Chapter 14 - Você consegue imaginar esse amor?

SAM'S .

Terça-feira... Dia do Warner passar a tarde com Jo.

Ela não quer mais saber do Adam. Era incrível como o meu plano funcionou tão bem. Ela não retorna suas ligações, não responde suas mensagens, vira o rosto quando o vê. É engraçado como ele fica nervoso por causa disso.

E eu vou sair vitorioso nessa. Ele vai aprender que ele não pode simplesmente mexer comigo, me irritar e falar mal de mim pelas minhas costas e sair ileso com um pedido de desculpas. Não.

Eu vou esfregar na cara dele o tipo de cara que eu posso ser e que tudo bem, ainda somos amigos. Mas ele não vai repetir o que ele fez. Jamais.

Já faz um mês e meio que o Warner estava ensinando as matérias para a loira e ele me disse que ela estava indo muito bem. Isso é bom.

–- *** -

Estamos quase na última aula. Resolvi sair da sala e andar pela escola... Talvez passar pelo treino das líderes de torcida, só para observar.

Lá estava ela. Jo Harvelle... Sem dúvida a garota mais gata da escola. Adam foi um idiota por perdê-la tão facilmente. E ainda mais idiota por não perceber que a culpa foi inteiramente minha.

Um sorriso cresceu em meus lábios, enquanto eu as observava ensaiando uma dança nova. Ela era muito boa. Todas eram. Talvez devessem pensar em ir em competições nacionais... Iriam muito bem.

DEAN'S P.O.V.

Terça-feira... Dia de passar a tarde com Jo. Uma das garotas mais fofas e meigas que eu já conheci. Claro que é só lá em casa, porque quando está entre as líderes de torcida, ela vira um Winchester de saia e pompons. É incrível o que uma pessoa está disposta a fazer para se sentir aceita. E ela é uma ótima atriz, para falar a verdade.

Jo estava indo tão bem. Finalmente entendeu os movimentos de orogênese e epirogênese, sem falar que já sabia de cor a ordem e as características do relevo marinho.

Ela estava tendo essas aulas particulares há mais ou menos 1 mês e meio e estava aprendendo muito rápido. Era uma garota muito inteligente. As provas finais seriam em 2 meses e acho que ela vai conseguir pelo menos 9 em cada matéria. É só ela se esforçar.

Depois de um dia comum na escola, nos encontramos no lugar de sempre para que ela não fosse vista saindo comigo e andamos lentamente até a minha casa.

– Eu nem te agradeci, não é Dean? – Ela perguntou pegando em meu braço.

– Pelo quê, Jo?

– Ah, por tudo. Por me aguentar, me ensinar, me ouvir... Acho que você é o melhor amigo que eu já tive. Melhor do que aquelas patricinhas que só sabem falar mal dos outros pelas costas.

Sorri para ela. Acho que eu nunca tive um melhor amigo, ou amiga. Fico feliz por ser ela.

– É um prazer te aguentar duas vezes por semana – Pisquei para ela e vi um belo sorriso crescer em seus lábios. Era um sorriso tão puro, tão fofo e gentil, que eu não poderia descrever em palavras o quão belo era. Sério.

– Sinto que pra você posso contar qualquer coisa e fico feliz quando faz o mesmo comigo.

– Sinto que você já me contou tudo – Eu sorri – Você não para de falar, garota.

– Olha quem fala, eu achei que você fosse o garoto mais quieto do mundo.

– E eu não sou? – Nós rimos.

– Você só é tímido... O que é muito fofo, por sinal.

– Você que é fofa.

Ela não respondeu, apenas ficou me encarando com aqueles olhos grandes e sorrindo para mim. Chegamos em casa e não tinha ninguém, como de costume. Subimos para o meu quarto correndo, na verdade, acho que estávamos competindo.

– Eu ganheeeei! – Ela gritou, comemorando – De novo.

– E qual o seu prêmio dessa vez? – Eu ri do seu rosto vermelho e respiração ofegante.

– Depois eu cobro – Ela respondeu pensativa.

– Estou até com medo – Nós rimos – Vai tirar muito dinheiro de mim?

– Não. Eu tenho outra coisa em mente.

– O que é? – Fiquei curioso.

– Depois eu te mostro – Ela estava com aquele sorriso de novo. E ele não diminuía, nem por um minuto.

– O que foi, Jo?

– Como assim "o que foi"?

– Por que está tão sorridente?

– Por nada, só gosto de vir aqui. Vamos estudar? – Ela sentou-se na cama.

– Qual a matéria de hoje?

– História, infelizmente – Ela fez um biquinho e deitou na cama – Eu desisto, Dean. Não tenho paciência nem para começar a estudar história.

– Vamos, depois de inglês, história é a matéria mais interessante.

– Podemos ver isso na quinta?

– Claro. Qual você quer estudar? – Perguntei, pegando a minha mochila.

– Que livro você está vendo em literatura? – Ela perguntou pensativa.

– Romeu e Julieta.

– Ah, que bom – O sorriso voltou a dominar seu rosto e ela se sentou novamente – Eu também. E não entendo nada das interpretações do professor Pellegrino.

– Tudo bem... Vamos começar do começo?

– Sim, por favor, Dean – Ela sentou-se na minha frente e eu me ajeitei, permitindo-a olhar o livro.

Comecei a ler, era uma bela história realmente. Ao final de cada capítulo, pedi para ela dizer o que entendeu e depois eu lhe dizia a minha interpretação. Ficamos lendo por 3 horas e terminamos o livro. O original é enorme, mas esse era apenas uma adaptação escolar. Tinha no máximo 100 páginas. Peguei um caderno na minha mochila, onde estavam algumas anotações e algumas partes do livro que eu reescrevi. Ela escolheu uma da cena final e comecei a ler.

– E então, ao ver seu amado deitado inconsciente, Julieta permitiu que as lágrimas escorressem por seu rosto pálido. Concebidas em seu coração, viveram por seu rosto e morreram em seus lábios. E assim seria com ela e Romeu. Inclinou-se, selando seus lábios ao de seu amado, provando o gosto inebriante do veneno que ali repousava – Jo aproximou-se de mim e pude ver um sorriso leve em seus lábios finos. Fiquei feliz por ela ter gostado – Julieta respirou fundo, olhando mais uma vez para o amor de sua vida, antes de dar o seu último suspiro e cair ao lado dele na grama fria do entardecer – Olhei para Jo – Você consegue imaginar esse amor?

– Eu acho que consigo sim, Dean – Ela me olhava nos olhos, não consegui decifrar sua expressão – Você não?

– Nunca estive com ninguém antes, nunca me apaixonei.

– Nunca sentiu aquele algo especial ao provar os lábios da garota que você gostava e sentir que sempre quis fazer aquilo e graças a Deus teve coragem? – Nossa, quantos detalhes.

– Nunca beijei uma garota.

– Sério?

– Sério, por que o espanto? – Sorri, encarando-a também.

Mas ela não respondeu. Pegou o caderno que estava comigo e o colocou em cima da cômoda. Sentou-se mais perto de mim e pegou uma de minhas mãos. Sua respiração estava um pouco acelerada e um pequeno sorriso cresceu em seus lábios. Continuei em silêncio, esperando ela dizer algo.

– Acho que quero cobrar o meu prêmio agora, Dean.

– O que você quiser – Continuei sorrindo.

Ela respirou fundo e uma de suas mãos foi parar em meu rosto, me fazendo um carinho e depois até a minha nuca, aproximando nossos rostos. Quando nossos narizes se tocaram, ela sorriu e fechou os olhos.

– Me beija.

– O quê? – Ok, eu estava um pouco surpreso.

Ela não disse mais nada. Avançou com o rosto até selar nossos lábios.

Agora eu estava muito surpreso. Por que ela estava me beijando? Por acaso ela esqueceu quem eu sou? Dean "Nerd" Warner? Ah, meu Deus. Ela não pode gostar de mim. Primeiro que o Adam iria me matar, segundo que o Sam iria me matar e terceiro, eu sou gay. Não posso simplesmente dizer "não" para uma garota sem que ela descubra a verdade. Mas ela também não poderia achar que eu queria aquele beijo. Seria errado deixá-la pensar isso.

Nossos lábios ainda estavam colados, mas assim que ela percebeu que eu não estava retribuindo, afastou-se e me encarou confusa.

– E-eu achei que você quisesse...

– Eu...

– Não, desculpa. Eu não deveria ter feito isso.

Jo desviou o olhar e ficou encarando o lençol, constrangida.

– Jo, não fica assim – Levantei seu queixo, fazendo-a olhar em meus olhos – Você é linda, inteligente, perfeita e qualquer cara teria muita sorte de ganhar um beijo seu.

– E por que você não quer?

– Eu... Na verdade, eu sou gay, Jo. É por isso – Tentei sorrir. Não acredito que admiti isso para alguém.

– Gay? – Ela sorriu, como se não acreditasse – Está falando sério?

– Sim – Fiquei preocupado, pois não sabia qual seria sua reação.

– Desculpa – Ela sorriu de leve e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha, envergonhada.

– Pelo quê?

– Eu te beijei. Deve ter sido desagradável.

Uma fraca risada escapou da minha boca.

– Do que está rindo, Dean? – Ela parecia confusa.

– Eu não tenho repulsa a mulher. Não foi desagradável, Jo – Sorri para ela – Foi bom saber como era e tudo, só que eu não sinto nada. É diferente de quando estou com um garoto, só isso.

– Ah... Agora não sei o que falar.

– Você quer falar sobre isso? Digo, do que aconteceu há 2 minutos.

– Eu não sei. Talvez outra hora.

– Tudo bem. Quando quiser vou estar aqui, como sempre, é claro.

Continua...