Capítulo 12: Q & A.
Terça-feira, 7h01min.
Westminster, Inglaterra.
New Scotland Yard.
Reunidos na sala de Kakashi, o Hatake e Ryan Wolfe aguardavam a chegada de Obito Uchiha enquanto repassavam o progresso que haviam obtido no fim de semana. Novamente, Kisame Hoshigaki fora avisado do perigo eminente que corria, e ao contrário da primeira vez, aceitou a proteção reforçada da polícia. Wolfe explicou a ele, sem rodeios, o padrão dos assassinatos aos membros da Akatsuki, inclusive que Kisame era o próximo. A promotora Blaise O'Connell aprovou a medida, pois era a única forma de fazer o Hoshigaki aceitar a proteção da polícia, já que ele ainda era o único ex-membro da Akatsuki relutante em tê-la.
Com Konan Aoki foi mais fácil. A verdade também foi dita à jornalista do The Guardian, e ela aceitou prontamente os reforços que a Scotland Yard lhe ofereceu. Quanto ao homicídio ocorrido na Timeout, Konan concordou em amenizar o sensacionalismo que a mídia vinha fazendo em torno do ocorrido no show do McFly. Blaise a orientou sobre as palavras que deveria usar e a matéria foi publicada no jornal de segunda-feira, ocupando apenas meia página do The Guardian. Em troca, como fora combinado entre os detetives, foi oferecido à Konan alguns arquivos exclusivos do caso Akatsuki, que seriam entregues à jornalista assim que o caso estivesse encerrado.
- Por fim – disse o Hatake, olhando satisfeito para Ryan – Nosso plano de captura está pronto. Faltam só três dias para colocarmos as mãos no Mercado Negro.
- Realmente – Wolfe concordou – Quem diria que iríamos progredir tanto... Confesso que quase perdi as esperanças enquanto assistia aos vídeos da Timeout. O problema nem era mais como capturar o Mercado Negro, pois com os progressos de Iruka na Irlanda conseguimos dar alguns passos além. Eu estava preocupado mesmo com os homicídios fugindo do nosso controle.
- Mas agora que encontramos um novo link entre as mortes, seremos capazes de evitá-las.
Antes mesmo que Wolfe pudesse concordar, Obito entrou apressado na sala.
- Bom dia, colegas. Tenho novidades.
- Parecem ser boas – observou Kakashi, analisando a expressão do amigo detetive
- Espero que sejam – disse Obito – Na verdade, o velho Hyuuga acabou de nos ligar. Shizune estava vindo lhes transmitir o recado quando eu cheguei. Ele quer nos ver. Disse que se lembrou de algo que vai ajudar muito na investigação.
- Ótimo – Kakashi comemorou, levantando-se e pegando seu casaco – Achei que o senhor Hyuuga ainda poderia nos ajudar com algo.
- Você e essa sua mania de depositar esperança nas pessoas... – zombou Obito
- Vai dizer que não vale à pena? – o Hatake ergueu as sobrancelhas para o amigo, que limitou-se em dar de ombros.
- Vamos logo – apressou Wolfe – Boas notícias não podem esperar.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Terça-feira, 7h30min.
Westminster, Inglaterra.
Mansão dos Hyuuga.
- Perdão por ligar tão cedo, detetives – disse o senhor Hyuuga assim que Ryan, Kakashi e Obito adentraram o escritório de Hiashi
- Não se preocupe, senhor Hyuuga – Kakashi abriu um meio sorriso cansado – Não temos dormido muito ultimamente. Mas vamos aos fatos. O senhor disse que se lembrou de algo que poderia nos ajudar na investigação?
- Exato – Hiashi respirou fundo e encarou seriamente os detetives à sua frente – Também não tenho conseguido descansar. Deito-me e amanheço pensando nesses últimos acontecimentos. Devido a isso, muitas lembranças da Akatsuki têm voltado a minha mente. E hoje mais cedo, uma dessas lembranças me fez pensar que além dos assassinatos estarem ocorrendo pela ordem de saída dos ex-membros da empresa, há um padrão genérico, mas específico para cada ex-membro.
- Estamos ouvindo – disse Wolfe, estreitando o olhar para o senhor Hyuuga
- E gravando – acrescentou Obito enquanto colocava o gravador mais perto de Hiashi.
- Essa é uma lembrança bem antiga, especificamente de onze anos atrás, logo depois de termos registrado a Akatsuki.
"Não me lembro de quem foi a ideia, mas acabamos decidindo por comemorar o sucesso do registro da empresa em uma praia em Kent, próxima a uma caverna. Um piquenique, simples. A maior parte do grupo eram jovens, empolgados e otimistas com tudo o que estava acontecendo. Ninguém poderia imaginar que aquela reunião de amigos se transformaria em traição e morte no futuro.
Já estava bem tarde e, devo admitir, todos já estavam um tanto afetados pela bebida, quando Madara sugeriu uma brincadeira... Um jogo. Já que todos ali agora eram companheiros de empresa, não poderiam existir segredos entre nós. Assim, ele sugeriu que cada um de nós revelasse seu maior medo"
- E vocês concordaram com isso? – perguntou Obito, encostado na parede ao lado de uma estante
- Como disse, estávamos um pouco "alterados" – retrucou Hiashi docilmente, mas os detetives perceberam que a pergunta o desagradara – Prosseguindo...
"Então, como não vimos problema naquilo... Começamos a falar. Não sei qual foi a ordem... Mas... Digamos que tenha sido na ordem dos assassinatos. Enfim, a única coisa de que tenho plena certeza é que Madara Uchiha foi o último de nós. E, pra nossa surpresa ele disse que tinha medo de "nada". Nós duvidamos um pouco inicialmente, mas Madara sempre foi do tipo estrategista e corajoso, então acreditamos."
Um barulho de algo se quebrando encheu a sala de repente, e todos os olhares se dirigiram a Obito, que olhava desoladamente para o vaso de porcelana que acabara de derrubar. O detetive se remexeu, desconfortável, e balbuciou desculpas. Hiashi permaneceu impassível, e disse que depois pediria para um dos criados limparem a bagunça.
Wolfe preferiu não pensar em quão caro seria aquela peça, e em como Obito poderia não ser tão estabanado.
- Certo, Sr. Hyuuga – disse Kakashi, retomando o assunto – Isso quer dizer então que o senhor suspeita que o que vocês disseram naquela noite influenciou a forma dos assassinatos.
- O que quero dizer, detetive – Hiashi inclinou para frente, encarando cada um deles com seus olhos perolados – é que tenho certeza que cada membro está sendo assassinado de acordo com seu medo.
- E sua certeza se baseia em...? – perguntou Obito, cruzando os braços
- Se baseia no fato de meu irmão ter medo de voar, especialmente em helicópteros. Se baseia no fato de Sasori ser claustrofóbico do pior tipo, daqueles que sequer conseguem ficar um lugar com portas e janelas totalmente fechadas. – Hyuuga fez uma pausa - Se baseia no fato de Pain detestar eletrônicos e afins. E em Kakuzu ser completamente hemofóbico. Em Hidan ter medo de ser humilhado em público.
- O senhor esqueceu de Madara – lembrou Obito
- Seria impossível aplicar o medo de Madara em sua morte – comentou Kakashi antes que Hiashi pudesse responder – Além disso, ele continua encaixando-se como exceção à regra.
- Faz sentido. São métodos quase exatos para cada uma dessas fobias. – refletiu Wolfe – Ok, e o senhor recorda-se de todos os medos?
- Sim. – os olhos de Hiashi enevoaram-se por um instante – eram meus amigos. Lembro-me do medo de cada um deles.
- O senhor acredita que seria possível Madara Uchiha ter revelado esses medos aos membros do Mercado Negro com os quais ele fez comércio? – Obito perguntou
- Não sei até onde a traição de Madara pode ter ido – respondeu Hiashi, sincero
- Muito bem. O senhor está nos trazendo um avanço indescritível, senhor Hyuuga – comentou Kakashi - Gostaria que o senhor nos dissesse quais são os medos daqueles que ainda não foram vítimas, porém ainda são alvos. Talvez isso nos ajude a prevenir futuras tragédias. Em sequência, se não me engano, temos... Kisame Hoshigaki...
- Konan Aoki, Deidara Fujimoto, Fugaku Uchiha e... O senhor. – completou Obito, rapidamente
- Tudo bem... – Hiashi pareceu incomodado com a ideia – Kisame tinha... Medo intenso de altura. Quanto à Konan... Era uma moça corajosa, mas tinha muito medo de insetos em geral. Deidara também sempre me pareceu um pouco claustrofóbico, mas ele nos revelou que seu medo, de fato, era ser enterrado vivo.
Obito soltou um espirro um pouco violento, que poderia facilmente ser confundido com uma risada. Kakashi e Wolfe olharam feio para ele.
- E...? – o Hatake incentivou Hiashi a continuar
- Fugaku, embora pouco demonstrasse, tinha certa hidrofobia.
- E o senhor? – questionou Obito
Hiashi hesitou e ficou em silêncio por dois minutos inteiros. Por fim, ele respirou fundo e, ajeitando-se na cadeira, disse:
- Nada mais me assusta do que a possibilidade de não conseguir proteger minhas filhas.
Um silêncio um pouco constrangedor se instalou na sala. Os detetives evitaram olhar para Hiashi, que levantara e agora observava a paisagem pela sua janela. Ryan, incomodado, quebrou o silêncio:
- É óbvio que precisamos alertar novamente os ex-membros e ressaltar agora que procurem ficar distantes daquilo que tenha alguma ligação com seus medos e que possam colocá-los em perigo, mesmo que a segurança deles já tenha sido reforçada.
- Mas fique tranquilo, senhor Hyuuga – Kakashi falou, sereno - Nesta sexta-feira iremos executar o plano que deixará o Mercado Negro em nossas mãos, e poderemos interrogar nossos maiores suspeitos. Combinando as informações que vamos obter com o que o senhor acabou de nos contar, faremos até o impossível para que mais ninguém seja assassinado.
- Obrigado, detetives.
- Nós é que agradecemos pelas informações, Sr. Hyuuga. – disse Obito - E me desculpe pelo... Enfeite ou... Seja lá o que... – ele parou de falar, tropeçando nas palavras.
- Muito bem. Mas ainda assim peço, pessoalmente, Sr. Wolfe, que reforce a segurança de Hinata e Hanabi. – pediu Hiashi
- Como quiser, senhor – Wolfe levantou-se e apertou a mão do Hyuuga. Kakashi e Obito fizeram o mesmo, e um mordomo acompanhou os três detetives até a saída da mansão.
No carro, eles se entreolharam. Havia uma nova expectativa no ar.
- Isso incrementa nosso perfil – disse Kakashi – Torna-o mais específico.
- Concordo – Wolfe assentiu – Pise fundo no acelerador, Obito. Blaise vai adorar as novidades.
- Não precisa pedir duas vezes – o Uchiha sorriu, dando partida e acelerando o veículo de forma empolgada.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Terça-feira, 13h01min.
Grande Londres, Inglaterra.
Cidade de Londres, London Further Education.
O sinal acabara de anunciar o término da aula de Tecnologia da Comunicação. Os alunos mal esperaram o professor Ross Adams pronunciar suas últimas palavras do dia e já se encaminharam para o corredor, que demorou poucos instantes para ficar lotado.
Calmamente, Tenten Mitsashi recolhia o material escolar, seu pensamento apinhado de perguntas. Todas elas, porém, direcionadas para um único assunto. Aquele que a atormentava há quase dois meses. Um dos questionamentos fez-se gritante na mente de Tenten: "Quando isso tudo vai acabar?" E mais: "Como eu posso ajudar?"
- Vamos? – a voz doce de Hinata Hyuuga fez a Mitsashi se lembrar de onde estava. Ela sorriu para a amiga, pegou a bolsa e encaminhou-se para a porta da sala de aula, acenando para o professor Adams ao passar por ele. Tenten não entendia porque seus colegas não gostavam muito das aulas dele. O professor era desengonçado, mas explicava a matéria muito bem. Também era até bonitinho...
A Mitsashi estava prestes a comentar com Hinata suas preocupações em ajudar os ex-membros da Akatsuki que ainda estavam vivos quando as duas alunas foram abordadas por Itachi Uchiha. Elas ainda estavam bem próximas a sala de aula quando o professor apareceu, trazendo consigo dois folders brancos.
- Boa tarde, senhoritas – cumprimentou ele educadamente, apesar da expressão de tédio eterno no rosto, muito semelhante à do irmão mais novo – Estão com pressa ou posso tomar cinco minutos do seu tempo?
- Em que podemos ajudá-lo, professor? – disse Tenten. Ela não podia dizer "não" a um professor, mesmo que não gostasse muito de Itachi. Desejou que ele fosse rápido.
- Prometo não demorar – assegurou, como se tivesse lido os pensamentos da Mitsashi – Bom, sem rodeios, vocês duas são alunas exemplares, organizadas, participativas e responsáveis, características que, penso eu, são essenciais para um jornalista. Creio que as senhoritas estejam cientes de que no próximo semestre vocês terão aula de Estágio e deverão entregar um relatório obrigatório ao final de cada mês. Bem, coincidentemente ontem eu conversei com uma conhecida minha e ela me pediu se por acaso eu não saberia indicar dois estudantes de Comunicação em cujo futuro eu acredito, então...
- O senhor acredita mesmo que temos futuro? – Tenten interrompeu, quase rindo. Ela se sentia lisonjeada com os elogios do professor, mas era cômico o fato deles serem feitos justamente por Itachi, que dificilmente, quase nunca, demonstra afeto. O Uchiha olhou confuso para as duas garotas, sua expressão se fechando mais ainda.
- De-Desculpe, professor – Hinata apressou-se em dizer – A-Agradecemos muito pelos elogios. Prossiga, p-por favor...
- Muito bem. Respondendo à sua pergunta levemente carregada de descrença, senhorita Mitsashi, vejo potencial em vocês duas. Sua ausência de limites e papas na língua pode levá-la longe no mundo jornalístico e a paciência e organização da senhorita Hyuuga podem transformá-la em uma excelente editora-chefe. Mas até lá – Itachi estreitou o olhar para elas – vocês precisarão batalhar muito. E começar como estagiárias, claro. Esses panfletos – ele entregou um para cada uma – são do jornal The Guardian. A pessoa de quem lhes falei é colunista de lá. Tomei a liberdade de passar seus nomes para ela, apenas para segurar as duas vagas disponíveis. Se quiserem conseguir o estágio, deverão ligar para o número no panfleto, marcarem uma entrevista e levarem seus currículos até o jornal. É uma ótima oportunidade, considerando a grandiosidade do jornal. E o estágio é remunerado.
- Uau – disse Tenten numa mistura de espanto e agradecimento. Não se lembrava quando havia conquistado tanta moral com Itachi.
- Somo muito gratas por se lembrar de nós, professor – Hinata falou, sorrindo docemente – Nós ligaremos para sua amiga hoje mesmo. Obrigada novamente e tenha uma boa tarde.
- Boa sorte – Itachi disse, e ao dar a meia volta acabou esbarrando em Ross Adams. O desajeitado professor pediu desculpas timidamente, mas o Uchiha limitou-se em lhe lançar um olhar de desagrado.
Puxando Tenten pela mão, Hinata tratou de se afastar dali.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Tenten e Hinata haviam acabado de chegar ao pátio principal da LFE quando se depararam com Sakura e Sasuke vindo a seu encontro, andando lado a lado. Mesmo que estivessem em silêncio, Tenten podia perceber que sua amiga estava, de certa forma, feliz. A Mitsashi franziu o cenho para a cena. Era estranho ver o Uchiha próximo a Sakura, como se fossem um casal.
- Oi - cumprimentou a Haruno assim que chegou até as amigas. Sasuke limitou-se em acenar com a cabeça, como sempre.
- Não havíamos combinado de encontrar você na saída do Anatômico? - Tenten perguntou com um pouco de ironia
- Sim, mas Sasuke estava me esperando, e como vocês demoraram, decidi ir andando e encontrá-las no caminho - respondeu Sakura com simplicidade
- E Neji? - quis saber a Mitsashi, olhando desconfiada para o Uchiha
- Foi à biblioteca pegar um livro de Contabilidade - Sasuke respondeu, indiferente, mas sustentando o olhar de Tenten - Temos prova segunda-feira.
- Ele sugeriu que almoçássemos aqui mesmo, para conversarmos sobre vocês sabem o quê. O que acha, Tenten? - Sakura provocou a amiga
- Pode ser - respondeu a Mitsashi, dando de ombros e olhando reprovadoramente para Sakura. Mas logo em seguida elas trocaram um sorriso cúmplice. Os quatro jovens começaram a andar em direção ao prédio do Restaurante Universitário. Foi então que a Haruno reparou no que Tenten e Hinata seguravam.
- O que é isso? - ela perguntou, apontando para os panfletos
- Ah, são ofertas de estágio para o jornal The Guardian - Hinata respondeu, estendendo seu panfleto para Sakura. A Haruno passou os olhos rapidamente no conteúdo, enquanto Sasuke o lia por cima do ombro da garota.
- Nossa, no The Guardian? É uma ótima oportunidade para vocês - disse Sakura, sorrindo e devolvendo o panfleto para Hinata - Como conseguiram?
- O professor Itachi nos procurou hoje no final da aula do professor Ross - explicou a Hyuuga, e resumiu o rápido diálogo que tiveram com Itachi. Durante o relato, Sasuke olhava atentamente para o panfleto nas mãos de Hinata, desconfiado.
- Ele disse que acredita no futuro de vocês? - Sakura perguntou
- Não é estranho? - disse Tenten, rindo - Achei isso legal, apesar dele também ter dito que eu não tenho limites.
- Na verdade, isso soa quase bizarro - Sasuke falou, e as garotas olharam para ele, confusas
- Por quê? Você por acaso acha que Hinata e eu... - Tenten começou, mas o Uchiha interrompeu-a
- Dá um tempo, Mitsashi. É estranho porque Itachi não procura os alunos para nada, exceto quando quer lhes dizer que estão de prova final, ou reprovados.
- Bem, acontece que agora surgiu outra exceção. Hinata e eu somos realmente muito boas, e seu irmão acredita nisso. Algum problema?
Sasuke achou melhor não retrucar. Apenas revirou os olhos e deu de ombros. Melhor evitar a fadiga. Mas o gesto de Itachi fora realmente estranho. Ou seu irmão acreditava mesmo no potencial das duas garotas e apenas quisesse ajudá-las ou... Ou havia alguma intenção implícita. O Uchiha mais novo pediu novamente o panfleto à Hinata. Ele trazia o nome do jornal, endereço da sede, telefone para contato e a pessoa responsável pela oferta das duas vagas. Depois de lê-lo mais uma vez, Sasuke enfim percebeu.
"Tratar com Konan Aoki."
- Isso é muita coincidência... - disse ele, por fim, e mais uma vez recebeu olhares confusos.
- O quê? - Tenten olhou para o próprio panfleto, extremamente curiosa. Só então a garota percebeu que desde que Itachi o entregara, ela ainda não havia lido. Sentiu-se estúpida. A solução para sua maior pergunta estava literalmente em suas mãos, mas fora simplesmente ignorada.
- "Tratar com Konan Aoki" - Sasuke leu em voz alta, olhando para as garotas. A essa altura eles já haviam chegado ao Restaurante Universitário. Procuraram uma mesa vaga e se sentaram.
- Como não percebi antes? - Tenten perguntou com certa urgência, mais para si mesma do que para os outros - Isso é perfeito.
- Não se empolgue - alertou Sakura - Vocês precisam conseguir o estágio primeiro.
- Sei disso, amiga. Mas como você mesma disse, essa é uma ótima oportunidade, e tanto Hinata quanto eu vamos nos esforçar muito para conquistá-la. Certo Hinata?
- Claro - a Hyuuga concordou, séria - E-Estive pensando... Hoje mesmo p-podemos ligar para a senhorita Aoki e marcarmos uma entrevista. Não podemos perder tempo, n-não é?
- Não mesmo - Tenten concordou e abriu um sorriso ao ver quem acabara de entrar no Restaurante Universitário - Ah, lá vem Neji.
Os demais observaram o Hyuuga se aproximar deles e se sentar à mesa. Pela expressão no rosto dos amigos, Neji pode adivinhar que eles tinham alguma novidade. Tenten mostrou a ele o panfleto do The Guardian e indicou o nome de Konan, que foi imediatamente reconhecido pelo Hyuuga.
- Isso é excelente! - disse ele sorrindo para a Mitsashi - Se você e Hinata conseguirem os estágios, poderemos descobrir um jeito de ajudar os ex-membros da Akatsuki com a ajuda de Konan. Mas algo me intriga... Como vocês descobriram esses panfletos?
- Itachi entregou para elas - Sasuke respondeu, enfatizando o nome do irmão. Neji olhou para ele de forma indagadora, mas o Uchiha limitou-se em dar de ombros. Mais tarde, se tivesse oportunidade, retomaria o assunto com o Hyuuga.
- Esquisito - disse Neji - Mas não deixa de ser muito bom. Quando vão entrar em contato com ela?
- Hoje à tarde - Tenten respondeu - Marcaremos uma entrevista o mais rápido possível.
- Excelente - o Hyuuga sorriu de novo para a Mitsashi
- Tudo bem, gente - Sakura começou - É completamente compreensível a animação de vocês com essa POSSIBILIDADE de estágio e de ajudar vocês-sabem-quem sobre vocês-sabem-o-quê. Mas isso não significa que devemos ficar comemorando o dia todo e deixar de satisfazer nossas necessidades fisiológicas.
- Hã? - Tenten olhou confusa para a amiga, que se pôs de pé e encaminhou-se para a fila do self-service. Sasuke também se levantou, e sorrindo levemente, de forma quase imperceptível, disse:
- Penso que é o jeito dela de nos mandar almoçar.
Rindo, os outros foram atrás de Sakura.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Sala dos professores.
Sozinho, Itachi Uchiha perguntava-se pela centésima vez se havia agido certo.
"De qualquer forma, agora é tarde para me arrepender" – pensou ele, suspirando – "Sei que Konan vai contratar as duas porque eu insisti, e não posso mais voltar atrás. Se fizer isso, ela achará estranho e pode descobrir que sei demais".
Além disso, agora que Itachi havia entregado os panfletos à Mitsashi e à Hyuuga, não podia fazer mais nada. Tudo que suas alunas viessem a descobrir sobre a Akatsuki trabalhando com Konan não teriam ligação nenhuma com ele. Estaria apenas colaborando para saciar um pouco a curiosidade dos jovens.
Itachi suspirou de novo. Havia ainda Sasuke. Seu irmão mais novo, mais cedo ou mais tarde, acharia suspeito o fato dele ter procurado alunos para comunicar-lhes algo positivo.
"Ele vai me procurar."
E se isso acontecesse, se Sasuke o procurasse e não o contrário, Itachi estaria eximido da culpa de influenciar o pensamento dos jovens a seu favor. Se seu irmão e amigos fossem falar com ele e pedissem ajuda, seria diferente dele próprio se oferecer para ajudá-los. E se tudo corresse bem, a polícia ouviria os estudantes, que fizeram sua própria investigação, e chegariam aos culpados. Era a única forma da Scotland acreditar no que Itachi havia descoberto sem desacreditá-lo. Afinal, Blaise O'Connell atribuía uma parcela de culpa ao Uchiha, de alguma forma, e tudo que ele dissesse poderia, literalmente, ser usado contra ele.
Assim, Itachi estava determinado a dar qualquer pista para que seu irmão e amigos chegassem até ele, ou pelo menos entendessem o que o Uchiha mais velho já sabia.
"Talvez assim ninguém mais morra."
Ele olhou para a poltrona em que Sasori costumava se sentar. Sentiu falta do amigo.
A porta as sala dos professores se abriu, e por ela entrou Ross Adams. Ele estacou por alguns instantes ao constatar que não estava sozinho. Em seguida, deu à Itachi um leve aceno de cabeça e dirigiu-se até ao armário que antes pertencia à Sasori. O Uchiha não gostava muito de Adams. Apesar da fama de antipático, Itachi possuía consideração por algumas pessoas, mesmo que não demonstrasse.
Mas com Ross Adams era diferente. E nada tinha a ver com o fato dele estar ocupando o cargo de Sasori. A conduta do novo professor era estranha, quase suspeita. Seu jeito atrapalhado, mas cativante, não convenceu a Itachi. E havia ainda o fato dele mexer em seus óculos em intervalos regulares. Era um estranho tic nervoso, que deixava o Uchiha mais velho incomodado.
E antes mesmo que Adams pudesse iniciar qualquer diálogo com Itachi, este pegou suas coisas e deixou a sala dos professores, ainda considerando se fizera bem ao deixar seu irmão e amigos mais próximos do que jamais imaginariam do mistério ao redor da Akatsuki.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Adam Ross, ou Ross Adams – ele mesmo se confundia com seu próprio nome de vez em quando – se sentiu frustrado ao observar Itachi Uchiha sair de repente da sala dos professores, a porta se fechando suavemente atrás dele. Ele quase preferia que a porta tivesse batido com violência, como se aquilo pudesse fazê-lo acordar dos acontecimentos surreais dos últimos tempos.
Blaise realmente achava que Itachi era suspeito. Adam, por sua vez, não tinha uma opinião muito concreta sobre isso. Era difícil perseguir um cara completamente anti-social e que parecia guardar uma dose extra de antipatia para o "professor" novato, ainda mais sem nenhuma ponta ou pista de certeza de que ele tinha alguma culpa na história toda.
Sim, era suspeito Itachi ir conversar com a sobrinha de Ryan e sua amiga Hyuuga – justamente duas das alunas que tinham alguém próximo relacionado ao caso. E sim, era suspeito Itachi, que em noventa e nove por cento do tempo era um cretino com seus alunos, vir amigavelmente oferecer um estágio no THE GUARDIAN. Quer dizer, não era simplesmente um tablóide ou um jornal de quinta. Era o THE GUARDIAN!
Além disso, Adam teve quase a hilária impressão de que alguém estava dublando Itachi quando ele disse "Boa sorte" às garotas. Era surpreendente que ele fosse capaz de dizer tais palavras com se realmente as sentisse.
De qualquer modo, não cabia a ele julgar o Uchiha. Sua ausência no laboratório deveria ser preenchida por bons resultados em campo. Adam ajeitou os óculos, feliz por um instante.
Afinal, sua câmera estava ligada no lugar certo, na hora certa. E ela captara cada um dos movimentos de Itachi.
Blaise ia adorar aquilo.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Quinta-feira, 10h21min.
Grande Londres, Inglaterra.
Cidade de Londres, London Further Education.
Biblioteca.
- Você está com uma cara de ressaca assombrosa – disse Neji, puxando para si o livro que Sasuke lia. O Uchiha passou a mão pelos cabelos e suspirou, impaciente.
- Ressaca de livros, só se for. Itachi extrapolou dessa vez no conteúdo da prova dele. Você não está estudando?
- Claro que sim – respondeu o Hyuuga, batendo o livro na cabeça de Sasuke – Mas sempre fui habituado a ler muito.
- Que bom pra você – o Uchiha mais novo resmungou
- Falando em Itachi – Neji lembrou, e abaixou o tom de voz mais ainda – Você ainda não explicou porque achou estranho ele indicar Tenten e Hinata para o estágio no The Guardian.
- Ora, Neji... Tente somar dois mais dois.
- Dá quatro, e daí?
Sasuke revirou os olhos, e foi a vez dele acertar seu amigo com o livro.
- Vamos para o pátio – falou, levantando-se e saindo da biblioteca seguido por Neji.
Os dois encontraram uma sombra para se sentarem, e assim feito, Sasuke começou a explicar.
- Mesmo que este seja seu primeiro semestre aqui, você conhece meu irmão. Ele não demonstra simpatia pelas pessoas, mesmo que a sinta.
- Só um instante... – Neji fez cara de confusão – Estamos falando de você ou de Itachi?
- Vai ficar falando merda ou vai me deixar falar? – foi a resposta do Uchiha. O Hyuuga riu e levantou os braços, rendendo-se.
- Não sabia que estudar deixava você de mau humor.
- Continuando – Sasuke disse, impaciente – Primeiramente, só achei estranho ele ter procurado sua prima e a Mitsashi, e meio que deixei isso pra lá por alguns instantes, porque talvez Itachi quisesse simplesmente apenas ajudar as duas. Mas depois, quando vi o nome de Konan Aoki, passei a achar tudo suspeito. É muita, muita coincidência Itachi indicar as garotas, que são duas das poucas pessoas que não estão trabalhando no caso e que sabem da Akatsuki.
- E é mais suspeito ainda porque o estágio é no The Guardian, e a contratante é um ex-membro da Akatsuki.
- Exato. Agora você somou dois mais dois. Meu irmão quer que nós saibamos de algo. Semana passada, enquanto conversávamos no corredor, tenho certeza que ele ouviu mencionarmos a empresa. Conheço Itachi. Nos colocando em contato com um ex-membro usando Hinata e Tenten, é óbvio que descobriremos algo, porque precisamos descobrir algo. Então, acha que eu tenho razão?
- Faz sentido – Neji refletiu – Mas porque Itachi iria querer nos ajudar sendo que todos os adultos até agora só nos excluíram de detalhes?
- Itachi pensa como nós – Sasuke respondeu, depois de alguns instantes em silêncio – Ele também deve achar patético o fato de eu e você sermos poupados de verdades.
- Será que ele conhece essas verdades?
- Isso eu não sei. Talvez esteja investigando também.
- Se estiver, porque ele simplesmente não procura a polícia?
- Talvez... – Sasuke refletiu um pouco – Porque não vão acreditar nele. Aquela promotora, Blaise O'Connell, suspeita do Itachi por algum motivo. Se ele tentar ajudar, pode parecer que quer dar uma justificativa para se safar da culpa. Sei que isso é confuso, mas você não tem ideia do quanto aquela promotora é maluca.
- É, parece mesmo – Neji franziu o cenho para o amigo - Vai falar com seu irmão?
- Ainda não. Preciso ter cem por cento de certeza de tudo que acabei de lhe contar.
- E quanto às garotas?
- Também não acho uma boa ideia. Eu comentei brevemente com elas, mas a Mitsashi e a implicância dela comigo logo me cortaram. Então é melhor mantermos isso em segredo.
- Sem problemas.
- Ora, ora... – Sasuke disse de repente, seu tom de voz adquirindo um pouco de sarcasmo – Lá vem Tenten, Sakura, e mais atrás... Muito mais atrás... Hinata e o Uzumaki.
Imediatamente, Neji olhou na mesma direção que Sasuke. Ele fez menção de se levantar, mas o Uchiha o impediu.
- Eu quero saber sobre o quê eles estão conversando – o Hyuuga disse entredentes.
- Pela cara do Uzumaki, é possível ter uma pequena ideia – Sasuke continuou com a provocação, mas achou melhor parar quando viu o Neji ficar vermelho de raiva.
- Esse Uzumaki... Ele é uma boa pessoa, mas extremamente espaçoso.
- Isso é verdade. Ele me irrita, e ainda tenho vontade de quebrar o nariz dele, mas não podemos negar que é um aliado útil. Ele foi o único que percebeu a ordem das mortes dos ex-membros da Akatsuki e no ofereceu uma possibilidade de ação. Além disso, querendo ou não, acabamos ficando diretamente ligados a ele depois da morte de Hidan. A família dele está passando por uma situação complicada.
- É estranho... – Neji olhou para Sasuke, um pouco mais calmo – Normalmente você é quem estaria no meu lugar, irritado, e eu é quem deveria ter dito tudo que você acabou de me falar.
- Vai entender – o Uchiha acabou rindo. A essa altura, as garotas e Naruto estavam mais próximos – Mas o Uzumaki parece gostar de sua prima.
- É bom mesmo – o Hyuuga franziu o cenho – Tio Hiashi mataria qualquer um que sonhasse em "usar" Hinata e Hanabi para seu bel prazer e depois as dispensasse. E eu ajudaria.
- Sei que sua família tem seus princípios e tradições – disse Sasuke – Mas há algo que a Mitsashi disse e eu tenho que concordar. É meio injusto você ter liberdade para fazer o que quiser e suas primas não. Principalmente Hinata, sendo que ela é maior de idade. Você pode se agarrar com a Mitsashi num banco de relva, mas sua prima não pode dar uns beijinhos no Uzumaki numa varanda do castelo?
- Como é que é? – Neji voltou a ficar irritado.
- Ah, vamos Neji! – Sasuke riu de novo – Você achou que enquanto todos estavam "entretidos" a Hinata ia fazer o quê? Brincar de roda com Naruto?
Neji não respondeu. Ficou apenas observando o grupo que estava a pouquíssimos metros dele e de Sasuke agora.
- Sobre o que eles estão conversando? – foi a primeira coisa que o Hyuuga perguntou quando Tenten e Sakura se juntaram a eles na sombra. Sasuke balançou a cabeça e sorriu discretamente.
- Nossa, oi pra você também – Tenten respondeu, estranhando a expressão fechada e a desconfiança de Neji.
- Não precisa se preocupar, Neji – Sakura sorriu para o Hyuuga, mas trazia seriedade em sua voz – Naruto está convidando Hinata para um encontro, é óbvio. Ela ia te dizer, fique tranquilo. E as intenções dele são as melhores.
- Agora, por favor – a Mitsashi estalou os dedos diante dos olhos do Hyuuga – Lembra que eu te disse a algum tempo que estamos no século XXI? Então nada de interferir na vida amorosa da sua prima, feito?
- Vocês conseguiram marcar a entrevista? – Sasuke perguntou à Tenten. A garota estranhou a brusca mudança de assunto, mas 5 segundos depois entendeu a intenção do Uchiha, pois Hinata e Naruto haviam acabado de se juntar a eles. Os dois ficariam constrangidos se soubessem que estavam falando do encontro deles.
- Ah, legal da sua parte perguntar – respondeu Tenten, fazendo o jogo de Sasuke. Naruto e Hinata olharam curiosos para eles. A Mitsashi virou-se para o loiro – Lembra que acabamos de lhe explicar, Naruto, sobre o estágio no The Guardian? Hinata e eu deixamos para contar a melhor parte quando estivéssemos todos juntos.
- Conseguimos uma entrevista para hoje à tarde, logo depois da aula – Hinata disse com simplicidade.
- Nossa! Já? Uau... Isso é excelente. Parabéns! – disse Naruto, fazendo um carinho no ombro de Hinata. Neji olhou meio torto, controlando-se.
- É – disse ele – Muito excelente.
- Já preparamos nossos currículos – Tenten falou, sorrindo – Nós vamos conseguir.
- Vocês não gostariam de almoçar lá em casa hoje? – Hinata ofereceu às amigas – Assim podemos nos arrumar juntas, Tenten.
- Eu adoraria.
- Eu também, mas preciso estudar Anatomia – disse Sakura com um sorriso triste – A prova é segunda-feira e preciso memorizar muitos nomes.
- Ótimo. Tenten, você vai pra nossa casa. Sakura, pra você não voltar sozinha, tenho certeza que Sasuke não se importa em te levar. Mas agora, vamos voltar para a aula. Uzumaki, nos dê licença.
Dizendo isso, Neji começou a se afastar deles. Esperava que pelo menos Sasuke fosse segui-lo de volta à sala de aula, mas para sua surpresa, não era o Uchiha quem estava poucos passos atrás dele. Era Tenten.
Lentamente, o Hyuuga diminuiu o passo e esperou que a Mitsashi o alcançasse. Sentia-se meio idiota agora. Talvez tivesse realmente sido rude com Naruto. Talvez estivesse mesmo se comportando de forma muito arcaica. Ao longe, podia ver Sasuke, Sakura, Uzumaki e Hinata olhando para ele, debaixo da sombra onde estivera instantes antes.
- Neji... – Tenten começou a falar, mas Neji a interrompeu. Não estava afim de ouvir sermões ou lições de igualdade.
- Ok – disse ele – Exagerei. Estou de mau humor porque minha prima vai sair com um cara que ela conhece há um mês. Estou agindo feito o pai dela, ou pior. Estou errado. Satisfeita?
- Um pouco... – a Mitsashi respondeu, sorrindo – Mas eu não vim brigar com você. Vim apenas perguntar se quer conversar. Mas acho que já descobri porque você está com essa cara tão feia.
- Está tão ruim assim? – o Hyuuga perguntou, amansando um pouco diante das palavras de Tenten. Ela riu de sua pergunta e com os dois indicadores, esticou os lábios de Neji em um sorriso torto. Ele acabou rindo de verdade.
- Agora está bem melhor – a garota sorriu para ele. Os dois ficaram alguns segundos em silêncio, até Tenten falar de novo – Então é isso? Você está com ciúmes de Hinata?
- Não é bem ciúme. É preocupação – Neji pensou um pouco, escolhendo as palavras certas – Sei que posso parecer muito rígido com ela, mas Hinata representa uma irmã mais nova pra mim. Eu sempre a protegi muito, sempre tive o controle de seus passos em Konoha. E sei que ela nunca namorou. Esse é primeiro contato verdadeiro que ela tem com um rapaz fora da corte, e nunca ninguém chegou tão longe. Hinata sofreu muito no passado com a perda da mãe e uma grande responsabilidade caiu sobre ela quando ainda era muito nova. E tio Hiashi me pediu para jamais deixar Hinata fraquejar ou se machucar, quando ele não estivesse por perto. O mesmo vale para Hanabi.
- Entendo... Mas... Você não confia em Naruto?
- Eu não consigo confiar em alguém com tão pouco tempo de convivência, Tenten. Ele é um cara legal, trabalhador, que ajuda a família. E mesmo que Sakura tenha dito que ele gosta da Hinata, não sei se conseguiria respeitá-la por muito tempo.
- Sua preocupação é super normal.
- Acha mesmo?
- Claro – Tenten assegurou – Mas Hinata precisa aprender com a vida, às vezes. Olha pra ela. É visível que está feliz, talvez nunca como antes, mesmo com toda essa tensão no ar. E se Naruto não for o cara certo pra ela, o tempo vai dizer. Hinata vai cair, mas vai se levantar sozinha. Sua prima é meiga, mas muito forte também. Além disso, Naruto não a pediu em casamento. Apenas a chamou para um encontro!
- Você está certa, pra variar – Neji acabou sorrindo. Tenten olhou para ele, curiosa – É impressionante como você consegue mudar minha opinião...
- Então, você vai deixar Hinata viver a vida dela e sair com quem ela quiser? – falou Tenten, de forma trágica
- Precisava perguntar desse jeito? – o Hyuuga riu – É, vamos ver como o Uzumaki se sai. Mas se ele começar a me chamar de "primo", a situação dele não vai ficar muito boa.
Tenten sorriu, satisfeita, e passou os braços em volta do pescoço de Neji. Ele ficou um pouco surpreso com o gesto, mas retribuiu, abraçando a garota pela cintura.
- Você é um fofo – ela disse, com simplicidade. Neji sorriu de volta para ela.
- E você é terrível.
- Acha que Hinata e eu vamos conseguir os estágios? Quero muito isso...
- É lógico que vão – o Hyuuga afirmou, sério, afagando os cabelos de Tenten e depositando um beijo em sua testa – Ainda mais com alguém tão persuasivo no comando.
- Obrigada – a Mitsashi sorriu de novo, e tocou os lábios de Neji com os seus por alguns segundos. De olhos fechados, ela pôde ouvir algumas pessoas em volta assoviando ou comentando alguma coisa, mas Tenten não se importava nem um pouco.
Ela se separou do Hyuuga, sorriu pela última vez e começou a se afastar.
- Como ela consegue? – Neji perguntou para si mesmo incrédulo. Mas sorria.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Quinta-feira, 16h03min.
Westminster, Inglaterra.
Sede do Jornal The Guardian.
Tenten Mitsashi folheava distraidamente um exemplar do The Guardian de quinta-feira, seus pensamentos direcionados para a entrevista da qual acabara de participar. A garota se encontrava agora na sala de espera do grande prédio que funcionava como nova sede do The Guardian. O local não ficava muito longe da Scotland Yard, por isso seu tio oferecera uma carona à Tenten e Hinata, orgulhoso com o fato de sua sobrinha estar prestes a conseguir o primeiro emprego.
A arquitetura do The Guardian não intimidou Tenten. Pelo contrário. O prédio retangular moderno, extenso na horizontal, com a fachada de janelas de vidro refletindo o céu azul da tarde londrina funcionou como estimulante para a Mitsashi desejar cada vez mais fazer parte daquilo tudo. Sem falar que, se tudo desse certo, trabalharia ao lado de Konan Aoki, que além de uma importante colunista do jornal, era também um ex-membro da Akatsuki. Em resumo: uma fonte preciosíssima de informações.
Tenten foi chamada primeiro para a entrevista, que durou cerca de 40 minutos. Foi a própria Konan quem a entrevistou. A Aoki aparentava ter quase trinta anos, possuía cabelos curtos e azulados, rosto com traços finos, e olhos alaranjados. A Mitsashi obteve uma boa primeira impressão da jornalista. Era fácil conversar com ela e, pela arrumação do escritório, foi possível perceber que Konan era extremamente organizada. Mesmo trabalhando na sede de um jornal movimentado, de grande abrangência, a sala da jornalista era limpa, caprichosamente decorada com alguns origamis que Tenten descobriu serem feitos por sua futura-chefe.
A Mitsashi riu com a ideia de ter um chefe. Konan parecia ser uma boa pessoa, porém do tipo exigente. Mas Tenten estava mais que disposta a aceitar o desafio. Obviamente ela não podia ignorar o quanto aprenderia trabalhando para Konan e como isso seria bom para seu futuro. Mas era ao mesmo tempo empolgante e assustador saber que aquela jovem mulher tivesse feito parte da Akatsuki no passado e que neste momento sua vida estava correndo perigo. Tenten ainda não conseguia acreditar que esse breve contato com Konan estava a apenas um passo de se tornar diário.
Tudo graças a Itachi. Tenten suspirou, mas antes que a Mitsashi pudesse ter qualquer outro pensamento sobre o assunto, a porta do escritório de Konan se abriu e a jornalista adentrou a sala de espera, seguida por Hinata.
- Bom garotas – disse Konan, depois que Tenten se pôs de pé ao lado da Hyuuga - obrigada por terem vindo. Não é antiético dizer que as duas me passaram uma boa impressão, mas eu já sabia que Itachi não me indicaria qualquer estudante. Vou analisar seus currículos com calma e lhes dou a resposta até segunda-feira. Certo? Alguma pergunta?
- Não senhorita – Tenten falou, sorrindo discretamente – Agradecemos sua atenção em nos receber.
- Tenha uma boa tarde, senhorita Aoki – Hinata acrescentou educadamente.
- Vocês também, garotas. Com licença.
As duas amigas esperaram a jornalista voltar para seu escritório. Tenten e Hinata trocaram um olhar esperançoso, deram-se os braços e sorriram uma para outra.
- Boa sorte para nós – a Mitsashi falou. A Hyuuga apenas alargou seu sorriso e as duas suspiraram, deixando a sede do jornal conversando animadamente sobre suas entrevistas.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Sexta-feira, 13h32min.
Westminster, Inglaterra.
New Scotland Yard.
Sala de interrogatório.
Kakashi Hatake suspirou e encarou o homem sentado à sua frente.
- Muito bem, senhor Zabuza Momochi – disse o detetive, calmamente – O senhor se recusou a falar estando ausente seu advogado, mas agora que o mesmo já se encontra entre nós, tenha a bondade de responder às minhas perguntas.
Atrás do espelho falso da sala de interrogatórios, Ryan Wolfe fechou os olhos, sentindo uma pontada aguda na cabeça. Desde que capturaram Zabuza Momochi, horas atrás, sabia que de alguma forma seus problemas não haviam chegado ao fim.
O plano de captura funcionara com perfeição. Pela manhã, na hora marcada pelo agente Iruka Umino com Zabuza Momochi, homens da Polícia Londrina e da Scotland Yard se posicionaram estrategicamente pelo local escolhido como ponto de entrega das "mercadorias": um velho galpão abandonado próximo a um heliporto, nos arredores de Westminster. Após alguns instantes de espera, dois helicópteros apontaram no céu cinzento da manhã londrina. Um deles trazia Zabuza Momochi, seus seguranças e outra pessoa, que a princípio não foi reconhecida. O outro helicóptero era maior que o primeiro, e estava carregado com o raro armamento que Iruka encomendara.
O agente Umino manteve seu disfarce e dialogou com Zabuza por um tempo. Então, a outra pessoa que acompanhava o bandido foi apresentada a Iruka. Era Orochimaru, sócio de Momochi, que fora preso junto com o senador Yakushi e Madara Uchiha, nove anos atrás. Wolfe, Kakashi e Obito - que acompanhavam a cena à distância, armas em punho, mas ouviam todo o diálogo pelo ponto de escuta escondido nas vestes de Iruka – vibraram com a pequena "surpresa". Zabuza disse que trouxera o sócio porque o lucro seria dividido entre eles, já que enquanto Momochi conseguira fechar o negócio, Orochimaru financiara o transporte até Londres.
Após se certificar de que mais ninguém acompanhava Zabuza e Orochimaru, Wolfe deu ordem para Iruka levar os traficantes para dentro do galpão. Os seguranças de Momochi descarregaram o helicóptero e começaram a levar a mercadoria na direção indicada por Iruka. Em seguida, Wolfe deu sinal verde para os atiradores escondidos dentro do galpão saírem. Os bandidos foram cercados por todos os lados, e antes mesmo que os seguranças ou qualquer um dos traficantes tivessem tempo de reagir, Wolfe anunciou sua prisão.
Uma arma foi entregue a Iruka enquanto Kakashi se posicionava ao lado de Zabuza e mirava a cabeça do bandido. O agente Umino fez o mesmo com Orochimaru.
- Se ousarem se mexer, já sabem o que acontece – Wolfe anunciou, enquanto os outros policiais algemavam os bandidos.
Ryan abriu os olhos e observou Kakashi interrogando Zabuza, que orientado por seu advogado, respondia de forma evasiva. Realmente a captura dos traficantes fora fácil demais. O excesso de confiança e a ganância deixam as pessoas cegas para as situações de perigo. E Zabuza cegou não só a si mesmo como também ao sócio, Orochimaru, levando-o consigo numa tentativa de surpreender Iruka e aumentar a pressão, sem ter a menor ideia de que as regras do jogo mudariam completamente quando colocassem os pés em Westminster. Os bandidos foram surpreendidos.
Foi decidido que enquanto Kakashi interrogasse Zabuza, a promotora Blaise O'Connell ficaria responsável por interrogar Orochimaru. Mas os traficantes recusaram-se em dizer qualquer palavra sem a presença de seus advogados, por isso os detetives tiveram que esperar duas horas. Enquanto isso, Obito fora verificar se os ex-membros da Akatsuki continuavam a salvo. Os seguranças de Zabuza já haviam sido interrogados e estavam detidos para aguardar julgamento. Os helicópteros foram apreendidos e a mercadoria encomendada por Iruka foi levada pelo próprio agente para ser incinerada.
- E então? Esses vermes já abriram a boca? Os advogados deles chegaram? – Obito perguntou, entrando apressado na sala anexa à de interrogatório. Ele colocou-se ao lado de Ryan e passou a observar pelo espelho falso.
- Ainda não. Kakashi acabou de recomeçar o interrogatório de Zabuza, mas esse advogado de merda está atrapalhando tudo. Zabuza apenas confirmou que foi preso nove anos atrás por envolvimento com o Mercado Negro, que ainda está nesse ramo, que conheceu Yakushi e ainda trabalha com Orochimaru... Enfim, o básico. Fatos que nós já sabemos. Kakashi perguntou se ele se lembra de Madara Uchiha ou da Akatsuki, mas ele está em silêncio até agora – Wolfe olhou para o amigo detetive – Os ex-membros da Akats...
- Estão todos bem – Obito interrompeu – Verifiquei um por um, com todos os agentes que colocamos para vigiá-los.
- Ótimo.
- Vou perguntar mais uma vez – Kakashi elevou a voz, fazendo Obito e Ryan direcionarem sua atenção para além do espelho falso – Você se lembra de ter negociado com Madara Uchiha e a empresa dele, a Akatsuki, nove anos atrás? – o Hatake estreitou o olhar – O que foi, Zabuza? Pensou que era homem o suficiente só por vir até aqui pessoalmente para pressionar seu comprador? Se achou "o poderoso chefão" por conseguir passar a perna na alfândega e na polícia por todo esse tempo traficando armas? Já que você é tão bom, seja homem e responda minha pergunta.
Depois de mais alguns instantes em silêncio, Zabuza cuspiu na mesa e resmungou:
- Vá para o inferno.
Ryan trocou um olhar com Obito e passou um comando para Kakashi pelo rádio.
- Use o garoto.
Sem demonstrar nenhuma reação, Kakashi abriu o notebook que estava a seu lado e virou-o para Momochi.
- Sabe Zabuza... – começou o Hatake, enquanto os olhos do traficante se arregalavam gradativamente diante da cena exibida pela tela do notebook – Nós não temos nenhuma prova documental do seu envolvimento com Madara Uchiha e a Akatsuki. Nem notas fiscais, nem nada. Porque vocês destruiriam essa parte, já que seu comércio é ilegal. Isso significa que tudo o que precisamos é que você nos diga que sim, fez comércio com Madara Uchiha e sua empresa no passado. Basta uma simples confissão. Tentei tirá-la de você da forma mais amigável, mas você não colaborou. Talvez isso – Kakashi indicou a tela do notebook – faça você falar.
- Não diga nada, senhor Momochi – o advogado orientou nervosamente.
- Eu... Eles... Como vocês...?
Wolfe sabia exatamente o que estava deixando Zabuza Momochi sem palavras. A tela do notebook de Kakashi mostrava Haku, o garoto de rua adotado pelo traficante e que agora funcionava como intermediário nas negociações da facção do Mercado Negro liderada por Zabuza e Orochimaru. O rapaz ainda se encontrava na Irlanda, mas assim que Momochi viajou, Iruka – seguindo instruções de Wolfe – orientou sua equipe a prender o rapaz em sua própria casa, algemá-lo, vendá-lo e amordaçá-lo, enquanto dois policiais armados montavam guarda a seu lado. Antes que o interrogatório começasse, foi iniciada uma transmissão por Skype com os agentes que estavam na Irlanda. Se Zabuza colaborasse normalmente, Haku seria apenas preso, mas como não existem provas concretas contra ele, logo seria solto. Caso contrário, sua imagem em suposta tortura seria mostrada ao traficante para forçar uma confissão.
Se Zabuza achava que já fora surpreendido por demais, não contava com essa surpresa.
- Eles não podem machucá-lo – garantiu o advogado
- Não podemos? – Kakashi ergueu uma sobrancelha para o defensor. O homem hesitou e desistiu de responder.
Não, na verdade a Scotland Yard realmente não podia machucar Haku. Práticas de tortura não eram mais admitidas. Mas Kakashi era um mestre do blefe, e sua expressão impassível foi mais que suficiente para intimidar os dois homens à sua frente.
- Isso é... É uma gravação... – falou Zabuza
- Não, não é. Essa é uma transmissão ao vivo via Skype. E nem venha me dizer que o vídeo foi manipulado. Nós não brincamos em serviço.
Kakashi aguardou mais um pouco antes de prosseguir.
- Devo repetir a pergunta? Algo me diz que agora você vai respondê-la, Zabuza – disse ele, sereno.
- Não é necessário repetir – Zabuza disse depois de cinco longos minutos em silêncio, sem tirar os olhos da tela do notebook – Só não machuque Haku.
- Isso vai depender das suas respostas. Mas vamos lá, estou ouvindo.
- Tudo bem. Orochimaru e eu fizemos comércio com Madara Uchiha – Momochi confessou, olhando com ódio para Kakashi enquanto o advogado resmungava palavrões diversos.
E assim Zabuza entrou nos detalhes da negociação que ele e Orochimaru fizeram com Madara nove anos atrás. Contou minúcias sujas, que os detetives desconheciam. O bandido mencionou o senador Kabuto Yakushi e seu papel de financiador do tráfico, o que estava de acordo com o que o próprio senador havia dito aos detetives semanas atrás. Wolfe suspirou aliviado. Pelo menos por tráfico Zabuza e Orochimaru ficariam presos. O início da confissão de Momochi era mais que suficiente para mantê-los bons anos na cadeia.
Quando indagado sobre o atentado à mansão Uchiha, Zabuza negou prontamente qualquer envolvimento, afinal, já estava recluso na época. Mas em seguida amaldiçoou Madara Uchiha por ter revelado seu nome, o de Orochimaru e o de Kabuto, e que fora realmente uma sorte o jovem Yakushi ser filho do senador, pois o político conseguiu livrá-los da cadeia, enquanto Madara apodrecia. Zabuza acrescentou que sabia da morte de Madara, pois lera uma reportagem no jornal, e nem ao menos tentou disfarçar sua satisfação ao saber que o Uchiha estava morto.
- Aquele dedo-duro desgraçado nos trouxe muitos prejuízos – praguejou friamente
Então Kakashi pôs o notebook com a imagem de Haku de lado e abriu uma pasta, tirando de lá fotos das cenas dos crimes cometidos contra os ex-membros da Akatsuki que foram assassinados. Zabuza não se deixou impressionar ao ver o estado dos cadáveres, e olhou para Kakashi com desdém.
- Não acha que fiz isso, certo? Não fui preso por causa do tráfico? Já não confessei? Já não falei tudo sobre meus antigos negócios com o desgraçado do Uchiha? Libertem Haku e...
- Quem dita as regras aqui sou eu, se ainda não deu pra perceber – Kakashi retrucou calmamente e inclinou-se para frente, olhando nos olhos frios de Zabuza – Sim, você já nos deu muitas informações valiosas, mas ainda falta uma parte.
- Mas que merda.
- Essas pessoas – o Hatake indicou as fotos, ignorando a irritação de Momochi – são ex-membros da empresa Akatsuki, aquela da qual Madara Uchiha era fundador, de onde vinham as armas que vocês traficavam e para onde vocês vendiam sua própria mercadoria.
- Pode parar por aí – Zabuza falou, agora um pouco apreensivo – Já entendi aonde quer chegar. Eu não matei essas pessoas, e creio que Orochimaru também não. Tampouco mandamos matá-las. O contato que tivemos com essa Akatsuki foi unicamente por Madara Uchiha. Nem fazíamos ideia de quem poderiam ser os outros membros.
- Mas você sabe que foi um deles, parente de Madara, que denunciou o envolvimento dele com a sua facção. E que foi outro membro fundador quem reuniu informações suficientes para a denúncia.
- Sim, lembro-me disso. Foi falado no dia do nosso julgamento.
- Pois então. Os ex-membros da Akatsuki estão morrendo gradativamente e, sem rodeios senhor Momochi, acreditamos que o senhor e seu sócio Orochimaru possam estar envolvidos.
Zabuza então começou a gargalhar, enquanto Kakashi mantinha-se impassível.
- Isso é ridículo! – disse o bandido, tentado recuperar o fôlego – Como você mesmo disse, detetive, "não brincamos em serviço". Acha que perderíamos nosso tempo nos vingando dos membros de uma empresa que nem existe mais? Mesmo que eu odeie Madara Uchiha, alguém já se ocupou em eliminá-lo por mim, e eu sou muito grato a essa pessoa. Menos um parasita no mundo. Agora, se acha que Orochimaru e eu estamos envolvidos nessas mortes, está perdendo seu tempo.
- Seria perda de tempo tirar a guarda de Haku? – Kakashi desafiou. Zabuza pareceu hesitar por uns instantes, até que disse:
- Não se atreva a fazer isso. Já falei que não tenho envolvimento com essas mortes!
- Ok, senhor Momochi. Obrigado pela sua confissão – repentinamente, a voz de Ryan Wolfe foi ouvida dentro da sala de interrogatórios. Kakashi olhou sobre o ombro para o espelho falso, confuso – Guardas, podem levá-lo.
Zabuza foi retirado da sala enquanto Kakashi pausava o gravador. Wolfe e Obito adentraram o local e sentaram-se de frente para o Hatake.
- Por que interrompeu? – Kakashi quis saber, olhando para Ryan
- Ele estava ficando nervoso. Desse jeito não conseguiríamos avançar mais. Obtivemos um grande avanço, é verdade. Pelo menos por prisão em flagrante e tráfico de armas esses dois vão ficar presos. Falando nisso: Obito, peça aos agentes que estão na Irlanda para soltarem o garoto Haku. Diga para levarem-no a uma delegacia e deixem que passe a noite lá. Depois peça para soltarem-no e mantenham-no sob vigilância absoluta.
- Certo – Obito concordou, saindo da sala e levando o notebook de Kakashi consigo.
- Não se preocupe, Kakashi – Wolfe continuou – Eles estão sob nossa custódia, então teremos tempo até fazê-los confessar.
- Isso se as mortes pararem, não é? – lembrou Kakashi – Afinal, de acordo com o perfil que traçamos, há um mandante e uma executora. Se Zabuza ou Orochimaru fosse mesmo o mandante, se dariam ao luxo de serem tão descuidados ao ponto de virem à Westminster pessoalmente, sem desconfiarem em momento algum que poderiam ser pegos? E outra: vamos supor que um deles é o mandante; quanto à executora, será que ela não recebeu instruções de um dos dois para poder continuar executando os crimes sozinha?
- Isso foge do perfil que traçamos – disse Blaise, e os detetives se perguntaram em que momento ela havia adentrado a sala – O mandante é narcisista, como bem concluímos. Portanto, ser pego antes de assassinar todos os membros está fora de cogitação. Ele está escondido, e jamais "se daria ao luxo", como você disse, Kakashi, de se expor. E penso ainda que também não existe possibilidade de o mandante deixar a executora consumar os crimes sem que ele pudesse apreciar em liberdade os resultados.
Suspirando, Blaise sentou-se ao lado do Hatake e enterrou o rosto nas mãos.
- Que dia de cão – disse ela, olhando para os detetives. Pareceu 10 anos mais velha, por alguns instantes.
- Também não obteve progresso com Orochimaru? – Wolfe perguntou gentilmente
- Aquele ser ofídico não abre a boca para nada. Só ficou lá, destilando veneno. Ele e seu advogadozinho. Eu odeio advogados.
- Conseguimos uma confissão de Zabuza – revelou Kakashi – Ele nos contou tudo sobre a época de negociações com Madara Uchiha e a Akatsuki. Acabou confirmando a versão do senador Yakushi, mas negou conhecer os demais membros da empresa. Em resumo, foi isso. Está tudo gravado.
- Pelo menos isso... – Blaise suspirou novamente – Usaram o garoto Haku?
- Sim, foi dessa forma que obtivemos a confissão – Wolfe explicou – Mas quando Kakashi ameaçou tirar a guarda do jovem, Zabuza ficou nervoso, apreensivo, e não confessou sobre a morte dos ex-membros da Akatsuki.
- Obviamente ele não ia entregar o grande plano de bandeja – analisou a promotora – Orochimaru deu uma resposta semelhante à de Zabuza, então começou a me irritar e pedi que o levassem. Ele é mais frio que o sócio. Manteve-se impassível diante de todas as minhas ameaças.
- Ele deve ser bom mesmo – Wolfe comentou para tentar amenizar a tensão, mas o que conseguiu foi um olhar reprovador de Blaise.
- Em suma, podemos concluir que Zabuza e Orochimaru não se encaixam no perfil do executor – analisou Kakashi – Mesmo que este fosse um homem pequeno, Momochi e o sócio são muito altos e largos. Quanto ao mandante... Eles se enquadram parcialmente no perfil que traçamos. Ambos são visivelmente narcisistas, ricos e vingativos, mas como Blaise ressaltou, os dois se expuseram demais, enquanto nosso mandante adotaria qualquer medida para se manter seguro.
- Não podemos aceitar esse "parcialmente" – Blaise suspirou
- Existe ainda a possibilidade de que os dois podem estar tentando acobertar outra pessoa – Ryan sugeriu
- Pode ser – a promotora concordou, pensativa.
- Mas não podemos ficar desanimados – Kakashi falou, encarando os companheiros – Você mesmo disse, Ryan, para não nos empolgarmos com a prisão dos traficantes, pois poderíamos acabar nos decepcionando, de uma certa forma. É o que está acontecendo agora, já que pensamos que essa prisão nos traria informações maiores sobre as mortes que vêm ocorrendo. Mas repito: não podemos desanimar. Vamos nos basear no que o senhor Hyuuga nos contou sobre os medos e proteger cada vez mais os ex-membros que ainda estão vivos. Assim, poderemos aproveitar nosso tempo para conseguir outra confissão de Zabuza e Orochimaru, como você mesmo disse.
- Kakashi tem razão – disse Blaise – Bom, vocês podem continuar usando Haku para fazer Zabuza falar de novo. Funcionou uma vez, então, se vocês forem inteligentes, pode funcionar de novo.
- Obrigada pelas palavras de apoio – Wolfe falou à promotora, que para a surpresa do detetive, abriu um meio sorriso.
- Nós vamos conseguir – disse ela, firme.
Ryan e Kakashi concordaram, querendo acreditar profundamente nas palavras de Blaise.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Sábado, 18h12min
Grande Londres, Inglaterra.
London Eye.
Naruto sentiu-se ainda mais hiperativo que o comum quando, ao longe, avistou uma das maiores rodas-gigantes do mundo – e, particularmente, uma dos lugares mais felizes do mundo.
Olhou para Hinata, andando calmamente ao seu lado, observando atentamente o esplêndido monumento à sua frente. Teve uma súbita vontade de segurar a mão pálida da garota. Ponderou por um segundo e, mesmo se sua cabeça tivesse decido que ele não deveria fazê-lo, seu corpo já estava em movimento quase mesmo antes de a ideia surgir. Hinata olhou para as mãos dos dois, agora entrelaçadas, e depois olhou para Naruto, que a observava com o canto do olho. Ela corou e, sem esconder um leve sorriso, voltou-se pra frente.
Ele sorriu também. Embora o Uzumaki fosse desde sempre do tipo impulsivo, Hinata fazia com que agisse ainda mais sem pensar. Aquela sensação era totalmente nova pra ele e, ao mesmo tempo, assustadora e animadora. Só que ele também sabia que, para aquilo dar certo – e ele queria que desse certo – ele devia ir um pouco mais devagar e não obedecer a todos os impulsos.
Porque se ele obedecesse, as pessoas estariam naquele exato momento aplaudindo o casal se beijando em frente ao London Eye – e, inclusive, havia mais gente ali do que Naruto gostaria, embora muito menos do que o comum.
Começou a desacelerar o passo quando estavam quase em frente à roda gigante. O London Eye ficava próximo ao rio Tâmisa, e era, de fato, um dos pontos turísticos mais disputados da cidade.
Realmente, a fila enorme não estava nos planos do loiro. Ele pensou um pouco, se sentindo sem graça de ter que esperar na fila com Hinata, até que teve uma ideia melhor. Ao invés de parar na fila formada em frente à roda-gigante, Naruto continuou andado para o lado, conduzindo Hinata até um banco próximo dali. A garota pareceu confusa por alguns instantes, até que ele sorriu e se justificou:
- Por que não aproveitamos a vista daqui de baixo, por enquanto?
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Nota: O nome do Capítulo (só pra quem não entendeu) significa "Questions and Answers". Hehehe...
Hey Everybody!
Sumimos, nós sabemos. Mas vocês, estudantes assim com nós (seja do Ensino Médio, Faculdade ou mesmo Ensino Fundamental), sabem como É TENSO conciliar várias atividades com os estudos. Ainda assim nos desculpamos pela demora, mas sempre que possível vamos postar novos caps. Esta fic NÃO ESTÁ abandonada, então quem ainda não favoritou, please, favoritem para saber quando chegam novos caps!
E lembrem-se de que são as reviews de vocês que nos inspiram, nos motivam a continuar escrevendo, por maior que seja a falta de inspiração devido ao dia-a-dia apertado. OBRIGADA pela paciência, pelo carinho e pelas reviews do cap anterior.
Esperamos que tenham apreciado este cap! Prisão do Mercado Negro, o lance dos medos dos ex-membros da Akatsuki, estágio pras meninas... Muitas novidades e muitas coisas importantes foram reveladas, não acham? Conseguiram identificar algum suspeito? Acreditam que eram os mesmo que vocês apostaram antes? Façam suas apostas! Hehehe...
Então, caprichem nas reviews, belezinha?
Well, bom restante de férias e um ótimo retorno às aulas para todos!
Abração!
Irmãs Uchiha!
n.n
