Disclaimer: Harry Potter, livros e filmes, não me pertencem.
Sumário: Quando se está em uma escola de magia, pode-se encontrar qualquer coisa a sua espera em um dos corredores.
Alerta: Universo Alternativo em Hogwarts. Out Of Character. Veela!Draco, Vampiro!Draco. Expressões originais.
MALFOYS'S CURSE
by XL Nozes
Descansou a cabeça contra a parede, pressionando o curativo que a sua mãe fizera em seu ombro. A poção estava fria e a sensação gelatinosa não era agradável, mas tudo era melhor que as chances de perder o movimento do braço esquerdo.
Controlou a vontade de suspirar. Naquele momento, a última coisa que queria eram as dores do último Crucio reavivadas pelo movimento.
"Mas eu creí nunca mais ver um Malfoy nesta situação, mesmo após findada a minha vida".
A voz suave pegou Draco despreparado e a virada brusca de cabeça fê-lo gemer.
Ali, no canto da cela, uma figura etérea o observava. Os cabelos caíam em cachos largos pelos seus ombros finos em direção aos quadris. As roupas lembravam as de alguns dos quadros de sua família, mas ele nunca prestara atenção para saber de qual ano. A dificuldade aumentava com os rasgos e esfacelo do tecido. Ela o observava sem muito cuidado. A sua aparência obviamente não era causa de perturbação para ela. A sua postura era ereta e, ao mesmo tempo, faltava rigidez.
"Madeixas desse louro são difíceis de se manter limpas, não?", os ombros de moveram como se ela tivesse bufado uma risada, "Um ficaria estupefato pela maneira como a sujeira gruda nele."
Ela foi de um lado ao outro da grade, aproximando-se sutilmente dele.
"Diz-me, como é ser o segundo Malfoy a habitar a Masmorra da Mansão?", ela deu um pequeno sorriso que, à distância, parecia de deboche, antes de murmurar algo que ele não ouviu.
"Surpreendentemente melhor que os chás-da-tarde que minha mãe tem com as amigas", fechou os olhos e deixou a cabeça cair contra a parede.
Assim, ele não podia perceber os movimento dela. O silêncio começou a enervá-lo minutos depois e ele viu-se abrindo os olhos e buscando-a.
"O que fizeste? Não quiseste usar os sapatos de couro de dragão azuis no lugar dos pretos? Esqueceste de punir um elfo que não tirou essas dobras da tua roupa? Preferiste cortar o cabelo a usá-lo longo? Não aceitaste o jantar de 7 pratos?", a voz dela não escondia o desprezo, mas Draco estava cansado de brigar.
"Não tenho certeza se foi qualquer uma dessas coisas ou se foi por não concordar com o Lorde das Trevas que comanda a Mansão atualmente", ele riu sem prazer, massageando a poção contra a ferida para aumentar a ação.
Ela hesitou, antes de mover-se na direção dele, entrando no seu campo de visão.
"Lorde?", a voz dela era curiosa a contragosto.
Malfoy se permitiu olhá-la novamente. Ela parecia jovem. Ridiculamente jovem. No máximo um ou dois anos a mais que ele. Os cabelos pareciam ter sido claros. A expressão dela era livre de rugas, marcas ou sinais. Havia algo na pronúncia dela que o lembrava de Fleur.
"Cara pálido, gosta de trevas, tem um senso de moda terrível. Decidiu criar um Mundo Mágico onde não existam filhos de trouxas. Segunda guerra que ele está organizando para garantir que isso aconteça. Lembra alguma coisa?".
As sobrancelhas finas e arqueadas dela se enrugaram em concentração e ela moveu a cabeça levemente para os lados.
"E este ser tomou controle das posses dos Malfoy?", ela começou uma risada que poderia terminar em choro. "Eu não posso… Em verdade, eu… eu creio. Não há nada que possa ser esperado dessa família além do mais absoluto desprezo por qualquer forma de vida taxada por inferior. Surpreende-me um Malfoy ter aceitado ser liderado por alguém. A família mesma tencionou fazer isso mais vezes do que eu posso contar ao longo da sua história. Limpar o mundo, extirpá-lo de todo e qualquer resquício de magia suja. Eu considero poético que alguém tenha feito isso antes".
Draco esperou que ela terminasse, sem energias para contradizer qualquer de suas palavras.
"E o que fizeste? Não quiseste torturar a bruxa não pura? Ou foi uma criatura? Devias tê-la matado mais lentamente? Usaste o feitiço errado? Faltou-te ódio nesse coração oco?".
Ele relaxou contra a parede. Tentou mover as pernas, mas mesmo o roce da sua respiração contra as pedras doía.
"Eu tentei salvar uma sangue-sujo".
A expressão dela era difícil de traduzir. Os músculos se contraiam em algo que parecia felicidade, então dor e satisfação, para cansaço e, finalmente, conformar-se com algo similar a desespero.
"Em que ano estamos?"
"1998".
Ela parecia surpresa e confusa, os olhos fixos nas grades da cela.
"Eu não... As informações aqui são parcas. Quando eu… escolhi ficar nesse mundo após a minha morte, eu desconhecia o poder da magia ancestral da família. Desconhecia a capacidade de impedir que fantasmas que não fossem Malfoy saíssem da masmorra."
"Há quanto tempo você está aqui?".
A voz dele pegou-a despreparada e os olhos que o responderam eram mais tristes que agressivos.
"Desde 1653", ela engoliu pesadamente. Os seus braços se moviam discretamente na direção do seu rosto e Draco teve a sensação de que ela disfarçava as lágrimas. "O tempo não transcorre da mesma forma aqui".
"O que aconteceu com você?".
Ela virou-se bruscamente e a agressividade voltou.
"O que aconteceu com você?".
Draco olhou-a atentamente. Era ridículo. Mesmo com todas as palavras que abertamente indicavam que ela puniria um Malfoy dada a menor oportunidade, algo dentro dele indicava que ela era confiável.
"Se eu te contar, você promete não contar a mais ninguém? Pessoas inocentes podem morrer".
"'Inocentes'?", o tom de voz dela era qualquer coisa, menos compreensivo. "Pois bem. Prometo não contar", a voz dela, repentinamente, tornou-se gentil e, mesmo com os seus instintos alertando-o do contrário, Draco viu-se falando.
"Por um motivo que não vem ao caso, a minha vida e a de uma garota estão ligadas. O problema é que essa garota não nasceu de pais bruxos", ele quase deu de ombros, mas impediu-se, "O Lorde das Trevas gostaria de matá-la. Eu não gostaria que ela morresse. Longa história curta, estamos tentando evitar que ele vença a guerra", fez uma pausa, esperando que ela respondesse. Diante do silêncio, emendou, "Sua vez."
O corpo dela tremeu como em uma expiração sôfrega, mas o ar não se moveu. A luminosidade que ela emanava aumentou de intensidade e logo ela era o foco de luz do ambiente escuro. "Finalmente…", ela murmurou. "Finalmente, Thetford!"
Ela moveu-se na direção dele com as mãos estendidas, mas algo fê-a mudar de ideia. Parou. Os dedos encolhidos como que para controlar o seu movimento. O sorriso que ela expunha mudava completamente as suas feições. Draco viu-se olhando para um das mulheres mais belas que já vira.
A efervescência que a tomara borbulhou por alguns instantes antes de ela perceber. "Estás ferido!"
Draco olhou para si mesmo. As roupas rasgadas, o sangue que havia pingado da sua boca no resto do corpo. O braço esquerdo caído.
"Terminar uma guerra é um pouco mais difícil do que eu pensei".
"Eu… essa forma me impede de ajudar-te, mas minha mãe costumava dizer que as minhas mãos eram de curandeira", o sorriso dela se desfez parcialmente, "Hm… Assim", ela se abaixou e estendeu uma mão à frente, com a palma para cima, "A palavra de força é 'noyau'. Concentra a energia na tua mão. Tenta".
Draco observou-a. "Eu nunca fiz magia sem uma varinha."
"Vampiros independem de varinha e a magia veela torna-se estável depois de encontrar o parceiro", ela assegurou-o.
O loiro olhou-a por alguns instantes antes de responder.
"Eu não tenho certeza de como essas situações se relacionam comigo".
"É desnecessário mentir para aquela que garantiu que as coisas fossem como são, meu neto".
