E SE FOSSE VERDADE 2

Capítulo 14 – Olhos Violeta

A noite encontrava-se extremamente fria. O céu noturno era iluminado por relâmpagos que eram seguidos por temerosos trovões. Respirei bem fundo, e na seqüência mordi os lábios. Estava agora em frente à porta de madeira, indecisa, mas ansiosa para entrar e encontrar segurança ali nos braços de Pierre. Eu precisava sentir seu corpo quente para aquietar meu coração. Foi preciso que um trovão cortasse o céu iluminado tudo para que, diante do medo, entrasse sem reservas no quarto daquele que procurava.

Um grande erro.

O quarto estava escuro, mas os relâmpagos iluminavam o local. Assim como o meu quarto era amplo possuindo uma cama de casal no canto esquerdo, a direta a porta do banheiro, podia visualizar também uma escrivaninha pequena e uma cadeira. Dei mais um passo para dentro do cômodo vendo Pierre apoiado na janela a minha frente observando a tempestade que caída do lado de fora. Era obvio que ele tinha percebido minha entrada no quarto, mas permanecia da mesma maneira. Senti meu coração perder o compasso por aquela clara rejeição.

- Pierre... – sussurrei angustiada.

Ele se virou. Seus olhos azuis pareciam lamentar, mas sua expressão era fechada.

- Volte para seu quarto. – me disse seco.

- O que está acontecendo? – perguntei nervosa – Porque você está me tratando assim?

Pierre passou a mão no rosto como se tentasse ter calma.

- Por favor, Kelly. – pediu ele – Não complique a situação.

Eu me encolhi dentro do casaco que vestia e dei meia volta saindo do quarto. Fechei a porta com cuidado atrás de mim, não queria irritar ainda mais Pierre, ainda mais porque eu não conseguia entender o motivo dele estar tão irritado. Toda a minha vida tinha virado de cabeça para baixo depois daquela lua cheia. Ninguém me deixava ver Jess, Isabella me tratava como se eu fosse uma criança inocente, Pierre me mantinha a distancia como se fosse errado, Luke estava a cada instante mais irritado e todos pareciam me olhar como se eu fosse um interessante espécime quando andava pelos corredores. Era aterrorizante. No fim, estava novamente sozinha naquele corredor escuro. Quase gritei ao sentir alguém ao meu lado.

- Você não deveria andar sozinha. – rosnou Luke ao meu lado.

- Eu só queria falar com ele... – sussurrei sem forças para discutir.

- Ele não vai falar com você. – me respondeu sério.

- Por quê? – senti minha voz falhar em aflição, meus olhos se encheram d'água, eu não queria chorar, mas parecia impossível.

Ele me olhou por um longo momento, porém apenas abanou a cabeça.

- Vamos... Eu te levo ao seu quarto. – disse Luke segurando meu braço com força, porém mal demos dois passos e a porta do quarto de Pierre se abriu.

- Luke! – chamou Pierre – Caius está chamando.

Luke apertou meu braço ainda mais forte antes de se virar.

- E ela? – perguntou baixo.

Pierre me olhou e balançou a cabeça.

- Edward, você poderia acompanhá-la? – ele perguntou e eu estranhei, pois só estávamos os três no corredor, porém logo uma quarta pessoa apareceu nas sombras me deixando assustada. Era o mesmo rapaz que tinha conhecido quando cheguei.

- Pode deixar. – concordou o rapaz apático.

- Obrigada! – disse Pierre se virando e desaparecendo no corredor. Luke ainda me manteve presa me olhando atentamente, mas me soltou quando Edward riu.

- Tome cuidado... – ele disse acariciando meus cabelos.

Eu não entendi o que ele queria dizer, por isso simplesmente me virei se segui andando irritada para meu quarto. Quando percebi Edward estava ao meu lado me olhando intrigado. Havia uma espécie de pesar no seu olhar, como se ele soubesse de algo muito triste.

- O que foi? – perguntei antes de entrar no meu quarto.

- Você já pensou em dar a vida por um conhecido? – perguntou melancólico, a voz dele era tão suave quanto uma brisa de outono.

Pisquei. Aquelas pessoas faziam cada pergunta mais estranha. Acabei rindo.

- É claro que daria a vida por meus amigos. – respondi sem pensar muito.

- Por Jess? – ele voltou a perguntar.

- Lógico! – exclamei ficando incomodada com aquilo.

- E por Mike? – os olhos dele se voltaram para os meus. Eram tão intensos.

- Ele também é meu amigo. – murmurei perdida no olhar dele.

Edward riu e tocou minha testa com sua mão fria.

- Até um novo dia criança. – ele disse saindo dali.

Não entendi. Que tipo de assunto era aquele? Como ele podia me chamar de criança se parecia mais novo que eu. Aquele garoto tinha um ar muito dramático, talvez eu devesse alertar Isabella que o amigo dela poderia ter tendência suicidas. Voltei para dentro do quarto e deitei na cama. Não se passaram nem cinco minutos e ouvi alguém bater na porta. Me levantei e abri me deparando com os incríveis olhos violeta de Alec.

- Posso entrar? – me pediu calmamente e eu deixei. A simples presença dele me deixava tonta.

- O que está fazendo aqui? – perguntei me sentando na cama.

- Vim ver como você estava. – me respondeu passando a mão pelos meus braços, meus ombros, tocando meu cabelo.

Era uma mão fria e delicada, mas o toque me arrepiava. Me sentia entorpecida, era como se eu estivesse bêbada e não conseguisse controlar meu corpo ou pensar de forma coerente. Os braços dele envolveram meu corpo me puxando. Ele podia ser jovem, mas era tão firme. Abri meus olhos que nem percebi que tinha fechado. O rosto dele estava tão próximo, os olhos dele brilhavam em vermelho na noite escura. O som da tempestade era ensurdecedor lá fora. Sentia-me atraída pelo cheiro adocicado. Era tão bom. O rosto era tão perfeito. Eu estava segura nos braços dele. Quase gemi ao sentir a boca dele na minha. Ele agarrou meus cabelos e me agarrei a ele com igual voracidade. Meu coração batia descontrolado. Minha mente pensava apenas no sabor daquele beijo. Era enlouquecedor. O cheiro me envolveu e fez o cabelo dos meus braços se arrepiarem. Eu queria mais. Eu queria mais daquilo do que qualquer coisa na minha vida. Ele se afastou com um sorriso nos lábios vermelhos e dessa vez eu me inclinei até ele e toquei com a minha língua os lábios dele, uma onda de prazer, que eu nunca senti antes se espalhou pelo meu corpo.

Ele riu segurando meu rosto e a risada dele era como música.

- Tão entregue... – ouvi-o sussurrar e todo o meu corpo pedia por tocá-lo novamente. Calmamente ele me deitou na cama se posicionando sobre meu corpo. Passei a língua sobre meus lábios sentindo o gosto viciante dele. Eu realmente queria mais. Então Alec me olhou nos olhos puxando meu pulso para si, ergueu seu dedo frio e o passou pela veia que estava mais visível, fazendo meu pulso pular feito louco.

Ele se curvou e, ainda me olhando nos olhos, Alec levemente mordeu o ponto onde havia pulsação no meu pulso antes de beijar o lugar suavemente. Dessa vez o sentimento de flutuar no meu estomago foi mais intenso. Os lábios dele ainda estavam em meu pulso, eu podia sentir meu sangue escorrendo para aquela boca macia, e ele encontrou meus olhos e eu senti um calafrio de desejo passar pelo meu corpo. Eu sabia que ele podia-me sentir tremer. Ele deixou a língua dele passar pelo meu pulso, o que me fez tremer de novo. Então ele sorriu para mim e se afastou na iluminação de mais um relâmpago que cortou o céu. Sua boca estava suja de sangue. Do meu sangue, mas tudo o que eu conseguia pensar era que eu queria mais. Eu queria que ele tomasse mais do meu sangue.

Fechei os olhos não conseguindo controlar minha respiração, meu coração batia tão forte que parecia que ia explodir a qualquer momento. Quando ouvi a porta do quarto se fechar meus sentidos voltaram com grande impacto me deixando devastada e o primeiro grito desesperado saiu da minha garganta.

Eu estava queimando.

OoOoOoO

Nota da Autora:

Caso alguém não tenha entendido o que acontece com Kelly na presença de Alec, é uma junção entre ter os sentidos anestesiados e a sedução natural dos vampiros.

Curiosidade: Quem iria morder Kelly seria o Jasper (que nem apareceu na fic por sinal), mas quando escrevi a cena que eles conhecem os Volturi me apaixone pelo Alec e decidi que seria dele a incumbência de morder nossa "heroína". Isso também ajudou a fechar uma ponta mal explicada na história. Que vocês vão saber nos próximos capítulos.

Então crianças... Agora a Kelly vai descobrir por mal o que está acontecendo. Alguém aí já adivinhou porque a Kelly foi mordida? Cada pessoa que acertar direitinho o motivo ganha uma drabble sobre o passado do personagem que escolher (se não escolher nenhum será sobre o Alec). Isso aí, não apenas a primeira pessoa, mais uma drabble para cada pessoa que responder. Quanto mais pessoas responderem mais drabbles sobre o passado dos personagens...

Próximo Capítulo:

Fogo

"A dor era enlouquecedora. O fogo ficava a cada instante mais quente e eu queria gritar."

Beijinhos...