O resgate.

POV.: Maya.

Quase dois meses de calmaria entre os Angels e nada disso pareceu tranqüilo aqui no QG, isso se deve à situação de Shinji...

Quem diria que algo assim poderia acontecer? Se bem que tudo o que fazemos aqui é extremamente teórico, para não dizer vago. Mexemos com

uma tecnologia experimental para defender a humanidade de seres gigantescos que nunca sabemos de antemão sua forma. Que lindo!

Sempai Ritsuko, pelas circunstancias do destino, foi liberada de seu cárcere. Isso pelo menos foi uma coisa boa para todos os envolvidos.

Contudo, sua aparência não está tão melhor assim, já que passamos várias noites em vigília dos dados que necessitávamos para a tentativa de

resgate.

- Isso é incrível, sempai. Nem acredito que em tão pouco tempo, conseguimos criar uma teoria de resgate para essa situação.

- Na verdade, Maya, a maior parte desses dados são de 15 anos atrás. Quando aconteceu a primeira absorção pelo Eva.

- 15 anos, mas isso era na época da...

- Sim, era minha mãe que estava à cargo de tudo.

- E qual foi o resultado?

- Você o viu naquele vídeo, há dois meses atrás – comentou com raiva. Nesse momento, analiso a mulher à minha frente sem o amor que sinto

por ela. Tamanha raiva, tamanha dor parecem estar presos junto a ela. Isso tudo é dor por ver sua mãe ser acusada injustamente da morte da

esposa do comandante ou pior, é a certeza que o vídeo dissera a verdade?

A Major Katsuragi esteve nesses dois meses em pé de guerra. Salvo poucos dias, especialmente nos dias que ela estava com os amigos de

Shinji, seu humor estava incompreensível. Até mesmo Hyuuga e Kaji tiveram problemas com isso. depois que o Subcomandante chamou-lhe

atenção, ela melhorou de uma irritação constante à um mutismo que rivalizaria com Rei.

Rei foi outra pessoa afetada pelo desaparecimento de Shinji. No começo, ela começou a decair nos testes de sincronização e, antes que a coisa

chegasse em níveis críticos, a Major tomou a decisão de abrigá-la em sua casa para que ela e Asuka fizessem companhia uma à outra. Tal

atitude deu resultado e inesperadamente, fez com que Rei começasse a se abrir para as outras pessoas. Lógico que ainda é calada e estóica

como sempre, mas não tanto como anteriormente.

- Maya – chamou-me Ritsuko – concentre-se e ligue para Misato. Vamos começar a operação de resgate em 10 minutos.

- Sim, sempai – atendi rapidamente. Enquanto falava com a Major, mandava uma mensagem de texto para as pilotos, como haviam me pedido,

dias atrás. Nossa relação de trabalho tinha avançado alguns pontos, até mesmo com Asuka, que parecia estar manejando melhor do que nunca

seu Evangelion. Manter os pilotos felizes era a melhor coisa que poderíamos fazer para nosso próprio bem.

Caminhamos em silêncio até a ponte de comando e quando chegamos lá todos estão em posição. Mesmo os Comandantes estão prontos e

Misato está andando de um lado para outro como uma leoa enjaulada.

- Misato. – cumprimentou minha chefe.

- Ritsuko. Maya. – devolveu-nos o aceno de cabeça secamente. Se alguém poderia dizer que a experiência materna lhe mudara, esse alguém se

chamava Misato Katsuragi.

- Atenção! Começando a operação de extração do piloto do EVA 01 em...05... 04... 03... 02... 01. Aoba? – inquiriu Ritsuko.

- Enviando sinais de interferência para o Eva. Primeiro sinal aceito sem problemas.

- Hyuuga?

- Nenhum sinal de contingência até agora – confirmou meu colega – ativando o escaneamento de segurança?

- Execute!

- Segundo sinal sendo enviado com sucesso. Sinais de rejeição mínimos.

- Confirme o próximo passo após o resultado do escaneamento. Hyuuga, já temos resultado?

- Sim, Doutora! Variação de 0,004 milijoules.

- Aoba, corrija o pulso. Não podemos nos dar ao luxo de ignorar nada.

- Pulso corrigido.

Esse trabalho, fruto de dois meses de trabalhos e teorias nossas prosseguia por mais de meia hora. Meia angustiante hora, até que: algo deu

errado.

- Aumento do rátio de sincronização – gritei.

- O Eva está se ativando sozinho? Onde estão Asuka e Rei? – exigiu a Major.

- Estão na tela. Não são elas!

- Então quem? Shinji? – perguntou Misato.

- Impossível! Não é ele. É o Eva! – respondeu-nos minha chefe.

- Como Assim? – gritou a Major.

- O Evangelion está se debatendo na baquelita. Vai escapar.

- O que está acontecendo, Ritsuko?

- Ele está entendendo os sinais como uma febre. Isso faz com que o Eva funcione como um corpo humano, combatendo a febre com anticorpos.

Mas se a febre é demais o corpo começa a se debater – concluiu a Doutora.

- Está me dizendo que o Eva é humano?

- De certo modo se comporta como um. Precisamos acalmá-lo ou eu temo que destrua o complexo.

Sem ouvir mais uma palavra, a Major saiu correndo em direção à baia de contenção do Eva. Vimos ela se encaminhando até uma passarela que

ficava a 35 metros de distância do ciborgue. Todas as passarelas que ficavam mais próximas já haviam sido destruídas pela força da convulsão

do gigante.

- Major Katsuragi. Saia daí! –gritou Hyuuga.

- Ele está descontrolado, Misato – comandou minha cientista favorita.

Ficando de frente para o Eva, ela gritou.

- Shinji! Você está aí dentro. Precisa controlá-lo! Não podemos continuar com o resgate se você não se acalmar! Controle-o Shinji!

- Ikari-kun! Você consegue! Vamos! - Gritou Rei que havia chegado até onde a Major estava!

- Vamos Shinji! Vai nos deixar aqui com o ovo na boca ou não? Preciso... precisamos de você aqui fora! – gritou Asuka.

Contra a lógica total, a coisa parecia ter funcionado, mas ainda assim o poderoso ciborgue estava muito agitado. Junto à Major e às pilotos, um

monte de técnicos de manutenção, que ajudavam ou passavam informações técnicas gritavam e ovacionavam o esforço das garotas. Até o chefe

Makoto, conhecido por sua falta de tato com os funcionários estava junto com seu megafone. O problema é que ninguém vira que,

anteriormente, um pedaço de baquelita enrijecida acertara o alto da estrutura. O teto daquela baia estava perigosamente instável.

- Major Katsuragi, a plataforma está comprometida. Evacuem-na imediatamente! – avisei por telefone. Ela assentiu e começou a evacuar o

pessoal. Apenas uma pessoa ficou para trás.

- Ayanami... o quê está fazendo? – perguntei aterrada pelo microfone, enquanto via uma viga se soltar e cair em direção dela.

- Um salto de fé – respondeu a garota. E como se ela estivesse completamente certa, o Eva liberou-se do restante da baquelita e saltou em

direção da plataforma, rompendo assim, o cryostase. Com o braço esticado, o Evangelion Unidade 01 apanhou o pedaço do teto para que este

não ferisse ninguém. Imediatamente, o ciborgue ficou ao em frente da plataforma, que esta estava à altura de seu peito e núcleo S2 exposto.

- Shinji! – gritou a Major –eu sabia que você conseguiria!

Foi nesse momento que tudo começou a dar errado, ou melhor, terrivelmente errado na ponte de comando. Enquanto todos nós suspirávamos

aliviados, vendo como o Eva voltava a se acalmar, um alarme soou na central.

- Aoba, o que está acontecendo – gritou a doutora.

- Rejeição de sinal. Ao que parece, nosso sinal está entrando em espiral.

- O quê isso significa? – perguntei, temendo o pior.

- Falhamos! – falou minha chefe. Para surpresa de todos, o plug foi ejetado e um jorro de LCL foi emitido na baia. Misato olhou para nós, mas

apenas precisou ver nosso semblante para confirmar seus piores temores.

- Não! – berrou – De que vale tanta tecnologia se nem ao menos podemos salvar uma vida! Devolva-nos Shinji! Devolva o nosso Shinji! – e

começou a socar o núcleo S2.

A cada soco dado, misteriosamente, o MAGI registrava um sinal de ativação do núcleo S2 do ciborgue.. imediatamente avisei minha chefe, que

especulou:

- Será que o Eva está atendendo aos apelos de Misato?

Isso não passou desapercebido na plataforma, pois Rei e Asuka já estavam socando a no peito da Unidade 01, enquanto esta ficava cada vez

mais translúcida, quase transparente. Enquanto isso, cada vez mais pessoas se aproximavam e ajudavam no intento. Foi aí que me levantei e

saí em direção da baia.

- Maya aonde você vai? – perguntou-me Ritsuko.

- Doutora, com todo o respeito, se a ciência não conseguiu resgatar Shinji, quem sabe o espírito humano o consiga.

- Tenente Ibuki, volte imediatamente para o seu lugar! – a voz do comandante soou imperiosa nos meus ouvidos, na primeira ordem que eu

desrespeitava na minha vida. Eu sabia que estava me arriscando, mas se isso significava fazer algo por Shinji, valeria a pena. Quando cheguei

até a plataforma, Os intentos já haviam cessado. Ao que parecia, uma fina camada parecia inquebrável. Foi quando a Major começou:

- Shinji, eu não sei o que dizer, mas acho que pode nos ouvir. Não é só o futuro da humanidade que está em jogo. Porque se você, Asuka, Rei,

Kensuke, Hans, Kanda, Kimi e Hikari não puderem viver suas vidas felizes, igualmente não haverá futuro. Volte para nós.

- Shinji, você me disse que estaria sempre aqui para mim. Eu quero que prove... do lado de fora, voltando conosco para onde nunca deveria ter

saído. Preciso de você. Todos nós precisamos de você. Porque é você e não porque é um piloto do Eva – sentenciou Asuka.

- Ikari... Shinji – começou Rei – você me disse para vivermos além do Eva. Quero essa promessa. Cumpra-a por, eu lhe imploro. Eva... não nos

tire Shinji... graças a ele... eu não sou mais um espantalho.

- Garoto... eu falo por todo o pessoal da minha equipe, quando digo que você nunca precisaria descer até a manutenção e nos tratar melhor que

as outras pilotos, mas você o fez. Foi até lá e quis ser um de nós, para o mal e para o bem. é melhor sair daí logo, antes que nós entremos aí na

próxima manutenção e chutemos sua bunda aqui para fora! – falou o Chefe Makoto, enquanto o resto dos rapazes da manutenção gritavam em

coro.

- Shinji... - comecei, atraindo a atenção de todos para a minha chegada – você necessita ouvir isso de qualquer pessoa que viu seus atos. Você

arriscou sua vida mais vezes do que a maioria sonharia, criou uma mítica em seu redor de um verdadeiro herói grego e ainda assim, é humilde e

humano, sábio e acolhedor, paciente e apaixonado por suas convicções. Você, aos 16 anos, tornou-se um espelho que a maioria dos homens

deveria se olhar para ver, ao menos por um dia, o quê é hombridade. Por favor, volte para nós! – termino, enquanto Misato me sorri.

- É isso aí, Shinji: você é um dos nossos. Uma alma rock´n roll. Maluco, genial e absolutamente um lutador, do tipo que não desiste nunca! –

falou Aoba, pelo alto-falante.

- E mesmo tendo realizado meu sonho, morando com a Major, ainda assim mantém o meu respeito e admiração – completou Hyuuga, causando

embaraço na Major e riso em todos nós.

- Shinji... você ouviu: todos eles estão contando com você. Não os decepcione. Não me decepcione – disse Kaji, surgindo ao meu lado. Ele é tão

silencioso quanto um gato.

- Shinji... você é um filho de Yui e Gendo... coisas grandiosas estão destinadas a você! – falou o Sub-comandante.

- Você nos ouviu, Baka? Estamos todos aqui, esperando por você – sussurrou Asuka, quando a barreira que estava no núcleo S2 tornou-se

totalmente inexistente e uma mão apareceu dela. Imediatamente, todos se juntaram a Major e puxaram até que um nu piloto da Unidade 01

saiu. Pela posição que ele estava, parecia que estivera segurando uma coisa em busca da saída. enquanto o tirávamos, uma equipe médica

levou-o ao hospital. Nós o seguiríamos prontamente, quando uma tropa de agentes da seção 2 nos impediu.

- Por ordem do Comandante Ikari, a tenente Maya Ibuki, a Major Misato Katsuragi, o tenente Hyuuga Makoto, o tenente Aoba Shigeru, Ryouji

Kaji, o Chefe da manutenção Makoto Sagara e seus empregados no recinto estão confinados à detenção de Nerv por período indeterminado.

Fomos escoltados para a ala prisional, onde encontramos Aoba, Hyuuga e para a nossa surpresa, o Subcomandante.

- Como Ikari comandou, todos os envolvidos na insubordinação deveriam ser presos. Estou aqui para provar que em Nerv, não existem dois

pesos e duas medidas. – contestou, tranquilamente.

- Bom, pelo menos, espero que quando Shinji saia do hospital, ele nos faça uma visita – sorriu Misato, mais aliviada – Agora se me dão licença,

tenho um assunto para discutir com um certo tenente – sorriu assassina.

- Querendo ficar em uma cela com ele, Major Katsuragi? – continuou arreliando o segundo em comando, causando que ela ficasse vermelha.

Olhando tudo isso, suspiro e digo para Kaji ao meu lado.

- Algo me diz que será uma longa detenção.


O estranho despertar.

POV.: Shinji.

Eu realmente odeio esse maldito teto. Qualquer dia vou me rebelar, pintar esse maldito quarto e vou criar uma alergia aos médicos e quaisquer

profissionais que usem branco. De repente, vejo que não estou sozinho neste quarto. Provavelmente Misato, Asuka ou Rei devem estar aqui,

como das outras vezes. Acho melhor tentar virar o pescoço e acabar com o suspense.... Rokobungi Gendo? Minha mente deve estar em completa

negação. Isso, ou eu enlouqueci... porque eu sou capaz de jurar que a pessoa na minha frente é o Comandante de Nerv.

- Protocolo Proteus! O quê é isso? – perguntou seco.

- ...

- Não vai responder?!

O imbecil pelo visto desconhece que após um coma, a voz começa a falhar. Se bem que eu não tenho a menor propensão à responder-lhe. Mas

por mais que eu não consiga acreditar, ele está aqui e isso é o mais próximo da preocupação paterna que eu já tive. Por que será que me sinto

tão vazio? Depois de ter procurado por tantos anos, estou cara a cara com meu pai e até o nojo se foi. Quem diria?

- Eu quero saber o quê é o Protocolo Proteus. Não cheguei até aqui para permitir que você impeça meus objetivos – disse apontando sua pistola

na direção da minha cama. Então é assim que termina?

- Oh... comandante! – sussurrou Rei, quando passou pela porta. O tempo pareceu congelar, enquanto olho para ela e para ele. Foi aí que eu

resolvi me levantar com muito esforço e fiquei em frente à ele. E finalmente me esforcei para arrastar minha voz de volta à superfície.

- Você... não é... bem-vindo... aqui. Saia.

Vi o homem que um dia chamei de pai guardar a arma. Quando ele passou por Rei, ele apenas disse:

- Estou descontente... Rei – após a saída dele, ela veio ter comigo – Shinji... você está bem?

- Sim.... Graças à você. Sua chegada... foi... providencial, Rei.

- Eu devo ligar para Asuka. Ela também está muito preocupada por seu estado.

- Não... deixe-me falar... com ela.

- Eu não acho uma boa idéia – disse a garota, indecisa.

- Ora, o que pode... dar errado? – notei que minha voz ainda estava arranhando, enquanto Rei discava – Alo... Asuka?

- Ahhhhhhhhhh! – gritou de susto, na minha orelha. Em seguida ouvi um baque no chão.

- Ela estava jogando Silent Hill. Um jogo que trata de mortos e de mistérios. Acho que ela não estava esperando que você ligasse – diz sorrindo.

- Eu... Rei, você e Asuka estão...?

-Você perdeu muita coisa, Shinji. Nesses dois meses, muita coisa aconteceu.

- Dois meses?! – gritei, chamando a atenção das enfermeiras. Logo, um homem jovem estava me levando de volta à cama e me sedando. Olhei

para aquela garota de olhos vermelhos, que me sussurrou, enquanto estava apagando.

- Não se preocupe, Shinji... estaremos aqui quando você acordar. Sempre.

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Alguns dias depois, pelo que eu acho que foram pelo menos, uns dois dias pelo menos e eu finalmente acordei para ver duas mulheres jovens

sentadas em cadeiras. Ambas me olharam com esperança no olhar. Uma coisa que eu sempre acreditei era que ambas as mulheres não estavam

criando um vínculo sólido sem alguma ajuda divina.

- Seja bem-vindo, invencível Shinji – sorriu a ruiva – foram dois meses muito ruins desde que... – de repente, ela voltou ao seu velho eu e me

deu um tapa no rosto – Idiota!

- Por quê me bates? – protestei irritado.

- Faz idéia do que foi esperar desse lado? tem noção do quão impotente eu me senti, vendo você desaparecer diante dos meus olhos? – disse,

com lágrimas nos olhos.

- Asuka... eu... sinto muito! – pela primeira vez em muito tempo, pude dizer essas palavras com devastadora sinceridade. Às vezes, eu devo

fazer o que acho que é certo, mas preciso levar em conta que minhas ações geram reações entre meus amigos. Logo, ela estava compartilhando

de minha cama, chorando em meus braços. Eu nunca a havia visto tão vulnerável.

Rei estava parada ali, observando tudo com seus olhos marejados, pareciam cheios de... emoção? Ela sempre fora controlada.e desde que eu

saí para salvá-la, alguma coisa deve ter mudado.

- Eu perdi muita coisa? – perguntei.

- Asuka agora está com uma taxa de sincronização de 88% e subindo; o pessoal da manutenção causou uma festa horrenda em um lugar de

reputação duvidosa e metade deles tiveram sanções administrativas. Kensuke e Kanda estão passando dos beijos inocentes para outras coisas

menos inocentes, segundo Asuka; Kaji está dividindo uma cela com Misato e Maya e... Asuka e eu brigamos por sua camisa e lhe fizemos essa

aqui – disse corada, e retirando uma camisa de uma sacola.

- Ah... meu... não acredito... Macross... todo o pessoal... Misato como Global... sério... não precisavam fazer isso – contesto feliz.

- Precisávamos sim – diz a ruiva, acordando levemente – nos rasgamos a sua camisa.

- Grande, Asuka... eu estava preparando o terreno – bufou Rei.

- Desculpe – falou a alemã. Espere aí... Asuka, desculpando-se? Para Rei?

- Eu perdi tanto assim?

- E como resultado da briga, nós somos colegas de quarto agora...

- O quê?!

- Como punição pela briga, a Major decretou que nos dividiríamos o quarto até ordem contrária e, acabamos nos dando melhor do que

esperávamos. Com isso, tornamo-nos amigas. – contestou Rei.

- Shinji... a sua tentativa de resgate quase falhou... por isso, muitas pessoas abriram seu coração para chamá-lo de volta. O Comandante Ikari

mandou prender todos eles há uma semana, incluindo Misato, Kaji, Maya e o Subcomandante.

- Até ele? Humm... não tem jeito... garotas, vocês trouxeram uma muda de roupa? Preciso me trocar antes de tentar tirar Misato e os outros da

cadeia.

- Ora, terceiro... uma vez que ficou claro para mim e Rei, quais são os nossos pontos comuns, você pode nos dar uma prévia do que queremos

ver – disse Asuka maliciosamente, causando-me uma inacreditável vergonha. Vendo meu estado, a garota de olhos vermelhos comentou:

- Yui tinha razão quando falou que ele ia agir assim – disse quando saia, acompanhada da amiga... espere um pouco... Yui? Eu realmente perdi

muita coisa nesses dois meses.


Confronto

POV.: Asuka.

Deixamos ele se trocando, quando finalmente entrego-lhe a calça e sua roupa de baixo, essencialmente alisada. Apenas olho para ele e percebo

o quanto ele estava envergonhado com isso. Rei estava olhando-nos com picardia, e ai sairmos ela sussurra alguma coisa no ouvido dele que o

torna um pimentão.

- O quê você disse? – perguntei, quando estamos no corredor.

- Perguntei se ele gostaria que nós esfregássemos suas costas – sorri minha mais recente amiga.

- Haha. Ele deve ter tido vontade de voltar ao coma. Essa foi excelente, Rei-chan.

- Aprendi com você, Asuka-...chan.

Dois minutos depois, a porta se abre, revelando um Shinji Ikari vestido com sua calça social e a camiseta que nós fizemos para ele.

- Vamos! – falou, enquanto seguia para a saída, esquivando-se de vários médicos e enfermeiras. Quando um vigilante ficou em frente à saída,

ele apenas olhou para o homem e disse:

- É seu emprego e eu respeito isso. mas um homem tem que fazer o quê um homem tem que fazer. Se não sair do caminho eu o derrubarei – e

contra todos os prognósticos ele o fez. Derrubou o guarda com facilidade e seguiu para onde ficava o escritório do Comandante. Rei já havia me

contado o quê passou quando ela chegara para visitá-lo no dia anterior e eu sabia que ele iria enfrentar o pai, mas já? Quando atravessamos as

portas da sala, fica claro que aquele é o último lugar em que queremos estar. O ambiente é frio e árido como o próprio comandante. E o maldito

já está em sua posse habitual.

- O quê quer? – sentenciou, quando entramos.

- Fazer um acordo. Você tem algo que eu quero e eu tenho algo que você quer.

- E o que você quer?

- Libertar Misato e os outros da cadeia. Sem dano na ficha. Nenhum deles. Em troca, eu desativo Proteus.

- Os outros estão ali por seus delitos. Eles abandonaram seus postos e estarão saindo no final de sua pena disciplinar.

- Nesse caso, você deverá ficar satisfeito de ter o MAGI fora de seu controle, estou certo? – disse com ironia.

- Você irá desfazer o que fez, independente da pena de Katsuragi e os outros! – vociferou o comandante.

- Ou o quê?

- Lembre-se, Shinji... você não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Tampouco proteger todos os seus amigos ao mesmo tempo. –

sorriu o Comandante.

Ele estava ameaçando pessoas inocentes para conseguir o que queria. Que tipo de monstro ele era? Dava para abaixar ainda mais, o nível de

seus atos? Quando olho para Shinji, ele está sorrindo igual ao pai. Isso não é um lado que eu goste de ver, mas é um lado dele. Ele tem um

plano. Imediatamente, ele pega seu aparelho celular e digita um número que eu reconheço: é o número da Central de Nerv.

- MAGI aqui é Shinji Ikari, filho de Yui. Autorização Ikari Theta 1-9-5-4-2-0-0-1. Pesquisar e compilar arquivos referentes ao Comitê de

Instrumentalidade Humana. Compactá-los e prepará-los para envio por e-mail para o endereço do Secretário Geral das Nações Unidas, ao meu

sinal.

- Entendido. Aguardando confirmação vocal – disse a voz do computador, no viva voz do telefone.

- Quer reabrir negociações, Rokobungi? – perguntou com sorna.

- Muito bem. espero que saiba que está começando uma briga que não pode terminar, Shinji. – retornou em tom gélido, o homem.

- Acredite, se eu souber que a Seção 2 fez algo para os meus amigos, por menor que seja, você estará lutando a luta da sua vida. Considere

uma promessa.

- Cancele a ordem e restaure o MAGI, desabilitando o Proteus. E eles estarão livres.

- Não confio em você. Quero Misato, Fuyutski e Maya aqui, confirmando que os outros foram soltos. Em seguida, o farei na frente deles.

- Eu não confio em você. – comentou de volta, o maníaco homicida de coração gelado que chamamos de comandante.

- Então estamos em um impasse. Minhas condições são irrevogáveis.

- Pois bem – disse o homem, pegando seu intercomunicador e falando com seus capangas – traga Ibuki, Fuyutski e Katsuragi aqui. Libere os

outros.

Aproximadamente 10 minutos de tensa espera terminam com o anuncio da Seção 2.

- O Comandante receberá vocês agora – disse um agente. Quando os três entram, dão de cara com uma situação bizarra, Rei e eu sendo

testemunhas de um choque de vontades entre pai e filho.

- Shinji! – corre até ele nossa tutora.

- Cumpri minha parte no acordo. Cumpra a sua.

- MAGI cancelar a última ordem. Deletar arquivos compactados. Desativar Protocolo Proteus, senha: Cérbero!

- Aviso: uma vez desativado não poderá ser utilizado novamente.

- Entendido. Executar. – diz Shinji pelo telefone. Em seguida, virando-se para Misato – É bom vê-la Misa-chan, Maya, Fuyu-sensei. Espero que a

prisão não lhes tenha tirado muito da energia.

- Shinji! – diz Misato, enquanto o abraça possessivamente. Maya coloca a mão na cabeça dele. E o Subcomandante sorri.

- Nos deixou preocupados, Shinji – disse a tenente.

- Desculpe. Às vezes as coisas saem de controle na minha vida, Maya. Fuyu-sensei... provavelmente agora não será possível, visto que o

Comandante irá requerer sua atenção, mas assim que possível, gostaria que se juntasse a nós para um jantar. Gostaria de ouvir algumas

histórias de seu tempo como professor universitário. É uma carreira que está no meu sangue, por assim dizer.

- Será um prazer, Ikari. – sorri novamente. Eu nunca tinha percebido o quanto esse velho é humano.

Quando estávamos saindo do escritório, o Maldito disse para Shinji:

- Isso não terminou. Tenha em mente isso.

- Tem razão, papai. Isso apenas começou – concordou, gélido.

Quando chegamos ao corredor, vemos Ritsuko parada ali.

- É bom ver vocês longe da prisão – contestou com um sorriso.

- Bom é estar fora daquele inferno. E olhe que só ficamos 5 dias presos. O quê está fazendo aqui, sempai? – inquiriu Maya.

- Tenho uma reunião com o Comandante. Depois gostaria que vocês fizessem alguns exames médicos. Por certo Shinji... o quê seria o Proteus?

– concluiu com essa pergunta, mas todos pudemos ver que era o que ela queria saber de inicio.

- Nada que lhe diga respeito – contestou friamente. Alguma coisa acontecia entre os dois – Não tem que se preocupar com isso, Akagi. O

Comandante e eu chegamos a uma conclusão satisfatória sobre isso.

Vimos assustadas um Shinji sair de lá sem olhar para trás, enquanto uma surpresa e dolorida Ritsuko Akagi ficava às portas do escritório do

Comandante com o ar de quem passava a odiar a terceira criança.

Enquanto todas nós seguíamos Shinji pelos corredores, Misato foi que colocou nossas dúvidas para fora:

- Perdemos alguma coisa?


Em seus lugares.

POV.: Misato

Depois de um banho e uma revisão médica completa, meu protegido foi até o vestiário masculino agradecer aos técnicos da manutenção e

prometer-lhes uma rodada por sua conta, no que fez os homens rirem ao pensar em um garoto que não pode comprar bebida alcoólica pagando

uma rodada. Shinji queria cozinhar para nós, mas achamos melhor comprar o jantar. Convidamos Kaji e Maya para o jantar, mas enquanto o

primeiro aceitou galantemente, a tenente teve que ser persuadida por todos nós. Assim, seguimos em dois carros diferentes: enquanto Kaji, Rei,

Maya e Asuka iam para casa para aprontar tudo, Shinji e eu iríamos passar em um restaurante encomendar o necessário para a noite e,

enquanto eles preparavam o jantar, nós passaríamos em um mercado para comprar algumas coisas necessárias para a semana.

- Como você está? – perguntei. Após tudo, queria saber do jovem ao meu lado quais seriam seus próximos passos.

- Estou bem... Misato... por quê não pergunta o que quer saber?

- Bem, Shinji... não é como se eu não estivesse preocupada com você – respondi ofendida.

- E eu não estou sugerindo uma coisa dessas, mas imagino que você tenha perguntas e que quer saber se eu tenho as respostas.

- Isso pode se tornar um assunto delicado... – comecei reticente. Embora ele tenha me dado carta branca para perguntar, o tema era meio

espinhoso – Mas você sabe como exatamente sua mãe morreu?

- Sim. Na verdade eu vi acontecer... ela me trouxe para o teste do Eva quando eu tinha 4 anos. Foi tão traumático que essa lembrança ficou

reprimida até pouco tempo atrás.

- Quando você se lembrou? – perguntei abismada.

- Quando eu fui clonado, eles me jogaram no entry plug. Ali eu tive certeza de tudo, inclusive disso.

- Podia ter me contado – protestei – De que adianta você me dizer como amiga se não divide suas amarguras com os amigos?

- Naquele momento, eu tinha uma idéia muito clara em minha mente. Eu lutaria para acabar com Gendo Rokobungi, portanto não queria que

ninguém fosse ligado à mim, para não expô-los à perigos desnecessários. Mas isso mudou recentemente, ou melhor eu mudei. E percebi que não

adianta tentar matar minha parte que me faz humano e me faz sentir. Porque se eu o fizer, estarei me tornando igual a ele, entende?

Assinto em resposta. Céus, cada vez que ele entra naquele Eva, parece que ele se torna mais adulto e eu cada vez mais infantil.

- Nesse respeito, Asuka e Rei estarão mais que felizes em saber disso. Elas não estiveram nada bem nesses últimos meses. Vai voltar para

casa?

- Sim, embora eu ainda pretenda ficar com o apartamento. Quanto à isso, como é que elas terminaram dividindo o quarto?

- Creia-me, não foi um passeio, mas elas não tinham opção. – comentei sorrindo – e quanto ao protocolo Proteus, como você teve acesso à ele?

Quero dizer, em algum momento você deve ter descoberto ele.

- Misato... por enquanto esqueça do Proteus. Meus instintos me dizem que você ainda não está preparada para essa parte da história –

comentou meu tutorado, seriamente.

O quê ele quis dizer com isso? Quer dizer que a coisa piora ainda mais? Ele viu a mãe morrer vítima da máquina que pilota para salvar a

humanidade, enquanto seu pai o abandonou por 10 anos para chamá-lo apenas por que ele era útil. O que pode ser pior do que isso? E de

repente, colocando tudo isso em perspectiva, descubro que não quero saber. Se isso vai piorar, não quero saber. Mas o olhar de Shinji me diz

que eu não terei escolha.

- O quê sabe sobre Naoko Akagi?

- Não muito, além de ser melhor que Ritsuko em quase todas as matérias, além de ser uma homicida e infanticida. E também era amante de

Rokobungi.

- Você está falando sério? – aterrei-me. Que ela era uma assassina já fora notório com o vídeo de Yui, mas infanticida?

- Sim, mas isso faz parte do que você ainda não está pronta para ouvir.

- Shinji... se você quiser ter algo da sua mãe, eu posso tentar conseguir uma cópia do vídeo...

- Não é necessário, Misato. Tenho tudo que poderia querer de Yui Ikari. No meu coração.


Logaritmos

POV.: Ritsuko Akagi.

Venho para a oficina do Comandante com uma notícia que vai piorar muito o humor dele. A parte "empregada que teme a fúria do patrão", está

receosa da reação dele. O problema é que a minha parte "mulher ultrajada", está adorando ser a portadora das más notícias.

- Dra. Akagi o que veio fazer aqui? Sua presença não foi requerida – começa meu amante ocasional. Se somos ocasionais é apenas pela vontade

dele. não sei o quê eu vi nesse homem... se foi a aura de inatingibilidade que ele possui que despertou meu instinto de jogadora ou o jeito de

alguém que arrisca tudo pela mulher que ama, que me fez querer ser essa mulher, embora já soubesse que esse lugar estava preenchido. Ou

talvez, seja simplesmente para vencer minha mãe. Essa também é uma boa possibilidade.

- À luz das recentes evidencias, achei melhor trazer ao seu conhecimento o resultado da varredura dos supercomputadores MAGI que o senhor

me pediu. Os resultados foram surpreendentes. Nenhum dos três supercomputadores acusa qualquer programa indevido. Ainda assim, quando

coloquei a palavra Proteus, apareceram 16 arquivos de Backup. Sendo assim, o Protocolo poderia ser ativado novamente.

- Excelente. Parece que meu arrogante filho está nos subestimando. Prepare o tanque e convoque Rei para a reciclagem – ordenou Gendo

- Isso, senhor, será um problema – digo disfarçando o melhor que posso o meu sorriso. Vou adorar ver a cara dele agora – durante o tempo que

Proteus esteve ativo, ele considerou os corpos como vidas e, como tais, vidas independentes. Como resultado, ele as deixou para desenvolver

pequenas nuances de individualidade, que as tornam incompatíveis com Rei Ayanami.

- Está me dizendo que Rei é agora a única forma de controlar o Terceiro Impacto.

- Sim senhor. Alem disso, o comitê está querendo um interrogatório com Shinji.

- Não me importo. Mande-o para eles.

- Ikari... essa é uma atitude prudente? – considerou o Subcomandante.

- Pelo menos é uma atitude. Veremos se o cão realmente sabe morder – sorriu sádico.

- Está dispensada, Dra. Akagi.

- E quanto aos corpos sobressalentes, senhor?

- Se são inúteis, elimine-os.

- Sim senhor.

Apesar de não saber o que é o Protocolo Proteus pude expurgá-lo do MAGI, colocar um tremendo desgosto em Gendo Ikari, ver sua marionete

cortar as cordas e conseguir me desfazer daqueles malditos corpos. Para mim, é um dia que merece ser comemorado. Pena que comemorarei

sozinha.


À mesa

POV.: Rei

Incrivelmente calmo. Nunca pensei que poderia dizer isso de um dos famosos jantares Katsuragi. Embora eu não tenha vindo à muitas festas

promovidas pela Major, ela era conhecida como uma festejadora selvagem e desenfreada na Central. No entanto, a impressão que dá é que ela

foi trocada por uma outra pessoa, muito mais calma. Maya e Kaji estão com o mesmo estilo retraído de ser. Penso eu que deva ser algo relativo

à liberdade.

- E então, quantos de vocês dividiram uma cela? – perguntou Shinji como se fosse o mais normal do mundo.

- Ficamos Kaji, Maya, Hyuuga e eu. Lógico que o burro vai à frente – comentou a Major.

- Eu também te adoro Katsuragi – respondeu o homem com uma piscada de olho para ela.

- 5 longos dias sem ver a cara do sol – fez cara de derrotada a tenente Ibuki.

- Ora... podiam ser pior... vocês pelo menos estavam nas celas comuns. Se fossem para a solitária, vocês saberiam o que eu passei. Mas vamos

mudar de assunto. O importante é que vocês e todos os outros estão livres, eu estou aqui entre vocês e daqui à uma semana de descanso, isso

só vai parecer-lhes um pesadelo.

- Shinji... você deve ser um super-homem – comenta sorrindo a tenente. – você passou ainda pior preso no Eva e ainda consegue procurar meio

de nos animar.

- Isso me lembra, Maya... que temos uma pergunta no ar – assume a minha atual tutora – Você deve ter visto alguma coisa no último check-up

de Shinji, para estar toda feliz e relaxada em torno dele, não foi?

- Misato! – gritam os dois em uníssono. A pobre tenente parecia querer sumir no chão. Olhando para Asuka, ela não perde a oportunidade para

assumir um papel de picardia.

- Bom, Maya... eu espero que você respeite a fila... afinal, ninguém anda desrespeitando seus momentos com Ritsuko, pelo que eu saiba.

- Asuka! – gritaram Shinji, Maya, Kaji e a Major.

- A-acho melhor ir embora... – começou a tenente, mas foi impedida por Shinji – Maya, embora não pareça... é assim que mantemos o humor da

casa, embora normalmente quem faça as piadas embaraçosas seja Misato. Mas em algum momento, Asuka assumiu esse papel e para mim, é

muito mais divertido do que o "baka-Shinji isso, Baka-Shinji aquilo! Terceiro! Você é um inútil, terceiro" e por aí vai... – disse Shinji entrando no

espírito. Claro que Asuka resolveu tirar satisfações pulando em cima dele e o imobilizando com um braço.

- Quem é a melhor piloto, terceiro? – perguntou com sorna. Apesar de tudo, pude ver que ela não estava se esforçando em machucá-lo e ele

também percebeu.

- Asuka... ahhhh – começou a fingir que perdia o ar – por que você está com a mão na minha bunda... ahhh?

- Minhas mãos estão aqui – disse ela, apontando para as mãos.

- Desculpe Shinji, é a minha mão – comentou a major com um sorriso – só queria ver como era a bunda que todas cobiçavam.

- Misato!! – gritaram em protesto.

- Então posso entrar na brincadeira? – perguntou Kaji.

- Nem em sonhos!! – gritaram as mulheres.

- Shinji... se quer um conselho, aproveite a juventude. Duvido que você terá época melhor que essa – falou Kaji, resignado.

Depois da agitação, o jantar terminou amenamente e, no final, Kaji ofereceu-se em Levar Maya Ibuki, como ela quer ser chamada fora de serviço,

para casa. E Misato, como ela deixou dolorosamente claro que quer ser chamada fora de Nerv, decidiu que era melhor levar Maya para casa. Com

isso, ficamos apenas Shinji, Asuka e eu em casa. Tempo perfeito para algumas respostas.

- Shinji? – chama a atenção minha companheira. Este deixa de lavar a louça e se vira para nós.

- Sim, Asuka? – contesta docemente.

- Rei sabe sobre... a Unidade 01?

- Sim, Asuka. Rei sabe sobre isso.

- Como? – perguntou-me

- Isso é complicado, Asuka-chan... – comecei a responder, desconcertada, quando Shinji tomou a frente.

- Ela ouviu meu pai falando com a Unidade 01 certa vez, mas ela não sabia quem era Yui. Quando ela me perguntou o quê eu sabia sobre a alma

da Unidade 01, respondi que a conhecia e que ela era minha mãe. Ela ligou os pontos.

- Isso é verdade? Por que será que eu não trago essa conversa? – suspeitou a ruiva.

- Você sabe de que Rei não sabe mentir direito... e quanto à mim, bem... você me conhece. Pode dizer se estou mentindo ou não – respondeu,

voltando para a louça.

- E quanto à alma da Unidade 02? Sabe alguma coisa dela?

- A única vez que estive na 02 foi antes de descobrir sobre minha mãe. Nem sabia que existia uma alma lá.

- Entendo... – disse a ruiva, desapontada – e por quê você resolveu desistir do Protocolo Proteus? Isso poderia ser uma rédea para manter o

maldito do seu... – calou-se ao ver o olhar gélido que o encarregado da louça mandou-lhe - ... desculpe, mas isso nos daria uma vantagem

contra ele. Ou pelo menos impediria que nós fossemos cordeiros de sacrifício.

- A verdade é que o Proteus cumpriu já sua função. Acredito que Akagi já tenha descoberto e que Rokobungi não esteja nada satisfeito. Mas isso

está fora do alcance de todos.

- O que você fez? – perguntei.

- Desmontei o núcleo do Sistema Dummy. Não mais Toujis. E agora, isso significa que eles têm que dar valor para cada um de nós.

- Shinji... você...? – perguntei, não acreditando no que ele dizia.

- Isso mesmo, Rei... nada mais de Rei II... você agora é Rei Ayanami, primeira e única.

Não me contive e o abracei chorando. Pouco me importa se Misato que chegou na hora viu ou as interrogações de minha colega de quarto. Eu

estou emocionada e feliz de saber que agora... eu não posso ser substituída.


Caos e revelação:

POV.: Kiel Lorenz.

Uma vez mais estamos reunidos nesse pequeno conclave que decidirá o futuro dos homens. Homens ricos e poderosos, dos quais a maioria da

humanidade teme, despreza e inveja-nos, mas que dependem financeiramente, militarmente e, embora não saibam, espiritualmente também.

- Ikari está tomando muitas liberdades. É hora de puxarmos um pouco a coleira – diz Seele 07.

- Não só dele. precisamos adaptar o plano. Nosso guia está comprometido. E Nerv está com força total – disse o quarto monólito à minha

esquerda, respondendo como Seele 05.

- Ainda assim, vamos interrogar Shinji Ikari – comandei decidido.

Vimos o filho de Gendo se posicionar na área central do salão, rodeado por nossas imagens.

- É um prazer recebê-lo aqui, piloto Ikari – disse Seele 09. Ele sempre procurou manter uma fleuma, mesmo com todos os nossos métodos e

objetivos.

- Vamos dizer que eu acredite nisso... – comentou o garoto. Malditos genes de seu pai – Eu creio que vocês devem procurar suas respostas não

é mesmo?

- O que é o Protocolo Proteus? – perguntou Seele 02.

- Se eu ganhasse um dólar cada vez que ouço isso... o Proteus é um lembrete para vocês e seus fantoches que nós estamos arriscando nossas

vidas enquanto vocês ficam aqui brincando de clubinho e bebendo seus cabernets. Isso equilibra as coisas... agora mesmo que falte apenas um

Angel, nenhum piloto vai receber uma missão suicida, apenas para sair ferida, morta ou o que for, enquanto vocês brincam de Nova Ordem

Mundial.

- Interessante... você considera Gendo Ikari como um fantoche nosso – disse Seele 02, com sorna.

- Não o considero. Vocês o consideram assim. Ele tem seus planos e vocês acham que podem cuidar dele na hora que quiserem. Assim como ele

pensa a mesma coisa de mim. Deixe-me dizer uma coisa para vocês: Não existem planos. Apenas o desejo irresistível de acabar com seus planos

– falou calmamente o moleque.

- E você sabe quais são nossos planos? – voltou meu burlesco amigo.

- Talvez sim... talvez não... o importante é saber que eu, pelo visto, passei a jogar com os profissionais, já que me quiseram aqui para tentar me

dobrar. E como um bom jogador, sei que não devemos mostrar todas as nossas cartas.

- Se você é tão importante assim e tão perigoso assim, por que não matá-lo agora? Nessa mesma sala? – perguntei.

- Vocês precisam de alguém para destruir o próximo Angel. E precisam de alguém que pilote a Unidade 1 para seus planos. Vocês e Gendo

Rokobungi escolheram crianças como pilotos para serem mais maleáveis, não? Então adivinhem só: nem todo mundo é tão crédulo assim. Nem

todo mundo é tão tolo assim e mesmo que fossem, elas podem aprender com a vida. Com a ajuda certa. O incentivo certo – disse, virando as

costas.

- Não acabamos com você! – exigiu furioso Seele 04.

- Não vamos andar em círculos a tarde toda. Vocês queriam conhecer o risco para os planos de vocês e conheceram. Eu queria ver se vocês

teriam coragem para se mostrar e não o fizeram. Não vejo nada produtivo na continuação dessa reunião. – continuou, saindo por onde tinha

entrado.

Todos nós ficamos surpresos e interessados no comportamento da Terceira Criança. Não pelo seu vocabulário, mas pela afronta dele e

principalmente por nos encarar como um igual.

- Cavalheiros, creio que temos um oponente honrado diante de nós – começou o monólito marcado com o número 09 – alguém que em outras

épocas faria nosso conceito de humanidade mudar. Mas já estamos comprometidos demais e perto demais de nosso objetivo para sermos

detidos. Dito isto, só nos resta aceitar que por mais que precisemos de Shinji Ikari, devemos colocar o nosso elemento em ação.

- Nagisa! O quê achou? – perguntei para o jovem, que estava em outro extremo do círculo, em um tubo regenerativo gigante.

- Ele é interessante – disse com um sorriso – tenho certeza que adorarei conhecer Shinji Ikari... quando chegar a hora.

- Nosso movimento será feito em 3 dias. Até lá, aprenda o que puder sobre o alvo. Você terá que matá-lo e assumir seu lugar como piloto da

Unidade 01 – sentenciei por fim.


Decisões, decisões & mais decisões.

POV.: Asuka.

- O quê você sabe sobre o sistema Dummy?

- Basicamente é o um sistema que permite enganar meus sentidos para fingir que há um piloto aqui – respondeu o Eva – Não se preocupe. Agora

que temos contato, ele não funciona mais por aqui..

- Muito obrigada por me dizer o que já sei – pensei com sarcasmo – você não pode acessar MAGI para descobrir o quê isso tem a ver com Rei?

- Isso é algo que eu já sei. E Yui e eu decidimos que a única maneira de você saber disso, seria perguntando para a pessoa certa.

- E quem seria a pessoa certa? Shinji?

- Talvez, mas isso nos leva ao fato que você quer perguntar outro tipo de coisa para ele, certo? – indaga Eva 02, com um trejeito que divisa ser

sarcasmo.

- Odeio essa idéia de fusão mental! E não banque o engraçadinho comigo.

- A engraçadinha, você quer dizer.

- Ahá! Então você é uma mulher! – respondi. Pelo visto, ela foi pega de surpresa, já que demorou a responder.

- ... Sim, Asuka. Eu sou uma mulher ou o certo seria dizer, eu fui uma mulher. E como tal, devo dizer que se quer um conselho feminino, convide ele

para jantar.

- Você ta falando sério?

- Seriíssimo! Você precisa de um tempo sozinha com ele. Para descobrir quais suas chances – retorqui o ciborgue – Mas, tem que estar preparada para

ouvir algo que possa lhe desagradar.

- Entendo o quê quer dizer. O homem que minha mãe amava também a deixou por outra mulher. E embora Shinji e eu não tenhamos nada,

começo a achar absurdo colocá-lo como o salvador da minha felicidade. Ele Rei são particularmente unidos.

- De qualquer maneira, você só saberá isso se o fizer, correto?

- Sim. Obrigada pelo conselho... faz muito tempo que alguém me deu um conselho que fizesse sentido – comento triste, sem deixar isso

transparecer nos valores de sincronização. Atualmente, estava atingindo picos de 90% de sincronização, mas minha média eram exatos 86% em

meus treinamentos de combate. Não queria que minhas cifras fossem pelo espaço.

- Asuka... eu... sinto muito – concluiu o ciborgue, preparando-se para o que parecia ser uma confissão iminente, quando explosões são ouvidas

do lado de fora do quarto de ativação. Ao que parece, uma série de bombas foram detonadas na Central de Nerv, fazendo com que o baquelite

jorre no tanque de prova e, antes que eu me desse conta, já estava imobilizando o quadril e a saída da faca progressiva da Unidade 02. A

Unidade 00 estava com baquelite até o peito, devido às diferenças de altura dos quartos de prova.

A comunicação com Operações foi cortada, o quê significa que algo estava terrivelmente errado.

Mas o quê?


Surpresa, surpresa!

Falei que neste capítulo teríamos uma conversa entre G... (vocês sabem quem!) e Shinji; mas resolvi fazer uma sacanagem e chamar nossos

bons amigos da Clínica do Alzheimer (Seele) para uma ponta... e que ponta!

E quanto à Kaworu... Sim, eu sei que é OOC... mas qualquer coisa é melhor do que... aquilo! E sejamos francos: Hideaki Ano não ajudou a

imagem de Shinji ao colocar um adolescente já em crise existêncial e um mezzo clone, mezzo adolescente incomum que ainda por cima é um

Angel (dos bem ambíguos, por sinal!) na mesma sala, para dividir o quarto ou o chuveiro... como se Shinji já não fosse um prato cheio para os

Yaois de plantão?! Por isso, decidi que faria um Tabris diferenciado... vocês o verão no próximo capítulo...

Honestamente, a melhor coisa que fizeram sobre Kaworu, dentre as fics que eu li, foi a sábia decisão de transformá-la em mulher (em um fic em

espanhol, La que yo amo es? - no site de Seferino Rengel - que não consigo colocar o nome aqui, mas já dei a dica. Procurem na net e apelem para o

portuñol), mas isso não é uma fic Shinji X Harém. Já tenho problemas suficiente com

Maya, rs.

E por falar em Maya, aqui vamos nós: devido à sua inocencia e por ela aparentar ser mais jovens que os outros membros de Nerv, achei que

seria mais fácil que ela se reconhecesse nos pilotos. E sua aparente inocência, a valentia de Shinji poderia soar como a idealização adolescente

do homem ideal. Antes que me chinguém, todo mundo imagina a pessoa ideal, por mais feministas que sejam. E quanto à questão dela e

Ritsuko, bem... acho que entre 4 paredes, não rola só pesquisa no escritório da Dra. Akagi!

Quanto ao Proteus; uma das funções do protocolo é proteger toda a vida, por isso valorou o lado humano de Naoko Akagi. Por isso, decidi que

seria uma interessante reviravolta se MAGI deliberasse sobre a equação humana e chegasse à uma conclusão que nem mesmo Rei Ayanami

pudesse contestar. Ao aceitar o conceito que a vida humana é gerada no momento da complexidade celular avançada e não na concepção

(depois de tudo, estamos falando de uma cientista; assim que a opção teologica de vida no momento da concepção não se encaxairia (e de

quebra, nos traz a bela polêmica de Evangelion. Quando MAGI considera todos os clones como vidas independente, ele começa a deixá-las

desenvolver consciência indivídual, tornando-os incompatíveis com Rei. E G... resolve isso eliminando-as. Maldito bastardo!

Arthur,

Realmente, Shinji é um lucky bastard! Honestamente, entre Rei. Asuka e Maya... seria uma questão do tipo: "ganhei dinheiro, economizo com o

futuro, ou gasto tudo me divertindo e vivendo a vida?" No lugar dele, senhorita Ibuki que se cuidasse! Mas a opinião do autor não entra em

consideração para o personagem. Pena...

Como você viu neste capítulo, temos algumas subtramas rolando. E parece que a ruiva está desconfiando de alguma coisa... No próximo capítulo

teremos algumas respostas, muita ação.... ou pelo menos é o que eu acredito.

Uma nota da produção: como o capítulo anterior foi especial, ele utilizou quase totalmente meu colchão de capítulos, o que fez com que eu

literalmente escreva o capítulo do mês seguinte sem descanso. caso os capítulos próximos saiam atrasados, esse atraso será de, no máximo,

uma semana, por conta disso.

Obrigado pela lembrança!

Estou feliz de não ter de fazer um capítulo especial de aniversário por mês! isso ia ser doloroso!

Nos Lemos,

Fan Surfer!