Almas Separadas.
Era tão perfeito
Era como um sonho bom
Tudo o que um dia eu desejei
Nosso amor era tão lindo
Poesia em uma canção
O mundo era só eu e você...
Shun correu mais do que já havia corrido em toda a sua vida, as lágrimas desciam pela face alva e as pequenas pernas se movimentavam mais rápido do que nunca, queria fugir, queria sair daquele inferno, queria acreditar que era tudo um pesadelo e corria na esperança de sair dele... Correu pela rua, atravessou sem olhar, carros buzinaram e pessoas xingavam aquele pequeno ser que corria sem parar. Chegou à rua da mansão e então parou, olhou para o céu, gritou a sua discórdia, o seu sofrimento, por que ele? Por que justo ele? Sentou-se no chão e escondeu a cabeça em seus joelhos, os cabelos esmeraldinos cobriram toda a sua face e as malditas lágrimas que teimavam em vir, vieram com uma força brutal...
Mas tudo mudou
Você se foi não sei o que fazer
Pra continuar a viver
Hyoga correu atrás de Shun e gritava para ele parar, tinha que se explicar, foram duas vítimas de um plano que envolvia Eire e Jabú, e Shun tinha que saber, mas ele não parava de correr, e Hyoga em seu nervosismo chorava... Talvez porque pela terceira vez em toda a sua vida estava sentindo medo... Teve medo quando a sua mão morreu, teve medo quando achou que Shun havia se matado na casa de Libra e estava tendo medo agora... Medo de perder Shun... Viu quando ele parou e correu atrás.
- Shun! – Hyoga observou o noivo e chorou mais ainda, os dois estavam sofrendo. – Shun, eu preciso que você me ouça... – Hyoga agachou-se na altura de Shun e passou a mão pelos seus cabelos.
- SAIA DE PERTO DE MIM HYOGA! – Shun afastou-se das mãos de Hyoga, ele estava sujo, ele havia tocado e beijado Eire, estava com nojo de Hyoga. – Eu... Eu...EU TE ODEIO HYOGA!
-Shun, não! Por favor, não faça isso!
- Saia Hyoga, eu quero você longe de mim! – Shun levantou-se e retomou a sua corrida em direção à mansão, só queria fugir de tudo, inclusive de Hyoga...
Hyoga, por sua vez, caiu de joelhos ao chão e chorou desesperadamente, estava com medo, estava perdendo a segunda pessoa mais importante de sua vida... Sempre fazia isso, perdeu a sua mãe e agora estava perdendo Shun... Chorou como nunca havia chorando em toda a sua infância...
Você me ensinou amor
Você me ensinou paixão
Tocou tão fundo minha alma
Mas machucou meu coração
Ficou sentado por segundos, minutos, horas... Até que percebeu que não podia ficar daquele jeito, tinha que correr atrás de Shun, tinha que se desculpar... Não se perdoaria se o perdesse. Levantou e correu até a mansão. Chegando ao portão deu de cara com Ikki, que por sua vez saiu como um leão.
- HYOGA! EU VOU TE MATAR!
- ENTÃO TENTE IKKI! VOCÊ NÃO SABE DE NADA O QUE ACONTECEU!
- VOCÊ FOI UM TOLO HYOGA! E EU ESTOU TE ODIANDO AGORA!
- IKKI!! PARE!! – Hyoga recomeçou a chorar e a sua voz foi abaixando, - Pare... Por favor, pare...
Ikki olhou para Hyoga e até chegou a se penalizar, mas logo voltou a sua postura cruel.
- Você o feriu... Ele sempre te amou Hyoga... Ele daria a vida por você... Por que você fez isso?
- Ikki, foi um truque... Foi um plano do Jabú e da Eire... Eu fui forçado...
- Oras Hyoga, cale-se! Onde está a sua postura de homem? Você foi ridículo! E sabe disso! Está cheirando a álcool!
- É; eu sei Ikki! Mas por favor, eu preciso falar com o Shun...
Ikki olhou seriamente para Hyoga e andou de um lado para o outro durante um tempo, até que encarou o loiro aflito.
- Shun não está aqui!
- Como não está? Ikki! Ele veio para cá!
- Pode entrar e procurá-lo, mas você não vai o encontrar aqui, ouça o que estou dizendo...
- Mas onde ele está?
- Ele foi aprovado na Stanford, quando ele foi comprar as tintas, eu liguei para ele e informei que ele tinha sido aprovado, e ele me disse que estava a caminho da nova casa dele e que tinha esperanças de te encontrar lá para te contar...
Hyoga levou as mãos à cabeça, como poderia ter sido tão ridículo e burro? Shun jamais tivera a intenção de traí-lo...
- Ikki, eu preciso saber onde ele está! Por favor, Ikki!
- Ele partiu Hyoga, veio aqui, pegou as suas roupas e partiu! O restante das coisas dele será mandado para a faculdade daqui a uma semana! Mas eu realmente não sei onde ele está!
Hyoga se desesperou e começou a chorar mais ainda. – Ah Shun... O que eu fiz?
Não sei se um dia vou amar alguém
Como amei você
Tudo de bom que eu aprendi
Hoje só me faz sofrer...
HS
- Está bom aqui? – Seiya colocou as mala de Shun na pequena sala e o virginiano somente concordou, fazendo um gesto com a cabeça. – Shun... Tem certeza de que fugir é a melhor solução? Hyoga tem o direito de saber onde você está!
- CALE-SE SEIYA! – Seiya abaixou a cabeça e sofreu, o amigo estava bruto, estava sofrendo e queria se esconder e Seiya sabia que isso não era o certo.
- Shun... Desculpe-me...
Shun olhou para Seiya e se sentiu péssimo ao ver que o amigo estava assustado com o seu jeito, aos poucos se acalmou e foi normalizando a sua respiração.
- Seiya, eu sinto muito...
- Tudo bem Shun, eu só disse o que eu penso... Você saiu de lá fugido, por pior que tenha acontecido você deve pelo menos uma explicação aos que estão na mansão...
- Eu sei que o meu irmão vai cuidar de tudo...
- Não é certo Shun... Até quando você vai se esconder nas sombras do Ikki?
- Eu não estou me escondendo...
- Está Shun... E sabe muito bem disso...
Shun abaixou a cabeça e as lágrimas voltaram com mais força ainda, sentiu-se um fraco, um estúpido, não tivera coragem nem de voltar para dar uma desculpa a todos... Seiya se aproximou do amigo e colocou a mão em seu ombro.
- Hoje eu perdi o meu filho... Não tem idéia de como é isso... É pior do que perder a Saori... E eu também não estou bem... Mas eu tento enfrentar... E eu quero que você tente...
Shun encarou Seiya, realmente o sagitariano estava com a razão, ele estava enfrentando coisas bem piores do que perder um noivo, sentiu-se um tolo.
- Eu já sei Shun... Por que você não escreve algo? Você sempre foi bom com as palavras...
Uma carta... Não era difícil, Shun sempre colocava os seus sentimentos no papel e isso o ajudava muito, por que não tentar agora?
- Ótima idéia Seiya! – Shun foi até a escrivaninha e retirou um bloquinho e uma caneta e começou a escrever uma carta, sem citar nomes, sem se fazer de coitadinho, somente com uma simples explicação, nada mais. Dobrou a carta e a entregou para Seiya que prontamente sorriu e a guardou.
- Vou até a mansão... Você vai ficar bem?
- Sim Seiya, obrigado amigo... – Shun correu até Seiya e o abraçou fortemente, dessa vez poucas lágrimas molharam a bela face do virginiano.
Outro dia outro amanhecer
Outra chance pra curar a dor
Quem sabe aprendo a te esquecer
Quantas lágrimas que eu chorei
E as noites que eu nem dormi
Esperando só você voltar pra mim
Hyoga corria desesperado pela praia, quem sabe poderia encontrar Shun sentado na areia, ou podia aproveitar e nadar até cansar, nadar até morrer... Enquanto corria, arrancou a camiseta e se jogou no mar, as pernas batendo mais devagar do que o normal, pois o jeans não permitia movimento rápidos, as lágrimas que enchiam ainda mais aquele oceano azul e frio, e o desespero de quem perdeu algo sagrado, de alguém que perdeu o amor...
HS
Seiya chegou à mansão tarde da noite e encontrou Ikki esperando na porta.
- E então? Como ele está?
- Vai ficar bem, ele precisa esfriar a cabeça...
- Amanhã eu vou visitar ele, preciso saber como ele está, e eu só vou acreditar que ele está bem quando o ver...
- Eu tenho uma cópia da chave da casa se você quiser...
- Seiya... Obrigado, pelo que você fez...
- Eu não fiz nada Ikki, sei bem o que o Shun está passando e eu também queria fugir, mas eu tenho mais três crianças e tenho a minha mulher... – Ikki percebeu que o semblante de Seiya entristeceu. - Vai ser bom ele passar uns dias no porto, na praia, vai dar para ele pensar muito, e então vai estar pronto no dia da viagem...
- Obrigado por emprestar a casa...
Seiya apenas agradeceu com a cabeça e entrou na mansão tristemente, ainda tinha uma noite inteira com Mikatú e ele queria aproveitar ao máximo.
Você me ensinou amor
Você me ensinou paixão
Tocou tão fundo minha alma
Mas machucou meu coração
Não sei se um dia vou amar alguém
Como amei você
Tudo de bom que eu aprendi
Hoje só me faz sofrer
Quando Hyoga deu por si já estava em mar aberto, e ficou inerte na esperança de que algum tubarão ou o cansaço desse fim ao seu corpo, pois a sua alma já estava morta... Pensava como tinha conseguido estragar tudo em tão pouco tempo... Eire... Será que teria sido uma armação como ele pensava? Ou será que realmente gostava da loira? Lembrou da promessa que havia feito com ela... Maldita promessa, havia causado tudo isso... Recomeçou a chorar e se odiou por estar chorando, sempre odiava quando Shun começava com o seu choro habitual e agora ele não conseguia parar de chorar... Já havia beijado Shun há muitos anos atrás, em uma ocasião, acidentalmente sua boca tocou em seus lábios, não deu atenção, mas percebeu que Shun ficou mexido... E ele riu... Mas agora, era ele quem sofria a falta do namorado, pois sabia que nunca mais o teria...
HS
Shun olhou ao seu redor, a casa de Seiya continuava a mesma, lembrava de cada ocasião que havia passado naquele local com Hyoga, cada olhar, cada palavra engraçada, cada briga... Amou o aquariano desde que o vira quando ele retornou da Sibéria, não conseguia parar de pensar nele um momento sequer... Mas como todos sabiam, Hyoga era comprometido, não com uma, mas com várias moças...
- Como eu pude acreditar que você iria mudar? – Saiu da casinha e foi caminhar pela praia, estava precisando colocar toda a sua raiva e o seu ódio para fora, o seu antigo Mestre sempre lhe disse que nunca deveriam ter raiva de nada, isso só fazia mal ao corpo e a mente... Andou pela areia fofa, tentou limpar a mente, mas não adiantava, a única coisa que conseguia pensar era na cena que havia presenciado, olhou para o mar e viu como estava agitado... Assim estava o seu coração e a sua mente... Olhou mais atento para o mar e viu que alguém saia de lá, parecia Hyoga... Quando ia correr para mais perto, um grito fez com que ele perdesse a atenção.
- SHUN! SHUN! – Jabú vinha correndo pela praia, desesperado, ofegante, conseguiu alcançar o virginiano e o abraçou. – Como você está? Eu te procurei por toda a parte... Vamos sair daqui, está frio, você vai se resfriar!
- Espere Jabú, tem alguém lá! Parece...
- Não é o Hyoga, agora vamos; depois do que aconteceu é normal você confundir as pessoas com ele... Vamos sair daqui...
Jabú pegou pela cintura de Shun e o guiou de volta para a casa no porto.
HS
Hyoga saiu da água e avistou uma figura de cabelos esmeraldinos, junto com uma de cabelos castanhos e logo associou como sendo Shun e Jabú, queria correr atrás deles, mas não conseguia, as pernas não deixavam, estava fraco, cansado, queria morrer e quase conseguira, mas ao invés disso estava vivo e vendo o amor da sua vida abraçado com outro... Desesperado, ajoelhou-se na areia e continuou a chorar.
Mas tudo mudou
Você se foi não sei o que fazer
A dor é uma lição
Que eu nunca quis aprender
Mas no fundo do meu peito
Ainda preciso de você
HS
- Como você me achou? – Shun estava sentado no sofá enquanto Jabú fervia chá para os dois.
- O Seiya leu a sua carta... – Jabú entregou uma xícara para Shun e sentou-se ao seu lado. – Todos querem te ver...
- E o Hyoga?
- Eu acho que ele não vai querer ficar na mansão... Todos já sabem o que ele fez...
- Eu não queria que isso acontecesse...
- Tudo bem Shun, o Hyoga já é um adulto, ele tem uma casa, não pertence ao nosso mundo... Provavelmente eu acho que ele vai voltar para a Sibéria...
Shun sentiu um aperto em seu peito, sempre temeu que Hyoga voltasse para a sua verdadeira terra e então estava acontecendo, Hyoga regressaria... Uma lágrima sentida desceu pelo seu rosto. Jabú sorriu, limpou a lágrima e aconchegou Shun em seus braços.
Você me ensinou amor
Você me ensinou paixão
Tocou tão fundo minha alma
Mas machucou meu coração
Não sei se um dia vou amar alguém
Como amei você
Tudo de bom que eu aprendi
Hoje só me faz sofrer
HS
- HYOGA!! – Eire corria desesperadamente pela praia, na esperança de encontrar o loiro tinha criado coragem e ido até a mansão, enfrentou o olhar de reprovação de todos, só queria saber onde estava Hyoga... Assim que Ikki informou a direção do loiro, Eire logo deduziu que ele havia ido para a praia e agora corria com os pés descalços pela imensidão da praia. – HYOGA!! Meus Deuses... O que foi que eu fiz... Me ajudem Meus Deuses... – Eire colocou a mão sobre a cabeça e então olhando adiante avistou uma cabeleira loira jogada na areia e correu ao seu encontro. Os seus maiores temores se tornaram verdade, era Hyoga quem estava desfalecido, caído na areia da praia, estava com a boca roxa de frio e o corpo estava gelado, procurou por sua camisa e não a encontrou, então respirou fundo e em um esforço sobrenatural conseguiu erguer Hyoga colocando o braço do loiro em seus ombros e andou o mais rápido que conseguiu, o que não foi muito, já que o Cavaleiro pesava muito e ela era uma garota sem nenhum treinamento. Avistou um pescador e gritou por ajuda.
- SOCORRO! PELO AMOR DOS DEUSES! ELE ESTÁ MORRENDO!
O pescador correu o mais rápido que conseguia e ergueu Hyoga sem muitas dificuldades.
- Rápido, me ajude a colocá-lo no carro!
- Sim senhorita!
O pescador junto com Eire levou Hyoga e o colocou dentro do carro, a loira agradeceu a ajuda e correu o mais rápido possível com o carro, a vida de Hyoga estava em risco.
Você me ensinou amor
Você me ensinou paixão
Tocou tão fundo minha alma
Mas machucou meu coração
Não sei se um dia vou amar alguém
Como amei você
Tudo de bom que eu aprendi
Hoje só me faz sofrer...
Só me faz sofrer...
Continua...
Oi Gente!! Nossa que saudades de todos... Dessa vez eu acho que eu me superei, quase um mês sem postar!! Nossa, me desculpem, peguei pesado... Bom, eu queria agradecer a todos que estavam esperando a fic e sofreram com a ausência de capítulos...
Agora as coisas mudaram e os dois vão se desencontrar e se encontrar muitas vezes... Não percam o próximo, eu prometo que não demorar a postar!
Bjos a todos!!
