14. Reencontro
- O que eu faço, Castiel? Estou morrendo! - implorou Samantha, aos prantos.
Castiel apenas encostou seus dedos na testa de Samantha, e tudo pareceu sumir.
O coração de Samantha voltou a bater, e ela acordou no mesmo instante. A garota olhou para o lado, e viu que Castiel ainda estava ali.
- Obrigada - murmurou Samantha.
Castiel sorriu em resposta, e sumiu.
Foi Sam quem reparou que a garota havia acordado, enquanto Louise ainda chorava desconsoladamente.
— Sammy — ele disse, segurando a sua mão.
— Ah, Sammy! — ecoou Louise — Você acordou, eu não acredito!
— Ainda não era minha hora — respondeu com a voz fraquinha, refazendo as palavras do anjo.
— Vou chamar o médico — exclamou Sam, erguendo-se.
A garota, entretanto, segurou-lhe pelo punho.
— E Dean? — indagou.
O rosto de Louise imediatamente se contorceu em uma máscara de dor, não menos que de Sam, mas ele sabia disfarçar melhor.
— Dean está morto — ele disse, cobrando se si uma força já ausente.
— Morto? — indignou-se.
— Lembra que ele tinha um prazo para morrer e ir para o inferno? Esse prazo venceu.
Samantha abaixou os olhos e meneou de leve a cabeça, em busca de uma solução.
— E se não for a hora dele? — ela disse finalmente — Ele não pode voltar?
— Está acabado, Sammy. Nunca mais veremos o rosto de Dean, ou ouviremos a sua voz, ou riremos com suas piadas.
As lágrimas de Sam irromperam, e ele deitou a cabeça sobre a cama de Sammy, enterrando nos braços, o rosto arrasado. Ela afagou-lhe os cabelos e beijou-os em seguida, e então ele chorou como uma criança, sentindo que poderia desabafar toda a sua dor, uma vez que os braços de Samantha o protegiam. Louise, entretanto, perdera a sua proteção, e estava totalmente suscetível. Vendo que a irmã já estava bem, ela saiu desabalada pelo quarto, sem mesmo justificar aonde iria.
— Louise! — Samantha chamou, com sua voz que melhorava consideravelmente rápido.
— Deixe-a — sugeriu Sam — ela precisa ficar sozinha.
— Eu sinto muito por Dean. Posso imaginar a dor que está sentindo, eu não consigo me imaginar sem a minha irmã.
— Parece que cavaram o meu peito e arrancaram o meu coração, Sammy.
Após alguns segundos de silêncio, ele beijou a mão da garota e olhou-a profundamente nos olhos, entregando-lhe o que sobrara de sua alma.
— Ainda bem que eu tenho você — ele disse com a voz falhada — que é quem vai me manter vivo daqui pra frente. Eu te amo.
— Eu também — ela respondeu — tenho certeza que voltei à vida por você.
Enquanto isso, Louise corria sem cessar, tencionando esgotar todas as suas forças e finalmente cair por terra, não acordar mais. E veio a cair apenas quando adentrou uma praça abandonada. Caiu em meio às folhagens altas, esgotada. Louise chorou aos gritos, como desejava fazer assim que recebera a notícia, mas não pudera. Ela, antes, jamais se apaixonara verdadeiramente, e quando o fizera, perdera-o. Lembrava que há apenas algumas horas, tinha Dean ao seu lado, podia sentir o calor de seu corpo. Agora ele estava frio, coberto por terra, e todos os seus sonhos haviam sido sepultados com ela. A garota chorou até carecer de forças e cair sobre a densa folhagem, respirando de modo totalmente descompassado e dificultado. Seus pensamentos começaram a se embaralhar, e ela sentiu vir a vertigem. Isso a aliviou, queria ficar inconsciente ao menos por alguns momentos, mas quando pensou ter encontrado um pouco de paz, uma voz a despertou, fazendo com que aquela sua agonia anterior parecesse ínfima.
— Louise — ele repetiu, com sua voz maliciosa e arrastada — que feliz reencontro!
Ela virou-se para ver o rosto que tanto assombrara os seus sonhos, e ele estava lá, perfeitamente igual.
— Reencontro? — indagou com um fio de voz, enquanto recuava, ainda ao chão.
— Não lembra de mim? — Alastair avançava em sua direção, ameaçador — É claro que não, eu não estava nesse corpo.
A garota não respondeu, mas parou de recuar.
— Mas com certeza se lembra do garotinho ruivo no dia do enterro de sua mãe. Eu estava apenas espreitando, Louise, e você é extremamente talentosa. Agora que não tem mais ninguém, pode vir comigo.
— Onde ele está? — ela se ergueu, fitando de perto os olhos azuis do demônio — Onde Dean está?
— No inferno — ele respondeu com simplicidade — e eu tenho sido uma boa companhia para ele, em outro corpo, é claro, porque…
— Não me interessam os seus corpos ou qualquer coisa que venha de você! Leve-me até o Dean.
— Não agora — um sorriso meio torto se formou em seus lábios — você ainda não está pronta, criança.
— Eu não vou ficar aqui sem ele!
— Como é bonito o amor juvenil! — desdenhou — Mas receio que tenha de esquecer essas besteiras e se concentrar no que é importante. Eu a ajudarei a treinar o seu poder, agora que está sozinha e virá a mim.
— EU NÃO ESTOU SOZINHA! TENHO A MINHA IRMÃ!
— Que, no momento, está com o demoniozinho, e sequer se comove com o seu sofrimento.
Um sorriso quase maníaco se formou nos lábios da garota.
— Você pode me tirar tudo, Alastair — ela disse com a voz trêmula — mas a minha alma, a minha essência, nem você, nem demônio algum poderá tirar.
Sentindo-se segura, ela contornou Alastair e rumou de volta para o hospital. Ele não a seguiu.
