Episódio 14: Não quer dizer nada.
Sonic acorda muito estremunhado quando se apercebe que não se encontra na sua cama mas sim numa rede no viveiro ao lado de Amy. De seguida, os pensamentos do dia anterior vêm-lhe à cabeça e por fim recorda-se.
Ele e Amy, sairam da clareira onde se tinham beijado apaixonadamente e ambos como que flutuando foram até à nave. No entanto Amy disse que preferia agir naturalmente em vez de contar a toda a gente que eles tinham alguma espécie de 'relacionamento'.
Quando chegaram já era quase noite e todos estavam muito cansados do dia anterior por isso foram-se deitar.
Amy: Bem, nós também deviamo-nos ir deitar. – disse Amy cautelosamente.
Sonic: Deitar até que posso ir agora dormir…
Amy: (Afagando-lhe a cara.) Tens tido problemas em adormecer?
Sonic: Bastantes. – respondera ele, a verdade é que tinha andado bastante nervoso com aquela história toda, principalmente sabendo que ela era uma chave essencial para sairem vitoriosos daquele desafio.
Amy: Então anda!! Tenha a solução ideal!! – nisto pegou-lhe na mão e desatou a correr, arrastando com Sonic consigo só parando quando chegaram ao viveiro.
Sonic: Mas o que é que?
Amy: SHIUU! – disse ela colocando-lhe um dedo nos lábios que fez Sonic ficar algo sem jeito devido à proximidade em que ambos se encontravam.
Nisto entraram para o viveiro onde Amy fechou imediatamente a porta, assustando Sonic por uns momentos. Nisto conduziu-o a um recanto que ele nunca antes havia reparado e ali encontrou um rede enorme, presa a várias árvores, onde havia um enorme colchão azul esverdeado com várias almofadas verdes e um cobertor castanho.
Sonic: É aqui que tu dormes Amy?!
Amy: Sim, sofria do mesmo problema que tu devido à pressão que estou sujeita mas aqui consegui relaxar e passar as minhas noites descansada. E de certeza que vai resultar contigo!!
Sonic: (Incrédulo.) Tu queres que eu durma aqui?? Contigo?!
Amy, deixa escorrer um gota de suor do tamanho da sua cabeça.
Amy: Não, com a minha avó!! Até parece! – disse ela deitando-se e arrastando-o consigo. Cabiamos cá três sem sequer nos tocarmos, por isso não precisas de ficar todo envergonhado! -.-'
Sonic: Eu?! Envergonhado?! AHAHAH.
Na verdade ele tinha medo daquele estranho impulso que sentiu quando se deitou perto de Amy, que fez com que este a abraçasse formando uma espécie de concha protectora, enquanto ela se aninhava nos seus braços suspirando. Era a melhor sensação do mundo, estava a ser evadido por uma sensação de segurança e atrevimento que o fez dar-lhe um leve beijo no pescoço enquanto fechava os olhos descontraído e mergulhava num sono profundo.
Assim que Sonic se recordou da noite anterior, deitou-se de novo enroscado, agarrando Amy e inspirando o seu perfume, finalmente sem medo de que a máscara pudesse cair.
No entanto esta virou-se e quando deu de caras com os olhos de Sonic a olharem para os seus ia gritando de grande, mas calou-se a tempo.
Amy: Meu Deus!! Pensava que tinha estado a sonhar!
Sonic: (Amuado.) Pela tua cara mais parecia um pesadelo!
Amy: Não sejas tonto!! – nisto dá-lhe um beijo leve nos lábios que faz Sonic ficar vermelho.
Amy: Ficas tão querido quando estás envergonhado! – enrosca-se de novo no entanto virada para ele, enquanto Sonic coça a cabeça sorrindo com aquela sensação maravilhosa que lhe invade o coração.
Os outros já se começaram a levantar e Rouge e Knukles, para variar um pouco já discutem devido a um jogo de cartas que se encontravam a jogar no pedestal por baixo da M.E.
Knukles: Rouge és uma batoteira do piorio!! – diz isto amachucando as cartas que tem na mão depois de apanhar Rouge a mexer nas cartas que já tinham saido.
Rouge: Oh vá lá Knukie!! Só para dar um pouco mais de emoção ao jogo…
No entanto Knukles continua amuado.
Rouge: Pronto eu confesso: é a única maneira de te ganhar!!
Knukles: AHAHAHAH! Eu sabia!!
Rouge: Ah seu!! Mal educado!! - salta para cima dele fazendo-lhe cócegas.
Nisto passa Shadow.
Shadow: Bem isto sim é que é clima… -.-
Knukles cora até à linha do cabelo e Rouge ainda faz pior colocando-se ainda mais em cima dele.
Shadow limita-se a passar e a murmurar um 'enfim' entre dentes.
Knukles: Este aqui anda muito estranho desde que conheceu a tal de May. Anda com a mania que é engraçado.
Rouge: Cá para mim, essa tal de May apanhou o Shadow de quatro!! – diz desconfiadamente.
Por falar em May, esta encontrava-se cá fora com um caderno de desenhos onde parecia estar a desenhar detalhadamente todas as estrelas. Fazia isto enquanto cantarolava uma música calma.
Shadow, chegara nesse preciso instante através de um Chaos Control e notou que a sua presença não fora percebida e por isso decidira observar aquele sujeito estranha que tinha caido na sua vida que nem um avião.
Shadow: (Falando consigo próprio.) Não acredito que ela esteja mesmo a tentar desenhar as estrelas todas.
Aquela rapariga era mesmo muito estranha, de tal modo que até chegava a ser fascinante pois este nunca tinha visto ninguém como ela. Assim tomou a decisão de se aproximar.
Shadow: Isso é uma tarefa algo inglória…
May: Mantém-me distraída.
Shadow: Não estás mesmo a pensar em aí colocar as estrelas todas? Sabes que isso é impossível?
May: Não quer dizer que não valha a pena tentar. Shadow não se deve misturar o conceito de causas impossiveís com o conceito de causas perdidas.
Aquelas palavras ressoaram no interior de Shadow, era uma verdade absurda, mas no entanto era verdade. Tudo aquilo que ela dizia parecia ter um enorme significado para ele.
Shadow: Tu realmente és um bocado chéché. – disse isto sem pensar, no entanto ficou impressionado com a resposta.
May: Nem imaginas o quanto. – e nisto sorriu genuinamente para Shadow, um sorriso aberto e brilhante, e Shadow sorriu também, coisa que ele não costumava fazer a não ser quando ria às gargalhadas das figuras que Knukles fazia ou quando Amy perseguia Sonic.
May vira o caderno para Shadow para lhe mostrar o que fez, este aproxima-se sem querendo acreditar no que os seus olhos viam. Eram sem dúvida os desenhos mais belos e detalhados que alguma vez tinha visto, mostravam a equipa toda, e ele estava sem dúvida muito bem representado.
Shadow: UAU! Tu desenhas mesmo muito bem! – disse assombrado.
May: Queres ficar com ela? – disse inocentemente.
Shadow: Não!! De certeza que te custou muito a desenhar! – disse de descontravontade, pois queria aceitar, para assim poder ficar com uma recordação dela.
May: Não há problema algum! Eu tenho memória fotográfica por isso eu faço outro na hora! – rasgou a folha e colocou na mão de Shadow. – Aqui tens. Ah, e a minha tarefa impossível, aqui está!
Shadow nem queria acreditar quando viu uma folha enorme com as estrelas todas detalhadas.
May: As estrelas têm um padrão de organização. As do resto do universo seguem todas este. Basta apenas ser um pouco observador para perceber. ;D Como eu te tinha dito, causas impossíveis, não são causas perdidas.
Assim levantou-se, e saiu deixando o desenho aberto no chão. May não compreendia porque se sentia sempre tão à vontade com aquele sujeito solitário. Conseguia sempre ser ela própria, responder com naturalidade como se já o conhecesse à anos atrás.
Já Shadow, ficou abismado, com as palavras de May, que em tudo lhe faziam lembrar Maria que apreciava as pequenas coisas. Deu por si a olhar para o desenho deles todos e raparou que nele, May e ele estavam lado a lado, e ele incrivelemente estava a rir. Aliás todos riam com enorme cumplicidade. Quando viu aquela imagem, o seu coração aqueceu e uma estranha sensação de alegria percorreu o seu corpo inteiro.
No cokpit, Tails e Cream andavam numa enorme azáfama e corriam de um lado para o outro pois todos decidiram ficar a dormir.
Cream: Ai!! – diz enquanto caia exausta no chão.- Não aguento mais Tails!
Tails: Cream estás bem?! – Tails foi desde logo abraçar Cream, que como toda a gente sabia amava bastante.
Cream: Não sei como é que é possível mas nós somos os mais novos e mesmo assim os mais responsáveis!
Tails: Tens razão! Eles já vão ver! – assim liga o intercomunicador no máximo volume e põe um galo a cantarolar o que se ouve por toda a a nave, enquanto ele e Cream se riem a bandeiras despregadas.
De repente todos chegam ao cokpit muito estremunhados.
Blaze: MAS QUE PORRA DE BARULHEIRA É ESTA?!
Tails: Muito simples! Eu e a Cream não somos escravos de ninguém! – pega na mão da coelha. – Por isso, eu e ela vamos fazer um pic nic lá fora e vocês vão tratar da nave, agora organizem-se!!
E sairam os dois, com Cream mais contente piscando o olho para Amy.
Silver: Oh bem, eu aqui no cokpit não fico!! Não sei mexer em nada disto.
Espio: Eu posso ficar. Não tenho nada que fazer de qualquer das formas.
Vector: Eu fico contigo Espio! Não te vou deixar aqui sozinho! Vou mas é por aqui um som! – vai ao leitor de cd's e põe um que coloca com o volume no máximo.
Knukles: Oh meu Deus! Os meus ouvidos! Arghh! Minha linda Master Emerald aqui vou eu!! – desata a correr.
Amy: Eu vou para o meu viveiro deve ser o único local onde não se ouve este chinfrim.
Por fim, as raparigas acabaram por ir para o viveiro de Amy descansar enquanto esta tratava das plantas avisando mil vezes Blaze para não brincar com o fogo. Quanto aos rapazes foram para o pedestal por baixo da M.E. fazer companhia a Knukles.
Cá fora, Tails e Cream estavam a passar um óptimo bocado, comendo e conversando.
Tails: Bem Cream este teu bolo é divinal!!
Cream: Obrigada Tails! Mas eu acho que exagerei no chocolate…
Tails: Então exagera sempre!!
Os dois riem descontraídos.
Na M.E. os rapazes estavam a ter uma conversa de homens.
Silver: Ouçam o que eu vos digo! Desde que aconteceu aquela coisa toda dos beijinhos, o ambiente nesta nave anda muito mais estranho…
Sonic engasga-se de repente.
Knukles: E aqui o nosso amigo Sonic que o diga, não é verdade?!
Sonic: O que é que estás para aí a dizer?
Knukles: Pensas que eu não sei, que tu e a Amy, têm algo?
Sonic: Espera aí… quem é que sabe disso?
Shadow: TODA A GENTE!!
Todos começam a rir na cara de Sonic.
Sonic: Bah, realmente é impossível manter segredos nesta nave. – diz isto enquanto escorre uma gota de suor do tamanho da testa.
Silver: Mas eu não percebo… Tu afinal gostas dela?!
Sonic toca os indicadore várias vezes mostrando o seu nervosismo.
Sonic: Bem, eu a modos que… como é que uma pessoa vai dizer isto, eu …
Shadow: Opah, sempre gostaste dela! Isso sempre foi óbvio!
Sonic: A sério?
TODOS: Bastante.
Sonic: Pois, para ela parecia não ser, ela estava um bocado mal quando a encontrei. Eu, sabem queria esperar até ela ter a idade certa e…
Silver: GA-LI-NHA!!
Sonic: O quê?
Knukles: O que o Silver está a dizer é que bem, tu estás a dar essa desculpa mas a verdade é que tu sempre tiveste medo de admitir!!
Sonic: OH! Olha quem fala!! Que passa metade do tempo com a Rouge e depois diz que não quer nada com ela!
Knukles: Isso é muito diferente! Ela é que para aqui vem chatiar-me! – diz enervando-se.
Shadow: Pois sim! AHAHAHAH – diz rindo-se. – Por isso é que ela é sempre posta daqui para fora a correr não é?!
Knukles: GRRRRR ! E olha também tu! Não podes falar sabes porquê? Porque tu e a May andam muito próximos! Tu ris-te muito com ela, eu bem vejo quando estão os dois a ver aquelas comédias bué chatas!
Shadow: Olha isso é porque ela nunca viu uma televisão terrestre, e ela consegue encontrar coisas que te passam despercebidas e que ainda te fazem rir mais!
Silver: Cá para mim tu gostas dela!
Shadow: (Sussurrando.) Pois eu estou a gostar assim um pouco…
Sonic: Hã? O que é que disseste? Tu já falas baixo mas estás a exagerar!
Shadow: (Sussurrando ainda.) Gosto um pouco…
Silver: O QUÊ?! Fala como gente pah!
Shadow: (Enervando-se e gritando em plenos pulmões.) EU GOSTO DELA PORRAAA!!!!!!
Silver: uau, isso sim foi uma declaração. Já te passou pela cabeça que elas estão mais ou menos por cima de nós e provávelmente devem ter ouvido?
Shadow congela e cai para o lado.
Sonic: Shadow?!
Shadow: Aiii… espero que ela não tenha ouvido… (corando imenso.)
Sonic: Calma, não é preciso ficares assim.
Shadow: Ela… ouviu ? (ainda congelado.)
Silver: Shadow ganha alguma coragem!
Shadow: Olha quem fala! Tu gostas da Blaze aos anos e ainda nem nada lhe disseste…!
Silver: Mas isso é porque, porque…
Sonic: Calem-se mas é! Eu ao menos estou de bem com a minha miúda e digo-vos a sensação é óptima!!
Knukles: BLHERQ ! :OO
Enquanto os rapazes discutiam sobre o facto de não se declararem às raparigas pelas quais estão interessados, estas apenas tinham ouvido o grito de Shadow no viveiro, mas não compreenderam o que esta havia dito.
Rouge: Ouviram aquilo?! – diz ela com uma ruga de desconfiança a meio da testa. – O Shadow a gritar?! São mesmo uns abrutalhados! E o Knukles é o pior deles todos.
Blaze: Oh o Silver não é nada! Até que é bem querido!! :3 Preocupa-se tanto com os outros… - e nisto deixa soltar um suspiro. Blaze falava maravilhada daquela faceta nova de Silver que até agora lhe tinha passado despercebida. A verdade é que sempre combateram juntos mas nunca tinham confraternizado muito. Agora Blaze culpava-se por ter sido um pouco insensível a princípio. A verdade é que sempre que estava com Silver sentia-se bastante bem.
Enquanto Blaze pensava agora no seu beijo com Silver, Rouge espicaçava Amy sobre Sonic.
Amy: Okay, eu e o Sonic estamos a manter uma espécie de realcionamento. Estás contente agora?
Rouge: Bastante!! Eu bem sabia que o azulão gostava de ti… Aliás, sempre que te acontecia alguma coisa ele passava-se!
Amy: (Que começava a ficar interessada.) A sério?
Blaze: Eu que o diga! Ficava totalmente paranóico. E então quando tu te foste embora não saiu de casa até voltares!
Amy, agora estava abismada. O Sonic que adorava correr o mundo inteiro fechado em casa? E por sua causa? Agora parecia perceber que Sonic gostava mais dela do que aquilo que aparentava.
Amy: Uau… O Sonic sem sair de casa!!
Entretanto, Sonic que esteve a escutar a parte da conversa dedicada a ele, ficou muito contente com a reacção de Amy e não aguentou ficar escondido, por isso saiu do meio da folhagem onde se encontrava.
Sonic: Podes crer!! Estava mesmo mal!
Amy vira a cabeça para de onde vinha a voz, no entanto Sonic adianou-se e foi para o seu lado abraçando-a tal e qual como Amy fazia quando antes o perseguia. E sussurrava 'amo-te' no seu ouvido para grande prazer de Amy.
May: Bem acho que me vou embora…
Rouge ajuda a levantar May e Blaze também já se encontra de pé.
Rouge: Vamos, vamos que já estou aqui toda a colar!!
Blaze: O mel é tanto!
E nisto saem rindo.
Amy: Invejosas!! – diz enquanto Sonic desvia a sua cara para a encarar nos olhos muito sério e para depois lhe dar um beijo e se desmanchar a rir de seguida.
Amy: Ai queres rir é? – nisto salta para cima dele e faz-lhe cócegas.
Sonic: AHAHAH!! – diz rindo imenso. – Vais ver !! – e nisto rebola fazendo-lhe cócegas a ela também.
Já Shadow, andava inquieto de um lado para o outro na sala de convívio ainda a pensar se May teria ouvido aquilo que ele tinha dito. Nisto, para seu grande azar, entra May, e este começa imediatamente a suar frio.
May: Meu Deus acho que nunca te vi tão nervoso!! – diz enquanto se afundo no sofá. – É verdade, - continuou ela - o que é que estavas para lá a gritar?
Nesse momento Shadow congela, imediatamente.
Knukles, Blaze, Silver e Rouge que tinham uma camara na sala de convivio de propósito para aquilo riam-se a bandeiras despregadas das figuras de Shadow.
May: Shadow, tu estás bem? – diz isto enquanto se aproxima dele, tocando-lhe num braço. – Mas tu estás gelado!!
De seguida, e para grande felicidade de Shadow, May dá-lhe um beijo na testa para ver a sua temperatura.
May: Mas tu estás a arder!!
Shadow pensava 'pudera, contigo aqui!'.
Nisto Shadow ia-se passando visto que May o abraça e faz um caos control para o quarto dele onde o deita.
Os outros ficaram frustrados, visto que já não os podiam espiar.
Shadow: Como é que tu?
May: Fiz um Chaos Control? Bem, eu observei-vos e tentei imitar. Não é lá muito díficil!
Shadow sorriu timidamente, ela realmente era poderosa e muito inteligente, e bonita, e excêntrica, e maravilhosa e… Shadow decidiu parar antes que ficasse com danos cerebrais visto que ele é que devia ser o SER PERFEITO aqui.
Assim, o seu orgulho venceu e preparava-se para se levantar até que May teve um rasgo de lucidez e o impediu.
May: Vocês estavam a conversar sobre miúdas! Não era? – disse insinuosamente.
Shadow, congelara outra vez onde estava.
May: Eu sabia! Aqui o nosso Shadow é tímido! – disse dando-lhe um murro no ombro.
Shadow: Não sou nada! – disse ele com alguma dificuldade.
Mas, para variar May tomou uma atitude que Shadow não estava à espera: sentou-se com os joelhos encostados ao tronco, uma posição que revelava alguma timidez.
May: Eu por acaso sou bastante, nesses assuntos. – disse inocentemente. – A maior prova disso é que não fui capaz de contar aos outros sobre os meus pais…
Shadow estava maravilhado. Ela realmente era uma pessoa incrivel, e não nenhuma convencida como parecia à primeira vista. Ela usava a mesma concha que ele usava para se proteger do mundo exterior.
Assim, decidiu sentar-se da mesma forma que ela.
Shadow: Eu realmente não me enganei a teu respeito! Tu usas mesmo uma máscara!
May: O mesmo posso dizer de ti!
Ambos sorriram com vontade.
May: Mas eu sinceramente não percebo mesmo nada de relacionamentos.. Sempre vivi com os meus pais no planeta e mais ninguém! Acreditas que apenas tive um namorado em toda a minha vida? Mas em compensação tive vários amigos imaginários!!
Ela sorria genuinamente. Shadow olhava-a fascinado, ela era tão simples mas ao mesmo tempo tão excêntrica!
May: E a tua história??
Um momento de silência instalou-se.
May: Claro, que se não quiseres contar…
Shadow: Não, na realidade já ultrapassei…
Assim contou-lhe toda a sua penosa história, não poupando pormenores e parecia encontrar alivio para as suas mágoas nos seus olhos carmesim.
May: És um sortudo Shadow.
Shadow, não compreendeu este comentário. Tinha sofrido tanto e ela estava a dizer que ele era um sortudo?
May: Quer dizer.. Por pouco que tenha durado, tiveste um relacionamento onde foste muito amado! E um sentimento assim não morre nunca! Deve ter sido mesmo muito bom, e agora sentir essa saudade toda! É sinal que somos humanos, mesmo as nossas dores só servem para que não esqueçamos pessoas especiais como ela foi para ti. Sinceramente tenho inveja de ti.
Shadow, agora sorria mais do que nunca. Ela tinha lhe dado uma nova perspectiva para ver a vida, e sinceramente ele estava a adorar pensar assim na sua dor, que agora lhe parecia muito mais que uma simples dor mas sim uma recordação.
Shadow: Sabes? Tens uma forma muito peculiar de ver a vida.
No entanto o seu comentário parecia tê-la ofendido.
May: Pff… Isso era o que os amigos dos meus pais diziam quando iam a minha casa e me viam a falar sozinha…
Shadow: Uma maneira simpática de te chamarem louca.
Disse aquelas palavras como se as cuspisse. Estava deveras triste, por ter dito tais palavras odiosas, ela que lhe tinha dado apenas razões para sorrir.
May, no entanto apertou-lhe a mão, num gesto que revelava que desculpava.
May: Eles bem eram inteligentes. EU SOU MESMO UM BOCADO LOUCA!!
Shadow olhou para ela e desatou a rir, assim como ela. Sentia-se deveras radiante por estar a começar a amar aquela rapariga.
No entanto a diversão de todos acaba abruptamente quando Vector ressoa pelos corredores e divisões da nave dizendo que está-se a aproximar uma enorme nave Prox. Todos correm para fora e vêm que a nave parece estar quase deserta.
Shadow: Parece que esta nave não é dirigida por ninguém…
Tails: Sim, provávelmente só deve ter alguns robôs dentro. No entanto vou levantar os escudos por precaução.
Mas May parece estar algo alterada e parece conter algumas lágrimas nos olhos.
May: Se não se importam, eu gostava de ir ver o interior da nave. Pode ser que haja lá alguma coisa de útil…
Sonic: E vais lutar com aqueles robôs todos sozinha?
Knukles: Nada que eu não conseguisse fazer… - no entanto recebe um belisco de Rouge e cala-se imediatamente.
May: Eu vou tentar entrar sem ser detectada, além de mais eles podem ter camaras que podem avisar os outros Prox que aqui estamos…
Amy: Penso que a May tem razão… Se calhar alguém devia ir lá destruir os equipamentos apenas por precaução!
Silver: Okay, eu posso ir!
Vector: Eu também vou! Farto de estar naquele cokpit estou eu!!
Shadow: Eu também vou… Quero procurar uns arquivos sobre os Prox…
Rouge dá uma cotevelada em Knukles e ambos riem baixinho.
Sonic: Eu também vou, tenho de esticar as pernas…
Assim Sonic, Vector, Silver, Shadow e May sobem furtivamente a bordo da nave.
May avança quase invisivel e efectua um rapidissimo Chaos Control.
Sonic: Isto foi estranho, qual a necessidade de efectuar um Chaos Control?
Shadow: Não sei mas vou descobrir!! Acho que vou seguir o rasto de Chaos Force dela e depois logo vejo onde vou dar.
Silver: Muito bem, nós continuamos por aqui!!
Cada um segue o seu caminho, no entanto, Silver, Sonic e Vector não encontram nada para além de uns velhos arquivos, munições e robôs destruidos.
Vector: Parece que ocorreu uma batalha daquelas aqui!!
Silver: Podes crer. Provávelmente alguma resistência contra os Prox penetrou no navio, e este saiu da rota!!
Sonic: O melhor se calhar é destrui-lo completamente!
Vector: Vamos a isso!! – diz enquanto começa a derrubar vários computadores.
Sonic e Silver começam a rebolar com muita velocidade destruindo tudo aquilo que encontram pelo navio.
Enquanto isso May caminha por aquilo que parecem ser os restos de um laboratório.
May: Meu Deus! Foi mesmo esta a nave que levou os meus pais!!
Nisto começa a vasculhar nervosa nos arquivos lendo tudo com muita atenção e guardando na sua mala. Após ter recolhido muito material encontra um envelope com o seu nome escrito.
May: Isto é a letra da minha mãe!!
Quando o abre encontra um estranho dispositivo, que liga, e lança um holograma onde aparecem dois ouriços, um macho e uma fêmea em muito parecidos com ela.
Mãe: Minha querida, se um dia vires isto, é porque aconteceu o pior. – diz isto quando deixa cair um pequena lágrima, no entanto continua a sorrir.
Pai: Já o esperávamos visto que nos recusámos a colaborar. Não criámos nenhumas armas para esses sádicos, descansa não te desiludimos querida. Tudo aquilo que eles possuem foi porque nos roubaram projectos, já feitos à algum tempo atrás. Aquilo que não conseguimos destruir.
May começa a deixar escapar algumas lágrimas.
Mãe: Mas querida não chores. Nós fomos para um sítio melhor, e fomos orgulhosos de ti meu amor. Não te esqueças nunca de nós, lembra-te que és uma força da natureza, que não pode ser derrotada! Sê melhor que todos, e nunca te esqueças de sonhar alto, muito alto.
Pai: Não te importes se te chamarem lunática, doida ou mesmo louca. Lembra-te que é a excêntricidade que nos faz diferentes e é pela diferença que devemos marcar. Rodeia-te por bons amigos. Sei que te mantivémos reclusa por muito tempo, pois tinhamos medo do próprio mundo. No entanto, o mundo veio ter connosco, com todo o medo possível e imaginável.
Mãe: Mas fizemo-nos fortes. E é isso que queremos que sejas. Sê forte, chora o que tiveres a chorar agora, mas quando te lembrares de nós lembra-nos com saudade, sorri quando pensares em nós. Lembra-te querida, nós lutámos até ao fim.
Pai: - chorando também- Nunca te esqueças de quem és pequena May.
Nisto a transmissão acaba. E May ajoelha-se sobre o envelope, onde encontra uma pulseira com vários quadrados coloridos que se podia observar no pulso da sua mãe na gravação.
May: Não pode ser… - diz enquanto olha para a pulseira.
Shadow tinha observado a cena toda, e nem ele sabia o que fazer. No entanto um impulso mais forte do que ele fez com que este, fosse ter com ela, e lhe tocasse.
Shadow: May? – disse nervosamente.
May: Eles estão… eles estão… - dizia soluçando.
Shadow estava com o coração apertado. Não sabia o que fazer, mas nisto algum impulso fez com que a abraçasse fortemente.
Shadow: Eu sei, eu sei…
May também se tinha agarrado a ele, chorando e soluçando, Shadow afagava-lhe a cabeça numa tentativa desesperada de a fazer sorrir de novo, aquele sorriso que ele adorava. Era como se a dor dela o atingisse também a ele. Ao fim de um longo momento May parou de soluçar e Shadow aproveitou para se encostar com ela a uma parede e para a olhar nos olhos pela primeira vez. Ela ao encarar os seus olhos teve um rasgo de determinação e nisto as lágrimas começaram a cair mais devagar.
Shadow: Tu estás bem? – perguntou a medo.
May: Agora ainda não, mas vou ficar. – disse enquanto a sua voz ainda lhe tremia.
Nisto levantou-se e colocou a pulseira no pulso. De seguida pegou no objecto do qual saira o holograma e colocou-o no envelope que guardou na sua bolsa.
May: Sabes bem qual é a minha perspectiva. E eles pediram-me para ser forte. Por isso é o que eu vou ser. – disse enquanto lançou um sorriso genuino a Shadow.
Shadow, estava abismado, era sem dúvida heróica a maneira como ela estava a ser forte.
Shadow: Sabes que podes contar comigo, não sabes?
May: Sei, afinal, tu até que és um bom amigo! – disse ela piscando para ele.
Nisto chegou o resto.
Silver: Vamos destruir a nave! Vá vamos embora!
E assim desataram todos a correr.
Quando todos estavam no ciclone vê-se Sonic a acabar com a nave, que explode enquanto Sonic aterra na nave.
May olha para a explosão algo melancólica, ao seu lado encontra-se Shadow observando-a atentamente. 'Aqui para tudo May,' – pensa ele.
