Cá está o novo capítulo (^^)Desculpem por não ter postado antes, mas o meu computador decidiu virar-se contra mim, mas já lhe mostrei quem é que manda xD

Agradeço muito por casa review e também a quem até se registou de propósito só para deixar uma opinião. Acreditem que leio cada comentário com atenção para poder continuar a corresponder às expetativas que têm sobre esta fanfic.


-X-

Desentendimento

Flashback

Eren não tinha a certeza se tinha feito bem em tocar naquele assunto com a Hanji. Porém, quando se apercebeu, já tinha feito uma questão comprometedora. Ela entendeu de imediato que ele tinha dúvidas acerca da forma como era visto pelo capitão.

- Ouve Eren nem eu, nem ninguém pode responder melhor a isso do que o próprio Levi. Mesmo assim, tira da cabeça essas ideias de que ele está a fazer isto por pena ou algo que se assemelhe a isso. Ele não é o tipo de homem que tem pena de alguém. – Hanji ajeitou os seus óculos, antes de prosseguir. – Levi é complicado e não é o tipo de pessoa que expõe os sentimentos, mas se fores tu a perguntar-lhe diretamente, se quiseres mesmo saber, ele vai responder-te.

- Achas mesmo que sim?

- Claro, cada vez que vos vejo, consigo perceber que ele tem cada vez mais dificuldade em dizer que não a algo que tu queiras. – Ela suspirou. – Nem sei como não notas isso e outras coisas. Enfim, tudo isto fica aqui entre nós. – Eren assentiu. – Agora é contigo. Vai em frente e pergunta-lhe sem medo. Tenho a certeza de que não te vai mentir.

Fim do Flashback


Ainda que estivesse decidido a pôr tudo em pratos limpos, mal se viu livre das centenas de perguntas da Hanji sobre a sua habilidade de transformação, sentiu um nó na garganta. A ansiedade e o medo de ouvir algo inesperado, deixaram-no inquieto.

Eren entrou no salão onde todos costumavam jantar e viu a mesa onde Levi se costumava sentar. Ele estava acompanhado de vários elementos da sua equipa. Esse não seria o melhor momento para perguntar uma coisa daquelas e por isso, decidiu que deixaria isso para quando saíssem dali. Viu que apesar da mesa quase cheia, Levi deixara um lugar ao seu lado para ele. Sentou-se ao seu lado um pouco embaraçado por ver as atenções concentrarem-se nele por alguns instantes. Contudo, apenas os outros pareciam observá-lo pelo canto do olho, Levi continuava a agir com a sua indiferença habitual.

No fim da refeição, Eren reuniu a sua coragem e preparava-se para chamar por Levi quando ouviu uma voz feminina conhecida, chamar pelo seu nome. Mal se virou, sentiu os braços de Mikasa. Mesmo sendo sua irmã, aquela atitude vinda dela era um tanto inusitada. Ela mostrava carinho e preocupação de várias formas, até através de violência e um abraço não era uma coisa comum. Ainda assim, ele sorriu um pouco atrapalhado por aquele gesto e retribuiu, dizendo:

- Mikasa? Passa-se alguma coisa? Não é um pouco tarde para estares aqui?

Ela afastou-se, quebrando aquele abraço.

- Recebi permissão para vir até aqui. Pelo que ouvi, o Comandante Irvin está a pensar em chamar-me para a expedição que vão fazer daqui a uns dias. – Sorriu e corou um pouco, antes de dizer. – Estava com saudades.

- Mas vimo-nos ainda ontem. – Replicou Eren.

- Eu sei, mas passaste quatro meses longe… acho que ainda não… - Eren pegou na sua mão ao ver o silêncio que os rodeava.

- Vamos lá fora? Para conversarmos mais à vontade?

Ela concordou de imediato, lançando um olhar diretamente a Levi que sentado, apenas virou o rosto para o lado contrário enquanto os ouvia sair do salão.

"Tch, tinha quase a certeza de que ele iria falar comigo, se não fosse aparição daquela intrometida. Talvez até descobrisse o que o tinha deixado desanimado ou nervoso porque durante o jantar, quase nem tinha coragem de olhar para mim. Mas agora com aquela…enfim, agora com a irmã pelo meio, teria que esperar para saber ou então, esperar que ela fosse sincera e dissesse ao Eren o que significa toda a aquela preocupação e saudade", Levi levantou-se.

Sentados no exterior, Eren continuava a tentar entender a que se devia aquele comportamento demasiado carinhoso da irmã. Começou a pensar que ela, tal como outros, continuava com dúvidas sobre a utilidade dele no campo de batalhe. Esse era o pensamento mais lógico. A irmã também estaria a pensar que ele ia ter problemas ou até morrer em combate. Afinal, isso não era nada de novo. Antes ela também lhe tinha pedido para ter cuidado e prometer que não ia morrer.

- Ouve Mikasa se isto é sobre a expedição. Eu sei tomar conta de mim, não preciso que andes atrás de mim. – Disse Eren num tom cansado.

- Sim, tenho muitas provas do quão prudente, consegues ser. – Ironizou a irmã, revirando os olhos. Mas ao ver que o irmão começava a irritar-se, prosseguiu. – Não te chamei aqui para falarmos da expedição ou para pedir-te pela milésima vez para teres cuidado.

- Oh, então deve ser interessante porque não estou a ver outro tema que te fascine mais do que me tratares como uma criança. – Eren perdia facilmente a paciência com aquela tentativa de Mikasa de ser algo que há anos já perdera. Uma espécie de mãe sempre preocupada atrás dele. Isso enfurecia-o. Não gostava de ser visto como alguém tão vulnerável.

- Eren será que podes olhar para mim? É importante. – O rapaz assim o fez, encontrando um olhar pouco comum na irmã, parecia embaraçada e um pouco hesitante. – Eu gosto de ti…

"Não… o Levi não podia estar certo sobre uma coisa destas", pensava o rapaz de olhos verdes que forçou um sorriso e perguntou:

- Não estás a falar como irmã, pois não?

- É claro que não. É assim tão difícil de acreditar?

Eren desviou o olhar. Ouvir o Levi comentar sobre isso era uma coisa, mas ver tudo aquilo confirmado era quase surreal. De soslaio, viu que Mikasa esperava que dissesse alguma coisa. O que lhe podia dizer? Ou melhor, como é que lhe ia explicar que não podia retribuir aquele sentimento? Ele gostava da irmã, mas apenas como parte da sua família, como amiga a quem queria proteger. Embora, pudesse ser bruto ou dar-lhe respostas ríspidas, preocupava-se com ela e não era muito bom a demonstrar carinho por alguém… pelo menos não antes de Levi entrar na equação.

- Mikasa… - Olhou para a rapariga expectante ao seu lado. – Desculpa, mas só consigo ver-te como minha irmã. – Viu como as suas palavras a deixaram perplexa e assomaram algumas lágrimas. – Por favor, não fiques assim, Mikasa. É que… eu não posso mentir e dizer que sinto outra coisa que não seja… carinho de irmão?

- Mas pode ser só que não estejas a ver as coisas como elas são. – Ela disse aproximando-se do meu rosto. – Eren diz-me a verdade. Nunca te passou por essa tua cabeça imatura, olhar para mim como mulher? – A respiração dela estava muito próxima aos lábios do rapaz que a empurrou com alguma brusquidão.

- Já tenho alguém de quem gosto, Mikasa. – Afirmou. – E sei que quando souberes quem é, não vais gostar porque ele é…

- Ele? – Ela parecia chocada. – Oh não… - A rapariga continuava perspicaz como sempre e já tinha concluído de quem se tratava. – Só podes estar a brincar. Diz-me que é uma brincadeira de mau gosto, Eren! O capitão Levi? Aquele anão terrorista?!

- Shh! – Eren quase tapou a boca da Mikasa com uma das suas mãos. – Estás doida?! Fala baixo! E se alguém nos ouve cá fora? Pior, se ele te ouve a chamá-lo dessa forma, pode ser que não vejas o dia seguinte. A altura dele é um tema tabu aqui nos Recon Corps, além disso não é que me importe. A altura não tem nada a ver com…

- Enlouqueceste? – Perguntou Mikasa ainda incrédula. – Diz-me a verdade, a Hanji Zoe ou qualquer outro lunático andou a drogar-te durante estes meses que estiveste fora. Estamos a falar daquele filho da mãe que te espancou à frente de todos no tribunal! Disse que merecias ser tratado abaixo de cão!

- Mikasa será que podes ouvir-me durante trinta segundos? – Pediu o rapaz, sendo ignorado porque a irmã continuou a falar:

- Mesmo que seja verdade e ele está a alimentar essas tuas fantasias idiotas, tu sabes bem porquê. Só um idiota não veria que estão a fazer com que te sintas integrado e cem por cento disposto a morrer a qualquer momento pelo capitão Levi ou por outro qualquer se ele te ordenar que o faças. Ele está a usar-te, Eren. Ele não quer saber do que sentes, vai só aproveitar-se disso e fazer-te morrer no campo de batalha.

Após um curto silêncio, Eren abaixou a cabeça e disse:

- Ainda que exista alguma verdade no que acabaste de dizer, desde que entrámos para o exército nós sabemos que temos que estar preparados para morrer. Eu jurei que antes disso, mataria todos os Titãs, mas se por algum motivo não o conseguir fazer, morrerei em combate, a fazer aquilo mais desejo… livrar este mundo desta praga. – Levantou o rosto para encarar a irmã e sorriu. – Mesmo que o capitão Levi me considere apenas como uma arma, já é demasiado tarde para mim… não posso evitar, não consigo deixar de sentir-me apaixonado por ele. Se morrer em combate e isso salvar a vida dele, morro feliz. Se perder o controlo e ele executar-me, morro igualmente feliz. Mikasa… eu não preciso que ele corresponda… preciso só…

- Pára Eren, por favor. – Ela abraçou-o. – Vamos conversar melhor sobre isso. Não podes estar disposto a morrer por alguém como ele. – Afastou-se o suficiente para encarar o irmão nos olhos. – Por favor, faz pelo menos uma tentativa antes de tomares alguma atitude definitiva.

- Como assim?

- Só um beijo, Eren…

- O quê? Não. – Tentou afastar a rapariga que manteve os seus braços atrás do pescoço de Eren. – Mikasa, não quero magoar-te.

- Bem… isso seria uma novidade, tu a tentares. – Ironizou, aproximando-se um pouco mais. – Se não sentires nada, nem um traço de dúvida, nunca mais toco neste assunto. Só um beijo, Eren. Por favor…

Ele não queria, até porque não sentia qualquer tipo de dúvida relativamente ao que sentia. Porém, as lágrimas e o desespero que levava a irmã comportar-se daquela forma, fizeram com que ele fechasse os olhos. Não viu o sorriso no rosto de Mikasa antes de encostar a sua boca aos lábios de Eren.

"Tch, nunca beijou uma miúda antes por isso, não devia surpreender-me que se sinta atraído. Talvez até seja melhor assim", Levi começou a afastar-se do local depois de ver Eren puxar Mikasa para mais perto, procurando aprofundar o beijo. Na verdade, estava apenas a tentar ver se aquilo, mudaria alguma coisa sobre como se sentia. Contudo, apercebeu-se que por mais que sentisse os lábios daquela rapariga nos seus braços e a sua língua provocasse, alguns arrepios e gemidos contidos dela, não era nada comparado ao que sentia quando estava com Levi. Teve a confirmação de que as sensações eram mesmo diferentes quando também notou que Mikasa precisava recuperar o fôlego. Afastou-se, dando-lhe esse espaço e lembrou-se como Levi e ele se podiam beijar demoradamente, quase sem interrupção por cada um sabia a distância certa para poderem respirar, sem quebrar demasiado o contacto. A sincronia e a intensidade eram totalmente diferentes.

- Eren… - A rapariga estava surpresa com aquele beijo. Nunca tinha beijado ninguém antes, mas podia concluir que aquela não era a primeira vez do irmão. Era demasiado bom para ser de alguém inexperiente que não saberia o que fazer, mas ele parecia bem familiarizado com o assunto. – Tu e ele…?

- Não me faças entrar em detalhes, Mikasa mas sim, o que sentiste agora, aprendi com ele. Não é a mesma coisa. – Levantou-se e beijou a irmã na testa. – Espero que também encontres alguém especial. – Antes que pudesse afastar-se, ela agarrou a manga da sua camisa. – O que foi?

- O que pensas que vão dizer sobre isto? Eren, estas coisas só deviam acontecer entre um homem e a uma mulher. É o normal! Além disso, não há outra pessoa especial!

Ele afastou a mão da camisa e a irmã acrescentou:

- Se não pensares melhor sobre isto, vou dar a oportunidade que o Jean sempre quis.

- O Jean? Nem brinques com isso! – Disse o rapaz irritado, vendo a irmã passar por ele com um ar sarcástico. – Mikasa! Não podes estar a falar a sério.

- Dou-te uns dias para pensares sobre o assunto, se a resposta for não, o Jean vai ver o sonho dele realizado e acredita, embora eu não seja tão experiente como algumas pessoas parecem ser… eu não pôr limites. Vou fazer o que ele quiser.

- Hei! Mikasa!

"Mas que espécie de chantagem é esta? Nem posso acreditar que de todas as pessoas que podia escolher, o Jean… claro, logo ele! O único tipo que mal podia ver à frente. Eu sei que não sou que vai andar com ele, mas a ideia de ter o sorrisinho dele à minha frente a dizer-me que já tinha passado a noite com a Mikasa ou algo do género…Argh! Sei lá até o Connie ou Reiner me pareciam opções mais aceitáveis", Eren chutou uma pequena pedra, "Ela sabia que eu não ia gostar, mas mesmo que a ideia dela com o Jean me provoque vómitos, não posso dar-lhe um sentimento que já pertence a outra pessoa", suspirou desanimadamente.

Permaneceu sozinho mais algum tempo no exterior. Tentava pôr as ideias no lugar, mais precisamente ser claro o suficiente para explicar à irmã que não havia mínima hipótese de ele mudar de ideias. Mesmo que isso significasse ter o Jean como… possível cunhado? Oh, essa ideia arrepiava Eren com sensações de terror e nojo. Suspirou mais uma vez e decidiu que já era tarde para estar ali sozinho. Além disso, Levi já devia estar no quarto e sabia que antes de poder deitar-se, teria que passar pelas "mil e uma observações". A batalha contra os germes não conhecia limites e por isso, provavelmente seria obrigado a tomar banho, mudar de roupa, lavar a que estava a usar, entre outras coisas até finalmente, estar aceitável. Às vezes, gostava de poder deitar-se como uma pessoa normal e simplesmente, atirar-se para cima da cama. Porém, ele sabia o que iria acontecer se tentasse fazer isso. Ir contra alguma ordem do superior equivalia sempre a alguma dose de violência.

Eren tinha acabado de pôr a mão na maçaneta do quarto quando ouviu outra voz, além do capitão Levi.

- Será que estou rodeado de inúteis? De quatro, Petra.

- Mas capitão…

- Vais desobedecer-me?

Ouviu um suspiro da colega seguido de um gemido de dor que fez o rapaz arrepiar-se por completo. Aquela frase a que tentara atribuir significado "Por que razão faria uma coisa dessas, Eren? Já te tenho a ti" passou pela sua cabeça. Aquela era a confirmação dos receios que tinha. Ele era uma obrigação, uma responsabilidade que o capitão procurara treinar para ser estável e não alguém que se deixava levar por qualquer emoção mais forte. Com certeza, se abrisse a porta e fizesse alguma cena de ciúmes, serviria apenas para ver esfregado na cara tudo aquilo que por mais que soubesse, não queria ouvir da boca daquele homem. Tirou a mão da maçaneta e afastou-se rapidamente. Ele devia saber que era normal que o capitão Levi fosse popular dentro dos Recon Corps, era um homem livre e podia facilmente ter qualquer mulher que quisesse. Ele sabia. Já tinha ouvido comentários desses no salão durante as refeições. Os ciúmes na altura incomodaram-no, mas quis acreditar que talvez não fosse apenas um brinquedo nas mãos dele. Ou mesmo que fosse, pediu silenciosamente para que o capitão Levi só continuasse com ele, mesmo que ele fosse o único a sentir alguma coisa. Ter ciúmes provocava-lhe raiva, mas não se sentia prestes a explodir porque havia outro sentimento que não permitia isso. Tristeza. Uma mágoa que se entranhava nele e o fazia sentar-se no chão gelado do seu antigo quarto na cave. Encostado à porta, levou os joelhos até ao queixo e lutou por conter aquela vontade de permitir que as lágrimas caíssem pelo seu rosto. Forçou o autocontrolo sobre os seus sentimentos, afinal tinha aprendido a fazê-lo durante meses… e mesmo assim, era algo tão difícil naquele momento. Sentia uma espécie de sufoco por estar a afogar aqueles sentimentos. Nunca tinha sentido nada semelhante e só esperava ser capaz que aquilo pelo menos não piorasse, caso contrário não queria sair daquele quarto tão cedo.

-X-


Para o próximo capítulo posso adiantar que vamos ver outra vez o Armin para satisfazer a curiosidade acerca do estado dele, depois de ter passado por aquela situação, digamos inesperada.

Até ao próximo capítulo (^_^)/