CAPÍTULO TREZE
— Olhe, Edward! — exclamou Bella. — Nós estamos passando debaixo de Harbour Bridge! Não parece fabulosa daqui?
— Com certeza — concordou ele.
Eles estavam em pé no deque do Spirit of Tasmania, juntamente com outros passageiros, apreciando o sol da tarde e a maravilhosa vista da cidade enquanto a balsa percorria lentamente seu caminho de Darling Harbour em direção a Sidney Heads.
— Ainda não posso acreditar o quão rapidamente você fez tudo — disse Bella com um olhar encantado para o homem bonito ao seu lado. —A floricultura. Esta viagem. Meu anel de noivado... — Ela olhou para o glorioso anel de diamante brilhando em seu dedo.
— Minha mãe diz que eu sou uma pessoa extremamente competente.
Bella sorriu-lhe.
— Neste caso, gosto de pessoas extremamente competentes. — Bella teria preferido dizer amo. Todavia, durante a noite, tinha aceitado que seu amor por Edward era unilateral. Edward gostava dela, e estava totalmente comprometido com o casamento. Isso significava muita coisa. E quem sabia? Talvez, com o tempo, a memória da esposa desapareceria. Joanna estava morta, e Bella estava ali, bem viva para cuidar dele e amá-lo.
Milagres aconteciam. Afinal de contas, quem teria acreditado que ela brevemente seria a dona de Uma Flor Por Dia? Ou que iria morar naquela incrível cobertura? Ou que teria um homem como Edward como marido e pai de seus filhos?
Por outro lado, sua decisão impulsiva de deixar Richard comprá-la como esposa não era um milagre. Uma decisão que tinha sido parcialmente inspirada por fúria. Uma fúria que ainda não fora aplacada.
— A propósito, Edward — começou ela — eu quero que Sue saiba que a floricultura foi comprada para mim por meu noivo. Você pode conseguir isso? — Gostava de imaginar as expressões de Leah e Jacob quando descobrissem isso. Esperava que o choque fosse grande.
— É claro — respondeu Edward. — Mas é melhor deixar a surpresa para depois que a escritura for passada, não acha?
— Sim, tem razão. Aquela vadia pode desistir da venda, se souber que eu vou ficar com a loja. Você é um homem sábio.
Sábio e maravilhosamente apaixonado. Bella poderia perdoar Edward por não amá-la, se a paixão sexual dele por ela permanecesse intacta. Na noite anterior, ele tinha sido especialmente apaixonado.
Um súbito pensamento lhe ocorreu. Oh, Deus. Como pudera ser tão imprudente?
— Edward — sussurrou em tom desesperado.
— O que foi? — sussurrou ele de volta, inclinando a cabeça para o lado dela.
— Em minha pressa de fazer as malas, eu... eu esqueci de trazer minhas pílulas anticoncepcionais.
— Isso é um problema? Afinal, ambos queremos filhos, Bella. E, quanto a mim, não quero esperar muito tempo. Por que não esquecer as pílulas de agora em diante?
— Não, você não entende. Quero muito ter um bebê seu. Mas antes, tenho certeza que meu ciclo está para vir em um ou dois dias. E... eu não gosto... Quero dizer...
— Eu entendo, Bella. De verdade.
— Tem certeza?
— Por favor, não se estresse, querida. Não estou aqui com você somente por sexo. Além disso, ainda temos esta noite. Embora eu provavelmente acorde com dor nas costas amanhã, se eu me esforçar muito naquela cabine minúscula, com uma cama menor ainda.
— Eles certamente não escolheram as camas com homens como você em mente — concordou Bella, aliviada que Edward não estava zangado com ela.
— Eu me viro — disse ele. — Notei uma pequena mesa firme entre as camas de solteiro, e outra embaixo do espelho. Não são tão boas quanto minha mesa de trabalho, ou à sua na floricultura ontem à noite, mas necessidade é a mãe da invenção.
— Psiu — avisou ela, olhando para um casal mais velho ao lado deles.
— Você está certa — murmurou Richard. — Não seria aconselhável que os passageiros daqui soubessem detalhes sobre nossa vida amorosa. O choque poderia matá-los.
Bella sabia o que Edward queria dizer. A maioria das pessoas na balsa era idosa. Casais aposentados indo passar férias na Tasmânia. Ela supunha que era um bom jeito de viajar, levando os carros com eles. Mas pensou se alguns deles não estariam melhores em excursões de ônibus, principalmente os que usavam bengalas!
— Você acha que ainda viajaremos juntos de férias quando tivermos a idade deles? — perguntou Bella.
— Com certeza.
— Teremos de manter a forma.
— Manteremos a forma correndo atrás de nossos filhos. Olhe, Heads está aparecendo — disse Edward, apontando em direção aos impressionantes promontórios que guardavam a entrada de Port Jackson. — As águas estão calmas aqui no porto, mas podem ficar agitadas quando estivermos em alto mar. Você enjoa em barcos?
— Não sei.
— Venha comigo, então. Eu trouxe alguns comprimidos para prevenir enjoos.
Algo típico de Richard, pensou ela quando ele pegou-lhe o braço e a conduziu para dentro da embarcação. Ele era um planejador, assim como um executor. Ela sempre se sentiria segura ao seu lado.
Eles levaram alguns minutos para chegar à cabine. Eram localizadas em diferentes níveis na parte frontal do barco, com muitos corredores estreitos e curvas, parecendo um labirinto.
Entretanto, Edward parecia conhecer o caminho.
— Por aqui — disse ele quando Bella ia virando na direção errada no fim de um longo corredor. Bella percebeu que iria conhecer muito seu futuro marido durante os dez dias daquela viagem.
— Sabe que sua mãe me falou recentemente que a melhor maneira de duas pessoas se conhecerem é viajando juntas?
— Neste caso, estamos nos saindo maravilhosamente bem até agora. Já estamos há uma hora no barco e não discutimos uma única vez.
— Obviamente você está exibindo seu melhor comportamento. Mas será que pode mantê-lo?
— Será um desafio — respondeu Edward com um brilho travesso nos olhos. — Mas farei o possível. Bella beliscou-lhe o bíceps forte.
— Sua mãe não me contou que você era tão malvado. Sempre disse que o filho era um bom garoto.
— Nunca acredite em nada que mães falam sobre os filhos — murmurou ele quando eles chegaram à cabine e entraram. — Mas falando em minha mãe, recebi um e-mail dela esta manhã.
Carlisle levou um notebook na viagem, e me deixou o endereço de e-mail. Então eu lhes enviei o anúncio de nosso noivado.
— Oh, Edward, você não fez isso! — Bella tinha presumido que ele manteria aquilo em segredo por um tempo. — Espero que não tenha contado a ela sobre a floricultura. Eu gosto de sua mãe, Edward. E ela gosta de mim. A última coisa que quero é que ela comece a pensar que sou interesseira!
— Confie em mim, ela não pensa. E contei que comprei a floricultura para você, e mamãe ficou muito feliz com isso. Também contei que estou louco por você e que iria levá-la para umas férias na Tasmânia. E que iríamos nos casar assim que voltássemos.
Bella piscou.
— E... e o que ela falou? — Bella tentou imaginar como a sra. Cullen interpretaria a declaração de Edward que estava louco por ela. Pensaria que isso significava que o filho se apaixonara, que tinha finalmente superado a morte de Joanna?
Bella descobriu que não se importava se a sra. Cullen pensasse assim. Outras pessoas pensariam. Para ser honesta, Bella preferia assim. Não queria que as pessoas pensassem que seu casamento era como o de Emmett e Rosalie.
— Mamãe ficou radiante. Falou que talvez possamos fazer um casamento duplo.
— Ela e Carlisle?
— Sim. Ele a pediu em casamento, e ela aceitou.
— Isso é maravilhoso!
— Sim, eles formam um bom casal. Como nós.
Bella também achava que sim. Mas Edward era 12 anos mais velho, e muito mais experiente. Imaginou se ele não era como uma figura de pai para ela. Se era isso que mais o atraia nela.
— Você está pensando de novo — observou Edward.
— Detesto quando faz isso. Nunca sei no que você está pensando.
— Não sabe? — Aquilo a surpreendeu. Imaginava que ele sempre lia cada pensamento seu.
— Considera-me uma mulher misteriosa?
— Irritantemente, às vezes sim.
— No que estou pensando agora? —- perguntou Bella percorrendo os olhos pelo corpo dele.
— Isso eu consigo ler — respondeu ele.
— Cuidado agora — disse ela rindo quando Edward a puxou para a cama com ele.
— Por que você não se cala, mulher? — E ele a beijou.
Foi mais de uma hora depois que Bella tomou o comprimido para enjoos.
— O que gostaria de fazer agora? — questionou Richard depois que eles vestiram as roupas e pentearam os cabelos.
— Podemos ir até o café pelo qual passamos — sugeriu ela. — Ou, melhor ainda, podemos ir ao bar e tomar um drinque? Não precisamos mais dirigir.
— Nós? —Edward estreitou os olhos enquanto se movia para muito perto.
A cabine pequena e a proximidade dele lembraram Bella do quanto Edward era grande. Ele era intimidador no tamanho assim como no jeito.
Mas Bella não tinha mais medo dele. Nem um pouco.
— Você não acha que vou deixá-lo dirigir o tempo todo durante esta viagem, acha?
— Hmm. Talvez devêssemos esclarecer uma coisa, querida. Gosto de dirigir meu próprio carro.
— Verdade? — retornou ela, cruzando os braços. — Acho que estamos prestes a ter nossa primeira discussão.
— Não, não. — Edward ergueu as duas mãos em rendição. — Tudo bem, você pode dirigir.
Às vezes. Se for muito cuidadosa.
— Típico homem.
— Sim — concordou ele. — Sou um homem típico. Lamento sobre isso. Mas quando voltarmos a Sidney, comprarei um carro para você. Qual gostaria?
Bella estava perplexa. Apenas assim. Um carro novo. Uma parte sua empolgou-se com a ideia de dirigir seu próprio carro novo. Mas outra parte preocupava-se que Edward a estava comprando novamente.
Tolice, claro. Eles seriam marido e mulher. Por que ele não deveria lhe comprar um carro novo? Porém, por mais que tentasse ser lógica, Bella não gostava da ideia.
— Eu... não sei — respondeu. — Vou pensar sobre isso.
