Capítulo 14

Depois que a livraria foi reinaugurada, a quantidade de clientes aumentou drasticamente. Não dava pra dizer que era uma livraria Super badalada, mas o lugar estava cheio de vida. Volta e meia aparecia alguém disposto a tentar tocar algo no piano, o que algumas vezes rendia boas piadas, outras emocionava as pessoas entre as estantes, fazendo-as parar de ler oz livros pra contemplar as notas produzidas pelo instrumento.

A última semana de férias antes do inicio das aulas passara tão rapidamente que eu nem podia acreditar. A escola já tinha nos ligado para cobrar os livros que encomendaram. Ficaram satisfeitos ao me ouvir dizer que naquele momento um caminhão estava estacionando na frente da livraria com os livros do mês. Eu estava lá fora com uma prancheta, supervisionando os livros que eram descarregados. Jasper estava arrumando espaço na área reservada para os livros que Emmett ajudava a carregar pra dentro. Os dois, assim como eu, adotaram aquele espaço como um bebê que estava crescendo graças aos nossos esforços. Emmett se mantinha antenado aos novos lançamentos das editoras, tentando atualizar nossa biblioteca de títulos. Jazz cuidava do site, administrando as encomendas e eu cuidava do resto.

-Estou admirada como vocês estão empenhados em relação a livraria - Sra Marie sorriu - Não tenho tido muito pra fazer aqui...

-Não se preocupe, Sra Marie - eu sorri olhando pelo ombro para a idosa que estava atrás do balcão.

-Nos divertimos - Emmett sorriu passando com vinte livros grossos nos braços.

-Edward - Sra Marie saiu de trás do balcão e veio para perto de mim - Hoje você não parece bem...

-Estou ótimo - menti - Só estou concentrado aqui. - olhei sobre o ombro e vi duas pessoas se encaminhando para o balcão - Sra Marie, acho que eles vão levar os livros - apontei para o casal parado ao lado do balcão.

Ela me lançou um profundo olhar antes de se virar e pegar os livros das mãos do casal. Eu suspirei e voltei meus olhos para a prancheta, sentindo meu corpo inteiro pesado.

-OOOOOOOOOOOOOi, Edward! – Alice gritou em meu ouvido.

Levantei os olhos da prancheta para vê-la com um grande sorriso me fitando, brincando compulsivamente com o chaveiro que segurava. Não era possível... Essa garota tinha problemas.

-Oi, Alice – eu sorri pra ela – Jazz está lá dentro.

-Obrigada – ela sorriu e saltitou para dentro da loja.

-Alice – Sra. Marie gritou – Não pode entrar lá! Você lembra o que aconteceu a última vez!

Alice ignorou Sra. Marie com uma risada e sumiu pelos fundos da loja. Eu me perguntava o que tinha acontecido quando ouço um enorme barulho, como se alguma coisa tivesse explodido lá atrás. Arregalei os olhos e me virei pra encontrar uma Alice culpada saindo dos fundos.

-Eu não encostei em nada! – ela falou logo para Sra. Marie – Eu juro! Aquela prateleira caiu sozinha!

Jazz apareceu com a camiseta preta empoeirada e se aproximou de Alice, enrolando os braços em sua volta. Os saltinhos nervosos que ela dava imediatamente cessaram-se e ela relaxou, agindo como uma pessoa normal.

-Não foi sua culpa – ele sorriu e se virou para a Sra. Marie – Não se preocupe, Sra. Marie. Eu mesmo vou ajeitar aquilo.

Senti uma cutucada no ombro e voltei minha atenção para o entregador. Ele vestia um ridículo uniforme azul: calça azul, camisa azul e um boné azul pequeno demais para a enorme cabeça do homem com sobrepeso.

-Tem que assinar aqui – ele falou mal-humorado e me entregou um papel que eu assinei e rubriquei três páginas. – Obrigado, tenha um bom dia e conte sempre com nossos serviços – ele recitou a frase como se tivesse sido obrigado aquilo.

Ignorando o mal humor, peguei a última pilha de livros e levei para dentro. Quando tudo parecia sob controle novamente, me aproximei da Sra. Marie.

-Você se importa se eu sair mais cedo hoje?

-Edward, meu filho – ela riu – Nem te pago um salário e você me pede permissão pra sair mais cedo?

Eu dei de ombros.

-Está tudo bem? – ela segurou minha mão, me fitando no fundo dos olhos – Você não parece bem.

-Não se preocupe – eu apertei sua mão.

-Vai visitar Bella?

-Mais tarde – eu me virei pra sair.

-Aonde você está indo? – Emmett perguntou surgindo das prateleiras – Não está escapando antes da hora, né?

-Deixa ele ir – Jazz intercedeu e me olhou – Mande um abraço – ele sorriu e eu assenti.

Entrei no carro e o silencio me envolveu. Suspirei e comecei a dirigir. Os carros passavam por mim, os sinais fechavam e abriam indefinidamente. No silencio do carro, eu tinha total consciência dos lugares vazios em minha volta.

"Não tenha pressa, querido. Quando fizer dezesseis anos, eu mesma te ensinarei a dirigir e vou sentar bem do seu lado" – Eu podia ouvir a suave voz de minha mãe. Sua voz sempre foi calma e baixa, tranquila como uma canção de ninar, mas alegre e cheia de vida como um jardim.

Balancei a cabeça e me foquei no transito.

"Mãe, o Edward tem que aprender a montar uma moto!" – ouvi a risada do meu irmão – "É bem mais prático! Eu e o Lance vamos aprender juntos. O pai dele tem uma moto"

Eu ri quando lembrei de como minha mãe reagiu àquilo. Ela deu um sermão enorme no meu irmão e uma bronca preventiva em mim. Não hesitou em ligar pro pai do Lance e relatar os planos dos filhos. Leo ficou três dias sem falar com ela. Mas Leo era o cara mais legal que existia, não conseguia ficar brigado com ninguém por muito tempo.

Senti meus olhos queimarem e funguei o nariz, piscando várias vezes para conseguir estacionar. Desci do carro e andei até a floricultura. Comprei um buquê de lírios amarelos e um de lírios brancos. O idoso me lançou um sorriso tímido e entregou os dois buquês.

Com as mãos cheias, passei pelo alto portão de ferro negro para entrar no cemitério. As imagens de santos e anjos me receberam. Eu nunca gostei daquelas estátuas brancas. Eram tão sombrias, tristes...

"Pare de besteiras, Edward! Meu amor, não precisa ter medo de passar na frente do cemitério" – há muitos anos minha mãe me disse isso, rindo docemente enquanto tentava tirar minhas mãos dos meus olhos – "Não há nada pra temer. Lá só existem pessoas amadas".

Se eu fechasse os olhos, podia ver seus olhos verdes sorrindo pra mim. Ou sentir seus lábios pousando em minha testa pra me dar um beijo, como sempre fazia.

Sorri ao me lembrar do primeiro filme de terror que eu assisti em minha vida. Não hesitei um segundo em correr para o quarto de Leo e dormir com ele.

"Pode dormir aqui. Não... Não vou contar pra ninguém. Venha" – lembro perfeitamente da cabeleira loira e desgrenhada. Lembro o jeito que ele afastou o lençol e chegou para o lado. Eu nunca precisei de nada que Leo não pudesse fazer por mim.

Cheguei à área mais aberta do cemitério, parecia um campo com várias lápides organizadas. Eu sabia quais eram a da minha mãe e do meu irmão. Em meu caminho, vi uma moça de vestido azul e um cara vestido com roupa social se aproximando de mim.

-Edward – Clarisse se aproximou, os cabelos loiros soltos chicoteando em suas costas – Como é bom te ver!

Ela realmente parecia aliviada em me ver, tanto que não hesitou em me abraçar. A ex-namorada do meu irmão, com quem ele estava quando morreu, sempre foi extremamente carinhosa comigo.

-Oi, Clarisse – eu senti o já conhecido cheiro de seu xampu. Meu irmão sempre falava desse cheiro – O que está fazendo aqui?

-Vim visitar Leo – ela sorriu tristemente – Que loucura, né? Há exatamente cinco anos ele estava lá em casa, me chamando pra ir em sua apresentação – seus olhos se encheram de água, mas ela logo tratou de secá-las com as costas da mão – Edward, esse é meu noivo, Ian – ela segurou a mão do noivo.

-Gentileza sua vir com ela – eu sorri.

-Ela me fala muito sobre Leo – ele deu de ombros – É um cara que merece ser visitado e lembrado.

Senti o nó na garganta e tentei disfarçar. Olhar para o noivo de Clarisse era como encarar o futuro que Leo podia ter tido, mas não teve.

-Nós vamos indo – Clarisse se apressou em dizer, parecendo notar meu desconforto – Foi muito bom te ver. Você está tão parecido com ele.

Ela hesitou e voltou a me olhar.

-Edward, hoje nos encontraremos no centro da cidade pra relembrar seu irmão... Seria muito legal se você fosse. Lance estará lá, assim como Drew e Peter.

Sorri e assenti.

-Qual restaurante?

-O favorito do seu irmão, claro! – ela riu – Gilbord's. As oito!

Sorri e continuei a caminhar, passando por eles. Cheguei à lápide e o nó em minha garganta surgiu com mais força.

-Oi, mãe – eu sorri com lágrimas embaçando meus olhos – Oi, Leo – eu me ajoelhei entre os dois – Muitas pessoas vieram aqui, né? – olhei para a pilha de flores que se acumulavam – O Jazz mandou um abraço. Vocês sempre foram muito queridos. – senti as lágrimas escorrendo – Cinco anos e eu ainda choro quando venho aqui... Eu já devia ter me acostumado, mas... Não consigo acreditar que estão aí.

Eu chorei. Estar lá era como sentir a presença deles, mas sem que eles estivessem lá. Eu os queria de volta.

-Queria poder abraça-los. Sentir vocês, ouvir vocês, ver vocês – eu sentia meu corpo tremer conforme ficava lá, ajoelhado derrotadamente – Ainda não me acostumei e acho que nunca vou. Preciso tanto de vocês – eu desejei que eles pudessem me responder – Eu amo tanto vocês. Não entendo porque foram embora tão cedo.

-Eu também não entendo – ouvi a voz do meu pai atrás de mim. Eu não tinha notado ele ali. Não fiquei surpreso ao ver lágrimas escorrendo em seus olhos. Ele se aproximou lentamente e se ajoelhou ao meu lado. – Olá, Linda. Leo, meu filho, quanta saudade! Todos os dias eu olho para a foto em minha sala, com você, sua mãe e Edward, e sinto falta de tudo que éramos.

Eu só lembro do meu pai chorando daquele jeito no enterro dos dois. Depois que ele casou com Esme, nós nunca tínhamos vindo aqui juntos, ou nos encontrado antes.

-Eu sinto muito – ele chorou – Sinto muito por não ter podido ir junto com vocês na apresentação. Eu daria tudo pra ouvir você tocando novamente. Daria tudo pra voltar no tempo e ter de volta todos vocês – ele me olhou – os três. Linda, meu amor, o Edward está bem – ele olhou para a lápide com a foto dela – Ele sente muito sua falta, mas está melhor. Eu também sinto. Me desculpe, Linda. Me desculpe por não ter sido capaz de te ajudar. Te ajudei a trocar as fraudas dos meninos, te ajudei a fazer jantares e cuidar da casa, mas não pude te ajudar quando estava presa naquela cama. De todos os pacientes que eu já curei, logo você foi uma das que eu não pude.

Olhei surpreso para a expressão de dor no rosto do meu pai. Era um homem derrotado ajoelhado ao meu lado, um homem triste.

-Estou tão perdido sem você – os ombros estavam curvados – Esme é maravilhosa, mas não consegue lidar com todos os problemas que surgiram depois que você se foi.

-O problema sou eu? – perguntei, triste demais pra parecer irritado.

-Edward – Meu pai me olhou, o olhar queimando em algum inferno pessoal – eu sinto muito! Eu sinto muito por ter errado tanto. Me perdoa por ter desligado os aparelhos da sua mãe, mas ela me pediu tanto – ele implorava por compreensão – Ela me pediu tanto, Edward. Você era apenas um menino, não via, mas ela me implorava. Eu não tive outra alternativa, eu já tinha tentado de tudo! Me perdoa por não ter explicado melhor o casamento, ou por não ter esperado o seu tempo. Eu só pensei em mim mesmo e isso me fez te perder.

Suas palavras foram ditas carregadas de sinceridade. Vê-lo tão aberto, tão frágil e desesperado, tocando naquele assunto que por anos foi o nosso ponto fraco, de alguma forma me desestabilizou.

-Você errou – eu falei – Errou no casamento tão cedo, errou em me excluir dessa parte da sua vida. Mas eu nunca duvidei dos seus esforços em fazer minha mãe melhorar – eu disse sinceramente – Eu só fiquei tão bravo. Por tê-los perdido – senti as lágrimas voltando a escorrer – Eu sinto tanta falta deles, pai.

Meu pai me puxou para seu peito e nós fizemos o que nunca havíamos feito antes. Choramos juntos pela morte da nossa família. Sentindo a dor do outro, choramos por quem perdemos, pelas as pessoas que mais amamos. Nós fomos deixados e até então, achávamos que tínhamos sido deixados sozinhos, quando, na verdade, sempre tivemos um ao outro.

Não vimos isso. Eu não vi isso.

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De alguma forma, enquanto eu dirigia para a cara de Bella, eu me sentia muito mais tranquilo. Algo dentro de mim ficou mais calmo, e eu me sentia bem pela quase reconciliação com meu pai. Quase porque, tanto eu quanto ele sabíamos que seria algo que demoraria um tempo. Mas depois de hoje, seria mais fácil.

O que eu mais queria era chegar logo na casa de Bella e deitar em seu colo, sentindo-a brincar tranquilamente com meus cabelos.

Parei o carro na frente da sua casa e cheguei à porta. Toquei a campainha e logo ouvi a voz de Bella dentro da casa.

-Entra, Edward!

Enfiei a minha chave na fechadura e destranquei a porta. Como sempre, ela estava sentada no sofá com a televisão ligada. Fechei a porta atrás de mim e sentei no sofá ao seu lado, deitando imediatamente em seu colo. Bella logo começou a brincar com meus cabelos e eu suspirei, fechando os olhos.

-O que foi?

-Acabei de vir do cemitério... – eu abri os olhos e encarei Bella – Hoje foi aniversário da morte do meu irmão. Tecnicamente minha mãe também morreu naquele dia.

-Eu sinto muito. Não fazia ideia – ela se apressou a dizer, acariciando meus cabelos – Como foi?

-Encontrei meu pai lá – eu suspirei –Foi difícil. Sempre é difícil ir lá, sabe?

-Eu imagino...

-Ele me pediu perdão por tudo. Foi surreal, Bella – eu peguei a ponta dos seus cabelos que caíam próximos ao meu rosto e comecei a brincar com ela – Ele estava péssimo... Tão péssimo quanto eu.

-Ele sempre esteve péssimo, Edward – ela parecia genuinamente chateada – só você que não queria enxergar isso.

-Eu sei... Quando eu estava chegando, encontrei a namorada do meu irmão. Foi muito estranho. Ela estava com o noivo. Doeu um pouco vê-la com um cara que estava ocupando o lugar do meu irmão. Quero dizer, aquele cara parado ao seu lado podia ser meu irmão. Ele perdeu tanta coisa...

-Não tem como sabermos – ela sorriu levemente - Talvez eles teriam terminado e ele estaria com outra menina agora. Ou talvez decidisse ficar sozinho por um tempo. É impossível saber o que teria acontecido.

-Eu sei, mas ainda assim... Eu nunca vou parar de me perguntar – eu suspirei e fitei o teto – Hoje ela vai se encontrar com os antigos amigos do meu irmão. Ela me convidou, mas...

-Porque não vai? – ela sorriu – Você devia ir! Vai fazer bem a você.

-Não sei... – eu me sentei e a olhei – Você pode ir comigo? Eu só não acho que vou conseguir ir sozinho...

Bella sorriu docemente e afagou meu rosto.

-É claro que eu vou, Edward – ela me puxou para perto e me abraçou fortemente – Faço qualquer coisa pra te ajudar.

BPV

Quando Edward entrou em casa e se jogou no meu colo, sedento por carinho, eu sabia que tinha alguma coisa errada. Fiquei surpresa ao descobrir que hoje era o aniversario da morte de seu irmão e sua mãe. Edward não parecia um pequeno menino assustado, mas sua fragilidade estava tão exposta como sempre ficava quando tocávamos nesse assunto.

Ele me pediu pra ir com ele no encontro com os amigos do Leonard. Eu não poderia negar. E depois de passar na casa de Edward para ele tomar um banho e trocar de roupa, era pra lá que estávamos indo. Ele não ligou o rádio do carro como sempre fazia, não sabia se por distração ou por falta de vontade, então não me atrevi a mexer em nada.

Edward tampouco falava. Seus olhos verdes estavam presos na rua, mas pareciam perdidos em algum outro lugar. Os postes de iluminação passavam por nós iluminando seu rosto em intervalos regulares. Os lábios estavam apertados numa linha fina, o maxilar forte travado enquanto seu pomo-de-adão subia e descia repetidas vezes. Ele era a imagem de um deus, mas hoje era um deus triste, melancólico e sofrido.

Ele parou o carro na frente de uma das lanchonetes mais caras da cidade, Gilbord's, e ao ver meu espanto, sorriu.

-Era a lanchonete favorita de Leo. Por isso marcaram aqui.

-Entendi...

Ele desceu do carro e pegou a cadeira de rodas no porta-malas enquanto eu abria a porta. Edward me sentou na cadeira e entregou a chave pro manobrista.

-Aqui não tem rampa – ele falou em meu ouvido – Se segura enquanto eu te puxo pelos degraus.

Em qualquer outra situação, eu pediria para procurarmos outro lugar. Eu não queria chamar tanta atenção, queria fugir dos olhares que começávamos atrair, mas fiquei em silencio porque sabia o quanto isso seria importante pra ele.

-Epa – um cara de uns vinte, vinte e cinco anos apareceu na minha frente e segurou a parte da frente da minha cadeira, nos ajudando a subir os degraus – Deixa eu ajudar.

-Obrigada – eu falei assim que chegamos ao topo do conjunto de sete degraus.

-Obrigado – Edward levantou os olhos para o rapaz de cabelos negros e olhos azuis – Lance?

-Eddie, é você? – os olhos de Lance se arregalaram e ele sorriu abertamente – Cara, você cresceu muito! – Lance puxou Edward para um abraço que durou um longo tempo – Nem acredito que você está aqui!

-Você também cresceu – Edward sorriu – Parece até um homem! Lance, essa aqui é Bella, minha namorada.

Os olhos azuis de Lance pareceram levemente surpresos, mas logo seu rosto adquiriu um sorriso simpático e ele me cumprimentou.

-Prazer, Bella – ele me deu um beijo no rosto – Então foi você que conseguiu domesticar essa peste?

Eu ri.

-Domesticar, ninguém nunca vai!

Edward sorriu e colocou as mãos em meu ombro.

-Vamos entrar?

-Claro! – Lance riu – Vamos entrar, o pessoal já deve estar aí...

Quando entramos, não foi difícil encontrar o resto dos amigos de Leonard. Eram mais três, uma garota loira, um rapaz oriental e um albino. Assim que nos aproximamos, eles abraçaram uns aos outros.

-Você é quem eu penso que é? – o Albino perguntou olhando pra Edward com os olhos quase brancos arregalados.

-É o Eddy! – Lance riu – Não é a versão ruiva de Leo?

-Caralho! – o oriental abriu espaço entre os outros e sorriu abertamente para Edward – Eddy!

-Olá, gente – Edward sorriu e correspondeu ao turbilhão de abraços que se seguiu – Essa é Bella, minha namorada.

-Ei, Bella – o rapaz oriental que vestia roupa social se aproximou – Meu nome é Peter.

-O meu é Drew – o albino sorriu, o que realçou as milhões de sardas em suas bochechas.

-Olá – a menina loira sorriu pra mim, estendendo a mão – eu me chamo Clarisse.

-Olá – eu sorri para eles me sentindo levemente intimidada pelo grupo de pessoas mais velhas. Deviam ter em torno de vinte e dois, vinte e três anos – Obrigada por me chamarem.

-Não é problema – Lance sorriu – Você vai gostar de conhecer um pouco sobre Leo. Era uma versão melhorada desse aí – ele acenou para Edward, que riu.

-O que? – ele bufou – Leo foi o rascunho!

-Que tal nos sentarmos? – Clarisse ofereceu – Vamos acabar perdendo a mesa!

Quando todos estavam sentados na mesa redonda, Drew, Peter, Clarisse, Lance, eu e Edward, fizemos nossos pedidos. Edward fez questão que eu me sentasse na poltrona como os outros e foi fortemente apoiado pelos amigos de Leonard. A cadeira ficou dobrada ao lado de Edward.

Quando a conversa começou, eu tive que tomar cuidado pra apenas tomar o refrigerante quando ninguém estava no meio de uma história sobre Leonard. O perigo de eu me engasgar com uma risada repentina era alto.

-Ai meu Deus – Drew ria a ponto de quase não conseguir falar – Lembram aquela vez que Edward queimou as cuecas de Leo na pia da cozinha?

Todos riram e confirmaram com a cabeça.

-Leonard resolveu colocar laxante no suco do Edward como vingança – Lance batia na mesa.

-Você que arrumou o laxante, né, seu bastardo – Edward ria como eu nunca o vi rir antes.

-O que aconteceu? – eu perguntei intrigada.

-Edward tinha prova naquele dia – Peter me respondeu – Passou três horas no banheiro da escola até alguém encontra-lo...

-Não conta! – Edward riu.

-O que? – Edward tentou tampar meus ouvidos, e eu afastei suas mãos – Me contem!

-Leo colocou laxante demais – Drew começou a limpar as lágrimas que brotavam no canto dos olhos de tanto rir - Imagina a cara dele quando soube pela inspetora do colégio que encontraram Eddy desmaiado sentado na privada!

-O pobre menino só tinha oito anos – Clarisse riu.

Eu não me aguentei e olhei para Edward. Vê-lo ao meu lado, forte, que me carregava e cuidava de mim, e imaginá-lo criança, desmaiado de tanto que ele tinha...

Nossa... Era hilário!

Eu não me aguentei e comecei a gargalhar.

-Pronto – Edward riu – Vocês acabaram com a moral de um homem na frente de sua namorada!

-Olha quem fala! – Clarisse riu – Bella, a primeira vez que eu fui na casa deles, Edward me mostrou a caixa que Leo tinha com as calcinhas das ex-namoradas deles!

-Eu lembro disso! – Lance riu – A ideia de colecionar foi minha!

-Leo apareceu lá em casa desesperado – Drew riu – Me pediu pra esconder a caixa lá – ele olhou pra Edward – Eu nunca entendi o que passava na sua cabeça pra mostrar aquela caixa!

-Eu tinha doze anos – Edward riu – Eu nem sabia o que estava pensando.

-Nossa – eu ri – Então Leonard tinha dezesseis anos e já tinha uma caixa de calcinhas?

-Leo sempre foi nosso orgulho – ele olhou pra Clarisse – Até essa malévola corromper nosso menino.

-Espera aí – Clarisse riu olhando pra Drew– Ele escondeu em sua casa? Então ele não queimou a caixa?

Todos os caras na mesa bufaram ao mesmo tempo.

-Porque ele faria isso? – Peter riu.

Clarisse revirou os olhos, mas continuou sorrindo.

De repente a mesa ficou em silencio, todos perdidos em pensamentos, fitando o tampo de granito negro enquanto pensavam em suas próprias lembranças com Leo. Até mesmo eu fiquei perdida em pensamentos, pensando como seria conhecê-lo, eu não tinha dúvidas de que eu o amaria.

-Quais são as suas lembranças favoritas com ele? – eu perguntei. O sorriso leve surgiu automaticamente nos lábios de todos.

-Eu sempre amei a forma como ele me tratava – Clarisse sorriu – Um dia eu disse que queria saber mais sobre as estrelas e constelações – seus olhos estavam perdidos em alguma época em que Leo vivia – Você acredita se eu disser que ele passou uma semana sem falar comigo, só trancado na biblioteca da escola estudando. Numa noite, ele pegou emprestado o telescópio da escola e passamos a madrugada com ele me explicando tudo que ele podia sobre o céu? – ela riu com lágrimas brotando nos cantos dos olhos - Foi a coisa mais incrível que alguém já fez por mim. – ela me olhou e sorriu – Graças a ele que eu me encantei e me formei em astronomia, onde conheci meu noivo.

Todos sorriram.

-Eu sempre lembro quando nos conhecemos – Drew falou – Com quatorze anos eu já tinha mudado de escola inúmeras vezes porque nunca aguentava as brincadeiras sobre albinos – ele riu e revirou os olhos – Quando eu tive meu primeiro dia na mesma escola que Leo, um garoto, vocês lembram do Arnold, né?, começou me provocar. Quando Leo ouviu, bateu em Arnold sem nem me conhecer. – Drew sorriu – Leo sempre me defendeu.

-Eu lembro que quando ele se virou pra ir na direção de vocês dois, ele sem querer bateu com a mão na minha cara – Lance riu – Leo bateu, mas apanhou muito mais. Foi parar na enfermaria com o nariz maior que uma batata.

-Bom – Peter riu – a minha lembrança favorita com Leo foi quando invadimos o vestiário feminino com uma câmera e bombinhas! – Peter riu – Nunca vi tanta mulher pelada junta em toda a minha vida! Pena que o bastardo editou o vídeo, colocando tarja preta nas meninas antes de me passar. Tantas oportunidades pra ele ser moral, e ele põe tarjas pretas nas meninas!

-Eu lembro desse dia – Clarisse riu – Eu estava no vestiário. Quando eu fui tirar satisfação com Leo e brigar com ele, começamos a namorar.

-Você realmente cumpriu seu objetivo – Drew riu.

-Eu me lembro de você naquele vestiário – Peter sacudiu as sobrancelhas sugestivamente e Clarisse deu um tapa em seu braço.

-E você? – eu olhei pra Lance.

-Bom, assim como Edward, eu conheci Leo a minha vida inteira. Estudamos juntos no jardim de infância então tenho várias lembranças de várias fases da nossa vida... Eu só... – ele deu de ombros como se não achasse as palavras.

-Não consegue escolher uma... – Edward completou em total entendimento – Porque todas as vezes que você pensa em Leo, você só pensa com carinho.

-Mesmo as brigas – Lance sorriu – eu sinto tanta saudade das brigas... Teria todas elas novamente só pra ele voltar...

-Eu faria qualquer coisa pra tê-los de volta – Edward falou e sorriu, tentando lutar contra as lágrimas que ameaçavam cair – Eu só queria tê-los de volta.

Todos confirmaram, balançando a cabeça com os olhos baixos.

-Eles podem não voltar – eu olhei para todos e por último em Edward – Mas eles com certeza estão perto de nós.

Assim que eu terminei de falar, as luzes do restaurante se apagaram completamente. Ouve um misto de gritaria, risadas e choros de criança. Eu senti meu coração acelerar e as luzes voltaram, tão rapidamente quando tinham ido. Fosse por pura coincidência, ou por causa de Leo, quando as luzes se apagaram, senti meu corpo arrepiar. Foi impossível impedir a onda de comoção quando as luzes se acenderam e todos na mesa se entreolharam com sorrisos surpresos e lágrimas caindo pelos rostos enquanto ríamos.

Por baixo da mesa, Edward estendeu a mão para entrelaçar os dedos nos meus, sorrindo para mim com lágrimas nos olhos.


EEEEEEEEEEEEEEEEEEEii!

Tuudo beem?

E aííííí? O que acharam do capítulo de hoje?

O que mais agradou, o momento perdão entre Edward e Carlisle, ou o encontro de amigos de Leo com direito a apagão? :D

Desculpa a demora pra postar... Faltou-me inspiração! hahahaha

Acreditam que eu tinha escrito um capítulo, depois apaguei e comecei de novo? XD

Espero que tenham gostado!

Muuito obrigada pelas Reviews do outro capítulo! *-*

Vamos ver se esse também recebe boas reviews! ^^

Beeijinhos! :**

Obrigada por acompanharem Heavy Conscience!