Capitulo Quatorze

Era um pequeno passo para Gil Grissom... Mas um grande passo para a relação. Viajar em um só veículo... Não teria chances de escapar. Não que o quisesse, ao contrário, Arizona era o mais próximo do paraíso neste momento. Qualquer lugar do mundo era o Éden junto a ela, mas um domingo preguiçoso de sol intenso em uma lancha no meio do belíssimo Lago Mead e... Sara de short e biquíni... Sim não estava sonhando, sem dúvidas havia morrido e chegado ao céu.

Estava certo que na próxima vida iria para o inferno, o mais provável é que estivesse sonhando.

- Hey, Sara? - Ele gritou sobre o barulho do motor. – O que mais lhe agrada nesse lugar?

- O quê?!

Grissom tomou mais fôlego e gritou.

- Eu disse: O – QUE – MAIS – LHE – AGRADA – NESSE - LUGAAAAAR?!- Entre o barulho da lancha e da água, não se escutava nada.

- Que disse?!

- Quero – Disse com voz baixa, mas dando a entender com um displicente gesto com a mão.

Sara deixou de acelerar e desligou o motor. Estavam na metade do lago. Sentaram-se à vontade na borda do barco.

- Agora sim. O que dizia?

Voltou a adquirir um tom muito mais baixo.

- Me perguntava... O que mais a agrada nesse lugar? Por algum motivo você elegeu comprar uma casa aqui...

Ela não demorou nem um segundo para responder.

- O silêncio.

Grissom riu se divertindo diante à ironia da resposta de sua estridente pergunta.

- O silêncio? – Devolveu ele, esperando que ela explicasse melhor.

-Se alguém parar aqui, no meio do lago, e se dedicar a escutar... só vai ouvir a água golpeando o casco da lancha. Nada
mais. Nem o vento, nem pássaros, nem insetos, nem automóveis, nem sirenes... nem gritos. Inclusive, às vezes, podem-se ouvir seus próprios batimentos.

E me sinto viva, Grissom, em paz. Esquecer dos maus tratos, das mulheres violentadas e das crianças mortas.

Depois de alguns segundos, Sara perguntou.

- E você?

- E eu o quê?

- O que mais está gostando da viagem?

Grissom pensou um momento.

- Gosto de sentir as pequenas gotas de água batendo em meu rosto. Essa brisa úmida que golpeia forte quando a encara.

Como uma criança que é, não me surpreende.

-... e outra coisa que gosto muito é poder ver a sombra da nossa lancha agitando-se no fundo do lago.

- Dá para ver?

Sara se virou e se debruçou na borda da lancha.

- Não vejo nad... – Mas não conseguiu terminar a frase, porque ele havia a empurrado e agora estava completamente submergida na água. Quando voltou a superfície, viu Grissom rindo. Ele não sabia. Não tinha como saber.

- Grissom! No... Gri... Não sei nadar! – Agitava os braços, apenas tentava flutuar. Estava afundando.

Imediatamente ele deixou de ri. Merda! Rapidamente tirou os sapatos e a camisa e se lançou na água. Nadou até alcançá-la e a pegou pela cintura. Com o rosto surgindo, ele a levantou para que não tragasse mais água.

Sinto muito, Sara. Não tinha idéia...- Mas teve que terminar a frase embaixo da água, já que, Sara colocou as duas mãos sobre a cabeça dele e o afundou.

- Você merece! – Disse ela com um sorriso quando ele emergiu. Ele estava engraçado com o cabelo liso e sobre seus olhos.

- Você quase me afogou! – Ele exclamou tossindo e respirando grandes bocados de ar.

- Mentiroso...

Ele deixou de tossir... havia descoberto.

-... No entanto, está me abraçando. Si estivesse afogando, já teria me soltado.
- Você tem razão. Como sempre, mas você tampo... – ela o calou com um beijo. Um saboroso beijo úmido. Era difícil flutuar e beijar ao mesmo tempo, mas ambos eram exímios nadadores e não se incomodavam beijar embaixo da água. Para nadar.

De volta para a lancha, Sara passou uma toalha para Grissom e logo pegou uma para si.

- Vamos ter que esperar que a minha calça seque. É o meu único traje. – Disse ele quando secava o cabelo com a toalha.

- Você terá que tirá-la. – Disse ela com um sorriso.

- Oh, não... não. Nããããããão. Não. – Negou repetidamente com a cabeça.

- Como quiser. Mas se não tirá-la, não vai secar até a viagem de volta.

Ele a dedicou um olhar de estranheza.

- Você pensa voltar hoje mesmo?

- E quando vamos? – Respondeu ela também estranhando. Logo compreendeu e ficou ruborizada. – Oh! Você achou...?

- Não importa! – A interrompeu conturbado. Havia interpretado tudo errado. – Não importa, Sara! Você tem razão. Não vai secar em mim. Vou retirá-las, mas você tem que se virar para lá. – Apontou para atrás dela.

- Griss, isto é ridículo... – Cruzou os braços.

Ele a olhou entre o severo e o suplicante. Sara se rendeu. Exalou um desaforo.

- Tudo bem. – E se virou de costas. Depois de um minuto, perguntou.

- Posso?

- Sim.

Sara se virou e o olhou. Grissom havia se coberto com a toalha.

- E você pensa em andar com a toalha pelo resto do dia?

Ele deu de ombros.

- Porque não?

Sara o causou graça.

Depois de se secar, ela colocou a toalha no chão. Ele fez o mesmo com sua calça. Logo se sentaram nos acentos e olharam o horizonte. Era verdade, escutava-se os batimentos do coração.

- Sara?

- Sim?

- Você tem protetor solar?

Pensei que ia dizer algo mais... mais significativo. Riu por dentro. – Sim. – Abriu um compartimento perto do painel. – Aqui está.

Grissom colocou um pouco em sua mão e ia passá-lo, quando lembrou que Sara também poderia necessitar.

- Você quer que eu passe em suas costas?

- O velho truque, né? Nunca falha.

Ele se ofendeu.

- Bem, quer ou não?

- Sim, mas não se irrite, é só uma brincadeira. – Virou-se e pegou o cabelo para colocá-lo na frente. Ele espalhou sobre os ombros dela com uma mão e logo com as duas, começou a passar bem suave. Utilizado os polegares sobre os músculos da parte traseira do pescoço dela.

Ela não pode evitar um gemido de prazer. Era realmente uma delicia sentir as vigorosas mãos deles nos seus músculos. Ele notou o crescente prazer dela e foi incapaz de esconder uma conhecida sensação que se cravou como um dardo abaixo da cintura.

Colocou mais um pouco de creme em suas mãos e voltou a tocá-la. Ela se estremeceu pelo contato da mistura fria, mas não disse nada. Ele deslizou suas palmas sutilmente embaixo dos ombros dela e percorreu sua coluna com os polegares. Esfregou gracilmente a parte baixa das costas e cintura dela. Era evidente que ela também desfrutava porque se arqueava ante as caricias. Grissom começou a se sentir agitado. Se não a tivesse AGORA não se deteria.

- Feito. – Disse com um fingido tom jovial que não refletia nada como realmente se sentia por dentro.

Quando Sara recém abre os olhos se deu conta que havia os mantidos fechados durante todo o tempo.

- Quer que agora eu passe em suas costas? – Perguntou ela.

- Não se preocupe. Eu coloco sozinho. – Não queria confessar que se ela colocasse um só dedo sobre sua pele, ele não poderia resistir em tirar o pequeno traje de banho e a embevecer-se em seu corpo - Obrigado.

- Mas Griss, não me custa nada. – Ela pegou o pote do protetor solar e apertou vazando um pouco do conteúdo em suas mãos. E logo... logo passou sobre as costas dele. Ele fechou os olhos, mas não por prazer, e sim, por angustia. Você não sabe o que está fazendo, Sara. Não sabe o que está fazendo, não sabe...

Ela acariciou as costas dele com afeto. Viu que todos os músculos de Grissom estavam rididos e seus punhos fechados com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos.

- Relaxe. Eu noto que está tenso. – Riu. Sabia o efeito que estava produzindo sobre ele. E ela gostava disso.

- Sara...

- Humm?

- Sara... eu coloco sozinho. Verdade.

- Te incomodo? – Perguntou para ele com a sua voz mais inocente.

- Não!

- Então?

- Sara, por favor.

Ela continuou fazendo que não entendesse os pedidos de Grissom. Esfregou suavemente sobre os ombros dele, seus músculos compactos, sua pele suave e escorregou até a parte traseira da cintura. Escutava claramente como ele ofegava. Ela tinha a situação em suas mãos, literalmente. Ter o poder a seduzia tremendamente.

- Pare, Sara. Eu suplico.

Ela já não queria parar. Deslizou sua mão lentamente para baixo da borda da toalha. Grissom não agüentou mais. Virou-se energicamente e a pegou uma surpreendida Sara com firmeza em seus braços. A empurrou e a segurou no chão.

- Você que buscou. – Disse a ela com uma voz áspera.

Agora sim que Grissom estava seguro que iria para o inferno.

TBC