Capítulo 13

Sobre memórias e lembranças.


Teddy Lupin encarou os portões de Hogwarts com um misto de afeição e saudosismo. Era estranho para ele estar ali e não estar usando os robes negros do uniforme, e sim suas próprias roupas. Fazia mesmo tanto tempo assim que ele não era um aluno da escola?

Não tanto tempo assim, raciocinou, já que tudo ainda parecia familiar… por outro lado, tempo o suficiente que não conseguisse reconhecer nenhum dos rostos que apareciam por ali.

Bem, quase nenhum. Era impossível não reconhecer os rostos dos Potters e Weasleys, uma vez que eles eram família. Também era impossível não reconhecer os professores, já que todos eles lhe haviam dado aula enquanto ele estava em Hogwarts.

Mas hoje era diferente - tudo estava diferente. Usando suas próprias roupas, cabelos propriamente castanhos e com uma pasta que era tão diferente de sua mochila quanto a lua do sol, Teddy mal conseguia acreditar que aquela pessoa ali era ele mesmo.

Em todo caso, hoje ele estava ali a trabalho - e queria aproveitar para visitar a sua família, os Potter. Ir à casa deles e não encontrar James, Albus ou Lily era simplesmente… errado.

Talvez fosse porque, até esse ano, Lily estava sempre lá. Ele podia sair do trabalho e passar na casa dos Potter, para ficar brincando com ela por algumas horas -o que ele fazia, com frequência.

Agora, com Lily em Hogwarts e James ainda muito distante de se formar, Teddy previa que passaria muito tempo sozinho - por algum motivo, pessoas de sua idade pareciam não apreciar quando ele mudava as cores de seu cabelo ou o formato de seu nariz.

Sorriu para Filch, ganhando apenas um olhar de reprovação como resposta. Seguindo o zelador na direção da sala da diretora, não conseguiu evitar de alargar o sorriso quando viu McGonagall já aguardando sua presença.

Dissessem o que quisessem dizer sobre o diretor Albus Dumbledore, para Teddy não havia melhor diretora do que Minerva McGonagall. Não em toda a história de Hogwarts - bem, mesmo que não tivesse um jeito de Teddy comprovar.

Embora severa, McGonagall era justa, corajosa e sábia. Ela conseguia governar Hogwarts com um punho de ferro - mas do tipo bom. Ela sabia ser compreensiva quando tinha que ser e… bem, talvez McGonagall apenas o lembrasse demais de sua avó Andrômeda.

"Olá senhor Lupin, estava te aguardando. Vamos subir, por favor."

Com um suspiro, assentiu e deu uma última olhada ao redor antes de seguir a professora escada acima.

Hogwarts. Era bom estar de volta em casa.


Quando Lily viu Teddy, sua primeira reação foi correr em direção ao rapaz e pular em seus braços.

Ela não estava acostumada a passar tanto tempo sem vê-lo, e agora que ele estava ali, Lily se permitiu pensar que realmente não gostava de sua ausência - era, de fato, a parte que ela menos gostava sobre estar em Hogwarts, pedras estranhas e músicas esquisitas inclusas.

Teddy estava rindo quando colocou a ruiva de volta no chão, suas mãos indo imediatamente em direção a seus cabelos para bagunçá-los.

"Ei! Não mexe no cabelo!" a ruiva reclamou, dando alguns passos para trás e erguendo as mãos em uma tentativa desesperada de protegê-los. "Você sabe que eu não gosto disso!"

"Aw poxa! Achei que ia abrir uma exceção, já que sentiu tanto a minha falta e tudo mais." Teddy sorriu e olhou ao redor, procurando por Albus e James. "Cadê os outros?"

"Albus tá em aula agora e o James tem detenção." Explicou a ruiva, um suspiro deixando seus lábios. "Você acredita que os professores ainda não conseguiram tirar a areia do andar? Ele tá interditado."

Uma risada surpresa escapou dos lábios de Teddy. "Bem, agora sabemos o que James fez durante o verão que passou nas Gemialidades Weasley." Meneando a cabeça, Teddy continuou rindo-se por mais alguns minutos antes de se virar para Lily. "Mas e você? To sentindo falta de suas cartas…"

Lily sentiu as bochechas ficarem vermelhas e logo desviou o olhar, procurando em sua mente por respostas. A verdade é que, já que Albus e professor Snape decidiram que ela ficaria melhor se ela parasse de procurar por respostas, ela tinha decidido ir procurar sozinha…

Depois de passar todo o seu tempo livre na biblioteca, Lily se sentia exausta. Ela não queria ler nem escrever nem uma linha.

"Desculpa, Teddy," sorriu, sem graça. "muito trabalho de casa, sabe?"

Teddy arqueou uma sobrancelha e abriu um sorriso torto. "Muito dever de casa, ou muito sangue dos Potter? Ouvi dizer que a senhorita anda passando muito tempo na biblioteca, tempo até demais para uma primeiranista."

Lily fez sua melhor expressão de inocência, aproveitando para forçar um sorriso. "Hm, é que eu sou muito curiosa, você sabe o quanto eu queria vir para Hogwarts! Além do que, bem, eu acho que me acostumei com a rotina pesada de estudos depois que tive que recuperar aquele tempo que eu fiquei doente e tudo mais…"

Encarando-a por tempo o suficiente para que ela tivesse certeza de que ele não havia acreditado nela, Teddy suspirou e acenou para Lorcan Scamander que estava do outro lado do corredor. "Escuta, Lils. Eu entendo, sabe? Acho que ficaria do mesmo jeito - se soubesse que tem algo estranho acontecendo mas não soubesse exatamente o que. E eu tenho certeza de que o tio Harry entende também - quer dizer, você sabe pelo que ele passou. Se tem alguém que realmente pode te entender, esse alguém é o seu pai - mas você tem que pensar na sua saúde. E na sua segurança também. Ah, e na possibilidade de que seu pai tenha um motivo para querer te manter afastada disso tudo."

Lily continuou sorrindo angelicamente. "Claro, Teddy. Eu nunca desobedeceria meu pai."

Teddy Lupin revirou os olhos. "Eu já vi essa expressão em algum lugar - vamos dizer, no James?" Riu-se, abrindo o portão que levava para os Jardins. "Não funciona muito bem em você, Lils."

"Aw, Teddy. Mas eu tava falando a verdade…"

"Não, não estava. Mas tudo bem…" Teddy meneou a cabeça e suspirou. "Eu entendo, é só que… estou tendo dificuldades para me acostumar com isso."

Lily franziu o cenho."Se acostumar com o que, Teddy?"

"Com o fato de que eu sou um adulto agora, sabe?" Teddy deu de ombros, um sorriso conformado nos lábios. "Eu tenho responsabilidades, um trabalho… e, do nada, parece que eu não sou mais um de vocês, sabe?"

Lily piscou. "Mas é claro que você é, Teddy! O meu pai falou alguma coisa? Quer dizer, todos nós ainda te consideramos parte da família."

"Não é bem isso." Teddy suspirou, fechando os olhos. "É difícil de explicar, mas é que… Assim,tenta ver o meu lado: James sempre me contou sobre as peças que ele estava planejando durante o verão. Albus discutia seus problemas comigo. E você… Lils, a gente falava tudo um pro outro. E do nada, James não me conta mais suas peças, Al prefere conversar com Malfoy sobre seus problemas e você… Bem, eu acho que isso já vinha acontecendo a algum tempo, e eu acho que é natural que vocês vão ficando mais independentes conforme vão crescendo, mas eu acho que só realmente me dei conta quando percebi que você também estava indo - ficando envolvida com sua vida, seus problemas e seus novos amigos… Acho que me senti meio… sozinho."

"Aw, Teddy! Mas nós te amamos!" Jogando os braços ao redor da cintura de Teddy, Lily o abraçou. "Desculpa se te fiz sentir excluído."

"Tudo bem, Lils. Tá tudo bem, eu entendo."

"E se você parar para pensar," Lils continuou como se Teddy não tivesse falado. "papai, tio Ron e tia Hermione agora falam com você para tudo! Então não é que você foi excluído, é que você foi promovido a parte adulta da família."

Teddy soltou uma gargalhada. "Promovido? Ok, vou tentar ver as coisas dessa forma - obrigado, Lils." murmurou, bagunçando gentilmente os cabelos da menina e recebendo um olhar irritado da ruiva como resposta.

"Teddy! Deixa meu cabelo em paz!"

Teddy sorriu, assistindo Lily se afastar pisando forte no chão e fazendo bico. Ele se sentia aliviado ao perceber que, apesar de tudo o que estava acontecendo em sua vida, Lily se mantinha a mesma menina que ele conhecia tão bem.

Mas que ela estava investigando por conta própria, ah, ela estava. Lily nunca conseguiria enganá-lo.

Por um momento, Teddy se questionou se a coisa certa a fazer seria contar para alguém o que Lily estava fazendo, mas por fim decidiu se manter em silêncio. Falar alguma coisa depois de conversar com Lily o fazia se sentir como um traidor, e ele não gostava disso.

Além do que ele já havia deixado escapar para Harry que achava que ela estava investigando, então não era como se ele estivesse sendo completamente imprudente, certo? E Lily não havia admitido nada para ele de forma direta.

Com um suspiro, Teddy seguiu a ruiva. Não, ele não diria nada a ninguém.

Mas nada o impediria de fazer suas próprias investigações.


Que bela imagem ele tinha.

Mal conseguia acreditar que seus cabelos estavam brancos - tinha passado tanto tempo assim mesmo? Como ele podia ter perdido tanto tempo assim e não ter se dado conta?

E seu corpo! Estava magro, quase esquelético. E pensar que tempos atrás costumava comparar seus músculos com Sirius Black - a que ponto ele chegou!

Tudo havia começado a tanto, tanto tempo atrás… mas acabaria em breve. Muito, muito em breve, se estava correto.

Jogou a mensagem dobrada em um canto do banheiro, esperançoso de que logo fosse encontrado. Não tinham tempo a perder.

Embora seus pensamentos ainda estivessem confusos, uma coisa estava clara: ele tinha uma missão. Ele tinha que cumprir aquela missão, sua última missão.

Não que tivesse desejo de morrer, mas o que aconteceria depois que realizasse o seu destino era... bem, era um mistério. Sabia que não queria voltar para sua prisão, mas haveria um lugar no atual mundo bruxo para um homem como ele?

Meneou a cabeça, não era o momento para pensar nisso. Tentando se focar no presente, se forçou a contar os degraus que descia em direção a sala. Parou ao lado da escada para lançar um último olhar na direção do corpo de Alexius Fairbanks e, por um momento, não soube dizer o que sentia.

Por um lado, aquele homem era um ser humano terrível - por outro, ele era a única fonte de informação a que qualquer um deles poderia recorrer.

Como é que descobriram o paradeiro de Fairbanks, ele não sabia dizer. O homem era paranoico - ele mesmo havia passado meses e meses procurando e nada... Foi apenas depois de sua morte que Fairbanks havia ficado mais fácil de encontrar.

Se bem que, em toda justiça, ele também não estava na melhor posição para procurar alguém - de fato, ele tinha que assumir que em algumas horas todos já saberiam de seu desaparecimento e ele começaria a ser procurado.

Era uma pena que tivesse que preocupar tantas pessoas, mas ele sabia que realmente não havia outra forma. Se soubessem que ele tinha as informações que tinha... ele duvidava que fosse sobreviver por mais tempo que Fairbanks.

A maior parte da informação que ele tinha havia se perdido no labirinto de sua mente, mas ele conseguia perceber que a cada dia que passava a névoa ia se atenuando. Era ao mesmo tempo um alívio - voltar a ter um eu, voltar a ter memórias de seu passado - e uma tortura, uma vez que isso o forçava a enfrentar tudo o que poderia ter sido e não era, tudo o que tinha acontecido e como sua vida havia ido de difícil para trágica.

Ainda conseguia ouvir a voz de Bellatrix Lestrange…

Lembrava claramente sobre como sua voz tremia com excitação quando ela o questionava sobre o paradeiro de Lily Potter - e sobre a relação de Lily com unicórnios. Ele não entendera na época, não que se entendesse entregaria Lily - ela era uma colega, uma amiga até.

Não entendia por que Voldemort estava tão obcecado com os Potter, não entendia por que ele parecia tão desesperado por encontrar Lily Potter.

Eventualmente, ele imaginou que fosse porque ele já soubesse que a ruiva estava grávida, que fosse por causa daquela maldita profecia...

Demorou muito tempo, mas ele finalmente conseguiu entender: nunca havia sido sobre sua amiga Lily, e nem mesmo sobre a maldita profecia que Trelawney realizou.

Era sobre uma profecia e era sobre uma Lily Potter - a Lily que ainda estava por vir, a pequena neta que os Potter, e por ironia o próprio Voldemort, nunca vieram a conhecer.

A jovem Lily Potter era a chave, a única forma conhecida de chegar a fonte da juventude e adquirir imortalidade… e se os seguidores de Herpo estavam envolvidos nisso, a pequena bruxa corria sérios riscos de vida.

Ouviu passos ao longe e vozes conversando; parecia que os aurores estavam chegando então. Finalmente. Era hora de sair dali e dar o próximo passo em seu plano.

Era hora de ir para Hogwarts.


N/A: Uhh, mistérios! ^^

Quero fazer um agradecimento especial a todos os que estão lendo, espero que estejam gostando! Adoraria saber o que estão pensando, então, reviews? Por favorzinho?

E bem, tivemos bastante Teddy nesse episódio, o que dizer? Estava sentindo saudade dele!

Beijos e até a próxima segunda!

Ice