O dia amanhecia. No mar, podia-se ver o sol nascendo, como se estivesse saindo da água, que o engolira no pôr-do-sol anterior. Se esta história se passasse numa fazenda, onde estivesse muitas vaquinhas que fizessem "muu", e patos fazendo "quá", neste horário seria altamente sonoro o "cocoricó" do galo.

No mar da costa brasileira, era visto um navio imponente, que a pouco usava velas negras e puídas. Mas agora, neste navio, era instalada uma vela branca. Dentro do navio, todos os tripulantes dormiam num sono, profundo ou não. Sim, havia uma exceção: um garoto de treze anos acabara de acordar, assustado, na cabine do capitão do navio. Mas ele não sabia disto.

A primeira coisa que pensou foi "ah, meu bom Deus, onde eu estou?". Depois lembrou que tinha invadido um navio pirata com a irmã na noite passada. Tinha dormido tarde. Estava agora com as pálpebras pesadas, mas não queria dormir novamente, tinha que estar alerta. Ele era o homem que cuidaria de sua irmã, afinal das contas.

Mas o contrário era bem mais provável.

Notou que dormia sobre as costas da irmã, como se fosse um travesseiro, no chão. Levantou-se rapidamente, como se tivesse levado um choque. Exclamou um "eca", baixinho, com uma expressão de nojo. A menina continuava a dormir, de barriga voltada para baixo.

- Ei, Josephine. – diz, cutucando o ombro da garota de cabelos incrivelmente lisos e castanhos. Ele escuta um gemido de resposta. – Jooosephiiiiine.

- Que é? – uma voz embriagada responde.

- A gente está num navio pirata. Imagine só, nós dois, os gêmeos Read, piratas mais conhecidos e destemidos de todo os oceanos. – os olhinhos castanhos brilharam. A garota não havia se mexido. – Então, nós seriamos ricos, famosos. E eu teria todas as mais belas mulheres se rastejando por mim, e eu poderia virar um sultão muçulmano poligâmico e casasse com trinta e duas mulheres, e elas dançassem sensualmente para mim mexendo os quadris. – na sua mente, isso era fantástico. Pior: era possível. – Você poderia roubar Tiago Fernandes para você e...

- Edward? – a voz embriagada voltou.

- Sim?

- Cala essa boca.

O menino limitou-se a cruzar os braços e fazer uma cara emburrada. "Ela vai ver só quando eu tiver minhas trinta e duas mulheres. Elas vão voar em cima do pescoço da Josephine".

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Uma mulher de cabelos pretos usava uma espada gigantesca. Ela encarou a parede de pedra com um olhar de olhos azuis fulminante, como se dissesse "você não é páreo para mim, boneca". Com um único golpe da espada, a parede caiu e ela saiu, triunfante, da cadeia.

Então Michelle acordou. Que droga, era um sonho. Ela ainda estava na droga da cadeia, com a droga de uma caneca do lado dela, com a droga das grades a prendendo, com a droga da forca esperando por ela.

A mulher limitou-se em dar um suspiro. Deu uma olhada em Ivy; nem parecia uma mimada enquanto dormia no chão, com o cabelo todo desgrenhado. Soltou um sorriso. Estava grata por ela ter a escutado na noite passada, quando estava passando por um momento de fraqueza.

Fraqueza? Não, longe disto. Estava num momento profundo. Pronto, ficou melhor. Michelle Bonny não tinha momentos de fraqueza. Então se desligou de onde estava. Olhava fixamente para o chão, e pensava na vida; a vista começou a embaçar, por ela passar tanto tempo sem piscar os olhos.

Sentiu uma mão gelada no ombro. Arregalou os olhos e olhou para trás; lá se estava Ivy. Victoria trazia nos lábios um sorriso feliz.

- Bom dia! – o sorriso de orelha a orelha incomodou Shelly.

- Não, não é um bom dia. – começou – Estou presa, e vou morrer enforcada.

- Que bom! – ela nem escutara Shelly, estava com a cabeçinha de vento feliz. Parecia uma doninha que tinha ganhado a loteria e estava saltitante. Se doninhas apostassem em loteria e tivessem a sorte de ganhar.

Passaram alguns minutos caladas.

- Bem – começa Bonny, quebrando o silêncio –, você é caribenha, correto?

- Sim! Eu tenho cara de inglesa? – diz, sorrindo. Michelle se perguntava se ela estava bêbada – Eu queria ser francesa. Ia ser tão divertido ficar falando oui, monsieur.

- Divertido a beça. – balançou a cabeça, suspirando. Ela só podia estar bêbada. Mas como? Ela queria rum! Era injusto, uma garotinha inexperiente como a Ivy beber e ela não. – Você está de porre?

- Não! – agora o mundo dela desabou.

- Pois parece. Vai ver que ser enforcada por pirataria está subindo a sua cabecinha de borboleta.

Logo depois, quase imediatamente, Michelle arrependeu-se de ter falado isto. Ivy mordeu o lábio inferior e seus olhos ficaram marejados; logo em seguida começou a chorar desesperadamente. Seu rosto ficou vermelho, e encharcava o rosto de lágrimas.

- Eu... vou... morrer! – os soluços pontuavam cada palavra. – E... eu nunca... vou... casar e ter... minha família!

Ela abraçou Michelle, que não sabia o que fazer para consolar a pobre coitada. Ela dava tapinhas desajeitados na cabeça e nas costas de Read, e dizia uns "vai ficar tudo bem", mesmo sabendo que não ia ficar.

Mas, por mais incrível que pareça, ia ficar tudo bem mesmo. Elas iam sair bem desta.

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Já era por volta das sete da manhã, agora. Um homem acabara de acordar, com a luminosidade do Sol batendo justamente nos seus olhos, assim que abertos. Praguejou e tentou lembrar em que residência estava. Oh, sim, na casinha daquela mulher negra. Ela tinha uma filha simpática; tinha lhe servido rum. E rum é bom. Levantou-se com alguma pequena dificuldade e com uma dor de cabeça terrível: uma dor familiar para ele, a ressaca. Lembrou da meta do dia: ver o dia da condenação das duas tripulantes do sexo feminino e ajudá-las a sair dali.

Olhou para o lado, e ali estava Jake, fitando o chão, melancólico.

- O que houve, garoto júnior?

- O que houve? – ele olhou diretamente para Jack, agora – Você ainda pergunta o que houve? Minha noiva passou a noite numa cela. Ela vai ser condenada à forca, junto com Ivy. – a voz dele começara a tremer – Ela vai morrer se não fizermos nada.

- Eu sei, filho. – Sparrow sentou ao lado do jovem Turner – Mas eu vou tirá-las de lá. Alguma vez o decepcionei? – Jake abriu a boca, mas Jack o cortou antes que começasse a falar – Não. E esta pode ser alguma fase difícil, você é jovem e está noivo, será pai. Você não está com a mente sã por isso, ser noivo não é lá exemplo de sanidade, mas sei que se importa com as damas. E vou fazer de tudo para salvá-la, e repetindo: quebrando as regras para isso.

Jake deu um sorrisinho forçado. Ele se sentia que Jack falava sério. Ele ia agradecer por sua boa vontade, o capitão do Pérola Negra e tudo mais, mas o ronco sonoro de Gibbs atrapalhou seu raciocínio.

- Acorde ele. – diz Jake.

- Eu sou o capitão, então eu digo as ordens. E digo que vou acordar Gibbs.

Um tapa é dado e Gibbs acorda, atordoado. Eles começam a fazer seu plano, de como tirarão as garotas da cadeia ao lado do forte de Nossa Senhora da Assunção. Chegaram a conclusão que não será fácil, e seria bom um parceiro para ajudá-los nessa incrível façanha.

Um John Machão seria bom, não?

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Diário de MB.

Estou me sentindo como se estivesse afogando, embora nunca tenha me afogado antes. Perdendo o fôlego aos poucos, sabe? Aquela maluquice de sentir sua vida ser sugada, tim tim por tim tim, pelas águas quentes do mar do Caribe, no caso de estarmos no Brasil, do Atlântico.

Eu sempre quis morrer como uma heroína. Lembrada sempre, nos livros, coisa do tipo. Jack terá essa sorte, quando morrer. Quero dizer, eu e ele somos imortais, bebemos da Água da Vida, mas se eu for degolada ou sei lá, não continuarei viva. O meu corpo não ia ficar andando sem uma cabeça, feito uma mula. Mas eu quero dizer, se Jack morrer, ele será lembrado como o homem que saiu de uma ilha esquecida por Deus com tartarugas marinhas amarradas aos pés, que assaltou não-sei-o-que sem dar um tiro e tudo mais. Eu sou uma desconhecida, uma Zé Mané.

Quem poderá estar nos livros é Mitchell Bonny. Ele é um cara legal. Afinal, ele sou eu. Eu sou legal. Mas, não sei, eu queria que na hora agá, na hora que eu ia finalmente morrer (sendo Mitch ou Shelly), soubessem da verdade. Iam adorar colocar no papel a história de um famoso bulcaneiro que na verdade era uma bulcaneira. Posso até imaginar: "Mitchell ou Michelle? A Biografia da Maior Bulcaneira de Todos os Tempos". Arre! Ia vender aos montes.

Só que eu não vou morrer assim. Eu vou simplesmente ir a uma forca, escutar um homem falar mal de mim (ou falar bem, caso diga do dia que eu deixei o Diego sem mão. Mas ninguém sabe disto), depois um padre vai falar qualquer coisa em inglês, português, latim, que seja. Daí eu morro.

Sei que eu não posso ser enforcada aqui, o Brasil não pode, eu acho. Eu vou ter que viajar para algum canto e ser enforcada. Passará semanas, talvez um mês, para que eu morra. Vai ser os piores dias de minha vida, que eu vou ficar pensando sobre mim o tempo todo, o que eu fiz, o que deixei de fazer. Em Jake, e todos do Pérola. Meu... filho... que nunca nascerá.

Ia ser um homem bom. Um pirata bom. Um bom filho.

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Quando você anda muito, ou faz por muito tempo determinado exercício, como correr na esteira ou nadar, no fim do dia você sente um peso extra no seu corpo. Sim, você queimou calorias fazendo exercícios, mas os músculos sentem o esforço utilizado. No fim do dia, às seis ou sete da noite, você sentará exausta no seu sofá ou deitará na sua cama e terá de colocar a tevê no modo de desligar só, porque dormirá em menos de dois minutos. Imagine que você nadou uma piscina olímpica diversas vezes: sentirá um peso enorme por cima de você.

Michelle se sentia como se tivesse corrido da Alemanha até o extremo da Rússia, sem parar. E o peso estivesse em cima da cabeça dela, não por todo o corpo. Em resumo: se sentia como se tudo que ela fez estivesse a esmagando agora. Simplificando mais ainda: ela se sentia terrível.

As poucas horas de sono refletiram-se por debaixo de seus olhos. A voz retornara com ajuda do leitinho morno com mel na noite (leia-se: madrugada) anterior. Acordou cedo, apesar de ter dormido tarde, por causa do desespero de sua sina. Dera de cara com Ivy, que estava com certeza pior que ela: a mente da pobre moça estava demasiadamente bagunçada, e estava ficando meio amalucada da cabeça. Victoria chorou do nada, na frente dela. E dormiu em cima dela, babando o seu ombro molhado por lágrimas da mesma mulher.

Shelly escreveu qualquer baboseira em sua agenda, e agora estava a pensar sobre a sua vida novamente.

- Acho que estou melhor, Shelly. – Ivy acordara e começara a espreguiçar-se, com os olhos fechados.

- Bom dia?

- É, acho que bom dia. Estou melhor.

- Você já disse isto.

- Está tão triste, garota. – Ivy fitava os olhos de Michelle – Quais são os projetos para a manhã?

- Não sei, talvez ficar presa numa cela não é lá um boa opção, infelizmente é a única. – Michelle suspirou.

Ivy Read então se levantou e começou a dançar uma valsa imaginária. Fazia uns barulhinhos com a boca, e uns "lá lá lá" ocasionais.

- Acho que o cérebro de alguém aqui está precisando de ajuda médica. – Michelle sentiu vontade de meter uma pedrada na cabeça de Ivy, mas conteve-se. - A sua mente está ficando retardada.

- Vamos dançar, "Melinda Davis"? – os dedos riscaram aspas no ar. "Por que não?", perguntou a cabeça de Michelle. E ela pôs-se a dançar.

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- Eu preciso mesmo fazer isso? – a voz de Ragetti soa.

- Mas é claro. – diz Pintel, bufando.

- Eu não quero invadir a cabine do capitão. É falta de moral e ética. – o único olhinho azul amarelado fita o amigo.

- Mas o capitão não está aqui no momento!

- Eu sei.

- Então podemos beber do melhor rum!

- Mas por que o rum do capitão Sparrow é melhor do que os dos outros?

- Primeiro, porque tudo que não é nosso sempre tem um sabor melhor, os roubados sempre são melhores. Segundo... – Pintel coçou a cabeça, pensando numa resposta plausível – Segundo que eu não tenho de tomar satisfações com um ser como você!

- Ai, magoou. – Ragetti esfregou o tapa-olho.

Pintel abriu uma fresta da porta da cabine, com os olhos esbugalhados e atentos. Ragetti, apavorado, repetiu o ato.

Edward Read, que estava lá dentro, cutucou a irmã Josephine e colocou os dedos sobre os lábios dela, fazendo um "shh". Começou a sussurrar:

- Eles vão abrir a porta! Estamos perdidos! – os olhos de Ed pareciam que iam saltar as órbitas.

- Shiu. Eu dou um jeito, use sua massa cinzenta, pelo menos uma única vez, Edward Read. – a perita em não demonstrar emoções deu uma pequena bocejada e levantou-se, prontamente. Espanou uma sujeira invisível do vestido com as mãos, e saiu, decidida, à porta. Ed gelou. Jo virou o rosto para trás e disse, sussurrando: - Nem acredito que sou sua irmã.

A briga de entro-ou-não-entro continuava, do lado de fora da cabine de Sparrow. Jo escutava silenciosamente do outro lado, e pensava, a mil, o que falaria. Até que uma idéia veio em sua mente engenhosa, de futura assassina protagonista de romances policiais.

- Entrar aqui é errado e vocês sabem disto, bando de ignorantes fétidos. – diz, com voz macabra e tremida, Josephine.

Ragetti gela, e arregala os olhos. Olha para Pintel, que está esforçando-se para manter a imagem de piratinha metido a corajoso.

- É uma alma vingadora! – Ragetti começa a ficar mais desesperado – Era antigamente um homem honesto que foi morto, condenado a guilhotina, sem ter feito mal algum, e agora faz coisas terríveis com os vivos.

- Seu imbecil! – Pintel deu uns tapas na cabeça de Ragetti – Você, seu coisa ruim, atraiu almas ruins para o navio!

- O que é que eu fiz? – o tom choroso apareceu em sua voz.

A jovem Read prontamente e rapidamente saiu do seu posto e pegou rum que estava sobre a mesa, derramou um pouco na sua mão, deixando-a com aspecto molhado. Voltou para trás da porta que ainda tinha uma fresta para o espaço externo.

Fechou a mão molhada com força, agarrando nada. Com a outra mão, prendeu seu pulso. Ao abrir novamente a mão, estava sem cor e sem vida: a corrente sanguínea foi interrompida. Pôs a mão para fora da cabine, que estava amarelada e molhada.

- Saiam. – diz, com uma voz rouca e baixa de propósito. Os piratas deram um grito – Ou o mau agouro virá sobre vocês com todo o impacto. – a mãozinha saiu da fresta e Jo soltou o pulso, assim a cor da mão voltou instantaneamente.

- Vamos... obedecer, senhor honesto. – gaguejou Pintel.

E deram no pé.

Josephine achou divertido ter feito isto, é impressionante a capacidade intelectual de certos seres neste navio. Edward gargalhava, e orgulhou-se da irmã que tinha. Mesmo ela matando o pintinho Cristovaldo há dois meses.

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A figura imponente do navio, ao mesmo tempo sombria, dava a impressão que tudo em sua volta estava dentro das trevas. Dentro dele havia dezenas de pessoas, todas com uma aparência pálida e fantasmagórica. Uma, em especial, de cabelos na cintura e ondulados, que por acaso intitulava-se Ivna, olhava fixamente pra a terra firme adiante à procura de Felipe, outro tripulante. Ele traria consigo um tradutor português-inglês, para acharem certo tesouro na ilha de Fernando de Noronha.

Ela percebia cada movimento, precisamente, na costa. Sua visão era aguçada, e muito. Notou um ser andando: era exatamente Felipe Kingston, trazendo consigo um corpo dorminhoco nos braços. Um bote estava fixado na areia, e ele colocou o homem que estava dormindo ao bote, entrou em seguida, e saiu remando até o navio.

Ivna notou como Felipe ficava bonito com o sol da manhã rebatendo em seus cabelos negros, apesar dele ter a pele tão sem cor.

Ao chegar ao navio, Felipe foi saudado por vários tripulantes. Ele tinha preferência em agir durante a noite, mas tinha de achar um tradutor.

O tempo pareceu então esfriar. Uma brisa bateu nos rostos dos tripulantes, e se silenciaram. Notaram o capitão do navio andando no convés, com os sonoros passos feitos por botas; ele parecia flutuar, pelo jeito que andava, mas seus passos denunciavam que ele encostava os pés no chão. Trajava, como de costume, uma roupa que lembrava o hábito de um monge (mas sem o cintinho de corda com os três nós, e em vez de ser marrom, era preto). O capuz destacava-se, que tapava não parcialmente – e sim totalmente – o rosto do capitão, a única parte do seu corpo que era vista sem panos ou botas por cima, era suas mãos pálidas e de aparência morta.

- Qual é a sua surpresa, Sr. Kingston? – a voz ecoava, fria – Isto é o que procurávamos? – o dedo apontava para o corpo do senhor deitado ao chão.

- Não exatamente, senhor. – diz, acabando com seu embaraço. Ele não precisava ter medo do seu capitão, ele sabia que não poderia fazer nada contra ele – Achei-o na alta roda, tem aparência de aristocrata e europeu. As chances de ele saber português são enormes.

- Então, é mais um para a coleção...? O padre ainda está no quarto, que firma saber somente inglês e latim.

O silêncio permaneceu por algum tempo. Todos estavam sem fala, inclusive Felipe. Ivna olhava para o capitão, e queria muito que ele tirasse seu capuz e revelasse seu rosto, consequentemente seus olhos, para poder encará-los.

- Não entendo o que estás a esperar, Kingston. Acorde o senhor aristocrata e descobriremos enfim se é um poliglota ou não.

O trovarador¹ do navio vinking prontamente partiu para cima do ser que estava ao chão e cutucou-o. Os olhos verdes dele abriram-se, assustados. Sentou-se rápido e balançou a cabeça, fazendo os cabelos castanhos balançarem-se também.

- Mas onde...? – gemeu.

- Seu nome, senhor. – Felipe começou o interrogatório.

- O canto onde estou, senhor. – reclamou o recém-acordado.

- Eu faço as perguntas. Seu nome, por favor.

- Alexander Lovett. Mais alguma coisa?

- Línguas que fala. – Kingston olhou para o capitão, como se pudesse saber algo sobre seu estado emocional (o que era impossível).

- Para que saber as línguas que falo? – Alexander estava confuso. O sotaque britânico era altamente perceptível.

- Só responda.

- Inglês, francês.

- E português?

- Nada de português. Ah, sei uma palavra: olá. – o sotaque britânico na palavra em português era engraçado, mas nenhum ser do navio ousou rir dele. Era um momento sério.

O tripulante pálido de cabelos cor de ébano resmungou algo imperceptível.

- Minha vez do interrogatório, mocinho. – diz Alexander Lovett. – Onde estou, quem são vocês, por que têm essa aparência digna de um cadáver, e como fez para que eu dormisse como uma rocha.

- A pergunta – começou o capitão encapuzado – que responderei ao senhor, querido Lovett, não está no seu questionário: onde é seu quarto, e quem é seu companheiro de quarto. – pausa – Acompanhe-me.

Por vontade ou falta de opção, o sr. Lovett atendeu o pedido do capitão. E estranhou tudo que via, como era esquisito tudo isto.

Vai ver, estava sonhando.

¹ - trovarador é um termo que eu inventei, tá? Logo cês vêem o significado. Surpresinha. (:

Oláá. :D

Demorei, mas chegueei. Eu ia escrever mais, só que acho que o capítulo tá bom até aqui. o/ Tenho uma desculpa para dizer porque demorei tanto para postar: o teclado daqui estava simplesmente uma merda. A letra A sempre empacava e eu tinha de digitar com força, com sacrifício sobrevivi bom tempo. Instalei um teclado novo exatamente neste segundo, esse capítulo todo foi escrito com meu suor. Só o "recadinho da autora" (como diria Ivone) foi escrito com o bom, novo e preto teclado. :

Mostrei finalmente o lado mais humano (e fraco) da 'super' Shelly. : Sempre mostrei ela toda 'iáá', e forte, e uma mulher bruta, mas nesse eu achei ela bem 'lalalá', se é que vocês me entendem. Pra quebrar a parte meio triste e sensível (tava de tpm no dia que escrevi, tenho isso a declarar. Sou a prova pura que hormônios realmente existem), coloquei duas ceninhas básicas de Jo (antes era Joh, mudei para Jo) e Ed. ;D

Peço zilhões de desculpas por tão pouco Sparrow nesse capítulo. ; mas no próximo ele vai aparecer muito. ; eu juuro. - Esse aqui ia aparecer um bocado, mas eu desisti de fazer o capítulo completo como eu queria, então tudo bem, fica assim mesmo. Desculpa aê.

BRIGADA, como sempre, pra Rôzinha, Doora, Ivone, Tih (você voltou! :D). Amandênha, que tá me dando muiiito³ apoio. (: amo todas vocês. -

Beiijo. :

p.s.: isso aqui em negrito tá demasiadamente comprido? acho que é a animação em escrever num teclado novo. deixa pra lá. o/