Onmyou Oni
Twist 14 – Segredos subterrâneos
Música de entrada: Bonds Kizuna by Antic Café
Enquanto Ken e Akira corriam pelas linhas do metrô, sem novidades, Dokuro e Tiffany passavam rapidamente o caminho entre as estações para verificarem-nas uma a uma. Coisa do destino ou não, o grupo de Eiji iniciou suas buscas em uma linha diferente, adiando o encontro dos grupos.
Por outro lado, Seishou estava a observar a cidade do alto e logo notou a movimentação de Sakuya. Reconhecendo a presença espiritual, enviou um sinal para que o grupo de Fumie se preparasse para emboscá-la. Entretanto, Sakuya não deixou passar despercebida a presença de seu observador e se deixou ser conduzida para mantê-los distraídos enquanto seus amigos investigavam o subterrâneo.
Demorou bastante tempo para que a garota fosse finalmente emboscada, por melhor que o plano de Shinji de utilizar falsas iscas conjuradas por Yuri para atrair a garota fosse bem arquitetada, uma vez que esta estava consciente de que tentavam emboscá-la, consegui se esquivar habilmente. Por mais bem-sucedida que fosse a conjuração de Yuri, Sakuya não se aproximava levianamente, a garota era poderosa demais para que as criaturas invocadas pudessem aguentar mais que uma investida, mesmo que feita à distância. Quando finalmente conseguiram prendê-la em uma barreira no alto de um prédio, Yuri estava exaurido, como Sakuya planejara. Marvin e Blue entraram para confrontar a garota, enquanto Fumie mantinha a barreira.
A iniciativa era dos rapazes, que avançam simultaneamente e desferem uma sequência de golpes precisamente calculados. No meio da tempestade de golpes, mal dava para ver Sakuya que se mantinha em pé entre os dois rapazes. Porém, antes mesmo que pudessem cantar vitória, os dois são repelidos para longe. O primeiro a se levantar é Leandro e, para sua surpresa, a garota não tinha um arranhão sequer. Pelo contrário, ele estava bastante ferido, em especial nos braços e pernas.
A verdade é que a garota se defendera de todos os ataques feitos pelos dois, desferindo esporadicamente um contra-golpe nos pontos mais expostos, ou seja o braço ou a perna usada para atacar. Enquanto Blue se levantava com dificuldade, Marvin continuava deitado. Já não era possível continuar lutando, Sakuya sabia bem disso e começou a caminhar em direção do rapaz que ainda estava consciente. Porém, para espanto deste, a garota passa reto por ele, mas para onde ela ia? Enquanto Fumie mantivesse a barreira, ela não poderia escapar dali, pois a especialidade dela eram exatamente as barreiras que nenhum oni jamais conseguiu escapar.
Sakuya era mais poderosa que Fumie, a barreira se despedaça como se fosse de vidro. A garota olha para trás e sem demonstrar nenhum tipo de emoção, se vira e segue seu caminho, ou pelo menos era sua intenção, mas a poderosa energia de Seishou se aproxima do local rapidamente.
Ao pressentir a chegada do inimigo, Sakuya se prepara para a batalha. Todos, exceto Marvin que se encontrava desacordado, aguardam a chegada do homem que até o momento só observara. Não demora nem um minuto e Seishou chega saltando de prédio em prédio até aterrissar onde se encontravam seus aliados. Sua primeira observação é de ineficiência de seus companheiros. 3 pessoas não foram capazes de segurar uma reles garota tempo suficiente para que ele chegasse, isto chegava a ser patético. Ela era poderosa demais? Apenas uma desculpa esfarrapada, até mesmo os fracos possuem maneiras de segurar um oponente infinitamente mais poderoso.
- Voltem logo para a base, um bando de inúteis só vai me atrapalhar. Não pensem que eu vou me preocupar com vocês durante a luta. – disse Seishou aos companheiros.
- Mas, as ordens da Isuzu... – tenta argumentar Blue Moon.
- Danem-se as ordens. A situação mudou, essa garota vem me provocando a noite toda. Toda vez que algo me chama a atenção, ela joga sua energia me ameaçando. O que você está escondendo? Quem você quer encobrir?
- Quem sabe? Talvez eu só queira sua atenção, bonitão. – responde Sakuya em tom irônico. – sabe como é, esse seu olhar podre e essa sua máscara de gás te dão um ar irresistível.
- Andou me observando muito bem, desse jeito vou até acreditar que se interessou.
- É difícil de não notar algo quando ela te causa um asco extremo.
Após um segundo de silêncio, ambos desaparecem de suas posições e se chocam com força o suficiente para deslocar o ar e empurrar o corpo desacordado de Marvin, que é pego por Shinji.
Por mais que desejasse permanecer ali para ver o resultado da luta, Blue é obrigado a concordar que é mais seguro se retirarem e levarem Marvin de volta para a base.
Enquanto isso, no subsolo, a procura do Trickster continuava para os dois lados. Dokuro utilizava seus esqueletos para acelerar as buscas nas estações e seu irmão, Akira emaranhava seus fios ao longo dos trilhos.
Por sorte já passava do horário de desligamento dos trens, portanto eles tinham algumas horas para vasculhar tudo quanto pudessem. Tempo mais que suficiente para encontrarem o demônio, onde quer que estivesse. Isto, é, se não acontecesse nenhum imprevisto, mas é sempre em ocasiões como essa que imprevistos acontecem.
Os trilhos começam a tremer, Akira consegue captar a vibração de longe. Certamente era algo bastante grande e pesado, mas não deveria haver trens circulando ali. Talvez os agentes da OZ estivessem usando trens para aumentar a mobilidade, mas era pouco provável, mesmo com um sensitivo poderoso, a julgar pela velocidade com que se deslocava, não seria possível verificar toda extensão das vias do metrô, e era sabido que a OZ possuía grande interesse em recuperar aquele Trickster.
A locomotiva se aproximava rapidamente do local onde Ken e Akira estavam. Era um trem estranho, não era como os trens do metrô. Se parecia como os antigos bondinhos, exceto pelo tamanho, era muito maior, ocupava toda extensão do chão ao teto e se aproximava a toda velocidade, fazendo muito barulho.
Mesmo com toda sua velocidade, os fios reforçados com o ki de Akira foram suficientes para cessar o movimento do vagão desenfreado. não foi necessário investigar mais a fundo a natureza daquele trem. Era um oni, um Trem Fantasma, de dntro dele, diversos outros onis saíram atacando os rapazes.
Um dos esqueletos de Dokuto chega ao local, mas Akira diz para sua irmã continuar procurando o Trickster e que ele e Ken se encarregariam daqueles demônios. Dokuro e Tiffany se concentram e aceleram a procura o máximo que podem, mas a aglomeração de onis chamou a atenção do grupo de Eiji. Akira utiliza seus fios para se comunicar com sua irmã e avisar-lhe da aproximação dos inimigos. Estas, percebendo que um confronto frontal seria desvantajoso, resolvem se esconder e aguardar.
Eiji já havia notado e reconhecido os fios que passavam junto aos trilhos como sendo de Akira. Ele não pretendia ir de encontro ao mestre dos fios, mas foi surpreendido por um trem que passara em alta velocidade na direção de onde vinham os fios.
Fukurou afirmara que o Trickster provavelmente estava naquele vagão e sugeriu segui-lo, em todo caso, eliminar aqueles onis também era parte do trabalho. Isuzu achava que seria melhor alguém continuar a busca seguindo os planos, então se separou dos outros quatro.
Estes, avançam o mais rápido que podem. Eiji e Kojirou eram rápidos demais, ou melhor, Fukurou era muito devagar. Não querendo deixá-lo sozinho para trás, Kelly resolve acompanhá-lo, mesmo porque ela também não conseguia alcançar os irmãos, apesar de não ser tão devagar quanto Fukurou.
Quando finalmente chegam ao local onde Ken e Akira estavam enfrentando os onis, restavam poucos ainda de pé. O Trem Fantasma ainda estava preso aos fios, porém nem sinal do Trickster.
Eiji e Kojirou tentam interrogar os outros dois rapazes, porém, a única resposta que conseguem é: "estamos aqui pelo mesmo motivo que vocês". Eles tentam usar a vantagem numérica como argumento para pressionar, mas Ken elucida que são dois contra dois, muito para a surpresa dos irmãos.
Fukurou e Kelly haviam desaparecido. Eles não haviam ficado tão atrasados assim, mas Eiji não estava em situação para se preocupar com os outros, tinha dois oponentes bastante poderosos à sua frente.
A situação de dos outros dois não era melhor que a de Eiji e seu irmão. Fukurou havia parado para tomar fôlego uma estação atrás e Kelly estava esperando para que pudessem seguir os dois apressadinhos, quando foram surpreendidos por mãos de esqueletos que brotaram do chão e seguraram suas pernas. Isto era apenas uma pequena distração, pois Tiffany pousa próximo de Kelly e desfere-lhe um soco com sua manopla que a joga voando em direção a Fukurou que, surpreendido é levado junto para trás, voando.
Enquanto isso, Isuzu caminhava ignorante de tudo que acontecia com seus companheiros. Não que ela fosse uma pessoa que se importa com os companheiros, mas a falta de informações sobre a situação nas outras frontes a deixava inquieta.
Mais do que isso, o que a irritava era a demora para encontrar qualquer tipo de pista sobre o paradeiro do Trickster. Sua frustração era jogada para o causador disso tudo, afinal era culpa de Shinsei que o oni havia escapado. Isuzu se lembrava bem do rapaz, na ocasião em que os rapazes se apresentaram para Wanizame fora ele que quase a atingira com um peso de papel.
Em meio a essas lembranças, Isuzu é surpreendida por uma presença. Pouco familiar, mas ela já havia sentido essa mesma presença antes. Mesmo que fosse uma vez só, era algo que ficava impresso na mente da pessoa, era marcante, penetrante. Além de tudo era algo que incomodava, que fazia os maiores temores da pessoa virem à mente. Era uma presença carregada de insanidade. Fosse apenas um louco qualquer, não havia nenhuma gravidade, porém esta era infecciosa, a mera presença deste oni era capaz de dominar mentes menos resistentes e levá-las à loucura.
Isuzu era bastante forte, por isso foi escolhida para liderar a missão, mesmo a insanidade penetrante do Trickster não era capaz de abalá-la. Ela podia sentir a presença se aproximando a cada passo que dava, era tão densa que quase dava para apalpá-la. Parecia-lhe que ao esticar a mão, poderia conseguir agarrar e puxar para si a fonte daquela presença.
Mais alguns metros, era o que ela sentia. Estava muito escuro, mas ela sabia que logo ali, virando a esquina estava o Trickster.
Antes que conseguisse alcançar a curva, outra forte presença surge por trás da garota. Esta ela conhecia bem, fez questão de memorizar profundamente em sua memória. Não é que este alguém lhe tivesse feito algum mal ou que tivesse discutido algum assunto de maior importância.
Era apenas alguém com quem ela não conseguia sentir simpatia e esse sentimento foi crescendo até se tornar um forte antagonismo. Contudo, esta se tratava de uma situação vantajosa para ela, à sua frente, o oni, seu atual objetivo e, logo atrás, o inimigo de OZ. Ninguém menos que Shinsei vinha-lhe logo às costas.
Isuzu não sabia bem como ele havia ocultado sua presença por tanto tempo, mas ela sabia que era ele e sabia que este estava ciente de sua presença também.
Restava a ela apenas decidir se apanhava primeiro o Trickster ou aguardava a chegada de Shinsei. Era uma decisão delicada.
Apesar de não querer admitir, os recentes relatórios demonstravam que o rapaz havia se tornado ardiloso, esperto e seus planos não haviam falhado até então ao mesmo tempo que segundo relatavam, ele era forte o suficiente para nocautear instantaneamente até mesmo um membro da divisão de combate da OZ.
Por outro lado, o Trickster era hábil em fugas, ele havia dado trabalho durante meses para a divisão de inteligência, se ela fizesse um movimento errado, ela poderia fazer com que o Trickster fugisse para a liberdade ou para as mãos de Shinsei.
Ela opta por capturar rapidamente o demônio e uma vez assegurada sua captura, ela poderia acabar com Shinsei como quisesse.
Uma vez decidida, ela torna a esquina em alta velocidade, investindo ferozmente contra a fonte daquela presença que preenchia o local. O golpe atingira o alvo em alto e bom som. Provavelmente Shinsei fora capaz de ouvir o som produzido pelo choque da espada de Isuzu.
Para a frustração da garota, apesar de ter conseguido atingir quem estava emanando aquela aura, não era quem ela esperava. Apenas um chamariz, um boneco embebido com o ki do Trickster.
O golpe de Isuzu fora suficiente para abrir um buraco no boneco e, antes que esta entendesse que se tratava de um alvo falso, este explode, pegando-a em cheio e fazendo com que a garota fosse lançada muitos metros para trás, atingindo a parede.
O Trickster havia notado a movimentação pelas linhas do metrô e havia deixado algumas armadilhas ao redor de seu esconderijo e outras ele havia lançado pelas diversas linhas.
Contente por alguém ter caído em sua artimanha, ele resolve surgir para debochar da pessoa. Ele se aproxima através da fumaça, pulando e rodopiando enquanto cantarola "Entrada dos Gladiadores".
Isuzu consegue vê-lo se aproximar, mas seu corpo não a obedece. A explosão não devia ser suficiente para derrubá-la. Aquela fumaça que tomava conta do local, devia haver algo nela que estava impedindo-a de se mover direito.
Como a garota não conseguia falar, o Trickster começa a falar com ela.
- Ah! Olha só, pegamos uma ratinha! É uma pena que Dilbert tenha se sacrificado para isso. Ah. Ah. Não, não, não. Você, mocinha, não vai conseguir falar, se mover. Não, pelo menos por algumas horas. Tempo suficiente para que eu possa me divertir às suas custas. Ih ih ih!
O Trickster nota que Isuzu olha fixamente para ele, como se estivesse tentando perfurá-lo com o olhar.
- O que? Como, você pergunta? Este é um gás especial. Sim, sim, sim. Veneno não deveria funcionar com você, eu sei. Mas este aqui é especial. É um gás que eu mesmo criei e não é só um produto químico qualquer. Ele está cheio da minha essência. Como vocês chamam mesmo? Acho que chamavam de Xi! Isso, Xi!
Era obvio que ele queria dizer "ki", mas isso não importava agora, Isuzu estava em sérios problemas. O oni apalpava os bolsos, como se estivesse a procura de algo. ele olha para os lados e pega a espada que Isuzu deixara cair na explosão.
- Olha só para sua cara agora! Tsss. Não adianta olhar feio para mim. Eu estou apenas protegendo meu lar! De gente maldosa que nem você. Eu conheço esse uniforme! Você é uma daquelas que me enfiou num trem e estava tentando me raptar! Mas até que isso foi uma boa ideia, graças a isso que eu acabei vindo me esconder nos metrôs da cidade. Hm? O que é isso? Parece que temos companhia!
No meio da sucessão de fatos, Isuzu havia se esquecido que Shinsei estava chegando. Ele havia apagado sua presença quando ouviu a explosão, o que contribuiu para que Isuzu se esquecesse dele. Então, ainda oculto, o rapaz resolveu esperar para ver o que acontecia. Visto que a situação estava se tornando perigosa, ele resolveu agir. Movimentando-se silenciosamente, ele se aproximou e quando o Trickster finalmente percebe sua presença, já era tarde demais.
Shinsei chega desferindo um forte Roundhouse Kick aéreo em sua face. O golpe joga o demônio para trás, mas não é o bastante para derrubá-lo. Apenas serviu para irritá-lo. Este avança em movimentos aleatórios, porém velozes, sempre agitando a espada em punho. Shinsei apenas observa a movimentação pacientemente. O Trickster salta rodopiando em direção ao rapaz que ao invés de se esquivar, avança em direção ao ataque, cruzando os braços e protegendo o rosto e o tronco, investindo e agarrando-o para empurrá-lo para trás.
Mesmo no ar, o Trickster agarra o corpo de Shinsei e o levanta, aproveitando a inércia do movimento, tenta aplicar-lhe um suplex. Contudo, Shinsei consegue se defender do golpe, aterrissando seus pés antes que sua cabeça atingisse o chão. Sem dar descanso, ele se aproveita que ainda está junto ao demônio, levanta-o e salta. Ele usa o teto para dar um impulso extra e aplicar um pilão giratório. A luva do Trickster infla e apara a queda, mas a pressão faz com que ela estoure, liberando ainda mais gás paralisante.
Isuzu observa a sequência de golpes atentamente, ela não podia se mover dali, apesar de sua enorme vontade de acabar com os dois lutadores. Talvez Shinsei achasse que não, mas ela havia percebido que ele havia investido contra o oni, não porque fosse vantajoso atacá-lo, mas porque se ele se esquivasse, o golpe iria pegá-la em cheio, mesmo que não fosse letal, causaria danos profundos. Isto apenas aumentava sua raiva. Eles eram inimigos, ele salvou ela por pena? Compaixão? Quem era ele para se sentir superior? Só porque ela estava incapacitada? Era algum tipo de provocação, ou ele esperava que ela ficasse agradecida e lhe devesse um favor? Esses pensamentos apenas ajudavam sua irritação a se aumentar. Mas por enquanto ela nada podia fazer a não ser observar a luta.
Na superfície, Seishou e Sakuya continuavam a se bater. Ou melhor, nenhum dos golpes atingia em cheio seu adversário. Nenhum soco ou chute ultrapassava a defesa alheia, nenhum agarrão era bem sucedido. Era um embate de alto nível e os lutadores estavam empatados.
- Parece que aquele bastardo do Shinsei conseguiu aliados fortes! – disse Seishou. – Eu não esperava encontrar alguém capaz de me enfrentar por tanto tempo! A turminha do Marvin realmente não tinha a menor chance contra você!
- Até parece que você tem. Se você não parar de falar baboseiras, eu vou arrancar essa sua máscara aí no alto desses seus dois metros, sua lacraia. – responde Sakuya.
- Pelo jeito você está com pressa. Não precisa se preocupar, eu vou acabar com você, mas não pretendo te matar aqui. Pelo contrário, vou me divertir torturando você, vou adorar destruir seu espírito. Eu irei fazer tudo que bem entender com você, aí quando não restar mais um pingo dessa sua determinação, só então é que você vai morrer!
- Esse seu xaveco só não é pior que esse seu bafo. Você fala demais, eu prefiro homens de ação efetiva, pelo jeito o Shinsei é mesmo mil vezes melhor que qualquer viadinho da OZ.
- MENCIONAR ESSE NOME É PEDIR PRA MORRER! – grita Seishou enfurecido. – Eu pretendia me divertir acabando com você aos poucos, mas agora eu só quero mesmo é esmagá-la em um só golpe. Quero ver a cara que você vai fazer! Eu estava guardando isto para o Grand Finale, mas acho que vou adiantar as coisas e usar agora!
Dito isto, o grandalhão aperta alguns botões no equipamento em seu peitoral. Um líquido avermelhado vindo do enorme frasco em suas costas começa a preencher os tubos em volta de seu corpo. Nenhuma mudança aparente ocorre com ele, mas não demora muito para que o acréscimo de energia seja notado por Sakuya.
Após um curto período, o ki de Seishou para de aumentar e ele solta uma fumaça vermelha pela abertura em sua máscara. Ele olha para sua adversária e em um instante desaparece e reaparece golpeando Sakuya com o cotovelo, jogando-a para o lado. Ele desaparece novamente e reaparece por trás da garota, chutando-a para o alto. A sequência de golpes continua, jogando-a de um lado para o outro, de cima a baixo, sem dar uma chance para ela se posicionar para revidar ou defender.
Seishou finalmente se cansa daquele pingue-pongue e a joga para o chão com um Double Axe Handle. O choque com o solo levanta bastante poeira, mas não havia como a garota se levantar depois de uma sucessão tão agressiva de golpes depois que ele aumentou seu poder com o potencializador que carrega nas costas.
A poeira abaixa, finalmente era possível ver o buraco causado pela queda. Mas nem sinal da garota. Teria ela se desintegrado com o impacto? Não era possível, o chão ficaria manchado com o sangue dela. Era mais provável que ela tivesse fugido, aproveitando-se da poeira.
Triunfante, o rapaz procura algum rastro da energia da garota e leva um susto quando percebe que ela estava de pé em suas costas. Quanto tempo se passou desde que ela chegou ali ele não podia saber, mas agora que ele havia notado sua presença, ele se perguntava como podia não ter percebido essa energia estupidamente grande bem ao seu lado?
- Já acabou com suas caricias? Se quiser me derrubar com isso, vai demorar muito e eu acho que você não tem muito tempo para perder. De qualquer forma, eu já me cansei desse joguinho. Vou acabar logo com você e me encontrar com o Shin. – diz Sakuya cuspindo um pouco de sangue acumulado em sua boca.
Eiji e Kojirou passavam por uma situação complicada, Akira e Ken atacavam em uma coordenação absurda. Qualquer brecha que um dos dois abrisse era absolutamente coberta pelo parceiro. Além disso, o trabalho em dupla não era exatamente o forte, apesar de serem irmãos.
Enquanto Kojirou tentava atacar de longe, Eiji usava ataques mais próximos com seu iô-iô e sua kodachi. De forma análoga, Akira utilizava suas linhas a uma certa distância enquanto Akira atacava de perto com suas garras. Porém a qualidade de sincronia destes era muito maior que a dos irmãos. Todo ataque de Kojirou era repelido por Akira, além disso, ele tinha dificuldades em encontrar uma brecha para atingi-lo sem prejudicar seu irmão. Por outro lado, a todo o momento surgiam fios que impediam Eiji de atacar apropriadamente sem entrar no caminho de Akira.
- Tsc, sai da frente, Eiji! – grita Kojirou tentando mirar em seus adversários.
- Você acha que é fácil assim? Já tá dificil eu me defender aqui e ainda tenho que abrir espaço para você atacar?
- Heh. Se vocês não conseguem nem trabalhar em equipe, fico imaginando como conseguiriam lutar em equipe. – ri Akira, ouvindo a discussão dos irmãos.
- Não enche o saco! – retruca Eiji investindo, mas sendo frustrado novamente por fios que o puxam para trás.
Ao mesmo tempo, perto dali, Kelly Chevalieur e Fukurou Suzaku passavam por uma situação semelhante. Tiffany Springfield desferia uma sequência alucinante de socos com suas manoplas e tudo que Kelly conseguia fazer é se proteger com sua espada bastarda. Além disso, Dokuro Aoyama havia criado um estreito corredor de ossos, impedindo que ela pudesse manuseá-la.
Kelly e Fukurou estavam sendo empurrados para trás, até que em certo ponto, Tiffany desfere um soco forte o suficiente para jogá-los para trás.
A dupla voa por muitos metros até atingirem Eiji que havia sido jogado para trás pelos fios de Akira segundos antes.
Agora os quatro guerreiros de OZ estavam cercados. Se antes a situação não estava boa para eles, agora que os dois grupos se juntaram, não havia de melhorar.
- Finalmente chegaram, achei que tinham se perdido no caminho! – diz Akira para as garotas.
- Eu estava me divertindo. Queria ver quanto tempo esses dois aí iam aguentar meus socos! Mas eu achei que a espadinha dessa aí não ia suportar muito mais. – responde Tiffany.
- Pois é, mas parece que o Shinsei está lutando com o Trickster. Acho melhor a gente se apressar.
- Por que não avisou logo, topetinho? Esses fios são só enfeite?
- D-desculpa, achei que vocês estavam ocupadas!
- Enfim, vamos terminar logo com esses aqui e ir lá ajudar o Shin!
Kelly não gostou nada da maneira como eles foram tratados como uma mera pedra no caminho deles. Mas antes que pudesse se preparar para investir contra os inimigos, ela nota que os quatro guerreiros de OZ haviam sido levantados do chão pelos fios de Akira amarrados em seus dois braços. Ao mesmo tempo, Ken é levantado por Tiffany que o arremessa contra eles. O rapaz ataca os quatro adversários de uma vez, com uma sequência de golpes rápidos que cortam até mesmo os fios de Akira e os nocauteiam. Antes que atinjam o chão, quatro caixões feitos de ossos prendem-nos, impedindo que eles pudessem se mover.
- Terminamos, inimigos inconscientes e presos! – diz Akira triunfante.
- Acabe de amarrá-los e venha logo, maninho! – apressa Dokuro.
- Perdão, irmã! – responde Akira sem jeito, se apressando para fazer o que lhe foi pedido.
De volta à superfície, a situação tinha se invertido. Apesar de ainda não ter sido atingido, Seishou não conseguia mais atacar Sakuya. Toda vez que ele tentava contra-atacar, ele se arriscava a levar um golpe ainda mais forte.
Ainda assim, a garota parecia não estar se esforçando muito. Como podia Seishou estar sendo completamente dominado? O fortificante que ele havia injetado devia transformá-lo em alguém que somente Nikaidou poderia derrotar. Seria a garota mais forte que seu chefe? Isto lhe era inconcebível, ele devia ter usado uma dose muito pequena do líquido. Se este era o caso, ele apenas deveria apenas aumentar a dose.
Antes que pudesse ativar novamente o botão para injetar mais de seu fortificante, Seishou é atingido por um golpe fulminante de sua adversária. E novamente, antes de atingir o solo, este último golpe inclusive destrói o galão em suas costas, esparramando todo o conteúdo pelo chão.
- Idiota, uma dose maior iria te matar. Não abuse de um poder além do que você pode controlar ou seu corpo não vai durar muito. – diz Sakuya para um Seishou perdendo a consciência. – Agora, vamos procurar os outros no metrô.
Lá em baixo, Shinsei continuava a combater o Trickster, ao mesmo tempo em que discretamente protegia Isuzu. A garota continuava paralisada, apesar de estar emanando toda sua energia em cima dos dois que lutavam à sua frente, nenhum dos dois parecia se importar.
Uma vez que o combate corpo-a-corpo de Shinsei era superior ao de Simon, este resolve que a melhor estratégia é abrir distância e atacar o inimigo de longe. Porém, ataques com seus explosivos não eram rápidos o suficiente para conseguir atingi-lo. Repentinamente, um soco atinge Shinsei. Porém, o Trickster não havia se aproximado um passo sequer.
O rapaz se recobra rapidamente do golpe, mas antes que pudesse analisar a situação, um novo golpe lhe atinge, desta vez, um chute na lateral de seu tronco. Não era possível que o inimigo tivesse se aproximado, mesmo que fosse mais rápido que a visão, a percepção espiritual seria capaz de reconhecer ao menos o rastro feito pela movimentação do oponente.
Na terceira investida, Shinsei pressente o golpe chegando e consegue se defender. Uma vez que o golpe não o atingiu em cheio, ele conseguiu entender aquilo que Isuzu observava desde que o primeiro golpe o acertara. Simon conseguia se esticar. Alguns indícios já apontavam para esta possibilidade. Apesar de não ter sido muito, alguns dos golpes que o oni havia utilizado durante o combate necessitavam de uma elasticidade acima do comum. Porém, se tratando de um oni isso não chamou a atenção dos humanos ali. Apenas quando ele precisou atacar de longe se esticando uma grande distância que puderam perceber. Como Isuzu observava de fora, foi mais fácil para ela entender o que acontecia. Porém, Shinsei estava sendo alvejado pelos golpes demorou um pouco mais para conseguir se proteger.
Uma vez que ele sabia como seu oponente o atacava, Shinsei conseguiu bolar uma contra-estratégia, em um instante ele se aproxima do Trickster. Se ele estava tentando obter vantagem utilizando técnicas de longa distância, Shinsei iria atrapalhar partindo para o combate à curta distância.
O Trickster tenta manter distância, esticando o braço para se puxar para longe, porém, Shinsei se movimenta mais rápido e surge no local onde o Trickster havia se puxado e o golpeia sem que ele pudesse se defender. Novamente, antes que o demônio atingisse o chão, Shinsei surge no ponto de aterrissagem e o golpeia, jogando-o em outra direção. Sucessivamente, um golpe atrás do outro é desferido sem abrir a possibilidade de se recobrar. Isuzu que observava de longe fica impressionada com a velocidade com que Shinsei se movimentava, ela mesma também conseguia utilizar a técnica para se movimentar daquela forma, o Shukuchi, porém esta é uma técnica que demandava grande concentração tanto para o impulso inicial quanto para o impacto de chegada. Um erro na saída e o movimento não teria a direção e a velocidade desejadas e qualquer desvio na chegada significava uma queda, no mínimo. No entanto, Shinsei executava a técnica sequencialmente com perfeição. Isuzu não poderia saber, mas esta técnica que Shinsei chamava de Shukuchi Rendan, era uma técnica extremamente refinada em que se concentra o ki nas pernas para protegê-las e utiliza o impacto da saída do golpe para impulsionar o próximo. O que Shinsei fazia agora com Simon era semelhante ao que Sakuya fazia com Seisou naquele mesmo instante. A diferença era que Sakuya executava o shukuchi sem precisar de um terreno sólido para se impulsionar. Ela projetava seu ki no ar para mudar de direção e se impulsionar.
Visto que ele não teria chance de se firmar para contra-atacar, Simon se infla como um balão para amortecer o impacto dos golpes e começa a liberar gás pelas mangas de seu paletó roxo para se movimentar no ar e impedir que Shinsei se aproximasse para atacar novamente. Porém, Shinsei saca a espada em suas costas e o golpe somente não corta Simon em dois por se tratar de uma espada sem fio, uma Mouken. Porém, isto também salvou tanto a ele próprio como à Isuzu, pois Simon havia se inflado com seu gás paralisante e se ele fosse cortado em dois, certamente explodiria, infestando todo o ambiente com esse gás. Porém, o golpe foi o suficiente para empurrar Simon para longe e estourasse liberando gás onde tanto Shinsei como Isuzu estavam fora do seu alcance.
A luta entre os dois já se prolongava por pelo menos meia hora. Com isto, tanto o grupo de Akira como Sakuya já haviam terminado seus combates e iam para onde Shinsei estava. Além disso, Isuzu já começava a recuperar seus movimentos, já conseguia mover os dedos das mãos.
Conforme a luta se prolongava, Simon ia ficando cada vez mais irritado, pois não conseguia atingir seu oponente e estava cada vez mais encurralado. Mesmo que o gás viesse de seu próprio ki misturado com outros gases, a quantidade que ele podia produzir durante um combate era limitada, pois ele tinha que dividir com a energia necessária para lutar. Shinsei por outro lado, só precisava se preocupar em utilizar o ki para fortalecer seu próprio corpo e continuar usando o Shukuchi para avançar.
Isuzu não conseguia conter sua raiva, já não era mais somente por causa de Simon que a paralisara e por Shinsei tê-la salvo posteriormente. A inutilidade de seus subordinados que mesmo depois de tanto tempo ainda não haviam chego ao local lhe causava mais raiva do que qualquer coisa. Como Wanizame podia lidar com um bando de inúteis incapazes de detectar um embate de forças tão grandes como aquelas? Mesmo que tivessem encontrado inimigos no caminho, bastava que eliminassem-nos. Uma mistura de raiva e animação lhe invadem a mente quando ela sente que havia mais gente se aproximando dali. Sua animação desaparece rapidamente quando ela percebe que não eram seus subordinados que vinham e sim desconhecidos.
Era o grupo de Akira, Dokuro, Tiffany e Ken que vinha sem um arranhão sequer, fato que só aumentou a raiva de Isuzu. Como era possível que ela tivesse comandados tão inúteis, quando ela mesma havia os escolhido era a pergunta que passava em sua mente.
Akira olha para a garota caída no chão, imóvel, mas emanando um poderoso ki. Sua irmã diz para ignorarem e se apressarem para ajudar Shinsei, porém Ken estava convicto de que o amigo não precisava de ajuda com urgência. Então decidiram pensar no que fazer com a inimiga incapacitada.
Tiffany não via graça nenhuma em atacar alguém que não pudesse revidar, Ken achava melhor não irritar mais a garota, pela energia que ela emanava. Akira achava melhor não deixar ela ali, mas Dokuro achava que ela sendo uma inimiga não era da conta deles o que iria acontecer se fosse abandonada.
A discussão serviu apenas para irritar ainda mais Isuzu, primeiro por ela estar à mercê de seus inimigos e segundo por eles estarem discutindo o que fazer com ela. Se eram inimigos, então deveriam logo acabar com ela. A garota não compreendia como alguém podia não saber algo tão trivial. Enquanto se perdia em seus próprios pensamentos, os quatro decidiram levá-la junto com eles e deixar a cargo de Shinsei o destino da líder de OZ.
Cada vez mais acuado, o Trickster se tornava mais e mais agressivo. Aparentemente a experiência no confinamento não lhe agradou nem um pouco e voltar a ser preso não estava nos planos do demônio.
Por outro lado, a irritação de seu oponente tornava mais fácil para Shinsei prever seus movimentos. Era apenas uma questão de tempo até que ele conseguisse parar o Trickster. O maior problema era como contê-lo. Entregar Simon para OZ não era uma opção, este oni tinha alguma coisa que eles precisavam e Shinsei não pretendia entregar sem descobrir o que era. Talvez fosse o gás paralisante, ou a técnica para tornar o corpo elástico. Mas essas coisas ainda pareciam pequenas dado todo o esquema que haviam preparado para transportá-lo. O procedimento padrão era deixar a cargo de quem captura o demônio todo o trajeto até o quartel, ou então a eliminação do indivíduo. Shinsei decide tentar extrair alguma informação de seu oponente.
- Me parece que você é muito importante para OZ, não é, Trickster?
- Hã? O que foi rapaz? Decidiu conversar agora, é? Se for assim, por que não me chama logo para jantar? Hi ha ha ha!
- Você já está para perder esta luta há algum tempo, eu só não acabei com você ainda porque tem uma coisa que me intriga.
- Ah, é mesmo? O rapazinho está com a pulga atrás da orelha – diz pausadamente. – E o que? Se eu responder você vai me deixar fugir? Talvez eu não queira fugir! Hi ha ha!
- Talvez, se você for um bom garoto. Eu duvido que você consiga se comportar, dada a natureza dos Tricksters. Mas se fosse possível eu preferia que você andasse na linha.
- Andar na linha? Hm! Boa ideia, da próxima vez eu irei bagunçar as linhas de metrô! Hi ha ha ha ha ha ha! Não, não, não, não. Mã ideia. Assim ia ficar dificil achar outro lugar pra me esconder. Eu poderia tentar o esgoto, mas nem eu sou louco de aguentar aquele cheiro! Hi ha ha!
- Entendi, acho que o seu segredo deve estar mais seguro aqui no metrô, tem bastante espaço pra esconder ele. Além de que deve ser fácil conseguir recursos também.
- Ah sim, bastante gente vai e vem. Dá pra pegar quase tudo que eu preciso. Dora que tem bastante ferramentas que... Espera aí, eu nunca disse que tinha um segredo!
- Ah, entendi, você está construindo algo e pelo jeito, a OZ quer esse algo. Mas o que seria isso? Bem, não importa, eu sei onde você está escondendo isso aí.
- Não vai me pegar no blefe de novo!
- Não é um blefe, nunca foi. Eu apenas confirmei que você esconde algo que a OZ deseja. Que você escondia algo e onde você escondia nunca foi segredo para mim. Eu andei rastreando seu ki há algum tempo e tem alguns pontos onde você concentrou muitos dos seus truques. E todos esses lugares têm uma coisa em comum. Levam para uma mesma estação abandonada.
A revelação de que Shinsei sabia de tudo aquilo deixou o Trickster desesperado. Este avançou com tudo para cima do rapaz que já estava preparado. Porém ele nem precisou se mover, por Sakuya chegara desferindo um único golpe, suficiente para fazer com que o demônio perdesse a consciência instantaneamente.
- Demorei, gatinho?
- Você sempre chega na hora certa, Sakuya.
- Muito bem, para onde iremos agora?
- Primeiro vamos amarrar este aqui. – diz apontando para Simon. – Em seguida, preciso dar um jeito na menina que foi afetada pelo gás paralisante.
- Não precisa. O gás perdeu o efeito assim que ele desmaiou. – diz Akira que chegava.
- Pois é, ela se mandou assim que recobrou os movimentos. – continua Dokuro. – Ela tentou atacar o pateta, mas ainda não estava totalmente recuperada.
- Melhor assim. – diz Shinsei. – Vamos, eu sei onde ele está guardando o que quer que seja.
Os seis jovens seguem, liderados por Shinsei. Não demora muito para chegarem em algo que parecia um estacionamento onde os trens paravam. Todos conseguem sentir o quanto o Trickster estava protegendo aquele local, provavelmente alguns onis haviam tentado passar por ali, pois haviam ossos espalhados por todo canto. Por todo lado dava para sentir o ki de Simon, obviamente eram armadilhas para evitar que indesejados conseguissem seguir em frente. Porém, Ken era um especialista em identificar e desativar armadilhas, era para isso que Shinsei havia trazido-o até ali. Era um processo demorado, ele precisava ser cuidadoso para não acionar as armadilhas por acidente. Passado algum tempo, ele retorna para o grupo, afirmando que havia um outro problema, havia um enorme buraco no caminho. Ao chegarem no local, a primeira coisa que Akira faz é tentar verificar a profundidade do fosso. Porém Shinsei afirma que aquilo era fruto do poder do Trickster e provavelmente não tinha fundo. Simon podia se esticar, então era óbvio como ele fazia para atravessar. O problema era eles conseguirem agora. Mesmo que Tiffany conseguisse arremessá-los, como eles fariam na volta? Os fios de Akira não iriam alcançar o outro lado. Sakuya poderia atravessar saltando, mas não carregando mais pessoas. Dokuro se lembrou então de que haviam ossos de onis espalhados por ali e disse que poderia construir uma ponte com eles. Não era o suficiente para toda a travessia, mas era o bastante para chegar perto o bastante para que todos conseguissem saltar. Dokuro e Akira trabalharam juntos para montar a ponte e mantê-la firme e logo todos estavam do outro lado. Já estavam bem próximos da estação abandonada que Shinsei havia mencionado.
Chegando lá, a primeira vista não parecia haver nada de incomum. Era uma estação abandonada, o ar empoeirado e pesado lembrava até um filme de terror. Não havia energia elétrica por ali, mas pensando bem eles estavam acostumados a lidar com seres sobrenaturais e uma das garotas controlava esqueletos. Após algum tempo procurando, em algo que parecia uma central de segurança, eles encontraram onde o Trickster provavelmente guardava seu segredo. A poeira próxima da porta havia sido mexida, e pela forma que criara, significava que alguém havia aberto aquela porta recentemente. Além disso, a própria porta tinha indícios de ter sido aberta.
Ken checa a porta para ver se não havia armadilhas ali, após uma minuciosa inspeção, ele conclui que estava tudo normal e abre a porta. A sala estava completamente escura, não havia presença alguma ali dentro. Ken foi o primeiro a entrar, Akira foi logo em seguida. Ambos desapareceram na escuridão, aparentemente a sala parecia estar vazia, apenas o som dos dois rapazes lá dentro andando. Ken logo retorna à porta e diz que a sala parece estar completamente vazia. Nem mesmo os equipamentos de segurança que estariam ali normalmente foram encontrados, mas a escuridão estava dificultando a investigação. Tiffany então toma a frente e aciona os cristais em suas manoplas que começam a brilhar e iluminam a sala parcialmente.
- Ei! Se você podia fazer isso, por que não fez logo? – pergunta Akira de dentro da sala
- Ah, vocês entraram com tanta pressa e ninguém pediu.
Realmente, a sala estava completamente vazia. Estava tão vazia que nem mesmo sujeira havia ali. A sala estava completamente limpa. Dokuro e Sakuya entram na sala para tentar achar algo fora do comum, mas nem elas nem Akira encontram nada. Eles fecham a porta e voltam à procurar pela estação abandonada sem sucesso. Em lugar algum haviam pistas de movimentação recente. Shinsei diz então que podiam deixar as coisas como estavam, mesmo que OZ conseguisse chegar ali, também não iriam encontrar nada.
Eles então retornam pelo mesmo caminho que fizeram e quando chegam aos túneis novamente, todos os soldados da OZ haviam desaparecido. Provavelmente Isuzu havia acordado-os e bateram em retirada uma vez que o Trickster já havia sido capturado. Uma vez na superfície, eles precisavam agora decidir o que fazer com Simon, já que se deixassem-no por aí, a OZ iria tentar capturá-lo novamente e havia também os problemas que ele mesmo poderia causar.
Sakuya sugere deixarem o oni à cargo de Reiko, a dona do 13th Cat café, pois ela sabia como lidar com demônios de todos os tipos. Os rapazes concordam com a sugestão e o grupo se separa, Sakuya e Tiffany seguem em direção ao café, Dokuro e Akira para casa e Shinsei e Ken resolvem investigar a estação novamente para se certificarem de que estava tudo certo.
Os metrôs já estavam bem mais vazios naquele horário, Ken e Shinsei chegaram sem grandes dificuldades aos túneis e tudo estava do mesmo jeito que haviam deixado, atravessaram a ponte de ossos de Dokuro e chegaram novamente à velha estação abandonada. Shinsei ainda tinha a sensação de que aquela sala vazia tinha alguma coisa escondida. Porém, ao chegarem à sala de segurança, encontram a porta aberta. Ao notarem isto, se apressam e adentram na sala, tudo parecia igual, exceto por um fino feixe de luz no chão. Ao se aproximarem, notam que uma das peças do chão era móvel, mas estava bem presa. Eles procuram por algum interruptor ou chave que pudesse abrir aquilo, até que Ken fecha a porta por onde entraram para procurar atrás dela. Assim que a porta se fecha, o alçapão se abre. Era apenas uma peça que se movia, obviamente o Trickster conseguia passar por ali por ter um corpo elástico. Nenhum dos dois conseguiria passar por ali sem quebrar alguns ossos, além disso, era bastante arriscado tentar quebrar o chão para abrir uma passagem, além do risco dos destroços danificarem algo na sala abaixo, Ken advertiu que provavelmente haveria algum tipo de segurança naquela sala. Eles decidem remover mais alguns pedaços do chão e ir abrindo caminho com calma. Após algum tempo eles conseguem descer o bastante para poderem derrubar o resto para o andar inferior.
Nesta sala estavam os equipamentos de segurança desmontados diversas ferramentas e muito material espalhado. Além disso, diversos projetos de máquinas estavam fixos nas paredes. Eles conseguiram identificar diversas armas, algumas das quais Shinsei enfrentara naquele dia, mas havia também máquinas que eles não conseguiam identificar, além de outras mirabolantes como uma máquina do tempo e outra transdimensional.
Por via das dúvidas, eles decidem recolher todas. Eles recolhem também diversas fórmulas químicas e mais alguns rabiscos que pareciam inúteis, mas Shinsei achou melhor levarem tudo. Jogaram em uma mala que encontraram ali mesmo e levaram para o andar de cima. Cobriram o buraco que fizeram como puderam e saíram de volta pelo mesmo caminho mais uma vez.
De volta à cidade, Shinsei resolve levar a mala com o que recolheram para o 13th Cat e Ken-ichi prefere voltar para casa. Eles se despedem e seguem seus caminhos.
Chegando ao café, já passava das onze horas, Sakuya e Tiffany vêem Shinsei chegando com a mala, este por sua vez, nota que Simon estava ali desfalecido em uma das cadeiras ainda. Aparentemente Reiko havia saído, mas com certeza iria voltar logo, pois já estava quase na hora de fechar o estabelecimento. Shinsei aproveita o tempo até a volta de Reiko para mostrar os projetos para Tiffany. A garota toma alguns e começa a estudá-los com atenção. Eram bastante elaborados e pareciam funcionais, Shinsei mostrou alguns dos aparatos que pareciam não ter uso algum para ela. Realmente, aquelas máquinas provavelmente funcionariam, mas nenhuma parecia ter uso prático algum. Coisas como um aparato para encher e esvaziar bexigas sistematicamente ou um descartador de chás com gosto ruim. Por outro lado, ela também não acreditava que coisas como uma máquina do tempo fosse funcionar, talvez fosse apenas um aparelho inútil no qual você sentasse e visse o tempo passar enquanto você faz absolutamente nada.
Conforme o tempo foi passando, Sakuya foi deixando que os funcionários do café fossem embora, ficando apenas ela, Yumi, Tiffany e Shinsei. Era estranho que Reiko demorasse tanto para voltar. Já passava da meia-noite quando um rapaz entra pela porta, uma presença bastante peculiar, especialmente por seu nariz bastante longo. Levemente alto, magro e vestia um macacão de mecânico e usava uma boina xadrez.
Yumi começa a falar para avisá-lo que já haviam encerrado o expediente, porém Sakuya a impede, perguntando o que ele desejava. O estranho se apresenta como Naraku Uramatsu, afirmava ser um velho conhecido de Reiko. Yumi afirma que a dona não se encontrava, mas ele diz estar ciente. Ele pede um sanduíche e uma cerveja, Sakuya apressa Yumi para servi-lo. Após terminar sua refeição, Naraku diz que Reiko pediu-lhe para que entregasse a chave às funcionarias que deveriam fechar a loja. Após deixar a chave em cima do balcão, ele se despede e se retira, porém, Sakuya entra em seu caminho. Ambos se encaram por um instante.
- Esqueci algo, senhorita? – diz Naraku.
- Sim. Mesmo se tratando de um velho amigo da chefa, nós não podemos deixá-lo comer de graça. – responde Sakuya calmamente.
- Ora essa. E eu que pensei que estava fazendo um favor. Achei que esta seria a retribuição adequada.
- Pois então que trate disto quando a Reiko estiver presente, sem a aprovação dela, nós não podemos fazer nada. Mas se ela disser que não há problemas, o senhor pode pedir até mesmo a melhor das nossas refeições.
Mais alguns instantes se passam até que Naraku enfia a mão no bolso e tira algum dinheiro de lá e põe no balcão, encarando Yumi que observava a situação do outro lado.
- Deseja algo mais, senhor? – diz a garota.
- Sim, meu troco. O sanduíche e a cerveja dão um total de dezessete e vinte, eu coloquei uma nota de vinte aí.
Yumi se apressa e coloca o troco no balcão. Naraku recolhe o troco e se retira, dizendo que iria retornar quando Reiko estivesse presente. Alguns instantes após a porta se fechar atrás do inesperado cliente, Sakuya fala para Yumi limpar a louça que tinha sido suja enquanto ela fechava o caixa. Já que não podiam contar com Reiko para lidar com Simon, Shinsei sugere colocá-lo em uma jaula. Tiffany pergunta se isso não traria problemas com a polícia se fossem descobertos e a resposta é que provavelmente sim, mas afinal, eles já andaram na rua com armas bastante chamativas e ninguém falou nada. Além disso, Simon era um procurado. Bastava agora decidir onde conseguir uma jaula para confiná-lo.
- Bem, eu consigo montar uma rapidinho, mas não quero ficar sozinha com isso aí não! – diz Tiffany.
- Se esse é o problema, eu fico de vigia, afinal a ideia foi minha. – diz Shinsei.
- Peraí! – diz Sakuya. – deixar a Tiffany com você e isso aí é o dobro de preocupações!
- Como assim?
- Quem disse que você não vai atacar a pobrezinha durante a noite?
- Epa! Eu não sou nenhum tarado!
- Sem essa, se você for, eu também vou.
- Fala sério, você só queria vir junto.
- Eu não, só acho que não é seguro deixar a Tiffany com você.
- E por que não?
- Eu já disse.
- He he! Mas eu não ia ligar não.
- Que história é essa Tiffa?
- Ora, até que ele não é de se jogar fora, tudo bem que não é exatamente o tipo que eu escolheria para ser meu namorado, mas se for só de vez em quando.
- Que papo é esse agora? – diz Shinsei.
- Vamos logo, todo mundo pra minha casa. Agora não tem mais volta, vem todo mundo!
- Como assim, eu também? – diz Yumi.
- Com certeza! Hoje foi um dia agitado e eu estou a mil. Vamos beber a noite toda!
- OK. Vamos logo.
E com isso, o grupo segue carregando Simon ainda desacordado. Apesar do clima de descontração, tanto Shinsei como Sakuya não deixaram de pensar no que teria acontecido a Reiko por um instante sequer. E a situação no dia seguinte não iria melhorar. O que aconteceu com a dona do 13th Cat Café? Quem era o misterioso Naraku? Isso você fica sabendo no próximo capítulo!
Música de encerramento: Black Jack by Janne da Arc.
