Capítulo 14 – Casamento tradicional.
No dia seguinte, o sol começava a surgir no horizonte, os piar dos pássaros enchia o ar de sons, as folhas das árvores balançavam com o vento. A grama verde estava relativamente úmida, devido ao sereno que caiu a noite. Encima de um largo cobertor estendido sobre o chão, estava Teo, deitado de costa e olhando para o horizonte, e Ty Lee, que dormia com a cabeça encostada no peito do homem. O cabelo dela estava solto, e estava esparramado sobre o corpo dela.
Ele ficou admirando a sua noiva, que dormia entre os seus braços. Ele então cochichou em seu ouvido, testando se estava dormindo:
- Ty Lee, meu amor, você está acordada? Temos um longo vôo pela frente.
Ela abriu os olhos vagarosamente, e viu seu marido ao seu lado. Era capaz de sentir o seu corpo. Ela sorriu e falou com a voz e a cara de sono:
- Bom dia. O que você disse?
Teo lhe beijo na testa e acariciou os cabelos, falando:
- Esquece, acho que podemos fazer nosso vôo mais tarde.
O vôo de volta para sua casa fora tranqüilo, sem malabarismo. Perto da sua casa, ele avisou:
- Estamos chegando.
Ela virou o rosto e viu a incrível construção, rodeado por nuvens, neve e outros planadores. Com a aproximação, vários planadores começaram a se aproximar. Eram ouvidas vozes:
- Teo, você voltou. Seja bem vindo.
A garota, que se segurava no colo do rapaz, achou tudo aquilo muito interessante. Pensava sozinha:
- Acho que vou me acostumar fácil.
Alguns dias se passaram. No começo, Ty Lee se sentia um pouco sozinha durante o dia, pois não tinha amigos. Porem, a noite, sua solidão era completamente extinta. Seu noivo não permitia que ela sentisse esta coisa ruim.
Com o passar do tempo, a desconfiança das pessoas passou, e ela logo foi acolhida como a primeira dama do lugar. Sem demora, Teo marcou o dia do casamento.
A festa foi maravilhosa, com flores enfeitando e alegrando ainda mais o lugar. Tinha vôos especiais, assim como balões e fogos de artifício importado da nação do fogo. Havia um grande banquete de carnes, verduras e frutas, alem de bebidas e sucos.
A noiva estava com um enorme e maravilhoso vestido rosa, com uma enorme flor enfeitando-a. Por causa do banho de pétalas, ela exalava um agradável e fresco cheiro de flores. Sua pele estava ainda mais macia que de costume, pois tinha recebido tratamento especial. Em seu rosto, o sorriso não cabia. Seus cabelos estavam ainda mais macios, mas estavam presos em um tipo de coque, muito comuns para a situação, onde era usado um pequeno pente de detalhes bem feminina que ajudava a prendê-los.
Teo estava com uma roupa azul escuro, um tipo terno (mas não era, pois não existe terno em seu mundo), que era uma das roupas mais chiques de sua nação. Ele tinha o cabelo totalmente liso, arrumado e preso. Diferentemente da noiva, ele estava nervoso, e tinha algumas gotas de suor que escorria pala testa. Mas não era de arrependimento, ou qualquer outro sentimento deste sentindo. Era mesmo o medo de a perder, de que ela dissesse que não queria mais. Apesar dele precisar de sua cadeira de rodas para se locomover, ele estava sentado numa cadeira super confortável e com rodas, especialmente feita para esta ocasião.
Entre os convidados, estava o nobre da nação do fogo, pai da noiva, e seus irmãos. Estava também Mulik. Todos sentavam um pouco mais afastados, pois não eram muito acostumados com os costumes daquele povo, e sentiam-se desconfortáveis.
Pelo lado do noivo, alem de todas as pessoas do seu povoado, estava seu pai, com três dedos de madeira nova e especialmente feita para a situação, Myr e sua esposa, que estavam bronzeados por causa da praia que pegaram. O pai do Teo não parava de chorar, pois a toda hora relembrava da sua esposa, mãe de Teo, falecida.
O casal sobe no altar, que estava localizado no meio da praça central. Era feito de madeira, e o local estava enfeitado com pedaços de tecido vermelho bem forte, e faixas verdes. Encima do altar, a cerimônia teve início. Teo começou a homenagear a família, ao céu e a terra. Ele então disse:
- Quero deixar registrado, sobre a testemunha dos céus e a todos aqui presentes, minha grata homenagem e agradecimento ao meu pai, que me educou e fez tudo para a minha felicidade, mesmo que alguns atos tenham sido equivocados. Agradeço também a minha falecida mãe, que provavelmente seu espírito está conosco hoje.
Depois foi a vez de Ty Lee. Mas ela foi mais cautelosa na homenagem dos parentes.
Na continuidade do casamento, o sacerdote esquenta o chá, e quando pronto, coloca numa pequena xícara de porcelana. Em seguida, coloca uma pequena semente de lótus. O sacerdote, então, se levanta, segurando as duas xícaras, e entrega para o pai dos noivos. O nobre olha com desconfiança, mas logo toma em apenas um único gole. O cientista toma vagarosamente, sentindo o aroma da camomila, porem, no final, quase engasga com a semente.
Em seguida, o sacerdote passa às palavras para o noivo. Teo sorri, fintando nos olhos de Ty Lee. Ele não conseguia falar. Estava muito emocionado com a beleza de sua noiva. Mas com um pouco de esforço, falou:
- Ty Lee, prometo amá-la por toda eternidade. Quero que receba este anel como símbolo do meu amor e fidelidade.
- Teo, prometo amá-lo pelo resto da minha vida, e também na minha morte, e pela minha outra vida. Receba este anel como o símbolo da minha eterna paixão pela sua alma.
Os dois trocam as alianças. Neste momento, as pessoas que ali estavam explodem de alegria, e no meio de berros e som de palmas, felicitam o novo casal.
A cerimônia continuou no salão principal, mas o casal foi até o quarto especialmente feito para o casal. Estava sendo iluminado apenas por dezenas de velas espalhadas pelos cantos do quarto. As velas tinham a forma de dragões e fênix, na cor vermelha, importada diretamente da nação do fogo. Eram velas que tinha um cheiro de essência muito gostoso e excitante. Entre o odor das velas, ainda era possível perceber o cheiro de rosas. Em um canto, sobre um pequeno balcão de bambu, estavam duas grandes taças feitas de ouro. Elas estavam amarradas com uma fita macia de cor vermelha e verde. Dentro tinha vinho de ótima qualidade, tirado das melhores viniculturas de Ba-Sing-Sei.
Os dois sentaram na cama. Estavam se olhando nos olhos, respirando forte e coração emocionado. Ela pegou uma das taças. O Teo fez o mesmo. Eles entrelaçaram seus braços e então beberam do vinho, ainda se encarando. Ao terminar, Ty Lee comentou com a respiração rápida e profunda:
- Agora não há mais volta. Nossa alma pertence uma a outra.
Teo colocou vagarosamente sua taça de lado, pegou a taça da noiva e colocou de lado, em seguida disse, segurando com paixão o corpo da amada:
- Minha alma sempre pertenceu a você. No outro mundo, ele já era seu.
Então, vagarosamente seu rosto aproximou ao dela e a poucos centímetros ele parou. Ty Lee sentia o amor correndo pelas suas veias, pela sua pele e pelo seu corpo todo. Não esperou mais. Ela segurou o rosto dele e o beijou. Eles sentiam o sabor do outro que vinha dos lábios e da boca. O toque parecia mágico. As línguas se tocavam num abraço. Era apenas o único sabor que eles sentiam, o sabor do amor.
Ele retirou o coque de Ty Lee. O cabelo caiu sobre os ombros. Ele admirava aquela imagem, que parecia divina. Ela retirou a fita do cabelo dele. As mechas escorriam na direção da testa, formando uma franja. Ty Lee admirava aquele corpo vestido de um azul maravilhoso e de cabelos soltos. Ele retirava vagarosamente o vestido da mulher, enquanto ela retirava com todo cuidado o terno.
Naquela noite, eles se tornaram marido e mulher.
Mas isso não foi o mais importante, o importante foi que os dois viveram felizes juntos.
FIM
