Disclaimer: Esta história não me pertence. Todos os créditos vão para Slytherin Kunoichi, a autora original em inglês. Apenas a tradução me pertence, e nada mais.

Capítulo revisado e editado em: 20/02/13


O Segredo Uchiha - Capítulo XIV

Sai podia sentir o ritmo instável de seu coração batendo contra o peito. Podia sentir o órgão ficando fraco e lento a cada batimento enquanto seus pulmões queimavam, implorando por ar.

Ele estava morrendo.

Ele podia sentir o sangue se esvaindo de seus ferimentos onde Itachi o havia esfaqueado, atravessando-o até a parede. Podia sentir seu sangue escorrendo pelo rosto e emanando de vários outros locais.

Ele não estava mais preso no atormentável genjutsu de Itachi e não conseguia mais ouvir a risada do comparsa – eles o tinham deixado sozinho para morrer.

Um líquido inundou sua garganta, e, uma vez que alcançou a boca, seu paladar identificou o gosto de ferro, que ele presumiu ser sangue, e ele se engasgou na tentativa de tossir.

- Ele não consegue respirar! – ele ouviu uma voz de pânico gritar e, de repente, podia sentir mãos sobre ele. – Oh, Deus... Sai... – ele ouviu seu nome escapar dos lábios de sua dona como se estivesse sem ar como ele e imediatamente soube que era Sakura.

Quando ela tinha chagado? Por quanto tempo ele ficou desacordado? Ele nem mesmo se lembrava do que aconteceu ao fim do genjutsu...

Ele tentou forçar seus olhos a abrirem como se nada valesse mais do que dar uma última olhada nela.

Talvez avisá-la sobre Uchiha Itachi antes que ela fosse para casa e o encontrasse esperando por ela dentro de sua residência.

Suas pálpebras estavam pesadas, e, mesmo que ele tentasse forçá-las a abrir, tudo que ele podia identificar era uma luz brilhante e um borrão róseo.

- Sa-ku-ra? – cada sílaba tomava o dobro de energia de seus pulmões e de seu coração instável.

- Não fale! – ela gritou com ele com suas mãos por cima dos ferimentos abertos, e ele podia agora sentir uma pequena invasão de calor como uma pequena chama queimando mais a cada segundo, ressonando para dentro dele.

- Sa-kura... – ele ignorou a ordem dela e tomou fôlego. Com seu peito pesando um pouco, ele tentou se sentar quando a alertava. - V-você precisa...

A mão dela o empurrou de volta à posição horizontal.

- Não, você precisa calar a boca e se deitar antes que eu mate você eu mesma! – ela não esperou que ele respondesse e imediatamente voltou ao trabalho de fechar os ferimentos.

Ela não iria deixá-lo tentar salvar a vida dela. Ela estava muito ocupada tentando mantê-lo vivo. Sai fechou os olhos e sorriu. Ela era muito egoísta. Sasuke tinha estado certo sobre as emoções de Sakura a controlarem. Ela provavelmente iria cuidar de seu corpo por pelo mesmo mais dez minutos antes de seu último suspiro, e, se este fosse o caso, ele não iria desperdiçá-lo:

- Eu te amo... Feiosa.

Ele desejava ter conseguido manter seus olhos abertos para ver a reação dela.


Ele não tinha muitas lembranças. Ele se lembrava da primeira vez que se encontrou com Sakura e de tê-la salvado de valentões. E ele se lembrava de seu irmão Anbu. Mas, agora, morrendo e dando seu último suspiro, ele era forçado a se lembrar de algo mais, quase uma revelação aleatória. Ele se recordava de uma manhã quando seu treinamento foi interrompido e fora forçado a esperar, em um banco, por Danzou-sama terminar seu encontro. Lembrava-se de como estava claro na Raízes que ele podia até sentir o calor dos raios do Sol e cheirar a fresca chegada da primavera no ar quando o vento soprava a mistura de grama, folhas, flores e Konoha em todas as direções.

Ele via uma versão mais jovem de si mesmo, não mais de que seis anos, sentado com uma mulher que tinha olhos e cabelos escuros parecidos com os seus próprios. O sorriso dela era quente, espalhando-se até os olhos, enquanto ela olhava para ele, dando-lhe o que ela chamava de mitarashi dango. Ele apenas a encarou, e, então, seus olhos se voltaram para a porta diante deles, ignorando o cheiro de arroz doce e molho apimentado. Ela tinha acompanhado seu marido, líder do clã Uchiha, mas permaneceu do lado de fora da sala onde acontencia um encontro com dois Anbus e Danzou-sama.

- Musuko-san... – ele a ouviu dizer. Ele a olhou, sabendo que ele estava traindo seu treinamento ao não se manter em posição. – É gostoso. – ela empurrou o aperitivo na direção dele.

- Ele não irá aceitar, Uchiha-san. – ele ouviu Danzou falar da porta aberta. Ele viu o sorriso da mulher desaparecer por um breve momento quando ela encarava o homem que se dirigia a ela, antes de seu rosto se tornar impassível como o de um Anbu. – Ele foi treinado para não aceitar nada de ninguém, até mesmo comida ou ajuda. – disse com um sorriso desdenhoso estampado em seus lábios.

A nobre mulher não respondeu. Em vez disso, ela olhou para seu marido, um homem alto com cabelos castanhos, que apenas estendeu uma mão a Danzou-sama, que Sai notou ser um cumprimento ou, neste caso, uma despedida.

- Obrigado pelas atualizações na missão do Itachi.

O olho visível de Danzou se fechou quando seus lábios se ergueram um pouco.

- Claro que eu não podia dar especificações, mas, com a minha história com a Anbu, eu diria que ele se sairá bem. Como está o otouto-san do Itachi?

O homem nobre olhou para o chão por um momento.

- Sempre treinando. – seus olhos voltaram para encontrar o de Danzou mais uma vez. – Ele está se esforçando para alcançar Itachi.

Os lábios de Danzou se curvaram e ele se virou para a mulher novamente.

- Mikoto-san, você foi abençoada com filhos realmente bons.

Ela o encarou com suas grandes íris escuras e com uma expressão indecifrável, por um momento, antes de responder:

- Fico lisonjeada, obrigada. – ela desviou os olhos para observar Sai mais uma vez com outra expressão escondida em seu rosto.

Sai não entendia muito daquilo que transitava entre os adultos. O mais longe que ele podia dizer era que eles foram todos treinados na Anbu. Então, ele não questionava nenhuma das palavras ditas. Ele não estava interessando na conversa deles, já que não havia possibilidade daquilo ser usado como informação. Assim, com base em seu treinamento, ele diria que aquilo era "sem validade" e classificou-o como "inútil". E Sai certamente não estava prestando atenção quando ele e Danzou acompanharam o casal até a saída enquanto os dois homens continuavam com sua conversa sobre família. Ele ouviu a mulher falar de novo, algo sobre um Festival de Primavera. Ela dirigia a sua conversa especificamente para ele. E como ela tinha esperança de que ele pudesse perceber isso.

Sai apenas a encarou de volta sem emoção, mas a curiosidade estava plantada em sua mente.

O que era um Festival de Primavera?

- Estes soldados Anbu não saem por nada a não ser em missões, Mikoto-san. – Danzou a corrigiu.

Foi só até chegarem ao topo da saída que Sai realmente respirou fundo o ar fresco e voltou sua atenção para o caminho que sabia levar à Konoha. Era verdade. Além de duas seqüências de treino, ele nunca tinha estado fora da Raízes. Ele podia ouvir os pássaros e as árvores se movendo ao vento, e, antes que pudesse parar a si mesmo, ele tinha ido em direção à luz como se seu corpo estivesse se movendo por instinto, ignorando o treinamento e as lições de obediência.

Suas pernas se moviam por conta própria, e ele comparava a diferença entre o mundo de cima com o subterrâneo da Raízes, notando como mais suave era ali do que lá embaixo. A pequena brisa era refrescante. Ele inspirou, enchendo seus pulmões com o aroma amadeirado das cascas das árvores com o toque de uma agradável fragrância. Um flash rosa foi notado pelos seus olhos, e ele se virou para ver três menininhas perseguindo e maltratando outra menor de cabelos rosas e grandes olhos verdes que estavam cheios de lágrimas.


Sai se levantou da cama de sobressalto com os olhos arregalados diante da memória que ele acabara de presenciar. Os lençóis da cama caíram de cima de seu corpo devido ao movimento, e ele percebeu que estava no hospital de Konoha (de novo) e que Kakashi e a quinta Hokage se encontravam ao lado de seu leito.

- O que aconteceu? – ele disse antes que alguém tivesse a chance de olhar propriamente para ele.

- Isso é o que gostaríamos de saber. – Tsunade respondeu, cruzando os braços.

- Não. – Sai retrucou. – Por que eu estou aqui? Eu estava morrendo...

Mas ele já sabia mesmo sem ter que ouvir a resposta:

- Sakura-san lhe salvou.

- O-onde-

Tsunade o interrompeu:

- Descansando em uma cama em outro quarto. – ela pausou e o estudou por um breve segundo antes de continuar. – O chakra dela se esgotou antes mesmo que pudessem lhe trazer até o hospital.

Ele estava certo ao achar que ela seria teimosa o suficiente para curá-lo até mesmo depois da morte (assumindo que realmente morrera). Ele se lembrava do temperamento e obstinação em sua voz quando ela insistia para que ele parasse de falar enquanto tentava salvar sua vida.

Então, ele se lembrou de suas últimas palavras para ela.

- Eu posso vê-la?

Kakashi não tinha dito nada ainda. Ele meramente encarava a Hokage que agora tinha as mãos na cintura enquanto refletia as suas próximas palavras, aparentemente, de modo cuidadoso.

- Ela ainda não está acordada. Naruto e Sasuke estão com ela agora.

Obviamente, depois de seu recente ataque, aquilo não era tranquilizante.

Itachi sabia que ela era uma fraqueza e um jeito de atingir Sasuke.

O que levantou outra questão:

- Como ela me encontrou?

Kakashi o olhou com suspeita como se insinuasse que ela tinha feito algo ruim às escondidas, como uma adolescente se esgueirando durante o toque de recolher.

- Isso não está claro. – ele suspirou. – Porém, o mais importante, – ele ergueu seu dedo como se anunciando uma conclusão. – Akatsuki atacou você, não é?

Sai agarrou os lençóis com as mãos.

- Eles me emboscaram assim que eu entrei no apartamento.

Kakashi não parecia surpreso.

- Você é capaz de descrever o ninja que te atacou?

Sai apertou o tecido com mais força, lembrando-se dos olhos vermelhos e negros que lhe forçaram pesadelos atrás de pesadelos.

- Uchiha Itachi... e eu não conheço o outro ninja. Ele estava nas sombras, e eu nunca tive a chance de dar uma boa olhada nele.

- Você sabe por que eles te atacaram? – Tsunade perguntou.

Ele inclinou um pouco a cabeça para trás.

- Ele apenas perguntou coisas a respeito de Uchiha Sasuke.

Isso pareceu surpreender os dois shinobis, pois eles ergueram as sobrancelhas em resposta.

- Eles não perguntaram nada sobre a Kyuubi? - a voz de Tsunade omitia o choque.

Sai balançou a cabeça.

- Nenhuma vez.

- Interessante. – Tsunade murmurou.

- Parece que Itachi tem planos pessoais, além de capturar a Kyuubi para a Akatsuki. – Kakashi especulou.

Tsunade se moveu para o lado de Sai.

- Como você está se sentindo? – ela, então, colocou a mão contra a testa dele. – Seus ferimentos estão completamente curados, incluindo músculos e tendões. Mas, mentalmente, pode levar mais um dia ou dois para que se recupere por completo.

- Só estou dolorido. – Sai a afastou.

- Sem mencionar que você perdeu bastante sangue. – Tsunade o ignorou. – Yamato doou um pouco de sangue para você. Você deve ficar bem.

Kakashi se levantou da cadeira e se aproximou da cama, coçando a cabeça.

- É muito incomum que o comportamento de Itachi seja tão violento fisicamente, o que aconteceu?

Sai deu um sorriso falso.

- Eu não estava dando a ele as resposta que queria.

- Ah. – Kakashi murmurou. – Entendo.

- Aqueles, claro, foram seus primeiros métodos. – Sai lutou contra outra memória de genjutsu e podia quase sentir a dor das espadas novamente. – Quando ele me pegou em um momento de distração, e eu abri meus olhos, ele me aprisionou em seu Sharingan.

Os olhos de Kakashi se alargaram.

- Tsukuyomi?

Sai confirmou com a cabeça.

- Ele controlava o tempo de acordo com sua vontade, me apunhalando pelo que pareciam horas, o que não passava de meros minutos.

- Ele viu seu Sharingan?

Sai balançou a cabeça mais uma vez.

- Eu consegui controlá-lo.

Tsunade estava a ponto de comentar quando Sasuke bateu no patente da porta.

- Sakura acordou.

Sai sentiu seu coração se elevar em alívio em um instante.

Tsunade trocou um olhar com Kakashi.

- Isso é ótimo, nós temos algumas perguntas para ela. – ela, então, se moveu em direção à porta e, olhando por sobre os ombros para Sai, disse. – Obrigada, Sai.

E, com isso, os dois shinobis se retiraram do quarto com Sasuke pronto para segui-los.

- Uchiha. – Sai chamou de seu leito.

Sasuke suspirou, irritado.

- Pare de me chamar assim. É irritante quando você tem o mesmo sobrenome.

Sai não perdeu tempo em discutir:

- Uchiha Itachi me atacou.

Sasuke ficou estático ao ouvir o nome do irmão como se isso o assombrasse. Finalmente, ele falou:

- Ele sabe sobre você?

Sai balançou a cabeça.

- Não parecia saber. – seus olhos se estreitaram. – Ele queria informações.

A boca de Sasuke se crispou ao ver o receio de Sai em dizer a ele toda a história, mas antes que ele pudesse gritar, o outro continuou:

- Sobre você.

Ele não tinha certeza de como Sasuke iria receber a notícia. Ele estava esperando que uma explosão de raiva fosse a reação mais provável, mas a compostura de Sasuke se manteve firme enquanto aceitava aquelas palavras. Então, Sai refletiu e escolheu suas próximas palavras com cuidado.

- Devemos ficar longe da Sakura.

Sasuke o encarou em resposta, opondo-se claramente à sua ideia.

- Ele queria saber sobre a sua relação com a Sakura. – Sai continuou. – Ele nos observou lhe seguindo, e depois me emboscaram em meu apartamento. – Sai desviou os olhos para o chão. – Nós a colocamos em perigo.

O quarto mergulhou em silêncio, e os dois homens pareciam concordar com a decisão. Agora, tudo que Sai tinha que fazer era, de alguma forma, retirar as palavras que dissera para Sakura em seu leito de morte...

- Sakura é uma kunoichi, ela sabe os riscos da profissão. – a voz fria de Sasuke lembrou Sai do metal frio da espada de Itachi atravessando o seu estômago.

- O quê?

Ele encarou o homem diante de si, chocado com ele estar brincando em uma hora como aquela. Sasuke se virou, ignorando a pergunta de Sai, e foi até a porta.

Sai estreitou os olhos.

- Você não pode estar falando sério.

Sasuke jogou os olhos sobre os ombros com firmeza.

- Eu usarei qualquer meio necessário para matar Itachi.