Capítulo 14
Tradutora: Ju Martinhão
A casa estava quase igual, apenas algumas coisas mudaram, notava-se o toque feminino que Sue tinha dado a tudo, mas continuava tendo a essência da antiga casa dos Swan. Entramos na sala e sentamos em um sofá. Edward e eu nos sentamos juntos de mãos dadas e Charlie em um sofá individual bem em frente a nós.
A tensão na atmosfera era tanta que poderia ser cortada, Charlie não tinha feito uma cena, mas ele não parecia muito feliz com a notícia de que sua filha tinha um noivo de novo. Edward acariciava as costas da minha mão com o polegar para me acalmar, funcionou, mas muito pouco. Eu temia ter uma discussão com meu pai e era quase certo que seria sobre o que Jacob tinha feito a mim.
"Bem..." Charlie murmurou, "O que você faz, rapaz?" Ele perguntou a Edward.
Edward ficou atento ao meu lado, como se mostrasse que não se intimidava perante o tom ameaçador do chefe de polícia, e eu hesitei um segundo se isso seria bom ou ruim.
"Sou advogado, mas eu não pratico, trabalho na empresa da família que meus pais fundaram." Edward disse calmamente.
Soltei o ar que estava segurando quando a testa de Charlie relaxou. O fato de Edward estar ciente da importância de seguir trabalhando na empresa da família era um ponto a seu favor.
"E como vocês se conheceram?" Meu pai perguntou novamente.
"Edward é o meu chefe." Agora fui eu quem respondi.
A testa de Charlie franziu de novo... "oh, oh" eu disse pra mim mesma.
"Seu chefe?" Ele perguntou surpreso.
"Sim, bem... a empresa é dele e eu trabalho lá... pode-se dizer que ele é meu chefe." Eu disse apressadamente.
Charlie engoliu em seco e ficou em silêncio por alguns segundos. A tensão era palpável novamente, eu tinha que fazer algo para aliviar um pouco as coisas.
"Querem um café?" Eu perguntei me levantando. "Ou talvez um chá de camomila... valeriana?"
"Café." Charlie murmurou sob sua respiração.
"Café seria bom." Edward disse com um sorriso.
Saí quase correndo para a cozinha, tentei demorar o mínimo possível, não queria dar a Charlie uma chance para atirar em Edward na minha ausência. Encontrei o café em seu lugar habitual, o que agradeci à Sue, ela não impôs sua presença nesta casa, apenas ajustou-se aos costumes de meu pai sem nenhuma oposição.
Assim que tinha servido os cafés, com muito cuidado para não derramar, me encaminhei para a sala, quase tropecei e tive que parar para voltar a me equilibrar e evitar o desastre. Eu estava perto da porta da sala e ouvi um sussurro do que Charlie e Edward estavam falando na minha ausência.
"É Bella quem tem a última palavra." Edward dizia.
"Sim, mas se fizer, não será com a minha aprovação." Murmurou Charlie.
"Eu a amo... e não farei nada que possa lhe fazer mal. Eu não sou Black." Edward respondeu com a voz reprimida.
Eu decidi intervir nesse momento antes que o sangue fervesse, eu não sabia exatamente sobre o que estavam falando, mas era melhor evitar um desastre.
"O café está pronto." Eu disse ao atravessar a porta.
Minha evidente estupidez teve que se fazer notar neste momento e eu tropecei em meus próprios pés. Fechei meus olhos quando vi que estava prestes a perder o equilíbrio, segundos depois eu os abri para me encontrar nos braços de Edward e meu pai com a bandeja de café intacta. Sorri constrangida enquanto meu rosto tingia de vermelho gradualmente.
"Algumas coisas nunca mudam." Eu murmurei enquanto me soltava de Edward e tirava a bandeja das mãos de meu pai.
Coloquei-a sobre a mesa e voltei a sentar-me no sofá como se nada tivesse acontecido. Edward e Charlie me seguiram e sentaram-se também. A tensão ainda era palpável, eu não sabia com certeza o que eles podiam ter falado na minha ausência e isso me deixou mais nervosa. Tomei minha xícara de café com as mãos trêmulas, meus nervos estavam me matando... senti a mão de Edward sobre o meu joelho e meus lábios involuntariamente se transformaram em um sorriso... era incrível como ele podia me acalmar com um simples toque, e também era incrível que apenas com um gesto eu soubesse o que ele estava tentando me dizer.
Uma conversa começou em que quase ninguém falava, só havia perguntas de Charlie e monossílabos em resposta da minha parte e de Edward. Tudo era muito tenso...
"Quando vocês vão se casar?" Charlie murmurou entredentes.
Eu engasguei com meu café e comecei a tossir com força. Edward batia levemente nas minhas costas enquanto tentava esconder um sorriso, aquele muito arrogante que estava desfrutando. Minha testa franziu e me preparei para responder a Charlie com um direto "não haverá casamento", mas Edward se adiantou.
"Quando Bella aceitar." Ele disse com total tranqüilidade.
E eu fiquei tão surpresa que fui incapaz de falar. Minha boca abria e fechava, mas nenhum som saiu dela. Edward me olhou divertido e eu devolvi a ele um olhar de descrença... "De onde vinha esse tipo de pergunta?"
"Você está grávida?" Charlie perguntou novamente.
Agora foi a vez de Edward engasgar com o café, eu ri internamente e olhei para Charlie sorrindo, meu pai interpretou mal meu sorriso e começou a ficar vermelho, Edward enrijeceu ao meu lado e pegou minha mão com força.
"Não!" Eu gritei. "Pai! Como você pode pensar isso?"
Ele pareceu surpreso quando eu respondi com tanta energia, mas isso não relaxou sua testa e ele continuou a me perfurar com seu olhar.
"Não sei... eu só... é que... vocês parecem ter muita pressa para casar".
"Não temos pressa, pai... isso acontecerá quando chegar a hora." Eu disse olhando para Edward de soslaio. Ele desviou o olhar furtivamente tentando esconder seu sorriso novamente.
Depois de uma conversa de mais ou menos meia hora, finalmente fomos embora dessa casa... Eu amava Charlie, afinal, ele era meu pai, mas odiava quando o chefe de polícia Swan saía para defender sua filhinha...
"Você vai me pagar por isso, Cullen." Murmurei andando lentamente pelo pequeno caminho até o carro alugado por Edward.
"O que eu fiz agora?" Ele perguntou surpreso.
"Quando Bella aceitar." Tentei imitar sua voz, "É a pior resposta que você poderia dar a Charlie!"
"Vamos lá... não é tão ruim assim... além do mais, eu não menti, nós falamos sobre isso na noite passada. Eu quero que você seja minha esposa." Ele respondeu me deslumbrando com o seu sorriso perfeito.
E eu bufei... incapaz de dizer duas palavras coerentes para me defender... onde ele conseguiu essas armas de sedução para me desconcentrar e me fazer parecer completamente estúpida? E como ele poderia saber exatamente quando usá-las? Felizmente eu tinha o bufar de minha parte... quando eu estava em uma encruzilhada como essa eu bufava... um bufar pode ser interpretado de muitas maneiras, eu só esperava que Edward percebesse qual era o correto no meu caso.
Após essa pequena conversa entre nós, ele nos conduziu durante alguns minutos pela estrada principal da cidade até que ele tomou um desvio quase escondido entre umas árvores que eu não sabia que existia. Eu tinha morado nesta cidade por dois anos e não conhecia esse desvio... patético.
"Para onde vamos?" Perguntei em um sussurro.
"Ver Carlisle e Esme." Ele respondeu calmamente.
"Os pais de Alice?"
"Meus pais, para todos os efeitos práticos..." Ele disse sorrindo.
"O quê?" Perguntei novamente surpreendida.
"Quando meus pais morreram, Emmett e eu éramos mais velhos... mas ainda muito jovens, então eles cuidaram de nós. Eu os amo como se fossem meus pais de verdade." Ele explicou sem deixar de sorrir.
"Ahh..." Foi a minha inteligente resposta.
Eu conhecia Carlisle e Esme há alguns anos, Alice havia me apresentado a eles há muito tempo, mas... isso não me tranqüilizava. Eu sabia que Esme adorava seus sobrinhos, assim como Carlisle, ambos viam neles os filhos homens que nunca tiveram.
"Eles adoram você." Ele, como sempre percebendo meu nervosismo quase ao mesmo tempo que eu, me tranqüilizou segurando a minha mão.
"Seja específico, Edward... eles adoram a Bella amiga de Alice, não a Bella noiva de Edward." Eu assinalei.
Edward suspirou, levou minha mão até seus lábios e beijou meus dedos.
"Não seja absurda..." ele sussurrou olhando para mim, "você conhece Esme e Carlisle... eles são as pessoas mais agradáveis que existe, eles vão adorá-la como minha futura esposa".
Soltei minha mão da dele e dei um tapa em seu ombro, fazendo-o cair na gargalhada.
"Por que essa aversão ao casamento?" Ele perguntou quando estacionou o carro na frente da mansão Cullen...
"Não deu muito certo para os meus pais." Eu disse olhando para a paisagem através da janela... eu estava confessando um dos meus maiores medos.
"E?" Ele perguntou, levantando uma sobrancelha.
Olhei para ele e suspirei...
"Para eles foi como o beijo da morte, ou algo parecido, eles estavam muito bem, mas quando se casaram, tudo foi arruinado. Não quero que isso aconteça com a gente por nos apressarmos demais." Eu sussurrei, agora olhando para as minhas mãos.
Edward pegou meu queixo e fez que eu olhasse em seus olhos.
"Você não é sua mãe e eu não sou Charlie..." ele murmurou, "não tem porque nos acontecer a mesma coisa. Além disso..." ele sussurrou passando agora suas mãos em volta da minha cintura e me aproximando dele, "devemos aprender com nossos próprios erros, não com os dos outros..."
Quando eu ia protestar, Edward me silenciou com um beijo que quebrou por terra todos os argumentos que eu tinha preparado para refutar a sua teoria.
"Esme está na porta." Ele sussurrou novamente quando parou de me beijar.
Minhas bochechas coraram em um segundo e a risada musical de Edward encheu o carro.
"É rude se eu esperá-lo no carro?" Eu perguntei num sussurro.
Edward suspirou e saiu do carro com um movimento rápido, antes que eu pudesse quase absorver que estava sozinha, ele já estava ao meu lado estendendo a mão para eu descer também. Eu respirei fundo e busquei todo o ar que eu precisava e peguei a mão dele com firmeza. O que era o pior que poderia acontecer? Sim, você adivinhou... que os saltos dos sapatos que Alice tinha me dado de presente se enterrassem na grama macia e me fizessem tropeçar. Felizmente o meu salvador perpétuo estava segurando minha cintura prevendo que algo assim aconteceria e isso evitou que eu acabasse com o rosto cheio de grama. Eu sorri timidamente e agradeci a ele apenas com gestos.
Eu andei a pequena distância sem levantar meus olhos do chão, tentando acalmar minha respiração com os passos determinados de Edward. O coração parecia querer sair fora do meu peito, batia tão forte que até mesmo minhas têmporas pareciam estar latejando. Quando subimos o último degrau da escada da varanda, levantei meu olhar envergonhado para encontrar-me com o belo sorriso e os olhos quentes de Esme Cullen. Ela me envolveu em seus finos braços com um abraço que me desconcertou totalmente, deixando-me atordoada e pregada ao chão.
"Meu Deus, Bella"" Ela gritou maravilhada. "Quanto tempo sem vê-la... você está linda".
Sem me dar tempo para responder, agora Edward era quem recebia seu abraço enquanto seus olhos brilhavam de emoção, de verdade ele amava essa mulher.
"Edward, filho... você deveria nos visitar mais vezes." Ela disse batendo suavemente em seu estômago. "Entrem, crianças, Carlisle chegará logo do hospital".
Entramos na bela mansão Cullen, que eu conhecia tão bem, ela mal tinha mudado desde que eu estive lá. Tudo tinha um toque particular de Esme, assim como de Alice, ambas complementavam-se perfeitamente criando uma harmonia entre o clássico e o moderno.
"Mas eu não posso acreditar que vocês estão realmente juntos," ela disse com alegria enquanto partilhávamos outro café sentados no grande sofá branco da sala, "quando Alice me disse, eu não podia acreditar".
"Aquela pequena diabinha sempre tem que estragar as surpresas." Edward queixou-se.
"Você sabe como Alice é, pedir que ela guarde um segredo é como pedir que deixe de respirar." Esme respondeu sorrindo. "E me diga, Bella, como você está em Chicago? Suponho que Edward não seja muito duro como chefe..."
Sorri timidamente, ainda que eu conhecesse essa mulher há anos, sempre me sentia como uma menininha quando estava com ela, o instinto maternal que aflorava por cada poro do seu corpo me fazia reagir como se eu tivesse cinco anos.
"Edward é legal... se comporta bem comigo." Eu respondi num sussurro.
Sem mais, a porta se abriu e um perfeito Carlisle Cullen cruzou-a com um sorriso enorme. Tanto ele como sua esposa não tinham mudado nada nos últimos anos, os dois pareciam ter ficado eternamente nos trinta e cinco anos, perfeitos e jovens.
"Bella!" Ele gritou com profunda alegria entrando na sala e me dando um caloroso abraço. Eu tinha esquecido quão amorosa era essa família.
"Olá, Carlisle." Saudei-o com um sussurro.
Depois de uma curta, mas intensa conversa, saímos da mansão Cullen com um enorme sorriso... e, sim, prometendo encarecidamente que voltaríamos a fazer uma visita logo que possível.
"Você estava certo." Eu sussurrei quando já estávamos chegando a Seattle.
"Eu sempre estou." Respondeu o arrogante.
Voltei a bufar e neguei com a cabeça.
Quando estávamos novamente no quarto de hotel, tudo voltou a ser como de costume. Tínhamos deixado Charlie, Carlisle e Esme do outro lado da porta e voltamos a ser apenas Edward e Bella. Edward me apertou em seus braços beijando carinhosamente a minha cabeça.
"Eu não queria fazer você se sentir mal com Charlie... eu só disse a ele o que eu pensava e o que eu queria que acontecesse." Ele sussurrou contra meu cabelo. "Você sabe que eu te amo, que o que eu mais quero é passar o resto da minha vida ao seu lado, que seja minha esposa ou não, não mudará nada. O importante é que você esteja comigo".
Afastei-me um pouco e olhei em seus olhos. Brilhando, voltaram a piscar como quando olhava para Esme, mas agora com mais intensidade. Acreditei em tudo e cada uma de suas palavras entrou em minha cabeça e, em seguida, chegaram ao meu coração tatuando-se nele.
"Eu também te amo." Sussurrei pouco antes que seus lábios batessem nos meus em um beijo necessitado que ambos sabíamos onde acabaria.
N.T.: Bem diferentes esses dois encontros, não? Edward é realmente rápido com essa história de casamento... o que será que vem daqui pra frente? Deixem reviews, pessoal! Amanhã é meu aniversário e quero muitas reviews de presente!
E como "presente" pra vc's, leitoras queridas, amanhã tem estréia de uma nova fic, e também vou postar a tradução de uma ONE e um novo cap. de CHANGE OF HEART, portanto, só o que eu peço, são as reviews!
Ah, e pra quem ainda não leu, corram pra ler a cena extra de ENTRE IRMÃOS, eu tô rindo e imaginando até agora... kkkk
Bjs...
Ju
