ORIENTAL METAL

Um homem de jaqueta preta está em pé parado no acostamento de uma auto-estrada. Ele esperava pela ajuda de algum bom samaritano para lhe dar uma carona. Atividade bem comum naquela região. Pra sua sorte um turista perdido parou ao seu lado para pedir uma informação. Conversa vai, conversa vem, o homem de jaqueta preta acabou fazendo com que o turista o convidasse para entrar no carro. O turista em questão era bem branco, baixinho e meio rechonchudo. Estava vestido com uma camiseta havaiana e usava sandálias do tipo alpercata.

- Estou indo pra Itagira. Esse trajeto serve pra você? - Perguntou o Turista.

- Serve.

- Quer ser deixado onde, amigo?

- Qualquer lugar serve. Pode ser na próxima cidade. De lá eu me viro. - O turista abril a porta do carona e deixou o homem de jaqueta preta entrar. Em seguida deu partida no seu Chevete cinza e seguiu viagem, um pouco mais veloz do que o recomendável. - Perdão. Nem me apresentei. Meu nome é Martin. - Disse o homem de jaqueta preta. O turista apertou sua mão e respondeu com um sorriso educado. - Meu nome é Bolivar.

Enquanto dirigia, Bolivar ia puxando assunto pra distrair um pouco e pra não deixar o sono lhe pegar. - Então, amigo. Você veio da onde?

- De Nova Esperança.

- Conheço de ouvir falar. Tenho um primo que morava lá. E aí? É um lugar bom? Deve ser meio monótono, não?

- Monótono? Não mesmo. - Se arrependendo de ter dito o nome daquela cidade, memórias invadiam a cabeça de Martin o fazendo reviver momentos desagradáveis acontecidos por lá. Como mortos-vivos saindo de tumbas, possessões demoníacas e, a pior parte, sua prisão (ver Horror Punk).

Só após algum tempo de viagem é que Bolivar notou que o homem de jaqueta preta não levava bagagem alguma. Nem mesmo uma pequena mochila. Ligando isso ao fato dele usar roupas surradas e ter um aspecto não muito saudável, Bolivar começou a ter uma incomoda sensação de insegurança. Ele começou a desconfiar do seu carona. Infelizmente pra ele aquela desconfiança só veio aparecer tarde demais. - Puta que pariu! Será que eu trouxe um drogado pra dentro do meu carro? - Pensou.

Bolivar não queria mais puxar conversa. Queria arranjar algum pretexto para colocar aquele estranho para fora do seu carro. Mas, pra sua desgraça, estava demorando de chegar na próxima cidade. O nervosismo de Bolivar era tanto que ele nem estava registrando mais o que o homem de jaqueta preta falava. Respondia tudo com um sorriso amarelo ou com frases feitas do tipo: "pois é né", "que coisa", "puxa".

- Cara, acho que você errou o caminho. - Disse Martin.

- O quê?

- Tenho certeza que já passamos por aqui antes. - Falou Martin enquanto apontava para um posto de gasolina.

Apesar da desconfiança que sentia do seu carona, Bolivar foi obrigado a concordar com ele. Apesar daquilo não fazer muito sentido. - Porra! Mas eu andei em linha reta! - Meia hora depois a dupla estava passando pelo posto de gasolina novamente.

- Ahhh, cara. Não me leve a mal. - Disse Martin. - Mas você está pegando a curva errada em algum lugar.

- Que curva? Desde que você entrou nesse carro não encontrei nenhum retorno! Isso é muito estranho! Itagira não deveria estar nem a 5 km de onde eu te peguei!

Martin engoliu em seco. Aquela resposta o deixou preocupado. Por motivos óbvios ele não podia compartilhar suas desconfianças com o motorista. Mas Martin achava que esse caminho confuso tinha alguma relação com os fatos ocorridos em Nova Esperança. Ao olhar para o céu, Martin conseguiu ver uma estranha nuvem negra que ele bem sabia não tinha nenhuma relação com chuva ou tempo nublado. Seus temores se confirmaram. Alguém ou alguma coisa não queria que eles saíssem de lá.

Na terceira volta Bolivar perde a paciência e estaciona o carro dentro do posto de gasolina que aparentemente estava vazio, apesar das luzes estarem acesas.. - Já chega! Vou perguntar a alguém como sair daqui!

- Espere aê! Isso não é uma boa ideia! - Irritado demais até mesmo para se lembrar da desconfiança que sentia de seu carona, Bolivar sai do seu Chevete deixando Martin lá dentro. Como não tinha ninguém trabalhando no posto, ele decidiu ir até uma loja de conveniência que ficava por lá. A porta estava destrancada. Então ele decidiu entrar.

- Boa tarde. Deseja alguma coisa? - O balconista era um jovem de 19 anos. Negro e bem magro.

- Queria uma informação. Como é que se chega a Itinga.

- O senhor segue direto. Não tem erro.

Meio sem graça, Bolivar falou. - Eu já tentei esse caminho, mas devo ter errado em algum ponto, pois sempre acabo voltando pra cá. - O embaraço de Bolivar aumentou ainda mais quando ele viu a cara de estranhamento que o balconista fez.

- Desculpe, senhor, mas não sei do que está falando. Itinga está só a três quilômetros daqui. Acho que dá até pra enxergar ela daqui.

Do lado de fora da loja, no posto, dentro do Chevete cinza de Bolivar, Martin olha para sua frente e percebe que a nuvem negra que pairava sobre eles agora estava descendo e se transformando numa densa neblina escura que o impedia de enxergar qualquer coisa que estivesse mais distante do que trinta metros do posto de gasolina.

- Merda! - Martin sai correndo do carro, sem nem se preocupar em fechar a porta, e entra de forma abrupta na loja de conveniência do posto. Sem ligar para o que Bolivar e o balconista iriam pensar, Martin pegou um pacote de sal groso que estava em uma das estantes de produtos, o lascou e espalhou seu conteúdo na porta e nas janelas da loja. - Hei, maluco! Você tem que pagar por isso e trate de limpar essa bagunça! - Disse o balconista.

- Cala boca, porra! Olha só o que está acontecendo lá fora. - O balconista e Bolivar ficaram sem palavras quando notaram a densa neblina negra que pairava em volta do posto. A neblina se movia com tamanha rapidez que dava a impressão que o trio estava dentro do centro de um furacão. No entanto não ventava mais do que o normal.

- Meu Deus! - O balconista pegou sua correntinha que estava pendurada em seu pescoço e começou a fazer uma oração.

- É. Reze bastante, talvez isso ajude. - Disse Martin.

- O que é isso lá fora? - Perguntou Bolivar.

- É um homem religioso, Bolivar? Pois agora é um ótimo momento para começar a ser.

Era perceptível o medo que gradativamente ia aumentando em Bolivar e no balconista a medida que Martin contava sua história. - Eu sou um caçador. Dedico minha vida a eliminar coisas que a maioria das pessoas pensa ser apenas lenda. Lobisomens, fantasmas, vampiros... demônios. Já enfrentei centenas deles nessa vida. Então não se preocupem. O que está acontecendo aqui pra mim é só mais um problema trivial.

- Eu estive em Nova Esperança. Enfrentei uma horda de criaturas infernais antes de ser preso. A polícia me pegou exorcizando uma vítima e entendeu tudo errado. Fui mandado para cadeia e posteriormente para um manicômio. Fiquei preso lá por uns sete meses. Só consegui fugir de lá agora. Creio eu que o que está acontecendo aqui é algum tipo de represaria pelo que eu tive que fazer pra escapar.

- O que você fez para fugir? - Martin não ouviu, ou fingiu não ouvir, a pergunta do balconista. Ele também não insistiu. Tinha medo da resposta.

- Como vamos sair daqui? - Perguntou Bolivar.

- Bem. Temos comida aqui pra aguentar meses. Vamos esperar com sorte a criatura que está por trás disso tudo desiste e vai embora.

- "Meses"? Não sei quanto a você, mas eu tenho uma vida lá fora! Não posso sumir por "meses".

- Se a criatura que está por trás disso é aquela que eu estou pensando, ela está atrás de mim. Se quiser tentar a sorte pode sair daqui quando quiser. Mas, isso é claro, por sua própria conta e risco.

- Maldita a hora em que fui te dar carona! Maldita hora!

As horas foram se passando e antes do trio perceber alguns dias já tinham se acabado. Sem ter muita noção de dia/noite devido a forte neblina negra que os rondava. O balconista, Martin e Bolivar só podiam se guiar através do relógio da loja que pra sorte deles ainda funcionava. O grupo se alimentava dos produtos da loja que eram abundantes, mas, por sugestão de Martin, comiam o minimo possível. Pois não sabiam quanto tempo iam demorar ali. Não tinham problema na hora de fazer suas necessidades pois havia um banheiro por perto. No entanto não havia chuveiro. Então o trio não podiam tomar banho. Tinham que se conformar em usar os desodorantes da loja pra amenizar o odor. Algo não muito efetivo.

- AAAHHHH! - No quarto dia o balconista, que se chamava Ricardo, teve a impressão de ver algo estranho voando na nevoa.

- O que foi, rapaz? O que foi? - Perguntou Martin.

- Acho que estou enlouquecendo! Eu vi... Eu vi... Um... Um...

- Fala logo! - Disse o cada vez mais impaciente Bolivar.

- Sei que parece loucura, mas podia jurar que vi um faraó voando em cima de um jacaré.

- Esse é o Sawlegen. - Disse Martin.

- Hmmm?

- Espirito da Suméria. Deve ter centenas deles nessa nevoa. Como eu suspeitava. Essas criaturas estão atrás de mim.

- O que você fez pra irritá-los tanto? - Perguntou Ricardo. Sendo essa a segunda pergunta que Martin não quis responder.

- Pra mim já chega! Isso é culpa sua e um problema só seu! Eles vieram atrás de tu, azarado. Não tenho nada com isso! - Bolivar abriu a porta da loja e foi pro lado de fora. Correu o mais rápido que pode em direção ao seu Chevete. Logo que entrou no carro deu partida e tratou de sair logo dali. A dupla que ficou na loja, pela janela, assistia a tentativa de fuga de Bolivar apreensivos. - Será que ele vai conseguir escapar? - Era o que se perguntavam.

O carro funcionou e andou normalmente. Conseguiu inclusive passar pela nevoa densa. Por poucos minutos a dupla teve esperanças de que Bolivar tinha conseguido escapar. Mas a esperança deles acaba de modo abrupto quando eles assistem ao Chevete ser arremessado a mais de quatro metros de altura de dentro da nevoa. O carro se espatifa com estardalhaço assim que toca o chão. Não dava pra ver com certeza, mas levando em consideração a queda, Martin deduziu que o bom samaritano que lhe deu uma carona estava morto agora. De modo indireto por sua culpa. Mais uma pra sua consciência já carregada.

- Eles não vão desistir nunca, né? - Perguntou Ricardo, se referindo às criaturas da nevoa.

- Não.

- O que vamos fazer então?

- Você tem alguma arma?

- Não devia ter porque é ilegal, mas tenho.- Ricardo foi até uma gaveta que estava atrás do balcão e retirou de lá de dentro uma pistola carregada e mais um pente contendo treze balas. Ricardo entregou a arma e a munição para Martin e quase se arrependeu quando viu o homem de jaqueta preta abrindo as balas e substituindo as capsulas por sal grosso.

- O que diabos está fazendo?

- Vai por mim. Essas criaturas não vão ser afetadas por balas. Elas não gostam é de sal. Mineral maravilhoso esse. Espanta qualquer tipo de mal olhado. - Após terminar de alterar as balas, Martin preparou alguns coquetéis Molotov com algumas garrafas de bebida encontradas na loja. O diferencial é que em todas as garrafas ele adicionou um pouco de sal ao liquido. - O plano é o seguinte. Eu vou lá pra foro e fuzilo os monstros que eu conseguir fuzilar. Vou deixar a porta aberta, daqui de dentro você arremessa essas garrafas. Espero que seja bom de arremesso.

Martin saiu da loja com a arma em punho. Não antes de pôr um calço na porta para impedir que ela fechasse. O primeiro impulso de Ricardo foi de fechar bem a porta assim que o primeiro monstro apareceu de dentro da névoa. No entanto ele se controlou, pois Martin lhe garantiu que eles não conseguiam atravessar uma barreira de sal.

Martin ficou a uns quatro passos das bombas de gasolina do posto. De lá ele ia atirando nas criaturas que apareciam. A primeira a se mostrar era uma estranha serpente com três cabeças. A do meio humana, a da esquerda de gato e a da direita de bode. BLAM! O bicho evaporou assim que a bala de sal o acertou.

A segunda criatura foi uma cabeça enorme de leão sustentada por patas de ave. BLAM! Abatido. A terceira criatura parecia um cisne segurando uma espatula. BLAM! Abatido. O quarto monstro, uma velha montada em um lobo, foi morta com um coquetel molotov que quase acerta uma das bombas de gasolina. - Cuidado aí! - Gritou Martin.

- Desista, Martin! Você me deve sua alma estou aqui para cobrá-la! - Gritou uma voz gutural vinda de dentro da nevoa. - O interlocutor se revelou. Era o maior monstro de todos. Um homem forte com uma espessa barba negra e um chapéu egípcio. Ele só era humano da cintura pra cima, da cintura pra baixo tinha a forma de cavalo. Pra completar ele possuía um par enorme de asas e tinha um tamanho colossal. - Um século de serventia. Esse foi o preço oferecido pra eu te tirar daquela prisão.

- Sinto muito, lorde Melechesh. Mas eu não desejo ser transformado em um bicho de três cabeças ou qualquer coisa parecida.

- ROAARRRR! - Em resposta ao rugido de Melechesh uma "chuva" de monstros das mais variadas formas e tamanhos saiu da névoa em direção a Martin que não teve outra alternativa a não ser voltar correndo para dentro da loja. - Joga uma bomba, porra! Joga! - Ricardo jogou dois coquetéis. O primeiro pôs fim a três monstros, mas o segundo não teve efeito algum. Nervoso, Ricardo se esqueceu de acender o pavio.

Martin fechou a porta assim que entrou na loja. Ele não precisava fazer isso, pois os monstros não podiam atravessar a linha de sal que ele colocou no chão. Foi instintivo.

- Hahahaha!

- Está louco! Por que está rindo? - Perguntou Ricardo.

- Melechesh trouxe toda a sua horda. Eu devo ser uma alma muito especial para ele me querer tanto.

- Parabéns! - Respondeu Ricardo. Com uma cara de raiva que demonstrava que o significado de sua frase não tinha nada a ver com congratulações.

- Escute. Tenho uma ideia. - Assim que as coisas se acalmaram do lado de fora, Martin pediu para Ricardo pegar na dispensa todos os pacotes de sal grosso disponíveis. O balconista conseguiu fazer um montinho que chegava até o joelho de Martin. - Perfeito. - Disse o homem de jaqueta preta enquanto colocava todos os pacotes em um carrinho de mão.

- O que vamos fazer com tudo isso? Jogar na nevoa e esperar que ela vá embora?

- Se a gente explodir aquelas bombas de gasolina será que conseguimos ficar a salvo dentro da loja?

- Nem fodendo.

- A dispensa! Se ficarmos bem no fundo dela talvez...

- Cara, sem chance.

- Bom, é isso ou passar a eternidade aqui dentro. E quando falo em "eternidade" não estou usando figura de linguagem. Se não conseguirmos escapar desses monstros na vida não conseguiremos na morte.

Foi preciso mais dois dias para Martin convencer Ricardo de que seu plano era viável. Na verdade ele não conseguiu fazer com que o balconista ficasse totalmente confiante, mas acabou vencendo pelo cansaço. - Mas isso é um plano suicida! Como vai conseguir sair dessa? - Perguntou o aflito balconista.

- Confie em mim. Já enfrentei coisas piores.

Ricardo, seguindo as ordens do homem de jaqueta preta, foi até o fundo da dispensa e colocou quase todos os produtos estocados atrás da porta. Tentando reforçar ainda mais a barreira para protegê-lo da explosão.

Martin ficou na parte da frente da loja. Pegou o carrinho de mão cheio de pacotes de sal grosso e pôs um coquetel molotov com o pavio aceso em cima dele. O homem de jaqueta preta correu porta a fora da loja tentando ser mais rápido do que o fogo que consumia o pano preso a garrafa.

Assim que deixou a proteção da loja pra trás a "chuva" de monstros voltou a despencar de dentro da nevoa. O gigante Melechesh estava atrás de seu exercito comandando o ataque. - Isso mesmo cambada de filha da puta vem me pegar!

O fogo encosta no liquido assim que Martin consegue chegar perto de uma das bombas de gasolina do posto. BOOOOMM! Uma enorme explosão consome todas as criaturas ali presentes. Da dispensa, Ricardo não podia fazer nada a não ser se deitar em pose fetal e esperar que o pior passasse. Do lado de fora. As criaturas que eram sensíveis ao sal eram aniquiladas pela explosão. Inclusive o grande Melechesh que desaparece em meio a um berro inumano.

Duas horas depois, Ricardo toma coragem e deixa a proteção da dispensa de lado. Quando abre a porta para ver o que tinha acontecido toma um susto quando enxerga o posto de gasolina e a loja reduzidos a destroços. O agora ex-balconista olha para os céus e vê o que parece uma precipitação de neve. Ao olhar mais atentamente para os "flocos de neve" ele acaba percebendo que aquilo não era aguá em estado sólido, mas sim o sal grosso usado na explosão que estranhamente ainda não tinha acabado de cair. Pela primeira vez em dias Ricardo conseguia ver a luz do sol. Ficou emocionado, quase chorou. Mas esse sentimento foi interrompido pela surpresa de ver Martin. Ele estava mais sujo que o habitual e muito ferido. Mas ainda estava de pé, vivo.

- Como você conseguiu sobreviver a isso?

- Na hora da explosão eu me protegi em baixo do carrinho de mão. - Ricardo deu um olhar torto para Martin. Como se não soubesse se devia acreditar ou não no que dizia. O homem de jaqueta preta também não se preocupou se acreditavam ou não no que dizia. Simplesmente saiu andando do posto para a auto-estrada. Estava continuando, a pé, a viagem que estava fazendo com Bolivar dias atrás. Agora, sem nenhuma entidade sobrenatural atrapalhando, Martin conseguiu chegar a próxima cidade em menos de meia hora de caminhada.

- Hei! Tudo bem, moço? O que houve? - Assim que um itagipense viu o estado lastimável de Martin saiu correndo em sua direção para oferecer ajuda.

- Um posto de gasolina, não muito longe daqui. Houve um acidente. Uma explosão.

- Meu Deus! Venha comigo, moço. O posto de saúde é aqui do lado. - O itagipense prestativo acompanhou o homem de jaqueta preta até o posto de saúde local. Não demorou muito pra Martin ser atendido. Menor ainda foi o tempo que ele levou para chamar a atenção de quase que a cidade inteira. O delegado local chegou menos de cinco minutos depois dele ser atendido. A história contada por Martin deixou o homem da lei perplexo. Uma explosão acidental em um posto de gasolina. Não era algo que se via todo dia.

- Que posto foi esse, amigo? - Perguntou o delegado.

- Agora não me lembro do nome. É aquele bem próximo da entrada daqui. Menos de cinco minutos de carro. Estranho. Vocês não ouviram nenhuma explosão?

- O senhor deve estar se confundindo. - Disse o delegado. - De onde veio o posto de gasolina mais próximo fica a uns vinte e cinco quilômetros daqui.

- Como assim? Mas eu vim de lá. Tinha até um balconista trabalhando lá. Um, um... - Martin parou pra pensar um pouco. - Meu Deus como é que eu não desconfiei disso antes?

Nos destroços do antigo posto de gasolina, o suposto Ricardo ficava olhando para o horizonte com uma cara de raiva e com os olhos transformados em esferas de puro negrume. - Puta que pariu! Pensei que nunca mais fosse embora. - Ele desejava acabar com Martin a dias, mas não o fez com medo de ficar preso ali para sempre. Tudo isso devido a uma barreira de sal posta na porta e nas janelas da loja que o prendeu por dias.