Capítulo 13 – O Melhor Namorado.

Paris, França.

Isabella.

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Eu ia enlouquecer.

Edward não me respondia.

Aro não me respondia.

Alice não me respondia.

Ninguém me atendia!

E tinha cerca de vinte funcionários falando em Francês ao meu redor. Ao mesmo tempo. Eu não entendia meia palavra, mas estava ali para consertar um erro gravíssimo antes da apresentação para Nike, um dos nossos maiores clientes mundiais. A campanha envolvia um jogador de futebol que achou interessante ficar bêbado no dia da gravação. Aro estava no Canadá e Jane, sua filha, não poderia chegar a Paris a tempo de fazer outra apresentação em Londres. Eu queria estar em Madrid comendo carne de porco na beira da piscina do hotel e falando com Edward. Não queria tirar férias, mas agora estaria adorando não fazer absolutamente nada.

Minha vontade era mandar passagens e trazer Maria até aqui. Ela saberia organizar minha mesa e responder meu chamado com um único olhar. Essa barata tonta francesa ficava horas no telefone e eu tinha certeza que não era a trabalho. Talvez ela não tivesse percebido que já tinha sacado qual era a dela. Edward estava a horas sumido, a essa hora ele já tinha que ter tirado a horário de almoço ou simplesmente aparecer no Skype por alguns minutos.

Maldição! Melhor começar a trabalhar! Precisei canalizar toda minha força no esboço a minha frente ou estaríamos seriamente atrasados com essa campanha. Eu odeio atrasos com todas as energias vitais!

O expediente estava encerrando para uns, mas eu tinha muito trabalho pela frente e meu fraco francês dificultava muita coisa. Queria sentar no cantinho e chorar. Meu maior atraso era não conseguir me achar na sala de Caius. Quanta bagunça! Era tudo complicado e desorganizado!

Minha fome estava conseguindo o melhor de mim em atrapalhar minha linha de raciocínio e só com o segurança no andar de baixo, teria que me virar sozinha para comer, mas não podia deixar o trabalho sem acertar o monte de erros. Essa agência era responsabilidade de Caius, o irmão caçula temporão de Aro. Duvidava que conseguisse conciliar sua vida de modelo, farras e orgias com o trabalho. Por isso que tudo aqui sempre dava problema. Garotinho irresponsável!

Meu e-mail piscou e era uma resposta de Helena. Ela tinha demorado dias para digerir minha secura. Esperava que eles me deixassem em paz e seguissem com suas vidas como eu estava tentando fazer com a minha.

...

"Bella, querida. Não me leve a mal... É uma tristeza para nós saber que não há mais um bebê, no entanto, penso que essa seria a oportunidade de você se reconciliar com meu filho. Você era uma boa esposa... Ele some durante dias, está na farra, volta bêbado e existem mulheres estranhas ligando querendo saber dele. Isso é um sinal de revolta, pode ser causada por tudo isso. Pense no amor de vocês!"

...

Que amor?

Agora eu sirvo? Bruxa velha!

Eu não amava James. Nosso casamento acabou por incompatibilidade e falta de amor. Nenhum dos dois dispostos a ceder pelo outro. Ele principalmente. Talvez fosse isso o que ele sempre quis... A vida de mulherengo. Nos casamos cedo, relativamente falando, muita gente da nossa geração estava casando agora, no momento que nos divorciamos. Ele estava extravasando sua juventude perdida e um filho definitivamente o impediria de curtir noitadas. Ele teria que assumir a responsabilidade de me dividir e dividir seu precioso tempo dedicado ao livro e ao trabalho com uma criança pequena. Ele não queria isso e automaticamente não me queria. Eu e o bebê seríamos um pacote só. James não queria o pacote. Ele mal me queria. Foi tão fácil abrir mão do nosso casamento que agora, que ele se danasse.

Eu estava com outros problemas. Eu tinha Edward. Estava apaixonada por ele e não conseguia imaginar a ideia de voltar para meu ex-marido nutrindo fortíssimos sentimentos por outro homem. Era tão intenso que minhas pernas ficavam moles só de pensar nele. No quão delicioso era ter meu coração palpitante feito asas de colibri. Ah, a minha perfeição inglesa! Que saudade...

Meu estômago roncou tão alto que fiquei com vergonha, mesmo estando sozinha. Caramba, será que não tinha nada aqui para comer?

O telefone interno tocou me fazendo saltar da cadeira.

- Srta. Swan? Sou o Pierre.

Ah, o segurança. O inglês dele era tão bom quanto meu francês. Ou seja, péssimo.

- Algum problema, Pierre?

- Tem um homem aqui querendo vê-la. Ele se diz chamar Edward Cullen.

Meio segundo de silêncio. Meu coração pulou!

- O quê? Como ele é? – perguntei com a voz trêmula.

- Alto, olhos verdes e cabelo bagunçado.

Edward!

Eu estava fora da minha cadeira antes mesmo de ouvir o que Pierre estava falando. Desci as primeiras escadas de dois em dois degraus. Quando o vi parado no meio do hall de entrada, com sua mala sobre os ombros, os cabelos bagunçados e um sobretudo preto que o deixou misteriosamente gostoso, não contive o grito que chamou sua atenção e literalmente voei na sua direção, pulando no seu colo, envolvendo as pernas na sua cintura. A última coisa que registrei antes da sua mala cair no chão foi o enorme e brilhante sorriso que ele sustentava no rosto. Nós nos beijamos de forma indecente, ainda mais na França. Eles eram tão cheios de merda.

Alguém tinha que me beliscar porque não estava acreditando que era ele. Minhas lágrimas malditas resolveram que era hora de molhar minhas bochechas e denunciar minha emoção.

- Oh Deus! Eu senti tanto a sua falta! – sussurrou escovando os lábios nos meus – Por que você está chorando?

- Você está aqui! – respondi sorrindo – Não consigo acreditar. Me beija de novo!

Rindo do meu estado de bobice, me beijou novamente, com um pouco mais de ternura e carinho e cheio de paixão. Nos afastamos para respirar e fiquei em pé no chão. Segurei seu rosto e o belisquei na bochecha fazendo-o rir.

- Surpresa! Tcharam! – cantarolou e eu ri, me sentindo bêbada de felicidade.

- Eu estou tão feliz! A melhor surpresa da minha vida! – disse secando minhas lágrimas – Uhn, eu preciso terminar umas coisas e nós podemos ir. – completei me sentindo confusa sobre o que fazer e meu estômago roncou altíssimo – Estou morrendo de fome.

- Eu posso procurar algo para comermos enquanto você sobe e se adianta. Também estou com fome.

- Deixa sua mala comigo... – disse concordando com sua proposta – Não demore, pelo amor de Deus. – meu desespero de perdê-lo de vista ficou palpável na minha voz.

- Eu prometo. Trago o que for rápido e comemos melhor no hotel.

Uhn... Nós iriamos passar a noite juntinhos. Meu estômago cancelou a fome e resolveu ficar nervoso. Merda, eu não tinha me depilado. Ainda bem que meu ciclo tinha ido embora. Seria uma grande porcaria estar menstruada em meio a uma surpresa maravilhosa. Caramba, amanhã é dia dos namorados. Será que ele pensou nisso ou foi só coincidência?

Edward demorou meia hora na rua. Voltou com pães, bolinhos e torta salgada com uma garrafa de vinho. Eu ainda não tinha conseguido fazer absolutamente nada porque estava perdida e deliciada com a sua presença. Comemos rapidamente e ele jurou ficar quietinho me esperando, mas não estava dando certo. Sua presença me deixou desconcentrada.

- Vamos embora... Não vou conseguir mesmo! – resmunguei desligando o computador e começando a catar as coisas. Edward limpou a mesa e jogou nossas vasilhas usadas fora. Ele também ligou para seus pais e conversou com Harry. O menino fofo falou comigo e mandou beijos. Tão doce quanto o pai.

- Qual hotel se encontra?

- Duas ruas acima. Foi o mais próximo que Aro conseguiu me instalar. – respondi fechando a sala e avisando a Pierre que estava indo embora.

- Tá frio aqui.

- Muito.

Nós andamos abraçados até o hotel e eu aproveitei o máximo para grudar nele, sentir seu cheiro e seu calor, passamos pela burocracia de registrá-lo no meu quarto e pedimos uma mesa no restaurante porque aqueles pequenos pedaços de massa não foram o suficiente.

- Quando você decidiu vir? – perguntei assim que nos acomodamos na mesa do canto, mais discreta do local.

- Quando pisei em Londres e vi que estava morrendo de saudades. Você foi me confirmando a data, até que veio mais cedo e vi que poderia vir, arriscar uma surpresa e passar pelo menos um dia com você.

- Você chegou aqui que horas? Deve estar morrendo de cansaço! – comentei me aconchegando no seu corpo – Eu devo confessar que estou tão feliz. Parece que me sinto em paz ou completa. É assim para você?

- Não sei dizer... Acho que essa é a melhor definição de paz e plenitude, mas é muito mais. Eu amo estar com você. – respondeu beijando a lateral do meu rosto – Vamos pedir. O que quer comer?

- Estou empanturrada de massas. Escolha você. É melhor nisso do que eu.

- Concordo. Vinho? – provocou e dei língua, sendo imatura. – Então?

- Branco suave, por favor.

Fiquei de boca aberta com Edward falando perfeitamente em francês com o garçom e ainda conseguiu um sorriso dele. Eu ganhava olhares e sorrisos por onde passava, mas era só abrir minha boca e eles descobrirem que era americana o interesse passava. Completamente. Talvez devesse tentar falar a língua deles com um sotaque inglês eles fossem mais com a minha cara.

Assim que o garçom se foi, abri alguns botões do casaco de Edward e acariciei sua barriga, esquentando minha mão e aproveitando para relaxar pela primeira vez desde que sai do Brasil. Apesar de ter dormido e comido muito na Itália, não descansei um segundo. Ao lado dele todos os meus problemas sumiam feito fumaça.

- Como ficou Harry?

- Chateado porque não vinha ver você. Meu filho está apaixonado por você...

- Assim como o pai dele?

- Assim como o pai dele. – concordou com um sorriso bobo, reflexo do meu próprio.

Nós jantamos no maior clima de romance. Eu estava saciada da minha fome de comida, mas agora, eu tinha outra fome me corroendo. Minha ansiedade para subir ficou estampada na minha cara e por isso pedimos para fechar a conta e saímos do restaurante com felicitações ao chef e ao garçom que nos atendeu muito bem. No elevador, eu queria pular em cima dele, mas tinha um casal de velhinhos. Edward e eu tínhamos imã para casais que queriam conversar em elevadores. Nós nos entreolhamos e tive certeza que ele lembrou a nossa primeira viagem juntos quando um casal de brasileiros nos abordou e quiseram conversar.

No corredor, sentia a tensão nos meus ombros e a excitação me corroendo. Eu estava três passos a frente e ele estava atrás de propósito, olhando para minha bunda, estreitando os olhos com um olhar quente. Senti-me sendo perseguida por um leão faminto. E eu estava mais que ansiosa para ser devorada. Atrapalhei-me um pouco com o meu cartão-chave e isso foi o suficiente para fazê-lo me imprensar contra a porta e me deixar completamente mole. Eu estava tremendo e ele pegou o cartão e passou perfeitamente.

Antes que pudesse dar conta, os lábios dele estavam nos meus e suas ágeis mãos já estavam abrindo meu casaco, querendo arrancar minha roupa. Enquanto abaixei para tirar minhas botas, ele tirou sua própria roupa, ficando só de cueca num piscar de olhos quando eu dispensei minha calcinha. Tropeçamos para cama aos beijos e amassos. Sem preliminares. A saudade que estava sentindo dele era tão grande que não precisava de muita coisa para me sentir completamente excitada.

- Preciso de você. Tipo agora! – sussurrei e ele se afastou, mexeu no bolso do seu casaco e tirou duas camisinhas dali – Sempre preparado.

- Sempre. – sorriu todo gostoso e tirou sua cueca, revelando sua intensa e enorme ereção. Ele estava tão duro que me contorci imaginando sua virilidade dentro de mim. Parecia uma eternidade – Não feche suas pernas... Você está preparada?

- Oh sim... Vem logo! – resmunguei jogando meu corpo com força na cama.

Edward subiu sobre meu corpo, beijando cada pedacinho ao seu alcance, posicionando-se na minha entrada e penetrando-me lentamente, me preenchendo por completo, me enchendo de plenitude e prazer. Eu acho que vou voar. Eu queria desesperadamente gritar tudo que estava sentindo com seus beijos não sincronizados com os movimentos de entrada e saída. Vou explodir.

- Grite baby... Geme pra mim. Diga que você é minha! – rosnou no meu ouvido e isso acendeu um clique dentro de mim que me fez extravasar toda paixão que consumia meu corpo. Queimando por dentro e por fora, não sabia descrever a deliciosa sensação de ser amada com tanta intensidade.

Fogos de artifícios explodiram através dos meus olhos e vi estrelas no momento que gozei junto com ele. Caímos na cama ofegantes e sorridentes.

- Bem vindo de volta...

- Foi maravilhoso voltar.

- Quer tomar um banho comigo? Algo gostoso e relaxante na banheira?

- Perfeito. Preciso relaxar meus músculos.

Nós tivemos um banho quente em vários sentidos, mesmo com a água fria, ainda estávamos lá molhando o banheiro e aquecendo o ambiente tanto com os nossos movimentos quanto meus gritos ecoando entre as paredes. Sexo com Edward sempre seria alucinante. Fiquei tão cansada que não estava mais consciente com ele me secando e vestindo-me com uma blusa cumprida dele. Registrei estarmos abraçados e comentei a minha felicidade de dormir sentindo o cheiro dele sendo aquecida pelo seu calor. Sua resposta me pareceu incoerente porque já estava dormindo.

O telefone do quarto tocou. Era a recepção avisando meu horário de acordar. Aproveitei e pedi o café da manhã porque meu estômago estava conseguindo o melhor de mim. Principalmente depois da noite exaustiva de ontem. Exaustiva e maravilhosa. Virei de lado e ele estava com os olhos abertos e sonolentos.

- Bom dia. Dormiu bem? – perguntei sorrindo e beijando seus lábios.

- Dormi muito bem... Como não dormia em dias. – respondeu sorridente, com a mão boba saindo da minha coxa para meu quadril, cintura e por fim, meu seio.

- É mesmo, por que? – perguntei entrando na pilha, ajeitando meu corpo para que ele pudesse usar e abusar sem limites com as suas mãos.

- Porque eu dormi com você. Simples assim. – respondeu descendo a mão até entre minhas pernas e afastei meus joelhos, sentindo seu dedo massagear meu clitóris lentamente. Uhn... Isso era bom. - E agora, vou mostrar como o dia será excelente. – sussurrou enfiando um dedo dentro, tirando, colocando novamente e começando um ritmo lento só para minha tortura.

Me atrasei para o trabalho, obviamente, mas nada tiraria o sorriso do meu rosto. Edward ficou no hotel, preguiçosamente na cama e nu, olhando-me me vestir enquanto lutava com o desejo de pular em cima dele novamente. Prometi que almoçaríamos juntos e correria para que tivéssemos pelo menos metade da tarde para noite. O mais estranho foi que ele nem reclamou, mas gostei dele não exigir muito de mim. Precisava organizar as coisas na agência e foi com essa determinação que entrei no meu andar e bati a porta com força. Os vidros chegaram a tremer.

Chamei o tradutor, na verdade era um publicitário britânico chamado Max, porém, ele me entendia bem e falava francês quase como Edward. Ele postou-se ao meu lado enquanto todos me olhavam atônitos.

- Bom dia! Vocês ainda não sabem quem eu sou... Pareço apenas uma estranha na sala do Caius. Sou Isabella Swan, diretora de arte e criação da Companhia de Publicidade e Propaganda Volturi. Estou aqui para agilizar a campanha da Nike. A festa acabou e o trabalho começa exatamente agora. Quero todos empenhados como se o emprego de vocês valessem isso... Porque vale. Estou avaliando diretamente o desempenho de cada um. Alguma dúvida?

Esperei que Max traduzisse quase com o mesmo tom que eu. Todos eles piscaram e assentiram rapidamente. Gentilmente, Max me ajudou o dia inteiro, distribuindo as ordens e tarefas. Foi a primeira vez que tudo estava silencioso. Quem trabalha com criatividade precisa de silêncio para pensar. E eu precisava pensar e muito rápido. A gorda bonificação que estava ganhando com esse trabalho, mais a comissão de vendas iria garantir a escola do meu filho. Quando fizesse, claro. Eu tinha que esperar mais um tempo, deixar a poeira baixar e conversar com Edward.

Mesmo que quisesse, não dava para engravidar agora. Eu tinha acabado de me mudar, não conhecia meu apartamento e estava longe da minha família. Talvez devesse esperar as coisas se acalmarem para poder articular isso. Desse ano não iria passar, disso eu tinha certeza.

- Srta. Swan, acabo de receber a ligação que o comercial foi gravado e vídeo já está na edição. Eles marcaram para você passar lá amanhã pela manhã, por volta das 10 horas. Tudo bem?

- Oh Deus, perfeito! Obrigada Max!

Percebi que mesmo assim não seria capaz de sair por muito tempo para almoçar. Uma hora no máximo e olhe lá. Quando Edward chegou, todo bonito e cheiroso, a agência inteira congelou e todas as mulheres suspiraram. Eu as entendia. Ele era lindo demais para a minha sanidade. Porém, era meu. Possessivamente segurei a sua mão e caminhei ao seu lado pelas ruas parisienses marcando território. Encontramos um restaurante três ruas depois da agência e com vista para Torre Eiffel. Aproveitei a oportunidade e tirei umas fotos nossas pelo celular com o monumento de fundo.

- Isso é romântico. – brinquei olhando as fotos – Essa é linda. Vai ficar de plano de fundo.

- Gostei mais dessa. – disse mostrando a sua. Uma nossa beijando, era apenas um selinho, mas não deixava de ser fofa.

- É linda. – suspirei toda boba porque ele era tão romântico – O que vamos comer? O que eu quiser comer?

- Topo. Sem vinho. Preciso estar coerente e bem acordada no trabalho. – respondi fechando o cardápio e ele chamou o garçom, fez o pedido e virou-se pra mim dando um beijinho carinhoso – Como foi sua manhã? Dormiu o tempo todo?

- Não muito. Liguei para meus pais, falei com Harry. Ele não foi a escola hoje porque minha mãe queria leva-lo para ONG hoje.

- ONG?

- Meus pais fundaram uma ONG que ajuda crianças abandonadas e adolescentes grávidas sem apoio dos pais. Também tem uma forte campanha contra o aborto. Sabe, preservar a família e os bons modos. – respondeu orgulhoso do trabalho dos pais. – Carlisle é médico, pediatra e minha mãe é assistente social.

- É um bom trabalho. Minha mãe não tem nenhuma profissão, se formou como professora, mas nunca sossegou no lugar. Ela é relapsa, louca e extremamente amorosa. Meu pai é um policial aposentado. Passei a minha vida inteira sendo criada com eles tecnicamente separados... Eles achavam que enganavam Jasper e eu. Nós sabíamos do relacionamento escondido e alguns anos atrás decidiram colocar as diferenças de lado e voltar a ficar juntos como casados.

- Seu pai é um policial? Por que nunca me falou isso antes? – perguntou parecendo estar assustado.

- Não sei. O que isso tem demais?

- Posso levar um tiro se partir seu coração. – brincou batendo na testa. Bobo.

- Você não vai fazer isso, então, não tem o que se preocupar. – disse apertando sua coxa, cravando as unhas de propósito.

- Recado dado. – murmurou baixinho e ri alto, chamando atenção de algumas pessoas – Ops!

- Eu posso sair por volta das três horas, tudo bem? Vai voltar e me buscar?

- Eu vou dar uma voltinha por aí... Rosalie me mandou uma lista de pedidos e minha mãe também. E então, quando terminar, te pego e voltamos para o hotel. Nós vamos sair hoje a noite. Tenho uma surpresa...

Ele preparou algo para o dia dos namorados! Merda! Tinha que comprar um presente. Agora mesmo que teria que correr contra o tempo. Nós almoçamos rapidamente e voltamos para agência. Esperei que ele sumisse de vista para voltar na direção que viemos e entrei no antiquário para procurar um presente. Minha intuição dizia que ali iria conseguir algo marcante e emocionante. Mesmo que ridicularmente caro. O bonito piano de cerâmica de mais ou menos dez centímetros, pintado e parecendo antigo, tinha os pedais de ouro e pesava pra caramba valia quase dois mil euros. Sem pensar muito nisso, comprei e pedi uma caixa para embrulhar.

Fui ao hotel rapidinho e pedi para a recepcionista guardar e dei o horário que ela poderia ligar e perguntar se poderia entregar. Não tinha ideia do que Edward tinha preparado. Correndo voltei para agência sentindo os saltos do meu sapato acabar com as minhas pernas e meus dedinhos estavam dormentes dentro do meu par favorito de Louboutin. Graças a Deus, deu tempo de fazer quase tudo que precisava. Quando Edward chegou cheio de sacolas, eu estava pronta para ir embora.

Quando tirei meu sapato, quase suspirei de alívio. Não sabia quanto tempo teria para me arrumar, por isso sentei em cima dele na cama. A atenção de Edward nesses momentos era sempre exclusivamente minha.

- Nós vamos sair?

- Infelizmente não. Não consegui nenhuma reserva em cima da hora, mas, o hotel foi gentil o suficiente em me ajudar.

- Preciso me arrumar agora? – perguntei tentando ter ideia do que vestir. – Não sei o que vestir.

- Eu comprei o que eu quero que você vista. Um lindo vestido perolado da Chanel e um belo par de sapatos. – respondeu sorrindo ternamente - Mais a lingerie... Acho que comprei meu próprio presente. – brincou subindo as mãos pelos meus braços e apertou meus seios levemente. – Não precisa se arrumar agora... Podemos ter um tempinho.

- Boa coisa vem para aqueles que esperam. – retruquei tirando suas mãos dos meus peitos e me inclinei para beijar seus lábios.

- Até de noite? – perguntou com um beicinho e ri da sua tentativa de mover o quadril comigo em cima.

- Até de noite. Você precisa ter paciência para poder desembrulhar seu presente por completo. – respondi saindo do seu colo – Vá tomar seu banho porque vou ocupar o banheiro pelo resto do dia.

- Você é quem manda, madame.

Edward não se arrumou na minha frente, eu queria vê-lo vestido, mas não sabia até que ponto ele estava empenhado na surpresa. Gastei horas no banheiro, depilando minhas pernas, fazendo massagem no cabelo, ajeitando minhas unhas e a sobrancelha. Caprichei na hora de secar e usei o meu babyliss para fazer cachos suaves na ponta. Quando sai de lá parcialmente maquiada, vi um belíssimo vestido rendado com perolas até o joelho, sapatos caramelos altíssimos e um conjunto de lingerie branco com detalhes pretos.

Alguém era muito bom nisso ou teve uma excelente ajuda. Uma rosa com bilhete me chamou atenção. Edward dizia que me aguardava ansiosamente na cobertura para começar a nossa noite. Que tomasse meu tempo, mas não todo tempo do mundo porque estava nervoso. Corri para terminar de maquiar de acordo com a roupa e me vesti, me sentindo instantaneamente gostosa e ansiosa com toda aquela preparação. Liguei para recepção e pedi meu presente. Eles não demoraram muito, mas eu continuei andando de um lado ao outro quase abrindo um buraco no chão.

Era o primeiro dia dos namorados que comemorava na vida!

James não curtia a data porque era algo inventado pelo capitalismo, para o consumo exacerbado. Nos primeiros anos ficava chateada, mas depois parei de fazer questão. Agora entendia que isso era importante. Este sentimento de curiosidade e antecipação apimentava a noite. Levei o celular para poder tirar fotos de nós dois. Queria guardar este momento para sempre. No elevador, apertei o botão para a cobertura e fui pega de surpresa pelo caminho de pétalas de rosas e velas até a mesa, Edward estava de costas olhando para a iluminada Paris.

Sabendo da minha chegada, virou-se, sorrindo ternamente em uma camisa azul clara, calça preta social e sapatos brilhantes. A mesa estava posta para dois e Coldplay tocava baixinho. Essa seria a nossa banda, pelo visto.

- Eu comprei algo... Espero que goste. – sussurrei esticando a caixa e ele pegou, ansioso, desembrulhando sem nenhum cuidado. – Representa a primeira vez que te vi. Eu acho que me apaixonei por você só pelo seu olhar.

- Oh... No bar do hotel. – disse passando as pontas dos dedos no piano e nos pedais – Eu toquei Yellow. Sabia que antes de você, eu detestava essa música? Ela me deixava sufocado. Hoje eu entendo que eu não podia cantar essa música para ninguém além de você.

- Eu sempre amei esta música... Só nunca tive ninguém para cantar pra mim. – retruquei me sentindo mais calma agora que ele tinha gostado do presente.

- Eu amei. Obrigado. – disse beijando-me levemente. – Deixe-me pegar o meu.

- Mas e a lingerie? – perguntei confusa. - Eu pensei que esse fosse seu presente.

- Também. É um presente com benefício para ambos, mas o meu presente está aqui. – pegou uma caixinha de veludo com uma pulseira com alguns pingentes – Os lugares que estivemos juntos. Aqui tem o Cristo Redentor e a Torre Eiffel. Cada lugar que conhecermos irei acrescentar um pingente. – disse colocando no meu pulso.

- Oh... É tão linda! – sussurrei sem palavras. Minha garganta estava fechada com um nó. Uma pulseira de ouro branco com pedrinhas de diamantes e pingentes. – Eu amei! Amei! Obrigada! – gritei beijando-o. – Feliz dia dos namorados.

- O primeiro de muitos.

Edward estava na minha vida para ficar. Eu estava tão feliz com isso que me senti nas nuvens!