Nota: Os personagens de Saint Seiya não me pertencem, pertencem ao mestre Masami Kurumada e empresas licenciadas.


Gente, nossa eu to tão feliz... Ultrapassar os cem reviews? Isso é mais do que um sonho pra mim, jamais pensei conseguir tal feito! Pra mim isso era coisa digna de Julie Chan, Arthemis...

Valeu, valeu mesmo, de coração agradeço a todos que tem acompanhado essa história, mesmo aqueles que não me deixaram coments...

Mas nunca é tarde, não é mesmo? rs

Mandem quantos coments quiserem, será um imenso prazer pra mim poder recebê-los assim como respondê-los, sem contar que quanto mais coments, mais motivação vocês me dão pra escrever!

Obrigada mesmo, por todo o apoio!

Boa leitura!


Capítulo 14: O Casamento

I – Últimos detalhes

-Lara?

-Eu já vou...; A jovem respondeu ao ouvir o chamado de Shura do outro lado da porta. –Estou quase pronta; murmurou.

-Voy esperá-la lá em bajo; Shura respondeu. –La mayoría de los convidados já chegou; explicou antes de descer.

Ouviu os passos do rapaz se distanciarem no corredor e algum tempo depois por fim saiu do banheiro. Estava a pelo menos duas horas ali, entre pinceis de maquiagem, secador e fluídos para fixar o cabelo.

-Zeus...; A jovem murmurou aproximando-se da cama onde jazia o vestido que iria usar. –Como mulher sofre pra ficar bonita; suspirou cansada, verdadeiramente exausta depois da maratona de beleza que havia enfrentado.

Mas seu atraso não era só por conta dessa difícil tarefa, afinal havia ficado quase que a tarde toda ajudando a noiva a se arrumar, coisa que foi deveras interessante, já que com isso havia descoberto que Afrodite além de um ótimo florista também era um excelente maquiador. Pena que não pudesse lhe pedir para que a maquiasse também. Já sabia até a resposta:

"Ah vai sonhando mocréiazinha...".

Ou então: "Claro, se me pagar com moeda espanhola, ou melhor, com um belo espanhol... Ah detalhe, pode ser o seu, aquele que você me roubou...".

No mais, Flor havia feito o seu trabalho. A decoração e os arranjos do altar ficaram definitivamente perfeitos, assim como a noiva ao se permitir ser maquiada pelo mesmo, que gentilmente se oferecera para fazer tal coisa. De fato Marin devia estar se sentindo mesmo grata pela ajuda de Afrodite, imensamente grata, já que além de maquiá-la e cuidar dos arranjos fora Flor quem botara ordem na casa àquela tarde...

Os Kinaros.

A família de Aiolia havia chegado como uma verdadeira tromba d' água. Todos de uma só vez, barulhentos e tagarelas isso sem contar aquelas adoráveis criaturas que se denominavam tias, mas que no fundo eram verdadeiros demônios de saia...

"Nossa Lara querida, ainda solteira? Minha caçula se casou há dois anos. Se lembra dela? Ah, já me deu um lindo netinho e deve estar planejando o segundo... É melhor se apressar querida, senão vai envelhecer seca e sem frutos...".

Por Zeus, por quê sempre tinha que ouvir a mesma cantilena? Senhoras roliças como barris que viam no casamento a única razão de viver de uma mulher. Como se as mulheres só servissem para procriar...

Enfim, pelo menos Marin escapara das garras daquelas velhas barulhentas e bisbilhoteiras, Afrodite as expulsara do quarto recebendo olhares indignados e estranhos. Primeiro: A noiva vai ficar sozinha com esse homem e trancada no quarto? Segundo: Ele, ele... Ele é...?

Por fim, tivera que ficar junto de Flor e Marin, pra que não pensassem mais bobagem do que já estavam pensando. Coitada da amiga... Em que família estava entrando? Aquelas mulheres eram estranhas, a condenavam por continuar solteira e não eram diferentes para com Marin. Assim que viram a noiva com aquele barrigão, logo trocaram cochichos e olhares de reprovação.

Mas afinal em que século estavam vivendo?

As mulheres deviam se casar de preferência aos quinze anos – antes que ficassem secas – e jamais, jamais, se entregarem ao desfrute e ainda por cima trazer consigo o prova de seu "crime...".

Que pesadelo! Não era a toa que a amiga estava tão nervosa e tivesse tido intermináveis crises de choro enquanto Afrodite a maquiava, tendo que recomeçar o trabalho todo de novo. E com Aiolia não era diferente, estava nervoso, mas por outro motivo, o pai, o único que não havia aparecido até agora. No seu caso, o problema estava longe de ser a desaprovação dos parentes que lhe eram todo elogios... bom, pelo menos a parte masculina dela.

Mas o que era aquilo? Aquela bendita desigualdade que varava os séculos? –Lara cerrou os punhos indignada. A noiva era motivo de comentários depreciativos por estar grávida, como se tivesse cometido um crime, enquanto o noivo era parabenizado pelos homens da família por perpetuar a sua espécie. Oh grande macho reprodutor...

Só esperava que tudo desse certo. A amiga não merecia estar passando por tudo aquilo num dia tão importante para si; Lara suspirou cansada enquanto despia o roupão e pegava o vestido sobre a cama.

II – Linda

Tudo estava pronto. Os convidados andavam de um lado para o outro. Os cozinheiros tratavam de arrumar os últimos detalhes do jantar que seria servido após a cerimônia na cozinha.

Só não sabia que tinha tantos parentes assim; pensou Aiolos emitindo um suspiro casado diante do vaivém de crianças, jovens, senhoras e senhores pela casa.

Só faltava o pai.

No corredor de frente para a escada que dava acesso aos quartos, podia ver no lado oposto, que era onde ficava a biblioteca, o irmão andar de um lado para o outro com o telefone na mão. Aiolia havia tentado falar com o pai a tarde toda sem obter resultado. O velho Kinaros parecia ter evaporado, ou então simplesmente não atendia o telefone pra não ter que falar com o filho.

Não conseguia acreditar que o pai estivesse fazendo isso com o irmão, aquele garotinho rebelde que sempre o idolatrara e admirara, mas que havia cometido um crime gravíssimo... Desobedecido às ordens do pai e firmado compromisso com aquela jovem "estrangeira", como o velho Kinaros havia denominado Marin.

Dois turrões que não davam o braço a torcer e agiam impulsivamente. Assim eram Aiolos e Nikos Kinaros. Porem, dessa vez quem estava agindo mal era o pai; pensou. Marin era uma mulher linda, batalhadora e sem dúvida alguma digna do amor de Aiolia, porem o pai insistia na idéia de casamento entre primos ou amigos da família, como se estivessem no século passado e casamentos por interesse comercial ainda existissem. Poderiam até existir em algumas etnias, mas pra alguém como o irmão e a si que haviam crescido, passado quase que a vida toda num país como o Brasil, aquilo era absolutamente absurdo.

Não era a toa que decidira morar definitivamente no Brasil assim que completara a maior idade. Constantemente também era apresentado há alguma prima ou amiga da família com quem poderia formalizar casamento a cada visita que fazia ao pai.

Aiolos suspirou mais uma vez e cansado, se recostou contra a parede atrás de si fitando o teto, as mãos dentro dos bolsos da calça. Casamento. Nunca havia parado pra pensar se um dia desejaria isso pra sua vida. Eternamente junto de alguém, ouvir aquele:

"Até que a morte os separe...".

Em toda sua vida jamais se deixara prender por sentimento algum que não fosse amizade. Sempre fora livre e carregava consigo o soneto de Vinícius de Moraes como lema: "Que seja infinito enquanto dure...".

Sua vida amorosa nunca fora monótona, muito pelo contrário, e sempre tentava aproveitar o máximo possível do momento que estava vivendo. Procurava muito mais do que satisfação, prazer, mesmo que fosse numa única noite e às vezes até chegava a encontrar algo bom. Porem... logo o encanto passava e mais uma vez voltava a sua busca cega e incessante por algo que de fato nem ao menos sabia o que era.

No entanto, gostaria sim e muito de ter alguém com quem compartilhar suas felicidades e também seus temores e medos, tal qual o irmão tinha com Marin. Em seu intimo sempre desejara isso e só agora percebia que era essa a sua tão incessante busca.

-Lara; ele murmurou num tom quase inaudível.

Esse alguém já existia, havia estado ao seu lado a vida toda, porem fora incapaz de perceber isso até que a perdesse, perdesse aquela que de fato era a única que lhe completava.

-Aiolos?

Ele ouviu seu nome ser pronunciado, e então se voltou para a direção de onde vinha o chamado deparando-se com a amiga a descer as escadas. Prendeu a respiração.

Linda.

Essa palavra definiria aquela que via descer as escadas; pensou. Com passos leves e comedidos como os de uma ninfa a caminhar sobre a superfície límpida de um lago, Lara descia as escadas. Os cabelos castanhos jaziam presos num coque pouco formal, despojado, onde alguns fios soltos delicadamente lhe emolduravam a face. Os orbes castanhos, quase amendoados, estavam muito bem delineados e os lábios cheios cintilantes e rosados. Uma beleza natural que havia sido apenas realçada.

A cada passo que dava o vestido vermelho e leve, amarrado ao pescoço deslizava pelas curvas do corpo pequeno, delicado, porem não menos sensual aquela noite. O decote não tão habitual de sua personalidade era ousado e expunha parte dos seios alvos e macios, onde um pequeno e reluzente pingente dourado repousava.

Quando por fim desceu as escadas, silenciosa, a ninfa do silencio eterno, parou há alguns passos do rapaz que apenas a observava em silencio, os orbes esmeraldas fixos em si.

Sentiu um arrepio correr suas costas ao ver que ele se aproximava, porem sem desviar aquele olhar intenso de cima de si. É, sem dúvida alguma aquela sensação não devia ser por conta do corte do vestido que expunha suas costas quase que por completo; pensou.

Ele se aproximou. Lindo, bem vestido, o terno preto com um corte impecável. Ou seria o porte de quem estava usando que o fazia parecer perfeito? –pensou. Sentiu-se momentaneamente intimidade por aquele par de orbes verdes sobre si.

Que bom, não estou tão baixa perto dele hoje...; A jovem suspirou sentindo o rosto aos poucos se aquecer com aquele olhar penetrante e insistente sobre si, porem satisfeita com a recente descoberta. Ele, Aiolos Kinaros, estava olhando para si e aquele sem dúvidas não era um olhar de irmão...

Ah se soubesse disso antes... Teria comprado sapatos caros como aquela sandália de salto alto que estava usando. Toda revestida com pedrarias e...

Gastaria seu salário inteiro se soubesse que com isso ele lhe daria aquele olhar, se soubesse que com isso ele por fim "conseguiria lhe enxergar"; pensou, ciente de que a vendedora da loja era o seu anjo da guarda por ter lhe oferecido àquele par de sandálias quando comprara o vestido.

-Está linda; Aiolos por fim disse alguma coisa, ainda encantado com a beleza da jovem.

-Obrigada; Lara respondeu timidamente.

-Não acredito que ainda tem isso; Aiolos murmurou e então delicadamente aproximou os dedos do pingente sobre o colo da jovem.

-A flor de Lis; Lara murmurou.

Da finíssima corrente dourada um pequeno pingente se dependurava, uma delicada flor com folhas laminares onde um cristal num tom vermelho profundo fora incrustado. Aquele pingente fora um presente que havia ganhado do amigo a pelo menos dez anos, depois de uma viagem do mesmo a Paris, porem jamais esquecera aquela preciosidade...

- Lembrança -

Chovia. Sempre tivera medo de chuva. E depois da morte dos pais numa noite igualmente chuvosa, passou a temer ainda mais o barulho dos trovões e o vento a fustigar as janelas com seu incessante sopro.

Havia completado dezoito anos a cerca de duas semanas e os amigos haviam lhe feito uma festa surpresa com direito a bolo de chocolate e brigadeiro. Uma injeção de ânimo carregada de açúcar e boas novas capaz de fazer até mesmo um limão alegrar-se e tornar-se doce, tão doce quanto mel.

Havia passado no vestibular.

Mas então...

Por que toda aquela tristeza?

Simples. Por que "ele" não estava ali...

Literalmente jogou-se sobre o sofá. Precisava arrumar uma companhia para os dias de chuva mesmo que fosse peluda e latisse; pensou. A tv ainda estava ligada e passava um programa qualquer que não lhe prendia a atenção, mesmo que seus olhos estivessem fixos sobre a imagem. O que não podia era continuar a ouvir aquele barulho infernal do vento e da chuva. Foi então que a campainha tocou.

-Quem será? –murmurou, antes de se levantar e ir até a porta e assim que a abriu sentiu o chão literalmente sumir sob seus pés...

-Aiolos?

-Oi! Espero não ter chegado muito tarde...; O rapaz sorriu, um doce sorriso e a jovem se perdeu naquele mar verdejante e límpido que eram seus olhos.

Por alguns instantes não teve reação alguma, apenas fitou o rapaz a sua frente, o casaco marrom respingado de chuva e os cabelos dourados igualmente úmidos. O amigo havia viajado até a França para resolver negócios do pai, mas estava demorando mais do que o esperado para voltar, tanto que sequer havia podido estar consigo em seu aniversário. No entanto, ali estava ele agora. A mala depositada ao lado da porta, só confirmava o que estava pensando:

"Ele chegou. Chegou e veio direto até mim...".

-Pedi ao porteiro que me deixasse subir sem avisar, queria lhe fazer uma surpresa; continuou Aiolos, mas a jovem sequer parecia ouvir o que falava.

-Achei, achei que não voltaria mais; ela por fim murmurou, sentindo o coração acelerar dentro do peito.

-Foram só duas semanas; Aiolos sorriu.

-Ahm, bem...; Lara por fim despertou sentindo um leve rubor subir-lhe as faces diante do olhar insistente do rapaz sobre si e daquele sorriso tão cristalino.

"Droga! Por que justo hoje eu tinha que vestir essa camiseta velha e desbotada e ainda por cima deixar a casa nessa... Nessa bagunça?". –Indagou-se exasperada. Livros, cadernos cheios de anotações, canetas, meias... E um pote de sorvete, porem vazio sobre a mesinha de centro. Aquilo não era um lugar habitável e usar uma camiseta velha como pijama, tão larga que caberiam duas de si dentro da mesma sem duvida também não era a melhor vestimenta para receber... Receber o seu "príncipe encantado...".

-Por favor, entre; Ela disse por fim, ao perceber que estava sendo no mínimo pouco cortês. Como podia deixá-lo parado na sua porta? –Indagou-se enquanto desajeitadamente tentava ajeitar os cabelos presos numa trança... o que ainda sobrava da trança.

E felizmente para o seu alivio o rapaz sequer parecia ter notado sua "elegante vestimenta", assim como a bagunça sobre o tapete ou o seu novo penteado.

Aiolos deixou a mala ao lado do sofá e então retirou o casco pendurando-o no gancho atrás da porta, não sem antes retirar uma pequena caixinha de veludo de dentro de um dos bolsos do mesmo.

-Não pense que me esqueci do seu aniversário; ele disse se voltando para a jovem que havia se sentado sobre o sofá. Aproximou-se e sentou-se ao lado da mesma entregando-lhe a pequena caixinha.

-Aiolos, eu, bem... Não precisava; Ela balbuciou surpresa. O amigo havia ligado lhe dando os parabéns no dia de seu aniversário, mas nada se comparava a sua presença, e sem dúvida tê-lo junto de si, só pra si, como naquela noite era melhor do que qualquer presente.

-Espero que goste; Aiolos sorriu, enquanto via a jovem abrir a caixinha com um olhar visivelmente curioso.

-Aiolos...; Lara começou olhando para a pequena peça cintilante. –É...

-Uma Flor de Lis; Aiolos respondeu diante da expressão surpresa da jovem. –Dizem que simboliza tanto o poder como a pureza de corpo e espírito. Assim que vi me lembrei de você...

-É, é... É lindo; A jovem sorriu e tinha os orbes marejados. Saber que estando tão longe ele se lembrara de si, era algo que a deixava extasiada, imensamente feliz, não sabia dizer nem ao menos o quanto.

-E? –Aiolos arqueou a sobrancelha. –Não mereço nem ao menos um abraço? –sorriu divertido.

A jovem sorriu e então lançou-se sem demoras nos braços do amigo.

-Todos os abraços do mundo...; Ela murmurou entorpecida pelo calor daquele abraço que para si era muito mais que um abraço carregado de saudade e de um amigo.

- Lembrança -

Suspirou. O toque casto porem quente dos dedos do rapaz sobre sua pele a estavam deixando incomodada. No entanto, no fundo sabia que tal qual naquela noite não teria mais do que isso dele.

-Lara, eu...; Aiolos começou por fim soltando o pingente e voltando a fitar os orbes castanhos da jovem.

-Lara? –Uma outra voz se fez presente chamando-lhes a atenção.

-Shura? –Indagou Lara, assim que viu o rapaz que tal qual o amigo estava impecavelmente bem vestido. Aiolos se afastou parcialmente da jovem ao ver o espanhol se aproximar.

-Está linda; Shura falou de forma galante e então levou a mão da jovem até os lábios onde repousou um beijo delicado e casto, que porem fez o rosto da mesma pegar fogo.

Zeus...; Ela suspirou. Não era todo dia, que homens vestindo Armani ao estilo "BCC" (bonitos, charmosos e cheirosos) a "cortejavam...". Melhor dizendo, essa era a primeira vez que tal coisa acontecia consigo.

Estaria...

Sonhando?

-Estava te procurando; Disse Shura depois de se afastar parcialmente.

-Acabei de descer, desculpe a demora; Lara respondeu.

-Imagina la demora compensou; Shura sorriu, mais uma vez não poupando o galanteio e oferecendo o braço a jovem que aceitou.

Ele devia ser proibido de fazer isso; pensou. Aquele sorriso que beirava ao "cafajeste" fazia qualquer uma se derreter. Estava confusa, ter a atenção de Shura e de Aiolos sobre si a deixava completamente perdida, como se estivesse em meio a um vendaval, um vendaval que dissipava um atordoante cheiro de loção amadeirada...

-Acho melhor a gente; Lara começou sem jeito ao ver que Aiolos ainda mantinha o olhar fixo em si, porem nesse exato instante uma quarta voz lhes interrompeu.

-Dio! Mil perdões, me atrasei mais do que imaginava... compromissos de trabalho e...

Ambos se voltaram para a escada onde uma esbaforida Shina descia as pressas. A amiga havia passado o dia todo trancada no quarto resolvendo problemas de trabalho, porem... Como sempre Lady Médici não descia do seu pedestal de Deusa, Diva Italiana... Estava linda.

Shina tinha os cabelos soltos em fartos caracóis esverdeados que lhe caiam displicentes sobre os ombros nus, bem natural, assim como a maquiagem da mesma, isso sem contar o vestido... Pareciam ter invertido de lado. Enquanto seu loock beirava a mulher fatal, que nunca havia sido até aquela noite, Shina estava comportada, comportada até demais. Vestia um vestido leve, num tom esverdeado que beirava ao azul até um pouco abaixo dos joelhos. O decote era discreto, porem como sempre as curvas perfeitas eram ressaltadas ainda mais sob aquele tecido quase transparente. Agora sim se parecia como uma Deusa, uma ninfa, envolta em tiras de seda...; pensou Lara.

-E então? Vamos pessoal? Somos os padrinhos não se esqueçam; A voz de Shina lhe tirou dos pensamentos.

-Mas e a Marin já está pronta? –indagou Lara vendo a amiga ajeitar o vestido e os cabelos.

-Já sim; Shina respondeu enlaçando o braço no de Aiolos. –Ela está com o Thouma, já que é ele quem vai levá-la até o altar. Só falta o Aiolia sair daquela sala e deixar aquele telefone...

Shina murmurou indicando com a cabeça o amigo que ainda dava voltas na biblioteca com o telefone na mão.

-Vão indo, eu vou falar com o Aiolia; Aiolos falou e então se afastou.

-Está certo; respondeu Shina e então deu a volta ficando do outro lado de Shura. –Não se importa não é Lara? –Indagou, porem já enlaçando o braço no de Shura.

-É bem, eu...

Lara não teve tempo de responder. O trio logo já se deslocava para fora da casa.

III – Desapontado

-Aiolia; Aiolos chamou da porta, vendo o irmão mais uma vez discar o numero do pai no telefone. –Já está na hora; ele completou.

-Ele não vem, não é mesmo? –Aiolia murmurou desanimado por fim repousando o telefone sobre a base, antes de se voltar para o irmão.

-Acredito que não; Respondeu Aiolos aproximando-se do rapaz. –Mas isso importa? –indagou vendo o irmão arquear a sobrancelha.

-Ele é meu pai; respondeu Aiolia. .

-Mas não tem o direito de controlar a sua vida; continuou Aiolos. –Você ama a Marin e é isso o que importa. Está fazendo a coisa certa, se tem alguém que está fazendo algo errado é papai, por julgar o caráter e o mérito da mulher que você ama antes mesmo de conhecê-la.

-Se ele ao menos desse uma chance de poder conhecê-la; Aiolia murmurou cabisbaixo. –Marin é uma mulher como poucas e nenhuma, absolutamente nenhuma das "pretendentes" que ele me arrumou foram tão belas e inteligentes quanto ela. Marin é única; murmurou Aiolia.

-Com toda certeza sim, mas isso se deve há algo muito importante porquê você a ama e ela a você. Acredite meu irmão, fez a escolha certa, escutou o seu coração, não deixe que ninguém, nem mesmo nosso pai, lhe tire essa felicidade de estar ao lado da mulher que ama. Poucos conseguem esse feito na vida, ou quando encontram a mulher perfeita para si a deixam ir, escapar por entre os dedos como uma brisa suave de primavera que se vai com o fim da estação...

-Fala como se; Aiolia começou ao ver o olhar do irmão se perder em algum ponto qualquer, porem distante de tudo a sua volta.

-Não importa; Aiolos respondeu e então envolveu o irmão num meio abraço dando um tapa amistoso em suas costas. –Vamos logo porque senão a Marin pode achar que você ficou com medo e fugiu na hora de finalmente dizer sim; Aiolos sorriu divertido, por fim arrancando um sorriso do irmão.

-Claro; Aiolia sorriu. –Mas, acredite isso é algo que nunca pude negar a ela... O meu amor; ele completou e ambos finalmente saíram da sala deixando o esquecido telefone sobre a mesa.

IV – O casamento

-Vai dar tudo certo, eu prometo... E não chore, vai borrar a sua maquiagem como disse o tal de Flor; Um jovem de melenas douradas e incríveis orbes azuis, tentava a todo custou acalmar a noiva.

-Aiolia deve estar arrasado, ele queria muito que o pai viesse ao casamento; Marin respondeu ao irmão.

-Entendo; murmurou Thouma segurando as mãos da irmã entre as suas. –Mas, acredite, quem está perdendo em não te conhecer é ele, esse velho teimoso e turrão que o Aiolia chama de pai. Você, é linda, é inteligente, uma mulher como poucas. O dia que encontrar alguém como você, eu juro que me caso; o rapaz sorriu divertido arrancando por fim um meio sorriso da irmã.

-Olha, não brinque com o destino meu irmão, quem sabe essa mulher possa aparecer nesse casamento e o próximo vai acabar sendo o seu; Marin sorriu divertida.

-Sinceramente? Espero que não; Thouma sorriu. –Ainda sou muito novo pra isso, se bem que... Já não sou tão novo assim, já que vou ser até tio; completou levando uma das mãos ao ventre da irmã e acariciando-o com carinho. –Mas enfim, vamos porquê o Aiolia deve ta subindo pelas paredes que nem um leão enjaulado diante da espera.

Marin assentiu e ambos seguiram para fora do quarto.

o-o-o

-Calma Aiolia, ela já deve estar vindo e; Começou Aiolos diante do vaivém do irmão em frente ao altar ora bufando, ora olhando exasperado para além do longo carpete vermelho que se estendia sobre o chão gramado. Não demoraria muito para o leão rugir. Assim como não demoraria muito e uma cova se abriria sob seus pés; pensou.

-Lá está ela; Disse Aiolos assim que avistou a noiva e o irmão se voltou imediatamente pra trás acompanhando o seu olhar.

A passarela de carpete vermelho não era tão longa como era comum nas igrejas, já que a cerimônia era ao ar livre, no quintal da casa de praia. No inicio dela, bela e fresca a noiva sorria em meio às flores, um arco de rosas brancas, como se fosse uma personagem retratada num afresco renascentista.

Vestia um vestido leve sem toda a suntuosidade do que era comum aos convencionais vestidos de noiva, até mesmo porque uma noiva e grávida não suportaria carregar tudo aquilo de tecido. O vestido de Marin se assemelhava a trajes gregos e poderia ser descrito como uma espécie de bata, porem elegante e com bordados traçados com fios de ouro nas mangas compridas e largas, assim como no decote discreto que expunha parte do busto alvo como mármore. Os cabelos ruivos jaziam soltos em fartos cachos onde uma pequena coroa de flores naturais, tão alvas quanto seu vestido eram o único adorno. Simples, porem encantador, fazendo-a assemelhar-se a uma bela ninfa.

O rapaz ao seu lado, impecavelmente bem vestido com seu terno preto, aos poucos conduzia a noiva até o altar, diante dos olhares de todos que estavam deveras encantados com a beleza tão singular da noiva, o ventre roliço em evidencia sob o fino tecido do vestido. Até mesmo as tias puritanas de Aiolia estavam a suspirar e já preparavam os lenços para chorarem rios de lágrimas ao fim da cerimônia. Marin encantara a todos com sua beleza e seu sorriso tão cristalino.

Pelo corredor os arranjos de Afrodite terminavam por emoldurar aquela cena, belas rosas brancas compondo arranjos delicados, presas em aparadores dourados junto a pequenas ramagens verdes quebrando parte da alvura instalada pelo corredor. É sem dúvidas August Rosenberg era o melhor no que fazia. Flor estava na primeira fila acompanhando com visível emoção o inicio da cerimônia. Incrível, mas depois de algumas pinceladas de maquiagem, Flor havia acabado de se tornar o novo "melhor amigo" de Marin e a ruiva não pensara duas vezes antes de o convidar pra a cerimônia. Flor por sua vez não se fez de rogado... Adorava assistir casamentos.

Bem vestido – assim que recebera o convite Flor correra até o shopping e a boutique mais próxima em busca de um elegante terno – e belo como si só, Afrodite mais parecia à reencarnação de Adônis, porem continuava a ter o mesmo "problema...".

Continuava sendo gay.

Para o desapontamento geral das primas e tias de Aiolia que viam no rapaz a perfeição do que seria um bom marido, amante... Mesmo tendo sido esculachadas pelo mesmo durante à tarde. De fato, aquelas mulheres eram mesmo estranhas.

No altar – Outro arco divinamente montado com cascatas de rosas brancas, que se debruçavam preguiçosamente sobre o entrelaçado dourado do caramanchão – Aiolia, esperava ansioso. Do lado esquerdo, correspondente ao da noiva jaziam Shura e Lara junto a mais a um outro casal, primos e primos do noivo. Do lado direito, Aiolos e Shina e mais um casal de primos do noivo.

Passos leves, comedidos e então por fim a noiva chegou a seu destino.

-Cuide bem dela; Thouma sorriu ao entregar a irmã ao cunhado, porem com uma pontinha de seriedade do que dizia, como se dissesse: "Ouse magoá-la e se verá comigo...".

Aiolia sorriu de volta e envolveu a mão da jovem entre as suas, puxando-a delicadamente até o altar, vendo a longa calda do vestido arrastar sobre o chão. Sorriu mais uma vez, fitando os grandes orbes azuis e bem delineados da noiva. Estava linda; pensou antes de se aproximar e repousar um beijo suave sobre a testa da mesma.

-Está linda; murmurou levando uma das mãos com sutiliza até o ventre da mesma, como se quisesse dizer que aquele ventre roliço só a deixava ainda mais bela.

-Ahm-Ahm; O padre pigarreou chamando-lhes a atenção. –Podemos dar inicio a celebração? –indagou.

-Claro; os noivos assentiram se voltando para o velho homem que começou a fazer suas preces, dando inicio a cerimônia.

Lara não conteve um meio sorriso. Podia ver pelo sorriso nos lábios dos amigos que estavam muito, mas muito felizes e que toda aquela tensão de outrora havia desaparecido, restando apenas a felicidade de por fim estarem formalizando todo o amor que sentiam.

Todos acompanhavam a cerimônia com igual emoção, compartilhando da felicidade dos noivos, até mesmo Milo, sentado numa das primeiras filas junto da esposa parecia estar emocionado, como se estivesse a reviver o momento em que havia celebrado o seu próprio casamento. Tudo corria bem, e as primeiras lágrimas começavam a rolar dos orbes de alguns dos convidados, Afrodite sem sombra de duvidas fora o primeiro a derrubar lágrimas de emoção. Sempre chorava em casamentos.

O crepúsculo agora tingia por completo o céu e não demoraria muito, a noite logo cairia. Pequenas luminárias douradas que mais pareciam pequenas libélulas pousadas sobre a grama iluminavam fracamente o local, dando-lhe uma aparência lúdica, irreal.

-Aiolia e Marin; Começou o Padre. –Estão aqui sobre livre e espontânea vontade para formalizarem todo o amor que nutrem um pelo outro, mas é preciso dizer que se há algo que impeça essa união ou alguém que a desaprove que fale agora ou se cale para sempre...

Diante da famosa frase todos permaneceram calados no mais profundo silencio, até mesmo as lágrimas de Flor haviam cessado, porem antes que o religioso continuasse a cerimônia, alguém gritou em alto e bom som:

-Espere! Eu tenho algo a dizer sobre essa união...

Continua...

o-o-o

N.A.: Ah, quem será gente? Me desculpem, mas não resisti em parar justo agora... Sempre quis fazer isso... rs. No mais, espero que tenham curtido esse cap! Ah e a forma da Lara classificar o tipo de homem que o Aiolos e o Shura são: BCC (Bonitos, charmosos e cheirosos) é algo que plagiei, copiei da minha querida amiga Anita (olhai lírios). Ela me disse isso certa vez, ao tentar classificar como era o homem europeu, já que a mesma vive na Espanha e namora um francês. Ôh garota de sorte, essa... rs

Enfim, espero que tenham curtido o cap e aqueles que me perguntaram sobre a aparição de mais algum dourado na fic, espere e verão. No próximo cap, mais dois deles aparecem. Façam suas apostas! Quem será? Ah... uma dica: Um deles é o padrinho do noivo! XD

Um forte abraço a todos e a gente se vê no próximo cap!