Capítulo 14 – Especulações
"Já no chão, ele se virou e viu... Algo havia desequilibrado Ginevra de novo. Ela estava caindo rápido, muito rápido. E dessa vez não haveria nada que Draco pudesse fazer. Apavorado, desejando com todas as suas forças que se tratasse de um pesadelo, mas ao mesmo tempo tendo certeza de que se tratava da realidade, uma horrível realidade, a única reação que conseguiu ter foi estender a mão na direção da namorada e gritar, desesperado:
- NÃO!"
E um milagre, mais um, aconteceu. O vento pareceu desviar a garota novamente, e ela, em vez de bater direto no chão, deslizou pelas lonas que circundam o campo de quadribol, e só então caiu. Sua cabeça bateu com força no chão e ela ficou desacordada. Mas, ainda assim, ficou claro que o desvio amortecera sua queda. Ela não estava morta.
Rugiu de ódio. Não podia acreditar! Maldito vento! Tremendo de raiva descontrolada, guardou a varinha nas vestes. Se a garota não tinha morrido, não havia sentido em conjurar a Marca Negra. Só serviria para se arriscar a uma desnecessária exposição. Depois respirou fundo e tentou se acalmar. Não havia motivo para se desesperar. Ainda teria outras chances...
O alívio que o invadiu por mais esse inexplicável milagre foi tão grande, que num primeiro momento Draco nem se deu conta do quanto estava encrencado. Foi somente quando ele tentou enxergar o estado aparente de Ginevra que viu Blaise e Pansy, seguidos por Crabbe e Goyle, parecendo ter surgido do nada para bloquear seu caminho. Não entendeu o fato e já ia protestar, quando viu que eles, na verdade, estavam protegendo-o. Pois uma horda de grifinórios furiosos liderados por Potter e Weasley vinha na direção de Draco e, embora fosse difícil entender o que eles gritavam, os olhares assassinos tornavam suas intenções mais do que claras.
Mais uma coisa que Draco não entendeu. Pelas barbas de Slytherin, será que o mundo estava virando de cabeça pra baixo? Não só ele salvara Ginevra em circunstâncias completamente impossíveis, como, em vez de estarem gratos a ele por isso, o irmão e os amigos dela estavam furiosos! Qual era a explicação para aquela insanidade? Estava pronto para dizer algumas coisas bem malcriadas para aquele bando de estúpidos, quando conseguiu captar no meio da balbúrdia geral uma frase dita por Weasley, particularmente ensandecido de ódio, apontando para ele:
- … ESSE MALDITO COMENSAL ASSASSINO!
Ficou paralisado, incapaz de acreditar em seus olhos e ouvidos. Era isso que recebia em troca depois de salvar a irmã daquele imbecil? Mas antes que pudesse esboçar alguma reação, algo pareceu provocar uma guinada de 180º em seu cérebro e ele passou a enxergar a situação sob uma ótica completamente nova...
Conseguia agora distinguir o que estava sendo dito no embate entre grifinórios e sonserinos.
- … podia ter matado a Ginny, ele tem que ser expulso imediatamente!
- … Azkaban, é pra lá que gente como ele devia ir!
- Nem mais um passo, Weasley, ou você pode não ter mais pés para isso depois. - ouviu-se a voz calma e ameaçadora de Pansy quando Ron parecia estar quase furando o bloqueio sonserino e conseguindo chegar até Draco.
- Para trás, todos vocês, antes que alguém se machuque de verdade aqui! - gritou Blaise.
- Será que você ainda não entendeu, Zabini? Isso já aconteceu, graças a esse projeto de assassino que você está protegendo! - berrou Harry em resposta.
Draco agora tinha certeza que estava em algum pesadelo, um daqueles que você tem a sensação de que não vai acordar nunca mais. Eles estavam pensando que ele atacara Ginevra. Quando tudo o que fizera nos últimos minutos fora gastar todas as suas forças, as que tinha e as que não tinha, para tentar salvá-la. Estava num estado de completo estupor, olhando a cena toda abobado. Começou a ter aquela sensação de distanciamento, como estivesse assistindo a tudo aquilo de fora, como se não fosse com ele que estivesse acontecendo.
Então, quando Ron apontou a varinha para Blaise e gritou: "Alarte Ascendare!", jogando o garoto para cima e depois fazendo-o bater com desnecessária violência no chão, parecia que a coisa ia ficar realmente feia. Várias varinhas foram apontadas ao mesmo tempo, e um duelo coletivo estava prestes a tomar conta do campo de quadribol, quando Dumbledore apareceu e ergueu a voz, naquele tom grave e retumbante que só se ouvia dele em circunstâncias como essa:
- Parem!
Alguns feitiços já haviam sido lançados, mas o diretor os desviou facilmente de seus alvos com um movimento displicente da varinha.
- Todos vocês voltem para suas casas. Agora.
Uma falação parecia que iria se seguir ao comando do diretor, mas ele novamente ergueu a voz acima de todos:
- Isso não é uma discussão. Voltem.
Dessa vez os estudantes enfurecidos captaram alguma coisa no tom do diretor que os compeliu a obedecer. Lentamente, eles foram se afastando, o agrupamento de grifinórios para um lado e o de sonserinos para o outro, como dois exércitos que de repente recuavam ao desistir de uma batalha.
Alguns ainda permaneceram lá, como Harry e Ron, ainda inconformados, Blaise, que ainda estava se recuperando da violência do feitiço de Ron e agora era ajudado por Pansy, e, obviamente, Draco, que ainda não tinha saído de seu estado catatônico. Dumbledore se dirigiu a Blaise:
- Sr. Zabini, está tudo bem? Consegue se levantar?
- Está sim, diretor. – ele respondeu, embora a careta de dor que produziu em seguida parecesse contradizer suas palavras.
- Srta. Parkinson, pode levar o Sr. Zabini à Ala Hospitalar, por favor?
- Eu já ia fazer isso agora, diretor. – respondeu ela, lançando a Ron um olhar mortal.
Antes que Dumbledore pudesse voltar a falar, Harry e Ron se dirigiram a ele ao mesmo tempo:
- Professor Dumbledore, o Malfoy...
- O senhor viu, professor, ele atacou...
- Calados, os dois.
Dumbledore não precisava mais altear a voz agora que a multidão havia dispersado, mas o novo tom de voz produziu efeito ainda mais imediato. Harry e Ron emudeceram imediatamente.
- Agora, voltem para a Grifinória vocês também. - disse o diretor, suavizando o tom.
- Mas professor, o Malfoy... - ainda tentou Harry.
- Eu vou conversar com ele agora, Harry. Agora, por favor, vá, se não quer que eu me aborreça com você. Aliás, achei que você e Ronald deveriam ser mais sensatos e seguir o exemplo da srta. Granger, que parece ser a única que está mais preocupada com o estado da srta. Weasley do que em travar duelos tolos no campo de quadribol.
Isso pareceu produzir efeito em Harry e Ron, que imediatamente olharam para o lado do campo onde estava Ginny, com Hermione debruçada sobre ela e Madame Pomfrey tentando afastar a garota.
E também despertou Draco, que depois do alívio por Ginny não ter morrido e do choque por ser apontado como culpado pelo que havia acontecido a ela, tinha se esquecido de que a namorada ainda não havia se recuperado por completo. Ele também olhou para onde ela estava, fazendo menção de se levantar, mas foi parado por Dumbledore, que se dirigiu a ele em uma voz baixa, parecendo que era para ser ouvida apenas por Draco.
- Por favor, Draco. Espere um pouco.
Draco? Onde fora parar o Sr. Malfoy que o diretor normalmente usava quando falava com ele? E era somente impressão, ou o tom de Dumbledore sugeria que ele não culpava Draco pelo acontecido com Ginevra?
Mas o garoto tratou de descartar essa esperança com a mesma rapidez com que veio. Afinal, o nome dele era Draco Malfoy, não Harry Potter. É claro que ele não contaria com tanta indulgência por parte de Dumbledore.
Quando Harry e Ron estavam definitivamente longe, e Blaise e Pansy já eram vistos na entrada do castelo, Dumbledore dirigiu-se novamente a Draco, parecendo genuinamente preocupado:
- Você está bem, Draco? Está machucado?
- Não, estou bem, – respondeu o garoto, um pouco impaciente – mas quero saber...
- Não se preocupe, tenho certeza de que a srta. Weasley vai ficar perfeitamente bem. Uma tragédia poderia ter acontecido aqui, mas felizmente foi evitada, não é?
Dumbledore tinha um leve sorriso ao dizer isso, o que confundiu Draco. A última frase do diretor poderia ser uma indicação de que ele também culpava o garoto, como todos os outros pareciam fazer, mas, sendo assim, o sorriso não combinava com a situação.
Mas antes que Draco pudesse pensar em alguma resposta adequada, o diretor tornou a falar:
- Se não está machucado, Draco, será que você pode me acompanhar até o meu escritório? Acredito que precisamos conversar sobre o que acabou de acontecer aqui.
Conversar. É claro.
- Olha, diretor, eu não sei o que o senhor pensa que viu, mas eu não estava...
- É exatamente esse o problema, Draco. O que eu penso que vi. Algo que parece impossível... Mas não estou conseguindo chegar a outra conclusão.
Draco ficou novamente confuso. Algo não estava combinando mais uma vez.
- Então, será que você se importaria em continuarmos essa conversa no meu escritório? Teremos mais liberdade lá. Longe dos olhos e dos ouvidos dos curiosos. O que você acha?
Draco sabia que não tinha muita escolha, mas ainda assim não conseguiu deixar de se sentir um pouco mais confortável com o tom de Dumbledore, fazendo parecer um convite que ele poderia aceitar ou não. Acabou se levantando e seguindo o diretor. Enquanto caminhavam em silêncio, ele pensava no que achava que Dumbledore diria, e no que responderia então. Não conseguiu formular nada concreto.
Chegaram depois do que pareceram dois segundos, provavelmente devido ao nervosismo de Draco (embora quando Dumbledore disse a senha – "Acidinhas" –, o garoto, a despeito disso, não tenha conseguido deixar de rolar os olhos com um discreto desdém). E então os dois entraram.
Pela primeira vez, Draco se lembrou de que nunca havia estado no escritório do diretor antes. Não conseguiu deixar de se fascinar pela aura de tranquilidade e sabedoria que o lugar exalava. Havia alguns objetos prateados zunindo levemente em cima de uma mesinha. Vários retratos de antigos diretores da escola descansavam nas paredes, alguns dormindo, outros acordados e bastante atentos.
Numa moldura de vidro em outra parede, havia uma espada grande e imponente, de prata brilhante e com o punho cravejado de rubis. A espada de Gryffindor, pensou o garoto. Ele tinha que admitir que era bem impressionante. E, numa gaiola que flutuava no ar em um canto superior do escritório, estava a fênix de Dumbledore, da qual alguns alunos tinham ouvido falar, e poucos tinham realmente visto. Mais uma vez, Draco não conseguiu deixar de se impressionar. As penas da fênix tinham uma coloração que ele jamais tinha visto antes, e que alternava gradualmente, de vermelho para dourado, depois para...
- Fico realmente satisfeito que tenha demonstrado tamanho interesse por Fawkes, Draco. Mas, se não se importar, eu realmente gostaria de conversar com você agora. Depois que acabarmos, posso lhe contar algumas histórias tão impressionantes quanto verdadeiras a respeito dela.
Draco registrou mentalmente o "depois que acabarmos". Isso significaria que não seria expulso? Não querendo tirar conclusões precipitadas, sentou-se de frente para o diretor e esperou que ele fizesse a primeira pergunta.
- O que aconteceu? - perguntou o diretor.
O garoto não conseguiu decifrar o tom de Dumbledore ao fazer a pergunta. E agora, o que responderia? A verdade? O diretor jamais acreditaria. Ninguém iria. Talvez nem mesmo...
Ele provavelmente não conseguiu disfarçar o leve tremor que sentiu quando pensou que Ginevra talvez não acreditasse nele, porque Dumbledore acrescentou:
- Não precisa se preocupar. Eu não vou tirar nenhuma conclusão antes que você me diga.
Mesmo tendo tido seu tremor mal interpretado, Draco não conseguiu deixar de se animar com as palavras de Dumbledore. E, de repente, achou inútil que estivesse gastando tanto tempo pensando em comos e porquês. Era óbvio que, se dissesse ao diretor qualquer mentira, por menor que fosse, seria descoberto. Ele viu-se ansioso para saber o que aconteceria então quando dissesse a verdade. Resolveu arriscar.
- Sinceramente? Não sei o que aconteceu, diretor. Só sei que eu vi tudo acontecer, como se o mundo todo, menos eu, tivesse sido atingido por um Feitiço de Lentidão. Vi que aquele raio ia cair, vi que ia cair perto de onde a Ginevra estava, tão perto que ia acabar derrubando ela, vi...
Ele parou de repente. Na ânsia de explicar tudo a Dumbledore, tinha usado o primeiro nome da namorada na frente do diretor. O que ele concluiria a respeito disso?
Mas, se o diretor percebeu a aparente intimidade, não demonstrou. Pareceu interessado unicamente nos fatos que o garoto estava narrando.
- Você viu que o raio ia cair... Isso explicaria o início da confusão toda... Mas então, já que estava com a sua varinha, por que não desviou a srta. Weasley da rota do raio com um feitiço? Teria sido mais fácil, você não acha?
Draco sentiu o rosto esquentar. Por todas as forças das trevas, como não tinha pensado nisso? Para quê tinha ido esbarrar em Ginevra como um trouxa estúpido, se um simples feitiço Depulso teria resolvido a questão?
- Eu... Eu não pensei... - gaguejou o garoto.
Mas Dumbledore sorriu para ele de forma indulgente:
- Eu compreendo. Às vezes o desespero nos torna ridiculamente irracionais, não importa o tamanho da nossa capacidade intelectual.
A isso, Draco definitivamente não teve resposta.
- O que eu ainda não entendo – continuou o diretor – é como exatamente você viu o que viu.
- Eu também não sei como, mas sei o que eu vi. Foi a conta de eu tirar ela do caminho, porque dois segundos depois o raio caiu exatamente onde eu vi que ia cair. Só que eu acabei empurrando com força demais, e ela se desequilibrou e ia cair, então eu voei e joguei ela de volta na vassoura, queria ter feito isso com mais jeito, mas não deu, quer dizer, eu não tinha tempo pra isso, não é, e então o Potter me lançou um feitiço, eu não consegui entender, quer dizer, eu sei que ele me odeia e é recíproco, mas naquele caso eu...
- Draco, você está se esquecendo de respirar.
Dumbledore o tinha interrompido, e o tom dele era... divertido? Draco não estava entendendo mais nada, mas de fato tinha esquecido de respirar, e estava corrigindo esse equívoco nesse exato momento, o que deu ao diretor tempo de continuar falando:
- Draco, eu vi que você não estava atacando a srta. Weasley. Devo ter sido o único que vi isso com tamanha clareza, porque eu não tenho as ideias preconcebidas que a maioria das pessoas tem. O que eu não entendi era o quê exatamente você estava fazendo. Agora você me explicou, e eu não tenho motivos para acreditar que esteja mentindo. Só não consigo compreender exatamente como você viu... Bem, vamos refletir sobre isso depois, não é? Agora, temos que nos alegrar que uma tragédia foi evitada naquele campo de quadribol hoje. – ele concluiu, sorrindo, e Draco viu que o diretor estava descartando o assunto de propósito, o que o deixou bastante curioso. Qual seria a teoria de Dumbledore?
- Só existe uma coisa que eu ainda não compreendi. – emendou o diretor antes que Draco pudesse verbalizar essa pergunta. – O que houve depois que você devolveu a srta. Weasley à vassoura? Ela pareceu se desequilibrar de novo, e ia cair, mas...
Draco também se lembrou do incidente, da sensação que teve que o perigo ainda não havia acabado mesmo quando ele havia conseguido se salvar milagrosamente da queda provocada pelo feitiço de Potter...
O que trouxe outro questionamento à mente do garoto. Dumbledore certamente teria percebido que Draco havia evitado a própria morte em circunstâncias igualmente impossíveis àquelas em que havia salvado Ginevra. Por que não dissera nada a respeito? Aparentemente, o único interesse do diretor era saber por quê Draco havia dado um esbarrão em Ginevra, embora tivesse a convicção de que o garoto não havia atentado contra a vida da caçula Weasley.
O sonserino tinha certeza de que esse era mais um assunto que o diretor estava evitando de propósito. Qual seria o motivo?
Ele conseguiu voltar sua atenção à conversa, embora não antes de Dumbledore notar seu breve devaneio. Notou que o diretor o observava com curiosidade. Resolveu ser honesto mais uma vez.
- Eu sinceramente não sei o que aconteceu. Nessa hora, estava preocupado em não cair eu mesmo da vassoura, então não vi ela se desequilibrar. Quando olhei, ela já estava caindo. E aí...
Ele percebeu o interesse do diretor na frase que completaria a última sentença.
- … ela simplesmente não caiu. Parece que foi desviada pelo vento, deslizou pelas lonas e só então bateu no chão. E foi só.
Dumbledore não respondeu imediatamente. Ficou olhando para o garoto, com uma expressão astuta no olhar...
- Sim. Foi isso mesmo. Apenas imaginei que talvez a mesma sorte que o fez ter uma visão privilegiada de um fenômeno da natureza prestes a acontecer pudesse tê-lo acometido novamente. Mas, nesse caso, você sabe tanto quanto eu.
Então, Draco não se conteve e fez a pergunta que o estava incomodando desde que Dumbledore pusera os olhos nele, no momento parecendo mais importante até mesmo do que as teorias que o diretor tinha sobre os reflexos anormais de Draco, e estava claramente escondendo dele:
- Por que o senhor acredita em mim, diretor? Tenho certeza de que ninguém mais iria. Potter, Weasley, todos aqueles grifinórios parecem estar convictos de que eu ataquei Ginevra Weasley. Por que o senhor não pensa como eles?
- Preferia que eu pensasse?
- Não é questão de preferir ou não. Seria o óbvio, não é?
- Bem, então, espero que você fique contente em saber que eu raramente sigo o óbvio, Draco. - disse Dumbledore, seu sorriso maior agora. - Agora, se não quiser me perguntar mais nada, pode voltar para o seu Salão Comunal.
Draco abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Dumbledore antecipou-se a ele:
- E não precisa se preocupar com a srta. Weasley. Ela vai ficar bem. Madame Pomfrey é extremamente eficiente, e já está cuidando dela enquanto nós estamos aqui conversando. De qualquer forma, seu amigo Blaise Zabini também foi para a Ala Hospitalar, e duvido que eu esteja errado em concluir que ele terá todas as notícias de que você precisa.
Draco, pela primeira vez, experimentou a sensação, já tão familiar a Harry Potter, de que Dumbledore sabia mais do que era aceitável a uma pessoa normal. Ele não confiou em si mesmo para dizer alguma outra coisa a não ser um anormalmente tímido "Certo. Com licença, diretor" e já ia saindo, quando foi chamado de volta:
- Já ia me esquecendo! – disse Dumbledore, parecendo achar um absurdo o que quer que tivesse esquecido: – Por sua bravura e eficiência em salvar a vida da srta. Weasley, Sonserina ganha 50 pontos.
Dessa vez Draco teve certeza de que não produziria nenhum som coerente se tentasse falar. Ficou olhando meio abobado para a expressão divertida de Dumbledore e saiu antes que o diretor começasse a questionar sua sanidade mental.
Quando chegou ao Salão Comunal da Sonserina, encontrou o que parecia ser todos os alunos da casa esperando por ele, querendo saber se havia sido expulso, o que havia acontecido, alguns ainda o congratulando pelo "ataque" à traidora do sangue Weasley. Sua paciência para multidões se aglomerando e falando bobagens ao seu redor não estava maior do que de costume, mas o estado semi-letárgico em que se encontrava desde a conversa com Dumbledore evitou que ele começasse a gritar com todo mundo feito um psicopata ensandecido. Só fazia repetir, num tom de voz inexpressivo:
- Não, eu não fui expulso... Sim, Dumbledore acreditou que eu não fiz nada... É, também fiquei chocado que ele acreditasse em mim... Genial, você acha, é?...
Até que chegou ao seu dormitório e fechou a porta na cara dos últimos curiosos, deixando-os falando sozinhos. Blaise estava lá, como ele já esperava, mas não estava sozinho. Pansy estava lá também.
- O que você está fazendo aqui? – ele nem sabia se tinha ou não sido grosseiro ao dirigir-se à garota.
Aparentemente, Pansy não se importou com o tom de voz dele. Sorriu ao responder:
- Apenas vim acompanhar o Blaise. Mas que bom que você chegou antes que eu descesse, assim posso saber como foi a sua conversa com Dumbledore.
Draco estava pronto para dar à garota uma resposta malcriada, mas estacou de repente. Pensando bem, quando fora mesmo a última vez que ele se aborrecera com Pansy? Quando mais novos, eles estavam sempre discutindo por algum motivo. Ele se lembrava de, conversando com Blaise, referir-se a ela como arrogante, dona da verdade, teimosa. Agora, por mais que detestasse admitir, ele suspeitava que as desavenças acontecessem por terem temperamentos muito parecidos.
De qualquer forma, essa virou uma das muitas coisas que deixaram de ter importância na vida dele depois de Ginevra. O que o fez perceber que não havia motivo para ele se incomodar com a presença de Pansy em seu quarto. Assim, ele começou a descrever para ela e Blaise os instantes passados no escritório do diretor. Decidiu apenas editar a parte em que salvara a vida de Ginny, descrevendo-a como um impulso que tivera em um momento de alta tensão, no qual pesava também o fato da garota ser a melhor amiga de uma amiga de Blaise. Afinal, não confiava em Pansy o suficiente para contar a ela sobre seu namoro.
- Foi realmente muito estranho. – ele disse, quando acabou o relato. – Eu estou com a sensação de que o mundo todo virou de cabeça pra baixo.
Os dois pareceram refletir, absorvendo a ideia de que, em vez de ser expulso como eles temiam, Draco tinha acabado de ganhar 50 pontos para Sonserina. Quem falou primeiro foi Pansy:
- Bom... Você realmente achou tão estranho assim? Quer dizer, estamos falando do Dumbledore, não é? Eu realmente já desisti de me surpreender com o fato do homem parecer saber tudo.
- Sabe o que eu achei realmente estranho? – disse Blaise – Ele ter aceitado a história toda assim tão rápido! Pra te ser sincero, Draco, nem eu aceitei ainda!
Draco virou-se bruscamente para ele:
- O que você quer dizer com isso? Acha que eu ataquei ela também?
Mas antes que Blaise pudesse responder, Pansy interveio:
- Ai Draco, não seja ridículo. Não foi isso que ele quis dizer. O que deve estar deixando ele intrigado, e a mim também, é como Dumbledore acreditou em você sem hesitar em vez de achar a sua história completamente absurda, visto que é humanamente impossível uma pessoa ver um raio se formar antes de cair!
- É, a Pansy está certa, Draco. Não é possível que ele não percebeu o absurdo da situação. Aliás, não é possível que você não percebeu! Não achou nem um pouco estranho ver o raio assim, do nada?
- Claro que achei, Blaise, e eu sei muito bem que é impossível, mas você acha que na hora eu ia ter tempo pra me preocupar com isso? Ficaria pensando "Oh, estou vendo um raio, como é possível?" e deixar a Gin… a Weasley morrer? - perguntou Draco, irritado.
- Ok, não na hora, mas e depois? Potter te lança um feitiço que deveria fazer você cair da vassoura e se arrebentar no chão, e você consegue se parar no ar? Draco, eu não estou dizendo que não estou feliz de você estar bem e vivo, mas você percebe que isso não devia ter acontecido?
- E daí que não devia? – explodiu Draco, sentando-se abruptamente na cama – O que importa é que aconteceu, não foi? A Weasley está viva por causa disso, eu estou vivo por causa disso, então, seja lá que força estranha e sobrenatural tenha me acometido, até agora só ajudou, não? Então por que eu devo me preocupar com isso?
- Eu não acho que você tenha que se preocupar com isso. – disse Pansy, calmamente – Mas achei que você teria, pelo menos, curiosidade. Porque, seja lá o que for, não é normal, Draco. Mesmo para um bruxo, há limites para o que é teoricamente possível e o que não é. Você não está nem um pouco curioso?
- Estou, Pansy. É claro que estou! Estou curioso pra saber como vi a droga do raio, como consegui parar no ar antes de cair no chão e morrer! Estou curioso pra saber como, no ano passado, eu só tive uma perna e um braço quebrados naquele jogo de quadribol, quando aquela queda poderia ter me matado! Estou curioso – e virou-se para Blaise, quase gritando – pra saber como aquele corte imenso que eu fiz no meu braço pra chamar os Testrálios em junho desapareceu de repente, como se nunca tivesse sido feito!
Ele parou para respirar. Estava extremamente exaltado. Blaise ficou assustado com as revelações. Então aquilo acontecia desde o ano passado? Por que Draco não contara a ele?
Pansy percebeu que havia mais na história do que haviam contado a ela, mas decidiu não perguntar mais nada por enquanto. Não com Draco tão nervoso. Talvez Blaise esclarecesse tudo depois.
- Mas não consegui chegar a uma resposta. – acrescentou Draco, agora mais calmo e tornando a se deitar na cama. – E não vou ficar quebrando a cabeça com isso, não enquanto estiver me beneficiando.
Houve um momento de silêncio em que todos pareciam fazer suas próprias reflexões. E então Blaise, enquanto brincava com um peso de papel que estava em cima da escrivaninha, resolveu falar:
- No final... Quando a Ginny estava caindo... E você achou que não poderia fazer mais nada... Bem, ela acabou deslizando nas lonas, não é?
Draco permaneceu inexpressivo quando respondeu:
- É. E daí?
- Bem... – nenhum dos dois se lembrava de já ter visto Blaise tão hesitante – Como você acha que aconteceu isso?
- Eu te disse. O vento. Por que você está perguntando isso?
- Você não acha... Que pode ter tido alguma coisa a ver com isso?
Draco ergueu uma sobrancelha para ele:
- Fico lisonjeado que você me tenha em tão alta conta, Blaise, mas eu ainda não consigo controlar o vento.
- Você disse que a única coisa que conseguiu fazer foi erguer a mão, mas aí a Ginny foi desviada, não foi? E se foi você que a desviou?
Draco olhou o amigo como se ele tivesse enlouquecido.
- Não, Draco, presta atenção! Você já tinha feito duas coisas impossíveis! Quem garante que não fez uma terceira? Quem garante que não foi a sua mão que desviou a Ginny? Tudo bem que o vento estava forte, mas não tanto a ponto de mexer com a gravidade desse jeito! Estou dizendo pra você, ela devia ter morrido ali!
- Pra falar a verdade – interrompeu Pansy, pensativa – já é bastante estranho que ela tenha se desequilibrado da vassoura de novo, mesmo quando você já tinha colocado ela de volta, Draco. É como o Blaise disse, o vento estava forte, mas não era pra tanto. E a garota não é estúpida, voa muito bem.
Os dois se viraram pra ela.
- O que você está querendo dizer com isso, Pansy?
A garota respondeu prontamente, como se já estivesse querendo falar nisso há muito tempo:
- E se ela foi desviada de propósito?
Dessa vez, nem Draco nem Blaise conseguiram verbalizar seu espanto. Draco se ergueu na cama num pulo, enquanto Blaise deixou cair o peso de papel que estava segurando.
- É isso mesmo. – continuou a garota – E se foi mais um atentado? Já tivemos um em Hogsmeade, não tivemos? E já faz algumas semanas... Estava demorando para o Lord das Trevas atacar novamente.
- Mas... Não estamos falando mais de um povoado perto daqui... Seria um atentado dentro de Hogwarts!
- E daí? Você ainda tem a ilusão de que Hogwarts é o lugar mais seguro do mundo, Blaise?
- Mesmo que não seja, – interveio Draco, ainda espantado – tem o Dumbledore, não foi você quem disse que o homem sabe tudo? Será que ele nem desconfiaria se um Comensal da Morte estivesse infiltrado dentro da escola?
Mas Blaise parecia considerar a ideia:
- E se não for um Comensal infiltrado? E se for um aluno?
- Exatamente. - concordou Pansy.
Mais silêncio, enquanto todos consideravam as novas – e assustadoras – hipóteses. Um estudante, um estudante de Hogwarts trabalhando para Voldemort! Seria possível? E Draco com "superpoderes" salvando o mundo? Esse não deveria ser o papel de Harry Potter? Estaria o mundo de fato virando de cabeça para baixo?
- Qual vocês acham que é a teoria do Dumbledore? Afinal, cada vez que o assunto chegava perto das minhas habilidades, ele se desviava. Tenho certeza que ele tem alguma ideia, e não quis me dizer.
- E será que ele pensou na hipótese de ter sido mais um atentado? – perguntou Blaise – Ou pensa que foi só uma coincidência a Ginny ter caído de novo da vassoura?
- Ele sabe mais do que disse, mas talvez menos do que a gente desejaria. – disse Pansy – Tem um estudante seguindo ordens do Lord das Trevas aqui, venho pensando nisso desde Hogsmeade. Aquilo não era obra de um Comensal profissional, ou aqueles dois estariam mortos.
- O problema é descobrir quem. E nem ao menos podemos contar com Potter pra prestar pra alguma coisa, já que ele acha que sou eu. Bom, depois de hoje, provavelmente ele tem certeza. – disse Draco, parecendo ao mesmo tempo irritado e cansado.
- É... Acho que pela primeira vez vamos sentir mais ou menos o que Potter, Weasley e Hermione sentiram naquele episódio da Câmera Secreta, quando tudo fazia parecer que o herdeiro de Slytherin era o próprio Potter. – disse Blaise – Claro que nós, sonserinos, jamais acreditamos nisso, mas o resto da escola foi totalmente convencido por aquele lance com a cobra e o menino da Lufa-lufa.
Draco ficou pensando, enquanto voltava a se deitar na cama e Pansy, convencida de que aquela conversa já tinha rendido o suficiente, arranjava algo melhor para fazer. Detestava sentir algum tipo de solidariedade em relação a Potter, mas realmente, o que fazer quando tudo parece indicar que você é o culpado, e só você e seus amigos sabem que não, mas não têm como provar? E que ironia cruel logo ele levar a culpa na época, não? Harry Potter, O-Todo-Perfeito-Menino-Que-Sobreviveu-Mais-Vezes-Do-Que-Deveria, e que jamais levantaria a mão contra os nascidos trouxas... Assim como ele, Draco, jamais faria algo contra Ginevra... Mas alguém fez... Alguém estava seguindo ordens de Voldemort e atacara Ginevra...
- Você... Você a viu, Blaise? Ela está bem? – Draco fez a pergunta que estava querendo fazer desde que saíra do escritório de Dumbledore, e que adiara até Pansy sair do quarto.
- Ela está bem, Draco, não precisa se preocupar. Estava desacordada enquanto eu estive lá, mas claramente não tinha nada de grave. Foi só uma pancada na cabeça, Madame Pomfrey teve que enfaixar, porque estava sangrando muito na hora e não parecia que ia parar imediatamente, mas...
- Ah, dá pra ver pelo seu relato que ela estava ótima! – cortou Draco, irritado.
- Calma, deixa eu terminar! Depois Madame Pomfrey conseguiu estancar o sangramento e…
Mas Draco não estava mais prestando atenção em qualquer coisa que Blaise pudesse dizer. Na sua cabeça, apenas uma coisa parecia piscar num grande alerta vermelho de perigo: alguém atacara Ginevra. Ela podia ter morrido, se por algum motivo desconhecido ele não tivesse sido munido de forças sobre-humanas para salvá-la três vezes.
Sim, porque agora ele tinha quase certeza... Sentira isso na hora, mas parecia tão "mais impossível" do que os outros absurdos que estavam acontecendo que ele não quis cogitar, mas agora que Blaise tinha mencionado... Ele acreditava que tinha, de fato, desviado Ginevra quando erguera a mão. Podia sentir isso. E se houvesse uma próxima vez, e ele não estivesse lá? Ela morreria, e não haveria nada que ele pudesse fazer! A simples ideia era além do que ele podia suportar.
Por algum motivo, Draco estava com habilidades acima do normal. Isso significava que ele poderia protegê-la de alguma forma, caso acontecesse de novo? Mas como ele poderia ter certeza se...
E, de repente, algumas memórias se juntaram na cabeça de Draco e a ideia surgiu. Um feitiço antigo... Flitwick havia mencionado em uma aula há algum tempo... Numa previsível reação adolescente, todos os meninos tinham achado uma babaquice ultrapassada... Já as meninas tinham achado "tão fofo!"...
Ele se levantou tão rápido que assustou Blaise.
- Draco! Aonde você vai? Não prestou atenção em nada do que eu falei? - disse Blaise.
- Não. O que você falou?
Blaise rolou os olhos.
- Eu disse que acharia melhor você não tentar ver a Ginny hoje, nem mesmo mais tarde. Todos continuam achando que foi você, e não vão deixá-la sozinha na Ala Hospitalar nem por um minuto, com medo de que o "projeto de Comensal assassino" ataque novamente.
Draco estreitou os olhos com raiva:
- Eles não poderiam estar mais certos em agir assim, se ao menos não achassem que o projeto de Comensal sou eu. Fico até feliz que não a deixem desprotegida. De qualquer forma, eu não sou burro. É claro que eu não estava indo pra lá. Estou indo pra biblioteca.
- Biblioteca? – perguntou o amigo, desconfiado – Você está com alguma ideia nova?
- Não, não, é outra coisa. – disse Draco, apressado, já saindo do dormitório. – Mas se você e Pansy pensarem em alguma coisa, me falem! – ele disse essa última frase gritando, porque já estava descendo as escadas.
Primeiramente, Draco foi procurar Flitwick. Disse que estava interessado em alguns feitiços antigos que o professor mencionara certa vez, o que deixou o homenzinho encantado, uma vez que seus alunos não costumavam se interessar por esse tipo de feitiço. Tagarelou sem parar, falando sobre um monte de livros que Draco poderia encontrar na biblioteca da escola, embora o que continha mais feitiços pertencesse à Sessão Reservada. Mas antes que Draco pudesse lamentar, o professor já estava escrevendo uma declaração permitindo que o garoto retirasse o tal livro.
Espantado com a própria sorte, Draco chegou à biblioteca e entregou a permissão a Madame Pince, que fitou-o com aquele olhar desconfiado que reservava a alunos que procuravam livros na Sessão Reservada. Examinou o papelzinho sob todos os ângulos possíveis e testando uma série de contrafeitiços completamente desnecessários e inúteis, no entender de Draco, até concluir (não sem certa decepção) que era autêntico. Seguindo a bibliotecária para ver de onde exatamente retiraria o livro, qual não foi a surpresa do garoto ao encontrar lá... Dumbledore!
- Ah, boa tarde, Draco! – cumprimentou-o o diretor, sorridente – Que feliz coincidência nos encontrarmos novamente!
Coincidência. Claro. Ele só acenou com a cabeça para o diretor, mais uma vez não confiando no que poderia dizer.
- Já deu as boas novas a seus amigos? Aposto que eles estavam ansiosos em ter notícias suas.
- Aham.
- Bem, você deve ter vindo aqui estudar e eu não vou atrapalhá-lo. – disse Dumbledore, enquanto retirava um livro. – Uma boa tarde pra você! - repetiu ele.
Draco murmurou um quase inaudível "Boa tarde, diretor", enquanto sentia seu cérebro inchar de curiosidade. Que livro Dumbledore teria retirado? Mas sabia que não tinha a menor chance de descobrir, porque Madame Pince acabara de retirar o dele e já o tocava para fora da Sessão Reservada.
Fazendo um grande esforço para tirar Dumbledore e seu livro misterioso da cabeça, pegou uma mesa bem no fundo da biblioteca, onde dificilmente seria incomodado, e começou a folhear o Valiosidades de Tempos Insondáveis – "Que nome idiota", pensou –, ansioso.
De fato, embora alguns feitiços parecessem mais lendas do que realidade, e suas técnicas de preparo fossem ridiculamente antiquadas, aquilo era valioso, e havia uma razão para estar na Sessão Reservada. Havia mágicas ali que jamais seriam aprendidas na escola, e embora não parecesse haver nenhuma indicação de magia negra, Draco tinha certeza de que muitos daqueles feitiços poderiam causar estragos inimagináveis se utilizados por bruxos despreparados ou mal intencionados.
Depois de alguns minutos, ele encontrou... Sim! Era exatamente o que estava procurando! E, apesar de ser um desses feitiços de preparo antiquado que ele acabara de criticar, nem parecia ser tão complexo assim, a não ser... Draco estagnou em uma linha, lendo-a repetidas vezes até que se transformasse em um borrão disforme, devido à falta de lubrificação nos olhos. É claro. Flitwick havia mencionado aquilo também, como podia ter se esquecido?
Mas nem teve tempo de achar que seus planos fracassariam. Porque de repente, tudo pareceu tornar-se excessivamente claro aos olhos de Draco, como se alguém tivesse aberto a cortina do mundo. A resposta para tantos temores, tantas dúvidas que haviam assolado o garoto nos últimos tempos... A resposta para o pavor que estava sentindo agora e que o compelira a procurar aquele feitiço... Era aquilo. Ele quase riu. Seria possível? Parecia surreal, ao mesmo tempo em que Draco tinha certeza de que não passava da mais pura e simples (?) verdade.
Ele tinha certeza que daria certo.
Enquanto isso, já esquecido por Draco (que tinha ocupado a mente com algo mais importante no momento), Dumbledore folheava em seu escritório o recém-retirado da biblioteca Magias antigas de proteção, enquanto pensava em suas teorias. Passou por vários feitiços complexos e poderosíssimos, e também pelas mais simples magias, que nem mesmo precisavam de palavras e varinhas mágicas, mas que se revelavam muitas vezes mais eficientes do que quaisquer outras. Como o autossacrifício para salvar alguém, que conferia uma proteção quase intransponível na pessoa. Harry sabia disso melhor do que ninguém.
Mas não era isso que ele estava procurando, Dumbledore tinha certeza. Nem mesmo sabia se realmente se tratava de um feitiço de proteção, quanto mais se era antigo ou não... Estava simplesmente confiando na própria intuição, que normalmente o servia muito bem.
Ele havia detectado os sinais em Draco Malfoy. Tudo indicava que havia uma magia poderosíssima agindo no garoto, que até então só tinha proporcionado o bem. E Dumbledore nunca havia conhecido nada mais poderoso do que a proteção que o amor poderia conferir a uma pessoa. Tinha acontecido com Harry. Por que não poderia também ser o caso de Draco?
É claro que ele também havia detectado as diferenças. No caso de Harry, por exemplo, era algo que estava entranhado no garoto, algo que se manifestara automaticamente desde o momento em que a mãe morrera para salvá-lo. Com Draco era diferente. Os sinais estavam se revelando somente agora. Seria algum feitiço realizado recentemente? Ou teria a ver com a idade? Dumbledore não sabia, sentia que havia muitas pontas soltas... Mas haveria de descobrir do que se tratava.
Parou de repente em uma página. Ora... Por que não? Bem mais valoroso e faria muito mais sentido do que um critério etário... Ele passou a ler aquele com total atenção, e sentiu os nervos vibrarem de expectativa. Por algum motivo, sentia que estava perto da verdade.
N/A: Bem, gente, talvez tenha ficado um pouco confuso o último raciocínio do Draco... Por que ele inicialmente achou que uma linha do livro mencionada por Flitwick e que ele esquecera seria um problema na hora de fazer um feitiço? E por que, de repente, não era mais e ele passou a ter certeza que daria certo? E por que essa linha se transformava em resposta às dúvidas e temores dele? Tá tudo muito confuso, o que uma coisa tem a ver com a outra? Essa última foi a pergunta que mais latejou na minha cabela quando reli o capítulo e fingi que era uma leitora como vocês, que ainda não sabia de nada. Mas relaxem, vocês vão entender depois. Espero eu. Agora, as respostas:
KmileM: Como deu pra perceber, você acertou... tem algo de diferente com o Draco sim! Em breve descobriremos do que se trata! :)) E olha, dessa vez nem terminei com final de moer, né? Não fui má. Não se acostume! Hahahahha! Beijos!
Cassiopee Naos: Coisa linda ter você e seus comentários maravilhosos de volta! 3 Que bom que você gostou do capítulo 12, parece que ele agradou geral mesmo! De fato, todo mundo merece um amigo que nem o Blaise, né? E muito, muito obrigada mesmo pelos elogios que você fez pela forma como eu escrevo a fanfic. Fico triste de não ter muitos comentários, mas reviews como a sua e da Kmile sempre conseguem me alegrar e dar força pra continuar. Fico muito feliz que está gostando! :))
Beijos e até o próximo capítulo,
Bella
