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Capítulo 14 – Eu Peço Que Me Atenda
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A jovem de loiros cabelos, quase brancos, cujo rosto carregava uma cicatriz, estava ainda mais pálida que o normal, com suas costas contra uma das paredes do longo corredor.
Passava uma das mãos na testa, quase com desespero, um suor gélido, que lhe escorria lentamente pelo rosto.
- Maldição... – Praguejava num fio de voz, escorregando devagar até o chão frio. –Maldição..Malditos ventos que trazem o odor a sangue a esta casa...
Escondeu o rosto entre as mãos, começando a respirar com dificuldade.
- ...Dessa forma não...Posso manter essa aparência... – Resmungava, ao tempo que seus cabelos se tornavam cada vez mais escuros, e pareciam desaparecer como a luz durante a noite, tornando-se cada vez mais, e mais curtos – T-tenho que as-sair, antes que Eli-za me veja...
Profanado isso, levantou-se com dificuldade tentando seguir pelo corredor...
Seu corpo tomando uma aparência mais esguia, cabelos curtos e castanhos, onde um único fio se sobressaltava de sua frente, tomou a forma de um homem.
- ... A situação parece estar realmente complicada para você Roderich... – Ouviu, assustando-se, mais logo identificou o dono de tal comentário, sem que fosse necessário virar-se.
- Creio que... Realmente desprezas sua vida, vindo debochar-te de mim em uma situação assim... – Seus olhos agora sob uma tonalidade entre o violeta e o rubro.
- Talvez, mas Arthur que me mandou, por mais que sua dor lhe deleite, prefere evitar que tenhas... Uma recaída. Ou será... Que deseja que outro humano seja condenado por sua causa...?
Nenhum segundo a mais, Heracles que antes falava, possuía a garganta presa entre as mãos do vampiro, que o observava com muito mais do que ódio, após essas palavras, o grego, no entanto, seguia impassível.
- Pois penso que seu sangue já me será um ótimo alimento – Anunciou tétrico abrindo a boca, onde eram totalmente visíveis dois longos caninos, tamanho superior aos demais dentários.
- ...Sinto informar-lhe, mas eu opino diferente – Estacou, pois esta voz não vinha do corpo que empunha, e sim atrás de si, junto ao som de passos – Imagino que deve estar faminto Roderich, mas não seria prudente desconta-la em Heracles.
Virou-se, ainda sem soltá-lo, porém afrouxando seu aperto.
Arthur caminhava a passo lento em direção à estranha dupla, parecia um tanto cansado, e em uma das mãos carregava uma taça, ao vê-la, o vampirou soltou ao instante sua presa, não exatamente pelo objeto em si, mas sim, por seu conteúdo.
Um liquido rubro e levemente viscoso.
- Ademais, acredito que meu sangue lhe agradará mais que o de um humano com dons especiais.
Por mais faminto e fraco que estivesse, o ser não se aproximou, com uma desconfiada expressão.
- ...Em troca... ? – Questionou.
- Inteligente, mesmo em um momento como esse, muito bom – Olhou fixamente para os olhos do Vampiro, que talvez por estar fraco, desviou o olhar - Quero que vigie Francis Bonnefoy, e o cavaleiro que com ele estava, Antonio.
- Não lhe trás confiança Bonnefoy? - Entrou na conversa o mago, massageado levemente seu pescoço um tanto avermelhado. – Que mal me recorde, o conheces desde pequeno.
- Não é Francis que me preocupa... – Vendo sem muito interesse como Roderich se contorce observando fixamente a taça que segurava – Não és um clero por opção, e tampouco concorda com os atos da Inquisição, metendo-se como pode as vezes para detê-la, usando-se do nome de sua família...
- Então...?
- Me preocupa que tenhas trago Antonio... O cavaleiro do Inquisidor, nesta pequena cidade... É um péssimo pressagio... – Deu um passo a frente, e entre olhares, selou o acordo com um afligido Roderich, que sem pensar mais, recebeu a taça de Arthur, e a bebeu com extasiante gosto – Um pressagio da morte.
- Como lhe disse mais cedo... Consegui ver que Sr. Matthew encontra-se por perto, muito perto... Provavelmente foi seu sangue que quebrou com a resistência de Roderich...
- Sim... Foi o que eu imaginava... – Concordou Arthur com baixa voz – Me preocupa de sobremaneira, mas agora não tenho mais forças para busca-lo...Por hoje... Foi um dia extremamente cansativo...
- Melhor que descanse, sendo um meio-demonio, ele estará bem... E mostrar-se preocupado só trará suspeitas ao Sr. Alfred, e seria muito pior se ele saísse a buscar o irmão por conta própria, devido a isso...
- Eu sei... – Suspirou pesadamente, observando de lado ao Vampiro, que ignorando a conduta, lambia com gozo o objeto que lhe fora dado, tornando a assumir a aparência albina - Irei me deitar agora... Necessito de urgente descanso.
- Já pedi para que Elizabeta arrumasse seus aposentos – Fez uma ligeira reverencia – Que tenhas uma boa noite Sr. Arthur.
E dado isso, o inglês seguiu pelo corredor, sob o olhar dos outros dois.
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Capítulo 15 – Nem Sei Se Posso, Mas Eu Peço
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