Bem, Hermione...isso não vai ser fácil...para nenhum de nós, mas...seus pais estão mortos.

-O que? – a morena perdeu a força nas pernas e Harry a segurou antes que caísse no chão.

-Hermione! – o moreno a chamou preocupado. Ela estava fria e seus olhos fora de foco.

-M...Mortos? – a morena perguntou com a voz fraca.

-Sinto muito, Hermione. Já faz algum tempo. – Leith Din respondeu.

-Quanto tempo? – ela quis saber.

-Uns 5 anos acredito eu.

-5 anos?! – ela exclamou.

-Aproximadamente.

-Como...Como eles morreram?

-Foi um acidente de carro. Eles estavam indo para o campo quando um apareceu um animal na pista, seu pai foi desviar e acabou perdendo o controle do carro.

-Eu não estava junto?

-Não, você decidiu não ir junto porque tinha uma prova na escola e precisava estudar. – Harry achou que era bem típico da garota fazer isso pelo pouco que conhecia dela.

Hermione começou a chorar como uma criança e Harry a levou até o carro, onde a colocou sentada.

-Fique calma, Hermione. – Harry disse afagando seus cabelos.

-Por que eu tinha que ficar estudando? Devia ter ido com eles!

-Não fale assim querida. Seu pai detestaria te ver assim. Eu o conheci muito bem e posso dizer com certeza que ele deve ter ficado aliviado por você não estar junto. E por ter salvado o animal.

Hermione ficou mais algum tempo chorando até que voltou a fazer perguntas.

-Qual era o nome deles? – sentia-se péssima por não lembrar nem disso.

-Roberto e Ana.

-Onde eles estão enterrados?

-Eles queriam ser cremados. Suas cinzas foram jogadas no rio Tamisa.

-E a nossa casa? Minhas coisas continuam lá?

-Oh, Hermione...Não queria te contar tudo isso de uma vez...A casa em que você morava com seus pais foi destruída por causa de um incêndio. Pelo menos ninguém ficou ferido.

-Ninguém? Quem mais morava lá? – Harry perguntou chateado com a perspectiva de que ela morasse com alguém, um namorado ou até um marido.

-Hermione morava sozinha mas o incêndio atingiu toda a vizinhança. – Harry respirou aliviado.

-E o resto da minha família? Tios, primos, avós...

-Nunca os conheci. Seus pais eram muito reservados e não muito chegados à família.

-Onde eu estava morando agora?

-Sinceramente não sei. Há muito tempo não nos víamos. A última vez que te vi você ainda estava hospedada em um hotel, procurando um lugar para morar.

-E o que eu faço da vida? Digo, tenho uma profissão?

-Você ainda estava indecisa quanto a isso. Fazia alguns trabalhos voluntários cuidando de crianças órfãs.

-E de onde eu tirava dinheiro para me sustentar?

-Não sei te responder isso. Como disse, já faz muito tempo.

-Conhece alguém que saberia me responder?

-Também não. Sinto muito, Hermione. Não imagina o quanto fico triste com essa situação em que está. Porém não há mais nada que possa fazer para ajudá-la.

Os três ficaram quietos por algum tempo, cada um perdido em seus pensamentos.

-Posso te dar um conselho? Como um antigo amigo e professor que a quer muito bem? – Leith Din perguntou.

-Claro. – Hermione respondeu cabisbaixa.

-Deixa isso tudo pra lá. Se algum dia você lembrar das coisas, tudo bem. Mas se isso não acontecer, não vale a pena viver presa ao passado. Talvez seja melhor esquecer tudo mesmo e começar do zero outra vez.

-Acha que posso fazer isso?

-Acho que deve fazer isso. O que passou, passou. Concentre-se no que virá agora, no que vai fazer da sua vida daqui pra frente. Seu pai com certeza concordaria comigo.

-Se você diz... – a garota respondeu esforçando um sorriso.

-Agora eu tenho que ir. Boa sorte na sua nova vida, Hermione. Você merece. – Leith Din disse dando um beijo na testa da moça.

-É a sua vez de tomar conta dela. Boa sorte. – o anjo falou para Harry e saiu, desaparecendo na primeira esquina.

-Acha que ele estava falando a verdade? – Hermione perguntou quando Harry se sentou no banco do motorista.

-Acho que sim. Não temos como saber com certeza mas parecia estar falando a verdade. Não teria motivos para mentir também...

-É, acho que não. Preferia que não fosse verdade mas não tenho escolha.

-É uma história muito triste mesmo. Eu sinto muito que tenha passado por tudo isso.

-É estranho sabe...Fico triste por tudo isso mas não consigo sentir mais nada...Parece que é minha história mas não é ao mesmo tempo. Para mim, eu não vivi aquilo tudo. A história é triste, eu vejo as cicatrizes mas não consigo me lembrar da dor.

-Talvez esse senhor Din tenha razão. As vezes é melhor esquecer o que não se pode mudar.

-Sim, tem razão. Mas agora vou ter que me concentrar no que fazer de agora em diante. Preciso encontrar um emprego, não posso viver na sua casa de favor para sempre.

-Sabe que eu não me importo.

-Eu sei, Harry. Mesmo assim é algo que eu preciso fazer.

-Eu entendo. Vou te ajudar com isso. Estive pensando em pedir ao Dumbledore que te ajude com essa história da magia.

-Você quer dizer me mandar para Hogwarts?

-Não exatamente, acho que...bem, está um pouco velha para isso – os dois riram – mas não deve ser a primeira vez que alguém mais velho precisa aprender magia. Eles devem ter um sistema.

-É uma boa idéia.

Os dois ficaram em silêncio, cada um pensando em algum plano para o futuro.

Chegaram ao apartamento de Harry, que preparou alguns sanduíches para o almoço.

-Quer ir a Hogwarts depois do almoço? – Harry perguntou.

-Claro! Não há tempo melhor que o agora! – a morena respondeu já mais animada.

Depois de uma breve conversa pela lareira os dois estavam na sala do diretor.

-Sinto muito pela sua história, Srta. Granger. – Dumbledore falou assim que o casal terminou de contar a história.

-Obrigada, professor. É por isso que estamos aqui. De nada adianta ficar chorando pelo que já passou. Preciso pensar no futuro e gostaria que tivesse alguma magia nesse futuro.

-Entendo. Quer aprender a usar sua magia inativa.

-Exatamente. O senhor acha que tem como?

-Mas é claro! Temos um curso de magia Express, um super intensivo de dois meses que vai te ensinar o básico que os alunos aqui de Hogwarts aprendem. O resto você pode aprender no curso complementar de magia. Ambos são oferecidos no ministério. O intensivo , como pode imaginar, é ministrado todos os dias, o dia inteiro. O complementar é de noite, três vezes por semana.

-E como faço para me matricular?

-É só ir até o ministério e preencher o formulário. Os cursos são gratuitos pois o ensino de magia é obrigatório a quem tem sangue mágico.

-Que notícia maravilhosa, professor! Vamos lá agora mesmo! Bom...acho que vamos, certo Harry? – a morena perguntou empolgada.

-Mas é claro que vamos! – Harry adorava vê-la empolgada com as coisas, o brilho nos seus olhos era contagiante.

-Mais uma vez obrigado, professor. – Harry agradeceu Dumbledore e o casal voltou pela lareira.

-Próxima parada, ministério da magia! – Harry disse e os dois embarcaram mais uma vez nas chamas verdes.


Gente estou até com vergonha de ter demorado tanto para atualizar! Prometo que vou tentar ser mais rápida! Sem mais, agradeço a todos que estão lendo acompanhando! Beijos!