Capítulo 14 – A nova Armada de Dumbledor
- O que aconteceu aqui?! – Moody se aproximou rapidamente do exausto garoto.
- Olá Moody. – Harry estava feliz em rever seu antigo amigo e aliado.
- O que aconteceu aqui? – Vários bruxos, os quais Harry nunca havia visto, se aglomeravam ao seu redor, espiando-o como se estivessem olhando para algo inacreditável.
- Eu lutei. – As palavras lhe escaparam da boca, sua força para falar ou argumentar estava escassa, assim como suas energias.
- Isso se vê, mas você fez tudo isso? Sozinho? – Moody, juntamente com todos os outros inúmeros bruxos, olhava para os diversos corpos estendidos no chão.
- Não, Rony me ajudou. – Harry liberou um breve suspiro. – Quer dizer, os que estão mortos fui eu, se tiver algum vivo foi o Rony.
- Você fez tudo isso sozinho? – Uma bela bruxa de cabelos cor de ouro não conseguiu conter a pergunta que tanto reprimia. Moody enviou-a um olhar de reprovação e voltou-se novamente para Harry.
- Vamos, temos que sair daqui o quanto antes. – O velho auror parecia estar muito mais jovem do que da ultima vez que haviam se encontrado, aparentemente a adrenalina provocada pela guerra era responsável por tal transformação.
- Prestem atenção todos. – Moody falou em alto e bom som, sendo ouvido até mesmo por Rony e Gabrielle que estavam a alguma distância. – Nós não possuímos chaves de portal e, portanto, teremos que desaparatar. Todos já conhecem o procedimento padrão, mas não se esqueçam de desaparatar a pelo menos 800 metros do acampamento.
O vasto grupo de Bruxos que rodeava Harry começou a se desmantelar a medida que todos aparatavam de volta para o lugar da onde vieram. O garoto olhava incessantemente para Moody enquanto este dava ordens à Krum e Neville.
- Sabe de uma coisa Moody. – O antigo auror limitou-se a virar os olhos em direção ao garoto. – Tudo isso parece fazer bem a você.
- Você não sabe do que está falando. – Moody não gostou do comentário, ou elogio, e começou a caminhar impacientemente em quanto resmungava. – "Cada dia que passa ele fica mais impertinente, até parece o pai..."
- Vamos Harry, eu vou te acompanhá-lo no aparatamento. – Neville estendeu a mão para ajudar o amigo a se levantar.
- Obrigado. Para onde vamos?
- Você vai ver. – Neville sorriu.
Os dois garotos foram as ultimas pessoas a desaparatar, Harry sentiu a incomoda sensação causada pela "viagem" e logo após já sentia seus pés em contato com o chão novamente. Abriu os olhos e a sua frente havia um enorme bosque, as arvores não tinham uma grande altura, mas eram muito belas e fortes. Harry examinou os arredores a procura de um acampamento, mas não encontrou nada.
- Onde estamos?
- Em algum lugar do interior da Escócia. – Neville caminhava calmamente em direção ao bosque. – Vamos, me siga.
- Mas onde está o acampamento?
- Você está olhando para ele. – Neville apontou para o enorme agrupamento de árvores.
- O Bosque? – Harry não conseguia entender.
- Sim, nós disfarçamos o lugar para que ninguém "indesejável" consiga nos encontrar. – Harry pode ver alguns dos bruxos caminhando para o lugar juntamente com ele e Neville.
- Porque um bosque tão grande? Não era melhor fazer algo menos chamativo? – Neville riu da pergunta.
- O acampamento não é pequeno Harry. – Eles estavam bem próximos de uma pequena abertura entre os troncos das arvores e Neville teve que abaixar levemente para conseguir passar.
Após atravessarem a abertura o recém chegado pode entender o porque do tamanho do bosque, era incrível o imenso numero de barracas de acampamento que se estendia por um vasto gramado verde. Haviam barracas de todos os tamanhos e formas, cores e enfeites, tudo compunha uma bela visão para um novo visitante.
- Mas o que é isso? – Harry estava boquiaberto.
- Isso Harry, é a nova sede da AD. – Neville não conseguia esconder o sentimento de orgulho que sentia. – Nós achamos que a sala precisa não comportaria o número de pessoas que precisamos abrigar.
- Quantos bruxos estão aqui? – Para todos os lados que se olhava pessoas corriam ou paravam para espiar o novo companheiro.
- Não sabemos ao certo. – Neville franziu o cenho. – Mas algo em torno de seiscentos e setecentos.
- Tudo isso?! – O garoto não podia acreditar na incrível quantidade de bruxos dispostos a lutar contra Voldemort.
- Sim. – Neville mais uma vez mostrava um sorriso de satisfação. – A maioria é de Hogwarts e do Ministério, mas temos muitos bruxos de Durmstrag e Beauxbatons.
- Como vocês conseguiram fazer tudo isso? – Harry caminhava próximo a Neville, os dois já entravam em estreitos caminhos que se formavam por entre as barracas, aquilo parecia um labirinto aos seus olhos.
- Moody tem muitos contatos, ele reuniu a AD, e com a ajuda de nossas famílias e de algumas pessoas do ministério foi possível conseguir ajuda de todos os lugares. – Neville caminhava por entre as barracas como se ele estivesse em casa.
- Há quanto tempo tudo isso está acontecendo? – A medida que eles passavam pelas barracas, mais e mais pessoas colocavam-se para fora de forma a espiar o garoto.
- Três semanas. – Neville entrou em uma bifurcação a esquerda e se dirigiu a uma bela barraca vermelha e prata. – Desde o primeiro ataque contra a Ordem.
- Vocês foram rápidos.
- Fomos mesmo. – Neville parou na entrada da barraca e permitiu a entrada do amigo. – Esta é minha barraca Harry, tome um banho e descanse um pouco, tenho que tratar de alguns assuntos com Moody, logo depois alguém vai te levar para o jantar.
- Jantar? – O "novato" parecia surpreso com o alto nível de organização.
- Sim, todos os dias nós jantamos juntos. - Neville sorriu gentilmente para uma garota que passava e voltou a falar com Harry. – Costume de Hogwarts. – Conjuntamente eles riram alegres com a lembrança repentina.
Neville apertou a mão do garoto e começou a se distanciar, em poucos segundos já havia sumido por entre as barracas. A "casa" do Longbottom era extremamente linda e luxuosa, muito diferente da dos Weasleys na copa do mundo de Quadribol. Harry foi diretamente para o banheiro e aproveitou um ótimo e relaxante banho, sentiu o cansaço sumir de seu corpo e a dor se esvair.
Após trinta minutos do mais perfeito descanso que ele pode ter nas ultimas semanas, o garoto saiu do banheiro envolto em uma toalha e começou a procurar pelas vestes que havia deixado sobre a cama.
- ...eu tenho certeza que as deixei aqui. – Harry falava sozinho a medida que se irritava cada vez mais com o sumiço de sua roupa.
Inesperadamente, ele ouviu um pequeno riso atrás de si, com um pulo e a vergonha lhe possuindo o garoto se deparou com Gina, ela exibia um enorme sorriso no rosto e trazia um belo conjunto de roupas na mão.
- Achei que você gostaria de vestes novas. – Ela reprimia o riso que surgia devido à expressão de espanto e vergonha do namorado.
- Ahh.. Obrigado. – Harry pegou as vestes e se dirigiu de volta ao banheiro, logo em seguida ele saiu vestindo.
- Elas ficaram muito boas em você. – Gina ajeitava a camisa do garoto e a capa prateada de forma a deixá-lo impecável.
- Como você me achou? – Harry sentia-se estranho com a presença da garota.
- Neville me disse onde você estava e pediu que trouxesse sua roupa nova.
- Entendo. E o resto do pessoal?
- Eles estão na nossa barraca. – Gina observava todos os detalhes da moradia de Neville e se espantava com cada novo valioso objeto que via. – Moody montou uma especialmente para os Weasleys, grande o suficiente para abrigar a todos nós. – Ela sorriu, parecia estar muito feliz.
- Eu vou ficar lá?
- Não. Fleur e Gui também vão ficar em uma barraca diferente.
- E onde eu vou ficar? – Harry ficou feliz com a idéia de ter uma barraca só para si.
- Não sei, mas alguém deve saber. – Gina sorria para o garoto, ele estava muito mais magro e cabeludo do que da ultima vez que o vira. – Alias, estava quase esquecendo, Moody pediu que você fosse até a barraca dele. – Gina sorriu e caminhou em direção a porta.
- Mas como eu vou chegar lá, não faço a mínima idéia da onde ela é.
- Eu vou te levar.
- E você sabe o caminho? – Harry parecia surpreso pelo fato de alguém que acabou de chegar no lugar já saber perfeitamente se locomover dentro do labirinto de barracas.
- Moody me desenhou um mapinha. – Ela soltou uma leve risada. – Ele não desenha muito bem, mas será fácil de achar. – Gina pegou a mão de Harry e começou a caminha por entre as barracas coloridas.
O mapa era bem simples e eles não tiveram problemas em chegar até o abrigo do auror. Harry parou na entrada e olhou fixamente nos olhos de Gina, ele sentia-se extremamente mal por ainda não ter conversado com a garota sobre tudo que havia acontecido, mas aquele ainda não era o momento. Ela se inclinou para frente e beijou-lhe carinhosamente o lábio, ela tinha um sorriso no rosto e seus olhos brilhavam como nunca.
- Senti sua falta. – Gina mantinha o olhar fixo nos olhos de Harry.
- Nós temos muitas coisas para conversar. – Ele não conseguia mentir para a garota e a felicidade dela só aumentava a culpa que sentia.
- Conversaremos após o jantar, agora vá, Moody deve estar te esperando. – Gina se virou e caminhou de volta pelo caminho que vieram. O balançar dos longos cabelos ruivos da garota hipnotizava Harry, ela realmente estava mais linda do que nunca.
Ele entrou cuidadosamente na cabana de Moody, observando sua tonalidade sóbria e sua decoração rústica, tudo combinava perfeitamente com a natureza do dono. Krum, Gabrielle e Neville estavam sentados em um sofá de três lugares defrontes a uma lareira portátil, Harry dirigiu-se para uma pequena poltrona livre na sala e se recostou.
- Gostou do banho? – Neville tinha um sorriso no rosto.
- Foi muito bom, estava precisando. – Harry agradeceu a gentileza do amigo.
- E ai o que você achou? – Gabrielle parecia animada com a opinião do garoto.
- Do que? – Harry não entendeu a pergunta.
- Do acampamento. – Gabrielle fez uma careta de forma a mostrar que sua pergunta era óbvia.
- Ah... Fantástico, fiquei surpreso com a quantidade de pessoa que concordaram em lutar.
- Fico feliz que você aprecie o nosso trabalho garoto. – Moody entrou calmamente na sala, ele segurava um pequeno pedaço de papel na mão e a varinha na outra. – Neville isso é para você, tome cuidado. – Moody entregou o papel e depois se sentou na cadeira ao lado de Harry. – Potter, primeiramente, nós precisamos saber o que aconteceu com Hermione.
- É complicado explicar. – Harry sentiu-se incomodado com os incisivos olhares de Krum.
- Complicação não faz falta em nossas vidas, portanto pode começar a falar. – Moody mantinha seu olho mágico observando Harry e ele sentia que não mais poderia evitar a conversa.
Durante breves cinco minutos ele contou tudo que aconteceu, deixando Neville e Gabrielle pasmos e Krum enfurecido. Revelou os detalhes que recordava de sua briga, mas omitiu as passagens que envolviam a horcruxe, e após ter dito tudo se calou e olhou atentamente para o rosto de todos.
Moody mantinha sua expressão severa e rabugenta, Neville e Gabrielle estavam estáticos, seus queixos estavam caídos e Harry podia perceber a decepção do Longbottom. Krum, ao contrario dos outros, estava de pé, andava de um lado para o outro e mantinha sua varinha segura em sua mão, seu rosto estava vermelho e ocasionalmente lançava olhares enfurecidos para Harry.
- Realmente as coisas estão complicadas. – Moody quebrou o silencio. – Temos que procurar pela garota, ela corre grave risco e devido a situação em que ela foi embora devemos procurar em lugares nos quais ela se sentiria segura e acolhida.
- Eu vou procurá-la. – Krum mantinha-se em pé, só que agora parado, olhando firmemente para Moody.
- Todos vocês vão. – Moody indicou os três guardiões. – Vocês sabem de seus deveres e eu não posso envolver mais gente nisso.
- Quando devemos partir? – Gabrielle estava nervosa e chateada por ter que, mais uma vez, partir em uma missão.
- O quanto antes. – Moody parecia estar muito preocupado e indeciso. – Vocês devem ir jantar para recobrar as energias e depois se reúnam, vocês devem partir hoje mesmo.
- Está bem. – Neville, se levantou e acenou com a cabeça para seus companheiros. – Vamos, precisamos ir jantar. – Balançou a mão de forma a se despedir de Moody e deixou a tenda acompanhado de Krum e Gabrielle.
- Espero que ela esteja bem e que consigam achá-la logo. – Moody se colocou de pé e parou próximo a porta.
- Ela está bem, Hermione é muito mais esperta do que qualquer um aqui. – Harry mantinha a confiança de que mesmo abalada a menina pensaria racionalmente.
- Antes de ir para o jantar eu devo lhe avisar que você é uma grande celebridade aqui. – Moody olhava incisivamente para o garoto.
- Eu sempre fui e sempre odiei isso. – Harry lembrava-se de todos os momentos em que a simples pronuncia de seu nome gerava um alarde.
- Aqui é diferente... – Moody indicou o emblema presente na capa do garoto. – Além de você ser "o garoto que pode derrotar Voldemort" você também é o criador disto tudo e nós só conseguimos reunir tantos seguidores porque usamos o seu nome.
- Como assim usaram meu nome?
- Todos sabem que foi você que montou a AD e fazer parte dela é como estar sendo comandado por Harry Potter, é muito simples. – O auror deu uma outra olhada para o lado de fora da Barraca.
- Mas eu não vou comandar ninguém, eu nunca comandei, eu só ensinei. – Harry não gostava da idéia de se tornar um general.
- Eu sei disso, por isso é que vou cuidar de tudo, mas você é o exemplo deles, é a pessoa que eles estão dispostos a seguir. – Moody suspirou por um segundo. – Você é o verdadeiro líder.
- E o que eles esperam que eu faça? – Harry estava extremamente preocupado por estar em uma posição tão desconfortável.
- Que você lute, assim como fez hoje. – Moody mantinha um olhar sereno para com Harry.- O que você fez hoje foi fantástico. Você não só protegeu seu melhor amigo como derrotou doze comensais sozinho, você ainda quer me perguntar porque eles querem te seguir?
- Mas tudo foi sorte. – Ele sempre soube que somente havia chegado até ali por causa da ajuda de seus amigos e por muita sorte.
- Você realmente acha isso? – Moody mantinha um olhar questionador para Harry. – Eu nunca havia visto alguém, que estava apenas munido de sorte, derrotar doze comensais. Nem mesmo eu sou capaz disso.
- Eu não posso liderá-los, tenho uma missão para cumprir. – Harry se lembrou dos afazeres que Dumbledor lhe havia designado.
- Eu sei, você já me disse isso antes, mas duvido que você consiga completar sua missão sozinho. Não da maneira que as coisas andam. – Um sentimento de tristeza se apossou do corpo do velho auror. – Só hoje nós perdemos quinze companheiros, todos foram mortos no ataque em Hogsmead, foram eles que impediram que Voldemort chegasse até você.
- Eu não sabia disso. – Harry sentiu-se culpado por causar tantas mortes.
- Não se sinta culpado, todos que estão aqui foram preparados para isso, estamos em uma guerra garoto. – Moody apontou para fora da barraca e estendeu a outra mão para Harry. – Venha, vamos jantar.
A barraca de Moody ficava bem perto da área destinada aos jantares, a qual era um grande espaço aberto no centro de todo acampamento, uma das imensas mesas de Hogwarts ocupava o centro do lugar e nela todos se sentavam. A comida já havia sido servida e todos se deliciavam com os pratos preparados pelos gentis elfos de Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrag.
A principio ninguém notou a presença do garoto, pensavam que seria somente mais um membro da AD, mas o cabelo desengonçado, os olhos verdes e os óculos delataram sua presença para quem lhe conhecia. Luna foi a primeira a lançar alguns acenos para Harry, mas foi seguida de muitas outras pessoas.
Harry se espantou de notar que quase todos os membros da antiga AD estavam ali. Jordan, Ana Abbott, Cho, Dino Thomas, Miguel Córner, Parvati Patil, Simas Finnigan, Zacarias Smith, Lilá Brown, todos estavam sentados no centro da mesa, juntamente com os Weasleys e alguns outros alunos de Hogwarts.
Logo após o "novato" se sentar, pode ouvir as pessoas começarem a conversar e apontar para ele, provavelmente estavam mostrando para os desconhecidos que Harry Potter realmente estava ali. Ele se sentou ao lado de Gina e Rony, fato suficiente para fazer com que todos ao seu redor exibissem um grande sorriso de satisfação e comessem alegremente.
Ele se fartou com a deliciosa comida e aproveitou para saciar seu desejo por suco de abóbora, sentia-se novamente em casa, sentia-se em Hogwarts. Ninguém conversou com ele durante o jantar, apesar de todos os olhares estarem voltados para o garoto e provavelmente todas as conversas envolverem-no também.
Aos poucos as pessoas começaram a se retirar com o fim do jantar, alguns acenavam para Harry e outros contentavam em exibir um largo sorriso. Por fim restaram na mesa apenas os Weasleys, os membros da antiga AD e alguns curiosos. Sendo que, para a infelicidade de Harry, Jorge decidiu que a volta do garoto e os resultados da batalha não deveriam passar em branco.
- Eu proponho um brinde pela volta de Harry Potter. – Jorge se levantou e esticou sua taça olhando diretamente para Harry.
Fred se levantou em seguida e em poucos segundos todos estavam de pé, com exceção de Rony que havia se retirado e caminhava decididamente em direção as barracas. O brinde foi seguido por uma série de assovios e exclamações, os antigos membros da AD se remexiam em seus bancos esperando por algumas palavras de Harry, mas o garoto estava muito encabulado para falar algo.
- Doze, esse é um belo número, não é Fred? – Jorge falava de maneira a todos ouvirem o dialogo que tinha com seu irmão.
- Eu acho que sim. – Fred tinha um largo sorriso no rosto. Todos os membros da AD ficaram espantados com o número.
- Doze?! Você derrubou doze comensais? – Miguel Córner não conseguiu evitar sua pergunta.
- Não só derrubou, ele se livrou deles. – Fred imitava a expressão cômica de alguém morto enquanto dizia estas palavras. – E tudo isso sozinho.
- Como você fez isso? – Dino estava quase de pé em sua cadeira de tanta excitação.
- Bem... – Harry sentia-se extremamente encabulado e desejava não ter que responder a nenhuma pergunta.
- Voldemort estava lá? – Simas mantinha um olhar incrédulo em Harry.
- Não... – Ele tentava completar suas frases, mas era interrompido antes mesmo de conseguir falar a segunda palavra.
- Por onde você andou todo este tempo? Lutando anonimamente contra Voldemort? – Zacarias também lançou sua pergunta.
- Calma pessoal! – Gina se levantou e com um tom imponente fez todos se calarem. – Harry está muito cansado e precisa dormir. Amanhã ele vai falar com vocês. – Ela puxou o namorado pela manga da camisa e acenou para todos se despedindo. Harry acompanhou o movimento de despedida e seguiu a garota, deixando para trás um grupo insatisfeito de curiosos e amigos.
Gina levou-o por entre as barracas, ela caminhava gentilmente ao lado do garoto enquanto ele tentava descobrir onde estava.
- Para onde você está me levando? – Harry acompanhava a garota sem fazer a mínima idéia de para onde estava indo.
- Para a sua barraca. – Gina já deveria ter decorado o caminho e caminhava calmamente.
- Obrigado. – Gina sorriu em resposta.
A barraca de Harry ficava exatamente ao lado da dos Weasleys, agora ele pode entender como a garota sabia para onde estava indo. Sua barraca não era grande como a dos vizinhos, por motivos óbvios, mas serviria perfeitamente, ele poderia se esconder dos olhares curiosos e pensar dentro de seu novo lar, esquecendo a agitação e loucura que se instalava do lado de fora, talvez esquecendo até mesmo de Voldemort.
Em uma das lonas, que servia como parede, estava um mapa indicando como chegar aos principais lugares do acampamento e no outro extremo havia uma bela e cobiçada cama.
- Agora acho que você pode descansar. – Gina indicou a cama.
- Eu gostaria de conversar com você antes. – Harry sentiu seu estomago se revirar, mas aquele era o momento.
- Lógico, esperava que nós tivéssemos alguns momentos para conversar e namorar. – Ela correu para o sofá e sentou-se, Harry andou vagarosamente para seu lugar, ele sentia como se estivesse indo em direção a sua morte e algo dentro dele dizia que deveria evitar aquilo de todas as maneiras.
- Eu não tive muitas noticias de você desde que partiu, espero que me conte tudo. – Gina olhava fixamente para o garoto enquanto ele tentava criar coragem para dizer o que estava entalado em sua garganta.
- Muitas coisas aconteceram Gina, mas tem uma em particular e é sobre este assunto que eu quero conversar. – Ultimamente estava cada vez mais difícil de Harry encontrar a coragem dentro de si.
- Pode falar. – A garota percebeu a dificuldade que ele demonstrava e a chama da preocupação se acendeu dentro dela.
- Enquanto eu estava na minha missão algumas coisas aconteceram entre eu e Hermione. – Harry mantinha a cabeça baixa e uma expressão de tristeza em seu rosto.
- Coisas? Como assim? – Gina levantou no mesmo momento em que ouviu o nome da garota, seu rosto estava pálido e sua face apresentava uma expressão indignada.
- Eu não sei como lhe dizer isso. – Harry evitava olhar diretamente para a garota. – Eu não sei o que aconteceu, mas as coisas iam de mal a pior e em um certo momento... – Ele não conseguiu prosseguir em seu relato.
- Eu não acredito no que estou ouvindo! – Gina estava boquiaberta. – Todo este tempo em que eu estive sofrendo por você. – Uma enorme raiva preenchia o corpo da garota enquanto ela tentava se controlar. – Olhe para mim Harry!
- Eu não sei o que aconteceu... – Harry tentava achar palavras para se desculpar, mas os gritos de Gina impediam que ele completasse suas frases.
- Eu não acredito no que estou ouvindo, pare de se lamentar e tenha a decência de me dizer o que realmente aconteceu! Eu preciso saber.
- Eu e Hermione... Nós acabamos... Ficando juntos. – Ele sentiu como se estivesse sendo torturado ao dizer aquelas palavras. Gina começou a chorar no mesmo momento, sua face estava vermelha e sua tristeza preenchia o ambiente.
- Como você pôde? – Gina sofria como nunca, ela correu para a entrada da barraca e se virou uma ultima vez para Harry antes de sair. – Por favor, não me procure mais, guarde suas falsas palavras de amor para outra pessoa – Ele sofreu muito ao ouvir aquelas palavras, ele sabia que tudo estava perdido.
Quando finalmente conseguiu admitir seu sentimento por alguém, quando finalmente pode se sentir livre para dizer eu te amo, a única pessoa que merecia ouvir aquelas palavras não estava mais ao seu lado, Gina estava com o coração partido e Harry se sentia sozinho novamente.
A noite estava sendo cruel, o sono havia abandonado-o e a dor permanecia, ele não conseguia ficar sozinho em sua barraca, o silencio era uma tortura. Enquanto vagava a esmo pelo acampamento pode ouvir conversas alegres e tristes, mas o que realmente atraiu sua atenção foi uma bela voz que nascia dentro de uma tenda cor de vinho.
A voz possuía um sotaque diferente, mas Harry notava que o idioma era francês, a musica era lindíssima e embalava seu espírito. Ele se abaixou próximo a entrada e permaneceu ali escutando a bela musica, a tristeza ainda estava presente, mas agora ele sentia seu espírito livre. Naquele momento as primeiras lagrimas da noite rolaram por seu rosto, algo acontecia em seu interior, sua mente estava entorpecida e sua dor desperta.
O sofrimento preenchia Harry e a musica o libertava, como uma explosão algo rugiu em seu interior e a dor tomou todo seu corpo, a ultima coisa que sentiu foi a terra gelada tocando em seu rosto.
" – Crucio – A voz fria e serpentina preenchia o ambiente e logo depois era abafada por gritos penetrantes.
Gabrielle chorava enquanto um vulto a mantinha presa contra o chão, seu rosto estava vermelho e suas vestes rasgadas, suas lagrimas rolavam pelo rosto e molhavam o pequeno tapete avermelhado. O pavor em seus olhos era capaz de destruir toda a felicidade que alguém possuía.
Um dos homens mascarados soltava sonoras gargalhadas enquanto chutava o corpo musculoso e forte de Krum, o búlgaro estava mole e inerte, mas a varinha continuava firmemente presa em sua mão demonstrando que ele não havia sido derrotado facilmente.
- Você ainda não está satisfeito? Quer mais? – Belatriz ria com aquele espetáculo de horrores enquanto fazia perguntas sem respostas ao torturado.
- Está pronto para me dizer o que eu quero saber? – A mão pálida de Voldemort apontava sua varinha para Neville, o garoto tentava se colocar de joelhos enquanto a dor o consumia por dentro.
- Eu prefiro morrer! – Neville olhou diretamente nos olhos de seu algoz e cuspiu em seus pés.
- Crucio! – Voldemort gargalhava enquanto via o corpo do garoto se debater com a dor.
- Vamos deixá-lo louco, assim como os pais! – Belatriz parecia estar enormemente satisfeita com a possibilidade de ver mais um Longbottom ser eliminado.
Harry olhava fixamente para Neville, ele nunca havia visto alguém sofrer daquela maneira, a dor provocada por Voldemort parecia ser muito mais intensa do que a provocada por qualquer outra pessoa.
Aos pés do guardião estava caído um pequeno objeto que Harry reconheceu prontamente, era o relógio dos Weasleys, ele estava quebrado, mas ainda podia ser reconhecido. Mais uma vez Voldemort parou com a tortura e olhou fixamente para Neville.
- Esta é sua ultima chance, responda a minha pergunta! – Voldemort vociferou com sua voz ofídica para Neville, mas o garoto não respondeu, muito menos se mexeu. – Crucio! "
- Acorde Harry! Vamos garoto. – Harry abriu calmamente os olhos, a luz incomodava sua visão e o fez lacrimejar.
- Ele acordou! – Uma voz feminina gritou para um grupo de pessoas que rodeava o garoto.
- Harry. – Moody estava muito aflito. – O que aconteceu garoto?
O garoto tentava organizar todos os pensamentos em sua cabeça, se sentia confuso e desorientado. Aos poucos se levantou e recostou-se no sofá, podia ver diversos rostos preocupados e desconhecidos o rodeando.
- O que aconteceu? – Moody mantinha seus braços segurando-o, impedindo que ele caísse deitado no sofá.
Os pensamentos começavam a se ordenar em sua mente e ele conseguia se lembrar claramente do que havia visto, colocou a mão dentro das vestes e agarrou a varinha, em um rápido movimento puxou-a para fora e se colocou de pé, todos os bruxos deram um pulo para trás assustados e abriram caminho para que ele pudesse passar.
- Harry espere... O que esta acontecendo? – Moody tentou segurar o braço de do garoto, mas rapidamente este se desvencilhou e correu para fora da barraca.
Harry correu por entre as barracas o mais rápido que pode, seu corpo deslizava por cima da terra gelada e olhos assustados seguiam seu rápido movimento, ele não sabia como, mas em poucos minutos chegou a pequena saída do acampamento. Os vigias se assustaram com o vulto e fizeram menção de detê-lo, mas antes que pudessem sacar suas varinhas Harry lançou um feitiço em ambos e estes caíram petrificados ao chão.
A noite estava gelada do lado de fora do acampamento e ele sentiu o sangue pulsando no peito, seu coração batia rápido, todo o seu corpo se preparava para a batalha.
