Leite com Canela
Sinopse: Lily adorava leite com canela. Eu jamais entendi o motivo. Até que ela me deixou provar um pouco.
About: J/L, como tudo que eu sei escrever. T, para garantir que eu possa escrever palavrões sem ter que me preocupar com criancinhas inocentes.
Verdades sejam ditas!
Porque eu também tenho meu orgulho
- Qual vai ser sua fantasia pro dia das bruxas? – perguntou Peter.
- Não pensei nisso ainda. – suspirei. – Eu e Lily temos trabalhado muito na organização da festa pra ter tempo de pensar no que vestir. – suspirei de novo. – Você vai do que?
- Indiana Jones! – Wormtail sorriu, feliz. Eu sorri de volta.
- Aquele cara trouxa, né? – ele confirmou com a cabeça, - E quem você vai convidar?
- Não sei ainda. Eu estava pensando na Charity Williams.
- Ela já saiu com Padfoot. – contei. Em outras palavras: ela não vai aceitar.
- Oh, droga! – Wormtail suspirou.
- E se você chamasse aquela moreninha do sexto ano?
- Quem?
- Eu não tenho certeza, mas eu acho que o nome dela é Katie Berry. Sabe? Aquela baixinha, com cabelo batendo nos ombros, moreninha...
- Sei sim. – Wormtail sorriu. – Pode ser uma boa!
- Vá em frente, cara! – eu sorri e me levantei da poltrona, coçando os olhos. – Agora, se me permite, eu vou dormir o sono dos justos. – e fiz uma reverência exagerada, para ele rir.
Tudo que eu mais queria na vida era a minha cama, mas quando eu cheguei ao salão comunal dos Monitores e vi Lily arrumada para sair, eu fiquei muito acordado. Ela estava linda. Usava uma calça preta justa, uma botinha e uma blusa verde esmeralda, de tricô. Quando me viu, ela soltou o cabelo e sorriu. Meu coração quase parou de bater.
- E então? – ela perguntou, dando uma voltinha. – O que você acha?
- Meia boca. – sorri enviesado para ela.
- Ouch. – ela fez cara de ofendida.
- Você sabe que está linda. – murmurei, sentindo meu coração disparar. Quer dizer, coração é uma coisa muito burra, porque uma hora para, outra acelera... Vou enfartar logo, logo.
- Obrigada. – ela voltou a sorrir.
- Vai sair? – perguntei, me sentindo enciumado.
- Vou.
- Com quem? – não consegui evitar a pergunta. Foi mais forte do que eu. Convenhamos: seria muito mais fácil se ela dissesse o nome do infeliz que vai ter a cara rachada no final da noite.
- Eu acho que perdi a parte do contrato que diz que eu te devo satisfações. – ela cruzou os braços e fechou a cara para mim.
- Isso foi grosseiro. – me sentei na poltrona, cruzando os braços também.
- Não. Foi realista. – ela se sentou na poltrona de frente para a minha.
- Ok. – eu assenti, desviando o olhar dela para o fogo crepitando na lareira.
- James... – ela suspirou. – Por favor, eu não quero brigar com você.
- E por que você brigaria comigo? – perguntei, irritado. – O que foi que eu fiz dessa vez, Lily?
- James...
- Eu não fiz nada. – voltei a olhar para ela. – Você vive dizendo que eu sou imaturo, que eu sou arrogante e tenho um ego enorme...
- Faz muito tempo que eu não te digo isso. – ela interrompeu.
- Mas você ainda pensa. – eu retruquei. – Mas você não vê que tem sido tão imatura quanto você acha que eu sou.
- Eu não quero brigar, James. – ela repetiu, em tom de aviso.
- Ninguém vai brigar, Lily. – eu retorqui, nervoso. – Eu só fiz uma pergunta e eu não merecia sua resposta grosseira. – ela cruzou os braços. – Mas você nunca se importa em me machucar, não é mesmo? Contanto que você esteja bem, eu não sou importante.
- Você sabe que não é assim! – ela se levantou da poltrona, irritada. Eu continuei irredutível.
- Ah, não? – perguntei, irônico. – Como é, então, Evans? Porque eu não estou entendendo seu ponto de vista.
- Eu me importo com você. – Lily disse, baixo, sentando perto de mim.
- Se importa tanto que não perde a chance de esfregar na minha cara que eu não sou bom o bastante para você.
- Pelo amor de Deus, James! Isso não é... – os olhos dela estavam cheios de lágrimas e eu interrompi.
- Lily, eu gosto de você. – até eu me surpreendi quando disse isso. Ela não me olhou. – Mas eu estou cansado de levar patadas, enquanto eu te trato bem. – eu suspirei e levantei da poltrona. – Agora vai embora. Você deve estar atrasada pro seu encontro. – e sai em direção ao meu quarto.
- Espera, James. – ela pediu.
- O que é, Lily? – eu me virei.
- Eu... me desculpe... – ela murmurou.
- Esquece. – eu meneei a cabeça.
- James... – o tom de voz dela era de choro.
- Quer saber, Lilith? – eu suspirei, sentindo o coração tão apertado quanto jamais tinha sentido. – Você não se importou em me dispensar, quando eu tive um bom motivo por te deixar esperando. – ela fez menção de falar. – Eu sei que foi errado não te avisar, mas o Remus precisava de mim. – ela baixou os olhos. – Eu não tinha a intenção de te fazer de idiota. Mas eu sou tão azarado que a única vez que você aceita sair comigo, é quando Remus tem um probleminha peludo e eu não posso deixá-lo na mão. – eu suspirei. – Mas de todas as pessoas, Lily, eu pensei que você entenderia. – e eu entrei no meu quarto, sem olhar para trás.
Apesar de cansado, eu não conseguia dormir. Minha cabeça rodava com o turbilhão de pensamentos sobre Lily, sobre o que eu tinha falado, sobre o encontro dela esta noite. Mas eu sentia que precisava dormir e não sonhar com a ruiva maldita a noite inteira. Uns quinze minutos depois, eu sai do quarto, para pedir uma poção do sono para Madame Pomfrey e vi que Lily ainda estava no salão, sentada no sofá.
Passei por ela, ignorando sua presença, mas vi quando ela tirou as mãos do rosto para me ver passar. Eu não quis magoá-la. De verdade. Mas eu queria que ela entendesse o meu lado também. Eu não sou um cachorrinho, que sempre volta com o rabo entre as pernas, quando ela chama.
Eu também tenho sentimentos.
- Minha cabeça está estourando. – falei para Madame Pomfrey, assim que pus os pés na enfermaria. Eu estava mentindo, eu sei, mas eu ganharia uma poção para dormir e era tudo que eu queria.
- Vou pegar uma poção para você. – ela sorriu, bondosa.
- Obrigado.
Dois minutos depois, eu já estava no caminho de volta para o salão comunal dos Monitores, e, consequentemente, o meu quarto. Murmurei a senha e, enquanto entrava, já desrosqueava a tampinha do frasco. Fiquei ligeiramente surpreso ao ver que Lily ainda estava sentada no sofá.
Mais uma vez, fingi que ela não estava ali, e fui para o meu quarto.
- James, espera. – Lily disse. Eu parei na porta, já pronto para fechar.
- Lily, eu estou cansado. – eu falei. – Vá se divertir e talvez amanhã a gente converse de novo.
Ela assentiu, parecendo magoada. Claro que eu fiquei dolorido por dentro, mas eu também tenho meu orgulho. Fechei a porta, suspirando, e sentei na cama. Tomei todo o conteúdo do frasco e adormeci profundamente.
- O que você fez para Lily? – Padfoot perguntou, depois de um tempo, na hora do café-da-manhã.
- O que eu fiz para Lily? – repeti a pergunta, irritado. – Por que você acha que eu fiz alguma coisa para ela? Por que ela não pode ter feito alguma coisa para mim, Sirius? – Remus, Peter e o próprio Sirius me olharam, surpresos.
- Ih, calma, Prongs! – ele ergueu as mãos, como se estivesse rendido. – É que ela não sentou com a gente hoje e não pára de lançar olhares furtivos para cá.
- Eu só abri o jogo, Pads. – respondi, cansado. – Eu cansei de levar patada o tempo todo.
- Demorou, né? – Wormtail se intrometeu e eu vi Padfoot lançando um olhar repreensivo para ele.
- É, Peter, demorou. – confirmei.
- Ela parece bem arrependida. – Moony falou, quando engoliu um pedaço de omelete.
- Que bom. – retruquei, enfiando uma garfada particularmente grande de bacon na boca. Era o meu sinal para que eles parassem com aquele assunto.
- Vocês já decidiram a fantasia que vão usar na festa de Halloween? – perguntou Sirius, entendendo o recado.
- Eu vou de Indiana Jones. – Peter sorriu, feliz.
- Eu estava pensando em ir de Camisinha.
- Que bom que você vai usar proteção, Padfoot. – Remus sorriu, malicioso. – Só para variar. – nós rimos um pouco.
- Imbecil! – Sirius sorriu também. – Eu estava pensando em usar uma fantasia de Camisinha.
- Pelo amor de Deus, Sirius. Se for pra vestir uma Camisinha, vista um visgo, então. – Remus provocou. Nós rimos ainda mais. Padfoot inclusive.
- Ok, ok. – Padfoot fez cara de quem tinha acabado de ter uma idéia brilhante. – E se eu fosse vestido de Jose Cuervo?
- Que isso? – perguntei.
- Tequila. – ele sorriu.
- Eu desisto, Prongs. – Remus meneou a cabeça, risonho.
- É um caso perdido. – concordei com ele.
- Eu tenho um bom motivo! - Sirius falou, rindo.
- Você quer ouvir? – perguntei ao Remus, como se Padfoot não pudesse nos ouvir. Ele gargalhou, jogando a cabeça para trás.
- Devemos dar uma chance a ele. – Wormtail ponderou.
- É, você tem razão. – Moony concordou.
- E qual é o bom motivo, Padfoot? – eu perguntei, finalmente, sorrindo malicioso.
- Eu tenho uma coleção de calcinhas pela qual zelar, meus caros.
Nós gargalhamos. As pessoas ao redor nos olhavam com curiosidade e nós riamos ainda mais. Sem querer, eu olhei para Lily – meus olhos vão automaticamente, eu juro. Ela parecia mesmo abatida, como Sirius tinha me contado. Parei de rir quando os olhos dela encontraram os meus.
O dia passou rápido, como acontece sempre que a gente se diverte. Eu e os caras jogamos quadribol, conversamos bastante e fugimos para Hogsmeade, para tomar uma cerveja amanteigada. Tudo muito bom, tudo muito certo, mas de volta ao castelo, eu sentia que todas as minhas responsabilidades voltavam. E, pior, eu teria mesmo que encarar Lily.
Eu não sou covarde, não me entendam mal. Eu só me cansei de levar patadas o tempo todo. Quer dizer, eu também tenho meu orgulho, né? Não sou cachorrinho dela.
Com uma perspectiva desanimada de que Lily viria com as cinco pedras na mão, me julgando por tudo que eu disse na noite passada, fui para o nosso salão comunal.
Lily estava lá, sentada no sofá, cobrindo-se com uma manta e segurando um livro. Ela voltou os olhos para mim, assim que escutou o quadro fechando. Por mais estranho que isso possa parecer, ela sorriu para mim. Eu não sorri de volta e ela murchou.
- James, eu preciso falar com você. – Lily falou, séria.
- Eu ainda não quero conversar. – respondi.
- Então só escute. – ela pediu. Eu assenti e me sentei no mesmo sofá em que ela estava, mas ainda assim, longe.
- Sou todo ouvidos. – murmurei.
- Me desculpe por ter sido grosseira ontem. – ela suspirou. – Eu não tive a intenção...
- Escapou? – eu interrompi, sorrindo com ironia.
- Eu achei que você fosse apenas ouvir. – ela retrucou, sorrindo com ironia também.
- Ponto para você. – ergui a sobrancelha, sem parar de sorrir.
- Olha, James, eu só queria me desculpar. – ela suspirou. – Eu reconheço quando estou errada.
- Certo.
- E eu me importo com você. – Lily murmurou. – Você é meu amigo.
Foi impossível não sorrir de verdade quando ela disse que éramos amigos. Quer dizer, eu sabia que a gente estava se dando bem antes do probleminha peludo do Moony coincidir com o meu encontro com ela, e depois de eu ter roubado um beijo ou dois, mas ouvir Lily dizer que eu sou amigo dela foi muito legal.
- Esquece isso. – eu falei, meneando a cabeça. – Eu exagerei um pouco também.
- É. – ela sorriu também e jogou os braços ao redor do meu pescoço, num abraço gostoso. – Mas eu mereci.
Eu a abracei de volta. Ela é tão... doce. Claro que eu me deixei levar pelo cheiro maravilhoso do cabelo dela e quase a segurei, quando ela se afastou de mim, me encarando com os olhos mais lindos que eu já vi na vida.
- Tudo bem entre a gente, então?
- Tudo. – eu assenti.
- Ótimo. Porque eu estava pensando que teria que te beijar para gente fazer as pazes... – eu arregalei os olhos e ela riu.
- Eu disse que estava tudo bem? – fiz uma cara de coitado. - Não, Lily, não está. – ela riu ainda mais e eu não pude evitar um sorriso também.
N.A.: Ah, gente, eu gosto TANTO desse capítulo! Eu espero que vocês gostem também.
Ele é parte da segunda fase da fic, onde Lily e James se tornam mais íntimos e algumas coisas mais amorzinho começam a acontecer.
Bom, nem preciso dizer o quanto eu amo todas as reviews e todos os favoritos que estou recebendo, não é? Obrigada mesmo a todos vocês. É um superestímulo ver que vocês gostam do que eu escrevo. Vocês são lindos!
Beijos e beijos especiais para Sophie Malfoy, Gabriela(.)Black, Alee Bastos, Bih Portela, Mila Pink, Lady Tee, Senhora Black (Sirius abafando como Camisinha/José Cuervo no Halloween, pode esperar! haha), Sirius Black L, Lady Aredhel Anarion, Dani Prongs, Srta Mai (pode usar a frase xD).
Nath
