Nota da autora: E esse capítulo, é um dos meus xodós. Temari, mandei a fanfic para o seu e-mail, para você poder imprimir. Bons estudos! Ser vestibulando é uma BOSTA xD
Meus beijinhos para todo mundo que deixar seu comentário : (NA BOCHECHA, antes que meu namorado chegue aqui e fique com ciúmes xD)
Aliás, amor, quando você chegar aqui... ei, te amo -
:: O Outro Sacrifício
:: Capítulo XIII: Crucifique Meu Amor
:: MiWi
:: Data: 30/04/05 – 01/05/05
Crucifique meu amor
Se o meu amor é cego
Crucifique o meu amor
Porque Edward havia perdido as esperanças, mas ele não poderia deixar que Roy se destruísse daquele jeito por sua culpa. Por sua maldita culpa.
Porque ele estava queimando, seu interior se derretendo em expectativa, e ele seria capaz de começar a bater em Roy se ele não dissesse algo logo.
E então Roy começou a rir, a gargalhar. Uma risada cortante, um riso tão diferente daquele da noite anterior – um riso que atravessou e rasgou o interior de Edward, fazendo-o dar alguns passos para trás, colocando as mãos no ouvido quase instintivamente. Um riso dolorido, que parecia quebrar um pedaço da alma de Roy cada vez que ele mexia seus lábios, seus ombros.
Edward quis que ele parasse.
- O que é isso? – disse Roy, seguindo os passos de Edward, de forma que a distância entre ambos continuasse a mesma; inexistente. – Algum tipo de prêmio de consolação? Eu não posso ter seus sentimentos, mas eu posso ter seu corpo?
Prêmio de consolação?
Edward engoliu em seco, percebendo que Roy acompanhava cada movimento seu, vendo seu pomo-de-adão subindo e descer com pesar. Foi andando para trás, até bater com as costas em outra das caixas. Roy colocou uma mão ao lado de sua cabeça, e escorregou a outra até a cintura de Edward, passando a mão por debaixo de sua camisa e pousando sobre sua barriga. Aproximou seu rosto do de Edward. – Mas, se eu fizer isso, o que me faz melhor do que Envy?
E seus olhos se encontraram, dourado contra negro, e Edward soube que havia uma única coisa que ele poderia dizer. – Porque eu quero que você faça isso – e mesmo enquanto dizia isso, ele se encolheu sob o olhar imperioso de Roy, que parecia penetrá-lo tão fundo, e ele quis olhar para o lado, mas Roy segurou seu queixo entre as suas mãos, forçando-o a olhar para ele.
- Você tem certeza? Você está tremendo de medo, Edward – seus rostos estavam tão próximos que Edward podia sentir a respiração de Roy sobre si, seu hálito quente, sua raiva contida. – Céus, você não passa mesmo de uma criança.
E Edward realmente se encolheu, realmente sentindo-se pequeno. Como ele poderia se sentir diferente, com Roy falando daquele jeito com ele. Mas ele não poderia voltar atrás. Não agora. – Eu já tive medo antes, não significa que eu vá fugir disso, não significa que eu não queira fazer isso.
A expressão de Roy se fechou ainda mais, e ele apertou o queixo de Edward com tanta força que Edward fechou os olhos, reprimindo um grunhido de dor. – Não diga asneiras. Por que você quer fazer isso? Isso tudo é um jogo para você, não é mesmo? – havia algo de dolorido na voz de Roy, a primeira emoção que ele estava deixando escapar desde que começara a falar. – Céus, você consegue ser desprezível, garoto.
Desprezo.
Então era isso que Roy sentira ao ouvir Edward falando sobre o trato? Seria isso?
- Porque eu quero que você confie em mim – disse Edward, colocando uma mão sobre a mão de Roy que ainda estava sobre sua barriga. – Porque, pelos infernos, eu não vou lhe amar, eu já lhe disse isso. Mas eu gostaria que você confiasse em mim quando eu digo que eu gostaria de poder lhe amar.
- Somente uma criança poderia querer conseguir a confiança de alguém através de sexo – disse Roy, fechando seu punho e controlando-se para não dar outro soco em Edward.
Não conseguiu, e Edward caiu ao chão, o rosto ficando cada vez mais vermelho onde Roy o atingira.
Edward o encarou, as palmas abertas contra o chão, pernas dobradas, e então voltou a se levantar. Olhava para baixo, e chegou até Roy, segurando-o pelos ombros e descendo suas mãos pelos botões de sua camisa, desabotoando-a. Mas ele ainda estava no segundo botão quando Roy o segurou pelos pulsos. – O que você acha que está fazendo?
- O que eu acho que eu estou fazendo? – disse Edward lentamente, levantando a cabeça para encarar Roy e continuando a desabotoar os botões como se não sentisse as mãos de Roy o segurando. – Eu não estou deixando você ir embora.
- Você não pode tratar as pessoas como objetos, Edward – disse Roy, segurando as mãos de Edward com cada vez mais força, e ainda assim não o impedindo de continuar o que desejava, como se o desafiasse a continuar apesar da pressão em seus pulsos.
E seus pulsos estavam ardendo, as pontas de seus dedos começando a ficarem dormentes, e ainda assim Edward conseguia mexê-los de forma a desabotoar os botões restantes. – Eu nunca o trataria como um objeto.
- Você está fazendo isso agora – e Roy fechou ainda mais suas mãos ao redor dos pulsos de Edward, cortando quase que totalmente a circulação sangüínea daquela região. Abriu os braços, puxando as mãos de Edward de maneira desconfortável, forçando-o a ficar na ponta dos pés e com o rosto encostado no seu, os braços esticados demais, por serem menores do que os de Roy. – Eu realmente quero lhe odiar agora, Edward.
- Então me odeie – disse Edward, a voz rígida enquanto ele tentava debilmente encostar a ponta de seus pés no chão. – Machuque-me, faça qualquer coisa, mas não me olhe daquele jeito de novo. Não ouse me deixar.
Crucifique o meu amor
Se isso me libertar
Nunca saiba Nunca confie
Crucifique o meu amor
Se ele deve ser dessa maneira
Desespero. Tanto maldito desespero na voz de Edward que Roy eventualmente não conseguiu olhar para ele, e abaixou a cabeça. Soltou os pulsos de Edward, e o abraçou. Por um momento Edward pareceu enxergar de novo aquele Roy que se apaixonara por ele, um Roy gentil que o abraçava sempre que ele parecia prestes a quebrar, mas então as mãos de Roy se entrelaçaram atrás de sua cintura, pegando sua camiseta e a puxando para cima, arrancando-a e a jogando no chão.
Edward chegou a sentir seu ar sendo tomado de si, mas antes que ele pudesse reagir Roy o empurrou para trás novamente, suas costas voltando a se bater contra as caixas. – A maldição, Edward – disse ele, curvando-se sobre o garoto, segurando-o pelos ombros e mordendo um mamilo de Edward com força, fazendo-o gritar e segurar a camisa de Roy com força, arqueando os quadris e mexendo um pé no chão. – É que você não pode me amar – e segurou a cintura de Edward, aproximando-o de si enquanto seus lábios corriam pelo peito de Edward, até chegar ao outro mamilo, mordendo-o com ainda mais força. Desta vez Edward gritou ainda mais alto, suas unhas se enterrando nas costas de Roy. – E eu não posso lhe odiar – e então beijou cada mamilo, como se quisesse curar suas feridas, as feridas que ele mesmo fizera. Beijos delicados e molhados e que fizeram Edward se perguntar porque aquela região deveria ser tão sensível. – Nós estamos perdidos.
E então que aquilo servisse para que Edward pudesse provar que não amava Roy Mustang, e que Roy Mustang pudesse provar que ainda assim amaria Edward até o fim. Porque estes eram os seus pecados, e eles teriam de conviver com isso, as gotas de suor que escorriam de seus corpos parecendo escorrer de suas almas como gotas de desespero.
De angústia.
Angústia que fez Edward se curvar sobre Roy, enterrando seu rosto sobre o pescoço do outro, colocando seus lábios nas curvas do pescoço e querendo sugar tudo o que pudesse do outro – como se isso pudesse simbolizar o que ele viera fazendo nos últimos dias com o coronel.
Sugando-o.
Suas mãos deslizando para baixo da camisa do coronel, finalmente escorregando-a através de seus ombros e deixando que ela caísse no chão, o tecido passando pelas costas do coronel e fazendo-o se arquear ao perceber isso, e fazendo com que ele aproximasse Edward ainda mais de si, girando as mãos pela cintura de Edward, prendendo-o com uma mão e escorregando a outra através de sua calça. Edward ficou tenso, suas pernas começando a falhar, ao perceber o que Roy tinha em mãos. – E você ainda diz que não gosta de mim – disse Roy, a voz cruel demais, cruel demais para que Edward pudesse suportar, e ainda assim ele apenas abriu mais as pernas, apoiando seus braços ao redor dos ombros de Roy. – Qual a diferença, Edward? – seu rosto estava colado ao de Edward, sua mão quase brincando com a ereção de Edward, seus dedos subindo e descendo pelo membro de Edward, deixando suas pernas fracas demais, sua respiração palpitante. E Edward não conseguia mais pensar, porque ele já podia ter sido o maldito Alquimista Nacional, ele já podia ter feito tanto, e no momento ele não se sentia nada, ali, nos braços de Roy, as mãos enluvadas do outro em lugares que simplesmente não deveriam estar. O coronel apenas mordeu o lóbulo de sua orelha, provocando-o e lhe dizendo que ele estava realmente furioso com tudo aquilo, frustrado por não conseguir odiar Edward. – Qual é a maldita diferença?
Qual é a maldita diferença?
Edward não sabia mais, e de repente ele se perguntou se, em algum ponto, ele já soube a diferença. De desejo para paixão, de paixão para amor, tudo se tornara uma grande confusão – confusão de sentidos, de sentimentos, de pensamentos e razões.
E então sua resposta à pergunta de Roy se resumiu a um grunhido, algo ininteligível sussurrado ao ouvido de Roy.
Mas Roy não iria se contentar com isso, e ele então voltou a tocá-lo, e com a outra mão começou a puxar a calça e as roupas de baixo de Edward, empurrando o garoto e o forçando a dobrar os joelhos, incapaz de se sustentar daquela maneira por mais tempo. Edward encostou suas costas na caixa, começando a descer, a mão de Roy empurrando seu quadril para trás. Seus olhos estavam começando a se fechar, pálpebras se mexendo de maneira constante, silenciosas em seu transe de desejo.
E Roy não iria permitir isso, tão pouco. – Abra os olhos – disse Roy, e apertou partes particularmente sensíveis de Edward em suas mãos, fazendo-o arquear e abrir os olhos depressa, fitando Roy com surpresa. – Eu quero você olhando para mim. O tempo todo.
Deus, e ele sequer perguntou se Edward o havia entendido, sequer perguntou se tudo bem... apenas disse isso. Como uma ordem. Que não aceitava contestação. Não que Edward pensasse em contestá-la, de qualquer maneira. – Roy...
- Garoto – e às vezes ele parecia se recusar em dizer seu nome apenas para provocá-lo, apenas para diminuí-lo ainda mais. Quando na realidade Roy não dizia o seu nome para tentar esconder de si mesmo o fato de que aquele era Edward Elric, o garoto que ele amava. – Você pensa que entende tanto sobre sentimentos, não é mesmo? Quando na realidade você não entende nada – segurou os ombros de Edward, fazendo se deitar do chão sujo. Nem Edward nem Roy se importaram com isso. – Como você poderia, se você nunca desejou, nunca se apaixonou, nunca amou alguém dessa maneira para poder compreender? – enlaçou as pernas de Edward ao redor da sua cintura, curvando-se sobre ele e colocando ambas as mãos ao lado de seus ombros. Edward olhava para ele, algo perdido entre o desejo e a ansiedade, e Roy sorriu. – Você vê, eu deveria parar por aqui. Porque eu realmente o amo, e eu deveria saber que esse não pode ser o melhor para você – beijou a clavícula de Edward, passando a língua através das saliências de seus ossos. – E alguém que ama outra pessoa sempre deve fazer o melhor por essa pessoa, mesmo que a própria pessoa queira se machucar – e Edward estava novamente com as mãos nas costas de Roy, dedos traçando caminhos na pele desnuda do outro. – Não é mesmo, Edward?
- Eu quero que você faça isso – voltou a dizer Edward, sua voz embargada pelo desejo não deixando nenhum tipo de dúvida para Roy.
- Isso só vai lhe machucar – e para provar o que dizia, Roy voltou a morder os mamilos de Edward, desta vez fazendo-os sangrar. Edward gritou, um grito gutural, e ele enterrou uma mão nos cabelos de Roy, segurando uma mecha de cabelos negros entre suas mãos como se estes fossem sua última esperança de conseguir sanidade. – Isso só vai nos machucar.
- Vai doer ainda mais se nós não fizermos isso – e disse isso entre murmúrios, uma mão ao redor da nuca de Roy, puxando-o para mais de perto de si, e a outra em suas costas. E Roy estava com a cabeça em sua clavícula novamente, e por isso demorou apenas um instante para perceber que Edward estava mexendo seus ombros de maneira estranha. Ergueu o olhar apenas para ver Edward tentar esboçar um sorriso, lágrimas escorrendo de seu rosto.
- Não faz sentido se você começar a chorar antes de eu chegar nas partes que realmente doem, Edward – disse Roy, arqueando as sobrancelhas. Mas Edward apenas continuou a chorar silenciosamente, um sorriso se desenhando de forma firme em seu rosto, e ele abraçou Roy, puxando-o para perto de si.
- Eu sou tão terrivelmente estúpido – disse Edward, esfregando a cabeça nos cabelos de Roy, que estava com o rosto sob o de Edward. – Eu cheguei a demorar um instante para perceber que você tinha dito que me amava.
Roy não disse nada por um momento, deixando-se ficar no abraço de Edward. – Pena que eu tenha dito isso apenas depois de ter a absoluta certeza de que você não poderia me corresponder, não é mesmo?
Os braços de Edward voltaram a amolecer ao ouvir aquelas palavras, e ele voltou a se sentir envolto pela sujeira do lugar. Céus, ele merecia cada maldita partícula de poeira que o contaminava. Ele merecia mais, na realidade. Ele merecia que Roy o fizesse sangrar, que ele fosse cruel com ele, não que fosse quase delicado como ele estava sendo. – Eu sou um monstro, não é mesmo?
Sem dizer nada, Roy desceu pela barriga de Edward, deixando um rastro de beijos lentos, como lembranças de cada promessa quebrada, como lembrança de cada amanhã que eles não poderiam ter. – É? Eu acho que você é apenas uma criança que não aprendeu a amar. Eu deveria parar, e você me pede que eu continue... eu não sei mais o que fazer.
- Quebre-nos – disse Edward, a voz fraca, e ainda tão decidida. – Odeie-me. Faça-me lhe odiar. Porque nós não podemos ver o amanhã. Porque nós não temos amanhã.
E Roy o abraçou, e colocou Edward em seu colo, uma mão em suas costas por um momento, retirando suas luvas e as jogando em um canto, antes de descer, entrando com um dedo na curva de sua cintura e fazendo Edward arquear seus quadris contra a mão de Roy, colocando a mão em seus ombros, de maneira confiante e resoluta. – É isso mesmo o que você quer?
- É a única maneira, não é mesmo? – disse Edward, ainda com o olhar fixo em Roy. – Para que nós possamos nos despedir desses sentimentos.
Gire as dores do coração
Sinta-as de dentro para fora
Quando o vento chorar
Eu irei me despedir
Tentei aprender Tentei descobrir
Para alcançar a eternidade
Onde está a resposta
Isto é para sempre
- Por que você fala desse jeito? – disse Roy, aproximando Edward de si com uma mão ao redor de seu ombro. – Por que você está falando desse jeito amargo? Desse jeito terrivelmente melancólico? Como alguém que tivesse visto demais do mundo e estivesse perdendo as esperanças? – E Edward se arqueou ainda mais em seu colo quando o dedo de Roy o penetrou ainda mais, segurando-o com força. – Sinto-me como se estivesse lhe perdendo, e é irônico, porque eu não posso perdê-lo, eu não posso perder algo que eu nunca tive, não é mesmo?
E de novo lágrimas voltaram a escorrer pelo rosto de Edward, e ele encostou seu rosto sobre o ombro de Roy. – Mas você poderia ter tido.
E havia uma tal sinceridade, um tal anseio em sua voz, que Roy estava sendo levado às margens da sanidade, de seu controle. Era demais. – Então deixe-me tê-lo – e agora ele também estava chorando, lágrimas que ele não sabia que estava segurando até agora. Lágrimas livres, dolorosas, queimando seu rosto. – Por favor, se você pode, me ame – e na cintura de Edward, Roy tirou um dedo, apenas para colocar dois, uma preparação entre o gentil e o selvagem e que parecia tão terrivelmente distante daquilo que eles estavam dizendo. Ou talvez não.
- Se eu amá-lo, eu irei perdê-lo – disse Edward, arqueando-se ainda mais ao perceber que Roy estava com dois dedos dentro de si. Grunhiu, murmurou, sussurros que ele não conseguiu reprimir ecoando pelo galpão... sons selvagens, doloridos.
- Eu prefiro tê-lo por um momento que seja, e então morrer, a ter que viver assim – disse Roy, uma mão na nuca de Edward, alisando seus cabelos, e outra se forçando para dentro da cintura de Edward. Cuidando para não machucá-lo, e ainda assim sabendo que deveria estar doendo como um inferno.
- E eu? Vou ter que viver sem você? – disse Edward, sentindo seu ar escapar de dentro de si quando Roy tirou seus dedos de dentro de si, uma sensação estranha o tomando. Por um lado, alívio. Por outro, a sensação de que Roy deveria continuar, não importa o quanto doesse.
Porque deveria doer, não é mesmo?
- Você já está vivendo sem mim, desse jeito – e Roy aproximou seu rosto do de Edward, segurando-o com uma das mãos, e beijando suas bochechas com ternura. Com desejo. Com ansiedade. Beijou as lágrimas secas e salgadas dali. – Eu posso tentar lidar com o Envy, Edward, mas eu não posso lidar com você me tratando assim.
Dois dias...
Céus, não era possível.
O que era esse maldito sentimento? Por que Edward sentia que ele seria rasgado em duas partes se Roy fosse tirado dele naquele momento?
- O que é isso? – grunhiu Edward, desta vez chorando alto, balançando os ombros, soluçando. – Céus, que merda é essa? Por que eu não consigo agir como eu normalmente agiria perto de você? Por que você é tão diferente perto de mim? Por que parece que nossas personalidades se distorcem por causa desses malditos sentimentos? – suas pernas se enrolaram ao redor da cintura de Roy, suas botas encostando-se às costas nuas do outro. – Isso é algum tipo de maldição?
E Roy o beijou, seus lábios sobre os de Edward, tentando dominá-lo, tentando domesticá-lo, ou quem sabe consolá-lo. Ou talvez distraí-lo da dor, pois logo em seguida sua outra mão volta a descer pela cintura de Edward, desta vez com três dedos. Penetrando-o tão fundo, tão mais fundo do que das outras vezes, e Edward arqueia seus quadris, encostando-se contra o peito de Roy, sua cabeça jogada para trás, num gesto entregue, tão terrivelmente entregue. E Roy o embala, movendo-o para frente e para trás, como se ele fosse uma criança. Porque ele é uma criança, e talvez Roy não se perdoe jamais pelo que está fazendo, porque isso é tão terrivelmente errado.
Mas, dada as circunstâncias, havia algum caminho certo a seguir?
- Alguns poderiam dizer que é uma benção – disse Roy, mexendo seus dedos dentro de Edward como se isso pudesse diminuir sua dor. E ele sabe que está doendo, e ele sabe que isso não é nada perto das dores que eles estão sentindo dentro deles.
Como um rio correndo para o mar
Você estará a milhas de distância, e eu vou saber
Eu sei que eu posso lidar com a dor
Nenhuma razão para chorar
- Eu vou ter esse momento para sempre – é tudo o que Edward diz por um momento, seus braços firmes ao redor dos ombros de Roy, mãos nos cabelos negros, fechando-se ao redor de uma mecha. – Suas declarações, meus sentimentos – ele estava chorando muito agora, e ele havia desistido de abrir os olhos, apesar do que Roy havia dito antes; ele não iria enxergar coisa alguma, de qualquer maneira.
E todo o tempo Roy se perguntando como ele poderia dizer a Edward que aquilo poderia doer como um estupro, porque ele não tinha nenhum tipo de lubrificante com ele, porque como ele poderia adivinhar que uma situação como aquela iria aparecer? E por mais que ele tentasse alargá-lo com seus dedos, devagar, gentilmente, talvez não fosse o suficiente.
E por mais que insultos houvessem sido trocados, apesar das palavras duras de Edward, Roy não poderia machucá-lo. Não tanto.
- Edward – Roy grunhiu, e levou seus dedos à boca, enchendo-os de saliva, torcendo para que isso ajudasse. E Edward ergueu o olhar para ele, encarando-o por um momento antes de perceber o que ele pretendia fazer.
E, aos poucos, Edward compreendeu.
Finalmente.
Era tarde demais.
Ele o desejava. Ele confiava nele. Ele não poderia viver sem ele.
Céus, ele precisava de mais alguma coisa para poder dizer que amava Roy Mustang tão intensamente quando Roy o amava? Talvez ele o amasse de maneira mais egoísta, mas talvez fosse pelo motivo que Roy falara, talvez ele apenas não tivesse aprendido a amar direito.
E agora Roy jamais encontraria tempo para ensiná-lo a amar, não é mesmo? Porque eles estavam condenados a partir do momento no qual Edward se deixara confiar no coronel. Deixara-se desejar o coronel. Deixara-se depender do coronel.
Mas como ele poderia dizer isso a Roy Mustang? Como? Seria mesmo melhor que ele ficasse esperando pela morte? Não, não agora. Por favor, não agora.
Mas, finalmente, Edward se permitiu sorrir. – Você não precisa fazer isso – e quando Roy abriu a boca para falar, ele pôs um dedo sobre ela, silenciando-o. – Eu sei um jeito melhor.
E Roy o encarou, não entendendo a súbita mudança de humor de Edward, e ficou sem ação quando Edward saiu de cima dele, suas mãos descendo e abrindo o zíper de sua calça. Roy deveria saber o que ele iria fazer, ele não era nenhuma criança, e ainda assim ele olhou para o alto e soltou um grunhido que beirava ao selvagem quando Edward se ajoelhou diante dele e desceu seu rosto sobre sua ereção, engolindo-a. – Edward, céus – e Roy, que tanto falara, parecera ter perdido sua eloqüência.
Por um momento, Edward parecia não fazer idéia do que estava fazendo, e ainda assim já era o suficiente para Roy querer se deitar no chão, olhar para o teto e se deixar perder naquilo ali – teria sido tão fácil, não é mesmo? Quantas vezes já imaginara essa situação? Quantas vezes já desejara que Edward o tomasse assim? E agora ele estava fazendo exatamente o que Roy sempre quis, até mesmo com a mesma falta de jeito que ele sempre imaginara que Edward teria. Edward tocava o membro de Roy, sem saber ao certo o que poderia fazer para excitá-lo – ou melhor, para deixá-lo ainda mais excitado. Mas ele resolveu tentar e, usando os grunhidos e gemidos de Roy como resposta, ele foi descobrindo o que dava certo e o que não. Descobriu que passar a língua pela base do membro de Roy, e então sugar com delicadeza cada uma de suas bolas era algo que fazia Roy gemer particularmente alto.
Talvez se fosse qualquer outra pessoa Roy se levantaria e daria um jeito de ensiná-lo a fazer aquilo direito, mas era Edward, e senti-lo tentando descobrir o que lhe dava prazer era algo extremamente prazeroso por si só. Os quadris de Roy se arquearam, obrigando Edward a se levantar um pouco para não se engasgar.
Aproveitando que Roy estava com os quadris arqueados, Edward puxou a calça e a cueca de Roy, que já estavam o atrapalhando. Deixou ambas esquecidas nas canelas de Roy, e voltou a se concentrar no que devia fazer.
Céus, ele deveria fugir dali, ele deveria começar a pensar em uma maneira de impedir que Envy matasse Roy, mas aparentemente ter sido um grande Alquimista Nacional, o grande Fullmetal, não o impedia de ter seu cérebro derretido pela situação, e tudo o que ele queria era ir até o fim com aquilo ali, agora que ele sabia que era inevitável que ambos fossem destruídos.
Mas, se aquela fosse a única vez de ambos, Edward iria fazer de tudo para que Roy não se arrependesse. De nada. De amá-lo. De ir até o fim com aquela loucura. – Obrigado – disse Edward, suas mãos apoiadas sobre a cintura de Roy, voltando a abocanhar o membro de Roy. – Por me amar – e era possível se perguntar como ele conseguira dizer isso enquanto passava a língua através do membro de Roy, subindo e descendo sem pressa, mas o fato é Roy o ouvira com extrema clareza.
E se ele conseguira se segurar até ali, as palavras de Edward sempre eram demais para Roy – eram sempre elas que o mandavam para além da margem, que mandavam sua sanidade às favas. Sentindo seu corpo inteiro tremer, ele voltou a arquear os quadris, soltou um gemido irreconhecível, cheio de desejo. E, sentindo um arrepio percorrer seu corpo e voltando a relaxar, ele gozou sobre o rosto de Edward.
Oh, não. Ele não deveria ter feito isso, Edward não estava acostumado com esse tipo de coisa, ele provavelmente estava com nojo de Roy agora, Roy e suas malditas perversões. Roy, o maldito que não conseguia se segurar e...
E qualquer que fosse o seu outro devaneio, Roy nunca chegou a pensar, sua trilha de pensamentos interrompida por um beijo de Edward, um beijo quente e molhado em seu rosto, em seus lábios, um beijo que não permitia negação.
E um beijo como aquele, um beijo que Edward não sentiu vergonha em querer esconder, foi o suficiente para que Roy começasse a se sentir excitado de novo. E Edward não iria parar, porque, se ele achara que sentiria medo ao perceber que estava perdidamente apaixonado por Roy Mustang, ele não o sentia.
Se era inevitável, ele poderia apenas fazer com que fosse inesquecível, não é mesmo? Roy tinha razão. Eles poderiam tentar lidar com Envy, mas depois daquilo. Depois que eles tivessem se acertado.
Agora, era o império dos sentidos, e nada senão ambos poderiam reinar aqui.
Nada de Envy. Nada de Alphonse, Riza, Winry, Pinako, ou qualquer outra pessoa. Apenas os dois e suas juras, ditas ou não. Apenas os dois e seus amanhãs que nunca poderiam ser.
Roy dissera que apenas uma criança poderia associar sexo a confiança.
E se Edward lhe dissesse que, para ele, aquele sexo era uma serenata de despedida, o que ele diria? O chamaria de tolo?
Um beijo longo, explorando a boca de Roy. Um beijo que queria dizer "Eu te amo, eu finalmente descobri isso, mas talvez eu jamais possa dizer isso com palavras".
Porque, se ele o dissesse com palavras, ele estaria apenas confirmando que iria perder Roy, e ele não queria isso, ele realmente não queria isso, não agora, por favor, não agora.
E o beijou se tornou correspondido, línguas se tocando, se unindo, querendo dizer o que não podiam, o que não queriam. Duelos que não existiam, porque não havia o desejo de luta, e ainda assim as línguas se debatiam, como se não se compreendessem por alguns momentos. E então elas voltavam a se explorar, brincando, sofrendo, conhecendo-se. Finalmente.
Até que a solidão faça sombra no céu
Eu estarei partindo e eu vou saber
Eu sei que eu posso limpar nuvens para longe
Oh é um crime amar
E apenas um beijo como aquele foi o suficiente para Roy voltasse a ficar excitado, e Edward percebeu isso, e parou de beijá-lo por um momento, encostando sua testa na de Roy, fechando os olhos e dizendo com a voz meio fraca, como se de repente tivesse ficado tímido: - Quem é o adolescente, mesmo?
- Oh, cale a boca – disse Roy e, para garantir isso, voltou a beijar Edward, com tanta força como quando Edward o beijara.
Lentamente, Roy o segurou pela cintura, descendo-o sobre o seu colo devagar, ainda o beijando. De início, Edward pareceu não perceber, até perceber que estava quase sentando sobre o membro ereto de Roy. Ao senti-lo sob si, ele tentou dar um salto, sentindo um arrepio o percorrer, mas as mãos mais fortes de Roy o seguraram no lugar. Gentilmente. – Relaxe – disse Roy, aproximando seu ouvido de Edward, que havia começado a tremer, segurando com força os ombros de Roy. Força demais. – Vai doer menos se você relaxar.
E como Edward poderia não confiar em Roy? Com um sorriso, Edward assentiu com a cabeça, fechando os olhos e encostando a cabeça no ombro de Roy, voltando a enrolar suas pernas ao redor da cintura de Roy, suas botas deixando marcas nas costas de Roy.
Ainda assim, ele não poderia deixar de soltar um gemido ao sentir Roy penetrando-o, por mais devagar que ele estivesse indo. Suas unhas voltaram a se agarrar às costelas de Roy, novas marcas se formando ali. – Você quer que eu pare?
E Edward sorriu, abaixando seu rosto e beijando o pescoço de Roy. – E você conseguiria, seu maldito adolescente?
Roy sentiu vontade de socá-lo, mas apenas o segurou com mais força, empurrando-o para frente e para trás, tentando fazer com que Edward se encaixasse sobre ele e torcendo para que toda aquela preparação tivesse algum efeito. – Por que nós estamos fazendo isso, mesmo?
E de repente Edward parecia ter se esquecido de todos os motivos anteriores. Porque ele não queria mais ter que odiar Roy. Porque ele não queria mais que Roy o odiasse. Porque Roy o amava, ele estava apaixonado por Roy, e, céus, naqueles minutos isso teria que bastar. – Porque nós queremos isso.
Quatro palavras. Quatro simples palavras, e Roy desceu Edward mais um pouco, com todo o cuidado e carinho que seriam possíveis. Edward ainda soltou um gemido, mas não tentou mais sair dali, não tentou mais escapar. Estava decidido como nunca a ir até o fim.
Porque nós queremos isso.
Nós.
E Roy beijou o pescoço de Edward, e o loiro pensou que talvez fosse novamente para distraí-lo da dor. Era para esconder suas próprias lágrimas.
Lágrimas de felicidade.
Nós.
Roy não era o tipo de pessoa que iria se recusar a enxergar aquele simples sinal, aquele simples sinal que significava tanto mais do que qualquer outra coisa que Edward havia dito até então. Porque, se havia um nós, havia mais do que desejo entre os sentimentos de Edward.
E o garoto deixara isso escapar de forma tão simples e ingênua que Roy não poderia deixar de amá-lo ainda mais, mesmo quando ele considerava isso impossível. – Obrigado, Edward – disse ele, uma mão ao redor de sua cintura, segurando-o com firmeza para que ele não caísse de vez sobre ele, outra afagando seus cabelos.
Edward procurou a razão pela qual Roy o agradecia, e não encontrou. Isso o obrigava a tomar medidas extremas para não ficar sem resposta diante do outro. – Se você acha que vai sair dessa tão facilmente achando que sempre vai estar por cima porque pode dizer que eu sou tão baixinho que posso ser guardado com os camarões no supermercado – seu tom era de brincadeira, muito embora sua voz estivesse embargada pelo prazer, e entre cada palavra sua escapassem pequenos gemidos, sussurros. – Você está muito enganado.
Roy revirou os olhos. Impossível. Simplesmente impossível que ele estivesse falando sobre isso naquele momento. – É, claro. Você sonha com o dia no qual eu vou ficar por baixo, Edward – e desceu Edward mais ainda, dessa vez sem tanta delicadeza, como se quisesse mostrar o que dizia. Se Edward estava fazendo brincadeiras como aquela, não poderia estar doendo tanto, afinal de contas. – Você ainda tem que aprender uma coisa ou duas antes de poder fazer isso, Edward.
E Edward abriu a boca para dizer que ele obrigaria Roy a lhe ensinar tudo, cada coisa, cada maldito detalhe, daquele jogo que eles jogavam, daquela brincadeira que eles partilhavam, apenas para fechá-la logo em seguida.
Por que ele tinha de voltar a pensar que de repente eles não teria tantas oportunidades para fazerem aquilo de novo justo agora?
Não, Edward não poderia pensar em qualquer outro momento que não fosse agora.
Ele precisava se distrair, precisava tirar aquele maldito pensamento de sua mente, e a única maneira que ele encontrou para fazer isso foi tirando a mão de Roy de sua cintura e se jogando de vez no membro do outro, deixando-se penetrar até o fim, deixando-se rasgar e deixando-se doer. Porque aquela dor ainda era melhor do que aquele pensamento.
Edward gritou de dor.
- Edward, o que você... ?! – Roy o segurou de novo, aturdido com a atitude do outro, olhando-o de maneira preocupada. Por que raios ele fizera isso? Ele sabia que isso iria doer, e ainda assim... ainda era como se o garoto quisesse se punir de alguma maneira. Por que, Edward? Por quê?
Doía, e doía como um inferno, e ainda assim era tão diferente da sensação de quando Envy o penetrara. Ele não sentia sua cintura rasgar. Ele não sentia como se fosse pequeno demais para aquilo, como se algo dentro dele fosse quebrar por causa do que estavam fazendo.
Mas Edward não queria pensar em Envy, ele precisava desesperadamente não pensar em Envy, porque fazia apenas dois dias e as memórias ainda eram nítidas e vivas demais em sua mente para que ele pudesse suportar pensar no assunto.
E de novo Edward se viu tremendo, e segurando o pescoço de Roy com força, e beijando sua testa, seus olhos, seu nariz, suas bochechas, seus lábios... de maneira apressada, nervosa, seus lábios tremendo. – Nós estamos fazendo tudo errado, não é mesmo?
Dois dias.
Dois malditos dias.
Pouco tempo.
Pouco tempo demais.
Roy segurou sua cintura com uma mão, deslizando a outra através da ereção de Edward, dedos delicadamente subindo e descendo, confortando-o, acariciando-o, dizendo o que Roy não sabia mais dizer em palavras. Aproximou Edward de si, lábios sobre lábios. – Indubitavelmente.
E Edward se segurou ao redor de seus ombros, segurando com tanta força nos cabelos de Roy, tanta maldita força que por um momento Roy chegou a pensar que perderia uma mecha de seus cabelos negros. Pernas tão presas ao seu redor, rosto colado no seu, e Edward sabia que, apesar da dor, ele realmente queria fazer aquilo. Talvez ele não fosse nunca entender a razão, mas tudo o que ele queria era poder fazer isso, mesmo que ele achasse que fosse se quebrar no processo, mesmo que sentisse vontade de chorar, porque de repente ele sabia que Roy estaria ali para segurá-lo se ele caísse, e isso lhe bastava.
De repente era tão fácil compreender o que era ser capaz de morrer por amor.
Roy lhe ensinara isso.
E era uma lição que Edward não pretendia se esquecer tão cedo. Com um gemido, ele desceu mais um pouco, apesar de Roy tentar segurá-lo onde ele estava. Mas ele não iria parar. Não iria voltar atrás. Arqueou seus quadris ainda mais contra Roy, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos numa expressão dolorida – e ainda assim tão terrivelmente entregue.
As mãos de Roy se fecharam ao seu redor, colando-o contra si, seus próprios quadris tentando seguir o ritmo lento de Edward, quadris subindo e descendo, cabeças encostadas. E, naquele mesmo ritmo lento, as mãos de Roy seguiram um caminho pelas costas de Edward, chegando aos seus cabelos, acariciando-o. Seus dedos deslizando através de suas mechas, finalmente desfazendo a trança de Edward, que já estava quase desfeita, de qualquer maneira. Dedos brincando em sua nuca, fazendo cócegas que fizeram Edward dar um sorriso e beijar a base do pescoço de Roy, trilhas de beijos suaves e quentes e que estavam definitivamente levando Roy às margens de sua sanidade. Ainda assim, ele não apressou o seu ritmo, continuando a apenas acompanhar o de Edward.
Lento demais.
Roy estava enlouquecendo, e ele não poderia se permitir isso, não poderia se permitir perder o controle agora e...
... quem ele estava tentando enganar? Pois Roy sabia muito bem que já havia perdido o controle sobre si mesmo há tempos, e agora era tarde demais para tentar se recompor. Ainda assim, ele apenas continuou a manter Edward junto de si, o garoto mexendo-se junto de si e ganhando ritmo devagar, como se apenas agora estivesse compreendendo o que deveria fazer, como deveria se mexer para que não doesse. E Roy não iria roubar esse aprendizado dele. Não mesmo.
Apenas agora Edward estava percebendo que não doía o tempo todo, e estava conseguindo ir mais depressa, suas pernas flexionadas, sua cabeça ora encostada na de Roy, ora jogada para trás. E ele encarou Roy, como o outro tanto queria que ele fizesse, para que seus olhos se encontrassem e Roy percebesse que não havia nenhuma dúvida em Edward de que ele queria aquilo. Talvez ele tivesse começado aquilo por todos os motivos errados do mundo, mas ele não deixaria aquilo terminar pelos motivos errados. Roy poderia ter razão, e ele realmente não compreenderia nada sobre sentimentos, mas era impossível que ele não amasse Roy sentindo o que sentia, e isso deveria ser o suficiente, não é mesmo?
Suficiente para que tudo valesse à pena.
Suficiente para que houvesse resquícios de paraíso naquele inferno.
- Céus – disse Roy, soltando um gemido, e desta vez foi ele quem fechou as mãos ao redor das costas de Edward, forçando suas unhas nas costas do outro.
Prazer. Um prazer desesperado, ansioso, que bania a sanidade da mente de Edward, que fazia ele empurrar seus quadris contra Roy, subindo e descendo e tentando descobrir como aquilo poderia lhe dar algo além de dor. Um prazer que alterava sua respiração, fazendo-o suspirar no ouvido de Roy. Fazendo-o ir mais rápido, apesar da dor que ainda persistia, apesar de saber que estava tudo errado, sabendo apenas dele e de Roy e daquele maldito momento no qual eles se tocavam, se abraçavam, Roy tão dentro dele que ele poderia imaginar por um momento que eles nunca mais iriam se separar.
E Roy voltou a descer sua mão sobre o membro de Edward, mão gentil e apressada, ansiosa... ele não enxergava mais nada, seu rosto encostado no de Edward, escondido sob os cabelos soltos do outro. Circulando o outro, pressionando seus polegares pela base e então descendo, fazendo círculos e cócegas com a ponta de seus dedos. Provocando-o. Definitivamente provocando-o.
Mas Edward não se importava mais com provocações, e virou seu rosto, encontrando o de Roy. Foi beijando suas bochechas, como se procurasse pelo caminho até seus lábios, e o envolveu em outro beijo. Mas um beijo diferente dos outros que eles já haviam trocado antes. Muito mais ansioso, desesperado. Não tentavam provar nada senão a necessidade daquele momento. E Edward continuava indo mais rápido, mal conseguindo respirar com seus lábios fechados nos de Roy, suas mãos no rosto do outro, como se não quisesse que o outro se mexesse. Como se não quisesse perder aquele maldito momento.
Era difícil respirar, era difícil se controlar com Edward se mexendo daquele jeito em seu colo, e era impossível pensar. As mãos de Roy se fecharam sobre as pernas de Edward com força, subindo e indo até sua cintura, pressionando-o para mais perto, forçando-o a não ir para longe.
E quando ele fez isso Edward sentiu que Roy o penetrara tão fundo, tocando as pontas de seus nervos mais sensíveis e mandando milhões de estímulos nervosos através de seu corpo. Era como dor, mas era uma dor que Edward queria sentir de novo e de novo. Era como se ele fosse morrer, e então ele sabia que queria morrer daquele jeito, esmagado nos braços de Roy.
Edward gritou, jogando a cabeça para trás e deixando seus quadris irem ainda mais fundo em Roy. Um grito tão profundo, tão terrivelmente profundo que outra pessoa poderia pensar que Edward estava gritando de dor. Mas Roy não se enganaria, e ele reconheceu algo além disso na voz de Edward, algo de selvagem e gutural e libertador. E quando Edward voltou a olhar para ele, os olhos enevoados, ligeiramente distantes, e ainda assim tão fixos nos seus, ele soube que eles estavam se matando ali.
E ele estava perdido por achar que aquela era a maneira mais louca, mais apaixonada e entorpecida, mais doce e desesperada de duas pessoas se matarem.
Crucifique o meu amor
Se o meu amor é cego
Crucifique o meu amor
Os estímulos nervosos continuaram, fazendo Edward se agarrar a Roy como se o chão pudesse se abrir e o engolir de repente, e ele ia cada vez mais rápido, tão rápido que Roy que não sabia mais por quanto tempo ele seria capaz de agüentar. A sensação de Edward envolvendo-o, engolindo-o, e pedindo por mais, parecia consumi-lo cada vez mais. Roy tremia, seus pés, suas pernas, sua cintura, seu peito, seus braços, até mesmo as malditas pontas de seus dedos da mão tremiam, e ele parecia incapaz de controlar seu próprio corpo.
E de repente Edward pareceu se descontrolar em seus braços, voltando a gritar, mãos nos cabelos de Roy, a cabeça voltada para trás e o pescoço encostado nos lábios de Roy, que o beijava de maneira apaixonada. Selvagem. Edward fechou os olhos, e gozou. Roy não pareceu se importar em ficar ainda mais sujo, líquido quente sobre sua barriga, escorrendo através de seu corpo. Apenas continuou a beijá-lo, sua língua em seu pescoço, saboreando-o. Ambas as mãos em suas costas, como se procurasse alentar o garoto. Estava tudo bem, agora.
Edward continuou a se mexer, cada vez mais lentamente, seus olhos agora fechados de forma tranqüila. Abaixou o rosto, encostando-o ao de Roy, seus cílios inquietos fazendo cócegas no rosto de Roy.
E ele sabia que alguma coisa não estava certa. Se ele, apesar de toda a dor que estivera sentindo, chegara a conseguir gozar, por que Roy estaria tão tenso sob si? Edward continuou a se mexer, apesar de seu cansaço, apesar de começar a se sentir dolorido de novo, perguntando-se o que poderia estar errado, quando de repente se tornou tão óbvio.
- Seu desgraçado – grunhiu Edward, sorrindo e depositando um beijo sobre os lábios de Roy. – Você está fazendo isso para me provocar, não é mesmo?
E Roy foi se deitando, sentindo-se tão cansado, Edward sempre deitado em seu peito, pernas flexionadas ao lado das suas, quadris provocando os seus. Passou uma mão pelo cabelo do outro. – O que eu estou fazendo?
Mas Edward não iria responder a isso diretamente. – Você confia em mim?
- Edward – as mãos de Roy se tornaram tensas nas costas de Edward, seus lábios parando de beijá-lo.
- Você confia em mim? – Edward voltou a perguntar, interrompendo Roy, sua voz rígida e embargada.
- Totalmente – respondeu Roy, e Edward não precisava olhar para ele para saber que ele não estava mentindo para ele.
Ótimo. Era tudo o que ele precisava. Era tudo o que ele queria, para ter certeza de que Roy não iria duvidar do que ele iria dizer.
Porque novamente ele iria dizer o que ele havia jurado não dizer, porque novamente seu mundo havia virado ao contrário em questão de segundos. Roy Mustang parecia ter um talento para fazer isso com ele. Edward voltou a beijar os lábios de Roy, sua língua brincando em cada lábio. – Eu – sussurrou, a palavra se perdendo e se prendendo ao suor de ambos, ao calor de ambos, ao desejo incessante de ambos. – Te – letras que formavam palavras tão simples, rebatendo com a língua de Edward, chegando aos ouvidos de Roy de maneira distorcida pelo desejo. – Amo.
Eu te amo.
Palavras. Três simples palavras. Eram sempre as palavras de Edward, não é mesmo, que faziam toda a diferença. E Roy por um momento quase não acreditou no que ouviu. Por um momento não entendeu. Porque não poderia ser possível. Porque o paraíso não poderia estar tão próximo dele. Porque ele estivera no inferno há tão pouco tempo, e agora Edward dizia aquelas palavras...
Palavras que fizeram Roy se segurar com toda força às costas de Edward, arqueando seus quadris e sentindo cada parte de seu corpo explodir, seus pés querendo sair do chão, suas mãos abraçando Edward com tanta força enquanto milhões de tremores corriam seu corpo, em direção à sua cintura, até ele finalmente gozar, preenchendo Edward e então voltando a deitar no chão, exausto.
Exausto, mas tão terrivelmente feliz, como não estivera por tanto tempo.
Ficou deitado no chão, esperando que sua respiração voltasse ao seu ritmo normal, porque ele realmente não conseguiria falar agora, não conseguiria pensar, não queria pensar.
Ter Edward em seus braços bastava.
Para seu azar, Edward parecia já estar se recuperando, e estava deitado sobre ele, engatinhando devagar sobre sua barriga e retirando-se de Roy e fazendo-o ver mais algumas estrelas que ele não acreditou que ainda pudesse ver. E Edward deitou sobre ele, encolhido em seus braços, e Roy sabia que ele finalmente se sentia plenamente seguro ao fazer isso, finalmente se sentia protegido e acolhido e amado naqueles braços, e Roy não conseguiu reprimir um sorriso satisfeito. Edward passou a ponta de seu polegar pelos lábios de Roy, como se quisesse se lembrar muito bem como era aquele sorriso, sua expressão um pouco sonolenta, cansada, preguiçosa. Ergueu o rosto, beijando a ponta dos lábios de Roy. Sorriu, e fechou os olhos. – Para alguém com tanta experiência – disse ele, sua voz adquirindo um tom zombeteiro, ainda que um tanto cansado. – Você dá valor demais para as palavras, você não acha?
Roy não disse nada por um momento. Era tão típico de Edward provocá-lo num momento como aquele, quando qualquer outra pessoa estaria letárgica demais para pensar em comentários do gênero. – Não são as palavras – disse Roy, envolvendo Edward com um braço e afagando-lhe os cabelos com a outra. – São as suas palavras, Edward.
E como Edward poderia não sorrir ao ouvir isso? Como? – Você quer ouvir de novo? – disse ele, beijando os lábios de Roy devagar e com preguiça, fechando os olhos, as pernas ao redor das de Roy, seus braços jogados sobre a cabeça de Roy. – Eu te amo – deu um beijo, seu nariz brincando com o de Roy. – Eu te amo por estar aqui quando eu mais precisei de você – deu um beijo na bochecha de Roy, que colocou uma mão sobre os cabelos de Edward, acariciando-os. – Eu te amo porque você sempre sabe o que eu preciso ouvir – beijo sobre os olhos de Roy, soprando seus cílios. – Eu te amo porque você soube o que eu precisava muito antes que eu soubesse – beijo sobre a testa, sinal de admiração e respeito. – Eu te amo porque... – ele deitou a cabeça no peito de Roy, fechando os olhos. – Oh, você realmente quer a lista completa?
Roy riu, de novo aquele riso divertido e sincero e que fazia Edward acreditar em coisas como esperança e amor e verdade, e o abraçou com força, passando uma mão pelo seu rosto, traçando as curvas deste com a ponta de seus dedos. – Você não está achando que pode parar agora que começou, está? – disse, e havia um tal tom de felicidade em sua voz que ele parecia ter se esquecido de todo o resto do mundo, de todos os outros momentos, como se a única coisa em sua mente fosse aquela imagem, ele e Edward e Edward dizendo as razões pela qual o amava. Provavelmente era.
Edward se remexeu em seus braços, as pontas de seus dedos traçando caminhos pelo peito de Roy. – Você é mau – disse ele, como se estivesse magoado, e estando apenas cansado. – Mas eu acho que gosto disso também, mas só em você.
Roy não resistiu. – Eu não sabia que você curtia sadomasoquismo, Edward – e ele estava sorrindo, como nos velhos tempos, com a diferença de que agora esse sorriso era tão mais sincero.
Edward não disse nada por um momento, apenas apertou o mamilo de Roy que ele estava apenas acariciando, fazendo-o se contorcer. Deu um sorriso vitorioso ao perceber que Roy o encarava com surpresa. – Eu o amo, seu maldito – disse ele, apenas. – E não vou perder você.
Roy sorriu. – É claro que não.
É claro que não.
E por um momento eles se permitiram ficar assim, nos braços um do outro, juras de amor sussurradas de maneira debochada como somente eles poderiam fazer, um amor tão doce e tão selvagem e tão terrivelmente desesperado que só poderia pertencer a eles, sorrisos em meio à angústia que somente pessoas como eles poderiam dar em um momento como aquele.
Porque, naquele momento, naquele ínfimo momento, no qual Edward havia se confessado e Roy havia acreditado e eles haviam finalmente percebido que poderiam, sim, compreender um ao outro, eles eram invencíveis.
Invencíveis.
Crucifique o meu amor
Se ele deve ser dessa maneira
Crucifique o meu amor
... Isto é para sempre?
