Capítulo XIII – Acordo mudo

Anya entrou em seu apartamento bufando; jogou a bolsa para um lado, o telefone celular para outro, largou as chaves em uma terceira direção, e bateu a porta com força atrás de si. Foi resmungando palavrões em direção à cozinha, mas parou no meio da sala, ao perceber que tinha companhia.

- ... E hoje é segunda-feira, o Harry's não funciona. Oi Lily, oi Scott... – ela sorriu sem graça para o casal no sofá – Desculpe, eu não sabia que teríamos visita.

- Nem eu. – a ruiva resmungou, olhando torto para o namorado, que sorria angelicalmente.

- Você anda tão ocupada, Lily, que o único jeito de te encontrar é impedindo que você durma à noite! – Duncan falou, piscando os olhos com inocência.

O telefone tocou, e a ruiva, que estava mais perto, atendeu.

- Alô?... Hey, Tiff! Como vai? – Anya, da cozinha, ouviu o nome de Tiffany, e voltou para a sala – Ele... O quê? O cara novo?... Você não 'tá falando sério!... Jura?... Oh! – Lily afastou o aparelho do rosto, encarando uma luzinha vermelha que piscava insistentemente – Tiff, tem alguém na outra linha... Aguarde um instante, sim?... Ok! Alô!... Mandy, oi!... Hum, sei... Perfeitamente... Claro, sem problemas... Ok. – afastou o telefone mais uma vez, apertando um botão – Tiff, ainda está ai?... Certo. Escuta, Mandy está vindo para cá. Por que você não vem também, e conversamos com mais calma?... Tudo bem, até já!

Ela desligou o telefone, e olhou para Duncan e Anya, que a encaravam, confusos.

- Reunião de garotas, amor, sinto muito... Ao que parece, Tiffany e Amanda estão deprimidas. – Lily disse, e deu um selinho no namorado.

- Então é agora que eu caio fora. – Duncan se levantou, ajeitando a camisa – Senhoritas... – deu um aceno de cabeça na direção de Anya, e beijou Lily rapidamente

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As duas, sentadas confortavelmente no sofá, esperavam a chegada das amigas.

- Tudo bem – Lily começou – Vá contando qual o problema... Você chegou muito estressada, hoje.

Anya bufou, e se jogou no encosto do sofá.

- Eu odeio aquele francês idiota!

- Quem? – a ruiva perguntou, sem entender.

- Paul Bocuse. – Anya cuspiu o nome – Você sabia que ele demitiu toda a nossa equipe de funcionários do Arpège, e trouxe sua própria brigada de Paris? Eu tinha certeza que ele ia colocar as garras de fora, aquele... Aquele... Emmerdeur!! – bufou - Babaca!

Lily parecia confusa.

- Então você foi demitida?

- Eu não. Todos foram, menos eu. Mas preferia ser demitida a ser rebaixada a chef de partie!

A ruiva revirou os olhos.

- Ok, como se eu entendesse, mesmo...

- Certo. Generalizando: eu sou responsável por uma área específica da cozinha. Os assados, especificamente.

- E isso não é bom? – Lily continuava sem entender.

- Ser chefe de partida? Claro... A menos que você já fosse sub-chef geral, como eu era. Nesse caso, é como de ir de... Hum... – Anya pensou um pouco – Ok, seria como ir de co-estrela a figurante.

A atriz arregalou os olhos. Disso ela entendia.

- Sem contar que eu sou a única garota no meio daqueles macaquinhos franceses. – a loura se ajeitou no sofá, e suspirou – Eles vivem fazendo piada; mulherzinha é isso, mulherzinha é aquilo... A última deles foi que "mulher bonita não cozinha bem".

Lily riu.

- Quantos elogios.

- Pois é. Eu só não entendi se eles queriam dizer que eu cozinho mal ou que eu sou feia...

Tiffany e Amanda chegaram juntas, e a primeira logo começou a discursar sobre o seu dia péssimo. Depois de contar todos os acontecimentos do dia, Tiffany chegou à parte que as outras três queriam ouvir.

- ... Aí eu fui comprar o maldito jornalzinho... Cara, ninguém merece! – revirou os olhos, jogada no sofá e se afundando numa barra de chocolate – Vou pular a parte em que ele fica falando o quanto o quanto os homens são injustiçados e as mulheres manipuladoras e mais não sei o quê... Parando direto na parte que importa. Abre aspas – ela disse - ... Começando por esse cara, o Lupin. O coitado só estava no lugar errado, na hora errada! Garanto que ele nem queria realmente se 'relacionar' com a moça, mesmo que ela fosse muito... Ahm... Linda, vamos dizer assim. Acabou acontecendo, e, por puro azar, o fofoqueiro mor da comunidade acadêmica (não vamos citar nomes, certo? Mas começa com Bich... Digo, BEN) presenciou o acontecimento, e comunicou a todos de seu convívio cor de rosa e purpurinado. Aumentando os fatos, é claro. Nossa colunista mais infame e polêmica, (aka: minha colega de trabalho Tiffany Parker) responsável por N artigos de pura utilidade, decidiu que seria interessante (e não apenas perturbador) fofocar publicamente sobre a vida pessoal alheia, aumentando ainda mais os fatos, naturalmente. Assim, um acontecimento casual (já que ambas as partes envolvidas estavam solteiras, então não temos problemas morais) virou a notícia bombástica do ano. E o cara não pode mais sair na rua. Que tipo de pessoa problemática faria isso? A resposta freqüenta a sala C312 da turma de jornalismo. Ela é muito bonita e popular, mas vive sozinha porque ninguém agüenta seu humor questionável e o bom senso claramente congelado por um iceberg. – Tiffany deu um suspiro – Fecha aspas.

Anya bufou, enquanto Lily e Amanda menearam a cabeça.

- Que idiota.

A aspirante a jornalista deu um sorriso frustrado.

- Agora eu sou considerada mentalmente perturbada, fofoqueira, maldosa e encalhada porque ninguém me suporta. Ah, esqueci: também vulgarmente conhecida como "Rainha do Gelo", porque meu bom senso está em estado de cristalização. Resumindo: eu sou a pior pessoa da Terra.

Lily não precisou pensar muito para chegar a uma conclusão. Remus Lupin. Estava na cara que era ele, só podia ser! Um pouco kamikaze ser assim tão parcial logo na primeira coluna, mas não havia explicação para que fosse outra pessoa.

- Quem foi que escreveu isso? – Anya perguntou.

- Não sei. Ele assina como Mr. Brightside. – Tiffany revirou os olhos – Irônico, não? Eu, a pessoa mais detestável do mundo, e ele o Sr. Otimista.

- Ele não assina o próprio nome porque sabe que, assim que descobrirmos, a gente vai arrebentar a cara dele por escrever essas besteiras. – Amanda resmungou, passando um braço pelos ombros da amiga.

- O pior de tudo é que ele está certo. – Tiffany murmurou.

- O quê? – as três perguntaram ao mesmo tempo.

- Eu sou mesmo horrível! Quer dizer, o que eu tenho a ver com a vida amorosa do Remus Lupin?

Anya e Lily se entreolharam.

- O mesmo que você tinha a ver com a tintura de cabelo da Lailah... – Anya começou.

- Ou o mesmo que você tinha a ver quando Anthony terminou com a namorada... Aliás, aquilo foi bem maldoso. – a ruiva acrescentou.

- Ou quando você falou mal das roupas de Dumbledore... – a loira foi continuando.

- ... E que ele devia pintar o cabelo e a barba... – Lily contava nos dedos.

- Que McGonagall precisava de um namorado...

- ... Que o hambúrguer da cantina era feito de carne de minhoca...

- Sem contar o dia em que você xingou as animadoras de torcida...

- E disse que o clube de xadrez era horrível...

- ... Assim como o de música... – iam dizendo juntas.

- 'Tá 'tá! – Tiffany revirou os olhos – Que tal mudarmos de assunto? A Amanda, por exemplo, não tinha algo importante a comentar?

Três cabeças rapidamente se viraram para a morena, que pegou um pedaço de chocolate da mesinha de centro. Ela mordeu o chocolate e mastigou muito lentamente, encarando as amigas.

- Nem é tão importante assim. – disse, antes de tentar mandar outro pedaço à boca.

- Como não? – Lily perguntou, tirando o chocolate da mão de Amanda, que o tinha ainda a meio caminho da boca – Você ligou dizendo que tinha um negócio sério pra contar, e tudo mais...

- Não se atreva a esconder qualquer coisa da gente! – Anya apontou o dedo para ela ferozmente, os olhos azuis estreitos.

- Okay, okay! – Amanda pegou novamente o doce da mão de Lily – Isso é meu! Anywaaay... Aconteceram algumas coisas nos últimos dias... Que culminaram em outras coisas, que levaram a outras, e... – ela disse, vagamente – No final das contas, estive pensando um pouco e... Terminei com o James. – enfiou rapidamente o chocolate boca adentro.

As garotas ficaram confusas a respeito do começo, mas entenderam muito bem o "terminei com o James".

- Como assim? – Tiffany perguntou – Até semana passada vocês eram o casal dos sonhos! Mais de dois meses sem nenhuma briga, nenhuma discussão ou barraco, nem nada bizarro... Vocês eram o exemplo de relacionamento perfeito!

- Talvez fosse esse o problema... Tudo perfeito demais. – Amanda respondeu, simplesmente,

- 'Tô passada. – Anya falou com assombro – Por que isso, agora?

- É – Lily concordou – Vocês ficavam tão bonitos juntos...

- Bom... – a morena ponderou – Talvez, repito: TALVEZ, eu esteja meio interessada em outro cara... Mas não é por isso. Na realidade, James me dava atenção demais... Ficava tão em cima de mim que eu mal conseguia respirar. Eu detesto isso. Gosto da minha independência, vocês entendem?

Nenhuma delas sabia o que dizer. É claro que elas não entendiam! Era consenso geral que nove entre dez garotas morreriam por um pouco de atenção vinda do rapaz, enquanto Amanda simplesmente desprezava isso, e jogava tudo fora!

- Ora, vamos! Não fiquem assim... – a garota continuou, frustrada com o espanto das amigas – A maioria das garotas de Hogwarts vai ficar feliz com a notícia, estou fazendo um bem ao pobre coração delas! – revirou os olhos – Além do mais, ele supera.

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- James, sai daí! – Dexter gritou, batendo com força na porta.

O maroto estava trancado no quarto do rapaz há cerca de duas horas, sem falar com ninguém, ou dar qualquer sinal de vida. O único som que se ouvia – além dos gritos de Dexter – era Love Hurts do Nazareth, tocando no repeat, e a voz de James acompanhando a letra, algumas oitavas acima do tolerável.

- Isso é tão injusto – o loiro resmungou lançando um olhar irritado a Reid, encostado ao seu lado na parede – É o melhor amigo do Sirius, foi você quem abriu a porta para ele, e o cara se tranca no meu quarto? Fala sério!

O maroto se virou para trás, apoiando o queixo no encosto do sofá em que estava sentado, e deu um sorriso amarelo.

- Desculpe, Dex... Como meu quarto estava ocupado na hora, James entrou logo na próxima porta – virou-se novamente no sofá, encarando agora a televisão – Amanda terminou com ele, então Prongs precisava de privacidade e uma boa dose de músicas depressivas... Por favor, não se ofenda, mas não existe lugar melhor que o seu quarto, num caso como esse... Quer dizer, NAZARETH?

Reid revirou os olhos, mas não conseguiu evitar a risada, então acabou por levar um soco no braço vindo de Dexter. Ele passou a mão rapidamente pelos cabelos claros, e deu duas batidinhas de leve na porta.

- James, por favor abra a porta... – pediu, e recebeu um "Love is just a lie made to make you blue" gritado muito desafinadamente como resposta. Dexter bufou ao seu lado – Ou pelo menos desligue isso...

Love Hurts então foi substituída por Where Are You Now, da mesma banda, e igualmente dramática. Logo na primeira linha, ficava evidente que a voz de James não melhorara em nada com a mudança de música... Talvez porque ele estivesse gritando a letra, ao invés de cantá-la.

Depois de mais algumas batidas e gritos descontrolados vindos do dono do quarto, Adam – que não morava ali, mas era praticamente da casa por causa dos companheiros de banda – resolveu intervir, antes que Dexter tentasse arrombar a porta. O rapaz não sairia dali tão cedo, Sirius já havia deixado bem claro, então o melhor era deixá-lo sozinho por um tempo.

- Certo, nós vamos te dar um pouco de espaço, então... – começou, puxando Reid e Dexter pela camisa – Estaremos lá embaixo, então se você quiser ouvir algumas canções divertidas, sabe onde nos encontrar. – virou-se para os outros dois, que o encaravam confusos – Vamos até o campus, fazer um pouco de música e impressionar as garotas.

Sirius levantou do sofá, a tempo de ver Dexter bufar e cruzar os braços.

- Meu violão está lá dentro. – apontou para a porta fechada, como uma criança birrenta.

Reid deu um tapa na cabeça dele, rindo.

- Você parece uma velha chata, cara. Pega lá no meu quarto...

O outro bufou, mas foi até lá, e voltou com dois violões em mãos.

– Vamos lá, então, as gatinhas nos esperam...

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- ... E aí ele meio que me passou uma cantada, dá pra acreditar? – Anya falou, entre risadas.

Lily tossiu.

- Danny? Tipo, Daniel Bennett?

- É. – a loira respondeu, ainda rindo. – Na verdade ele me chamou pra sair... Mas eu não levei muito a sério.

- Deveria. – Lily disse – Ele é louco por você. – Anya lançou-lhe um olhar incrédulo - Sério! Você deveria reparar no jeito como ele te olha... Mas pode começar a contar, e eu quero todos os detalhes.

- Bom...

FLASHBACK

Já passava de meia-noite, o Harry's havia acabado de fechar. Anya arrumava suas coisas para ir embora, decidindo que tomaria um banho quente assim que chegasse em casa, e ligaria para Johnny logo depois. Talvez assistissem algum filme, ou ficassem apenas conversando.

Virou-se, e deu de cara com Danny – o caçula de vinte e três anos de Harry Bennett – escorado na porta da cozinha. Os braços cruzados na frente do peito, bem à vontade. E ele sabia sorrir como ninguém.

- Hey. – ela cumprimentou, parando os olhos nos dentes brancos e retinhos que ele mostrava.

- Hey... Cansada?

- Não. – Anya tirou o avental, e guardou-o na bolsa, jogando-a sobre o ombro direito, e pegou o resto das suas coisas – Por quê?

- Bem, eu estive pensando... – Danny se adiantou, pegando todas as coisas que a garota carregava e colocando-as novamente sobre a bancada – Se você não gostaria de tomar um café... Ou algo assim.

Ela o olhou, e ele estava lindo. Calça jeans e camisa social branca, com os primeiro botões abertos e as mangas dobradas até o cotovelo. Os cabelos claros estavam levemente arrepiados, e os olhos verdes dele a fitavam esperançosos. Anya meneou a cabeça, surpresa com o convite. Daniel já havia dado algumas indiretas, mas até agora não havia sido tão enfático.

- Eu estou saindo com um cara, Daniel. Johnny Raisher, você o conhece... Amigo do seu pai, se eu não me engano.

Ele fez biquinho.

- Amigo do Dustin, na verdade – disse, referindo-se ao irmão mais velho, que deveria ser um ou dois anos mais velho que Johnny, na casa das vinte e nove primaveras – Mas você não namora com ele, então nada te impede... Além do mais, é só um café. – virou os olhos, pensando – Beijos ocasionais, se você quiser... Mas a princípio é só um café.

Anya pegou novamente suas coisas, meneando a cabeça, e saiu, com o rapaz em seus calcanhares.

- Tchau, Harry! – gritou para o senhor, que guardava as cadeiras.

- Ora, Anny, vamos lá! É só um café! – Danny insistiu, seguindo-a porta afora.

- Eu não saio com caras do trabalho, sinto muito.

Ele parou ao lado do mustang, com um sorriso luminoso.

- Então eu te demito, e você pode sair comigo...

A moça gargalhou gostosamente.

- Engraçado, Daniel. – entrou no carro e deu a partida, ainda gargalhando, e deixou-o sozinho no estacionamento.

FIM DO FLASHBACK

- Eu não acredito que você fez isso! – Amanda disse, chorando de tanto rir.

- E vocês queriam que eu fizesse o quê, aceitasse?

- Você poderia sim ter aceitado o café – Lily sugeriu – Não seria nada de mais. E lá você poderia dizer com a mesma sutileza dele que não está interessada em nenhum tipo de relacionamento extra-profissinal...

Anya riu.

- Sutileza? Aquele cara é tão sutil quanto um elefante!

A ruiva riu também.

- Bem, okay, você tem razão, mas...

- Nada de "mas"! E vamos mudar de assunto... Você já reparou que é a única que não falou nada? Como estão você e Duncan?

- Nós estamos bem. – ela respondeu rapidamente

- Com ele vindo aqui de surpresa porque você está sempre ocupada demais?

- Bem... Ahm... Não, quer dizer, nada a ver... Eu só... Eu... – Lily começou a se atrapalhar, e olhou no relógio – OH, MEU DEUS! Eu vou chegar atrasada!! Tchau, meninas. – jogou beijos, e saiu pela porta correndo.

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Os três rapazes estavam bem acomodados, sob uma árvore, na grama verde da entrada de Hogwarts. Reid cantando e tocando violão, Dexter também no violão e fazendo backing vocal, e Adam – como bom baterista que não serve pra nada em rodas de violão – junto com Sirius – convidado especial – batucando nas pernas. Era fim de tarde, estava muito frio, e uma certa quantidade de pessoas já se acumulava ao redor da banda.

- I guess she found it funny, When I said hello hunny, The piercing in her belly, It turned my legs to jelly... – era uma canção de autoria deles. Reid cantava enquanto as pessoas em volta se balançavam no ritmo – I, I'm really falling for you, I hate what you're puting me through, What have you done to me now, I just can't sleep at night...

- My bed is wet, Dunno how, Will someone please turn out the light – James continuou, rindo, andando até eles com as mãos nos bolsos – É uma das músicas de vocês que eu mais gosto... Já disse isso? É engraçada.

- Saiu da toca, então? – Sirius perguntou, e riu – Me perguntei se você não estaria deprimido demais até para respirar...

O maroto de óculos deu um chute fraquinho na perna dele.

- Engraçadão. Eu não estou deprimido – jogou a chave do apartamento no colo do outro – E tenho um compromisso. – foi se afastando.

- Posso saber o quê? – Sirius ainda gritou.

- Não. – James respondeu, sem se virar.

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Já estava sentado lá há 17 minutos e 32 segundos, e a garota ainda não havia aparecido... 18 minutos. Sério, ela era maluca, só podia! Marcar uma coisa e não comparecer era muito deselegante! Sem contar que ele havia sido induzido – não... Forçado! – a aparecer, e agora estava sozinho, levemente irritado, e sem nada para fazer...Por que, então, continuava ali, afinal de con... 19 minutos.

Ele estava considerando ir embora, quando a porta se abriu com um estrondo, e uma massa de cabelos ruivos cruzou a entrada da oficina de artes.

- Atrasada de novo. – James disse, divertido – Aliás, atrasada como sempre.

Lily sentou no chão, e respirou um pouco antes de começar a falar.

- Oh, Potter, me desculpe... Eu não moro exatamente perto daqui, e saí de casa um pouco tarde... Eu sinto muito, sério.

O maroto revirou os olhos.

- Não é como se eu não estivesse acostumado, não é? Você chega atrasada em, tipo, todos os ensaios.

A garota sentiu as bochechas corarem, e colocou a franja atrás da orelha.

- Okay, vou trabalhar nisso... Não vai mais acontecer. – adquiriu um tom animado – Você trouxe o que eu pedi?

- O que você me obrigou a trazer, você quis dizer. – James corrigiu – Como me obrigou a estar aqui, agora, também...

- Isso é irrelevante – ela acenou com descaso.

- ... Sim, eu trouxe. – ele continuou, apontando para o canto direito, onde havia uma caixa com várias tintas, e um pedaço muito grande de madeira compensada – Na verdade eu encomendei e mandei trazerem, acabou de chegar.

- Certo, então vamos começar.

Lily fez o rapaz carregar o pedaço de madeira até o centro da sala, onde desenharam, serraram e cortaram até que ele se parecesse com o navio do Capitão Gancho que James havia destruído uma semana atrás. Passaram, então, para a pintura.

- Hey, Evans? Lily! – James chamou, meio indeciso sobre qual nome usar, e a ruiva ergueu os olhos verdes para ele – Posso te fazer uma pergunta?

- Depende... Bem, faça. Eu decido se vou responder ou não... – ela falou, dando um sorrisinho.

- Não se ofenda, mas... Eu nunca entendi o que se passa na cabeça de pessoas como você... Quero dizer, por que você escolheu estudar isso? Artes Cênicas?

Era uma pergunta interessante, e ela pensou um pouco antes de responder.

- Bom... Eu acho... Ugh, eu não sei explicar. – Lily riu – Ok ok, acho que eu gosto de poder ter vários estilos, sabe? É a criatividade aflorando, não sei se você entende...? Como estimular um lado seu que os outros não conhecem. Ou algo assim.

- Hum.

Seguiu-se um silêncio de alguns minutos.

- E você? – a ruiva perguntou, de repente, puxando assunto.

- Ahn? Eu o quê? – James piscou algumas vezes, sem entender.

- Por que Medicina? Não é aquela coisa que toda criança quer, como ser bombeiro ou bailarina...

O maroto riu com os exemplos.

- Não, não é. Na verdade, medicina não foi minha primeira opção. – ele começou - Quando eu era menor, queria ser policial, prender os bandidos e tal... – suspirou – Depois, acabei vendo que existiam formas de salvar vidas sem arriscar a minha, e deixar meu pai feliz, ao mesmo tempo.

- Ele quer que você seja médico?

James se inclinou para trás, apoiando os cotovelos no chão e esticando as pernas.

- Sempre quis. Acho que ele quer alguém para assumir a clínica quando ele se aposentar... – revirou os olhos – Infelizmente para ele, eu vou me especializar em pediatria, e não neurologia, como ele tanto queria. Se eu tivesse que mexer no cérebro do Sirius, por exemplo... É muito pequeno para os meus três graus de miopia, eu deixaria o cara mais retardado do que já é...

Lily gargalhou. Era divertido estar na companhia de James, e ele pensava o mesmo acerca dela. Estavam se dando muito bem, sem ressentimentos. Como um acordo mútuo, de que seriam gentis um com o outro, feito sem nenhuma palavra. Seria bom para os dois.

Às oito horas da noite, decidiram que já estava tarde, e deveriam terminar o trabalho em um outro dia. O maroto se encarregou de carregar o protótipo de navio para um canto, enquanto Lily guardava a enorme caixa cheia de tintas numa prateleira alta. James voltou a tempo de ver a caixa caindo, e empurrou a garota contra a parede; assim as tintas atingiram o chão e não a cabeça dela.

Era muito batido a ruiva imaginar que gosto teria o hálito que ele soprava em seu rosto? Ou estar sentindo as pernas moles... Isso seria clichê? Ele era bonito, e tinha um cheirinho maravilhoso...!

- Lily... – James subiu as mãos dos braços para o pescoço da garota.

- James, eu...

Depois de uns dois ou três segundos encarando-a, ele se afastou lentamente, envergonhado.

- Me desculpe, eu estou... Como vocês garotas dizem...? Carente? Também, mas não... Isso! Fragilizado. É. – suspirou. – Amanda terminou comigo.

- Eu sei. Estive com ela antes de vir pra cá. – Lily o olhou com pena, ainda encostada à parede – Quer conversar sobre isso?

- Não! – James respondeu rapidamente, e começou a guardar as tintas caídas no chão, mas reconsiderou – Ela disse alguma coisa? Mudou de idéia? O que ela disse?

- Não posso te dizer o que ela disse, James; mas não acho que ela vá voltar atrás... Sinto muito.

Arrumaram o lugar todo em silêncio, e sem novos incidentes, como se nada tivesse acontecido. Outro acordo sem palavras, daqueles nos quais eles seriam muito bons futuramente.

Depois de tudo pronto, James se despediu.

- Tenho que ir buscar meu carro... Depois de uma longa semana, ele finalmente está novinho em folha! – deu um beijo no rosto da garota, e foi saindo.

- James! – ela chamou, quando o rapaz já estava a uns bons passos de distância – Sobre o seu carro... Mande a conta para mim, ok?

Ele riu, e meneou a cabeça.

- Então você admite que foi você, sua vândala...! – acenou com descaso, ainda sorrindo – Tchau, Lily. A gente se fala.

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N/A – É isso. Eu sinto que a J/L Action foi muito corrida, já que a Mandy mal tinha dado o pé no James... Mas também sinto que estou enrolando e me empolgando demais nas partes tangentes da história (que não são tão importantes, mas as que eu mais gosto de escrever), e que a fic vai ficar tipo MUITO grande. Como em "excessivamente grande", ou "exageradamente grande". E vcs vão se cansar de mim. Eu não quero isso, então decidi correr um pouquinho mais aqui, e colocar logo uma coisa entre a Lily e o James, pra ser um pouco mais rápido.

Anywaaaaaay, mudando de saco pra mala, nos próximos caps eu vou falar mais sobre a banda do Reid.. Por enquanto fica entre a gente que ela se chama 'Underdogs', e é um cruzamento MUITO bem sucedido entre McFLY, Busted e Son Of Dork (minhas bandas preferidas, oiq-) Aliás, a música lá em cima é Falling For You, do Busted, que eu recomendo TOTAL!

Chega por hj! Beijos especiais e dedicatórias do cap para Pattt (que faz aniversário hj), Lilly Ke (que fez ontem) e JhU Radcliffe (que vai fazer dia 7)... Parabéns, meus amores, felicidade e muito sucesso para as três. Vocês moram no meu coraçãozinho, ok??

Sem sneak-peek do próximo pq eu não tenho mais caps prontos, mas a próxima atualização vem no dia 22, aniversário de um ano da fic! xD

PS. – 13 reviews? MUITO OBRIGADA, VCS SÃO DEMAIS!! O cap já estava pronto, mas, como sempre, eu me enrolei pra digitar, então vou responder as reviews quando eu voltar da faculdade, ok? :´