Pela manhã bem cedo, Rin foi percorrendo os corredores do castelo querendo encontrar Sesshoumaru para avisa-lo de sua saída temporária do recinto. Ela o procurou em vários cômodos, não queria se atrasar, quanto mais cedo saísse mais rápido chegaria ao local visado.
Quando finalmente o achou mudou rapidamente a expressão. Pode ver o yokai e em seu braço vinha enroscada a presença feminina que não o largava de forma alguma desde o momento que pusera os pés no local. Eles a olharam e o mesmo movimento foi recíproco por parte dela.
Mesmo ignorando um pouco a presença de Setsuka ela não podia esconder a demonstração a qual pairava pela sua bela face empalidecida. Com um pouco de seriedade e firmeza pode dizer:
-Senhor Sesshoumaru, posso falar com o senhor?
-Sim, diga.
-Eu estava pensando em ir até o vilarejo hoje...
-Ah, que bom! Pelo menos por hoje sua cara não estará por entre os corredores. –interrompeu Setsuka.
-Setsuka, pare com isso. –Disse o ser a intimidando. –Mas irá sozinha?
-Não, queria pedir que Jaken viesse comigo, poderia? –indagou o olhando diretamente.
-Obviamente que não. Jaken ficará pra me ajudar aqui hoje! Ele é muito útil, hoje ele não poderá sair.
-Quem dá as ordens aqui sou eu. –Disse Sesshoumaru a encarando e tirando seu braço do domínio da yokai. –Não seja tão intrometida.
-Não fale comigo dessa forma... Já vou ter problemas de mais hoje, pode fazer o mínimo por mim pelo menos por um dia? Pode parar de dar razão a essa folgada dessa humana pelo menos uma vez!? –indagou dramatizando a situação.
-Ah, esqueça!
Rin disse a última frase já no seu limite, resolveu deixar para trás aquele ser que tanto tagarelava palavras mimadas. Ela talvez fosse um dos seres mais revoltantes que já conhecera na vida. Ao sair em passos rápidos quase correndo acabou por esbarrar naquele outro ser que a segurou no braço impedindo sua drástica queda ao chão.
-Tome cuidado, princesinha.
-Ah, não só faltava mesmo você pra estragar meu dia! –Disse ríspida.
-Não está feliz em me ver já tão cedo? –indagou o yokai dos olhos vermelhos.
-Hum... Deixe-me ver... NÃO! –Disse sádica. –Agora dá pra me soltar?
-E por que faria isso, libélula?
-Porque eu estou dizendo e quer parar de me chamar de libélula!
-Desculpe, mas é automático. –sorriu desafiador.
-Seu idiota. –puxou seu braço fortemente, mas ele a segurou mais forte. –Qual é o seu problema?
-Com certeza você... Onde quer ir com tanta pressa?
-Definitivamente isso não é da sua conta, agora me solta antes que eu faça um escândalo.
-Tudo bem, não precisa ficar tão irrequieta dessa forma.
Ele a soltou e quando a pequena humana iria sair andando, ele a puxou pela cintura tinha outras intenções, mas ao vira-la e encarar aquela essência achocolatada daqueles olhos pode parar por um breve momento. Ficou sem entender e talvez um pouco perturbado com aquele impacto. Com o ocorrido a soltou sem que ela precisasse pedir, mesmo sentindo-se hipnotizado pela aquela plenitude.
-Você é louco? –indagou a menina confusa.
-Acho que estou ficando...
-Vai ser louco longe, mas bem longe de mim!
Ela saiu mais rápido sem olhar para trás. Yashamaru ficou a olhando e pode reparar que algo estranho começava a rodear a misteriosa humana, aquele brilho em seus olhos realmente não eram culpa da luminosidade do local, definitivamente essa não era a resposta. Aquelas íris castanhas ficaram marcadas de uma forma peculiar e estridente. O yokai colocou a mão no peito e o sentiu palpitar de maneira frenética e indomável. Respirou fundo e resolveu ir atrás daquela que o tinha deixado de uma maneira estranha.
Rin chegou no jardim do castelo e foi para debaixo da árvore que costumava ficar, estava sem dúvidas revoltada com o que aconteceu. Setsuka a irritava e com certeza muito mais a Sesshoumaru. Ela sabia que se o yokai quisesse Jaken iria com ela para o vilarejo, porém preferiu não causar intrigas com o casal. Mesmo tendo poderes de uma princesa não queria problemas.
Quando iria sentar-se foi interceptada por uma mão masculina que a virou levemente e a foi levando até encostar-se à parede. Ela se assustou com aquilo e quando olhou mais detalhadamente pode ver a figura de Yashamaru a encarando nos olhos seriamente:
-O quê é agora!? Você não...
Ele não a deixou continuar a frase, com o seu dedo indicador o colocou sobre os lábios carnudos da menina que começava a ficar um pouco atordoada. Aqueles olhos rubis começavam a consumi-la e um frio na espinha pode ser sentido.
-O quê é você, libélula?
-O quê?
-Está voando pelos meus pensamentos incansavelmente, seus olhos me perseguem, você é tão diferente de tudo...
-Do que está falando?
-Case-se comigo.
-... O quê?! Perdeu o juízo? –indagou incrédula.
-Estou falando sério, se casar comigo terá uma vida perfeita...
-Não seja ridículo, eu jamais me casaria com você!
-Não seja tola, o quê acha que te aguarda nesse castelo? –indagou indignado com a resposta.
-Eu prefiro mofar nesse lugar a ter de me casar com você.
-Por que o ama tanto?! Ele não está nem aí pra você! Se te amasse você estaria no lugar da minha irmã!
-É claro que ele se importa comigo, não diga uma tolice dessas!
-Ah é mesmo? Então por que não está lá, casada com ele?
-Não diga asneira! O senhor Sesshoumaru não é inconseqüente como você! Ao contrário de você, Yashamaru, ele pensa!
-E graças a isso você vai morrer nesse lugar e ser infeliz pra sempre vendo minha irmãzinha ao lado de Sesshoumaru.
-Não me importo o que pensa, não sabe nada sobre mim!
-Pode até ser, mas lhe garanto uma coisa... Não espere que ele deixe Setsuka, isso não vai acontecer.
-Por que não me deixa em paz?! –Disse nervosa. –vai embora daqui... Você quer me confundir é isso que você quer, mas não vai conseguir!
-Confundir? –sorriu malicioso. –Acha o quê eu quero é te confundir? Não pense que sabe tudo, você é só uma humana, não entende nada de nós yokais.
-Pare de subestimar minhas percepções, expectativas, dores, sentimentos! –irritou-se. –Acorda, quem não entende nada é você! É você que não sabe de porcaria nenhuma! Essa hipocrisia nos olhos de todos vocês me irrita! Acha que eu sou o seu brinquedo, Yashamaru?!
Ele colocou o seu braço direito no lado do rosto de Rin. A encarou profundamente como se fosse a última vez que fizesse tal movimento. Ficou daquela forma por alguns segundos e pode notar o quanto à menina era decidida e com uma personalidade tão forte quanto uma rocha.
-Não penso que é meu brinquedo, afinal sei que minha você não é, infelizmente... Mas isso será temporário, quando cair em si vai notar que tenho toda a razão.
-Razão? Você está completamente louco.
-Não estou louco, estou obsessivo.
-Obsessivo pelo o quê?
-Claro que é por você, libélula... Por que não aceita minha proposta de uma vez? Não irei te tratar mal nunca, seria a maior senhora feudal... Queria entender porque recusa uma oferta que qualquer mulher espera.
-Porque eu amo o senhor Sesshoumaru.
-Está perdendo o seu tempo... –suspirou. –Não percebe que não há nada pra você aqui?
-Por que todos querem me convencer disso? –sorriu. –Eu é que decido o que é melhor pra mim...
-Está certo... –tirou a mão do lado dela. –Mas escreve o que eu estou dizendo, você ainda vai ser minha mulher!
-Vou, claro. –ironizou. –E a Setsuka vai me chamar de irmãzinha e trocaremos sempre nossos Kimonos.
Yashamaru sorriu com aquele comentário o que fez com que a pequena humana se surpreendesse, pois não era um sorriso forçado e nem malicioso e sim sincero. Não estava acostumada a ver aquele yokai demonstrar tamanha proeza e simplicidade.
-Hei... O quê deu em você? –indagou curiosa.
-Do quê?
-Esqueça... –suspirou. –Deve ter sido só impressão.
-Eu amo você, libélula... Não se esqueça disso.
O rapaz saiu andando sem pressa deixando a menina solitária mais uma vez. Ela fechou os olhos, sentou-se no chão e encostou as costas na árvore. Ficou fitando o rapaz sumir da sua direção e quando ele fez isso pode sentir-se mais aliviada.
-Era só essa que me faltava... É... Acho que minha visita ao vilarejo vai ser adiada.
Yashamaru entrou no castelo calmamente e quando viraria o corredor uma mão firme masculina o pegou pela parte de cima do kimono e o empurrou com agressividade. Ele ficou assustado com a investida, mas ao ver quem fazia tal coisa abriu um sorriso cínico e pode encarar da mesma forma os olhos mel a sua frente que não estavam nenhum pouco satisfeito.
-O quê você quer com a Rin?
-Isso não é da sua conta, todo poderoso Sesshoumaru. –riu. –O meu assunto não é com você.
-Seu moleque! Acha mesmo que terá algo com ela?!
-Ora, ora... Por que está tão preocupado? Não já está comprometido? Ou será que uma só não basta?
-Cale-se! Não vou permitir que fale o que quiser em meu castelo! Escute aqui, seu fedelho... Seu chegará dentro de algumas horas e com certeza sua estadia nesse recinto estará terminada, mas enquanto isso, não quero que pense na possibilidade de me causar problemas!
-Não fiz nada, somente fui conversar com a pequenina...
-Não quero que ouse se aproximar dela! –irritou-se e apertou mais o kimono. –Ela não é igual às mulheres que recebe em seu quarto!
-Eu sei que ela não é, por isso mesmo que me senti atraído por aquela beleza tão peculiar e mística... Acha que eu teria me envolvido tanto assim se não tivesse percebido a diferença entre ela e as outras?
-Se envolvido? –sorriu descrente. –A quem está tentando enganar? Quer me convencer que tem sentimentos por ela?
-Não quero convencer você de nada. Aliás, não preciso... Ela será minha esposa e você não vai poder evitar isso.
Sesshoumaru não agüentou ao escutar a frase, deixou um riso escapar de seus lábios e soltou o rapaz ao mesmo tempo. O encarou mais uma vez com um sorriso incrédulo e provocante:
-Está falando sério?
-Você ri agora, mas você mal pode esperar pra ver.
-Não seja idiota, Rin jamais se casaria com você e mesmo que ela quisesse o quê acha que aconteceria com ela?! –disse mais sério e firme.
-Ninguém tem nada a ver com a minha vida.
-Claro que tem, seu imbecil! Você será um senhor feudal, sua vida não será mais sua e sim de todo o conselho.
-Eu quero que se dane aquela "velharada", acha que ligo para aquele maldito conselho? Ninguém vai mandar em mim.
-Eu não vou ficar discutindo com um moleque irresponsável como você, só vou te dar um recado: Afaste-se dela antes que eu mate você e te corte em mil pedaços.
-Não pode me proibir de falar com ela.
-Não só posso como estou ordenando! –Disse seco. –Se infligir minhas ordens vai se arrepender.
O poderoso senhor feudal virou-se de costas e pode prosseguir seu caminho. O jovem o olhou e sorriu para si, admirou sua própria coragem e ficou preso em alguns pensamentos.
Sesshoumaru foi saindo do castelo, queria encontrar a mulher dos olhos chocolates, precisava vê-la, sentir nem que por alguns segundos o seu delicado perfume de magnólia. Ao sentir o aroma já sabia a direção, partiu sem medo e a pode ver repousando debaixo daquela árvore que castigada pelo outono só possuía poucas folhas.
Rin sorriu ao ver a plenitude se aproximar, corou um pouco ao notar que ele a procurava e queria de fato sua companhia. Como poderia ignorar a existência daquele ser? Era impossível... Não podia deixa-lo, pensava que talvez ele pudesse sobreviver a isso, mas ela jamais conseguiria tal coisa após de tudo.
-Aquele insuportável estava lhe incomodando?
-Ah, deixa ele pra lá... Se eu colocasse num pergaminho todos que não me suportam precisaria de mais de um. –riu. –Não se importe.
-Não acha que está pedindo de mais?
-Obrigada, senhor Sesshoumaru pela preocupação. –sorriu docemente. –Mas juro, estou bem, ele já foi.
-E espero que vá literalmente. –emburrou-se. –Ele realmente pediu você em casamento?
-Ah, sim... Mas acho que ele não leva muito a sério as coisas, não tem muita noção do que propõe, acha que o mundo é dele... Ele vai melhorar, você vai ver. Quer dizer! O senhor! Perdoe-me, não sei porque disse você! Eu lamento muito. –curvou-se um pouco ruborizada pelo erro cometido.
-... Não seja tola, não precisa ser tão formal assim...
-O quê? –surpreendeu-se.
-Eu nem sei porque ainda me chama de senhor depois de tudo... –virou o rosto não a encarando.
-... Bem... –gaguejou um pouco envergonhada. –Não quero que o senhor pense que não o vejo mais com respeito, prefiro lhe chamar de senhor como nos velhos tempos...
-Quem sabe quando essa nossa situação mudar não muda seus conceitos... Mas deixemos isso pra lá, não quero falar nesse assunto, as paredes tem ouvidos.
-Eu sei...
-Rin...
-O quê?
-Não se case com Yashamaru.
-Mas é claro que não. –riu. –Acha mesmo que faria isso?
-Não caia nos encantos dele... Muitas mulheres perderam bons casamentos graças aos passeios noturnos desse moleque...
-Eu sou diferente, sabe disso. –sorriu. –Ora, vamos... Não acha mesmo que me entregaria nos braços de um yokai que tentou me agarrar a força, me fez um ferimento grave no braço e ainda por cima tem uma irmã insuportável!
-Só estou dizendo, pois não quero que tenha crise de amnésia sobre tudo que ele lhe fez.
-Pode ter certeza que não terei. Não se preocupe enquanto a isso... –Disse mais baixo a próxima frase. –Sabe que eu te amo mais do que tudo nesse mundo.
-... Tenha um pouco mais de paciência... Pode ter?
-Claro, não estou com pressa, faça tudo do seu jeito, contanto que saia perfeito no final nada mais me importa.
-Farei de tudo para que seja perfeito.
-Eu acredito. –sorriu.
-Não se deixe levar por acontecimentos, também sabe dos meus sentimentos para com você...
Ela nem ao menos pode responder aquela frase, sentiu uma intensa alegria e uma vontade louca de sair correndo e o abraçar. O amor incondicional a qual sentia transbordava pelo seu ser. Estava no ápice, flutuando, não queria que aquela conversa terminasse, não queria vê-lo voltando para os braços da sua rival... Doía muito, talvez mais do que pudesse suportar, entretanto no fundo sabia que era tudo superficial e que ele iria até o seu encontro o mais breve possível.
Uma gota de chuva caiu nos cabelos negros da menina, logo centenas delas invadiram o local. O céu virou cinza assim como a vida de Sesshoumaru que só não estava relativamente negra pelo fato da bela humana ainda estar presente em sua vida. Os dois saíram do jardim um pouco molhados com a chuva repentina, entraram no castelo sem cerimônia e com um suspiro ela disse:
-Que estranho... Não achei que fosse chover hoje.
-Não é uma chuva qualquer... –respondeu intrigado.
-O quê?
-Algo vem por se aproximar... E creio que não é uma simples tempestade...
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NOTA:
Amei os comentários como sempre! Sorry a demora! Amo tds vcs! Lindérrimas xD! Essa nota rapidinha pq jah tenho q sair do pc!! Espero q tenham gostado! Próximo capt vai ser atualizado ateh sábado no máximo!! Expliko td dps!! BJUS!
