Disclaimer: Harry Potter, personagens e lugares são propriedade de J.K. Rowling, Warner Bros., Scholastic, Bloomsbury e Rocco. Esta história não tem fins lucrativos. Plágio é crime. Não copie sem autorização do autor.

Título: How to Save a Life
Autor: Megalomaniac&co.
Gênero: Angst \ Romace
Classificação: M
Spoilers: 7
Observação: In-Hogwarts / Pós-Hogwarts
Projeto: Continue Plotado DHr I

Capa: (tirem os espaços) http : / / i161 . photobucket . com / albums / t233 / DarkAngelSly / how – to . jpg


How to Save a Life

a fic by megalomaniac&co

Capítulo 13

Ouvia-se riso pela casa enorme, o piso de mármore fazendo um reflexo claro nas paredes com as centenas de fadinhas vivas esvoaçando ao redor dos convidados e a árvore gigantesca a um canto – cheia de presentes a toda volta – completava o cenário de livro de conto de fadas.

Hermione queria encontrar um lugar, se enterrar e nunca mais sair.

Desde o exato instante em que chegara à casa, Hugo havia desaparecido com Albus e Scorpius, e ela podia vê-los, às vezes, passando de uma sala à outra, brincando, conversando. Sorrisos semelhantes. Os cabelos castanhos de Hugo caindo nos olhos dele exatamente da mesma maneira que os de Scorpius caíam. E os olhos. Os mesmos exatos olhos. Ela tinha que fechar os olhos e respirar fundo, enquanto Harry lançava a ela um olhar de compreensão e um meio sorriso, enquanto Ginny tentava – com extrema dificuldade – ser educada com Astoria, enquanto conversavam sobre tapeçarias e serviços de mesa.

Cedo demais Draco apareceu, chamando todos para a sala de jantar, sem lançar um segundo olhar para Hermione, pelo que ela estava grata, não conseguiria lidar com Draco agora.

- Onde está Weasley, Potter? Pensei que ele viria também. - Draco disse, numa voz agradável, enquanto Harry observava as crianças – seu filho e seu sobrinho e o meio irmão do seu sobrinho falando baixo e dando risadinhas a algumas cadeiras dali.

- Ele se atrasou. Deve ter acontecido alguma coisa no escritório, eu acredito... Ele jurou que estaria aqui assim que fosse possível.

- Hum. - foi a resposta eloqüente e desinteressada de Draco.

O almoço seguiu em um silêncio que era ocasionalmente quebrado pela conversa leve de Ginny e Astoria e as risadas das crianças, e Hermione não conseguia parar de pensar no quão surreal era aquela situação toda.

E onde diabos estava Ron?

-x-

Os pés batiam no chão com força quanto mais rápido ele corria. Há muito tempo não tinha essa sensação de medo. Aquele temor de morte cuja recordação estava na época da Guerra contra Voldemort.

Alguns dos seguidores malucos ainda estavam por aí, mas Ronald Weasley nunca chegou a acreditar que seria um alvo em potencial. Nunca se imaginou sozinho, sem Harry ou Hermione, fugindo de Comensais como naquele momento.

Uma estranha chamada no trabalho. Nunca mais havia pensado em armadilhas, o conforto e a tranqüilidade do fim da guerra podiam impedi-lo de lembrar. Voltar à rotina tinha sido tão natural, que não pensara em nada muito perigoso, mesmo naquela área escura de Londres.

Mas a respiração alta e o coração disparado eram a prova. Pensou em aparatar, mas jamais teria a concentração necessária para isso naquele momento, então continuou correndo. E podia escutá-los correndo também.

Ron Weasley nunca se sentiu tão assustado e sozinho.

Os passos dos Comensais ficavam cada vez mais altos. Suas risadas ficavam cada vez mais próximas. E eles riam de um modo que lembrava Bellatrix Lestrange.

Um feitiço passou perto de sua orelha esquerda. Aquela luz verde tão conhecida.

E outro feitiço passou sobre sua cabeça. O peito doía no esforço da corrida, os pulmões estavam pegando fogo e sua cabeça latejava.

Conseguiu sentir perfeitamente quando o feitiço atingiu-lhe o meio das costas, empurrando-o.

Sentiu o asfalto arrancar a pele do rosto. O sangue quente na bochecha, mas não conseguia se mover. Feitiço simples, do primeiro ano. Lembrou-se da primeira vez que vira Hermione executá-lo. Nessas horas parece que as pessoas se lembram de coisas antigas. E era assim que iria morrer.

Escutou os passos e vários braços o viraram. Máscaras, capuzes, Marcas Negras.

"Crucius."

Dor.

E o seu fim.

-x-

Não.

Os soluços, as lágrimas, os gritos.

Não.

As flores, os cheiros de terra, os cheiros de sal.

Ela não ia chorar.

Ronald Weasley não morreu.

A sua vida não desmoronou.

E seria tão mais fácil se ela acreditasse nisso.

Harry olhava para ela com pena, com raiva, com sede de justiça.

Ela não ia comprar outra guerra. Hermione estava farta de lutar. Tinha perdido todas as suas forças quando a guerra acabou.

Hugo também não chorava. Olhava o caixão, as flores, o tom mórbido de preto em todo o lugar a contrastar com o vermelho do cabelo da sua antiga família. Ela seria sempre Weasley, mas apenas por Ron. Nunca por mais ninguém.

Viu Draco, ele prestou-lhe as suas condolências e Astoria também. Viu vida nos olhos de Draco, morte nos de Astoria e perguntou-se porque é que isso ainda lhe interessava.

Deixou Draco ir embora, Harry ir embora e Molly ir embora com os seus filhos.

Permaneceu perto da campa de Ron por horas incontáveis, esperando por algo que ela não sabia o que era. Algo que chegou.

- Precisamos conversar - uma voz familiar disse.

Virou e encarou bem o cinza. A única cor que não queria ver, a única cor que não queria sentir. Droga, ela estava sofrendo, será que ele não via isso?

-O que você quer, Malfoy? Apresentar condolências? Jogar na minha cara que o pai dos meus filhos morreu? – queria ela apresentar uma voz firme, áspera, porém só saiu frieza. – Malfoy, eu não quero brigar, está bem?

Deu dois passos em direção a porta. Não, não agüentaria outra conversa, outra discussão, outro erro. Sua vida até lá fora muito conturbada, cheia de decisões erradas e segredos. Sofrera por ver seu filho, filho de Ron, nem ao menos chorar pela morte do pai.

Hermione virou para trás. Viu o homem, que conhecia desde garoto, olhá-la como nunca a olhou: tinha pena no seu olhar. Draco nunca sentira pena por ela.

Talvez fosse apenas ela que estaria confundindo os sentimentos dele.

Uma lágrima escapou pelos seus olhos e escorregou pela face dela. Um filme passou pela sua cabeça, que iniciava nos tempos da escola, no amor repentino que um sentia pelo outro, no nascimento de Hugo, e chegava, tristemente, aos tempos atuais, que deveria ser tudo diferente.

Ron não merecia conviver com a dor de uma traição, com a dor de saber que seu filho não era seu. Ron não merecia sofrer com nada, a única merecedora de sofrimento era ela, com toda sua verdade errada, a vida errada que ela formou.

Recuou e consolou-se nos braços de Draco. O loiro nada disse, apenas sentia os soluços e as lágrimas. Sabia que ela guardara muito mais do que qualquer um podia suportar, e também sabia que ela estava precisando dele. E, dessa vez, ele não fugiria.

Porque, como estavam começando a aprender, conversar às vezes não era o suficiente.

-x-

Abraços e beijos são demonstrações de afeto. Lágrimas, de tristeza. Risos, de alegria ou escárnio. E olhares podem englobar tudo isso e muito mais. Abraçados, sem se beijar, sem se olhar, sem chorar, sem rir.

Era mais fácil se esconder por detrás de mentiras. Era simples fitar Ron com a mesma expressão lavada, sorrir-lhe nos momentos de afeto e abraçá-lo como se fosse um ursinho de pelúcia. Bonito para se ver e se ter. Mas que uma hora simplesmente cansamos. E temos dó de nos livrarmos, então o deixamos como um enfeite, porque penduricalhos escondem a feiura ou simplicidade de um local.

De uma alma.

Veio à sua mente que era uma árvore de natal. Um pinheiro. Simples e sem graça, com cores sóbrias de uma floresta gelada. E Ron eram as bolas coloridas que colocava sobre os galhos, as luzes que piscavam, os doces, ao lado do boneco de neve gigante. Nunca se pensou com tanta clareza, com tanta falta de tempero. E era assim que se sentia.

Abraçado a um corpo mais frio, menos conhecido e mais racional, Malfoy não se ocupava em dizer-lhe palavras bonitas, limpar o rosto com os polegares e dar-lhe um beijo na testa, com palavras desajeitadas para dizer-lhe que estava tudo bem. Era o tipo de conforto que não sabia nem queria aprender a oferecer, porque era caloroso demais para ele.

"Chorar não adianta" ou "Hermione" simplesmente combinava mais.

- Hermione.

Aquela oitava mais baixa, mais rouca, que fazia o seu corpo estremecer tantas e tantas vezes, que parecia um comando de uma marionete qualquer. Afungentou-se mais no peito vestido de preto, como todo o conjunto que o compunha.

De repente, o cenário, tudo ficou para trás. Nem mesmo o rosto de Hugo sério, sem uma lágrima sequer na sua feição. Somente os lábios finos de Draco que tomavam os seus, o abraço que se tornava gradualmente mais quente, até que o calor fosse insuportável. Era a maneira sensual que o seu lábio inferior a provocava com uma mordida ou a carícia irresistível da língua que invadia sua boca de maneira a dominá-la, a possuí-la.

Podia chorar todas as asperezas de sua vida para apenas ter aquele beijo como um consolo. E ver-se diante de uma cama grande, de lençóis claros e caros, para aninhar suas costas, com a mesma frieza que esquentava devagar, como os beijos que lhe desciam o pescoço e ombros. Não podia mais pensar em voltar atrás.

Era certo que conversas não resolviam, muito menos atitudes impensadas. Chorar não traria Ron de volta, nem realizaria seu desejo tão íntimo de que Hugo fosse dele, não deste. E por todos os motivos do mundo, enquanto observava as formas claras se despirem do negro e apreciar o contraste de emoções, seu mundo se preencheu do cinza.

Abandonou o azul, o vermelho e as sardas para trás e abraçou a impassividade e quase monotonia de uma escala que do preto ao branco só tinha uma gradação. E aos poucos, preenchia-se daquela ausência de cor e quase chorou por perceber que nunca a devia ter abandonado. Nunca.

E depois, ao olhar o corpo despido e as linhas relaxadas do seu rosto enquanto dormia, os olhos cinzentos que podiam ter qualquer cor, aproximou-se do seu ombro até encostar a bochecha. Por ora, não queria pensar que estava destruindo mais uma família. Não combinava com ela o perfil de mulher frágil e destruidora de lares.

Pôde fechar os olhos, sem pensar na expressão de Astoria Greengrass-Malfoy adentrando o quarto, porque ela ficaria um mês na França com o filho Scorpius. E levou Hugo junto. Poderia fantasiar que acordaria ao lado de Draco e fariam amor de novo, de novo e de novo, até que se esquecessem do mundo de fora. Podia abraçar suas utopias na sua mente, porque transava com Malfoy da maneira mais suja que existia, acobertada por uma infidelidade que perdurava quase vinte anos.

Só tinha a certeza de que isso aconteceria. E não seria amor. Mas seria de novo. De novo.

E de novo.

Fechou os olhos e apagou as cores. Até mesmo o cinza. E dormiu.

-x-

Hermione não queria abrir os olhos e descobrir que tudo estava indo embora. Astoria chegaria hoje com Hugo e Scorpius e Malfoy iria embora, novamente.

Ela se aconchegou mais perto dele, absorvendo o perfume que exalava de seus cabelos.

- Vou dar entrada no divórcio.

A morena abriu os olhos com o susto, encarando as íris cinzas com espanto.

- Do... do que você está falando?

Draco deitou de costas na cama, encarando o teto.

- Meu casamento já estava acabado a muito tempo. Desde que eu descobri que Hugo era meu filho. Astoria tinha percebido também, o que apenas fez com que nossa relação ficasse ainda mais desgastada. A viagem à França foi só uma forma dela se preparar para o que iria acontecer - ele voltou o olhar para ela novamente. - Ela sabia que isso ia acontecer desde o enterro do Weasley.

Hermione assentiu brevemente, ainda sem conseguir dizer nada. Os dois ficaram se encarando por muito tempo antes de levantar e se arrumarem para sair.


R E V I E W !