Capítulo 13 – 6° Ano – Parte 3 de 3

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Janeiro de 2023. 1ª semana.

Harry observou disfarçadamente o filho enquanto ele comia. Ou melhor, empurrava a comida garganta abaixo. Albus aparentemente tinha herdado do pai o estômago temperamental. Seu apetite tinha ligação direta com seu humor e Albus parecia ansioso. Não apenas por não ter comido quase nada, mas pelo fato de estar manuseando uma corrente que usava no pescoço depois de finalmente ter desistido da comida.

Harry não se lembrava do filho usar nenhuma corrente no pescoço antes, mas não teve tempo de perguntar, pois Ginny perguntou antes.

"O que é isso, Al?" ela perguntou enquanto retirava os pratos da mesa para trazer a sobremesa.

"Hm?" o olhar de Albus se focou em sua mãe.

"Essa corrente no seu pescoço" Ginny continuou desconfiada. "Eu não me lembro de ter comprado".

"Ah! Eu... hmm... ganhei de Scorpius" Albus lançou um olhar de esguelha para Lily, que segurou a risada.

"Deixe-me ver?" Giny tirou um guardanapo do ombro e se inclinou para examinar de perto. Albus puxou a corrente de dentro do suéter revelando uma jóia antiga, um medalhão de bronze, que fez o coração de Harry falhar uma batida.

Harry se inclinou também para examinar o objeto junto da esposa. A jóia era bastante rústica e a corrente era tão comprida que provavelmente ficava na altura do estômago de Albus. Ginny analisou os entalhes antes de abrir e Harry suspirou aliviado quando o medalhão se abriu facilmente, revelando um espelho do lado de dentro.

Harry se sentiu idiota por ter suspeitado do presente, mas era parecido demais com uma das Horcrux de Riddle para que ele não fizesse a associação.

"Um espelho? Não entendi!" Ginny encarou o filho.

"Não é um medalhão. É um Espelho de Duas Faces" Albus recolheu o medalhão e fechou-o, voltando a enfiá-lo debaixo do suéter e estremecendo levemente com a frieza do metal.

"Um o quê?" James, que estivera cochichando alguma coisa com Shannon, finalmente se voltou para ele. "Que invejoso!"

Ginny trocou um olhar com Harry, as sobrancelhas levantadas em espanto.

"Posso ver?" Shannon falou se aproximando.

Albus retirou o medalhão do suéter mais uma vez, embora relutante.

"Wow! Deve ter custado uma fortuna!" James exclamou.

"Se ele comprou onde eu penso que comprou, então foi uma fortuna e meia" Shannon exclamou. "Eu me lembro de ter visto um desses na Dervixes e Bangue. Só não sei se é esse. Mas é um artefato bastante raro e, obviamente, muito caro".

"Um presente e tanto, hein?" James assobiou.

"Um presente digno de um namorado" Lily falou e todos olharam para Albus, que ficou da cor da toalha de mesa - bordô. Ginny havia paralisado com o pudim a centímetros da mesa.

"Lily!" Albus exclamou ultrajado.

"Ora Albus, amanhã nós estaremos de volta a Hogwarts e você ainda não contou para ninguém!" Lily deu de ombros. "Eu imaginei que você estivesse precisando de um empurrãozinho".

Albus estreitou os olhos para a irmã.

"Ah, que fofo!" Shannon falou animada. "Finalmente!"

"É verdade, Albus?" Ginny finalmente tinha pousado o pudim na mesa e foi para o lado do filho do meio.

"Não! Nós não somos namorados" Albus falou veementemente.

"Vai me dizer agora que vocês não estavam se beijando. Eu sei o que vi, Al" Lily encarou os demais ocupantes da mesa. "E vocês? Vão me dizer que nunca desconfiaram?"

"Foi só um beijo!" Albus explicou e aquilo não parecia fazer muito sentido nem para ele. "Na verdade, não foi só um, mas... Não é isso que eu queria dizer, eu..."

"É exatamente o que eu queria dizer" Lily exultou. "Vocês estão juntos!"

Albus engoliu em seco.

"Albus, olhe ao redor" Lily falou abaixando a voz. "Ninguém está zangado. Do que você tem medo?"

Albus olhou ao redor, como a irmã pedira. James tinha as sobrancelhas levantadas, mas sorria de lado.

"Scorpius é um loiro esnobe e metido, mas até que não é de todo ruim..." James admitiu. "E ele parece se importar bastante com você, Al".

Os olhos de Albus encontraram os de Harry cheios de temerosa expectativa. Harry, que estivera observando tudo em silêncio, sorriu para o filho e levantou as mãos em rendição.

"Eu não tenho nada contra o garoto" tranqüilizou. "E James tem razão. Ele realmente se importa com você".

Ginny se abaixou para abraçar o filho.

"Está tudo bem, querido. Você não precisava ter medo de nos contar".

"Mas eu... nós não...!" Albus resmungou se livrando dos braços da mãe e se levantando. "Não importa, vocês não vão me dar ouvidos mesmo!" ele falou antes de sair emburrado.

"Albus!" Ginny chamou, mas seus passos apressados já ecoavam escada acima.

"Depois eu é que sou a melodramática" Lily falou, cruzando os braços.

Harry suspirou e lançou um último olhar cobiçoso para o pudim. A sobremesa teria que esperar.

"Eu vou falar com Albus" Harry informou e saiu.

Harry entrou no quarto do filho depois de bater suavemente. Albus estava encolhido no canto da cama com Lynx aninhado em seu colo, como costumava fazer quando era menor. O efeito, entretanto, não era mais o mesmo, pois Albus já não era mais nenhum garotinho e ocupava boa parte da cama, mesmo encolhido.

"Qual é o problema, Al?" Harry perguntou suavemente.

"Eu não sei..." Albus admitiu depois de alguns longos segundos. "Estou um pouco confuso, eu acho. Todo mundo parece achar tão natural que Scorpius e eu..." ele suspirou. "Mas para mim é tudo tão novo!"

Harry se sentou ao lado do filho ajeitando os óculos no rosto.

"Mas é um novo bom ou ruim?" Harry perguntou.

Albus sorriu timidamente.

"É bom... é muito bom".

"Então você se acostuma" Harry garantiu. "As pessoas se acostumam até com as coisas ruins! Quanto mais com as boas!"

"Mas... e se as coisas ficarem... estranhas?" Albus torceu o nariz.

"Eu não consigo ver como" Harry falou. "Do que você tem medo, Al? De verdade? Pense nisso primeiro antes de responder".

Albus ficou em silêncio por algum tempo, alisando o pêlo se seu amasso. Harry já estava se perguntando se não devia deixar o filho a sós com seus pensamentos quando Albus falou.

"Eu tenho medo de tudo mudar entre nós. Tenho medo de acabar estragando tudo e perder os dois: amigo e namorado".

"Bom, mas é um risco que você vai ter que correr. Ou você prefere desistir antes mesmo de tentar?" Harry perguntou. "Mesmo se você preferir não levar isso adiante desde já, não vai mais ser a mesma coisa. Agora você já sabe como Scorpius se sente a seu respeito. E você sabe também que corresponde aos sentimentos dele. Ou eu estou enganado? Você gosta dele, não gosta?"

"Muito" Albus mordeu o lábio inferior.

"Então já está tudo mudado, porque vocês já não são mais os mesmos. Se você gosta dele, então faça dar certo!"

Albus baixou os olhos e não disse mais nada. Harry passou a mão pelos cabelos do filho carinhosamente antes de se levantar e sair. Albus tinha ainda muita coisa para pensar. E, infelizmente, Harry não podia tomar decisões pelo filho.

Harry meneou a cabeça para si mesmo. Quem iria adivinhar que ele daria aquele tipo de conselho ao filho? Perguntou-se como Draco estaria encarando tudo aquilo.

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Albus ficou imóvel por algum tempo, depois que o pai saiu. Sua mãe entrou no quarto logo em seguida e deixou um pedaço de pudim na escrivaninha, dando um beijo em sua bochecha ao sair. Até mesmo Lynx pareceu se cansar de sua imobilidade, indo se enroscar no pé da cama. Albus perdeu a noção do tempo. A casa já estava silenciosa quando ele finalmente se levantou, caminhando até a escrivaninha.

Sentou-se na cadeira almofadada e abriu uma gaveta. De dentro tirou o cartão de Natal que tinha ganhado junto com o presente de Scorpius e releu.

'Feliz Natal!

Eu disse que você não se livraria de mim tão facilmente, não disse? Agora você pode me carregar para onde quiser. Mas também não pode se esconder de mim.

Hey, você não precisa me chamar, se não quiser falar ainda. Basta saber que eu vou estar ao seu alcance quando quiser.

Sempre seu,

Scorpius.

P.S.: Sim, foi meu pai quem pagou a conta, mas lembre-se de que ele é só o intermediador.'

Albus sorriu e olhou para o pudim, pensativo. Parecia apetitoso. Deu uma garfada antes de tirar o medalhão no bolso, limpando a boca na manga do suéter e se certificando de que não havia nenhum pedaço de pudim nos dentes antes de chamar.

"Scorpie?"

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Draco interrompeu o que estava falando com Ruffian e olhou ao redor. Localizou o filho sentado numa poltrona em frente ao primo tendo um tabuleiro de xadrez entre eles. Draco observou quando Scorpius tateou a corrente ao redor do pescoço e puxou-a, analisando o medalhão antes de pedir licença a Ethan e sair.

"O que foi aquilo?" Ethan perguntou para Astoria, que também tinha interrompido sua conversa com a irmã para observar o filho com um sorrisinho.

"Ah, é um Espelho de Duas Folhas" Astoria explicou, orgulhosa. "Draco comprou para Scorpius poder conversar com seu amiguinho Albus Potter" ela escondeu o sorriso levando a xícara de chá aos lábios.

Draco teve a vaga consciência de que o pai de Ethan continuava a falar sem sequer perceber que a atenção de Draco estava voltada para o outro canto da sala de estar. Ethan lançava um olhar enciumado na direção do corredor por onde Scorpius havia escapado.

"Para ele poder conversar com o namorado, você quis dizer, não é titia?" Ethan perguntou lançando um olhar presunçoso para a Astoria, que o encarou divertida.

Draco relanceou um olhar na direção de Lucius, que parecia distraído em sua leitura. Felizmente Narcissa já havia se recolhido alegando dor de cabeça. Draco pensou no que poderia fazer para desviar o rumo da conversa, mas qualquer coisa que fizesse, além de não calar a boca do garoto, chamaria a atenção de Lucius.

"Ethan!" Daphne repreendeu o filho, apesar de não parecer nada zangada. "Que falta de educação com a sua tia!"

"Imagina Daphne!" Astoria dispensou sua preocupação. "Scorpius acha que nós não sabemos de seu namorinho, mas eu já desconfiava há muito tempo".

Ethan pareceu levemente desapontado, mas continuou mesmo assim, o lábio superior se crispando em desdém.

"Eles pensam que são discretos, mas todo mundo comenta em Hogwarts. No começo, eu achava que era fofoca, mas então eu vi com meus próprios olhos os dois se agarrando num corredor".

Astoria sorriu novamente e Daphne lhe lançou um olhar invejoso, como se ela também desejasse que seu filho fosse gay e se agarrasse com outro garoto nos corredores de Hogwarts.

"Todo mundo já sabia disso por aqui também?" Ethan insistiu veemente. "Eles estavam se agarrando! No meio do corredor, para quem quisesse ver! Eu não esperava que meu primo fosse tão sem escrúpulos. Pensava que os Malfoy, de todas as famílias, cuidassem melhor de sua imagem de família conservadora dos bons costumes".

"Já basta Ethan" Daphne falou mais severamente e mudou de assunto. "Então, Astoria, me diga aonde conseguiu aquele vestido que usou no Natal?"

Draco respirou aliviado. Porém o fez cedo demais.

"Garoto Ruffian?" Lucius havia abaixado o livro e indicou o acento ao seu lado para Ethan, que hesitou parecendo petrificado por um momento antes de finalmente se mover em direção ao patriarca da família que ele acabara de criticar.

As narinas de Draco se alargaram quando os olhos frios de Lucius o encararam por um momento. Lucius levantou uma sobrancelha e começou a conversar com Ethan num tom baixo demais para que Draco ouvisse. Mas não era difícil de adivinhar, uma vez que Lucius nunca tinha demonstrado interesse por Ethan antes.

"Draco?" Ruffian perguntou, o encarando com expectativa.

"Perdão, o que foi que você disse?" Draco perguntou tentando não demonstrar seu desconforto.

Pensara que ainda teria um longo tempo pela frente até que Lucius se preocupasse com o rumo que a vida amorosa de Scorpius estava tomando, porém começava a duvidar. Não fazia idéia do que seu pai estava planejando, mas Draco tinha a impressão de que logo saberia.

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"Hey, Al" Scorpius falou para o espelho assim que chegou ao seu quarto, fechando a porta atrás de si. O medalhão revelava apenas o rosto de Albus, mas já era suficiente para que Scorpius se sentisse quente e confortável por dentro.

"Hey" Albus cumprimentou um pouco sem jeito. "Como estão as coisas?"

"Ah, uma droga" Scorpius rolou os olhos, deitando na cama e se debruçando sobre o medalhão. "Ethan está aqui com meus tios. Já faz uma hora que minha mãe mandou servir o chá e eles ainda não pegaram a dica para irem embora. Gostou do presente?"

"Claro" Albus acenou profusamente. "Eu nem sabia que isso existia sabe, desse jeito, eu digo".

"Sei" Scorpius falou rindo. Então suspirou. "Senti sua falta".

Scorpius já tinha perdido as esperanças de que Albus o chamaria. Afinal, ele mesmo havia deixado claro que Albus não era obrigado a falar com ele se não se sentisse à vontade para tanto.

"Ah... eu também" Albus confessou desviando os olhos. "Olhe, eu pensei bastante a respeito do que você disse e..."

"Shh!" Scorpius o silenciou. "Não precisa dizer agora. Eu prefiro que você diga pessoalmente".

'Mesmo que eu não durma essa noite de tanta curiosidade' Scorpius acrescentou para si mesmo.

"Tem certeza?" o moreno perguntou franzindo o cenho.

"Tenho".

"Ok..." Albus limpou a garganta. "Eu pensei que você já estaria dormindo, na verdade. Espero não ter chamado numa hora ruim".

"Você não poderia ter escolhido um momento melhor. Me salvou de uma partida infindável de xadrez com Ethan. Tudo bem que eu estava ganhando, mas eu sempre ganho dele, então não tem muita graça".

"Você não tem mais nenhum primo?" Albus perguntou curioso.

"Não que eu saiba. Ou que minha família não tenha deserdado, ou coisa assim. Como Teddy. Mas Ethan tem uma prima, você deve se lembrar dela. Ela fez teste para artilheira junto conosco... Como está Teddy, por falar nele?"

"Está bem! Ele e Victorie vieram no Natal trazer as fotos da lua-de-mel no Havaí..."

Eles continuaram conversando por algum tempo e Scorpius se surpreendeu ao olhar a hora quando desligou. Já passava de meia-noite. Eles haviam conversado por quase duas horas. Se Scorpius tinha medo de que alguma coisa houvesse mudado desde que se declarara para Albus, então seus medos se mostraram vãos. Eles ainda conseguiam conversar sobre coisas sem importância por horas a fio.

Scorpius retirou a corrente do pescoço ao se deitar. Felizmente estava tarde demais para que as visitas ainda não houvessem partido, portanto o loiro não sentiu remorso ao se aconchegar nas cobertas. Pousou o medalhão no criado-mudo e o encarou até que seus olhos estivessem pesados demais para voltarem a abrir.

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Albus foi o primeiro a passar pela barreira na Plataforma 9 e ¾ empurrando seu carrinho. Lynx estava inquieto, andando de um lado para o outro de sua gaiola minúscula, esfregando o pêlo nas grades. Athena piava e agitava as asas irritada. Logo em seguida, Lily apareceu ao seu lado e já ia passar direto rumo à multidão parcialmente escondida pela fumaça quando Albus tocou seu braço.

"Hey, Lily" Albus chamou e Lily parou, seu carrinho derrapando. "Hm... obrigado. Você estava certa, eu não teria coragem de contar para todo mundo se não fosse por você".

O rosto de Lily se abriu num sorriso luminoso.

"Ah, disponha, Al! Eu não fiz isso só por você. Fiz pelo Scorpius também. Todo mundo adora ele lá em casa. Não acho que vocês precisam se preocupar em esconder de ninguém".

"Obrigado Lily" Albus repetiu carinhosamente.

Lily piscou um olho e saiu correndo, empurrando seu carrinho. Albus esperou pelos pais e seguiu ao lado deles, esticando o pescoço para ver se encontrava Scorpius. Reconheceu os cabelos loiros, mas era apenas o pai de Scorpius junto com a esposa, olhando em sua direção. Albus ofereceu um sorriso tentativo e um leve aceno de cabeça, que foi correspondido por Draco Malfoy. A mãe de Scorpius deu uma risadinha e até acenou, fazendo Albus corar instantaneamente.

"BUH!"

Albus pulou de susto, não apenas com a voz em seu ouvido como também com os dedos, cutucando suas costelas.

"Seu idiota!" Albus murmurou por entre os dentes cerrados e o coração disparado. Scorpius, ao invés de se afastar, enlaçou seu tórax e plantou um beijo barulhento em seu ouvido, obrigando Albus a olhar para o lado para encará-lo.

"Eu juro que vi sua alma quase escapando do corpo, Al" Scorpius falou divertido.

"Por isso você está me abraçando desse jeito? Para impedir que ela escape de vez?"

"Exatamente" Scorpius sorriu e beijou sua bochecha antes de soltá-lo. Alguns alunos estavam olhando para eles, mas eram primeiro ou segundoanistas. Albus ignorou-os e Scorpius continuou. "Eu estava colocando meu malão dentro do trem. Já reservei uma cabine lá no fundo para nós dois. Onde estão seus pais?"

"Eles estão... estavam bem ao meu lado" Albus olhou ao redor, encontrando os pais mais à frente, falando com seus tios Ron e Hermione. "Ali".

"Ah, bem, quer se despedir deles já?" Scorpius ofereceu. "Eu não quero ter que dividir a cabine com mais ninguém, então melhor nos apressarmos. Eu cuido das suas coisas".

"Ok" Albus foi cumprimentar seus tios e primos antes de abraçar os pais.

"Comporte-se, hein?" Ginny recomendou, com um beijo em sua bochecha. "E mande um abraço para Scorpius. Ah, lá está ele" ela acenou para Scorpius sorrindo.

"Até logo papai" Albus deu um meio abraço no pai e só então percebeu que havia crescido alguns centímetros. O topo de sua cabeça já quase passava o ombro de Harry.

"Até filho. Ah, eu modifiquei o espelho que estava com James. Você pode conversar com Lily, quando quiser agora".

"Ah, ok" Albus sorriu em agradecimento para o pai e acenou mais um adeus para os tios.

"É incrível, ele está cada vez mais parecido com você, Harry!" Albus ouviu sua tia Hermione exclamar enquanto se afastava.

Mas o moreno não prestou muita atenção, já que os cabelos de Scorpius estavam se agitando de um jeito encantador com o vento que vinha dos trilhos. Eles entraram no trem e se puseram a andar pelo corredor. Por sorte as pessoas se desviavam deles por causa do malão de Albus. Conforme caminhava, Albus ia sentindo sua ansiedade crescer e suas mãos ficarem molhadas de suor, mesmo estando geladas de frio. Scorpius tinha uma mão em suas costas, guiando-o para frente. Quando já não faltavam muitas cabines para o final do trem, Scorpius parou.

"Aqui" ele indicou a cabine, segurando a porta aberta.

Eles ouviram o apito indicando a partida do trem em instantes. Albus arrumou seu malão no suporte ao lado do de Scorpius, ajeitando as gaiolas para que os animais se aquietassem e fizessem a viagem relativamente confortáveis. Quando se deu por satisfeito, Albus olhou ao redor e viu que Scorpius ainda estava de pé, com as costas apoiadas na porta fechada observando atentamente cada movimento seu.

"Você está usando?" Scorpius sorriu, olhando para o pescoço de Albus, que estava coberto por um cachecol.

Albus retirou o cachecol, revelando um pedaço da corrente, ao invés de responder. O moreno podia ver a corrente reluzindo no pescoço do loiro também. O trem soltou seu último apito e deu um pequeno tranco, começando a se movimentar lentamente. Albus quase se desequilibrou, mas aproveitou o movimento para se adiantar em direção a Scorpius.

"Hmm... eu acho que estou devendo uma resposta a você?" Albus falou, se sentindo desajeitado, mas bastante decidido.

Scorpius sorriu de lado e acenou lentamente.

"E um agradecimento. Pelo presente, sabe?" o loiro respondeu nada inocente.

Albus deu mais um passo para frente e envolveu a cintura de Scorpius com uma mão. Com a outra, arrumou uma mecha do cabelo loiro atrás da orelha, admirando mais uma vez a textura dos fios. Scorpius fechou os olhos e suspirou. Albus aproveitou para encarar seus lábios entreabertos em expectativa antes de tomá-los nos seus.

O beijo começou doce, para matar a saudade. Então Scorpius o abraçou, puxando-o para mais perto. Albus sentiu os medalhões sendo espremidos entre eles, mas como eles estavam bastante agasalhados não era tão incômodo. Ou talvez a necessidade fosse tão urgente que ele preferiu ignorar o incômodo. Eles estavam ofegantes quando Albus se afastou.

"Eu fui claro o suficiente?" Albus perguntou arrancando um sorriso de Scorpius.

"Mais ou menos. Eu ficaria mais seguro se você repetisse, por favor. Só para garantir..."

Albus beijou-o novamente com avidez. Em sua fome, ele usava os dentes e a língua também, conforme ia se sentindo mais seguro de si. Em algum momento, Scorpius empurrou o quadril para frente e Albus soltou uma exclamação, mas entendeu a dica e se pressionou inteiramente contra o loiro.

"Tem certeza que essa é sua resposta?" Scorpius perguntou, beijando a linha do queixo de Albus e seguindo para sua orelha.

"Totalmente... Hmm..." Albus manifestou sua aprovação.

Aquilo era intenso. Novamente ele sentia seu corpo todo alerta, totalmente sensível e receptivo. E os lábios de Scorpius descendo por seu pescoço, a ponta gelada do nariz lhe causando arrepios...

De repente eles ouviram um som abafado e Scorpius se afastou da porta, empurrando Albus também. Demorou algum tempo para o moreno perceber que havia alguém batendo no vidro. Scorpius abriu a porta contrariado, e eles encararam em surpresa um igualmente surpreso Louis.

"Ah... vocês?" Louis falou, mudando o apoio de um pé para o outro, desconfortável. "Bem, infelizmente eu não posso deixar que vocês fiquem, sabe, se agarrando no trem" ele apontou para o distintivo de monitor em suas vestes.

"Ah!" Albus exclamou. "Eu não sabia que você era monitor, Louis".

"Bem, agora você sabe" Louis sorriu e jogou o cabelo para trás com um balançar preciso da cabeça, como costumava fazer o tempo todo arrancando suspiros das garotas. "Eu fiquei encarregado de patrulhar essa parte dos corredores. Sinto muito" ele acrescentou, seu sorriso se tornando amarelo.

"Ah, tudo bem..." Albus falou, se afastando ainda mais de Scorpius.

"Eu vou manter minhas mãos para mim mesmo" Scorpius falou enfiando as mãos no bolso comportadamente.

"Hey, gracinha?" uma voz conhecida cantarolou do lado de fora. "Eu vi você vindo para cá, Lu. Onde é que você está?"

"Myrtes?" Louis exclamou, espiando o corredor.

"Aí está você!" Myrtes apareceu, empurrando Louis contra a porta e o beijando. "Tem uma cabine vazia logo ali, nós poderíamos... AH!" ela gritou ao notar os outros dois ocupantes da cabine.

Albus e Scorpius trocaram um olhar significativo e caíram na risada. O pescoço e rosto de Louis ficaram vermelhos.

"Err... eu... não conto sobre vocês se vocês não contarem sobre mim?" Louis ofereceu dando um sorrisinho sem graça.

"Parece justo" Scorpius concordou piscando para Myrtes.

"O que vocês estavam fazendo?" Myrtes estreitou os olhos.

"Nada!" Albus falou ao mesmo tempo que Scorpius dizia, "Coisas..."

Myrtes os encarou por mais alguns instantes e pareceu satisfeita quando Albus corou. Ela girou nos tornozelos e puxou Louis pela gravata.

"Venha aqui garotinho, deixe esses dois compensarem alguns anos de tensão sexual. Enquanto isso eu quero terminar o que começamos no baile, se você não se importa".

"Nem um pouco" Louis exclamou num fiapo de voz, os olhos arregalados enquanto fechava a porta ao sair.

Scorpius sacou a varinha e lançou alguns feitiços.

"Pronto, isso vai nos dar alguns segundos de antecipação se mais alguém aparecer" ele se virou para Albus. "Eu acho que ainda tenho algumas dúvidas a esclarecer sobre sua resposta eloqüente".

Albus riu e se deixou guiar para junto de Scorpius.

"Scorpie, meus pais já sabem" Albus informou antes de se deixar seduzir novamente, seu corpo apoiado no do loiro, como se o sustentasse contra a parede.

"Sério?" Scorpius perguntou um tanto incerto sobre se aquilo era uma boa ou uma má notícia.

"Sim" Albus tentou passar tranqüilidade em sua resposta. "Lily contou que nós estávamos juntos. Isso foi um pouco antes de eu chamar você pelo medalhão, ontem à noite, logo depois do jantar. E foi parte do motivo por eu ter me decidido, na verdade. Todo mundo se mostrou bastante feliz com a perspectiva, então, ao invés de desmentir o que ela disse eu decidi tornar tudo realidade".

"Ótima escolha" Scorpius sorriu, então voltou a franzir o cenho. "Todo mundo mesmo?"

"Sim! Até Jimmy!" Albus exclamou. "Shannon estava jantando conosco também. Ela ficou feliz por nós. E minha mãe. Ela adora você, você sabe..."

"Seu pai?" Scorpius perguntou o que realmente temia e Albus sorriu tranqüilizador.

"Ele só faltou me empurrar para os seus braços, eu acho".

As sobrancelhas de Scorpius se elevaram em espanto e Albus jogou a cabeça para trás ao rir, também se sentindo mais leve só de lembrar.

"Meu pai me disse umas verdades, me ajudou a abrir os olhos. Sério! Me diga que doce é esse que você tem que faz todo mundo morrer de amores por você?"

"Ah, é segredo de família" Scorpius brincou, segurando ambos os lados de seu rosto com as mãos, carinhosamente. "Bom, temos a bênção de nossas famílias, então. Meus pais já desconfiam, também. Por isso minha mãe ficava olhando você daquele jeito lá em casa. Ela ficou toda empolgada com você. Você estava lá, você viu! E meu pai... bem, ele também me deu a maior força, na verdade. Me encorajou a lutar pelo que eu queria. Eu só não disse nada para eles ainda porque não sabia qual seria sua decisão".

Albus colocou uma das mãos sobre a de Scorpius, numa carícia, também respirando aliviado. Mas então seu sorriso morreu quando ele se lembrou de um detalhe importante.

"E seus avós?" Albus perguntou temeroso, e seus medos se mostraram fundamentados quando Scorpius desviou os olhos.

"Meu pai veio me dizer hoje para eu tomar cuidado a esse respeito" Scorpius se desvencilhou gentilmente e sentou-se num dos bancos. "Ele disse que Ethan pode ter posto tudo a perder ontem, quando eu deixei a sala para conversar com você".

Albus engoliu em seco, indo se sentar ao lado de Scorpius e segurando sua mão para dar suporte.

"Veja bem" Scorpius continuou, "meu avô é muito preocupado com sua linhagem, com a perpetuação de seu sangue e de seu sobrenome. Meu pai teve uma adolescência muito complicada por causa disso... Olhe, eu não sei se devia contar isso a você, porque não é um segredo meu, na verdade".

Scorpius umedeceu os lábios, provavelmente pesando se devia ou não contar, mas acabou se decidindo que sim. Albus sentiu um frio na barriga de antecipação.

"Meu pai era como eu, Al. Ele tinha preferência por garotos e teve alguns casos. Meu avô não interferiu por algum tempo, mas acabou interferindo quando achou que já estava na hora de meu pai formar uma família e ter herdeiros. Meu pai não teve coragem de ir contra a vontade dele".

Albus arregalou os olhos, chocado com as revelações.

"Mas então..."

"Meus pais têm um casamento feliz, Al" Scorpius o interrompeu, olhando nos olhos. "Eles se entendem muito bem, têm muito carinho um pelo outro. Meu pai me garantiu que é feliz com a minha mãe. Mas poderia ter sido diferente. Ele..." o loiro respirou fundo. "Eu acho que ele teve uma paixonite pelo seu pai, Al" o loiro completou incerto.

As palavras demoraram a fazer sentido na cabeça de Albus, mas fizeram.

"O quê?" o moreno perguntou, num sussurro.

"Ele não citou nenhum nome. Mas eu acho que foi o seu pai, pelo modo como ele falou. Disse que era alguém com quem ele tinha certa rivalidade e que essa pessoa nunca ficou sabendo de seus sentimentos porque ele não teve coragem de contar. Teve medo de ser rejeitado".

Albus se perdeu em pensamentos por um momento. Draco Malfoy, apaixonado pelo seu pai. E seu pai nunca fizera idéia... Provavelmente nem sabia da inclinação do pai de Scorpius para garotos... Seria possível que tudo poderia ser diferente? Mas então não haveria James, nem Albus, nem Lily. Muito menos Scorpius.

"Me desculpa Al, eu não devia ter contado" Scorpius se arrependeu apreensivo.

"Não! Você fez bem" Albus apertou sua mão, assegurando-o. "Eu não sei se conseguiria guardar isso só para mim, se soubesse..." o moreno admitiu ao se colocar no lugar de Scorpius. "Mas não deixa de ser assustador".

"Eu sei o que você quer dizer. Mas, de qualquer modo" Scorpius voltou ao assunto principal, "meu pai acha – não, apague isso – meu pai tem certeza que meu avô vai tentar fazer o mesmo comigo, me pressionando para que eu me case com alguma garota de sangue puro, etc. Então ele me deixou avisado para esperar por isso, mas não dar atenção. Você vê, meu pai disse que vai me dar apoio, que é uma decisão minha e que ele não vai deixar que meu avô dirija a minha vida como dirigiu a dele. Foi por isso que ele me encorajou a lutar por você, Al".

Albus estava se sentindo um pouco zonzo. 'Muita informação!' seu cérebro gritava, espiralando pensamentos e possibilidades. Ele esfregou uma mão no rosto, como que para desfazer toda aquela confusão.

"Al...? Eu não fiz você mudar de idéia, fiz?" Scorpius deixou transparecer sua mortificação diante daquelas palavras.

Porém aquilo era impensável para Albus. Ele já estava mergulhado completamente em sua decisão, não havia como voltar atrás. Ainda tinha receios, mas não tinha dúvidas de que precisava tentar. 'Se você gosta dele, então faça dar certo!' Albus lembrou-se das palavras do pai e se sentiu no dever de dissipar os temores do loiro.

"Claro que não" Albus garantiu, abraçando-o. "Nós vamos ter que lidar com qualquer coisa que vier a acontecer. Eu vou lutar por você também, Scorpie".

Scorpius procurou seus lábios e Albus se entregou para ele sem resistir, num beijo terno e cheio de promessas mútuas.

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Janeiro de 2023. 2ª semana.

"Eu vou pegar os livros" Albus informou assim que eles colocaram as mochilas sobre a mesa.

Scorpius assentiu e se sentou, começando a retirar seus pertences da mochila. Eles estavam com alguns deveres atrasados. Os dois garotos até tinham tentado fazê-los em lugares mais reservados, mas aquilo havia se tornado totalmente contraproducente uma vez que eles acabavam se distraindo um com o outro e deixando o dever de lado para fazer coisas mais interessantes. Scorpius colocou a própria mochila de lado e alcançou a de Albus, tirando também seu tinteiro e pergaminho.

Alguém se sentou ao seu lado, colocando a mão em sua coxa.

"Al, eu não consigo achar a sua pena. Vai me dizer q..." Scorpius levantou os olhos e quase caiu da cadeira ao ver Roy Bessemer se inclinando sobre ele.

"Olá Scorpius" Roy exibiu os dentes em seu sorriso fácil e arrumou a franja. Roy tinha mudado um pouco desde que eles haviam terminado o namoro. O cabelo estava um pouco mais longo e repicado de uma maneira mais moderna. Ele também tinha crescido alguns centímetros a mais que Scorpius e encorpado um pouco, além da voz estar mais grave. "Posso falar com você por um minuto?"

Scorpius limpou a garganta e se mexeu, desalojando a mão do garoto em sua coxa enquanto procurava por Albus com os olhos.

"Potter está conversando com Morgan nesse exato momento" Roy informou. Aparentemente o corvinal já havia pensado em tudo, talvez até combinando com Fawcett para que distraísse Albus enquanto se aproximava.

"O que você quer?" Scorpius perguntou, mas tinha uma idéia do que seria.

"Uma segunda chance, Scorpius" Roy se aproximou um pouco mais e Scorpius podia sentir seu hálito de menta. "Eu sei que eu fui um idiota com você. Quero dizer, já faz o quê, dois anos? E você e Potter continuam apenas amigos. Eu devia ter perguntado, ao invés de tirar conclusões".

"Claro" Scorpius falou, curioso para ver até onde Roy se humilharia antes de estourar seu balão. "Que você foi um idiota" ele completou, fazendo um pouco da auto confiança do garoto falhar.

"Olhe, eu prometo que vai ser diferente, daqui para frente" Roy continuou, buscando a mão de Scorpius, que retirou a sua prontamente, aproveitando para se afastar um pouco mais. "Scorpius, pelo menos ouça o que eu tenho a dizer!"

"Eu estou escutando" o loiro informou. "Até onde eu sei você não fala com a mão. Então mantenha suas mãos para você, ok?"

Roy se afastou um pouco, visivelmente contrariado.

"Ouça, eu prometo até tentar ser amigo de Potter" Roy continuou. "E vou fazer o possível para conter o meu ciúme também. Sei que não posso querer tomar o lugar dele, afinal vocês são amigos desde sempre e..."

"Algum problema, Scorpie?"

Scorpius sentiu uma onda de alívio percorrê-lo quando Albus voltou, pousando dois livros na mesa com um pouco mais de força que o necessário e se sentando do outro lado do loiro. Tão perto que suas coxas estavam coladas. Scorpius conteve um sorriso quando Albus passou um dos braços pelos seus ombros como se fosse a coisa mais natural do mundo. Albus, entretanto, tinha os olhos grudados em Roy e não os desviou por um segundo sequer, o rosto sério e ameaçador. Scorpius sentiu algo inflar em seu peito ao ver aquele lado possessivo de Albus revelado.

"Eu só estava tendo uma palavrinha em particular com Scorpius, Potter" Roy se explicou, esforçando-se para parecer casual, apesar de encarar a mão por cima do ombro de Scorpius com visível desgosto.

"Já acabou?" Albus perguntou. "Nós temos muito que fazer".

"Eu já disse tudo o que tinha que dizer Scorpius" Roy olhou para Scorpius em expectativa. "O que você tem a me dizer?"

"O que eu tenho a dizer para você?" Scorpius relaxou na cadeira de encontro a Albus e espalmou uma mão nada discretamente na coxa do moreno. "Obrigado por abrir meus olhos sobre o que eu sentia por Albus, Roy" Scorpius esperou as palavras fazerem efeito antes de continuar. "É claro que eu teria descoberto mais cedo ou mais tarde, mas graças a você foi mais cedo. Mas sinto dizer que você chegou um pouco tarde. Eu estava disponível até alguns dias atrás. Agora não estou mais".

Roy olhou de um para outro enquanto ensaiava o que dizer.

"Você está me dizendo que vocês estão juntos?" o corvinal perguntou, por fim.

"Ora, por que o espanto?" Albus perguntou maldoso. "Pelo que fiquei sabendo, você mesmo andou espalhando rumores a esse respeito. Nós apenas nos cansamos de ficar negando e fizemos valer as fofocas, não é mesmo, Scorpie?"

"Certamente Al".

Roy deu uma risada forçada.

"Está certo, talvez eu mereça ouvir isso. Mas se você não me quer de volta, Scorpius, você poderia ter apenas falado" Roy disse já se levantando. "Não precisava ficar mentindo desse jeito".

"Ah, Al, ele não está acreditando!" Scorpius riu e Albus o acompanhou.

"Talvez nós devêssemos mostrar a ele, então?" Albus ofereceu, se inclinando para um beijo, que Scorpius recebeu prontamente.

Eles ouviram mais de uma pessoa exclamar em surpresa, mas continuaram sem se importar com ninguém. Scorpius já nem se lembrava mais de Bessemer, quando Albus se afastou, olhando ao redor.

"Acho que nós colocamos ele para correr".

"Definitivamente".

"Tem certeza que esse dever não pode esperar até amanhã?"

"Absoluta" Scorpius falou pesaroso. "Mas eu prometo dar atenção somente a você depois que nós terminarmos, ok?"

"Ok" Albus concordou e cada um pegou um livro, sem ligar para as pessoas que apontavam e cochichavam. "Onde está a minha pena?"

"E você pergunta isso para mim?"

xXxXxXx

Janeiro de 2023. 3ª semana.

Não era novidade para ninguém que a escola inteira comentava sobre Albus e Scorpius. Mas as pessoas queriam ver com seus próprios olhos para acreditarem que, depois de tanto falatório, os dois haviam finalmente demonstrado seu afeto publicamente. Onde quer que eles estivessem, as pessoas ficavam encarando os dois em busca de algum gesto, alguma palavra, qualquer ação que indicasse que a cena na biblioteca não fora apenas um display para frustrar as tentativas de Roy de se reconciliar com Scorpius.

No entanto nem Albus nem Scorpius tinham a intenção de esconder nada de ninguém. Porém tampouco estavam dispostos a chamarem atenção para si mesmos, nem sentiam a necessidade de provar para o mundo que eles estavam juntos. Andavam abraçados por vezes, ou até mesmo de mãos dadas em algumas ocasiões, mas tentavam ser discretos quando havia alguém por perto. Até porque eles geralmente não conseguiam parar depois que começavam a se beijar.

"Nós devíamos ir" Albus afastou os lábios por tempo suficiente para falar, apesar de não fazer nenhum esforço para seguir o próprio conselho. Ele estava pressionando Scorpius contra a parede de uma passagem secreta, onde estariam escondidos dos olhares curiosos.

"Sim, nós devíamos" Scorpius falou, trazendo-o mais para perto e beijando seu pescoço.

"Hmm..." Albus aprovou e pressionou o quadril de encontro a Scorpius, causando um espasmo de prazer por todo o seu corpo. "Nós vamos perder o jantar desse jeito".

Scorpius fez um som de frustração ao finalmente soltar seu aperto nas vestes de Albus, que se afastou também relutante, encostando-se à parede ao seu lado. Eles estavam ofegantes e um pouco suados por causa das atividades recentes e do lugar fechado. Albus fechou os olhos, tentando normalizar os batimentos cardíacos e a pressão sanguínea.

Albus não se lembrava de ter ficado naquele estado de necessidade com Lyndsay. Ele se orgulhava por conseguir segurar seus hormônios a maior parte do tempo para não ofendê-la, apesar dela muitas vezes parecer implorar que ele perdesse o controle uma vez ou outra. Mas a passividade de Lyndsay não poderia ser comparada com o fogo de Scorpius. O loiro fazia questão de deixá-lo com o sangue fervendo usando a boca, a língua e os dentes em sua pele enquanto as mãos passeavam pelo corpo de Albus sem muita restrição.

Albus soltou um choramingo ao se dar conta de que aquela linha de pensamentos não era a mais recomendada se ele estava pretendendo ir até o Grande Salão para jantar. O moreno então tentou pensar em seus deveres, listando ingredientes de poções e imaginando a diretora McGonagall somente de lingerie. Albus fez uma careta com a imagem mental que criara, porém parecia estar funcionando.

"Ok" Scorpius respirou fundo mais algumas vezes, aparentemente também lutando para oxigenar o cérebro. "Vamos logo antes que eu decida comer você ao invés da comida".

Albus choramingou novamente quando toda a sua concentração foi lançada às favas, mas acabou acompanhando Scorpius para fora da passagem e em direção ao Grande Salão.

"Albus, o que é isso no seu pescoço?" Myrtes apontou assim que eles se sentaram.

"Cale essa boca, Myrtes" Albus falou por entre os dentes, lutando para esconder a possível marca com a capa.

"Ah, então foi desse lado que Scorpius chupou seu pescoço?" Myrtes falou gargalhando.

"Não havia marca nenhuma" assegurou Karen também sorrindo, apesar de ser mais discreta. "Mas acho que você acabou de se denunciar Al".

Até mesmo Scorpius riu depois daquela. Albus corou e manteve os olhos no prato, se servindo. Ele estava mesmo faminto.

"Por falar em marcas no pescoço" Scorpius comentou também se servindo. "Como vai Louis, Myrtes?"

"Eu não posso responder por ele, mas tenho a impressão de que Lu está passando muito bem, a julgar pela expressão dele depois dos nossos encontros" Myrtes falou atrevidamente.

"Ah, por favor, poupe-nos dos detalhes" Albus pediu.

"Albus, a melhor coisa que você me fez foi dar um pé na minha bunda" Myrtes falou inesperadamente. "Se metade do que aquela Corner e as amigas dela espalharam for verdade, eu definitivamente ficaria entediada com a sua... pureza, por assim dizer. Não sei como Scorpius não dá um jeito logo nessa sua caretice! Você tem dezesseis anos ou o quê?"

Albus a ignorou. Ele não precisava ficar se explicando para a garota. Talvez ele fosse mesmo careta, mas não queria apressar as coisas entre ele e Scorpius. Apesar que estava ficando mais difícil se segurar a cada dia que passava, quando eles tomavam banho no mesmo banheiro, dividiam o mesmo quarto e, por vezes, dormiam na mesma cama.

"Não ligue para o que ela diz" Scorpius falou, parecendo ler a confusão de pensamentos que as palavras de Myrtes haviam lhe causado. "O que nós temos é especial. Ela só está se divertindo com Louis".

Albus acenou afirmativamente e teve que respirar fundo algumas vezes para acalmar seu estômago subitamente revoltado. Onde fora parar aquele apetite de alguns momentos atrás?

"Al, nós temos que marcar o próximo treino" Scorpius falou. "As outras casas já estão reservando o campo, desse jeito só vai sobrar os piores horários".

"Eu vou falar com Madame Hoch depois do jantar" Albus falou distraído.

"Sabe, eu estive pensando..." Scorpius continuou a falar. "Acho que sei uma estratégia que vai funcionar perfeitamente contra a Corvinal..."

Sem que percebesse, Albus foi relaxando com a conversa sobre quadribol e quando deu por si já estava enchendo o prato novamente.

Assim que terminaram o jantar, os dois foram até a Sala dos Professores e reservaram os horários da quadra para os treinos com Madame Hooch. Depois passaram algum tempo na Sala Comunal da Sonserina jogando partidas de Snap Explosivo até a hora de dormir.

Albus vestiu o pijama e se deitou, chamando Lynx para cima da cama. Scorpius já estava deitado, apesar de ainda manter as cortinas abertas.

"Tá legal, já chega" Albus demorou a perceber que Lyan estava se dirigindo a eles. "Isso já está virando ofensa a minha inteligência" Lyan exclamou com as mãos na cintura olhando de um para o outro. "Vocês realmente pensam que nós não sabemos que vocês ficam escapando um para cama do outro durante a noite?"

Albus trocou um olhar com Scorpius, sem saber se eles deviam negar ou não. Porém Gusto se juntou a Lyan.

"É, caras, nós não somos idiotas".

"Por que vocês não juntam essas camas de uma vez?" perguntou Juniper.

"Ah, eu acho que eles preferem que a cama seja mais estreita para terem desculpa para ficarem mais agarradinhos" falou Lyan.

"Ah, eu não precisava dessa imagem mental" Gusto fez uma careta. "Ouçam, eu não me importo se vocês vão se agarrar escondidos ou não, contanto que eu não precise ouvir nem ver nada".

"É, vocês conhecem os feitiços de privacidade" Juniper concordou. "À prova de som, de interrupções, essas coisas..."

"Hmm... certo..." Albus falou enquanto Scorpius segurava a risada. "Acho que eu vou para a cama de Scorpius então".

"Também não precisa ficar anunciando" falou Lyan e Juniper tocou Albus da própria cama como se enxotasse um cachorro. "Vá de uma vez! Xô!"

Albus foi para a cama de Scorpius, deixando Lynx para trás. O amasso iria atrás dele mais tarde, se sentisse frio. Scorpius não se importava em ter que dividir a cama com o felino.

"Boa noite, caras" Scorpius falou e fechou as cortinas, lançando alguns feitiços em volta deles de modo que eles pudessem escutar os sons do lado de fora, mas seus colegas não escutariam sequer o que eles falassem. Além de também não conseguirem abrir as cortinas, caso tentassem. "Melhor assim".

Albus se aconchegou ao namorado, pousando a cabeça em seu peito e respirando o cheiro agradável de seu pijama. Scorpius beijou o topo de sua cabeça e alisou suas costas.

"Você não se importa mesmo com... com o que Myrtes disse?" Albus finalmente conseguiu perguntar o que o estava incomodando desde o jantar. "Sobre eu ser careta?"

"Você ainda não tirou isso da cabeça?" Scorpius reprovou. "Claro que eu não me importo, Al. Eu já disse o que penso. O que nós temos é diferente. Eu não tenho pressa, até porque, sei que nós ainda tempos muito tempo juntos pela frente".

"Hm..." Albus fez, mas Scorpius aparentemente percebeu que o moreno não estava totalmente convencido, pois continuou.

"É claro que eu sonho com o momento que nós vamos fazer amor, Al. Mas quero que seja especial, então não tem porque apressar as coisas. Vai acontecer naturalmente, sem que nenhum de nós se sinta pressionado, ok?"

"Ok" Albus soltou o ar que havia prendido nos pulmões, sentindo o próprio corpo reagir às palavras de Scorpius. Albus olhou para as calças do pijama de Scorpius e reparou que o loiro estava na mesma situação.

Albus umedeceu seus lábios, pensando na possibilidade de esticar a mão e...

Não, ele não teria coragem.

Ou teria?

Depois de alguns longos segundos daquela batalha mental, Albus finalmente se decidiu. Ele deixou a mão escorregar do peito de Scorpius numa carícia suave até enfiá-la debaixo da camisa do pijama. Scorpius soltou um som de aprovação e Albus passeou a mão pelos pêlos curtos e claros ao redor do umbigo, subindo até o tórax.

Albus levantou a cabeça e a apoiou num cotovelo, de modo que sua mão tivesse livre acesso. Daquele modo ele também poderia observar a expressão enlevada de Scorpius, que mordia o lábio inferior e o encarava nos olhos. Albus tateou um mamilo rígido, depois o outro, então deixou a mão escorregar para baixo de novo. Apreciou a firmeza e masculinidade dos músculos sob seus dedos. Não que Scorpius fosse musculoso. Ele era bastante magro e esguio, na verdade, mas seu corpo era bem mais firme do que o de qualquer garota seria.

Scorpius o puxou para um beijo enquanto Albus acariciava ao redor de seu umbigo. Ao mesmo tempo em que Albus enfiou a língua na boca de Scorpius, o moreno insinuou um dedo para dentro do cós da calça do pijama, fazendo com que Scorpius se afastasse para encará-lo nos olhos novamente.

"Al, você não tem que fazer..."

"Shh" Albus o silenciou colocando o dedo sobre seus lábios. "Eu não tenho. Mas e se eu quiser?"

"Então você pode tudo" Scorpius falou e Albus voltou a beijá-lo enquanto sua mão escorregava mais uma vez, deslizando por cima do pijama mesmo até encontrar o volume que procurava, ganhando um gemido de Scorpius em resposta.

Albus manteve sua mão parada, apertando levemente por sobre o tecido por alguns instantes, observando a expressão de Scorpius, procurando saber se estava surtindo o efeito que desejava. Quando encontrou o pedido que procurava na expressão do loiro, Albus começou a mover a mão lentamente, fazendo Scorpius se inquietar. O loiro copiou a posição de Albus, apoiando a cabeça em um cotovelo e copiou seus movimentos, iniciando por uma carícia debaixo da camisa do pijama que deixou Albus arrepiado desde a nuca até o tornozelo. Quando Scorpius finalmente deixou a mão se mover sobre a calça de seu pijama, foi a vez de Albus arfar e contorcer os dedos do pé.

Eles voltaram a se beijar enquanto se estimulavam. As mãos por vezes viajando pelas costas um do outro até voltar para as calças. Quando Albus enfiou a mão por baixo do cós da calça e da cueca de Scorpius, foi para vê-lo finalmente atingir o clímax somente com seu toque. Scorpius não fez nenhum som, apenas franziu a testa e mordeu o lábio inferior, mas Albus sentiu quando ele gozou.

Scorpius levou algum tempo para se recuperar, durante o qual Albus distribuiu beijos por seu rosto e alisou sua barriga. Quando Scorpius voltou a beijá-lo nos lábios, Albus se entregou a suas carícias, ofegando ao sentir a mão do loiro envolvê-lo e estocar uma, duas, três vezes... Foi o que bastou.

A visão de Albus se turvou por alguns instantes, seus pensamentos desconexos, o sangue rugindo em seu ouvido. Ele relaxou em seguida, esparramado na cama.

"Tão lindo..." Scorpius sussurrou em seu ouvido.

Albus sorriu. E apagou em seguida.

xXxXxXx

Fevereiro de 2023. 1ª semana.

"Está bom por hoje, pessoal" Albus anunciou, rumando para o chão.

Scorpius o seguiu, desmontando de sua vassoura enquanto o restante do time fazia o mesmo. Havia alguma platéia durante o treino naquela noite, mas não era incomum, portanto ninguém estranhou.

"Mitchell, você parece péssimo" Albus reprovou. "Veja se consegue dormir antes do próximo treino!"

"Me desculpe, Al. Mas juro que não tem nada a ver com garotas" Aaron Mitchell falou sorrindo, apesar das bolsas escuras sob seus olhos.

"Sei..." Albus desconfiou recolhendo as bolas.

Scorpius já ia convocar os balaços quando percebeu uma careta de dor de Charlotte Palmer enquanto ela esfregava a mão na roupa freneticamente.

"O que há de errado, Palmer?" Scorpius perguntou se aproximando.

"Minhas mãos estão coçando desde o início do treino" a garota falou mostrando as mãos vermelhas de tanto coçar.

Scorpius analisou as mãos da garota, e então olhou para o cabo da vassoura e o bastão que ela ainda segurava na outra mão.

"Largue a vassoura" o loiro falou, sacando a varinha.

Palmer olhou das próprias mãos para a vassoura e de volta para Scorpius, sem entender.

"Ah, sua vassoura foi azarada!" Megan Thickey exclamou, também reconhecendo a brincadeira de mau gosto.

"Ahh!" Palmer largou a vassoura no chão e o taco, choramingando ao coçar as mãos furiosamente. "Está ficando pior".

"O que está acontecendo?" Albus se aproximou preocupado.

"A vassoura de Palmer foi azarada" Scorpius informou levitando a vassoura. "Só pode ser a vassoura, porque o taco ficou guardado o tempo todo. Thickey me ajuda a levar Palmer para a enfermaria? Deixe que eu cuido disso, Al" o loiro informou enquanto Thickey guiava uma Palmer agoniada rumo ao castelo.

"Mas..." Albus começou a protestar, porém Scorpius o interrompeu.

"Deixe comigo. Eu conheço o feitiço. Mas vou levar a vassoura para Madame Pomfrey checar. E o taco, só para garantir. Pode terminar de guardar as coisas, eu estarei de volta num segundo. Nott, você pode ajudar Albus com os balaços?"

Scorpius seguiu as garotas sem esperar pelas reclamações de Albus, levitando o taco e a vassoura à frente.

Madame Pomfrey fez alguns testes na vassoura e confirmou as suspeitas de Scorpius, lançando o contra-feitiço imediatamente. As palmas das mãos da garota, que pareciam estar em carne viva antes, melhoraram instantaneamente. Scorpius aplicou uma poção que a enfermeira indicou na vassoura e no taco também, para neutralizar qualquer efeito remanescente.

Não havia se passado mais de dez minutos quando Scorpius ia voltando para o campo. Ele tinha que devolver o taco antes que Albus fechasse tudo. Encontrou Nott no meio do caminho.

"Hey, se eu fosse você andaria mais rápido, Malfoy" Nott recomendou num tom sinistro. "Aquela ex de Potter, Corner, acabou de entrar no vestiário atrás dele".

Scorpius ficou com tanta raiva que nem se deu ao trabalho de agradecer Nott, apenas apertou o passo em direção ao vestiário. Antes de entrar, porém, ele parou para escutar com o coração batendo forte por causa da adrenalina.

"... então é verdade, não é?" aquela voz chorosa era definitivamente a de Corner.

"Eu já disse que não me importo com o que você pense sobre isso, Lindy" Albus falou demonstrando um pouco de impaciência.

Scorpius cerrou os punhos ao redor do taco, enciumado por Albus ter usado o apelido da garota.

"Mas eu queria ouvir da sua boca para acreditar".

"Ótimo! Scorpius e eu estamos juntos. Agora, por favor, saia. Eu ainda tenho muito o que fazer.

"Mas, Al, deve haver algum engano! Você deve estar confuso! Ou está se deixando levar pelos outros! Porque, honestamente, eu nunca achei que você fosse gay, Albus, por isso entrei naquela droga de aposta! Foi você quem me beijou da primeira vez! Você não pode ter deixado de gostar de garotas de uma hora para a outra!"

"Lindy, por favor... eu não quero discutir isso com você. Você já mostrou que não vai aceitar o que quer que eu diga, então..."

"Então vamos, fale que você nunca gostou de mim!" Corner provocou, aumentando o tom da voz. "Fale com todas as letras que você não sentia nada quando me beijava ou quando..."

Scorpius já não podia mais suportar aquela conversa, portanto entrou. Corner parou de falar no exato momento em que o viu. Scorpius passou direto por ela, fazendo questão de olhá-la como se ela não passasse de um inseto e indo direto para o lado de Albus.

"Me desculpe por ter abandonado você com a arrumação, Al" Scorpius falou, enlaçando a cintura de Albus e beijando seus lábios. "O que foi que eu perdi?" o loiro fixou os olhos em Corner, que estava adquirindo um tom roxo.

"Nada, Scorpie. Lindy já estava de saída" Albus o trouxe para mais perto, também encarando a garota.

"Argh!" Corner rosnou antes de sair, com lágrimas de raiva nos olhos.

Albus soltou o ar dos pulmões e Scorpius o abraçou.

"Obrigado" Albus falou contra seu pescoço. "Eu já estava perdendo a paciência com ela".

"Ah, nesse caso eu devia ter demorado um pouco mais" Scorpius se lamentou e Albus riu, mas o loiro podia dizer que ele não estava rindo de verdade. "Então, quer ajuda?"

"Não, eu já acabei" Albus confessou. "Só falta guardar esse taco. Mas não estou com pressa de sair, para dizer a verdade".

"Eu faço companhia para você" Scorpius beijou o pescoço do moreno, dando alguns passos para trás até trombar numa mesa. Scorpius pousou o taco na mesa e se sentou na beirada, mantendo Albus em pé entre seus joelhos.

"Ah, eu já ia me esquecendo! Como está Charlotte?" Albus perguntou, se deixando guiar.

"Está bem. Madame Pomfrey tomou conta de tudo num piscar de olhos. Ela já está pronta para outra".

Albus suspirou.

"Só espero que ninguém se meta a fazer essas brincadeiras no dia do jogo" o moreno falou preocupado.

"Ah, eles são sonserinos, não são estúpidos ao ponto de azarar um jogador do seu próprio time no dia da partida" Scorpius assegurou.

"É, acho que você tem razão. De qualquer forma, vou falar para ela ter mais cuidado onde coloca a vassoura".

"Eu digo o mesmo a você" Scorpius falou, trazendo o quadril de Albus de encontro ao seu e fazendo Albus rir, daquela vez de verdade. "Que tal você me beijar agora, hein?"

Scorpius não precisou sugerir duas vezes. Os lábios de Albus buscaram qualquer pedaço de pele ao alcance, iniciando calmos, porém se tornando mais exigentes à medida que o calor aumentava. Logo eles tinham despido os equipamentos de segurança do uniforme de quadribol, juntamente com a capa. Scorpius sorriu ao sentir as carícias da língua de Albus em seu pescoço. O moreno estava ficando muito bom naquilo. Scorpius passou as mãos pelas costas de Albus abaixo até alcançar seu traseiro e apertar, ganhando um gemido em resposta. Scorpius achou ter ouvido algum barulho distante, mas foi distraído quando as mãos de Albus abriram sua calça.

Albus estava ficando muito bom em várias coisas, na verdade. Scorpius arfou ao sentir os dedos um pouco gelados em sua pele quente e puxou levemente os cabelos de Albus, guiando-o para outro beijo. Scorpius alcançou o cós da calça de Albus também, porém congelou ao ouvir outro barulho, daquela vez mais próximo. Scorpius arregalou os olhos ao olhar para a porta do vestiário, flagrando não apenas uma, mas quatro garotas espiando. Elas gritaram ao serem surpreendidas e desapareceram, seus passos ecoando cada vez mais longe, junto com gritos excitados e risos.

"Então é verdade!" dizia uma delas.

"Você acha que Potter estava enfiando a mão..."

"Claro, você não viu a cara que o Malfoy fez?"

"Droga, eu devia ter trazido minha câmera..."

Enquanto isso, Albus e Scorpius praguejavam e fechavam as calças apressadamente. Scorpius se deu conta de que sua mente não havia registrado as garotas nas arquibancadas por causa de sua pressa em frustrar qualquer que fosse a intenção de Corner em ficar sozinha com Albus.

"Droga! Onde é que eu estava com a cabeça!" Albus se repreendeu.

"Qual delas?" perguntou Scorpius que não estava achando tudo tão trágico quanto Albus. "Hey, calma, poderia ser pior".

"Eu não vejo como!" Albus exclamou, passando a mão pelos cabelos.

"Bem, elas podiam ter trazido uma câmera" Scorpius falou e riu quando os olhos de Albus se arregalaram. "Al, não tem nem como elas terem visto muita coisa. Você estava de costas para elas, tampando boa parte do que aconteceu".

Albus respirou fundo, se acalmando.

"Ah, tanto faz" Albus se rendeu, recolhendo suas joelheiras e cotoveleiras. "O que é mais uma fofoca no meio de tantas?"

"Esse é o espírito" Scorpius também terminou de se recompor e eles guardaram o taco. Pegaram as vassouras, apagaram as luzes e fecharam o vestiário. "Mas nós sempre podemos continuar de onde paramos no dormitório".

"Ah, sim, por favor" Albus aceitou prontamente.

xXxXxXx

Fevereiro de 2023. Dia de São Valentim.

"Ah, finalmente!" Albus exclamou ao se jogar na cama. "Me desculpa Scorpie, mas eu não via a hora desse dia acabar".

Scorpius se juntou a ele na cama e fechou as cortinas, lançando os feitiços de sempre.

"Pense pelo lado bom, Al" o loiro falou. "Pelo menos agora todo mundo já sabe que nós estamos juntos e ninguém mais precisa ficar nos espionando".

"Bem, se isso realmente acontecer, então está ótimo" Albus suspirou. Eles haviam feito um passeio a Hogsmeade naquele dia. De mãos dadas, como qualquer casal fazia no Dia de São Valentim. Albus não conseguia entender porque todo mundo ficava encarando como se fosse alguma coisa tão extraordinária. Não era como se eles estivessem escondendo de alguém que estavam namorando.

"Eu também não via a hora do dia acabar" Scorpius admitiu alisando o peito de Albus por sob o pijama. "Não consegui ficar a sós com você o dia inteiro! Quando não era um bando de curiosos encarando, era um bando de sonserinos babões querendo apertar a sua mão por causa da vitória no jogo".

"Querendo apertar a nossa mão, Scorpie" Albus corrigiu, fechando os olhos e saboreando a sensação da mão de Scorpius passeando por seu corpo. "Eu não venci a Corvinal sozinho".

Felizmente Scorpius tinha acertado sobre os sonserinos não tentarem nenhuma gracinha contra Charlotte nas vésperas do jogo. A garota havia sido de vital importância para os louváveis 230x30 pontos.

"Al?"

"Hm?"

"Posso tirar a sua roupa?" Scorpiu perguntou, fazendo Albus arregalar os olhos.

"Ahmm... acho que sim" Albus concordou depois de pensar por alguns segundos e não conseguir achar um motivo para sentir vergonha. Não era como se Scorpius não conhecesse seu corpo, afinal.

Scorpius ajoelhou na cama, se debruçando sobre Albus para retirar a camisa de seu pijama sem pressa. Em seguida Albus ajudou Scorpius a se livrar da sua também, alisando o peito de Scorpius sem nenhum empecilho. O loiro se debruçou para beijar a boca de Albus, descendo para o pescoço e seguindo para beijar cada centímetro de seu tórax. Albus se deixou ser acariciado, beijado, alisado, lambido, mordido, apertado até estar ofegante. Scorpius retirou as calças de ambos, em seguida. Junto com as cuecas.

Albus não tinha o costume de encarar o corpo de Scorpius, nem mesmo quando eles estavam se trocando ou tomando banho. Ele lançava alguns olhares furtivos, no máximo. Por isso ficou sem jeito ao ser surpreendido encarando. Scorpius apenas sorriu da maneira confiante de sempre, e voltou a explorar o corpo de Albus.

O moreno observou cheio de expectativa e ansiedade enquanto Scorpius fazia um caminho úmido pelo seu abdômen abaixo até que seu hálito estivesse suspenso sobre sua virilha. 'Não, ele não vai fazer isso' Albus pensou, ansioso. Como se tivesse lido seu pensamento, Scorpius ergueu os olhos e sorriu de lado. 'Oh, ele vai' Albus respondeu para si mesmo e se preparou.

Scorpius o abocanhou, fazendo Albus jogar a cabeça para trás, sua mente incapaz de registrar outra coisa que não o calor e umidade que o envolvia, a pressão quando o loiro sugava, a língua traçando caminhos tortuosos na pele sensível. Albus agarrou o lençol com força, desejando ter algo para morder para não gritar. Em vez disso, o que escapou de sua boca foi um longo gemido de aprovação, seguido pela respiração ofegante. Ele teria se perdido nos primeiros segundos daquilo se não estivesse tão relutante em permitir que tudo acabasse tão rápido.

"Scorpius..."

"Hmm...?" veio a resposta vibrante. Literalmente.

Albus estava suando de tanto esforço para retardar seu alívio. Scorpius finalmente entendeu, soltando-o e terminando com a mão o que tinha começado com a boca. Albus gozou com outro longo gemido. Scorpius beijou a testa suada de Albus enquanto este tentava normalizar a respiração.

"Eu sou louco por você, Al" Scorpius declarou, as mãos ainda alisando seu corpo. "Eu lembro de quando meu pai desconfiou pela primeira vez que eu gostava de você. Eu disse a ele que não, porque você era muito magrelo!" Scorpius riu de si mesmo. "Agora olhe para você! Como você pode ter ficado tão delicioso desse jeito?"

"Ah, corta essa..." Albus falou, dispensando o comentário com um aceno de mão.

"Estou falando sério! Ou você pensa que não deixa muita gente de queixo caído com esse seu jeitinho de menino por debaixo desse corpão? Eu é quem sou o magrelo agora" Scorpius falou apontando para as próprias costelas.

"Está perfeito assim" Albus falou, finalmente se rendendo a apreciar o corpo do loiro sem nenhuma reserva. "Eu gosto. De verdade".

Scorpius não protestou quando Albus inverteu as posições, passando a distribuir beijos pela pele pálida e suave, apreciando os músculos se tencionando conforme ele provocava.

"Al, eu não vou agüentar muito" Scorpius confessou.

Albus queria devolver a experiência, portanto se apressou em abaixar-se para distribuir beijos na virilha e na parte interna da coxa do loiro, que chegou a dizer que Albus não precisava fazer aquilo, mas Albus queria. E quando se decidia por fazer algo, o moreno não sossegava até chegar ao fim.

Albus fechou a boca ao redor de Scorpius, observando o loiro encará-lo de volta em enlevo enquanto repetia o que o loiro havia feito nele momentos atrás. Albus achou que estava fazendo um ótimo trabalho, a julgar pela expressão de Scorpius. Mas teve uma ponta de receio quando Scorpius alcançou sua mão e o puxou para cima.

No entanto, Scorpius não tinha nada a reclamar. Apenas trouxe Albus para um beijo enquanto guiava a mão do moreno para onde sua boca havia estado momentos atrás. Logo o loiro estava se derramando na mão de Albus.

Scorpius os limpou com um aceno de varinha e eles se aconchegaram um ao outro sob as cobertas sem se importar em vestir novamente os pijamas.

"Hmm... feliz Dia de São Valentim?" Albus falou e Scorpius riu, trazendo-o mais para perto.

xXxXxXx

Março de 2023. 2ª semana.

Assim que passou pela abertura da passagem secreta, Scorpius foi puxado até estar pressionando o corpo de Albus contra a parede – provavelmente coberta de poeira e teias de aranha. Albus aparentemente estava tão excitado que não queria perder tempo nem lançando um Lumus. Não que Scorpius estivesse reclamando. Ele podia se virar bem somente com o tato.

"Calma, Al, me deixe tirar..." Scorpius falou, lutando para tirar a mochila das costas enquanto Albus beijava seu pescoço e lutava com seu cinto.

"Ah, você devia ter pensado nisso antes de ficar lambendo aquela pena daquele jeito insinuante" Albus falou ofegante, lutando contra o próprio cinto depois de ter aberto as calças de Scorpius.

O loiro riu. Ele tinha presenteado Albus com algumas penas comestíveis no sabor de menta, mas Albus ficava regulando tanto para comê-las que ainda não tinha acabado com todas. Scorpius havia se apossado de uma na aula de História da Magia e aproveitara para provocar Albus durante quase toda a aula exaustiva.

"Eu estava entediado" Scorpius se justificou, mas seu riso morreu quando a mão quente de Albus o envolveu. "Se você está tentando me fazer ficar arrependido, Al, receio dizer que não está funcionando. E eu definitivamente não vou ajoelhar nesse chão empoeirado para fazer com você o que estava fazendo com a pena".

"Eu não me importo" Albus murmurou. "Contanto que você dê um jeito na minha situação. E prometa fingir que eu sou aquela pena em um futuro próximo, claro".

Albus não esperou que ele respondesse, apenas colou sua boca na de Scorpius num beijo exigente e incitante. Scorpius retribuiu os movimentos delirantes que a mão de Albus estava fazendo. Albus apoiou a cabeça contra a parede, expondo o pescoço para Scorpius, que aproveitou para chupar e lamber a região logo abaixo da orelha, sentindo os pêlos da nuca do moreno se arrepiarem sob seus dedos.

Albus chegou ao clímax primeiro, sua mão se esquecendo de seu objetivo por alguns segundos enquanto ele aproveitava o momento ao máximo. Scorpius deu esse tempo a ele, beijando seu rosto enquanto isso. Fez uma anotação mental para lembrar Albus de se barbear, pois sua face já estava ficando áspera novamente. Alguns intermináveis segundos depois, Scorpius estava se empurrando contra a mão do moreno para lembrá-lo de sua tarefa não finalizada. Albus continuou, rápido e preciso, fazendo Scorpius estremecer e seus joelhos fraquejarem quando ele atingiu também o ápice.

"Eu adoro penas de menta" Scorpius comentou se apoiando contra Albus.

"O que há de errado comigo, Scorpie?" Albus choramingou. "Eu sobrevivi por dezesseis anos sem nada remotamente parecido com sexo – quatro meses dos quais eu tive uma namorada totalmente entregue – e agora não consigo agüentar nem um dia inteiro?"

Scorpius riu novamente do drama de seu namorado. Seus olhos já haviam se acostumado com a pouca luz e ele podia divisar os contornos de um lado do rosto de Albus.

"Arrependido de ter cedido aos meus encantos?" o loiro perguntou tentando soar magoado.

Albus sorriu e acariciou sua bochecha. Scorpius se sentiu capaz de ronronar enquanto se inclinava de encontro ao carinho. Albus tinha aquele efeito nele.

"E pensar que você poderia ter tido meu primeiro beijo também..." Albus falou, levemente melancólico.

Scorpius deu de ombro.

"Eu me conformo em estrear o resto" o loiro falou sugestivo.

"Ok, acho melhor nós irmos, ou vamos perder o almoço" Albus falou, arrumando as roupas. "Hmm... você lembra aquele feitiço para desamassar roupa, certo?"

"Claro" Scorpius acenou a varinha para ambos, alisando suas roupas impecavelmente. "Eu sempre soube que esse feitiço era mais útil do que aparentava".

Enquanto saíam discretamente da passagem secreta, Scorpius se lembrou de comentar sobre a barba de Albus. No entanto teve uma idéia melhor.

xXxXxXx

"Hinkypunk" Scorpius falou ao se sentar ao lado de Albus na mesa de jantar.

"Do que você acabou de me chamar?" Albus perguntou ultrajado.

Scorpius rolou os olhos, divertido.

"Essa é a senha do Banheiro dos Monitores" Scorpius informou levantando as sobrancelhas sugestivamente.

"Oh..." Albus exclamou, então arregalou os olhos. "Ohh! Como você conseguiu?"

"Você não viu que eu estava falando com seu primo Louis agora mesmo?" Scorpius perguntou com naturalidade.

"Sim, mas o que você fez para convencê-lo a passar a senha assim, do nada!" Albus desconfiou.

"Nada. Só perguntei" Scorpius deu de ombros, e Albus estreitou os olhos incrédulo. "É sério! Eu perguntei, ele respondeu, fácil assim! Ele nem fez perguntas nem nada! Ora, o que você pensou, que eu o chantageei ou coisa do tipo?"

"É... coisa do tipo" Albus ainda não estava acreditando, mas resolveu deixar quieto. De qualquer forma, a perspectiva de tomar um banho com Scorpius naquela piscina o deixou com muita coisa para pensar. E ficar ansioso não ajudava em nada com seu apetite.

Eles levantaram os olhos dos pratos alguns minutos depois ao ouvir uma comoção. Myrtes e Louis estavam tendo uma discussão, pelo que os ânimos exaltados pareciam indicar. Myrtes acusava Louis de dar bola para outras garotas. Louis tentava se defender, dizendo que as garotas simplesmente não podiam ser culpadas por ficarem caidinhas por ele, mas aquele argumento apenas enfureceu Myrtes ainda mais e ela acabou mandando o primo de Albus enfiar suas pobres admiradoras num lugar não muito agradável, dando as costas a Louis em seguida, seus saltos ecoando no Grande Salão enquanto ela saía tempestivamente.

Albus olhou para Scorpius, que deu de ombros como se dissesse: 'Eu disse que não ia durar, não disse?'. Mas Albus não pode deixar de se sentir mal pelos dois.

Pouco tempo depois Albus e Scopius estavam entrando no Banheiro dos Monitores com suas mochilas.

"Ahh, como eu senti falta disso..." Scorpius exclamou saudoso. Ele colocou a mochila no chão e foi direto para as torneiras, ligando as que mais gostava. Uma delas, a que Albus achava essencial, fazia minúsculas bolhas de ar brotarem na água em direção a superfície, fazendo uma massagem relaxante. Outra exalava um vapor perfumado.

Albus observou com um sorriso bobo no rosto enquanto Scorpius corria de um lado para o outro abrindo torneiras e brincando com bolhas de sabão coloridas. Fazia lembrar o garotinho que ele fora um dia. Mas então sua postura mudou de um momento para outro, de infantil para sedutor. Scorpius fixou os olhos em Albus enquanto se despia lenta e provocantemente.

O moreno mordeu o lábio inferior enquanto apreciava o show. Se uma pessoa podia ser presa por excesso de confiança, essa pessoa era Scorpius.

"Sua vez" Scorpius falou quando estava completamente nu.

Albus pensou em protestar, mas acabou se rendendo. Largou a mochila no chão, depois tirou a capa e começou a puxar a gravata lentamente, olhando para Scorpius e tentando adivinhar se ele estava achando aquilo tão patético quanto Albus estava. Mas o loiro o encarava como se o devorasse com os olhos, e aquilo fez com que Albus continuasse, ainda que tímido.

Quando só o que faltava era a roupa de baixo, Scorpius não agüentou e o beijou, retirando a peça com as próprias mãos, aproveitando para deslizar as mãos pelo seu corpo.

"Hmm... Você me deixa louco, você sabe" o loiro murmurou no ouvido de Albus antes de solta-lo. "Agora, já para a banheira! Eu vou pegar as coisas para barbear você".

Albus obedeceu, aliviado. Detestava se barbear. Não tinha muita intimidade com a navalha e sempre acabava se cortando. Scorpius se juntou a ele depois de colocar seus utensílios na borda da piscina. Eles aproveitaram alguns amassos ensaboados antes de o loiro se tornar totalmente profissional com a navalha.

"Pronto" Scorpius falou ao terminar, passando o rosto no de Albus e suspirando. "É assim que eu gosto..."

Albus aproveitou para abraçá-lo, coisa que estivera doido para fazer desde que Scorpius havia se sentado totalmente nu na borda da banheira para barbeá-lo. O loiro não perdeu tempo para enlaçar sua cintura e o pescoço com pernas e braços. Albus testou primeiro se conseguia suportar seu peso, então o suspendeu totalmente, trazendo-o para a água onde a baixa gravidade ajudou. Quando Albus mergulhou, trouxe Scorpius para o fundo junto com ele, mas o loiro continuava firmemente agarrado a ele quando eles emergiram, cobertos de espuma. Eles se olharam nos olhos.

"Posso cuidar de você agora?" Albus perguntou, apertando as nádegas de Scorpius.

"Sinta-se a vontade" Scorpius falou, beijando-o.

Albus alisou seu abdômen numa provocação antes de deixar a mão deslizar mais para baixo, a água e o sabão deixando tudo mais escorregadio e delicioso. Em algum momento, Scorpius desistiu de beijá-lo e jogou a cabeça para trás, oferecendo-lhe o pescoço. Albus se surpreendeu ao não sentir o gosto do sabão, apesar da pele do loiro estar escorregadia.

"Al" quando Scorpius voltou a encará-lo, ele tinha os olhos escurecidos, as íris reduzidas a meros contornos para as pupilas dilatadas. "Eu preciso de mais, Al" ele apontou para uma das torneiras. "Me leve até lá".

Albus fez o que Scorpius pediu e observou enquanto o loiro abria a torneira de modo que somente um fio de uma substancia viscosa se derramasse dela. Xampu, a julgar pelo aroma familiar de menta. Scorpius guiou os dedos de Albus para o líquido e aproximou os lábios do ouvido do moreno. Suas próximas palavras fizeram Albus se arrepiar, não apenas pelo hálito tocando a pele sensível sob seu ouvido.

"Coloque os dedos dentro de mim, Al. Por favor" Scorpius pediu.

Albus engoliu em seco, mas concordou.

"Me diga o que fazer" Albus pediu inseguro, e Scorpius instruiu.

Primeiro Albus fez com que o namorado relaxasse com carícias, depois inseriu um dedo com cuidado, observando atentamente como Scorpius reagia. O loiro, que ainda sustentava o próprio corpo no de Albus com braços e pernas, lambeu os lábios, sua expressão não traindo nem o mínimo sinal de dor. Albus começou a mover o dedo, para dentro, para fora e para dentro de novo.

"Mais" Scorpius pediu e Albus mergulhou os dedos no fluxo de xampu novamente antes de inserir outro dedo, daquela vez observando a testa do loiro franzir por um momento até ele se acostumar. Albus repetiu os movimentos, encantado com a pressão e o calor que envolviam seus dedos. Por vezes, quando a água lavava boa parte do lubrificante, Albus voltava a untar os dedos para que eles deslizassem com mais facilidade. Quase esqueceu de estocar com a outra mão, mas Scorpius lembrou-o ao se empurrar contra ele.

Scorpius parecia totalmente agoniado de tanto prazer num instante, e no outro ele estava gozando, seus braços e pernas relaxando seu aperto ao redor do moreno. Albus se sentia uma corda esticada, depois de assistir aturdido como aquilo parecera ser extasiante para Scorpius. Alisou as costas do loiro, tentando conter o próprio orgasmo. Mas sua mente custava a deixar de antecipar como seria estar dentro de Scorpius.

Scorpius se soltou dele, mergulhando em seguida. Quando voltou a ficar em pé, foi para carregar Albus até a borda da piscina, fazendo com que este se sentasse.

"Hm, você está mais apetitoso que uma pena de menta, Al" Scorpius falou antes de se debruçar sobre o quadril de Albus, lambendo, sugando e chupando como fizera com a pena nas aulas da manhã.

Albus agarrou os cabelos do namorado sem remorso, tomando cuidado para não puxa-los demais. Mas era difícil se concentrar quando a língua de Scorpius estava fazendo maravilhas e ele não conseguiu nem mesmo avisar antes de se derramar em sua boca.

Scorpius engasgou e Albus passou os próximos cinco minutos se desculpando, fazendo o loiro rir e tranqüiliza-lo, dizendo que não tinha pelo que se desculpar.

"Eu ainda prefiro você, à pena, Al" Scorpius assegurou, aparentemente se divertindo com o remorso de Albus.

xXxXxXx

Abril de 2023. Dia 1º.

Scorpius riscou mais alguns números no seu pergaminho de rascunho, com uma ruga de concentração na testa. Havia alguma falha em seu cálculo, mas ele não conseguia encontrar onde estava falhando. Começou tudo novamente, observando pelo canto do olho Albus largar a pena, tirar os óculos e se espreguiçar, olhando ao redor. O loiro meneou a cabeça. Aquilo significava que Albus estava desistindo do dever por aquela noite. Mas Scorpius não poderia culpá-lo, pois já fazia quase duas horas que eles estavam numa das mesas da sala comunal da Sonserina fazendo deveres de Aritmancia.

Scorpius voltou a se concentrar no cálculo. Queria terminar pelo menos mais aquele problema antes de poder dormir, mas estava difícil se concentrar quando a perna de Albus estava balançando impacientemente ao seu lado. Scorpius riscou novamente seus números, respirando fundo. Molhou a pena no tinteiro e se preparou para começar novamente.

Parou com a pena a centímetros do pergaminho quando Albus se inclinou para cochichar algo em seu ouvido.

"Eu quero fazer amor com você Scorpie".

Scorpius levantou a cabeça de imediato, pousando a pena lentamente na mesa enquanto perscrutava o rosto de Albus em busca de algum sinal de que aquilo não passava de uma pegadinha do Dia da Mentira. Uma provocação para fazê-lo perder o interesse no dever, talvez? Bem, estava funcionando. Exceto que Albus não parecia estar brincando.

"O quê?" Scorpius perguntou, mesmo tendo entendido perfeitamente.

Albus sorriu timidamente, a cor vibrante de seus olhos ainda mais destacada pelo brilho que os envolvia. O moreno esticou a mão até tocar a coxa de Scorpius numa carícia que prometia mais do que fazia.

"Eu quero fazer amor com você. Essa noite" Albus falou, esperando por alguma resposta ainda que não houvesse feito nenhuma pergunta. Scorpius balançou a cabeça em concordância, não confiando em sua voz naquele momento. "Mas eu não queria que fosse no dormitório" Albus continuou. "O que você acha de nós passarmos a noite na Sala Precisa?"

"Ok" Scorpius concordou, sua voz um breve resmungo. Porém Albus se deu por satisfeito com a resposta, começando a recolher suas coisas.

Scorpius ainda ficou algum tempo sem reação, sua mente trabalhando loucamente apesar de quase todo o seu sangue estar fluindo na direção contrária ao cérebro. Quando Albus o encarou com hesitação, Scorpius finalmente acordou se obrigando a guardar também seus pertences. Scorpius não tinha mais condição nenhuma de pensar em Aritmancia aquela noite.

Eles foram para o dormitório e Scorpius podia dizer que Albus estava nervoso pela maneira como ele mordia a parte interna da boca. Começaram a pegar algumas coisas de que precisariam. Roupas limpas para vestir na manhã seguinte, a Capa da Invisibilidade e o Mapa do Maroto para alguma eventualidade. Scorpius olhou para o próprio pijama dobrado dentro do malão e dispensou-o com um aceno de mão. Não precisaria dele. Mas lembrou-se de pegar o lubrificante com que seu pai o havia presenteado no Natal juntamente com algumas camisinhas. O loiro julgou que não precisaria das camisinhas, uma vez que ambos eram virgens - e definitivamente não havia risco de Scorpius engravidar.

Pelo menos aquela condição de ambos estava prestes a mudar e só o pensamento trazia um friozinho na barrida de Scorpius. Lançou um feitiço Tempus, concluindo que faltava alguns minutos ainda para o toque de recolher. O loiro olhou a gaveta do criado-mudo onde sabia estar seu relógio de pulso abandonado. Já fazia tanto tempo que não o usava que sempre se esquecia de consultá-lo. Perguntou-se porque deixara de usá-lo. Não se lembrava, mas achava que tinha algo a ver com Albus.

"Pronto?" Albus perguntou ainda hesitante ao ver Scorpius perdido em pensamentos.

O loiro sorriu tentando tranqüilizá-lo antes de ambos seguirem de volta para a sala comunal. Assim que a passagem se abriu para o corredor, Albus quase trombou com alguém. Scorpius gemeu ao reconhecer os cabelos castanhos um pouco encaracolados de Ethan.

"Ah, não me digam que vão dar uma voltinha" Ethan falou falsamente chocado, olhando para as mochilas que ambos carregavam. "E parece que vão demorar a voltar, não é mesmo?"

Scorpius trocou um olhar com Albus, como se um pudesse encontrar a resposta de como reagir estampada na face do outro.

"Não se preocupem" Ethan continuou e Scorpius já começou a se preocupar. No entanto Ethan saiu do caminho "Eu não vou contar a ninguém. Até porque as regras não se aplicam a vocês dois, não é mesmo? Aproveitem. Enquanto podem" ele virou as costas e se afastou sem dar tempo para os dois responderem.

"O que ele quis dizer com isso?" Albus perguntou desconfiado enquanto ambos se afastavam.

"Provavelmente só está tentando fazer nós dois pensarmos que ele sabe de algo que nós não sabemos" Scorpius deu de ombros, tentando parecer despreocupado. Mas a verdade era que tinha quase certeza de que Ethan realmente tinha alguma carta na manga.

Albus retirou o Mapa da mochila para dar uma espiada.

"Caminho livre por enquanto" Albus concluiu, enfiando o Mapa no bolso.

Scorpius procurou a mão de Albus num gesto automático. Eles caminharam pelos corredores em silêncio, até atingirem o quinto andar, quando Albus falou.

"Hmm... você escolhe como vai querer o quarto? Ou quer que eu escolha?"

"Deixe comigo" Scorpius falou e começou a imaginar. Queria não estar tão nervoso, para poder pensar nos detalhes, mas no fim até que não ficou ruim.

Quando eles abriram a porta que se materializou, Albus ficou boquiaberto. Provavelmente com o tamanho da cama com lençóis verdes e brancos, almofadas grandes, a iluminação na medida certa, nem claro nem escuro demais. Tudo muito mais simples do que Scorpius gostaria, mas de qualquer forma, eles estariam entretidos demais um com o outro para ficar apreciando os detalhes do ambiente.

Scorpius pousou a mochila numa cômoda e Albus fez o mesmo.

"Hmm... Adorei" Albus falou tentando parecer casual e falhando.

O loiro sentiu a textura dos lençóis e suspirou. Aquilo sim eram lençóis. Não aqueles tecidos baratos que os elfos vestiam nas camas dos alunos. Scorpius também testou os travesseiros e ficou satisfeito com a maciez das plumas.

"É, não está mal" Scorpius concluiu. Procurou a lareira que devia estar em algum lugar... "Ali" falou para si mesmo e conjurou um pequeno fogo. Não estava muito frio, mas um pouquinho mais de calor até que faria bem para relaxar os nervos. "Pronto".

Scorpius convocou o lubrificante de dentro de sua mochila, pousando-o no criado-mudo e olhando para Albus com uma sobrancelha levantada. Albus estava mordendo as partes internas da bochecha novamente. E limpando as mãos – provavelmente suadas – na capa. Scorpius meneou a cabeça. Albus já não parecia mais ter toda aquela coragem de quando fizera a proposta alguns minutos antes. O que se provou certo quando ele falou.

"Scorpie... hmm... se você não quiser, nós podemos deixar para outro dia. Nós podemos só fazer... você sabe, o de sempre. Quero dizer, não depende só da minha vontade..."

Scorpius sorriu, se sentando na beirada da cama e chamando Albus com um aceno ao invés de responder. Albus foi até ele, se sentando ao seu lado. Scorpius apreciou por um momento as sombras instáveis causadas pelo fogo dançando no rosto preocupado do moreno, fazendo sua testa parecer ainda mais vincada. O loiro se inclinou e beijou os lábios de Albus suavemente. Então puxou a mão do moreno, pousando-a sobre o lado esquerdo de seu peito.

"Eu também estou nervoso Al" Scorpius falou calmamente. "Mas isso não me faz deixar de querer você. Então, por que não agora?"

Albus estava subitamente ofegante, depois daquelas palavras. Como se elas tivessem feito com que suas dúvidas se dissipassem e sua confiança retornasse de uma só vez. O moreno se inclinou para um beijo quase desesperado, embrenhando os dedos pelos cabelos de Scorpius, que também segurou o rosto dele de encontro ao seu.

Eles pareceram ter entrado num acordo para agir com a naturalidade e intimidade de sempre, despindo um ao outro peça por peça. Sem pressa nem cobrança, apenas acariciando nos lugares certos. Quando Scorpius tirou a última peça de roupa de Albus, eles engatinharam para o meio da cama, abrindo espaço entre os lençóis. Eles se abraçaram, ajoelhados, as mãos passeando pelo corpo um do outro com familiaridade e precisão, seus quadris se pressionando, as bocas exigindo.

Scorpius traçou a curva das nádegas de Albus com a ponta dos dedos, num reconhecimento delicioso. Suas mãos conheciam o formato exato de cada pedaço daquele corpo, a textura, a forma como reagia ao seu toque. Era inebriante ter alguém pertencendo a ele daquela maneira e também pertencer a esse alguém.

Scorpius deitou-se, puxando o moreno sobre si. Céus, como ele queria Albus! Duvidava que algum dia iria desejar alguém da maneira como o desejava. Albus se inclinou sobre ele, beijando, acariciando, apalpando. O corpo do loiro também reconhecia o formato daquela mão, sua textura, seus calos, a firmeza de seu toque...

O loiro esticou o braço para alcançar o lubrificante e entregou-o para Albus, ambos com a respiração rápida.

"Você sabe o que fazer" Scorpius falou com um meio sorriso, ao que Albus acenou positivamente.

Albus já o havia estimulado várias vezes com os dedos, portanto já estava bastante treinado para aquele momento, apesar de seus dedos tremerem um pouco quando ele alcançou o frasco. Scorpius observou quando ele espalhou generosamente o lubrificante nos dedos depois de se posicionar entre suas pernas dobradas, encarando-o atentamente.

Os dedos de Albus estavam gelados quando espalharam a substância viscosa tentadoramente. Scorpius inconscientemente imitou com a língua o desenho circular que os dedos de Albus faziam, lambendo os próprios lábios em antecipação. Ele já estava quase implorando quando o primeiro dedo escorregou para dentro com facilidade. A sensação causada pelo entra e sai do dedo fez com que Scorpius pedisse pelo segundo dedo. Albus foi tão cuidadoso e Scorpius estava tão excitado que quase não sentiu dor. O terceiro foi um tanto incômodo no começo, mas a necessidade que sentia de mais era maior. E Albus ainda fez questão de curvar os dedos, pois já sabia onde encontrar o ponto que fazia Scorpius delirar.

"Ahh" Scorpius fez, arqueando as costas e se contorcendo de prazer. "Agora, Al. Por favor. Por favor..." Scorpius implorou quando Albus continuou tocando-o no mesmo lugar.

O moreno tirou os dedos obedientemente, alcançou o lubrificante ainda mais trêmulo do que antes e espalhou o líquido sobre si mesmo, ainda não se importando em economizar. Scorpius o encarou nos olhos quando ele voltou a se posicionar e acenou um encorajamento. Albus se deixou escorregar lentamente.

Muito mais do que um incômodo, aquilo fez com que Scorpius ardesse de dentro para fora. Porém, nenhum deles desviou ou fechou os olhos, um preocupado em assistir a reação do outro. Scorpius tinha certeza de que estava fazendo uma careta de dor. Mas qualquer coisa compensava o prazer estampado na face de Albus, seus lábios se abrindo, a respiração vindo em arfadas curtas e rápidas, os olhos perdendo levemente o foco, parecendo prestes a fechar, o suor brotando sobre seu lábio superior, o cabelo grudando na testa...

Albus finalmente fechou os olhos, sem se mover, seu aperto firme no quadril de Scorpius, mantendo-o imóvel. Mais do que fazer com que o loiro se acostumasse, Scorpius desconfiava que Albus estava lutando para recuperar o controle. Scorpius alcançou uma de suas mãos e guiou-a até seus lábios, beijando-a ternamente.

Quando Albus abriu os olhos, eles estavam brilhantes e determinados. Scorpius se empurrou contra ele para mostrar que também estava pronto. Albus não esperou que o namorado pedisse, apenas começou a se mover num ritmo lento e torturante, cada vez mais fundo, cada vez um pouco mais rápido.

Albus gemeu e mudou de posição. Scorpius gritou quando sentiu um espasmo de prazer. A realização de que tinha atingido a próstata do loiro fez com que Albus acelerasse, murmurando incoerências. Ou talvez suas palavras parecessem incoerentes a Scorpius, que não conseguia se concentrar em outra coisa que não suas próprias sensações que ameaçavam engoli-lo a qualquer momento. Estava muito perto. Muito perto mesmo.

Mas Albus chegou primeiro, diminuindo o ritmo enquanto gemia longa e profundamente. Scorpius nem parou para pensar, apenas enfiou a mão entre seus corpos, levando a si mesmo a um orgasmo intenso, quase esmagador de tão bom.

Quando voltou a ouvir e pensar corretamente, Scorpius tomou consciência de que Albus se desculpava entre beijos em seu queixo e pescoço.

"Me desculpe, eu sinto muito, muito mesmo... Eu apenas não consegui segurar por mais tempo, eu..."

"Hey, shh, calma" Scorpius segurou seu rosto entre as mãos. "Pelo que você esta se desculpando? Por me dar o melhor momento da minha vida?"

"Não, eu estraguei tudo..." Albus fez bico.

"Claro que não. Você foi maravilhoso". Scorpius assegurou.

"Mas poderia ter sido melhor se eu não tivesse perdido o controle desse jeito e..."

"Bem, a perfeição vem com a prática" Scorpius levantou as sobrancelhas sugestivamente e sorriu ao finalmente arrancar um sorriso do moreno. "Foi perfeito. Pare de se desculpar, ou então você vai acabar estragando tudo mesmo".

"Me des... errr..." Albus se interrompeu em tempo. "Ok. Então eu prometo que a próxima vez vai ser ainda melhor".

"Melhor assim" Scorpius o trouxe para um abraço, onde Albus ficou até relaxar sob os carinhos do loiro, que começava a achar desconfortável o peso sobre seu tronco, apesar de estar relutante em pedir que o moreno saísse.

Não precisou pedir, entretanto. Albus rolou para o lado, seus movimentos já um pouco letárgicos quando ele alcançou a varinha no criado mudo e limpou-os, aproveitando para convocar o frasco de lubrificante que havia se perdido em algum lugar da imensa cama. Albus puxou os lençóis sobre ambos e colou o próprio corpo às costas de Scorpius, que se aconchegou de encontro ao seu calor.

"Você está bem?" Albus perguntou junto ao ouvido de Scorpius, envolvendo sua cintura possessivamente com um braço.

"Sim" Scorpius respondeu. Estava um pouco dolorido, mas nada que o impedisse de dormir perfeitamente bem.

Albus depositou um beijo em seu ombro e respirou profundamente. Scorpius dormiu quase de imediato.

xXxXxXx

Junho de 2023, 3ª semana.

Albus deitou ao lado de Scorpius, ofegante. Preocupou-se apenas em recuperar o fôlego e sentir a temperatura do corpo baixar, o suor dando lugar ao friozinho característico das masmorras, mesmo no verão. Scorpius estava certo ao dizer que a perfeição vinha com a prática. Pelo menos no que se referia a sexo. Quando Albus achava que não tinha como melhorar, sempre se surpreendia. Scorpius também não parecia ter do que reclamar, a julgar pela maneira como ele reagia, implorava, exigia e tomava. O loiro conseguia deixar Albus confiante o bastante para se soltar, fazendo com que tudo parecesse tão natural e perfeito...

Albus aproveitou para encarar o perfil tranqüilo de Scorpius, os lábios entreabertos, os olhos fechados, a respiração se acalmando gradualmente.

"O que você está olhando?" Scorpius perguntou de repente.

"Como você sabe se eu estou olhando pra você?" Albus perguntou, divertido.

"Eu posso sentir o seu olhar. Ele desgasta a minha pele de tanto que você encara" Scorpius falou, sorrindo e finalmente abrindo os olhos.

Albus apoiou a cabeça no cotovelo para poder observá-lo melhor. Não havia muita iluminação no quarto, mas a pouca luz fazia seus olhos cinzentos brilharem. Scorpius lambeu os lábios, atraindo os olhos do moreno para lá. Seus lábios eram finos e delicados, e a pele lisa de seu queixo era coberta por pêlos loiros, finos e curtos, quase invisíveis. Albus não se cansava de olhar.

"Você não vai me deixar dormir mesmo?" Scorpius perguntou, a voz um pouco pastosa de sono.

"Eu já estou com saudades, só de pensar nas férias, Scorpie" Albus confessou. "Tem certeza que nós não podemos aparatar direto para o quarto um do outro?"

"Bem, nossos pais com certeza perceberiam se nós fizéssemos isso".

Albus gemeu de frustração. Eles haviam tido aulas de aparatação e ambos já haviam completado dezessete anos, portanto estariam relativamente independentes nas próximas férias. Mas aquilo não mudava o fato de que moravam com os pais e tinham que obedecer às regras deles. Albus queria convidar Scorpius para passar alguns dias em sua casa, mas duvidava que seria a mesma coisa de quando eles eram apenas amigos. Sua mãe com certeza prepararia um quarto separado para Scorpius, como fazia quando Shannon pernoitava.

"Hey, nós ainda podemos nos falar todos os dias" Scorpius falou, esticando uma mão para acariciar a nuca do moreno.

"Mas quem vai me fazer dormir todas as noites?" Albus choramingou.

"Eu posso cantar uma canção de ninar para você, se quiser" Scorpius sugeriu, inocentemente.

"Você sabe o que eu quis dizer, Scorpie" Albus insistiu.

"Sim, você quis dizer: 'Quem vai me deixar exaurido todas as noites para que eu possa dormir como um bebê?'"

"É, mais ou menos isso..."

"São só algumas semanas, Al. O que são algumas semanas para quem esperou dezesseis anos?"

"É, mas eu não sabia como era bom. Agora eu sei..."

"Você sabia que fica lindo com esse bico enorme?"

Albus deu um beliscão de leve no braço de Scorpius, que riu.

"Eu não acho que meu pai se importaria se você aparatasse direto no meu quarto, Al" Scorpius falou, sério. "Mas sua mãe não iria gostar. Olhe, nós podemos nos encontrar toda semana no Beco Diagonal, o que me diz? Os hotéis são péssimos, mas..." Albus arregalou os olhos e Scorpius riu. "Ok, tirando a parte dos hotéis, eu estou falando sério! Nós poderíamos dar uma volta, tomar sorvete, jantar fora... até beber, se nós quisermos. Sabe, coisas que casais normais fazem. Além de sexo".

"Eu trocaria tudo isso por sexo" Albus brincou, ganhando um beliscão de Scorpius daquela vez. "Não, falando sério agora. Eu achei uma ótima idéia! Nós podemos combinar através do medalhão e aparatar direto lá".

"Combinado, então. Agora você poderia, por favor, nos limpar? Ou pelo menos sair de cima do meu braço para que eu possa fazê-lo? Você é quem escolhe..."

Albus rolou os olhos se virando com dificuldade e Scorpius aproveitou para tirar o braço debaixo dele. A cama era muito pequena para os dois, mas eles faziam um esforço para caberem. O moreno alcançou a varinha mais próxima: a de Scorpius.

"Hmm... você se importa...?" Albus perguntou.

"Se você manusear a minha varinha? Não, eu já estou acostumado" Scorpius falou, apreciando o duplo sentido do que acabara de dizer.

Albus lançou o feitiço, com um leve receio de que saísse alguma coisa errada por aquela não ser sua varinha. Mas não pareceu fazer diferença nenhuma, apesar de ser um pouco estranho girar a varinha não familiar entre os dedos.

"Ah..." Scorpius suspirou, aliviado. "Como os trouxas sobrevivem sem o bom e velho 'Scourgify'?"

"Não sei, mas eles devem ter que trocar os lençóis todos os dias" Albus concluiu.

"Então, o que acha de dormir?" o loiro ofereceu, esperançoso. "Eu acredito que metade da Sonserina ainda não apertou a sua mão por nós termos vencido a Lufa-Lufa hoje e ganhado a Taça mais uma vez. Eles certamente vão querer fazer isso amanhã, então é melhor você estar descansado, não acha, capitão?"

"Certo..." Albus concordou, infeliz. "Você não se importa se eu ficar olhando enquanto você dorme, se importa?"

"Albus?"

"Hm?"

"Cale a boca".

Albus sorriu e cobriu-os com o lençol, devolvendo a varinha no criado. Beijou a bochecha de Scorpius e fechou os olhos.

"Boa noite, Al" Scorpius sussurrou algum tempo depois.

"Boa noite, Scorpie".

xXxXxXx

Junho de 2023, 4ª semana.

Scorpius desceu primeiro do trem e ajudou Albus a descer seus malões. Eles saíram do caminho dos outros alunos e um buscou a mão do outro, entrelaçando seus dedos e sorrindo. Scorpius não demorou a encontrar os cabelos característicos de Harry Potter se destacando na multidão e viu Ginny Potter acenando para eles, sorrindo.

"Ali" Scorpius guiou Albus até eles e foi recebido por um aperto de mão firme do pai de Albus seguido de um inesperado abraço da mãe dele.

"Como vai, meu querido?" a Sra. Potter perguntou, gentil.

"Bem, obrigado" Scorpius se sentiu um pouco mais à vontade. Esperava ser bem recebido, só não esperava tanto entusiasmo.

"Você sabe que é bem-vindo em nossa casa sempre que desejar, não sabe? Vou mandar Albus chamar você quando fizer lasanha, está bem?"

"Claro" Scorpius aceitou, salivando ao se lembrar da lasanha extra-recheada que a Sra. Potter fizera em mais de uma ocasião.

"Ótimo!" Ginny se deu por satisfeita, finalmente o soltando.

"Vocês se importam se eu emprestar Albus por alguns minutos?" Scorpius pediu aos pais do moreno, que aceitaram e se despediram.

"Por quê?" Albus gemeu quando Scorpius puxou-o pela mão.

"Ora, meus pais também têm todo o direito de babar em você, não acha?"

Albus torceu o nariz, mas aceitou. Scorpius sorriu.

"Oh, que gracinha!" Astoria exclamou quando seu olhar recaiu para suas mãos dadas. "É oficial, então?"

"Sim, mamãe" Scorpius concordou orgulhoso trocando um olhar significativo com o pai, que levantou uma sobrancelha em divertimento.

"Ah, eu estou torcendo para vocês se darem muito bem" Astoria se abaixou para beijar ambas as bochechas coradas de Albus. "Você pode vir nos visitar quando quiser, doçura, não é mesmo Draco?"

"Absolutamente Astoria" Draco concordou, apertando a mão de Albus.

"O-obrigado" Albus gaguejou, ficando mais vermelho a cada segundo.

Scorpius achou que já chegava de torturas por aquele dia. Puxou Albus para um lugar mais escondido dos olhares de ambas as famílias e beijou seus lábios sem pressa, abraçando-o em seguida.

"Eu vou falar com você todos os dias" Scorpius prometeu, apontando para o medalhão que fazia um pequeno volume debaixo da camiseta que Albus usava. "Nem que seja só para ficar olhando para essa sua cara de bobo, ok?"

"Ok. Se você não me chamar, eu chamo" Albus assegurou. "E ai de você se não me atender!"

"Se eu não atender você, chame os medibruxos imediatamente. Com certeza será por uma emergência".

"Combinado. Você levou o convite da minha mãe a sério?"

"Sim. Por quê? Não deveria?"

"Caro que deveria. Eu vou convencê-la a fazer lasanha todos os dias, se depender de mim" Albus se adiantou para outro beijo breve, mas não menos delicioso. "Até mais".

"Até".

Albus se afastou, relutante. Scorpius observou quando o moreno voltou para junto de sua família, onde Lily também já aguardava. Albus acenou uma última vez antes de eles se afastarem.

"Feche essa boca, Scorpius" seu pai recomendou com um cutucão ao se aproximar sem que Scorpius percebesse. "Quem vê esse seu sorriso bobo pode até pensar que você dormiu com ele esse tempo todo".

Scorpius gargalhou, achando melhor não responder nada para não se comprometer. Já tinha idade suficiente para comprar seu próprio lubrificante, afinal.

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N.A.: Eu devo ter atingido um recorde depois desse, não? Maior quantidade de lemons em um único capítulo? Aff! xD Alguém estava contando?

Não poderia deixar de agradecer também pelas reviews que não pude responder. Muito obrigada a: Isis Coelho (é muito bom estar de volta, obrigada pela acolhida! \o/), Juliana Malfoy (será que este conseguiu superar o último capítulo? XD), Milla (viu só? Seu palpite estava certo ;D), allsmind (espero que você tenha sobrevivido ó.ò Valeu a pena o capítulo, pelo menos? XD).

Quero dedicar esse capítulo a uma pessoa que é muito especial para mim e eu quero que vocês saibam que sem ela "Segunda Chance" talvez fosse menor e mais pobrezinha – principalmente de smut (sério! XD). Como eu já comentei, escrevi essa fic de uma tacada só em abril desse ano. Muitos de vocês, leitores, são também escritores e sabem como é bom ir escrevendo e postando e recebendo reviews para incentivar, mas eu abri mão disso para poder oferecer material de melhor qualidade para vocês. Gostei do resultado, mas confesso que senti muito, muito mesmo, pela falta de feedback (como saber se vocês gostariam do que eu estava criando?). Então em certo momento da fic (pouco menos da metade, acredito) eu não me agüentei e pedi a opinião da Dany. Gente, foi como receber uma injeção de ânimo! Dali em diante, escrevi mais rápido só pra ter o que mostrar pra ela! Sem contar que sempre que empacava em alguma coisa corria conversar com ela, e nessas conversas a inspiração voltava com força! Ela me deu várias dicas e muitos empurrões nas direções certas, por isso devo esse capítulo (senão a fic toda) a ela, que além de tudo isso ainda é uma beta dedicada nas horas vagas (infelizmente muito raras ultimamente). Dany, você sabe que mora no meu coração!