquela promessa em Hogwarts. - O lobisomem conversava com as estrelas.
- Eu sabia... - Sirius sussurrou, sendo abraçado por Tiago. Daria tudo para estar lá, abraçando Remus, o que deveria ter feito mais vezes enquanto podia.
- Como você sabia de tudo...? Não deveria ter sido assim... - Remus chorava novamente.
- Eu devia ter contado a ele... devia ter arrumado outro jeito de dizer... - Sirius soluçava.
- Sirius, eu sempre amei você... muito mais que amei qualquer outra pessoa na vida. - Remus dizia baixinho, com uma mão sobre os olhos.
Lílian acariciava os cabelos de Sirius lentamente, chorando junto com o animago.
- Eu amo você... - Sirius soltou Tiago e tentava tocar a imagem do lobisomem, que se desfocava levemente com as tentativas.
- Essa guerra me tirou meu pai, levou o amigo mais fiel que eu tive na vida... e agora me levou você. Seria pedir demais que você ficasse ao meu lado, mesmo que fosse como o amigo que sempre foi pra mim?
A porta do quarto de Sirius se destrancou.
- Eu quero ficar sozinho. Me perdoe mas... eu prefiro ficar só... - Remus disse ainda entre soluços.
- Remus, você não tem que agüentar as coisas sozinho. - Tonks falava em seu tom rouco. Aparentemente, ela também chorara muito. - Me deixa ficar com você.
- Eu não me sinto confortável...
Tonks se adiantou e o abraçou, ao que ambos recomeçaram a chorar em silêncio.
- Vai ficar tudo bem... - Tonks falou, enxugando uma lágrima que escorria pela bochecha de Remus.
- Ele não volta mais, Tonks. Nunca mais...
- Eu sei... mas olha, não fica assim. Eu tenho certeza de que ele está olhando por nós de onde quer que ele esteja, viu? - a metamorfomaga sorriu.
- Ele é muito mais que um amigo pra mim... - Remus a abraçou devolta, sentindo o corpo fino e frágil dela.
- Remus... eu...
- Eu o amava... amo...
- Agora eu te entendo... - Tonks enxugou as próprias lágrimas. - Apesar de ele ser meu parente, eu não convivi muito com ele para conhecê-lo melhor. Tudo o que eu sei são coisas que minha mãe me contou e são incomparáveis. Ele foi um grande homem. - Ela acariciava a nuca de Remus, ainda abraçada a ele.
- Ele foi único... - a voz de Remus saiu entrecortada.
Lílian conjurou um copo de água com açúcar para Sirius, cujo estado era de dar pena. O moreno aceitou o copo e tomou alguns goles. Tiago lhe deu um lenço macio e branco e esperou até que o amigo estivesse melhor para dizer:
- Ele vai ficar bem. Você vai ver... - tentou sorrir para dar confiança ao outro mas não teve muito sucesso.
- Ele é forte, não é? - Sirius sorriu. - Um dia ele me disse que não era feito de porcelana... - ameaçou voltar a chorar mas se recuperou mais rápido.
Tonks beijou a bochecha de Remus com carinho, enquanto ele se recuperava.
- A reunião... - o lobisomem falou rouco.
- Só o de sempre. Comunicaram ao restante da Ordem a nossa perda e que agora Fudge sabe do retorno de Voldemort.
- Você disse o nome... - Remus sorriu gentil.
- Eu disse? - Tonks sorriu surpresa. - É, eu acho que disse...
- É um grande passo. - eles se soltaram. - Obrigado por tudo...
- Eu só quero ver você bem. Podemos ir jantar?
- Eu estou sem fome...
- Você precisa se alimentar, Remus. - Tonks acariciou o rosto de Remus.
- Ele sempre me dizia isso... - Remus sorriu, sentindo lágrimas se formando nos olhos denovo.
- Então vá se acostumando porque eu vou cuidar de você de agora em diante. - ela sorriu um sorriso meigo.
Os dois desceram para jantar.
- Ele prometeu que continuaria... - Sirius disse mais para si mesmo que para qualquer um dos dois que o acompanhavam.
Nas semanas que se passaram, Sirius reencontrou sua tão famigerada mãe, com a expressão mais azeda que ele já vira na vida. Ou melhor, agora na morte.
- Seu filho infiel! Encheu a casa com sangues-ruins e traidores do sangue! E o pior de tudo: um lobisomem! Onde você aprendeu a desgraçar o nome da sua família desse jeito?! - Sirius saiu andando, fazendo Tiago e Lílian rirem da expressão de não-estou-escutando que o animago fez.
Ela parecia muito com o retrato colado na velha mansão Black. A diferença era que agora ela andava e estava indo atrás de Sirius quando parou.
- ... você foi o pior exemplo para o seu irmão! Viu o que ele fez?! Imbecil! Me matou de desgosto, a mim e ao seu pai!
- O que ele fez? Ele não fez o que vocês queriam que ele fizesse? Ele foi sonserino e se tornou um comensal da morte tão nojento quanto os outros! - Sirius não agüentou e explodiu.
- Comensal da morte? Foi o que eu pensei que tivesse acontecido. Eu estava tão feliz, não é, Orion? - a mulher olhou para o marido, que a acompanhara em silêncio até então, com cara de poucos amigos.
- Ele foi nosso segundo e último desgosto! Até na morte nós não temos sorte com filhos! Alguma coisa deve ter saído errada, não é possível! - o pai de Sirius esbravejou como ele se lembrava de tê-lo visto esbravejar em vida.
- Sirius! - Regulus apareceu de algum lugar atrás de onde os seus pais estavam.
- Regulus! - os dois se abraçaram mas Sirius estranhou muito a atitude do irmão. - Mas espera aí... você, até onde eu sei, me odeia até a última raiz dos meus cabelos. - o animago o olhou confuso.
- Uma longa história. - passou um dos braços em torno dos ombros do irmão, que era um pouco maior que ele e começou a caminhar, conduzindo-o.
- Ah, quero que conheça Tiago e Lílian Potter. - Sirius se voltou aos amigos, que até então estiveram parados observando-o.
- É um prazer. Mas nossa, tanto tempo aqui e nunca havíamos topado uns com os outros, não é? - Regulus sorriu e Sirius achava que devia estar em um sonho bem estranho.
- É verdade - Tiago disse sorrindo mas estranhando o fato.
- Você não era comensal da morte? - Lílian perguntou curiosa.
Os quatro começaram a andar e Regulus falava animadamente.
- Eu fui sim. Não nego que era meu sonho de criança ser comensal. Mas depois de servir ao Lorde das Trevas por um ano, eu passei a perceber algumas coisas e me vi decepcionado. Não era nada daquilo que eu imaginava que fosse. - Regulus sorria calorosamente.
- Ahh! As minhas preces foram atendidas! - Sirius não se conteve e passou um dos braços pelos ombros do irmão.
- Eu passei então secretamente a tentar combatê-lo. Eu sabia de um dos lugares onde o Lorde das Trevas havia guardado algo de vital importância para ele. Foi Monstro quem me ajudou. - Regulus ficou muito sério.
- Foi muito corajoso em lutar sozinho. Por que não procurou Sirius? Você poderia ter passado para o lado do bem sem problema algum. - Tiago disse ligeiramente espantado por ouvir a história de Regulus.
- Eu não sabia que o Sirius fazia parte da Ordem da Fênix. Se eu soubesse, eu poderia ter sido mais útil...
- Sim, mas termine de contar... Como você descobriu onde Voldemort guardava coisas importantes? - Sirius disse ansioso.
- Na verdade, certa noite, o Lord das Trevas...
- Lord das Trevas? Chama ele de Voldemort, droga. Lord das Trevas soa tão comensal! - Sirius o interrompeu feliz.
- Tudo bem... - Regulus sorriu - Certa noite, Voldemort me disse que precisava de um elfo doméstico para um trabalho especial e eu ofereci Monstro. Ele aceitou e o levou a um lugar que eu desconhecia. Levou algum tempo até que Monstro voltasse muito assustado e parecia envenenado.
- Devia ter morrido... - Sirius murmurou.
- Sirius, Monstro é o melhor elfo doméstico que eu já conheci! Não fale assim dele! - Regulus o censurou.
- Ele é bom para você!
- Claro, eu nunca o tratei como lixo!
- Ele nunca gostou de mim! Eu não o tratava como lixo antes...
- Tudo bem, vocês são irmãos. - Lílian disse sorrindo. - E se parecem tanto... mas deixem a discussão pra depois, ok? - Ela estava visivelmente ansiosa para ouvir a história.
Tiago se limitou a rir. Imaginar Sirius conversadno daquele jeito com o irmão era impossível na sua concepção. Só mortos mesmo. Riu ainda mais da piada interna.
- Certo... - Sirius concordou meio a contragosto.
- Monstro só voltou porque eu tinha mandado ele voltar. Senão ele estaria morto, Sirius.
- Grande diferença teria feito. - Sirius soltou outro muxoxo. Tiago cutucou Sirius mas Regulus ignorou dessa vez.
- Ele me contou o que Voldemort havia feito e depois, quando eu decidi combatê-lo, eu pedi a Monstro que me levasse até o lugar onde ele o havia levado. Chegamos lá e eu tive que me cortar para poder entrar na caverna. Havia um pequeno barco na beirada do lago e uma ilha bem pequena feita de pedra no meio desse lago, com uma pedra em forma de altar e eu podia ver um recipiente cheio de líquido ali. Subimos no barco e chegamos à ilha, na verdade, o espaço do barco era apenas para um mas Monstro era pequeno o suficiente para ir comigo. Eu sabia o que aconteceria depois. - Regulus disse quase displicentemente.
Sirius o olhava como se ele fosse uma pessoa de outro planeta.
- Eu bebi o conteúdo do recipiente porque não havia outro meio de pegar o medalhão. Ah, esqueci de dizer que eu havia levado um medalhão falso com um bilhete para Voldemort dentro. Bom, quando eu bebi, comecei a ter alucinações misturadas à realidade. Era muito estranho... Eu me lembro de ter dito ao Monstro que trocasse os medalhões e destruísse o verdadeiro.
- E o que aconteceu a você depois disso? - Tiago perguntou interessado, ignorando um Sirius boquiaberto.
- Eu senti mãos e braços gelados me agarrando e levando para dentro do rio. Eram inferis, como eu pude constatar quando cheguei aqui. A última coisa que eu fiz em vida foi mandar Monstro devolta para casa.
Levou algum tempo até que alguém dissesse alguma coisa.
- Voldemort não desconfiou de você? - Tiago perguntou sério.
- Se desconfiou, não tentou me impedir... - Regulus respondeu.
- Você morreu para... tentar destruir Voldemort? - Sirius estava pasmo. Achava que nada mais lhe deixaria naquele estado mas estava enganado.
- Sim. - Regulus sorriu orgulhoso.
- É o sangue. - Tiago disse animado.
- Eu quis tanto falar com você... mas achei que não aceitaria bem a minha aproximação. - Regulus disse timidamente, ainda com o sorriso nos lábios.
- Eu teria ajudado você no que fosse necessário. - Sirius respondeu ainda pasmo. - Então você é mesmo meu irmão afinal! - Abraçou Regulus forte e o tirou do chão por alguns instantes. - Pirralho! - riu divertidamente.
- Ei, eu sou um pirralho? Eu sou quase do seu tamanho!
- Pra mim, vai ser sempre o mesmo pirralho! - Sirius bagunçou os cabeços do irmão. Eles eram muito mais parecidos que ele pensava afinal.
- Sirius, sério... me perdoa por tudo o que eu fiz? - Regulus olhou dentro dos olhos cinzentos do irmão, que era muito semelhantes aos seus.
- Claro! Você é o cara mais corajoso que eu já conheci! Apesar de que... aquelas bombas de bosta...
- Não, você ainda não esqueceu aquilo?
- Claro que não! Pegou no meu cabelo!
- Oh, senhor Black, eu lhe imploro perdão! - Regulus ria.
- Vou pensar no seu caso. - Sirius tentava não rir mas falhava miseravelmente.
