Nota da tradutora: Para a alegria dos meus leitores, eis o capítulo 14 de Syaoran Heartcaptor. Não atualizei antes porque, i) perdi o pendrive com os capítulos originais, ii) fiquei de provas finais na faculdade, iii) meu computador quebrou, iv) meu irmãozinho nasceu e v) viajei de férias e esqueci de internet por um mês.
Pra compensar, uma promessa – minha dedicação vai passar a ser, sempre que possível, desta fic. E um comentário: faltam sete capítulos para o fim dessa história. Esse capítulo é um dos meus preferidos, por causa de uma cena hilária entre o Touya e o Syaoran. Confiram.
Um grande beijo para Julytta e Thais, leitoras queridas que me mandaram reviews puxando a orelha para atualizar esse capítulo. Este é de vocês, meninas!
No capítulo anterior: Eriol e Syaoran estabelecem uma improvável aliança em nome das garotas que amam. E Sakura tem um probleminha com bolhas.
Syaoran Heartcaptor
por absolutefluffiness
tradução de The Fluff Queen
Capítulo 14
Juntos, Mais Fortes
De Volta aos Braços Dele
Assim que Syaoran chegou ao saguão de desembarque, deu de cara com uma Sakura de aparência exausta à sua espera. Ela sorriu e correu para seus braços assim que o viu. Ele a envolveu carinhosamente e a abraçou.
"Senti saudade, Syaoran", ela disse suavemente.
"Eu só fiquei dois dias longe, mei-mei", ele a censurou gentilmente.
"Eu senti mesmo assim", ela disse teimosamente, e o abraçou com mais força. Sakura sentira falta da sensação de ter Syaoran perto; quando o corpo dele estava perto do dela, ela tinha sensações tão maravilhosas.
Syaoran riu. "Eu sei. Estava apenas brincando". Ele a beijou, então. "Também senti saudade. Especialmente do jeito que você diz o meu nome".
"Syaoran", Sakura disse, sorridente, e ele sorriu. Que alívio era ouvir Syaoran em vez de Xiaolang. "Eu queria ter um apelido pra você, como você tem pra mim".
"Eu amo o jeito que você fala Syaoran, não se preocupe", ele disse alegremente e a beijou outra vez, de leve. Syaoran puxou sua enorme mala (que continha tantas roupas e itens pessoais quantos ele pudera tirar da casa – e uma foto do pai, a quem adorara) atrás de si e guiou Sakura para um ponto de táxi em vez da parada de ônibus. "Preciso chegar logo em casa. Eriol veio no jato da família antes e está com os livros dos quais preciso. Tivemos que fingir que brigamos por causa do avião, e eu o deixei ganhar e vim de avião de carreira. Você sabe o quanto é boa a comida na classe econômica?" Ele ria.
"Ah... Eu nunca saí do Japão", Sakura disse, fazendo Syaoran sorrir; talvez pudesse levá-la até Hong Kong e mostrar-lhe as atrações turísticas? Mas, quando se lembrou da situação com sua família, seu sorriso desapareceu. "E o Eriol... Vocês agora são amigos?" Sakura perguntou com curiosidade enquanto entravam no táxi.
"Aliados, no máximo", Syaoran disse. Ficou tentado a contar a ela o que Eriol lhe contara, mas... Não. Apenas a deixaria preocupada, e a faria fazer algo precipitado. Em vez disso, eles compensaram o tempo perdido ficando alegremente abraçadinhos no táxi, beijando-se de vez em quando.
Mas, assim que chegaram em Tomoeda, Syaoran percebeu o que tinha acontecido.
"A Carta Bolha, hein?" Ele disse enquanto o táxi os deixava na entrada no condomínio. "Queria saber por que você não conseguiu selá-la..." Eles entraram, com Syaoran carregando a mala e depois deixando os livros na sala de estar. Sakura os espiou; eram em idiomas diferentes – latim, inglês, francês – mas todos continham a mesma palavra: Clow.
"Tantas línguas diferentes", ela disse. "Os outros magos no mundo sabem sobre as cartas?".
"É claro", Syaoran disse enquanto guardava suas roupas no armário. "Considerando o poder delas, fico surpreso de ter demorado tanto para alguém vir atrás de você".
"Vir atrás de mim?" Sakura disse, inexpressiva.
"As Cartas foram maculadas. Você não conseguiu selá-las. O Espelho e Gêmeos foram manipuladas", Syaoran disse. "E lembra o que o Espelho falou sobre alguém controlando-os?".
"Mas como...".
"É isso que estamos tentando descobrir", ele colocou a foto do pai na escrivaninha, e então, "Sakura, vou pedir comida fora. Você parece estar cansada – e faminta. O escudo tem sido um problema?" Syaoran perguntou gentilmente enquanto encomendava a comida, assegurando-se de pedir sushi de camarão e camarão frito para ela.
"Um pouco", ela sorriu.
"Onde Bolha está?".
"Em uma área de árvores atrás do Parque Pinguim", ela disse.
"Depois que comermos, posso adicionar meu feitiço selante para tirar um pouco do peso das suas costas, se não conseguirmos achar um jeito de selá-la", Syaoran disse. "Ah, e eu trouxe uma lembrancinha pra você", ele sorriu e deu uma caixa a Sakura, que a abriu e viu perfumados sachês de chá dentro. Olhou-o com curiosidade. "Você adora chá de saquinho, então comprei estes no centro da cidade", Syaoran disse, e Sakura abraçou-o.
"Syaoran! Ah, você não precisava!" Ela disse, agradecida. "Obrigada".
E falava a sério. Sakura nunca soubera como era ser amada desse jeito, ser assim cuidada, saber que alguém se importava tanto com ela que mudaria de rumo para vê-la feliz. Porque as palavras seguintes de Syaoran confirmaram isto.
"Eu sei. Mas eu quis".
"Eu já disse que te amo?" Sakura olhou no fundo dos olhos castanhos que tanto amava. Não conseguia imaginar-se amando outra pessoa; envolvida pelas emoções que Syaoran lhe inspirava, Sakura não fazia ideia que isso fosse possível.
"Não, fale", Syaoran ria. "Nunca me canso de ouvir isso de você".
Eles se beijaram gentil e docemente, e de algum modo flutuaram até a cama de Syaoran, deitados de frente um para o outro. Sakura descobriu que podia fazer Syaoran gemer quando acariciava os lóbulos das orelhas dele, então alisou-as gentilmente, vendo-o estremecer.
"Não faça isso", ele disse suavemente enquanto se afastava dela; percebeu que sentia-se bastante excitado, e não queria ir a tal ponto... Ainda. Ignorando-o, Sakura deitou-se alegremente sobre Syaoran (não que ela pudesse prendê-lo em tal posição, por ele ser mais alto que ela e bem mais pesado), mas o beijou nessa posição, que a fazia sentir-se entusiasmada e poderosa.
No fundo da mente, Syaoran sabia que deveria estar parando-a; ela não fazia ideia do efeito que estava tendo sobre ele. Mas ele a amava tanto, todos os beijos, todos os toques faziam-no querer manter Sakura do seu lado em todos os momentos.
Quando se deu conta, havia segurado-a pela cintura e virado de modo que estava sobre ela. Sakura lhe sorria e ele havia acabado entre as coxas dela. Em vez disso, ele saiu de sobre ela.
Não posso, ele pensou. Sabia que ela prazerosamente faria tudo o que ele fizesse; por este motivo, estava assustado. Eu não estou pronto, percebeu. Fazer amor significava levar o relacionamento deles a um nível com o qual ele não sabia se estava pronto para lidar; se chegassem a esse ponto, ele teria que tomar a dianteira.
Mas era necessário? Ele estava feliz como estavam; beijar Sakura o satisfazia infinitamente, e abraçá-la deixava-o aquecido e feliz. Olhando para o rosto doce e sorridente dela, Syaoran sabia que não precisava se preocupar com isso... Ainda. Assim, ele sorriu e beijou as faces, a testa e o nariz de Sakura.
"Eu amoamoamo você", ele sussurrou, e os dois riram. A campainha tocou, e Syaoran se levantou, ajudando Sakura a fazer o mesmo. Ela se afastou alegremente, sem saber o quão perto haviam chegado de fazer algo para o que ele não tinha certeza se estavam preparados.
"Deixe-me ajudar", Sakura sorriu, e arrumou pratos, copos e vasilhas enquanto Syaoran pagava a entrega. Assim que a comida estava servida, eles comeram em silêncio, com Syaoran dando provas a Sakura de sua comida de vez em quando (um ato que teria chocado sua mãe se ela soubesse).
Sakura fechou os olhos repentinamente e sorriu. "Estou tão feliz com você, Syaoran", ela disse enquanto pegava na mão dele. Syaoran beijou a testa dela em resposta, e eles continuaram a comer.
"Sakura... Você precisa saber..." Syaoran começou. "O seu irmão me contou... Ele teve uma visão-".
"- De nós dois casados", Sakura interrompeu. "Eu sei".
"Ele te contou?" Syaoran perguntou com incredulidade.
"Não. Mas..." Sakura levantou-se para tirar a mesa, "ele deixou escapar na última vez que me deu uma bronca por sua causa. Mas você tem que saber que eu não me importaria de casar com você". E sorriu.
"Sakura", Syaoran se levantou, "você tem dezessete anos. Eu ainda tenho dezesseis. Acho que ainda não devemos pensar nisso ainda".
Sakura se virou. "Devemos sim", ela disse suavemente. "Porque eu tive um sonho no qual eu não podia selar cartas sem você".
"Você... Você pode querer namorar outras pessoas. Só pra ver como é", Syaoran gaguejou.
Sakura ficou pensativa. "Mas eu tenho tanto a aprender sobre você ainda!" Ela disse. "E acho que não vou me cansar de você nunca".
"Eu vou perguntar isso mais tarde", Syaoran disse alegremente, "quando estivermos na faculdade e você estiver cercada de meninos".
"Você não sabia?" Ela ria. "Eu sou mulher de um homem só. Minha paixonite pelo Yukito durou sete anos".
"Vamos esperar que a sua paixão por mim dure setenta", Syaoran riu quando a beijou.
"Contanto que você se case comigo antes que eu tenha trinta anos, tudo bem por mim", ela retrucou marotamente.
Eles arrumaram a casa juntos, e depois estudaram alguns dos livros com profecias sobre as cartas, com Syaoran ocasionalmente traduzindo passagens para Sakura. Uma delas, fragmento de um dos diários de Clow, deixou-os ambos perplexos: tratava de um selo sendo forjado a partir de uma traição familiar. Outras profecias, de outros escritores, eram realmente engraçadas: numa delas, as Cartas virariam chiclete.
Enfim eles foram ao parque. Syaoran percebeu que o escudo não estava mais funcionando, porque bolhas voavam loucamente pelo local.
"Mostre-me o que acontece quando você tenta selar a Carta". Syaoran disse quando encontraram a carta isolada, que sorriu alegremente para eles e jogou mais bolhas no ar.
Sakura ergueu o báculo e tentou selar Bolha. Mas Syaoran, observando cuidadosamente, percebeu que faltavam partes na insígnia mágica de Sakura.
"Olhe para baixo, mei-mei", ele disse, e Sakura engasgou-se quando percebeu. "Muito estranho".
Syaoran lembrou-se do que Sakura havia dito sobre seu sonho, mais cedo. Respirou fundo e postou-se atrás dela. "Lembra que isso funcionou quando trocamos de corpos?" Ele colocou os braços ao redor dela. Assim que ele a tocou e ela levantou o báculo, ambos sobressaltaram-se quando levitaram subitamente, erguidos por um forte vento mágico.
"Syaoran!" Sakura gritou mais alto que o tumulto. "Olha pra baixo!".
A insígnia mágica dela tinha mudado, unido-se à de Syaoran: no meio do selo octogonal amarelo dele, havia uma imensa estrela rosa, enfeitada na ponta norte com uma lua prateada, e no sul com o sinal de ying-yang.
Tão repentinamente quanto tinha começado, o vento acabou; Syaoran e Sakura pousaram de pé, e seu novo símbolo de união ainda brilhava.
"Então é isso", Syaoran refletiu. "Temos que selar essa coisa juntos. Fique feliz por não ser uma das, hum, cartas maculadas", ele disse. Sakura disse a invocação, e Syaoran uniu-se a ela. Bolha dissolveu-se em uma carta e voou até eles, parando apenas quando ambos a tocaram ao mesmo tempo.
Sakura sorriu e então beijou Syaoran gentilmente. "Que bom que você está em casa. Em mais de uma maneira". Syaoran nunca acreditaria no que estava passando pela cabeça dela no exato momento, embora fosse descobrir em breve.
Ele correspondeu ao beijo e sorriu. "Minha casa é onde você está". Ele se esticou e estourou algumas bolhas que sobravam. Sakura ria.
"Syaoran?" Ela abraçou-o pela cintura estreita, e o puxou para mais perto, não que ele se importasse.
"Oi?".
"Me ama?".
"É claro", e Syaoran a beijou profundamente, sua língua acariciando a dela, explorando cada cantinho de sua boca até que ela ficou sem fôlego. Mas então...
"A Tomoyo me falou que o Eriol queria fazer amor com ela porque é apaixonado por ela. Nós estamos fazendo amor?".
Syaoran abriu a boca e engasgou-se quando uma bolha entrou nela. Tossiu, e Sakura em simpatia massageou suas costas até que ele cuspiu a bolha.
"Perdão... Por você ter visto isso", ele ofegou, e rezou para que tivesse escapado da pergunta.
Não tinha. "O que quer dizer fazer amor?" Sakura abraçou Syaoran outra vez e colou seu corpo ao dele.
Syaoran sabia que estava com sérios problemas, e conseguiu distrair Sakura com a desculpa mais boba do mundo. "Nossa, eu tô louco pra tomar sorvete! O que você acha, Sakura? Eu pago!"
O Sem Valor
Yelan Li olhou para o jovem rapaz à sua frente. Aos dezenove anos de idade, ele era mais alto que Eriol e Syaoran. Sua beleza arrogante era estranhamente como a de Syaoran, o que não era surpresa, considerando quem ele era. Seus cabelos eram mais escuros do que os de Syaoran, e seus olhos brilhavam, azul-esverdeados.
"Ele não vale nada", o jovem disse friamente. "Você não sentiu o fedor do amor nele?" Falou de modo zombeteiro. "A Caçadora de Cartas tem um herdeiro Li em suas mãos. Que... Adorável".
"Amor?" Yelan especulou como Syaoran tinha escondido tal detalhe dela. Sentiu sua raiva nascer; Syaoran havia jurado manter a garota sobre controle, desesperadamente apaixonada por ele.
"Ele aprendeu a enganar você por causa dela", o rapaz disse. "Por causa disso, ele se prova sem valor para liderar o Clã. Ele não poderá fazer escolhas implacáveis que serão necessárias... Não, exigidas dele se está maculado por emoções tão fracas".
Constrangida, Yelan não respondeu.
"Eu irei ao Japão e... Lidarei com isso. Sou o melhor candidato, e você sabe disso. Meu sangue pode não ser puramente Li, mas eu não herdei as fraquezas do meu pai, como aconteceu com o fedelho", ele se referiu sarcasticamente a Syaoran. "Mesmo você não pode negar que, com o despertar de meus poderes, nem mesmo os dois patéticos conspiradores podem me enfrentar".
"Eu desconfiei disso quando os livros sobre as cartas desapareceram", Yelan disse pensativamente. "Mas ainda quero a criança que nascerá da Caçadora de Cartas. Apenas Syaoran poderá concebê-la com ela, lembre-se da profecia".
"Eu posso forçar Syaoran a engravidá-la. Os poderes dela... Ela é estúpida demais para controlá-los". O rapaz disse desdenhosamente. "Posso manipular facilmente a mente dela, e a dele; quando ela estiver grávida, você terá aquela criança, e fique tranquila que eu irei... Descartar... Syaoran assim que o necessário acontecer".
"E quanto a Eriol?".
Ele estreitou os olhos. "Eu também lidarei com ele. Ele está escondendo algo e eu descobrirei o que é. Você sabia", e ele virou seus olhos frios para Yelan, "que Syaoran acessou as contas que contêm a herança dele quando esteve aqui pela última vez? E que Eriol o auxiliou?".
Yelan cerrou os punhos e os olhos lampejaram. "Ele está planejando fugir". Estava tão envergonhada de seu filho... Um fraco. "Assegurar-me-ei de que ele não poderá tocar no dinheiro a partir de agora".
Ele riu. "Não se preocupe. Se eu conseguir ele não irá... Causar problemas mais uma vez. E nem a Caçadora de Cartas".
"Você trará a garota para cá, então?".
Ele bufou. "Não estou interessado naquela menininha boba. Tomarei as Cartas dela e as trarei de volta. Para a glória do Clã. E", ele riu, "a minha própria, é claro. E agora, você deve aceitar-me. Invista em mim o direito de representar o Clã".
Yelan engoliu em seco. "É claro. Prepararei tudo". E ela se afastou, humilhada pela vergonha causada pelo filho.
Manipuladores de magia nunca pensam em usar a tecnologia, contudo... E alguém estava escutando-os com alarme através de uma pequena escuta escondida na biblioteca dos Li.
"Eles não vão escapar impunes disto", jurou quem os ouvia.
As Lições de Sakura, Primeira Parte
Eriol estava perto do armário de Tomoyo, debatendo se devia deixar ou não a carta que tinha escrito para ela, quando uma voz o pegou de surpresa.
"Temos que conversar", Tomoyo disse em uma voz estranhamente tensa, e Eriol suspirou.
"Eu concordo", ele falou em voz baixa. Mas, por um tempo, eles apenas ficaram perto dos armários, evitando os olhos um do outro. Já havia tocado a campainha para o almoço; a maioria dos alunos estava a caminho da lanchonete. O corredor estava vazio e silencioso.
Eriol ergueu os olhos para o rosto de Tomoyo. Pelos deuses, ela era linda: cabelos escuros contra a pele clara, os olhos lindíssimos brilhando à luz do sol que se infiltrava no corredor...
O jeito que ele olha pra mim... Um arrepio percorreu Tomoyo. Era como se ele estivesse despindo-a naquele local, e ela o desejava tanto que ela estava usando todo o seu considerável autocontrole para impedir-se de implorar-lhe que a beijasse. Por que ela se sentia tão fortemente atraída por alguém que ela ocasionalmente ainda odiava?
Tomoyo então disse, "Você me deve...".
"... Uma explicação", Eriol concluiu por ela. Estremeceu por sob o olhar dela, e então... "Tudo bem. Achei que a Carta Clow era você. Ela me atacou perto do meu apartamento e eu achei que era você e... Nós quase fizemos amor".
"Por quê?" Uma palavra, mas tantas perguntas.
"Você já sabe o porquê", ele disse em voz baixa. Quando ela levantou uma sobrancelha, ele acrescentou suavemente, "Eu te queria tanto".
Uma brisa leve ergueu a saia de Tomoyo e balançou seus cabelos. "Você me deseja então. E é isso. Tudo bem". Ela virou-lhe as costas, sentindo-se desapontada.
Eriol agarrou a mão dela, forçando-a a parar. "Sim. Sim, eu quero você tanto que tudo o que eu sonho à noite é fazer amor com você. Mas, mais importante do que isso é que... Eu amo você".
"... O quê?!".
"Que droga, quantas vezes eu tenho que te contar?" Eriol rosnou, e em vez de responder ele colou a boca à dela. Dessa vez ela correspondeu, passando os braços ao redor do pescoço dele, abrindo a boca para dar passagem à língua dele. Ele acabou prendendo-a contra a parede, ambos beijando-se apaixonadamente, até que ficaram sem ar e apoiaram-se um no outro, ofegando.
"Agora. Eu te beijo como se não te quisesse?" Ele disse, rascante.
"Não... Você me beija como se... Me amasse", Tomoyo ofegou e o puxou de novo para um beijo.
"É isso aí, droga", Eriol disse enquanto a beijava. "Por que você acha que eu estava tão ansioso para... Para...".
"Fazer amor com a minha cópia?" Tomoyo sussurrou, concluindo a frase para ele.
"Eu te amo", Ele sussurrou suavemente. "Me impeça se não quer isso", disse, antes de levantá-la contra a parede, colocando-se entre as pernas dela, apenas a saia dela e as calças dele entre os dois, e prendendo-a à parede com seus quadris. Ela engasgou-se; parte dela queria estapeá-lo por sua agressividade, mas a outra parte... Foi a esta que ela se rendeu. Em resposta, ela apoiou as mãos no rosto dele e o beijou com dureza. Sentiu-se selvagem e livre, uma sensação libertadora que nunca sentira antes, nunca.
"Eu acho", Eriol disse, com o rosto corado, a gravata e os óculos desarrumados, "que posso aceitar isso como um sim, não posso?".
Ele ficou surpreso quando Tomoyo agarrou-o e então resmungou, "Me chame pelo nome, droga".
Não apenas ela tinha xingado, mas tinha também exigido algo dele, e Eriol estava chocado, mas deliciado. "Tudo bem então. Minha Moyo", ele disse suavemente. "Você é a minha Moyo?".
Tomoyo não sabia se devia ou como responder; sabia que não estava apaixonada por Eriol... Ainda... Mas ela o queria, queria a boca dele na sua, a pele dele contra a dela... "Eri..." Ela foi silenciada quando a língua dele deslizou para dentro de sua boca. Ela não queria ficar apenas nos beijos. Ninguém nunca a fizera sentir o que ele fazia – irritada e brava e excitada e... Ahhh. Ela passou a mão no peito dele e o sentiu gemer contra sua boca.
"Alguém está vindo", Tomoyo sussurrou quando ouviu passos no corredor.
"Deixe virem", Eriol disse roucamente, e começou a beijar o pescoço dela. Tomoyo gemeu e jogou a cabeça para trás, dando-lhe melhor acesso, ofegando quando ele repentinamente sugou fortemente no local em que seu pescoço unia-se a seu ombro, e deixou uma marca em forma de boca ali.
"Mas que..." Syaoran recuou quando viu o abraço quente perto de seu armário. Como ia abrir seu armário agora? Eriol estava se agarrando com Tomoyo ali perto e... Ele virou as costas, corando violentamente, quando viu onde estava a mão de Tomoyo. O que ele devia dizer? Perdoem-me, mas podem parar de se agarrar enquanto eu pego meu livro-texto? Obrigado, continuem?
"Vá em frente e assista, primo. Aprenda umas dicas", Eriol ria malicioso. "Ah, perdão. Você é o bom menino. Não faz isso com a Sakura".
Tomoyo ruborizou-se, pela primeira vez que Syaoran podia se lembrar, e desvencilhou-se do abraço de Eriol. "Pare com isso", ela disse, e Eriol calou a boca, mas logo ele inclinou-se e a beijou outra vez. Syaoran podia claramente ver as línguas se enroscando, e soube que teria que sobreviver à aula de história sem seu livro. Ou era isso, ou ficaria louco. Quem queria ver o primo se agarrando... Com Tomoyo, que ele via como uma virgem vestal?
Ele retornou à sala, onde Sakura o encontrou à porta com um beijo no rosto. Syaoran sorriu; ela nunca deixava de animá-lo.
"Tá tudo bem? Cadê seu livro?".
"Posso te contar depois?" Syaoran disse.
"Você esqueceu em casa?" Sakura perguntou incredulamente; Syaoran não fazia o tipo que esquecia coisas assim... Não quando ele estava entre os dez melhores da série deles (um pouco abaixo apenas em japonês e inglês, mas entre os melhores em matemática, ciência e história).
"Digamos que eu não pude chegar ao meu armário", Syaoran disse, engolindo a vontade de rir. Por falar nisso, Eriol e Tomoyo se agarrando era meio engraçado de um jeito bem perverso.
O supracitado casal escolheu esse momento para entrar na sala, ambos com expressões vitoriosas e satisfeitas. Apesar de não estarem de mãos dadas, Syaoran sabia que era apenas uma questão de tempo antes de eles realmente consumirem a sua relação – qualquer que fosse ela. Ele confiava em Tomoyo para ser capaz de lidar com isso, mas achou que devia ter uma conversinha com o primo e logo. Ou (e ele quase riu) podia emprestar a Eriol aquele maldito manual dos amantes responsáveis.
Eu já te disse que te amo? As palavras soaram na mente de Tomoyo, e ela se virou para ver Eriol lambendo sugestivamente os lábios.
"Isso não é justo", ela sussurrou. "Se você me quer, deixe a mágica de fora".
Eu posso te ensinar... Afinal de contas você é prima da Sakura...
"Não!".
Você não faz ideia de como a magia pode aumentar o seu prazer...
"Eu já falei que não! Não vai escapar dessa. Aja normalmente".
"Tudo bem. Vamos sair para jantar mais tarde", Eriol inclinou-se enquanto inclinava-se para frente e inspirava o cheiro de lavanda nos cabelos dela. "Nós vamos ao Sakibana". Tomoyo engasgou-se; era impossível conseguir uma mesa sem reserva. "Quero que todos saibam que estamos namorando".
"Nós estamos?" Tomoyo se virou. "Eu ainda não disse nada".
"Bem..." O sorriso de Eriol foi lento. "... Então eu vou cortejá-la e não vou parar até que você seja minha". Ele continuou a sussurrar no ouvido dela até que ela ficou rosada e bateu na mão dele.
Sakura observou a cena com fascinação. "Acho que isso significa que eles são um casal?" Ela inclinou-se para trás para sussurrar para Syaoran.
"Acho que sim", Syaoran encolheu os ombros, mas sorria. Isso ia ser uma loucura, e ele ria, achando a situação altamente divertida.
Até um pouco depois, quando estava resolvendo um problema de matemática e Sakura se virou. Ele sempre sentia quando os olhos dela estavam nele, e ergueu uma sobrancelha para perguntar o que ela queria.
"Syaoran", Sakura inclinou-se para trás para sussurrar, "o que é aquela marca engraçada no pescoço do Eriol?".
Syaoran olhou, e então teve que morder o lábio para engolir a risada. Tanto Eriol quanto Tomoyo sorriram à reação dele, especialmente quando viram onde estavam os olhos de Sakura, que disse suavemente, "O quê?".
"Eu explico mais tarde", ele disse, "termine o seu exercício", completou gentilmente. E vire pra frente de novo, o professor Shisuki está olhando pra você, acrescentou em pensamento para ela.
Incapaz de conter sua curiosidade, Sakura olhou ao redor, e então se inclinou para trás de novo. "A Tomoyo também tem uma!".
"Mei-mei, eu prometo que explico amanhã!" Syaoran sussurrou em voz bem baixa, rezando para não serem pegos.
"Por que só amanhã?" Sakura ficou emburrada. Ela se recusou a se virar para frente, nem mesmo depois de Syaoran alertá-la por pensamento. Depois, mei-mei, e vire-se para frente, depressa!
"Mas por quê?" Alguns outros alunos ergueram os olhos, pois a voz de Sakura tinha sido um pouco alta.
Porque, se não me engano, você está prestes a receber detenção, Syaoran disse em voz baixa por pensamento. Sakura olhou para cima e sorriu maciamente para o professor de matemática, que não se abalou. Por causa disso, ela ficou depois da aula. Syaoran prometeu voltar para buscá-la depois que resolvesse uma coisa.
"Perdão, mei-mei. Mas eu a avisei..." Ele desculpou-se enquanto a acompanhava à sala de detenção.
"Prometa que vai me explicar tudo, Syaoran", Sakura disse quando ele a beijou em despedida.
"Voltarei às cinco, Sakura. Encontre-me na fonte na frente da escola. Ah, e por favor? Não importa o quanto curiosa esteja, não pergunte nada a Eriol e Tomoyo, tudo bem?".
Uma intrigada Sakura obedeceu e entrou na sala de detenção enquanto Syaoran suspirava aliviado, e saía às pressas.
Em vinte minutos, Syaoran viu-se (mais uma vez) esperando por Touya, mas, dessa vez, em uma mesa do lado de fora do café que ele e Yukito tinham nos arredores de Tomoeda.
"O que você quer agora?" Touya rosnou.
"Escute... Sakura descobriu que Tomoyo tem... Bom, na verdade, Tomoyo mencionou fazer amor para Sakura e... Ela tem um novo, ah, namorado, e eles... Ah..." Syaoran estava pensando em um jeito para contar a Touya sem irritá-lo, já que o homem mais velho era claramente superprotetor também com sua prima.
"Tomoyo?" Touya rugiu. "Mas que diabo..." E algo estalou em sua mente. "Ela anda se agarrando com o moleque de óculos?!".
Clientes olharam.
Syaoran estremeceu. "Acredite em mim, isso também não me agrada!" Os pulsos dele se cerraram. "Ah, e o nome dele é Eriol. Eu posso lhe dar o endereço dele se você quiser", falou de modo quase suplicante.
Touya sorriu com malícia. "Agora você sabe como eu me sinto".
Outra careta. "Olha, por favor... Ontem, a Sakura me perguntou se nós estávamos... Fazendo amor e – AAAAH, a camisa não!" Pois Touya tinha agarrado-o pela gola da camiseta. "Eu não estava! Nós não estávamos!".
"Então por que ela perguntou?" Os olhos de Touya estreitaram-se perigosamente.
"Porque... Uma Carta apareceu para Tomoyo e tentou fazer amor com ela, e a mesma coisa aconteceu com o Eriol e, é claro, a Sakura ficou sabendo e eu não faço ideia de como explicar as coisas para ela!" As palavras de Syaoran saíram atropeladas.
"O que quer dizer com 'não faz ideia de como explicar' para Sakura? Você não leu o maldito livro dos amantes responsáveis?"
Syaoran estremeceu. "Sim, mas você não me passou uma prova, passou? Qual é, você conhece a Sakura e sabe que ela não vai se interessar apenas por uma explicação! Não ajuda que a melhor amiga dela – e, se eu posso lembrá-lo, sua prima, e dela também – e o meu primo estejam se agarrando. Ela viu os chupões, e eu não faço ideia de como explicar a ela sobre eles. Isto é, sem que ela peça por uma demonstração, especialmente se eu disser a ela que é uma prova de amor e tal".
Touya rosnou e cerrou os punhos. "Nem pensar!" Só Deus sabia o que Tomoyo diria ou mostraria a Sakura. Ou pior – agora que ela aparentemente tinha o próprio namorado – ensinar a Sakura.
"Por que não fazem uma mesa redonda?" Syaoran e Touya deram de cara com um sorridente Yukito. "Assim ela pode fazer perguntas".
"Por que eu não digo a ela para se agarrar com o moleque na nossa frente já que é pra ser assim?" Touya retrucou.
"Você preferia que ela aprendesse tudo pela internet?" Yukito disse calmamente, e Syaoran e Touya estremeceram. "Achei que não". Ele tirou o avental. "Venha. Acho que isso merece uma visita à casa do seu pai, não?" Ele sorriu, e pegou as chaves para o carrinho de Touya. "Além do que, eu preciso mesmo conversar com Kerberos".
"Por quê?" Syaoran perguntou com curiosidade.
"Porque", e os olhos de Yukito ficaram enevoados. "Meu outro lado me diz que você e Sakura estão em perigo. Eu sinto que algo maldoso está vindo em nossa direção... E, quem quer que seja, é relacionado... A você", e ele olhou para Syaoran.
"Outro... lado?"
No próximo capítulo: Touya, Yukito e Syaoran tentam explicar fazer amor para Sakura. É, logicamente, uma receita para confusão. Mas agora há uma nuvem no céu; por que a família de Syaoran está se unindo contra ele?
