Abraxas não tinha ficado doente em um bom tempo. Estava com gripe e odiava isso, principalmente porque tinha Severus Snape agindo como se isso fosse o fim dos tempos.

- Severus, eu já disse que estou bem. – Ele reclamou pela quinta vez, quando o pocionista sacudiu a varinha para lançar mais um feitiço diagnóstico.

- E eu já disse que sua febre ainda não baixou e que preciso verificar periodicamente. Ai, está alta ainda. – O moreno reclamou, de cara azeda.

- Isso porque faz três minutos que meu deu a maldita poção. Agora faça o favor de sair e me deixar dormir, ainda estou com aquela dor de cabeça.

- Voltarei logo. – Severus disse, ao sair do quarto, com sua túnica esvoaçando atrás dele.

Abraxas suspirou e fechou os olhos. Dormir sempre tinha sido um excelente remédio.

X~X~X

Severus teve a desagradável tarefa de dizer aos meninos que eles não podiam brincar com o avô porque poderiam ficar doentes também, coisa que o fez enfrentar dois olhares acusadores. Draco tinha sido muito efetivo em inculcar em Harry certos hábitos muito ruins, como olhar feio quando algum adulto fazia qualquer coisa que fosse insultuosa pra eles. O engraçado é que Severus achava bonitinho quando não era com ele.

- Ele está melhor? – Lucius perguntou, saindo da lareira e tirando as luvas.

- Mais resmungão e mais doente… sabe como funciona.

- Sim, pelo menos dessa vez ele não foi se esconder na cabana de caça. – Lucius disse, lembrando-se da última vez que o pai tinha ficado de cama.

- Para sorte a minha, que não vou ter que desativar camadas e mais camadas de escudos desagradáveis para poder tratá-lo. – Severus comentou. – Onde está o lobo?

- Ele ainda está trabalhando, parece que alguns meninos trouxas desenterraram uma urna amaldiçoada em Manchester, vai demorar porque vão ter que lançar obliviates nas crianças e eles tem uma mente frágil.

- Sim, espero que os idiotas do Ministério não transformem as crianças em pequenos bonecos sem vida. – Severus disse, escarnecendo do efetivo do Ministério.

- Eles são tão ruins? – Lucius perguntou, sabendo da facilidade do amigo para as magias que envolviam a mente.

- Como elefantes numa loja de cristais, não sei como o Ministério ainda não reviu o treinamento e os procedimentos desses idiotas.

- Interessante… Lara está precisando de uma nova causa para irritar seus colegas, vou falar com ela sobre isso, obrigado Sev.

- Adoro ser útil. – O pocionista disse, com sarcasmo.

X~X~X

Harry e Draco estavam numa missão. Os dois meninos tinham passado o dia todo sem ter permissão para visitar o avô Abraxas, porque o homem estava doente e precisava de descanso. Pelo menos foi isso que Severus disse inúmeras vezes aos meninos, mas eles estavam certos de que podiam animar o avô, porque quando eles estavam resfriados, o avô sempre aparecia para espantar os elfos e cuidar deles, por isso, Draco tinha obrigado Dobby, o elfo doméstico meio maluco aparecê-los dentro do quarto do ancião Malfoy.

- Vovô? – Draco chamou, suavemente.

- Draco? E Harry. – Abraxas disse, ao ver os dois meninos perto de sua cama.

Os meninos assentiram e fizeram um esforço para subirem sozinhos na cama, Harry tinha mordido os pequenos lábios, a voz de Abraxas estava muito rouca, os olhos do patriarca fundos e avermelhados, ele parecia muito doente.

- Você está cansado? – Draco perguntou, beijando a bochecha do avô.

- Sim. – Abraxas respondeu, fechando os olhos.

- Então, vou te contar uma história.

- Você não pode contar histórias de dormir Draco, só os adultos podem.

- Eu posso, se eu quiser. – Draco disse, dando ao amiguinho um olhar muito parecido com o que Lucius dava a Remus quando os dois estavam discutindo.

Harry, um menino muito esperto, fez o que seu papai fazia quando os Malfoys davam aquele olhar:

- Claro que pode, desculpe. – Harry disse.

Abraxas riu suavemente.

- Menino esperto! – Ele disse, deixando Harry se aconchegar a seu lado. – Vamos lá Draco, conte-me uma história para eu dormir.

O menino loirinho sorriu largamente.

- Era uma vez um príncipe muito, muito bonito, ele se chamava… Draco, e era um bom garoto.

Se Abraxas não estivesse tão sonolento, teria gargalhado, seu neto era realmente filho de Lucius e Narcissa, um ego a ser respeitado. Quando Severus entrou no quarto, encontrou os dois pestinhas cochilando ao lado de Abraxas.

- Ninguém me ouve. – Ele resmungou.

Quando o pocionista se aproximou da cama para levitar os meninos, percebeu que Abraxas levava uma mão ao pescoço para arranhar o local com incômodo.

- O que é isso? – Ele murmurou, se aproximando.

O experiente comensal da morte reprimiu um grito de desespero quando viu uma pequena irritação na pele, ele chamou um elfo, que ordenou tirar os meninos do quarto imediatamente, se suas suspeitas estivessem certas, os dois não poderiam ficar perto de Abraxas tão cedo, talvez nunca mais.

X~X~X

Remus estava com Sirius, os dois tinham desenvolvido o hábito de sair para beber juntos, já que Sirius ainda resistia a ideia de frequentar livremente a Mansão Malfoy, coisa que seu amigo lobisomem achava deveras divertido.

- Se conseguir entrar nas calças de Severus, o que presumo é uma possibilidade real, vai ter que frequentar a mansão… se levar Severus longe, Abraxas vai te caçar e arrancar seu couro. – Remus disse, divertido.

- Claro que vou poder conquistá-lo, o que acha que sou? – Sirius perguntou, ofendido. – E porque a surpresa por ser uma possibilidade real?

- Pensei que Severus fosse mais esperto, qualquer mago com dois neurônios sabe que você é um vira-lata com tesão… nada que agrade muito um portador tão tradicional quanto Severus. – Remus pontuou, seriamente.

- Eu estou sendo tradicional! – Sirius protestou, batendo sua caneca de cerveja amanteigada na mesa.

- Sim, claro. Porque agarrar o homem na biblioteca e ser pego por um bando de velhos puro-sangue nem é escandaloso. – Remus disse, zombando do amigo, que fez um beicinho.

- A ideia funcionou… Lord Antonto é página virada, e agora Severus tem que se conformar comigo ou ter um senhor escândalo para lidar.

- Já pensou que Lord Anthony pode sair falando de Severus por ai, já que ele estava fazendo a corte e o pegou aos beijos e amassos com outro homem.

- Claro que ele poderia fazer isso, mas acho que depois de ter ido a St. Mungo por causa dos velhos ele não seria tão burro. – Sirius disse, dando de ombros. – Acha que posso sair com Harry esse fim de semana?

- Depende, não quer levá-lo pra voar, certo? – Remus disse, estreitando os olhos.

- Querer eu queria, mas já entendi que você não via me deixar.

- Eu poderia, se você voasse com o mínimo de responsabilidade. Mergulhos mortais não são ideias para crianças. – Remus disse.

- Eu sei, eu ia levá-lo na moto.

- Pior ainda, pense em passeios seguros ou vá vê-lo na mansão. – O lobisomem sentenciou.

- Eu tinha pensado em ir pescar com ele e os Weasley. – Sirius disse. – Arthur é um cara muito agradável, e me convidou quando eu comentei que queria levar Harry para voar… oh, agora que penso melhor ele fez a mesma cara que você quando digo algo idiota.

Remus riu.

- Ele é um homem esperto. – Remus disse.

- Sim, fugir de uma esposa chateada é sempre uma atitude esperta. – Sirius disse.

Remus fez uma careta.

- Eu não acho que Molly Weasley alguma vez não esteja chateada. Onde pretendem pescar? Não quero Harry…

- Eu propus que viajássemos a alguma propriedade Black… meu pai tinha um incrível chalé de caça na Escócia, que usava para fugir de Walburga quando ela estava de mau humor.

- Então, ele morava lá? – Remus brincou.

Sirius gargalhou, pensando que sim, o pai praticamente morava lá.

- Sim! Arthur queria algo por aqui, um piquenique, mas o convenci que é mais seguro pra Harry um lugar onde jornalistas não possam chegar, ou fãs enlouquecidos, sabia que nosso pequeno rapaz tem um fã clube?

Remus fez uma careta, ele não queria toda essa notoriedade para Harry.

- Não sabia, mas você sabe por que…

- Alguns grupos desse tipo às vezes se descontrolam, quero ficar de olho. Ninguém gostaria de jovens enlouquecidas tentando sequestrar o Harry, certo?

- Você está ficando paranoico. – Remus disse, achando graça.

- Tempo demais com Moody, talvez? – Sirius perguntou, fazendo uma careta.

- Com certeza, é isso.

Os dois riram, e beberam mais uma vez. Remus sentiu o cheiro antes de vê-lo, e a presença de tal figura num bar como o Cabeça de Javali fez com que todos ficassem em silêncio. Lucius Malfoy realmente não era presença comum num bar daqueles.

- Se ele te arrastar pra casa pelas orelhas, vou colocar a memória numa penseira e rir disso para sempre. – Sirius disse, sorrindo.

- Tem alguma coisa errada. – Remus disse, seu lobo interno ficando apreensivo.

Lucius os achou com o olhar e se dirigiu a mesa ignorando os olhares dos frequentadores do bar.

- O que aconteceu? Os meninos estão bem? – Remus perguntou, se levantando.

- Você precisa vir pra casa comigo… é meu pai. – Lucius disse, fazendo uso de todo o controle ensinado por Abraxas, e polido em sua estadia em Slytherin, para não mostrar o quão comocionado estava desde a chamada via flú de Severus.

- Certo, vamos. – Remus disse, segurando o braço do loiro e conduzindo-o para fora do bar.

Sirius seguiu-os para fora do bar e ficou pasmo ao ver como Lucius se agarrava fortemente ao braço de Remus e aparatava-os, provavelmente direto para a mansão. O animago voltou para dentro e jogou algumas moedas no balcão, ele podia ouvir os homens comentando sobre a possibilidade de Lucius Malfoy ter acabado de ter um ataque de ciúmes, coisa que ele não fomentou porque estava mais preocupado em saber o que havia de errado na Mansão Malfoy.

X~X~X

Severus se lembrava de ter estudado os casos de varíola do dragão em sua formação de pocionista. A varíola do dragão era para o mundo bruxo o que a varíola normal tinha sido para os trouxas durante a Idade Média, uma verdadeira peste negra. Se crianças eram as infectadas era muito mais provável que houvesse uma recuperação, o organismo infantil luta mais facilmente contra essa doença e produz maior quantidade de anticorpos, mas quando se tratava de um adulto as coisas mudavam de figura, pior ainda para um homem com idade mais avançada, como Abraxas Malfoy.

- Severus?

O pocionista deixou suas divagações de lado quando o medimago que tinha chamado saiu do quarto, indo até ele. Charles Galveston era puro-sangue pouco mais velho que Abraxas, mas muito mais afável que o antigo conhecido, talvez por ter ido a Ravenclaw em vez de Slytherin.

- Eu estava errado, não é? Eu só entrei em pânico.

Charles suspirou.

- Eu nunca pensei que veria o dia em que você esperaria estar errado, mas como na maioria das vezes, está certo. É varíola do dragão, a fase das bolhas já começou, ninguém pode entrar nesse quarto sem o feitiço de impermeabilização e depois é necessário uma descontaminação.

- Mas não temos casos na Inglaterra por anos! – Severus protestou, abrumado pela confirmação de seus medos.

- Sim, mas tivemos um aviso da China, uma manada de dragões selvagens migrou para a Europa e deixou um rastro de casos. Temo que chegou nossa vez. – O medimago explicou, com pesar.

- Tem mais casos em St. Mungo?

- Sim, um casal que mora numa região afastada de Surrey, e um tratador de corujas. Eles estão mal, mas já trouxemos uma equipe de cuidadores de dragões que vai começar o processo de higienização do bando.

- Onde eles estão? Perto das cidades? – Severus perguntou, tentando obter o máximo de informações.

- Não realmente, sabe que os dragões selvagens evitam as cidades. Eles saíram da China porque houve um incêndio no lado trouxa da reserva onde viviam que destruiu quase tudo, magia não pode salvar a vida em casos extremos. – Ele lamentou, e Severus percebeu que ele estava falando de Abraxas também.

- Ele é forte. – Severus insistiu.

- Sim, mas essa doença tem desdobramentos que ninguém pode prever com exatidão… não deixe os meninos entrarem. Draco é muito ligado ao avô, vai ficar traumatizado, e duvido que Abraxas queira que o neto se lembre dele assim, o pequeno Potter não pode se dar ao luxo de ser infectado, tem uma saúde frágil, como você sabe.

- Merlin, isso vai matá-los. – O pocionista lamentou.

- Está confirmado, então? – A voz de Lucius o fez sentir-se pior ainda, ele sabia que o amigo estava sofrendo só pela forma como a as palavras tremiam ligeiramente.

- Sim, é varíola do dragão. Está evoluindo rapidamente, eu sinto muito. – Charles disse para Lucius, de quem cuidava desde que tinha nascido.

- Não fale como se fosse uma sentença de morte! – O loiro bradou. – Tem que haver uma saída, um tratamento…

- Eles existem, e Abraxas já os está recebendo, ele pode se recuperar? É uma possibilidade, mas uma bastante improvável, Lucius. A doença está evoluindo rápido, eu sinto muito. – O medimago esperou por outra explosão que não veio. – Eu deixei uma enfermeira, sei que os Malfoy não gostam de ir para St. Mungo para serem tratados.

Lucius e Severus estremeceram, mas só o loiro assentiu e murmurrou:

- Nós nascemos aqui, nós morremos aqui. – O próximo herdeiro disse, com pesar.

- Lucius… – Remus se aproximou e abraçou o companheiro, tentando consolá-lo.

- Vocês devem entrar para vê-lo, ele estava ansioso para dar instruções e apontar tudo o que tem que fazer caso ele não esteja mais aqui. – Charles disse, já andando pelo corredor. – Ah, e rapazes, ele não quis poções narcóticas, então, está consciente e com dor, não se assustem.

O medimago concluiu que os dois estavam relativamente bem quando os viu revirar os olhos ao serem chamados de "rapazes", Abraxas os tinha criado bem. Ele preferiu não comentar sobre as novas companhias de Lucius, o herdeiro Malfoy sabia o que fazia.

Lucius deu um passo a frente e tocou a maçaneta da porta, mas Remus o segurou pela túnica.

- Os feitiços de proteção médica. – O lobo alertou-o, lutando fortemente contra o instinto de levar seu companheiro para o mais longe possível da doença, junto com Harry e Draco de preferência.

Severus assentiu e sacou sua varinha para lançar os feitiços sobre o loiro, e reforçar os seus próprios, ele podia imaginar bem que tipo de dilema o lobisomem estava passando.

- Está feito, quer entrar primeiro? – O pocionista perguntou ao amigo.

- Sabe perfeitamente que é tão filho dele quanto eu, vamos lá irmão. – Lucius disse, e Remus se sentiu um intruso nesse momento difícil para os dois.

X~X~X

Quando Abraxas ouviu a porta se abrir, sabia que eram seus dois meninos e sentiu-se ainda mais miserável por colocá-los na posição de vê-lo nesse estado lamentável.

- Você pode sair. – Ele disse a enfermeira, com voz rasposa.

- Sim senhor. – Ela disse, muito bem treinada por Charles, era esperta demais para discutir com Abraxas Malfoy. – Sr. Snape, estou certa de que pode terminar de aplicar o unguento.

- Claro que posso. – O pocionista disse, secamente.

Assim que a mulher saiu, Lucius deixou sua pose estrita e se sentou ao lado do pai, segurando-lhe a mão.

- Você não pode ir, eu não quero ficar sozinho. Você não tem permissão para partir. – Lucius reclamou, como um menino pequeno.

Abraxas deu-se ao luxo de um tolo momento para ser um pouco hufflepuff e se lembrar de como Lucius estava agindo como quando tinha cinco anos de idade, ele era a coisa mais perfeita que Abraxas tinha, e seguia tão mimado quanto naquela época.

- Não pode controlar o mundo com a sua vontade, Lucius.

- Quem disse? – Lucius perguntou, de má vontade.

- Eu estou dizendo, porque quando eu me for, você vai ser o chefe da família. Tem que cuidar de Draco, Harry e Severus. Seu lobo vai te manter na linha.

- Pobre Lupin, vai ter o pior trabalho. – Severus resmungou. – E eu não preciso ser cuidado.

- Não, mas merece ser mimado de vez em quando. – Abraxas disse, quando Severus terminou de cobrir as bolhas em seu rosto.

- Você já fez isso, até demais se pensar bem. – Severus disse, com um nó na garganta ao pensar em como teria sido miserável sem a intervenção de Abraxas.

- Não se preocupem, tudo vai ficar bem. Vocês são fortes, eu os criei bem. – Ele disse.

- Por que estamos falando como se fosse morrer? Você pode resistir, é mais saudável que eu e Severus juntos. – Lucius disse, tentando sorrir.

- Somos serpentes, somos realistas… e temos detalhes para discutir meus rapazes. Puxe uma cadeira Severus, pode demorar.

Lucius e Severus estremeceram, nenhum deles estava preparado para perder o patriarca, mas no fim das contas, quem alguma vez está?

X~X~X

Sirius chegou na mansão pouco depois de Remus e Lucius, mas se concentrou em distrair os meninos, principalmente quando a curiosidade dos dois foi atiçada ao ver o medimago sair e a enfermeira descer as escadas pouco depois e sumir rumo a cozinha. Ele tinha se transformado em Padfoot e tentado ao máximo distrair Harry e Draco, se achou bem eficiente, porque no final das contas, os dois caíram no sono, bem em cima do tapete.

- Oh droga, Malfoy vai arrancar minha pele, Harry devia ter uma mamadeira e Draco está cheio de migalhas. – O animago lamentou.

- Ele provavelmente não vai prestar atenção nisso essa noite. – Remus disse, se aproximando silenciosamente dos meninos e pegando Draco no colo, o menino abriu os olhos e Remus beijou-lhe os cabelos. – Volte a dormir, sou eu.

O loirinho obedeceu e caiu no sono de novo, o que fez Sirius achar graça, já que Harry nem mesmo parou de ressonar quando o levantou nos braços.

- Harry herdou do James o talento para dormir. – O animago brincou.

- Em troca, Draco é desconfiado e alerta. Desde que nasceu, provavelmente. – Remus disse. – Vamos colocá-los na cama, depois, precisamos conversar.

Sirius assentiu, e seguiu o amigo pelos corredores da Manor. Ele sabia que as coisas deveriam estar ruins, mas realmente não esperava que Remus dissesse algo sobre varíola do dragão.

- Temos que tirar Harry daqui. – Sirius disse, depois de receber a notícia.

- Sim, mas como um favor pessoal, eu gostaria que você levasse Draco também.

O animago assentiu.

- Ele é um garoto doce, se ignorarmos a tendência a ser mandão e mimado. Mas, eles não vão querer que ele se despeça?

- Ele não pode, Severus já disse que mesmo com os feitiços de proteção e imunização é algo perigoso. Os dois não arriscariam com Draco.

- Eu farei meu melhor para distrai-los. – Sirius prometeu.

- Eu sei.

- Vou pedir alguns dias de folga, e…

- Me dê um tempinho para convencer Lucius, sim? Ele não gosta de ficar longe do filho e diante das circunstâncias vai querer ter Draco bem em frente aos olhos a maior parte do tempo.

Sirius deu um sorriso de lado.

- Não fale como se não estivesse com essa mesma vontade.

Remus teve a decência de corar.

- Eu posso ter pensado em levá-los para uma caverna e bloqueá-la com uma rocha gigante, mas tenho a desculpa de ser lobisomem. – Disse, dando de ombros.

Sirius sorriu.

- Bom, eu vou para casa. Me avise se algo mudar de repente.

- Claro, boa-noite Sirius.

- Boa-noite Moony.

X~X~X

Lucius sabia que o pai estava doente, mas só se deu conta do quanto quando o viu pedir a Severus por uma poção que aliviasse sua dor, ele o fez rilhando os dentes.

- Volto em um minuto. – Severus disse, saindo da sala.

- Finalmente ele saiu, temos que ser rápidos. – Abraxas disse.

- O quê? Papai, o que está tramando pelo amor de Merlin? Precisa descansar.

- Descansar não vai mudar o fato de que estou morrendo e tenho pouco tempo para arrumar a vida de vocês! – Abraxas disse, terminantemente.

- Minha vida vai muito bem, obrigado.

- Pare de brigar com seu lobo porque ele quer trabalhar, precisa dar espaço ao homem ou ele vai se sentir um brinquedo, o que ele era originalmente. Não seja tão controlador, a vida às vezes vai sair dos trilhos, mas você é perfeitamente capaz de pensar em alguma coisa para tirar vantagem de qualquer mudança.

- Sim, porque tive um bom professor.

- Sim, você teve. – Abraxas disse, retribuindo o sorriso do filho. – Só me arrependo de não ver Severus se casando… me preocupo tanto com ele, vai vigiar para que nenhum biltre acabe com a paciência dele e seja morto, certo?

- Sim.

- Black era uma excelente ideia, tenho certeza de que os dois teriam se encaixado à perfeição. Eu gostaria de ter visto esse casamento, de ver meu outro menino no caminho certo.

Severus entrou nesse momento, trazendo a poção.

- Aqui, vai dormir um pouco quando fizer efeito.

- Eu não quero dormir em meus últimos momentos com vocês, eu sinto muito Severus, mas meu tempo está acabando, não posso me despedir do meu neto, mas posso estar com vocês, mesmo suportando essa queimação pelo corpo.

O pocionista sacudiu a cabeça, lutando contra as lágrimas.

- Eu vou trocar a poção, tenho uma que vai amenizar a sensação de fogo nas feridas.

- Eu agradeço isso. – O patriarca disse, assistindo como seu pupilo saía rápido do quarto, de novo.

- Papai? – Lucius chamou-o, duvidoso.

- Sim? – Abraxas respondeu, olhando diretamente para o filho.

- Você sabia que ele estava ai quando falou dele e Black?

- É claro que sim, como espera que eu o faça casar se ele não ouvir os desejos de um moribundo?

- Isso é tão retorcido, mesmo vindo de você. – Lucius disse, sorrindo.

- Eu posso morrer de uma doença cruel e devastadora, mas vou ter uma saída triunfal meu filho.

Desculpem pela demora de novo, espero que tenham apreciado a leitura, voltarei logo.
O que acharam?
Beijos