A.U – Universo alternativo.
Essa fic usa personagens de Saint Seiya ambientados em Vampiro, A Máscara parte do cenário do World of Darkness – Segunda Edição, publicado pela White Wolf. E obviamente nenhuma das duas obras me pertence.
Não custa repetir: Cross over entre minhas duas grandes paixões: CDZ e Vampiros. Como eu é que mando aqui e não o Kurumada ou o Justin Achilli estou tomando certas liberdades em relação aos personagens e a ambientação. Não vou seguir nenhum dos dois universos ao pé da letra, capisco?
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Capítulo XIV – Nada é passado
Prédio em frente à Biblioteca Central, Chicago.
Máscara da Morte apreciava encantado a aura de desespero advinda de Aioros. Sim, seu plano dera mais do que certo! E aquilo iria requerer uma belíssima comemoração. Acendeu um cigarro. Como ele comemoraria? Deu-se conta de que não tinha amigos, apenas aliados. Ninguém, absolutamente ninguém poderia suspeitar da execução de seu plano. Mas talvez, ele pudesse comemorar... Com ELA.
Tolo Aioria! Tão ou mais tolo que Aioros. Pensou que ele, Máscara da Morte não notaria o interesse pela mortal que ele acabara de matar? Mas nunca imaginou que seu plano daria tão certo. Realmente, Aioria deveria nutrir algo profundo por aquela mísera, mas gostosa mortal. Ele só queria criar um desgosto pra seu rival, só isso. Se ele mesmo não amava ninguém, seu inimigo também não amaria, muito simples. Mas... Num passado muito remoto, ele amara e fora usado sem escrúpulos. Não que ele ligasse muito para isso, mas que... Realmente acreditara em Afrodite, baixara sua guarda e se entregara completamente... Mas fora usado, apenas usado.
Se Aioros a abraçara, sem considerar os riscos... Ela realmente deveria ser importante pra Aioria, muito importante. Isso estava sendo martelado em seu cérebro. De qualquer forma, ele estava muito feliz em ter causado um estrago irremediável na vida dos dois Brujah gregos. Finalmente eles pagariam por ter entrado em seu território. Vampiros malditos.
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Lanchonete na zona sul de Chicago.
Ikki parara a moto no estacionamento. Milo estava atrasado pra variar. O outono fazia-se sentir e a temperatura estava baixa, mas como vampiro aquilo não o incomodava. No entanto, todos os mortais tão logo paravam seus carros corriam para o aconchego da lanchonete.
Mirou a lua. Havia uma coloração avermelhada ao seu redor. Lembrou-se de seu irmão caçula falando coisas a respeito da "Lua Vermelha" e sorriu. Não conseguia entender aquelas visões bizarras que Shun tinha, coisas de Malkaviano. Parecia que o abraço de Shun, o afastara de si. Não conseguia se desligar daquele laço de sangue que tinham, muito maior do que qualquer ligação sobrenatural, eram irmãos. Talvez por isso ele se dava tão bem com Aioros e Aioria. No fundo, se Shun tivesse que ser um vampiro, não teria sido tão feliz como era sendo um Malkaviano. Obviamente nunca admitiria isso para terceiros, apenas para si.
Mas... Ikki nunca aceitaria o fato de Shaka ter se aproximado dele para chegar ao seu irmão mais novo, literalmente fora usado pelo velho Malkaviano, em alguns momentos queria acreditar que havia realmente um interesse legítimo em sua pessoa, mas... Shaka fora capaz de surpreendê-lo.
Ikki e Shun ficaram órfãos muito cedo e viveram por anos em orfanatos, só Deus (naquela época Ikki ainda acreditava em Deus) sabia o que ele fora capaz de fazer para proteger seu irmão. Em uma das idas e vindas dos lares adotivos que logo o descartavam por seu gênio difícil e delinqüente ele realmente se entregou ao crime.
Cometia pequenos delitos e a medida em que ganhava experiência torna-se um "marginal" bem conhecido no submundo, mas... Ao planejar o assalto uma gigantesca mansão de um chefão do crime, ele a conheceu: Esmeralda, filha de um dos chefões do crime organizado de Chicago. O que Ikki não sabia era que... Ela fora colocada propositalmente em seu caminho pelo próprio pai e manipulada para se envolver consigo e definitivamente Esmeralda fora a luz que ele tanto pedira por anos e anos a fio a Deus, ela trouxera um mundo cheio de possibilidades por pouco ele não abandonou seu lado marginal. Por Esmeralda ele morreria, se necessário. Por ela, ele iria até o inferno e retornaria.
Mas o que ele não esperava era que o pai de Esmeralda fosse um ghoul de Máscara da Morte e que usara aquele ghoul para chegar em Ikki através de Esmeralda. Mas quando o vampiro percebeu que... Ikki poderia abandonar o crime, fez com que o próprio pai de Esmeralda forjasse um acidente para matar a filha, e ele o fez sem pestanejar, afinal de contas, era uma ordem, seus negócios eram muito mais importantes do que sua filha.
Ikki quase enlouqueceu com a morte de Esmeralda, entrou numa depressão sem limites e se podia se isolar do mundo, o teria feito se não fosse por Shun, seu irmão. Foi então que aquele vampiro se aproximou e lhe revelou que o próprio pai matara Esmeralda, e que somente ele poderia lhe dar o poder para se vingar e de bom agrado Ikki aceitou a proposta do demônio noturno. Agora dono de poderes sobrenaturais, eliminou aquele chefão e assumiu seu lugar.
As coisas melhoraram, no quesito financeiro e ele até poderia pagar a tão sonhada faculdade que Shun desejava, foi então que conheceu Shaka, era ainda um neófito muito inexperiente nos complicados jogos de poder entre os vampiros e foi Shaka que lhe mostrou que existiam coisas a respeito de seu senhor que ele mesmo ignorava.
As palavras sempre enigmáticas, as parábolas, as metáforas de Shaka o intrigavam. Sentia-se intelectualmente limitado perto do Malkaviano, procurou ter contato com outros Brujah, mesmo que seu senhor lhe dissesse que eram todos desprezíveis. Algo que Ikki tinha em comum com Máscara da Morte era a distância que mantinha das pessoas e principalmente de outros vampiros, no entanto, ao conhecer Aioria, Ikki sentiu que aquele vampiro era diferente do estereotipo que seu senhor lhe ensinara.
E os anos mostraram que Aioria era realmente um cara admirável, tão cabeça dura quanto ele, mas a aura de conhecimento que ele transmitia era memorável, só superada pela de Aioros que conheceu muito tempo depois. Máscara da Morte deixara claro que não aprovava essa aproximação e os dois começaram a discutir cada vez mais.
Para deixar Ikki com o pé mais atrás, sempre que as discussões mais tensas aconteciam, por acaso Shaka aparecia e vinha com suas metáforas, agora ele conseguia entender a maioria das coisas que aquele Malkaviano estranho lhe dizia e num insite finalmente conseguiu ligar os pontos.
Flashback
- A verdade é uma só e todos estão buscando por ela. Os diferentes tempos, lugares e circunstâncias particulares é que criam as tão chamadas diferenças.
- Shaka, até quanto vai me falar coisas assim?
- Até que você encontre a verdade.
- Mas, que verdade?
- A que escondem de você.
E Shaka se aproximou tocando no rosto confuso do Brujah. - Você precisa desenvolver a sensibilidade para ler as emoções e a verdade que está no corpo espiritual de todos os seres. Posso lhe ensinar esse poder.
- Mas... A troco de quê? – Respondeu desconfiado.
- Sempre objetivo. – Sorriu. - O homem se torna muitas vezes o que ele próprio acredita que é. Se insisto em repetir para mim mesmo que não posso fazer uma determinada coisa, é possível que acabe me tornando realmente incapaz de fazê-la. Ao contrário, se tenho a convicção de que posso fazê-la, certamente adquirirei a capacidade de realizá-la, mesmo que não a tenha no começo.
- E você, sempre reticente. – Encarou-o profundamente.
- Ikki, por que um pai seria capaz de matar o sangue de seu sangue?
- Finalmente você conseguiu ser direto! Shaka, aquele homem era um monstro, incapaz de amar sua própria filha, que mesmo vivendo num ambiente tão fétido conseguia ser uma verdadeira santa.
- Você ainda a ama, não ama? – Shaka se afastou.
- Sempre vou amá-la, sempre. – Respondeu com convicção e teve a leve impressão de que o Malkaviano ficara desconfortável com sua resposta.
- Uma vida não questionada, não merece ser vivida, Ikki.
- Você quer dizer que devo questionar meu amor por Esmeralda? Shaka onde você quer chegar com tudo isso? – Ikki realmente não gostava do rumo que a conversa estava tomando.
- A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro. Só quero que você perceba que ao amar extremamente você não deixa o espírito de Esmeralda descansar, deixa de viver em si e vive no que ama e foi por isso que eu cheguei até você. Você está prendendo o espírito dela entre o mundo dos vivos e dos mortos, um lugar terrível para qualquer pessoa. – Shaka tocou em seu ombro. – Ikki, você precisa deixá-la partir para as Praias Distantes, onde os justos e bons de coração encontram a verdadeira paz. Mas antes... Esmeralda quer que você descubra algo... Algo que está ligado a sua morte.
Ikki sentiu seu coração apertar. Então era por isso que nas horas mais difíceis ele poderia jurar que Esmeralda estava ao seu lado? E... Ele estava fazendo-a sofrer? Nunca! Jamais se permitira ferir ou magoar Esmeralda, mas o fazia, mesmo depois de sua morte física? Então havia algo na morte de Esmeralda que... Ele ignorava? Forçou sua mente ao máximo para tentar ligar as palavras de Shaka durante todos aqueles anos... Mas nem precisava ir tão longe...
- Ikki... Não posso interferir em seu livre arbítrio e lhe dizer o que Esmeralda quer que você saiba, mas a resposta está muito mais próxima do que imagina. - Me ensine, Shaka. Me ensine esse poder.
- É a esta força que mantém sempre a opinião justa e legítima sobre o que é necessário temer e não temer, que chamo e defino coragem e essa é sua maior virtude, meu amigo.
Por vários meses, Ikki se dedicou ao treinamento mental do Malkaviano e tornaram-se amigos realmente próximos, havia uma mútua admiração entre o velho Malkaviano e o jovem Brujah. Até que em uma das noites, finalmente Ikki conseguiu entender exatamente o que tinha ocorrido, como era de se esperar, entrou em frenesi, e com dificuldade Shaka conseguiu trazê-lo de volta.
- Vou matá-lo, Shaka. Juro que vou matá-lo!
- Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz. Ikki, não foi por isso que Esmeralda desejou que você soubesse a verdade. Ela está aqui, deixa-a partir. Shaka se concentrou e direcionou sua mão direito para um dos lados da sala. Diante de um atônito Ikki, surgia a figura de Esmeralda, lentamente se materializando. O Brujah não tinha palavras, ela aparentava cansaço, dor e tristeza, mas no fundo seus olhos brilhavam. Lentamente a imagem desgastada ganhou força e a forma sempre tão bonita que ele conhecera.
- Ikki... Esperei tanto para que você entendesse que não deveria culpar meu pai pelo que fez... Mas se deseja que eu consiga descansar em paz... Não clame por vingança, não mate por minha causa, Ikki... Eu te amo tanto... Mas tanto... Não suportaria ver você se tornar um mostro como Máscara da Morte... Meu pai nem sempre foi como você conheceu... Não deixe que ele faça o mesmo com você...
- Es..me..ral..da... Fiz você sofrer depois de sua morte... Meu amor... Perdoe-me... Fui tão idiota...Não me tornarei um mostro como meu senhor... Eu juro, Esmeralda!
- Era isso que eu precisava ouvir... Procure o caminho da luz, Ikki... - Desesperado Ikki correu até ela tentando abraçá-la, entre lágrimas de sangue enquanto o espírito dela retribuía o gesto a imagem de Esmeralda lentamente se apagou deixando-o...
- Vá em paz meu amor...Vá... Em paz... – Ele se deixou cair de joelhos, e estranhamente sentia paz, uma profunda e tranqüila sensação de paz, como há muito não sentia.
Finalmente se deu conta de que Shaka estava desacordado, dirigindo-se a ele, chacoalhou-o. Nada do Malkaviano acordar, certamente ele precisava de descanso depois de usar tão intensamente seus poderes. Ikki o pegou nos braços e o colocou no sofá, sentia que o dia estava para nascer e nada de Shaka acordar, certamente o Malkaviano deveria ter um local seguro no subsolo para passar o dia. Saiu procurando pela entrada que levaria ao refúgio seguro, bem distante da luz do sol, voltou à sala e o carregou em direção aos aposentos no subterrâneo, deixou o corpo do Malkaviano sobre um punhado de almofadas de seda em cores vermelhas, nada de Shaka acordar. Ikki percebeu que aquele quarto era tão indiano quanto seu amigo, uma decoração um tanto quanto... Exótica. Sorriu ao pensar que nunca havia reparado numa coisa dessas, aquela decoração não estava somente no refúgio, mas toda a mansão em que o Malkaviano vivia: tudo inspirava meditação e espiritualidade. Teria que permanecer ali por dois motivos: o nascer do sol e a preocupação com o estado do Malkaviano.
Acomodou-se num dos cantos do quarto escurecido, no entanto, não conseguia fechar os olhos. Certamente Shaka por ser muito velho se rendia mais facilmente a maldição do sono diurno, mas também... Havia o esgotamento físico e mental e ele só passara por aquilo para ajuda-lo a libertar a alma de Esmeralda. Shaka era realmente admirável, enigmático, louco como todo Malkaviano, mas admirável, finalmente conseguiu dormir.
Ikki acordou e olhou no relógio: quase oito horas da noite! Dormira mais do que o normal, olhou na direção do Malkaviano, nada dele acordar. Permaneceu sentado, observando-o, as horas se passavam lentamente. Somente por volta da uma da madrugada é que finalmente Shaka se movimentou em um salto Ikki se aproximou.
- Shaka! Acorde! Vamos, acorde! – Chacoalhou-o levemente.
- Saia daqui, Ikki, agora! – Ele gritou. – Saia para sua própria segurança! Eu... Preciso de sangue!
- Beba do meu, a culpa é minha por você estar assim! – Estendeu o pulso ao Malkaviano. Vira o quanto Shaka estava procurando se controlar, seus olhos já manifestavam o brilho da Besta e seus caninos estavam armados para o ataque, mesmo sendo jovem, sabia que se ele não se alimentasse naquela hora, entraria em sono profundo sabe-se lá por quanto tempo!
- A Besta está me tomando! Saia agora! – Afastou o pulso de Ikki com o braço.
- Teimoso! Não quer beber por bem? Vai beber por mal! – Fez um corte no pescoço, jogando-se por cima do Malkaviano, imobilizando-o enquanto oferecia o sangue em seu pescoço.
Shaka não conseguiu racionalizar após sentir o cheiro de sangue fresco, e ainda mais... De outro vampiro. Mordeu com toda a força possível o pescoço do Brujah, entregando-se aquela sensação de prazer inenarrável. Ikki soltou um grito, não de dor, mas de prazer quando o Malkaviano cravou seus caninos na ferida aberta. Aquilo era maravilhoso, depois que se tornara um vampiro, só sentira prazer bebendo sangue, mas... Não sabia que podia sentir ainda mais prazer em dar do próprio sangue a outro vampiro. Soltou os braços do Malkaviano, usando suas mãos libertas para explorar o corpo de Shaka, sentia sua própria vitae se misturando com a de Shaka, vibrando em suas veias, em cada milímetro daquele corpo fazendo-o querer dar mais e mais de seu sangue a ele.
Quem diria que aqueles poucos minutos pareceriam uma eternidade para ambos, uma eternidade de prazeres que somente a troca de vitae entre vampiros podia proporcionar. Quando Shaka finalmente tirou seus caninos do pescoço de Ikki, a sensação de prazer, ainda perdurava e silenciosamente, mas desesperados, ambos se desfizeram de suas roupas, aproximando seus corpos, tocando-se, entregando-se um ao outro naquele momento. Sabiam que aquilo era uma loucura, mas de loucuras Shaka entendia bem e levou o Brujah ao sétimo céu.
Há quanto tempo o Malkaviano não se entregava aos prazeres do corpo físico? E se tinha uma coisa que Ikki possuía era intensidade, ficara claro para Shaka que aquela era a primeira vez de Ikki com um homem, uma grande responsabilidade em suas mãos, por sinal. Também ficara claro que não era apenas a primeira vez com um homem, mas com um vampiro. Ou seja: uma dupla responsabilidade.
Shaka mandou sua consciência pro inferno e se entregou totalmente ao momento mesmo sabendo o que o futuro lhes reservava. Ikki o odiaria tanto ou até mais do que odiaria Máscara da Morte, mas Shaka queria ter a lembrança de que ao menos uma vez haviam se entregado um ao outro, sem limites, sem moral, sem conceitos. As horas se passaram e nada os fizera parar até que a maldição foi mais forte e os colocou em sono profundo. Perderam completamente qualquer noção de tempo e espaço.
Ikki acordou primeiro, Shaka estava dormindo profundamente ao seu lado. Só então deixou sua mente racionalizar o que havia acontecido e não gostou nenhum pouco do peso que tinha em sua consciência, ainda estava muito atrelado a sua moral heterossexual mortal, e como todo bom Brujah... Aquilo era inaceitável. Vestiu-se o mais rápido que pode e deixou o quarto de Shaka que fingia ainda dormir.
Shaka por sua vez sabia que aquela fuga seria a reação do Brujah, os conceitos de moral e bons costumes da sociedade ainda estavam fortemente enraizados em Ikki, e o fato dele ser Brujah, não atenuava em nada a dificuldade de aceitar o que aconteceu: querendo ou não, os Brujah eram absurdamente... Mortais e homofóbicos, ao contrário dos Malkavianos e Toreador que não se prendiam tanto a esses limitantes morais. Mas Shaka sabia que o motivo do ódio de Ikki por ele seria outro.
Dito e feito. Ikki passou a evitar Shaka o máximo que pode, enquanto isso, Shaka se aproximava de Shun e a cada vez que o encontrava tinha certeza de que aquele jovem era o mesmo de suas visões. Não teve dificuldades em conseguir de Saga a permissão para transformar Shun num Malkaviano. Somente após o abraço de Shun é que Ikki, completamente descontrolado, o procurou. Shaka já esperava pelo pior, mas mesmo esperando pelo pior, Ikki conseguiu magoá-lo ainda mais do que imaginava ser possível. Declarou guerra abertamente ao Malkaviano, peitou Saga sem medo de morrer por ter permitido aquele abraço, quase se atracou com Kannon por esse se colocar entre os dois sendo impedido apenas pela intervenção de Aioria, na época ainda Archon do Justicar Brujah.
Em suma, a revolta de Ikki só não foi mais noticiada na sociedade vampírica por que Shaka recorreu à proximidade com Mú, o Mestre das Harpias para abafar ao máximo o caso. Somente com a interferência direta de Aioria que movimentou toda sua influência política para intimidar Saga é que Ikki não foi colocado para ver o sol nascer. O que não passou despercebido também foi o rompimento abrupto de Ikki com seu senhor Máscara da Morte, e nem sob decreto Ikki declarou os reais motivos do rompimento.
Fim do flashback
Perdido em suas divagações, um luxuoso carro parou próximo a ele. Uma loira deslumbrante desceu. Tétis. Depois Milo e... Finalmente... ELA. A mulher dos cabelos negros e olhos misteriosos. Milo estava surpreendendo-o, desde quando ele andava bem acompanhado?
- Ikki! Grande Ikki! Desculpe o atraso! – Milo falou enquanto dava-lhe um tapinha nas costas e depois puxava o Brujah de cara fechada pra um abraço.
- Nem vem, Milo. Se você me deixar esperando de novo...
- É que minhas amigas demoraram pra se arrumar... Sabe como são as mulheres... Elas querem ficar mais lindas do que já são. – Deu uma piscadela na direção das duas. Ikki procurou se mostrar indiferente diante daquela concentração de beldades. Aquelas duas Toreador formavam uma combinação que sem dúvida alimentava os fetiches de 99 dos homens do mundo. Mas em particular o mistério que envolvia a mulher de cabelos negros lhe atraía muito.
- Senhoritas. – Pronunciou em tom seco. – Boa noite, espero que meu amigo não as tenha incomodado durante o percurso até aqui. Não sabia que viria acompanhado, Milo. Por que trouxe as moças neste lixo?
- Por que elas não são frescas, Ikki! Pandora e Tétis gostam de novidades e como ficamos cansados da mansão de nosso primogênito... Achei que seria uma boa alternativa trazê-las comigo.
- Mas Milo, nós vamos pro galpão pra arrumar as motos, esqueceu? – Ikki falou se segurando pra num socar o tom esnobe do Toreador. – Você deveria ter ficado com os luxos da mansão ao invés de me ajudar com a graxa das motocicletas. – Irônico.
- Pêra aí! Nem vem falando comigo assim que eu num tenho medo do seu mal humor, Ikki! Falei pras meninas que eu ia te ajudar com as motos e elas adoraram a idéia de ver isso.
- Eu entendo de motos. – Falou Pandora encarando o Brujah. Sim, era ele mesmo o objetivo de sua missão.
- Não entendo tanto quando Pandora, mas... Estou curiosa a respeito do que pode ser feito em uma oficina mecânica. – Cantarolou Tétis, que na verdade não cantava, mas falava.
- Tudo bem, senhoritas. Mas já adianto que vão sujar seus belos vestidos.
- Não tem problema. – Pandora falou e sorriu encarando a amiga.
- Nós tiramos os vestidos. – Tétis completou retribuindo o olhar da morena.
Milo sorriu para as duas e encarou Ikki que olhava atônico as duas se provocando e beijando. Esses Toreador eram mesmo... Impressionantes e pervertidos.
Finalmente Ikki entendeu: Milo havia trazido as amigas pra uma festinha e intimamente se animou com a idéia. Mas no fundo sabia que seu destino era apenas um: ser solitário por toda a eternidade. Nada no mundo poderia trazer Esmeralda de volta.
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Biblioteca Central de Chicago.
Aioros respiraria aliviado se ainda fosse vivo. Por muito pouco não conseguira abraçar Marin. Nos primeiros momentos ela não reagira, no entanto, graças a sua geração baixa e sangue potente, conseguira realizar a transformação. Ou melhor, o ínicio dela. Marin sentiria seu corpo morrer e logo estaria sob o efeito da maldição. Ele havia jurado a si mesmo nunca abraçar nenhum mortal, mas... Pelos sentimentos de seu irmão cometera aquele pecado. Precisava se purificar mas não teria tempo para isso.
Deixou o corpo de Marin em um dos aposentos no subsolo da biblioteca e ordenou aos rapazes de Seatle que não se afastassem dali por nenhum motivo, pediu a Seiya que trouxesse o mais rápido possível um mortal para o aposento. – Marin terá sede. – Limitou-se a dizer. Aioros não costuma ordenar e sim pedir. Mas a situação era grave, muito grave. Certamente Saga logo saberia do ocorrido precisava agir rápido. Precisava a todo custo poupar Marin. Pegou o celular e discou o número de Verônica, tinha que lhe pedir algo, antes que fosse tarde demais.
Dor. Muita dor, Marin sentiu seu corpo ser perfurado e depois disso não se lembrava de nada até abrir os olhos ainda sentindo dor e... Uma sensação estranha. Precisava respirar, mas seu pulmão não aceitava o ar. Sentia frio, muito frio e uma sede incontrolável, mas não pensava em água, nem em cerveja ou vodka. Uma necessidade estranha de beber... SANGUE? Sentiu o barulho de um coração batendo apressado e como música aquilo a atraía. Sem estar plenamente consciente do que fazia, ela saltou na direção do barulho, atacou instintivamente. Olhos vermelhos. Presas imensas foram cravadas na jugular do mortal que não reagira.
Uma mão tocou seu ombro e chamou-a. Como sentia dor... Mas também como aquilo era capaz de lhe dar tanto prazer? Só então se deu conta do que estava fazendo. Afastou-se e olhou para si, horrorizada. Tentou respirar, não conseguiu. Colocou a mão em seu coração, não batia. Sua pele estava anormalmente branca e fria. Não. Não poderia ser verdade. E a dor que sentia era... Insuportável. Encarou Hyoga que a olhava tristemente. Qual deles teria feito aquilo? Enquanto tentava pensar, constatou que sua roupa estava banhada em sangue, sentia dor nas costas... Deveria estar morta. Preferia a morte do que... Não, não poderia ser verdade, seus amigos não poderiam ter feito aquilo! Deveriam te-la deixado morrer! A dor a impedia de realizar raciocínios mais complexos... Perdeu a consciência mergulhando em uma série de pesadelos que agora seriam sua realidade.
- Seiya, dá um jeito nesse cara aí! A Marin quase matou ele! – Falou Shun, irritado. Se ele tivesse dado atenção às sensações que tivera... Talvez pudesse ter poupado Marin daquilo que ela mais odiava. Sentou-se e abraçou os joelhos.
- Você não tem culpa de nada, Shun. – Disse Hyoga, tentando confortá-lo.
- Como não tenho culpa? Se eu tivesse ouvido a voz... Agora... Marin está enrascada por causa da quebra de Máscara... E... Aioros... Foi... Ele que eu vi na teia... Por minha culpa ele vai morrer e a Marin também...
- Você não pode mudar o destino das pessoas, Shun. Precisa aceitar isso. – Hyoga sabia o quanto o amigo sofria com as visões do futuro. Principalmente quando via coisas tão complicadas, pensando melhor, ele concluiu que nenhuma das visões de Shun eram "simples".
- Se eu não posso fazer nada, por que Shaka insiste para que tentemos mudar as coisas? – Ele continuava com os olhos mirando o chão.
- Por que existe uma diferença entre o destino de algumas pessoas e da humanidade, Shun. É diferente quando tratamos de todos os humanos e vampiros e quando tratamos apenas de alguns. Alguns precisam morrer para que a raça sobreviva. Se o final deles chegou... É por que nada mais podemos fazer... Você não viu o final de Marin, viu? Pode ser que eles a poupem da morte final... Talvez Aioros faça algo a respeito, talvez o melhor que nós podemos fazer agora é fugir, deixar Chicago e não nos aproximarmos de nenhum domínio da Camarilla.
- Vamos viver como fora da lei, Hyoga. – Shiryu interrompeu-o.
- Se for pra Marin viver... É o melhor que temos a fazer. – Falou Seiya.
- Todos de acordo? – Perguntou Hyoga.
- Sim! – Responderam os três ao mesmo tempo, menos Shun.
- Shaka não vai me perdoar se eu... For embora. Vão vocês, eu tenho que ficar... – Precisava cumprir seu destino.
- Shun, não podemos nos separar! – Hyoga falou exasperado. – Somos amigos e sempre estivemos juntos! Se você ficar... Eu fico também!
- Mas e a Marin? Hyoga, temos que fugir logo, se não... Eles vão matá-la! Não podemos ficar sem você, poxa cara, você é o vocalista da banda! – Falou Shiryu
Hyoga tinha um compromisso com o Rage, mas seu coração queria ficar com Shun. No entanto não podia deixar Seiya e Shiryu viajarem sozinhos, era perigoso, ainda mais com Marin numa condição tão delicada.
- Desculpe, Shun... Mas... Eu tenho que ir com eles... – Falou cabisbaixo.
- Tudo bem, Hyoga. Eu vou ficar bem, meu irmão está aqui, esqueceu? – Forçou um sorriso era melhor assim, cedo ou tarde teriam que se separar e se o loiro ficasse junto a ele nunca se perdoaria pelo fim da banda. Cantar era a vida de Hyoga e Shun não lhe dava nenhuma esperança, mas sabia que o amigo o amava de uma maneira que ele não retribuiria.
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Motel na auto-estrada, Chicago.
Gabrielle demorou o máximo que pode no banho, temia encarar Kannon. Ouviu uma leve batida na porta.
- Condessa, está tudo bem aí? – Ouviu uma voz levemente preocupada.
- Sim... Está... – Conseguiu finalmente pronunciar algo.
Levantou-se com dificuldade, sentia dor. Entretanto se encontrava revitalizada pela água. Vestiu o roupão barato do lugar e finalmente criou coragem para abrir a porta. Hora de encarar o inimigo.
Kannon já estava há muito preocupado com a demora dela. Chegou a pensar que Gabrielle tinha desfalecido ou coisa pior durante o banho, sentiu-se aliviado quando ela finalmente abriu a porta e mancando sentou-se na cama. Não podia conter a admiração diante da beleza daquela mulher, o banho a transformara e mesmo usando um roupão barato era incrivelmente sexy. Procurou gravar na memória como ficavam bonitos aqueles cabelos loiros molhados e mais uma vez sentiu-se balançado.
- Está realmente bem, Condessa?
- Sim, estou. Obrigada por se preocupar. – Falou em tom educado.
- Não se importaria se a deixasse sozinha por alguns momentos e me arrumasse, afinal de contas estou em estado lastimável.
- Sinta-se a vontade, senhor Kannon. – Fria, distante e Ventrue.
- Com sua licença. – Ele se fechou no banheiro e ela ouviu o barulho da água correndo. O que deveria fazer? Kannon não demorou muito, logo saia com um roupão idêntico ao dela, mas alguns números maiores.
- Senhor, como deseja que pague a dívida que tenho com vossa senhoria? – Perguntou educadamente.
- Nunca me chamou de senhor desta maneira, nem mesmo quando eu estava no exercício de minha função com Guardião das Chaves desta cidade. – Onde ela queria chegar com aquela conversa. Ah, sim... As Tradições. Um favor de vida. Até então ele nem havia pensado na repercussão daquilo!
- Desculpe-me se o desacatei. Mas não posso negar o que lhe é de direito.
- Faz sentido. É bom saber que a senhorita está ciente de sua condição. No entanto, nada me vem a cabeça neste momento, dado que estamos ainda em território inimigo e temo por nossa sobrevivência. – Mas era óbvio que ele tinha muitas coisas nenhum pouco nobres na cabeça em relação a ela.
- Por que você estava lá? – Ela perguntou alterando levemente a voz. Sentia-se acuada. Estava em posição de desvantagem.
- Eu seguia a pista de um bando Sabbat. – Mentiu, descaradamente. – Salvá-la foi apenas... Uma coincidência... Ou poderia dizer... Destino?
- Seja coincidência ou não... Não muda o fato de que devo-lhe um favor equivalente a minha vida.
- Gabrielle tão logo saiamos do território Sabbat, nos preocuparemos com isso. – Ele se aproximou, sentando-se ao lado dela. – No momento, o mais importante é aguardar o resgate embora eu já tenha em mente o que desejo. – Kannon pegou a mão direita da Condessa. – Você não precisa se casar com Kamus.
Gabrielle riu. – Como não? Mas não foi você e teu irmão que me obrigaram a representar tudo isso?
- Nós sempre damos um jeito nas coisas e de certo modo o inicio desse confronto com o Sabbat pode desviar as atenções sobre o evento ocorrido entre Kamus e aquele Toreadorzinho.
- Kannon, já mencionei anteriormente que a conveniência desse relacionamento mostrou-me um homem repleto de valores e que sem dúvida posso aprender a amar com o passar dos anos.
Ouvir aquilo realmente incomodou Kannon a ponto de fazê-lo perder o controle da situação, pegou firmemente nos ombros dela jogando o peso de seu corpo sobre ela. Não pode conter um sorriso de prazer ao ver a cara de espanto de Gabrielle.
- Se é isso que deseja, faça-o. Reconheço minha parcela de culpa em toda essa situação. O que eu não esperava era me apaixonar por você. Mas é claro que não acredita em mim, mas se você espera se apaixonar por Kamus com o passar do tempo, esqueça isso. Será por mim, apenas por mim que você irá sentir isso, entendeu?
Surpresa com a ação de Kannon, ela não tinha palavras para responder. E ele parecia querer uma resposta que não veio, ansioso, ele deixou o peso do seu corpo sobre o dela que gemeu ante o contato. – Kannon, você não seria capaz de fazer isso.
- Você vai gostar, garanto. – E sem dar-lhe tempo de resposta, colou seus lábios ao dela, intensamente, fervorosamente, mas não foi correspondido, havia algo realmente muito errado. – O que foi? – Apoiou-se em um dos cotovelos encarando-a.
- Já disse: sou uma mulher comprometida.
O telefone tocou e ele amaldiçoou a eficiência do resgate. Os Nosferatu realmente eram ágeis, e ele só esperava pela chegada deles na noite seguinte. Atendeu o telefone, falando em códigos, desligou-o logo em seguida. – Vamos, estão nos esperando lá fora. – Limitou-se a dizer.
Aliviada por não ter que passar o resto da noite com Kannon, Gabrielle se levantou como se absolutamente nada tivesse acontecido. Mas... Precisava mesmo de autocontrole, quase o perdera. Kannon era realmente muito persuasivo e charmoso, mas ela estava com os dois pés atrás em qualquer coisa que o envolvesse.
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Chicago, Biblioteca Central.
Os dez minutos que separavam a sede do Império Ventrue da biblioteca representaram uma eternidade para Aioria. Como aquilo era possível? Como? Nada, absolutamente nada fazia sentido quando pensava na iminente perda do irmão e Marin.
Como ele podia ter tanta certeza do que sentia por aquela mortal? Como? Sua razão questionava, mas seu coração tinha certeza: desde o primeiro momento em que a viu, não apenas a desejou, mas queria algo mais, muito mais do que desejara ter com qualquer mulher que já tivesse cruzado seu caminho, e não foram poucas.
Marin era especial: bonita, inteligente, forte, decidida, independente. Reunia todas as qualidades que ele procurava e encontrava sempre aos fragmentos, um pouco em uma mulher, um pouco mais em outra. Sem dúvida o mais belo em Marin era sua alma, aquilo que Aioria via em seus olhos.
- Chegamos, Aioria. – Saga chamou-o. Shaka apenas observava a expressão distante do Brujah. Afrodite não viera, dedicara-se a cuidar da reparação da Quebra de Máscara. Shura fora pessoalmente cuidar do resgate de Kannon e da Condessa, muitas ações em apenas uma noite, cheia de altos e baixos.
Entraram na biblioteca apressadamente, dirigindo-se ao subsolo.
Aioros estava calmamente folheando um livro como se nada tivesse acontecido.
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Eu desanimei muito em continuar essa fic, sabe? Bom, eu ficaria muito feliz se as pessoas deixassem reviews e de certa forma me ajudaram a levar adiante essa história. Estava pensando até em deletá-la para não continuar a escrever já que perdi o HD onde eu salvava as infos da fic.
Eu meio que enrolei demais nesse capítulo com os por quês da treta do Ikki e Shaka, e assim, eu acho que poderia ter ficado muito melhor se eu estivesse animada para escrever e até agora evitei chegar no ponto crucial dessa fase da história, acho que dá pra perceber, né? É o desanimo mesmo, se as pessoas num comentam, eu não sei do que estão gostando ou não gostando, aí meio que dá vontade de desencanar (como eu quase fiz) e parar com tudo.
