N/A: Vestidos do capítulo a seguir estão no álbum da estória, no meu perfil ;D

Capítulo 14. O jantar e outras coisas

Nervosa? Muito. Respirei fundo ao descer junto de Edward e encontrar Esme ajeitando os últimos detalhes do jantar. Carlisle estava sentado no sofá, lendo um livro calmamente e Alice está fora da minha visão. Assim que chegamos ao primeiro andar, Carlisle nos olhou e sorriu.

-Está muito bonita, Bella. – Elogiou-me e eu rapidamente corei.

-Hum... Obrigada. – Agradeci um pouco sem graça.

Carlisle sorriu gentilmente e voltou sua atenção ao livro. Edward me puxou para nos sentarmos no sofá, logo ao lado da poltrona em que seu pai estava sentado. Esme entrou na sala sorrindo e estava deslumbrante. Vestia um vestido amarelo tomara que caia, com um corte elegante um sapato preto alto e na mão havia um enorme anel que me lembrava um coral. Em resumo: Belíssima.

-Queridos, o jantar será servido assim que Emmett, Rosalie e Jasper chegarem. – Sentou-se no braço da poltrona onde seu marido estava sentado.

Dei um sorriso sincero para Esme quando escutamos um grito esganiçado do alto da escada. Alice desceu quase correndo, uma vez que estava em cima de um salto enorme preto que tinha uma corrente dourada. Vestia um vestido muito fofo, com estampa floral, nas cores: branco, preto e vermelho. Seu cabelo estava preso na lateral com uma presilha de em forma de laço cheio de brilhantes.

-Mããããe! – Choramingou se aproximando de Esme. – Meu cabelo está bom?

Edward revirou os olhos e Carlisle riu fraco. Esme sorriu e pegou a mão de Alice dizendo que ela estava maravilhosa como sempre. Sentou-se junto de mim e Edward no sofá e começamos uma boa conversa ao esperamos os outros. O meu nervosismo se aquietou por poucos instantes e logo a campainha soou.

Alice deu um salto e foi atender a porta. Todos nós nos levantamos para recebê-los e a primeira coisa que ouvi foi uma voz estrondosa mais reconhecível, Emmett.

-Baixinha! – Falou alto com Alice que automaticamente fez uma careta, mas deu um abraço e um beijo no irmão. – Estou morto de fome!

Logo atrás de Emmett, sendo puxada pela a mão, uma mulher loira. Acho que aquela era a mulher mais linda que vi em toda a minha vida. Com longos cabelos loiros dourados e ondulados nas pontas, de olhos bem azuis, usando um vestido também tomara que caia, branco com listras pretas cheias de lantejoulas da mesma cor e um belo sapato alto preto. Ela era ainda mais deslumbrante que todos ali. Supus que essa era a mulher de Emmett.

A loira reclamou com Emmett por puxá-la enquanto ela tentava cumprimentar Alice, que quase saltou nela, de tanta animação. Depois de cumprimentá-la, Alice pulou em cima de um homem loiro, de olhos azuis e simpáticos e beijou-o.

Emmett entrou de vez junto de sua mulher quando ele me avistou e se surpreendeu, mas sorriu abertamente. Largou a mão da mulher e veio em minha direção, me abraçando e me rodando no ar como se nos conhecêssemos há muito tempo. Pegou-me de surpresa, mas fiquei feliz por sua recepção.

-Bellinha! – Abraçou-me com tanta força que eu estava começando a não respirar.

-Emmett, deixe-a respirar. – Escutei a voz da loira soar desinteiriçada.

-Opa! – Riu ao me soltar no chão. – Uau! – Analisou-me de cima a baixo, pegando a minha mão e me fazendo rodar em um único eixo. – Está linda!

Nem preciso contar que corei até o último fio de cabelo. Enquanto Emmett me distraia, os outros se cumprimentavam entre si. Emmett deu um passo ao lado e indicou a loira, pegando novamente sua mão.

-Bellinha, esta é a minha mulher: Rosalie.

Comecei a pensar tudo de ruim antes de ela me cumprimentar. O quê ela pensaria pelo ato de seu marido? Ou, pior, ela deveria saber sobre a minha vida, então, o que deve achar de eu estar aqui, vestida com essas roupas e morando debaixo desse teto? Mas todas as minhas revoltas passaram ao vê-la me abrir um sorriso gentil e me estender à mão.

-Prazer, Bella... Posso chamá-la assim? – Peguei sua mão.

-Claro... – Estava um pouco espantada por ter sido a última reação que imaginei.

Eles se viraram para cumprimentar os donos da casa e logo Alice apareceu ao meu lado, puxando o seu namorado junto. Me apresentou Jasper, seu namorado, que pelo som da som voz e sua expressão me fez automaticamente ficar mais calma. Falava calmamente e isso me relaxou, agradeci à isso mentalmente.

Logo fomos indicados em direção à bela sala de jantar, e a mesa estava recheada de delícias. Sentamo-nos e começaram a conversar sobre tudo, eu estava mais concentrada em não fazer besteira no jantar. Edward estava sentado ao meu lado e Alice do meu outro, junto de Jasper, na cabeceira estavam Esme e Carlisle e, do outro lado, Emmett e Rosalie.

-Então esse jantar é para apresenta a Bellinha à nós? – Emmett perguntou olhando para os pais e depois para mim, sorrindo.

-Sim e o quê me surpreendeu foi você já conhecê-la, Emmett. – Carlisle comentou ao olhar para o filho, que deu de ombros.

Congelei em meu lugar.

Não sabia se o resto da família sabia quem era a minha mãe e com o quê ela trabalhava, por isso senti-me ficar ainda mais tensa. Olhei fixamente para o meu prato, forçando-me a não olhar para ninguém.

-O que posso fazer se tenho bons contatos? – Emmett respondeu.

-É mesmo, querido, como conhece Bella? – Esme perguntou curiosa.

Mordi o lábio e senti a mão de Edward, segurar a minha por debaixo da mesa, me confortando.

-Conheci a mãe dela; Renée, que me apresentou sua filha... – Indicou-me. – E eu apresentei-a para Edward, pois, olha como eu acertei ao achar que os dois se dariam bem! – Riu alto quando minhas bochechas queimaram, mas no fundo estava mais tranqüila por ele ter mudado o rumo da conversa.

-É, Emmett, valeu! – Edward entrou na brincadeira.

Todos riram em uníssono.

O jantar se seguiu normalmente e o melhor de tudo que, mesmo eu sendo o centro das atenções por ali, não fiz e nem disse nenhuma besteira ou algo que me comprometesse. Descobri muitas coisas naquela família.

Jasper era um homem daqueles de ao se olhar, se dá respeito, gentil e engraçado, porém, não tanto quanto Emmett. Estava enrolado de trabalho - trabalhava na redação de um jornal – estava cheio de coisas para fazer e estava sem tempo, mas abriu uma exceção para vir ao jantar e ver a namorada, que ao declarar isso, Alice fez uma carinha de boba apaixonada. Foi lindo de ver os olhares que os dois trocavam, mas desviei o meu olhar ao ver que estava me intrometendo.

Rosalie além de linda era muito esperta, de todos os assuntos que conversavam, ela se mostrava totalmente certa do que falava e integrada ao assunto, seja ele qual for. Trabalhava junto de Emmett na empresa deles, ao que parecia, ela mandava e desmandava sobre qualquer coisa que achasse errado, o mais legal de tudo era ver que Emmett faria qualquer coisa por aquela mulher, parecia um adolescente apaixonado mesmo tendo quase trinta anos.

Todos os casais ali eram muito visivelmente apaixonados. Fiquei me perguntando como Edward convivia com isso. Depois da sobremesa, a conversa continuou na sala, mas não muito tempo depois, resolveram ir embora. Emmett e Rosalie tinham uma reunião importante amanhã de manhã e se desculparam e Jasper levou Alice junto de si para "alongar a noite", nas palavras de Emmett.

Nem sabia que horas eram, só que eu estava com bastante sono. Carlisle foram logo em seguida, dormir, desejando à mim e à Edward uma boa noite. Ficamos ali, sentados no sofá por alguns minutos em silêncio, apenas escutando os barulhos distantes da casa. Edward passou o braço por cima de meus ombros e me puxou para perto. Deitei minha cabeça em seu ombro e fechei os olhos, mesmo tentando não dormir.

-Que sono, não? – perguntou risonho ao fazer carinho em meu braço.

Ri fraco.

-Um pouco.

-Que tal irmos dormir também? – Não pude deixar de passar esse "nós" embutido na frase, me pareceu como se fossemos um casal que iria dormir junto, mas não, pelo menos em parte. Sabia que ele disse isso porque eu estava dormindo junto dele, por conta de meu medo idiota. – Esqueci de te dar isso. – Esticou a mão para dentro do bolso da calça, retirando algo de lá. – Achei entre o estofado do seu sofá.

Abri minha mão e ele soltou nela. Analisei um colar com um pequeno pingente de asas de anjo, prata. Meus olhos se encheram de lágrimas. Edward permaneceu quieto, me observando, enquanto eu analisava com mais cuidado o pingente.

-Eu me lembro... – Mordi o lábio com força e olhei para os mais belos olhos que conheci. – Era meu. Minha mãe me deu quando eu era bem novinha... – Lágrimas escorreram pelo meu rosto. – Disse que me protegeria de tudo que fosse ruim... Mas... – Funguei, sentindo a mão de Edward nos meus cabelos. – Eu a perdi no dia em que a tirei...

Edward me puxou para um abraço. Não conseguia tirar meus olhos do cordão...

-Minha mãe... – Chorei fraco. – Me proteja...

Edward beijou o topo da minha cabeça e acariciou o meu braço.

-Quer que eu o coloque em você? – perguntou calmamente.

Entreguei o colar para ele e me virei de costas para poder colocá-lo, puxei meu cabelo para frente e Edward colocou o colar em mim. Sorriu ao vê-lo.

-Ficou ótimo em você. - Sorri fraco. – Vamos dormir para você descansar.

Edward se levantou e me estendeu a mão. Peguei-a e sequei minhas lágrimas com a outra que estava livre, seguindo para o meu quarto. Paramos diante da porta, com Edward se encostando no batente da porta, virado para mim, sem largar a minha mão.

-Quando estiver pronta, vou estar no meu quarto. – Beijou a minha mão, assim que assenti e depois beijou a minha testa antes de sair, fechando a porta.

Disse que iria chorar mais. Quebrei a minha promessa de ser forte.

Mordi o lábio com força ao sentir as lágrimas escorrerem e cerrei os punhos. Eu era uma grande idiota mesmo e sem total conserto. Encaminhei-me ao banheiro, tirando toda a minha roupa e entrando direto no banho gelado, sentindo cada pedaço do meu corpo reclamar o frio da água. Aquilo serviria para me mostrar o quão estúpida eu estava sendo.

Edward e sua família nada tinham haver comigo e estavam me ajudando, mas... Se eu não os tivesse, como seria? Estava reclamando quando tudo poderia ter sido bem pior. Está certo que a minha mãe foi assassinada, morta por um maníaco que estava me ameaçando, mas eu ainda estava viva e tinha que viver a minha própria vida!

Saí do boxe e me coloquei rapidamente para dentro do quente do pijama. Vesti a minha calça de moletom e uma blusa de manga cumprida mais justa antes de sair do banheiro e do quarto, segurando uma escova de cabelo, enquanto desembaraçava os nós do meu cabelo. Assim que bati na porta do quarto de Edward, ele me mandou entrar e eu o avistei olhando para a sua estante de livros. Ele me olhou o sorriu me estendendo a mão. Caminhei até ele depois de fechar a porta e peguei sua mão. Puxou-me para si e soltou minha mão ao passar o braço sobre os meus ombros.

-Estava olhando os meus livros e notei que só tenho relacionados à medicina. – Parecia decepcionado. – Tem alguma sugestão? – Olhou-me.

-Hum... Não acho que curta os mesmos que os meus.

-Tente. – Sorriu torto.

-Bem, gosto mais dos clássicos, então... Que tal Mil Novecentos e Oitenta e Quatro? É um romance da literatura inglesa feito em 1948. Retrata o cotidiano de um regime político totalitário e repressivo no ano homônimo.

Edward ergueu as sobrancelhas e me puxou para nos sentarmos na cama.

-E por que você gosta dele? – perguntou.

-É uma boa pergunta. – Sorri. - Tem vários pontos, mas quando ler, se quiser ler, o que eu gosto é o modo como retrata a crescente invasão sobre os direitos do indivíduo da época.

Edward ficou quieto por alguns instantes, mas logo voltou a falar.

-Vou anotar isso. – Ri dele e ele acabou por me seguir. – Tem mais sugestões?

-Tem um que também é um dos meus favoritos! – Edward sorriu da minha empolgação. - Os Irmãos Karamazov. Conhece?

-Já ouvi falar, mas nunca soube ao certo sobre o quê se tratava. – Confessou.

-Bem, também é um romance, mas dessa vez é russo.

-Russo?

-É uma das melhores obras que já li. Trata de todo o tipo de revolta dos valores sociais: má criação, falta de religiosidade, falta de esperança e outros mais citados ao longo do livro. Ah! Isso me lembra que você precisa ter paciência para lê-lo, pois ele é bem grande.

-Grande quanto?

-Mais de 700 páginas. – disse simplesmente.

Edward arregalou os olhos.

-Certo... – Cantarolou e virou o rosto para o outro lado. Tive que rir da sua cara. – Leu tudo isso?

-O que acha que eu fazia nas minhas tardes na escola?

-Lendo? – Chutou.

-Exatamente. – Sorri. – Mas como eu sei que é um homem ocupado com a carreira, é melhor se preocupar em ler apenas aquilo que lhe fará ser bem-sucedido no futuro como médico.

Edward riu.

-Acho que vou ter que seguir o seu conselho...

Rimos um pouco e assim que o silêncio voltou a se instalar, eu o quebrei.

-Edward... – Olhei para as minhas mãos. – Acho que tenho muito do que lhe agradecer, à você e à sua família... – Podia sentir seus olhos sobre mim. – Todos foram super maravilhosos comigo, uma completa estranha... Que te conhece há tão pouco tempo... – Olhei-o e vi que seus olhos estavam mais claros e, se possível, mais verdes.

Ele sorriu docemente.

-Não acho que eu precise fazer o mesmo discurso de que você não precisa agradecer. – Disse ele. – Mas, como está sob meus cuidados, para alertá-la, sou bem chato. – Sorriu em meio a uma careta.

-Chato? – Ergui a sobrancelha, achando que ele estava louco, mas ele assentiu. – Acho que vou discordar. Você é a melhor pessoa que já conheci na vida. – disse sincera.

Edward ficou me observando em silêncio. Podia sentir que eu era onde sua atenção estava presa, algo que me deixava um pouco envergonhada, mas logo me lembrava que era Edward ali, exatamente em quem eu podia confiar. Sorriu e negou com a cabeça.

Fiquei em silêncio. Talvez tivesse mais coisas ali do que eu imaginava. Estava tão absorta em meus problemas, assim como ele, que não sabia se Edward tinha algum. Uma expressão de tristeza misturada com um sorriso forçado, me chamou atenção.

-Por quê não? – murmurei ao vê-lo encarar nossas mãos.

-Porque acho que fiquei tão mergulhado no meu futuro que esqueci o meu presente. – disse simplesmente. Não queria forçá-lo a falar alguma coisa que não queira, mas sentia que dessa vez isso era necessário.

-Como assim? – Ficamos quietos e acabei interpretando como se ele não quisesse me contar. - Não precisa me contar se não quiser...

-Tudo bem. – Ergueu os olhos verdes para os meus, sorrindo. – Na verdade, já te contei, só que acho que me esqueci de acrescentar uma coisa. – Sorriu um pouco envergonhado. – Lembra-se quando disse que eu me focava muito nos estudos e acabei por esquecer do resto da minha vida, assim como a minha família? – Assenti. – O que me esqueci de acrescentar é que... – Suspirou. – Eu tinha que agradecer à você por me mostrar isso. Me mostrar que tenho que viver, mas, claro, sem deixar de estudar também. – Riu fraco.

Fiquei perplexa ao olhá-lo.

-Isso... – Murmurei. – É estúpido, Edward. – Ele me olhou com uma interrogação. – É a coisa mais ridícula que já ouvi. Você não precisa e nunca precisará me agradecer em nada, pois eu não te ajudei, na verdade só caí de pára-quedas na sua vida, arruinando boa coisa, pois aposto que agora, uma sexta feira à noite, você gostaria de sair com seus amigos, como qualquer outro homem normal e sair para beber, namorar... – Senti uma pontada no peito ao dizer isso, mas me recompus rapidamente. –, mas não.

Dei de ombros e mostrei o lugar em que estava.

-Está em sua casa, no seu quarto, cuidando de uma garota que te conheceu por puro destino... – A palavra morreu na minha boca, pois tarde demais pensei que poderia ter escolhido outra.

Calei-me e fiquei observando-o me observar. Era contraditório!

-Tenho alguns pontos sobre esse seu discurso. – Sorriu torto, arrancando-me o ar. Era um simples ato dele, assim como a sua mania de mexer nos cabelos que me deixava feliz por começar a descobrir mais coisas sobre ele.

-O primeiro: Tenho que agradecer sim. Mais ao meu irmão... – Riu e eu só fiquei observando. – Porque se não fosse a sua simplicidade e o seu amor pela sua mãe, talvez eu ainda estivesse mergulhado nos estudos. – Olhou-me firmemente. - Segundo: Se eu quisesse sair eu sairia, mas com o pequeno detalhe: você iria comigo. – Isso me pegou desprevenida. – E terceiro: Gostei da parte do "destino".

Sorriu abertamente, fazendo-me corar absurdamente.

Limpei a minha garganta, levantando-me e dando a volta na cama. Edward só me seguiu com o olhar.

-Melhor irmos dormir. – disse ao puxar a colcha da sua cama e me sentar, penteando o meu cabelo.

Edward se levantou e pensei ter escutado um riso fraco ao vê-lo caminhando ao banheiro. Por que estou me sentindo estranha? Afinal, o que estou sentindo por esse homem que não consigo admitir à mim mesma esse sentimento. Por que sinto vontade de me grudar nele, com seus braços ao meu redor e nunca mais sair dali? Sempre tenho a estranha sensação, embora tudo tenha mudado e eu esteja melhor agora, de que este dia ainda continua o mesmo, como um relógio enguiçado preso no mesmo momento – aquele.

Edward voltou e falou alguma coisa que não escutei, ainda estava presa nos meus pensamentos. Só fui notá-lo quando estava agachado diante de mim, preocupado e segurando o meu pulso. Foquei o meu olhar e o olhei em questionamento.

-Está bem? – Assenti e o ouvi suspirar. – Vem cá, - puxou a escova das minhas mãos. – Vou te mostrar uma coisa. – Puxou-me para fora de seu quarto e descemos as escadas, caminhando até a porta de vidro preta que tinha logo ao lado, onde ficava a varanda.

Assim que entramos, Edward me encaminhou para a sacada e ao olhar para baixo, além de constatar de que era bem alto, tinha uma belíssima vista da cidade à noite.

-É lindo, Edward... – Sorri ao ter aquela visão privilegiada ao menos por alguns instantes.

-Que bom que gostou. – Acompanhou o meu olhar e através da pouca luz vi seus olhos escurecidos.

-Fico imaginando como é o Reveillon aqui. Vocês devem ter uma visão belíssima dos fogos de artifício.

-Ah! Isso é verdade. – Sorriu para mim e me puxou para um abraço. – Obrigado, Bella. – Murmurou no meu ouvido.

Já estava na casa de Edward há duas semanas e nesse meio tempo fiz bastantes coisas. Tive que ir à delegacia prestar depoimento junto com Edward – o que foi duro para mim, ainda mais por descobrir que ele achou outra carta do homem que me ameaçava, no meu apartamento. Não contei à ele sobre o fato de eu ter recebido uma. Era estranho, um lado implorava para que eu contasse à Edward e à polícia, mas depois de ele ter ameaçado Edward... Não podia. Teria que guardar isso para mim. Porém, havia o outro lado; o racional, que gritava: "Não seja burra! Vão encontrar o filho da puta que fez isso com a sua mãe, com ou sem essa carta!" Me sentia em cima de um muro estreito, acabava sempre pendendo para um lado, mas voltava a ficar por cima, me equilibrando.

Fui ao meu antigo apartamento conversar com Stefany que me abraçou com tanta força que me doeu o coração por não tê-la dado notícias, ajudei Esme nas coisas de casa, fiquei mais próxima de Alice, uma vez que ela me carregava para todos os cantos, me enchendo de presentes desnecessários e mais próxima de todos da família Cullen. O melhor de tudo foi que Alice me arranjou um emprego em sua loja e é claro que eu não recusei, seria vendedora.

Faltava uma semana para o começo das aulas e eu mal podia esperar para ocupar a minha cabeça com aquilo que eu gostava. Edward e eu combinamos de irmos mais cedo para o apartamento, pois tínhamos que ajeitar as nossas coisas, então fizemos isso. Fiquei triste por ver a tristeza de Esme e de Alice ao nos deixar ir, pois mal eu sabia que iria criar um vinculo tão grande com aquelas duas.

No apartamento, disse à Edward que eu estava melhor quanto aos assuntos da minha mãe, por isso tudo bem em eu dormir sozinha, ele aceitou e começou a ajeitar o outro quarto para mim, e com isso, fiz questão de fazer o nosso almoço mesmo ele duvidando das minhas habilidade na cozinha.

Quando eu estava com a mão toda suja por conta de cortar os filés de frango, a campainha toca e Edward grita pedindo para que eu abra. Lavo as minhas mãos rapidamente e as seco antes de ir até porta e abri-la.

Vi ali quem eu menos esperava, com uma camisa de manga cumprida leve azul-marinha, calça jeans e tênis, com seu olhar de surpreso e preocupado. Ele não diz nada e só me abraça com força. Fico sem reação, mas acabo por retribuir e não pude deixar de sorrir.

-Quer me matar? – perguntou baixo.

-Desculpa, Jake. – Ele nos afastou e vi que ele estava mesmo preocupado.

-Bella, sério. Onde estava esse tempo todo? Eu estava atrás de você, preocupado e você simplesmente some!

-Desculpe...

-Bella? Quem é? – Viro-me para a direção da voz de Edward até que ele entra no meu campo de visão e passa seu olhar de mim para Jacob. – Algum problema?

-Hã? Não. – disse-lhe e olhei para Jacob que encarava Edward sem entender. – Edward, esse é Jacob, meu amigo, aquele de quem falei e... Jacob, - Olhei-o. – esse é Edward, um amigo que me ajudou depois de... – Mordi o lábio, colocando minhas mãos nos bolsos de trás da minha calça. – Tudo.

Edward se aproximou e estendeu a mão para Jacob.

-Edward Cullen. – disse-lhe.

Jacob nada falou, estava sério, mas pegou a mão dele. Podia sentir um clima estranho ali. Edward soltou sua mão e ficou nos olhando até que pediu para que Jacob entrasse e se sentisse à vontade, afirmando que nós podíamos continuar a conversar que ele voltaria a arrumar as coisas lá dentro.

Depois que Edward saiu, olhei para Jake e indiquei o sofá. Ele foi até ele, olhando para onde Edward havia ido. Assim que nos sentamos, ele me olhou e franziu o cenho.

-Quem é o cara? – perguntou ríspido.

-Edward, meu amigo...

-Amigo? – disse indignado em um murmuro. - Eu conheço todos os seus amigos e ele não existia até pouco tempo atrás.

-O que foi, Jacob? Edward me ajudou quando eu mais precisava de alguém...

-Eu nem sabia que sua mãe havia sido assassinada! Como poderia te ajudar? Eu te ajudaria!

-Jacob, esse não é o ponto! – Comecei a me irritar. - Edward estava lá quando isso aconteceu, me ajudou no exato momento, na verdade, arrumou a minha vida por completa sem que eu nem me mexesse e é por isso que eu devo grandes coisas para ele!

-Ah é? E paga como? Não, porque agora você está morando com um cara que mal conhece!

-O que está querendo dizer com isso?

-Oi. – Edward entrou na sala, interrompendo a nossa briga. Olhou de Jacob para mim. – Tudo bem?

Suspirei.

-Tudo. – disse-lhe quando notei que ele estava arrumado para sair. – Vai sair?

-Vou. Vai ficar bem aqui sozinha? – Olhou para Jacob que revirou os olhos.

-Vou sim... – Não posso dizer que fiquei contente em saber que ele sairia sem mim, uma vez que desde que ele me ajudou nunca saímos sem um ou outro, mas ao mesmo tempo queria que ele fizesse isso mesmo, pois suas coisas não deviam rodar em minha volta sempre. – Pode ir tranqüilo.

Edward hesitou e nós tivemos uma pequena conversa por olhar antes de ele falar:

-Bem, não devo demorar. – Disse brevemente.

Veio até mim, deu um beijo na minha testa e acenou para Jacob antes de sair. Assisti-o sair com um aperto no coração e virei-me para Jacob, determinada a ignorar o aperto no peito. Vi Jacob se recostar no encosto do sofá, todo relaxado.

-Esse cara me cansa! – disse ele.

-Você quem está me cansando, agora fale o que quer. – Fui grossa mesmo.

Jacob franziu o cenho, mas logo relaxou ao soltar um suspiro.

-Tudo bem, desculpe ter insinuado de que você estava dormindo com ele...

-Agora podemos conversar! – Levantei-me e fui para a cozinha, terminar o almoço.

Jacob me seguiu e analisou a cozinha assim que entrou, sentando-se na cadeira que ali tinha.

-Vocês dois não tem nada...? – Olhei-o e tive vontade de rir de sua cara.

-Não, Jacob. Nada. Edward é apenas um bom amigo.

-Então, à troco de quê ele está te ajudando? À troco de quê ele ajudaria uma menina que mal conhece e "resolve a vida dela toda"? – Afinou a voz para imitar a minha.

-Porque ele quis.

-Por que ele quis, Bella? Oh, por favor! Nós dois sabemos que ninguém faz nada sem querer algo em troca.

-Bem, Edward é o tipo de pessoa que podemos dizer que é um exemplo perfeito de exceção. – Continuei a cortar os filés sem olhar para Jacob.

-"Edward é um perfeito exemplo"! Você está apaixonada por ele?

-Hã? O quê? Não! – Olhei-o achando aquilo ridículo.

-Ah. Ótimo. – disse sarcástico. – É perfeito! Você se apaixona por um cara que mal conhece! – Bateu na mesma tecla.

-Jacob, cala a boca, tudo bem? – Virei-me para ele, segurando a faca na mão e apontando. – Se não se calar agora... – Ameacei e funcionou. – Não estou apaixonada e ponha isso na sua cabeça! Edward é um amigo e muito melhor do que você! – Respirei fundo, mas foi aí que percebi o que tinha dito.

Jacob se levantou e saiu da cozinha. Me xinguei internamente e larguei a faca sobre a bancada antes de ir atrás dele. Apressei-me em fechar a porta da casa assim que ele a abriu.

-Jake... – Olhei-o nos olhos, notei o quão sentido ele ficou com as minhas palavras. – Desculpa. Não foi nesse sentido que eu quis dizer...

-Que sentido foi, então? – Estava nervoso. – Acaba de falar que um homem que é mais velho que você sei lá quantos anos, que mal conhece – Revirei os olhos. – É, Isabella, revire os olhos, pois quando esse aí fizer alguma merda contigo, não venha atrás de mim!

Aquilo doeu. Nunca o ouvi gritar daquele jeito comigo, muito menos ao disser para não procurá-lo. Engoli o choro de raiva que estava querendo sair e, para a minha surpresa, minha voz saiu séria, mas normal.

-Tudo bem, Jacob. – Disse seu nome inteiro também. – Mas para esclarecimentos: quis disser que ele era um amigo melhor nesse momento e não que eu estava te substituindo, mas se assim imagina... – Levei as mãos ao ar. – Faça o que quiser! – Abri a porta do apartamento e indiquei a saída. – Toda sua! Não vou te procurar, se assim é o desejado.

Jacob não saiu, ao contrário, empurrou a porta, fechando-a novamente e me abraçou, apoiando sua cabeça no meu pescoço.

-Desculpe... Fui um idiota. – Não me mexi, estava triste por suas palavras. – Bella... – Gemeu de irritação e se afastou um pouco para me olhar nos olhos. – Você é a minha melhor amiga, não quero ficar brigado com você. Eu te amo, me preocupo com você é por isso que estou irritado, por você estar com...

-"Um cara que eu mal conheço". É. Já entendi essa parte. – disse séria. – Peço que confie em mim. Só isso, Jacob.

Ele fez uma careta ao me soltar e logo soltou um suspiro resignado.

-Tudo bem. – Bufou alto. – E retiro o que disse sobre não me procurar. Mesmo eu não acreditando muito naquele cara, você pode sim vir atrás de mim para qualquer coisa. – Me puxou pela cintura e beijou a minha testa. Sorri por ter o meu amigo de volta. – Se esse cara te tentar alguma coisa, me avisa.

-O que ele tentaria depois de três semanas juntos?

-C-Como? – Jacob me soltou.

-Juntos no mesmo apartamento, Jake. Você só pensa besteira!

Ele estreitou os olhos e cruzou os braços diante do peito.

-Não rolou nada entre vocês...? – Insinuou.

-Não. – Mentira, mas ele não precisava saber, uma vez que não era nada sério.

-Certo... – Relevou e passou por mim, voltando-se à porta. – Tenho que ir trabalhar. Ang vai ficar feliz por ter notícias suas depois de três semanas...

Sorri culpada, puxando-o pelo braço e depositando um beijo em sua bochecha.

-Diga que estou bem e que vou lá visitá-los ainda essa semana.

-Rum! – Fez uma careta ao abrir mais a porta. – Veremos se aparecerá, você tinha sumido!

-Vou aparecer, Jake! Só diga isso à ela e diga que estou bem.

Nos despedimos e eu fui voltar a fazer o almoço. Assim que terminei de ajeitar tudo, o almoço, a cozinha e o resto da casa. Comecei a me preocupar com Edward, ele ainda não tinha chegado e disse que seria rápido. Almocei, pois já se passavam das três da tarde e guardei o almoço e lavei a minha louça. Bem, almoçar aqui ele não ia.

Me encaminhei para a sala, comecei a ver Tv, mas logo me cansei e fui tomar um banho, me trocando para um pijama. Depois de sair do banho, fiquei andando de um lado para o outro sem saber o quê fazer, já eram quase sete da noite e nada dele. E se alguma coisa tivesse acontecido? Comecei a escutar uma conversa alta no corredor e logo a campainha tocar.

Fiquei um pouco sem saber o que fazer. E se fosse o cara que me ameaçou? Fixei o meu olhar na luz que vinha debaixo da porta, esperando por mais uma carta, mas não. A pessoa começou a ficar sem paciência, até que reconheci uma das vozes; Edward.

Corri até a porta e a destranquei, dando de cara com três homens na minha frente. Dois homens carregavam Edward e se me perguntasse como eles eram, não saberia descrever, pois meus olhos estavam presos na figura cansada e bêbada de Edward sendo carregado pelos amigos.

-Podemos entrar? – Um perguntou.

-Hã...? Ah sim! Por favor. – Dei passagem e eles foram deixar um Edward que não parava de falar coisas sem sentido e bem alto. – O quê aconteceu?

-Não está claro? Edward bebeu demais. – Um bateu no ombro do outro. – Vamos, cara. – Os dois se encaminharam para porta. – Todo seu! Ele está sob os seus cuidados! – Um disse depois de fechar a porta.

Devo ter ficado alguns minutos perplexa, pois nunca imaginei Edward fazendo algo assim como se embebedar. Tive que balançar a cabeça e me lembrar de trancar a porta antes de me aproximar dele. Senti-me ao seu lado no sofá.

-Bella, Bella, Bella, Bella! – Olhava para mim. – Seu nome sai tão bem pela a minha boca! – Estava gritando e não parava de se remexer no sofá.

O que eu ia fazer?

FIM DO CAPÍTULO!

N/A: Edward bêbado + Incoerência + MEGA bêbado + Fora do controle = Aí vai dar alguma coisa! ;x HAHAHA

Esperem para ver, é só isso que eu digo. ;D

Lindíssimas! Obrigada pelas belíssimas reviews, amei toooooodas! MAS estou sentindo falta de algumas pessoas que não estão comentando. O que foi? Está ruim a fic? :/ Para isso, eu PRECISO saber o que pensam, tudo bem? :)

Beijinhos e até o próximo!

Lina Furtado.