EPISÓDIO: Você não precisa dizer nada

NOS CAPÍTULOS ANTERIORES DE GILMORE GIRLS:

Paris começa a namorar Doyle. Lorelai e Luke se casam. Abby e Carter voltam a namorar e ficam noivos. Os dois começam a trabalhar no E.R. de Hartford, onde o chefe do E.R. começa a dar em cima de Abby, que virou residente-chefe.

Na manhã seguinte, Abby acordou e viu que Carter não estava do seu lado. Ela colocou um casaco e foi procurá-lo no andar de baixo.

- Carter?

- Na cozinha! – ele respondeu.

- O que você está fazendo na cozinha?

- Cozinhando. – Abby riu – Eu estou falando sério. – ele disse.

- Você está cozinhando?! – perguntou Abby surpresa.

- Estou tentando. Por quê? É tão difícil de acreditar?

- É. – ela respondeu honestamente – John Carter, na cozinha... Cozinhando? Se fosse pegando água já seria estranho, quanto mais cozinhando.

- Como eu disse, eu estou tentando. Se você quiser, eu deixo você ter o privilégio de ser a primeira pessoa a experimentar uma refeição feita por mim.

- Sua privilegiada, ou sua cobaia? – ele preferiu não responder – E então, qual a especialidade de hoje?

- Ovo mexido com torradas.

- Torradas também? Nossa, quase um chef. – ele não respondeu, apenas foi até ela e a beijou.

- Bom dia. – ele disse.

- Bom dia, – ela respondeu – principalmente hoje, que eu acordei e tive o privilégio de ver como um milionário se sai na arte de cozinhar. – Carter continuou calado.

- Você vai encontrar com a Neela hoje? – ele perguntou mudando de assunto.

- Eu não sei. Provavelmente sim, mas ainda não tem nada marcado. E você?

- Eu vou sair com o Luke.

- Pra onde? – ela perguntou curiosa.

- Para o lago.

- Lago? – Abby perguntou sem entender.

- É. Nós vamos pescar. – ela começou a rir, mas vendo a cara de sério de John, ela parou.

- Oh meu Deus. Você vai pescar?!

- Vou. Por que essa cara?

- Nada, é só que... Esse clima de cidade pequena tomou mesmo conta de você.

- Você quer? – Carter perguntou tirando o ovo do fogo.

- E parar no hospital logo hoje que é minha folga? Não, obrigada.

- Tudo bem, mas eu vou logo avisando: você não sabe o que está perdendo.

- E vou continuar sem saber, eu espero. – Nessa hora, o telefone tocou – Eu vou atender, pode ficar com seu ovo mexido. – ela parou de falar – Eu realmente disse isso? – ela se perguntou indo atender o telefone. – Alô?

- Finalmente! – disse a voz do outro lado.

- Neela?

- Onde você está?!

- Você ligou pra minha casa, onde você acha que eu tô?

- Que seja. Por que você não atendeu seu celular? Faz horas que eu estou ligando!

- Meu celular está no banheiro, carregando. Eu não o ouvi tocar.

- Você está bem? – ela perguntou.

- Estou. Por quê?

- O Luke me contou do seu desmaio.

- Você falou com ele?

- Falei, eu liguei pro Luke´s pra saber se você estava lá e ele me contou.

- Não foi nada demais, eu estou bem. Mas por que você não ligou pra minha casa?

- Eu liguei, mas ninguém atendeu.

- Ah é, foi porque o John desligou o lá do nosso quarto porque ele não queria que me perturbassem.

- Que exagero.

- Também achei, mas ele disse que queria cuidar de mim e eu acabei deixando.

- Então você está bem?

- Estou.

- Que bom, porque eu preciso falar com você.

- Fale.

- Não por telefone! – disse Neela.

- OK, então que tal um almoço?

- Onde?

- Na pousada?

- Não! – disse Neela.

- Por que não? O francês te atacou?

- Apenas me encontre no Luke´s ao meio-dia. Eu tenho que desligar. Tchau.

- Tchau. – Abby desligou o telefone e voltou pra cozinha.

- Quem era? – perguntou John.

- A Neela.

- O que ela queria?

- Ela não disse. E o ovo?

- Estava muito bom. – Eles se olharam.

- Mentiroso. – disse Abby percebendo a cara dele.

- Não estava tão bom assim, mas pelo menos era comestível.

- Vou fingir que acredito, mas... Que cheiro é esse? – ela perguntou sentindo um cheiro de queimado.

- Minhas torradas! – ele disse tirando-as do forno.

- Como cozinheiro você é um ótimo médico e um ótimo noivo. – ela disse rindo.

- Ah é? Agora você vai ver. – ele disse caminhando em sua direção.

- O que você vai fazer? Carter! – ele a peou pela cintura e a levou até a sala, onde os dois acabaram caindo no sofá. Os dois começaram a rir e se olharam.

- Eu amo você. – ele disse.

- Eu sei. – ela respondeu e os dois se beijaram.

MÚSICA DE ABERTURA

Duas horas depois, Abby e Carter acordaram com a campainha da porta.

- Nós dormimos no sofá? – disse Abby acordando.

- Eu acho que sim. – respondeu Carter. – Você está esperando alguém?

- Não. E você? – ele balançou a cabeça negativamente.

- Eu vou ver quem é. – Carter foi abrir a porta e quando abriu, viu Kirk parado na sua frente apoiando-se em Luke.

- O que aconteceu? – perguntou Carter.

- Kirk foi roubado pelas crianças novamente. Ele teve a fantástica idéia de ir atrás delas, mas acabou se esborrachando no chão. – respondeu Luke.

- Entrem. Eu te ajudo. – ele disse segurando Kirk junto com Luke – Abby! Eu preciso de você aqui! – ele chamou.

- Oh meu Deus. O que aconteceu? – ela perguntou vendo a cena.

- Ele se machucou. – respondeu Carter. – Eu preciso que você pegue um lençol, gesso, atropina e alguma coisa pra limpar as feridas.

- Você quer linha também?

- É uma boa idéia.

- Quantos miligramas de atropina?

- 3. – ele respondeu.

- OK, eu já volto. – Um minuto depois, Abby voltou com as coisas. Ela limpou e costurou os ferimentos, enquanto Carter engessava a perna dele.

- Kirk, agora nós vamos dar um jeito no seu ombro, certo? – disse Carter.

- Certo. – concordou Kirk.

- Aplique a atropina. – ele pediu pra Abby. John colocou o lençol ao redor de Kirk. – Quando eu disser três. 1, 2,3. – Abby puxou o lençol e Carter o braço.

- Oh meu Deus! – disse Kirk – Eu não senti nada.

- Por causa da atropina. – explicou Abby.

- Pronto. – disse Carter – Você já está curado.

- Obrigado, mas doutor... Como eu vou tomar banho? – ele perguntou.

- É só usar um saco de lixo. – respondeu Abby.

- OK.

- Você poderá retirar o gesso em duas semanas. – avisou Carter.

- Tá, obrigado doutores. – ele agradeceu – Muito obrigado.

- De nada. – respondeu John.

- Fique de olho nele. – Abby disse pra Luke antes dele e Kirk irem embora.

2 Horas e 15 Minutos Antes:

Lorelai acordou com um telefone tocando. Ela olhou ao seu redor e viu que Luke não estava, mas que seu celular estava em cima da cabeceira.

- Alô? – ela disse atendendo o telefone.

- Mãe? Eu te acordei? – perguntou Rory do outro lado da linha.

- Não, eu já estava acordada. – ela mentiu – O que foi?

- Eu só liguei pra avisar que eu vou me atrasar um pouco hoje.

- Como assim?

- Eu tenho que fazer uma matéria pro jornal, daí eu acho que só vou voltar pra Stars Hallow mais tarde.

- Você já voltou pro jornal?

- Voltei.

- Que bom. Eu acho que seu editor entende mais de jornalismo do que o Huntzburguer.

- Pois é. E então, como estão as coisas por aí?

- O mesmo de sempre.

- E você?

- Estou ótima.

- Luke?

- Ele está fazendo o café da manhã.

- E como vocês estão?

- Bem, muito bem. O Luke é... Incrível.

- Eu sei. Eu estou muito feliz por vocês.

- Eu sei.

- Bom, eu tenho que desligar. Tenho uma matéria a minha espera.

- OK. Arrebenta!

- Pode deixar. Tchau, mãe.

- Tchau. – ela desligou o telefone e foi até a cozinha.

- Oi. – ela disse.

- Bom dia. – respondeu Luke dando um beijo nela.

- O que você está fazendo? – ela perguntou.

- Aparentemente, Paul Anka voltou a comer carne. Eu estou fazendo um hambúrguer pra ele.

- Ah... Eu falei com Rory quase agora. – ela falou pra Luke.

- O que ela disse?

- Ela vai chegar mais tarde. Ela tem que fazer uma matéria pro jornal.

- Ela já voltou pro jornal?

- Já.

- Que bom.

- Eu também achei. E então, o que você vai fazer hoje?

- Eu combinei de ir pescar com o John.

- John? John Carter?

- É. Por quê?

- O John pescando?!

- É. Difícil de acreditar?

- Muito.

- Ele disse que ia. – Lorelai fez uma cara de quem não acreditara muito - Bom, eu tenho que ir pra lanchonete. Aqui está seu café. – ele disse dando umas panquecas pra Lorelai – Tchau. – os dois se beijaram.

- Tchau. - Luke foi pra lanchonete e Lorelai foi pra casa de Sookie fazer uma visita e aproveitar pra falar da pousada.

PROPAGANDA

11h56min

Abby estava na sala assistindo TV quando Carter apareceu vestido de pescador.

- Oh meu Deus! Que roupa é essa? – ela perguntou rindo.

- Roupa de pescador. – ele respondeu. – Pára de rir!

- OK, eu vou parar, eu prometo. – ela respondeu mais séria – Aonde você vai encontrar com o Luke?

- Na lanchonete.

- Ah, então me espera que eu vou com você. – ela disse.

- Você vai comigo? – ele indagou sorrindo e segurando a mão dela.

- Não pra pescaria. Sem chance. – ela respondeu.

- Então pra onde?

- Eu vou almoçar com a Neela. – ele se fez de desapontado, mas ela nem sequer acreditou.

- Entendi.

- Eu vou pegar meu casaco.

- OK. – ele deu um beijinho nela. Dois minutos depois ela voltou com o casaco na mão.

- Vamos? – ela perguntou.

- Vamos.

Os dois foram ao Luke´s.

- Ah, você chegou, ótimo. – disse Luke – Ceasar, eu vou sair pra pescar. Feche a lanchonete pra mim.

- OK, chefe.

- Vamos. – Luke disse pra John.

- OK. Tchau. – ele disse dando um beijinho em Abby.

- Divirtam-se! – ela falou antes deles irem embora.

- Doutora, quer pedir alguma coisa? – perguntou Ceasar.

- Só café, por favor.

- OK. – ele lhe deu uma xícara e colocou café.

- Obrigada. – ela agradeceu bebendo um pouco. Nessa hora, Neela entrou na lanchonete.

- Oi. – cumprimentou Abby.

- Oi. – respondeu Neela sentando-se numa cadeira.

- O que aconteceu? Você me deixou preocupada.

- É que... Você lembra da reunião de ontem?

- Lembro.

- Lembra que o Michael me deu uma carona porque você me obrigou a ir?

- Não foi bem assim, mas tudo bem. Eu me lembro.

- Bem, ele me deu a carona, nós chegamos à pousada e eu agradecia gentileza.

- Certo.

- Aí, quando eu estava saindo do carro... Ele... Nós...

- Vocês...?

- Ele me beijou. – Abby começou a rir, mas vendo a cara de Neela, achou melhor parar.

- Oh meu Deus. Vocês se beijaram?!

- Ele me beijou!

- Você tentou impedi-lo?

- Não.

- Então vocês se beijaram.

- Que seja, o problema é que... Ele acha que nós estamos namorando.

- O que?!

- Ele me ligou umas 20 vezes ontem!

- E o que você falou?

- Nada, eu não atendi.

- E hoje? Vocês se encontraram?

- Não.

- Não?

- Eu estou fugindo dele.

- E como você sabe que ele acha isso?

- Um hóspede me encontrou quando eu tentava fugir pela janela e disse que eu devia ser uma pessoa muito paciente pra conseguir agüentar o "francês chato".

- Uau...

- Nós temos que fazer alguma coisa!

- Nós?

- Já sei! Você poderia falar com ele e dizer que...

- Ei! Espere um pouco. Eu não vou falar com ele, o namorado é seu e não meu!

- Ele não é meu namorado!

- OK, desculpa.

- Eu acho que vou tentar arranjar um apartamento.

- Mas essas coisas de mudança não são assim tão fáceis, você não vai conseguir resolver tudo em apenas um dia.

- Eu sei... Então o que eu vou fazer?

- Você decide. – Foi então, que Lorelai apareceu na lanchonete.

- Oi. – ela disse pras duas.

- Oi. – respondeu Abby.

- O que vocês fazem aqui? – ela perguntou.

- Nós viemos almoçar. – respondeu Abby – E você?

- Eu vim falar com o Luke, mas eu acho que ele já saiu.

- Já, ele foi pescar com o Carter. – Lorelai fez uma cara de surpresa.

- Então ele realmente foi pescar?!

- Foi, acredite ou não.

- Uau, eu nunca imaginei o John como pescador.

- Nem eu... Mas você perdeu de ver a roupa que ele usava. – Abby disse rindo.

- Ele se vestiu como um pescador?!

- Aham

- Ah, parece que eu vou ter que esperar eles voltarem pra eu ver isso!

- Não se preocupe, eu tirei algumas fotos. – respondeu Abby.

- Bom, eu vou deixar vocês almoçarem.

- Pra onde você vai? – Abby perguntou.

- Pra pousada.

- Por favor, não conte ao Michael que me viu aqui! – disse Neela de repente.

- OK... – concordou Lorelai sem entender – Eu tenho que... Tchau.

- Tchau. – Lorelai saiu da lanchonete e o celular de Abby começou a tocar.

- Ah que droga. – ela disse.

- O que foi? – perguntou Neela.

- É do hospital. Eu tenho que atender. Alô. – Neela ficou olhando pra ela curiosa – O que? Mas eu estou de folga hoje! – protestou Abby – Tá, mas eu só vou dar meio plantão amanhã. – ela disse – OK, tchau. Que saco.

- Aconteceu alguma coisa?

- Aconteceu! Eu tive a péssima idéia de voltar pra Medicina e então, algum tempo depois, eu tenho que voltar pro hospital em que trabalho em pleno dia de folga.

- Por quê?

- Adivinha! O Sr.Lou está lá, chorando porque a Dra. Lockhart não está trabalhando hoje. E segundo o Jack, ele está atrapalhando todo o funcionamento do hospital. Ah, e tem mais, o nosso chefe, o Dr. Edmonton, ainda completou dizendo que como eu sou a Residente-Chefe, eu tenho que dar o exemplo.

- Dar o exemplo como?

- Indo pra lá agora mesmo.

- Você vai?

- O que eu posso fazer?! – ela disse levantando da cadeira.

- Você vai me deixar aqui?! – Neela perguntou. – Eu não posso voltar pra pousada.

- Eu... Bem, você pode ficar lá em casa por enquanto. – ela disse lhe oferecendo as chaves.

- Sem chance. – respondeu Neela.

- OK, então você pode vir comigo até o hospital, vai ser rápido. – ela sugeriu.

- Me dá suas chaves. – disse Neela.

- Anime-se, nós temos até TV a cabo. – disse Abby. Ela saiu da lanchonete e foi pro hospital.

- Graças a Deus você chegou – disse Jack assim que ela entrou pela porta do hospital – Seu queridinho está me matando!

- Primeiro: ele não é meu queridinho. – ela respondeu.

- Ah é, eu esqueci, você que é a queridinha dele.

- Cale-se. – disse Abby indo até o leito do paciente.

- Dra. Lockhart, você está aqui! – disse Lou quando a viu entrar na sala.

- Sr. Lou. – ela falou.

- Aqueles idiotas me disseram que você não vinha hoje. – ele disse.

- Era o que eu pensava também. – ela respondeu sentando-se num banco – Me mostre sua mão, por favor. – ele tirou o pano da mão – Pinça – ela pediu tirando um pedaço de vidro da mão dela. – OK, deixe-me adivinhar, você quebrou um copo de vidro na mão novamente.

- Isso não tem graça, doutora. – disse o Sr. Lou.

- OK. Linha 2.0.

- Dra. Lockhart. – ele chamou.

- Sim, Lou.

- E o nosso jantar?

- Eu sinto muito Lou, mas vai ter que ficar pra depois. Eu tenho que viajar assim que terminar isso aqui para resolver uns problemas e só vou voltar daqui a três meses. Mas quando eu voltar, a gente combina alguma coisa.

- 3 meses?

- 3 meses.

- OK, já que não tem jeito, eu vou ficar esperando.

- Que bom. – ela disse – Pronto, terminei. O senhor já pode ir. – ela disse.

- Obrigada, doutora Lockhart.

- De nada. – respondeu Abby.

- Te vejo daqui a três meses. – ele disse.

- Eu mal posso esperar. – ela respondeu se levantando da cadeira e saindo da sala. Jenna foi com ela.

- Boa idéia. – disse Jenna.

- O que? – perguntou Abby sem entender.

- Dizer pro Lou que vai passar três meses fora.

- É, eu devia ter dito um ano. – ela respondeu – Bom, eu vou pra casa.

- Você não vai ficar mais? – perguntou a enfermeira.

- De jeito nenhum.

- OK, então tchau, doutora.

- Tchau. – Abby foi caminhando até a porta do hospital, quando os paramédicos trouxeram um paciente numa maca.

- Victor Graham, 17 anos, se meteu em uma briga. – informou um dos paramédicos.

- Como ele está? – perguntou Jenna indo atendê-lo.

- Ele não fala e não respira. – respondeu o paramédico.

- Jack, chame um médico aqui! – pediu Jenna.

- Todos estão ocupados. – disse o recepcionista.

- E o Dr. Jonathan? – insistiu a enfermeira.

- Está numa cirurgia com o Dr. Plumber.

- E o Matt?

- Está com eles.

- Batimentos caindo. – avisou o paramédico.

- Abby... – pediu Jenna.

- Tá! Trauma sete. – ela disse ajudando os paramédicos a levar o garoto até a sala – Jack, arranje um médico e chame o Josh. – ela pediu.

PROPAGANDA

Eles chegaram à sala.

- Pressão 8/6. Nós perdemos o pulso. – informou Jenna.

- 1 de pavulon e 100 de etomidate. – disse Abby.

- Ele apagou. – avisou Josh.

- Iniciar compressões. – pediu Abby – Eu tenho que entubá-lo. Sucção. – ela tirou o sangue

- Tubo 8.0. – Jenna entregou. – OK, eu estou vendo as cordas... Pronto. Balão.

- Parada cardíaca. – informou o enfermeiro.

- Droga. – se lamentou Abby - Preparar choque. Carregar em 120. Afastem-se.

- Assistole. – disse Josh.

- Carregar em 200. Afastem-se.

- Ainda fibrilando.

- Jenna, dê 4 de morfina.

- OK. – respondeu a enfermeira.

- Carregar em 200 novamente. Vamos, Victor. Afastem-se. – ela pediu.

- Temos pulso. – informou Josh.

- Você conseguiu. – Jenna falou.

- Jenna, limpe os ferimentos. Josh, suture. – Abby mandou – Eu quero CBC, tomografia, RX da mão e do queixo.

- Mais alguma coisa? – perguntou Josh.

- Dê 150cc de sangue.

- OK.

- Dra. Lockhart. – chamou Brad que acabara de entrar na sala – A mãe dele está aqui.

- Obrigada. Eu vou falar com ela. – Abby saiu da sala e foi explicar a situação para a mãe.

- Oi, eu sou a Dra. Lockhart. Eu que cuidei do Victor. Seu filho chegou aqui com problemas para respirar. Nós tivemos que entubá-lo, mas mesmo assim, ele teve uma parada cardíaca. Nós tivemos que dar choques para ele sobreviver.

- Oh meu Deus! Como ele está? – perguntou a mãe desesperada.

- Ele está bem agora. Ele está dormindo devido aos medicamentos.

- Então ele está vivo?

- Está.

- Graças a Deus. E quando ele vai poder sair daqui?

- Ele terá que ficar de observação, portanto ele só poderá sair em três ou quatro dias.

- Eu posso vê-lo?

- Claro. Eu lhe acompanho. – Abby levou a mãe até a sala – Eu vou deixar vocês sozinhos, se precisar de alguma coisa é só me chamar, certo?

- Certo. Obrigada, doutora. – disse a mãe.

- Eu estou lá fora. – ela disse saindo da sala.

- Dra. Lockhart, eu achei que você não vinha hoje. – Abby se virou pra ver quem tinha falado com ela e deu de cara com Anna.

- Ah, oi. Eu também achei que não viria hoje, mas eu tive um problema com um paciente.

- Nada sério, eu espero.

- Não, é que um paciente meu é mais ou menos... Eu não sei como explicar, mas enfim, ele só aceita ser tratado por mim.

- Ah, o Sr. Lou?

- É. Você o conhece?

- Quando eu era residente, eu também fui alvo dele. Aposto que ele lhe chama para jantar todos os dias.

- Na verdade, sim. Ele parou de te convidar?

- Parou.

- Por favor, me diga como você conseguiu esse milagre pra eu poder fazer a mesma coisa.

- Você quer mesmo saber?

- Claro!

- Na verdade, eu me casei. – Abby olhou para ela surpresa.

- Mas você não usa...

- Aliança? Eu me divorciei.

- Eu sinto muito.

- Eu não sei por que as pessoas dizem isso. Livrar-me do chato do meu marido foi como ganhar na loteria, deveriam me dar os parabéns.

- Eu sei como é. Mas por que o Sr. Lou só respeita quem é casada?

- Porque no dia do casamento dele, sua noiva morreu. Ele nunca conseguiu superar esse trauma.

- Que triste.

- Eu também acho. Parece que você vai ter que se casar pra se livrar dele.

- Oh... Eu... Na verdade, eu vou me casar daqui a um mês. – disse Abby.

- Com o Dr. Carter. – concluiu Anna.

- Você já sabe?

- Sei. Nesse hospital nada é segredo, Dra. Lockhart.

- Eu devia ter imaginado.

- Dra. Lockhart! – o Dr. Edmonton vinha correndo falar com ela – Dra. Trainer, olá.

- Daniel – cumprimentou Anna.

- Algum problema? – perguntou Abby.

- Não, eu só preciso que vá a minha sala em 5 minutos. – disse Edmonton.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntou Abby preocupada.

- Não, é apenas uma reunião que eu faço mensalmente com os residentes.

- Não pode ser outro dia, eu não deveria nem ter vindo trabalhar hoje.

- Dra. Lockhart, é seu dever como residente-chefe estar presente, quer queira, quer não.

- Tudo bem, eu estarei lá.

- Obrigado pela sua compreensão. Até mais, Dra. Trainer.

- Até.

- Eu não acredito. – disse Abby quando ele saiu.

- Fique tranqüila, eu vou dar um jeito de te livrar dessa. – Anna falou.

- Verdade? Eu juro que serei grata pelo resto da vida.

- Vá pra reunião enquanto eu penso em uma saída.

- OK. Obrigada e tchau.

- Tchau.

Dezenove minutos depois, lá estava Abby sentada numa cadeira na sala do Dr. Edmonton, junto com mais quatro residentes ouvindo o discurso: "O que um médico faz". Foi então, que seu Pager apitou.

- Eu sinto muito, é uma emergência. Eu tenho que ir. Tchau. – disse Abby saindo da sala antes que o Dr. Edmonton pudesse impedi-la. Ela mais uma vez, deu de cara com Anna quando saiu da sala.

- Muito obrigada. – agradeceu Abby.

- Não foi nada. Já me disseram como essas reuniões com o Daniel são chatas.

- Você não tem idéia. Ele faz bastante essas reuniões?

- Como ele mesmo disse, apenas uma vez por mês.

- Mas é uma reunião que vale por 30. – Anna riu. – Usar o Pager foi uma ótima idéia.

- Obrigada, mas na verdade, nós realmente precisamos de você.

- O que aconteceu?

- O garoto acordou.

Abby foi até a sala do menino.

- Oi, eu sou a Dra. Lockhart, cuidei de você. – ela disse – Quando eu disser três, eu quero que você bote o ar pra fora, certo? 1, 2, 3. – Abby retirou o tubo – E então, como se sente?

- Ele deu de ombros.

- Obrigado. – ele agradeceu.

- É melhor você não falar muito hoje. Eu vou deixar você descansar. Quer que eu chame sua mãe? – Ele concordou com a cabeça – OK, eu já volto. – ela saiu da sala.

- Abby. – chamou Jenna – a tomografia do Victor Graham. – ela disse entregando-lhe o exame.

- Obrigada. – Abby pegou o exame e o observou.

- E aí? – perguntou a enfermeira.

- Ele vai ficar bem. – ela respondeu.

- Que bom. Você fez um bom trabalho lá dentro.

- Obrigada.

- É verdade que ainda é do 3º ano?

- É.

- Uau, se todos os estudantes do 3º ano fossem como você, o mundo seria uma maravilha. – Abby apenas riu.

- Peça pra mãe entrar lá, ele quer vê-la.

- OK.

- Arranje um quarto para ele e daqui a uns quinze minutos, mais ou menos, dê alguma coisa para ele dormir.

- Tá.

- Bom, agora eu vou pra casa finalmente. – disse Abby – Tchau, Jenna.

- Tchau, Dra. Lockhart.

Ela tinha acabado de passar pela porta do hospital, quando a chamaram.

- Dra. Lockhart! – a pessoa a alcançara.

- Dr. Edmonton. – ela disse surpresa – Algum problema?

- Não, eu só queria deixar ciente do que discutimos na reunião dos residentes.

- Ah... A reunião?

- Exatamente.

- O que foi?

- Eu quero que você faça a lista dos horários dos residentes e eu preciso disso na minha mesa amanhã de manhã, às 9 horas.

- OK. Mais alguma coisa?

- Não.

- Tchau, então. – ela disse se virando pra ir embora.

- Na verdade, tem mais uma coisa. – os dois se encararam.

- O que foi?

- É verdade que você acabou o noivado com o tal Norman?

- É, mas... Eu estou com outra pessoa.

- Eu sei. O Dr. Carter.

- Exatamente.

- E pelo que eu sei, tudo começou com um beijo do lado de fora do hospital. – ele disse passando a mão no rosto dela.

- Ei! – disse Abby tirando a mão dele do seu rosto – Você ficou louco?! – ela indagou com raiva.

- Eu não sei. – ele respondeu a agarrando.

- Me larga! – Abby tentou empurrá-lo – Me larga, seu canalha! – ela tentou, mas ele acabou a beijando a força.

- Abby?! – os dois se soltaram. Carter estava parado olhando pros dois com cara de indignação. – Seu filho da mãe! – Carter foi pra cima dele e os dois começaram a lutar.

- Carter, pára! – gritava Abby – Segurança! – os seguranças e todo o hospital vieram separá-los.

- Eu mato você, seu canalha! – ameaçava Carter.

- Doutor, é melhor o senhor ir pra casa e se acalmar. – disse o segurança que o segurava – Vá, você está de cabeça quente. Vai ser melhor pra todo mundo se você for embora.

- Tudo bem. – ele disse depois de um tempo. O segurança o soltou. – Eu não acredito. – ele disse pra Abby que foi atrás dele.

- Carter, espera! – ela disse segurando-o pelo braço – Não é o que você está pensando. Deixa eu explicar!

- Não tem nada pra você explicar. Eu acho que já deu pra entender tudo.

- Não! Você entendeu tudo errado!

- Eu tenho que ir embora. – ele disse indo em direção ao carro.

- Espera! Não é o que você está pensando. Ele apareceu quando eu ia embora...

-Eu não quero saber os detalhes.

- ... E daí, do nada, ele me agarrou e me beijou a força.

- Não me importa.

- Contra a minha vontade! Carter, eu nunca faria isso com você.

- Engraçado, também era o que eu pensava. – ele respondeu abrindo a porta do carro.

- John! Não dê as costas de novo! – já era tarde, ele já tinha ido embora – Carter... Não faz isso comigo. – ela começou a chorar.

PROPAGANDA

Rory era a única pessoa que ainda estava em Yale.

- É, eu acho que já arrumei tudo. – ela afirmou pegando o saco de roupa-suja na mão. Nessa hora, a campainha tocou. – Quem deve ser a essa hora? – ela se perguntou. Ao abrir a porta, ela deu de cara com...

- Paris. – ela falou surpresa.

- Oi. – cumprimentou Paris.

- Oi. O que aconteceu? – perguntou Rory.

- Eu terminei com o Doyle. – ela respondeu com a voz embargada.

- Oh... Entra. – ela disse saindo da frente e abrindo caminho para Paris entrar no dormitório.

Enquanto isso...

Lorelai tinha acabado de chegar da pousada e estava deitada no sofá tentando relaxar, quando tocaram a campainha da casa.

- Quem será? – ela perguntou pra si mesma – Abby. – ela afirmou ao abrir a porta – O que foi? – Lorelai perguntou ao perceber que ela estava chorando – O que... – Abby a abraçou.

Em Yale...

- O que aconteceu? – indagou Rory que vinha da cozinha trazendo um copo de água com açúcar para Paris.

- Ele é um idiota! Quer sempre ter razão, acha que sempre está certo...

- Bom, ele meio que parece com você nesse ponto. – Paris olhou pra ela com raiva – Desculpa, eu não devia ter dito isso.

- E o pior de tudo é que...

- É que...?

- Oh meu Deus! Mesmo com isso tudo contra... Eu o amo. Ele não é tão bonito, é baixinho, chato, irritante... Mas eu gosto dele, você sabe?

- É, eu sei. Mas calma, talvez seja apenas uma briguinha normal de casal.

- "Briguinha normal de casal"? – repetiu Paris – "Calma"? Você tá pedindo pra eu ter calma?!

- OK, meu erro. Desculpa.

- O que eu vou fazer?

- Talvez seja melhor se você conversar com ele e dizer o que sente.

- Nunca.

- OK, você tem alguma idéia melhor então?

- Não, talvez se eu pudesse dormir aqui...

- O que?!

- ... Aí eu conseguisse pensar em alguma coisa.

- Dormir aqui?!

- Por favor. Eu sei que as outras garotas já foram. Por favor... Você é minha última esperança.

- Mas...

- É seu dever me ajudar! – Paris falou com raiva.

- Tá! Tudo bem! Você pode ficar aqui essa noite.

- Muito obrigada. – agradeceu Paris voltando ao seu tom normal.

- Eu só vou avisar a minha mãe. – ela afirmou pegando o celular na mão.

- Ok. Isso é justo. Obrigada de novo.

- De nada. – respondeu Rory.

Na casa de Lorelai...

- Abby... O que aconteceu? – Lorelai perguntou quando as duas se soltaram.

- O Carter e eu brigamos. – ela respondeu.

- Oh meu Deus... Vem cá. – disse Lorelai fechando a porta e levando Abby até a sala. – Como foi isso?

- Eu estava no hospital, e aí, quando eu saí de lá, um médico veio falar comigo, e então, do nada, ele me agarrou e me beijou e...

- O que?!

- E o pior é que o Carter viu tudo e entendeu tudo errado.

- Mas...

- Eu tentei falar com ele, mas... Eu acho que... Foi o ponto final. Acabou.

- Não! – protestou Lorelai – Abby, não! O Carter nunca vai fazer isso. Ele te ama! Eu tenho certeza que amanhã mesmo já vai estar tudo bem.

- Eu não tenho tanta certeza assim...

- Mas eu tenho! – Lorelai segurou a mão dela.

- Por que isso tinha que acontecer? Por quê? Justo agora que ele voltou e... Ele é o único cara por quem eu realmente... – ela parou de falar.

- Eu sei, querida, eu sei. – Lorelai a abraçou.

- Ele tinha me prometido que não ia mais fugir. – elas se calaram – Eu não acredito que tô chorando por causa dele.

- Chorar faz bem, principalmente se é por alguém que você ama. – Abby não respondeu.

- Eu vou matar aquele Edmonton! – ela disse de repente.

- O que? – perguntou Lorelai sem entender.

- Foi tudo culpa dele. Ele que me agarrou. Ele conseguiu acabar com a única felicidade da minha vida.

- Calma, tudo vai dar certo, eu prometo.

- Desculpa ter vindo aqui te incomodar, mas é que eu não sabia o que fazer.

- Hei! Você não está incomodando. Eu sempre estarei aqui se você precisar, você sabe disso.

- É, eu sei. Obrigada.

- Você quer alguma coisa? Água, açúcar, comida, bebida, música?

- Não, obrigada. – Nessa hora, o telefone tocou – Vá atender.

- Você vai ficar bem? – Lorelai perguntou preocupada.

- Vou.

- Tem certeza?

- Tenho, pode ir.

- OK, eu já volto. Se precisar de alguma coisa...

- Eu te chamo, pode deixar. – Lorelai foi até a cozinha atender ao telefone.

- Alô.

- Mãe?

- Rory?

- Mãe, eu não posso voltar pra casa hoje.

- O que aconteceu?

- A Paris terminou com o Doyle. Ela vai passar a noite aqui e eu vou ficar cuidando dela.

- OK, é melhor assim. O clima aqui também não está muito bom.

- O que foi?

- A Abby e o Carter brigaram.

- O que?! Por quê?

- É complicado.

- Que triste... Eles devem estar péssimos.

- E estão. A Abby está aqui em casa.

- Como ela está?

- O que você acha? Ela ama o John.

- Eu sei. Você acha que é sério?

- Pelo que ela me contou...

- Mas você acha que é... Pra sempre?

- O que?

- O rompimento.

- Não, claro que não! Eles se gostam demais pra isso acabar assim.

- Eu também acho. E o Carter?

- Eu não sei. Deve estar do mesmo jeito que ela, provavelmente.

- Coitados...

- Pois é. Mas vai dar tudo certo, não se preocupe.

- É impossível não se preocupar.

- É, eu sei.

- Eu tenho que desligar.

- OK, tchau, querida.

- Tchau, mãe. – elas desligaram o telefone.

Enquanto isso, Abby ficou na sala chorando. Sem saber o que fazer, ela achou melhor ligar o rádio. A música que estava tocando era "Like a Virgin" de Madonna.

- Oh, não. – ela disse mudando de estação e começando a ouvir "I say a little prayer". Ao ouvir a música, Abby começou a relembrar por tudo que ela e Carter já haviam passado. Quando eles se conheceram, as brigas, as dificuldades, a maneira como ele sempre conseguia fazer ela se sentir melhor mesmo nas piores horas... Mas a música tinha muito pouco tempo de duração pra muita história e ela acabou acabando. A música que a substituiu foi "I just don´t know what to do" de The White Stripes. Ao ouvir a letra dela, uma onda de emoção tomou conta de Abby. Ela se levantou do sofá e decidiu fazer alguma coisa. Quando ela abriu a porta da casa de Lorelai, ela viu Carter parado, bem ali na sua frente.

- Desculpa, eu fui um idiota. – ele falou. Abby o abraçou.

- Você me prometeu. – ela disse.

- Eu sei. - ele a levantou. – Eu te amo.

- Eu...

- Você não precisa dizer nada.

- OK. – eles se olharam e os dois se beijaram. Nessa hora, Lorelai voltou pra sala e viu os dois se beijando.

- Obrigada. – ela disse pra si mesma voltando pra cozinha e deixando os dois sozinhos.

FIM