Hipérbole – a figura do exagero. Ex: 'Eu andaria mil milhas se eu pudesse te ver essa noite' e 'Morro de amores por você' são exemplos mega românticos disso tudo *-*

Eu mexi na cama, meio dormindo meio acordada, o peso do braço de James por cima do meu corpo. Sorri ao sentir o aperto aumentar de um jeito meio inconsciente e sua respiração bater irregular em meu pescoço, os lábios quentes atrás de minha orelha em um beijo leve e a mão procurando pela minha para entrelaçar nossos dedos.

"Afim de acordar?" ele perguntou, murmurando, apertando nossos corpos. Eu não contive o sorriso e o fechar de olhos para senti-lo melhor "É aula de História da Magia, hein"

Ri, baixo.

"Você me trocaria pelo Binns?"

"Não"

Eu o senti sorrir.

"A cama é mesmo mais tentadora" continuei, chegando meu corpo mais para trás e encaixando-o de um jeito ainda melhor no dele. James levantou o rosto com isso e beijou a linha da minha mandíbula, os olhos fechando quando os cílios tocaram minha bochecha depois de escorregar até meu ombro "Podemos passar a manhã aqui"

E, claro, eu dizia aquilo não só porque estaríamos perdendo duas aulas de História da Magia e mais outras duas aulas que eu não fazia idéia – Herbologia? Transfiguração? – e cuja importância poderia ser extremamente contestada quando eu poderia passar a manhã inteira com James, deitada com ele e sem me separar dele.

Como em toda essa semana.

"E a tarde"

"Combinei de ajudar Marlene"

"O que é uma pena" ele beijou meu ombro, a boca escorregando pelo meu braço até que seu corpo se levantasse de novo. Dessa vez, fui junto; pendi o corpo para trás e fiquei deitada com as costas no colchão, beijando sua boca preguiçosamente enquanto deslizava minhas mãos para sua cintura e o trazia mais para perto "Eu poderia ficar aqui por anos"

Eu sorri contra seus lábios, sem responder para sentir o prazer de beijá-lo. E, durante o beijo – lascivo, intenso, longo mas aparentemente calmo – não pude deixar de pensar em como eu poderia ficar por tanto tempo quanto.

Ou mais. Muito mais. Porque, nesses sete dias em que misturávamos aulas com beijos e abraços e risadas altas e conversas sussurradas entre sexo, eu não tinha mesmo vontade de sair de perto dele. Sentar uma cadeira atrás ou à frente dele, sentar na arquibancada para vê-lo no quadribol, vê-lo fazer os trabalhos com Sirius ou ter seu tempo também com Remus e Peter eram momentos do dia em que, se eu não estivesse aproveitando para passar o tempo com as meninas, eu só pensaria nele e em nada mais. E era isso que acontecia quando Marlene estava ocupada com algum menino, quando Mary ficava preocupada com os NIEMs e Alice com o namorado dela, Frank; eu deitava na minha cama e ficava olhando para o teto com um sorrisinho bobo no rosto, abraçando o travesseiro e soltando gritinhos de felicidade antes de decidir me levantar e percorrer o castelo para fingir cumprir minhas obrigações de monitora.

E eu, que achei que sempre reviraria os olhos com alguma cena – anteriormente, protagonizada apenas por Mary – como essa. E eu, que achei sempre seria aquela que fosse sentar na cama e perguntar milhares de coisas para qualquer uma das minhas amigas enquanto pensava que faria pouco caso de uma situação aparentemente legal e perfeita. E eu, que nunca me excitava o suficiente para sair dando pulinhos porque tinha conseguido alguma coisa que eu realmente queria, fiquei sorrindo boba e me revirando entre os lençóis até resolver chamar amiga por amiga e acordá-las para soltar um 'Dormi com James'.

Não que eu tivesse uma necessidade ímpar de contar aquilo para elas. E nada de detalhe por detalhe – embora Marlene, claro, tenha insistido em perguntas do tipo 'Oral? Anal? Fantasia? De quatro?' – ou de dizer mais alguma coisa do que isso; fiquei nisso, elas soltaram ameaças verbais e só conseguiram arrancar mais um 'Amei'

E eu amei. Amei, de verdade, e o suficiente para passar uma semana totalmente alheia a tudo e só conseguindo pensar em dormir perto dele, ao lado dele, com ele, abraçando-o enquanto encontrava o lugar certinho de seu ombro para dormir.

"Isso é um exagero"

Apesar de eu realmente achar que poderia mais.

"Não é, não" ele baixou o corpo, o peso sobre o meu, a boca na curva do meu rosto com o ombro, uma das pernas entre as minhas "Anos e anos"

Ele beijou a pele do meu ombro, e depois minha bochecha, e depois minha boca de novo. E abraçou meu corpo, e deixou o peso cair ainda mais, e apertou a cintura contra a minha e me fez suspirar mais uma vez.

Seriam milhares.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Peguei a vassoura enquanto endireitava a roupa de treino, passando a mão no cabelo logo em seguida. Era o único no vestiário que ainda não estava pronto para o treino – chegara mesmo atrasado, e tinha uma das razões que Sirius chamava de 'inadiáveis desde que tenham saia no uniforme' – e o único que ainda tinha que fazer milhares de planinhos para o jogo contra a Lufa-lufa que nos levaria a um jogo decisivo contra a Sonserina*.

E não estava exatamente preocupado.

"Isso é paixão, cara"

"É"

Sirius sorriu para mim.

"Tenho que tentar convencer o Moony a me acompanhar naquelas orgias de sábado à noite agora" brincou "Ou o Peter. Mas meninas têm aquelas coisas de não querer deixar as amigas sozinhas, e eu não vejo muitas possibilidades do Wormtail arrumar algo mais que chocolate crocante e..."

"Isso é maldade, Pads"

"Você está ficando bonzinho também?"

Eu ri, sem responder. Não que eu estivesse exatamente bonzinho, mas Peter era um caso divertido de ser brincado até que percebemos que a brincadeira era um caso sério.

"Leve o Peter. Amigas também sempre têm amigas feias"

Ele sorriu como se me tivesse de volta, mas também não disse nada de imediato. Apoiou-se na parede meio de lado e ficou com o olhar meio divertido enquanto me esperava colocar as botas, mascando um chiclete displicentemente.

"Lily, Marlene, Mary e Alice são bonitas" comentou, sorrindo divertido "Mas acho que essa sua teoria está certa se levarmos em consideração aquela menina de cabelo crespo escuro nos ombros e..."

"... Você realmente a imagina em uma orgia?" brinquei de volta, terminando de calçar e me levantando imediatamente. Voltei a pegar minha vassoura e, com ela, dar um golpe fraco no ombro de Sirius para que ele parasse de devanear e começasse a entrar no clima de decisão que era aquele treino "Com o Peter, Pads?"

Ele gargalhou, a cabeça chegando a cair para trás no riso.

"Que me livrem dessa imagem"

"E você conseguiu colocá-la na minha cabeça" ele retrucou, sorrindo, me seguindo até o lado de fora do vestiário. Passou a mão pelo cabelo e o afastou dos olhos, montando na vassoura e ficando a mais ou menos meio metro do chão "Nada como um pouco de Quadribol para esquecer"

E saiu voando, parando perto de Marlene. Desviei os olhos dos dois assim que eles começaram a conversar, procurando por Lily; ela estava sentada na parte mais alta da arquibancada junto com Alice, olhando para algum pergaminho enquanto riam de alguma coisa totalmente fora do meu conhecimento.

Eu sorri, sem conseguir me impedir. Era simplesmente delicioso, depois de dois anos tentando, ver Lily sentada na chuva fraca para me ver, com o cabelo ruivo preso em um rabo de cavalo e um sobretudo de um tom escuro de marrom, as calças trouxas – acho que o nome era 'jeans'. Não porque eu fosse ligado em moda ou qualquer coisa assim, mas porque Lily me contara, há um tempo, que a irmã a chamava de 'rebeldezinha sem causa' por apoiar o movimento hippie ou algo assim – marcando suas pernas.

É, era delicioso.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Eu terminei de descer da arquibancada, sem andar mais rápido por causa da chuva e sem me preocupar muito com o pouco de lama que se formava por ali. Só abracei meu corpo por causa do frio e segui reto até o vestiário masculino, abrindo a porta meio pesada com o peso do meu corpo e fechando-a completamente antes de sair do pequeno hall de entrada que tinha para as vassouras.

É, acho que só tinha James ali porque a dele era a única.

Sem querer fazer muito barulho – mas também sem me esquivar muito, claro, porque não sou tão dramática assim – entrei no vestiário, sem conseguir impedir um sorriso de vir ao meu rosto quando ouvi um único chuveiro funcionando. Ele não costumava demorar – e eu sabia disso porque já viera a outros treinos também, embora não para fins como esse – mas hoje Sirius e ele ficaram conversando sobre qualquer coisa lá do lado de fora antes de Slughorn aparecer e pegar Sirius pelas orelhas devido a um roubo de raízes de salgueiros.

Filch que não ia gostar muito da sujeira deixada pelos corredores.

"James?" chamei, empurrando a porta de onde via o barulho enquanto mordia meu lábio inferior ao imaginar a reação dele. Não foi, entretanto, nada do que eu imaginei; embora eu esperasse um meio arregalar de olhos e um sorriso maroto ao me reconhecer, eu vi um arquear safado de sobrancelha como se sempre tivesse me esperado ali e tive um puxar de braços na direção dele, sem que ele mesmo se importasse em me molhar "Você sabe, minha intenção era que você fechasse o chuveiro antes"

Mas eu não me importava muito com a água quente, nem com o fato de ainda estar bem frio do lado de fora ou de que alguém poderia entrar e nos pegar ali.

"Ainda tenho que tomar banho"

"Posso te ajudar nisso"

Ele baixou os olhos acastanhados para os meus , um sorriso de canto nos lábios ao seguir na direção de minha mão até o sabonete. Manteve o olhar enquanto eu passava o produto pela parte de cima do seu corpo ; comecei por seus ombros e desci por seus braços – com vontade de suspirar ao sentir seus músculos e ao me lembrar o que ele fazia com eles, me apertando contra seu corpo e contra a cama, movendo-se pelo meu dorso sem o menor pudor – antes de voltar a subir para descer por seu tórax agora . Segui as definições de sua pele até a linha de sua cintura, quando ele desceu as pálpebras e soltou um suspiro.

"Meu melhor banho" ele murmurou, calando a boca imediatamente após eu tocá-lo. Fui para mais perto e peguei seu lábio inferior entre os meus, me deliciando com seu gemido fraco "Desde sempre"

Eu não respondi, mas suspirei quando suas mãos começaram a desabotoar meu sobretudo.

"Vamos, tira isso"

Eu comecei a ajudá-lo, desamarrando e desabotoando o sobretudo, deixando-o cair no boxe molhado. Ele correu os dedos para a minha calça e eu tirei meu suéter e minha blusa de uma só vez, rindo com ele quando, ao terminar o que ele começara, quase caí por perder o equilíbrio sobre um pé.

"Estabanada" ele sussurrou, sem jogar de imediato minha calça no chão. Pegou minha varinha enquanto eu mordia seu ombro em represália, um braço abraçando minha cintura contra seu corpo – já grande. Muuuuuuuuuito grande – e o rosto apertado no meu "Colloportus. Abaffiato"

Eu tinha certeza que o primeiro funcionaria. Mas o segundo não.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

"Nossa" Marlene comentou ao me vir cruzando o retrato com Lily, levantou os olhos escuros para do pergaminho que dividia com Sirius "O bom de ser nove da noite é que vocês não perderam nada de interessante no jantar. Só comida mesmo"

Essa era Marlene. As coisas só ficavam interessantes se tivessem brigas, rompimentos, feitiços e sexo.

"E a gente trouxe sobremesa para vocês" Sirius completou, apontando para um pratinho do lado "Depois que percebemos que... hmm, o James arrumar o cabelo ia demorar"

Eu soltei uma risada involuntária, e até mesmo Lily sorriu além do rubor.

"E só não trouxemos comida de verdade porque..."

"Eu estou mesmo sem fome" interrompi, apertando a mão de Lily para que ela olhasse para mim "Você..."

"Também deve estar sem" Sirius interrompeu, um sorriso debochado no rosto antes de voltar a atenção para o pergaminho. Pegou-o e analisou-o – e devia ter algo realmente interessante ali para prender a atenção dele por tanto tempo - enquanto apontava para o prato "Quer dizer, com menos que eu, porque o esforço que eu tô fazendo para não comer isso daí é enorme"

Eu ri, divertido, deixando a mão de Lily para despentear o cabelo de Sirius "Que amigo legal"

"Veja se eu vou continuar a ser legal se você não comer isso logo e não parar com essa cena de 'melhores-amigos' digna de quem tem..."

"Mas você é meu melhor amigo"

"Sim, realmente lindo. E você se importaria se o seu melhor amigo pegasse um desses sapos que..."

"Claro que sim" ri, peguei o prato e me joguei no sofá perto deles, voltando a pegar a mão de Lily para que ela viesse para perto. Olhava para a gente com um quê divertido no olhar – apesar de ter ruborizado um pouco mais com o comentário ambíguo de Sirius – antes de fixar o olhar em mim e pegar um feijãozinho de todos os sabores, colocando-se entre minhas pernas e de costas para mim para que pudesse olhar para os dois também "O que é isso aí?"

Sirius e Marlene se entreolharam, divertidos.

"Pedimos emprestado de um primeiranista" ela respondeu, me piscando o olho "Eu quase tive uma crise de saudade ao perceber que era um dos treinos para o nosso penúltimo jogo aqui em Hogwarts, e começamos a conversar sobre algumas coisas da escola até que ele me disse que de algumas coisas não sentiria falta"

"Binns"

"Mas eu disse que conseguia provar que ele sentiria falta de tudo. E pedi a um menininho esse pergaminho que todos recebemos no primeiro dia de aula, lembra?" Marlene perguntou, apoiando o queixo na mão "Sabia que tem uma regra que diz que..."

Mas eu parei de prestar atenção quando Lily apoiou mais o corpo em mim e pareceu ter todos os sentidos voltados para tudo o que Marlene descrevia. Não sabia se ela precisava disso para lembrar ou se apenas queria ter as lembranças de alguém para rir junto, mas eu não conseguia deixar de pensar que eu sentiria falta mesmo de Binns. Sirius e eu costumávamos matar as aulas dele fumando e bebendo no banheiro, e de vez em quando íamos para o campo de quadribol treinar com a goles e com o pomo. Remus costumava nos reprovar com uma revirada de olhos que não durava mais que dois segundos, e Peter soltava um sorriso dizendo que gostaria de ter a nossa coragem de matar tantas aulas. Já escapei de aulas até mais legais – como Feitiços – para ficar mais tempos com garotas, e já tive que me jogar no lago meia noite para pagar uma aposta porque uma delas não aceitara ir para um armário de vassoura comigo. Já levei foras gigantescos no jardim – vide Lily – e já fui parar na detenção nove vezes por semana só por azarar sonserinos.

E havia Lily, também. E Marlene, e Frank, e Alice, e Mary, e os Prewett, e mais um monte de gente que deixaria a escola e que teríamos que encontrar fora dos limites do jardim, com uma responsabilidade extremamente maior que passar de ano. Não queria a todas do mesmo jeito que queria a algumas – os marotos, Lily, Marlene, Frank, Fabian e Gideon, Emmeline – mas, para estas, percebi que poderia dar o mundo – como tantas vezes já murmurara para Lily, desde os tempos de amizade – sem pensar duas vezes.

Sem exagero.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO


(sobre esse capítulo, decidi não colocar uma cena específica sobre a hipérbole e nem um exemplo de quando eles eram crianças. Achei melhor deixar com que o capítulo todo fosse um aparente exagero XD)

(eeeeeee, não desenvolvi mais a última parte porque há sempre a analepse XD Alguém arrisca dizer o que é sem procurar no Wikipedia?)

*eu sei, colocar sempre a Sonserina no final é meio clichê. Mas eu não consigo não imaginar o campo verde e vermelho XD

Tá legal, não tenho cara de pedir desculpas. Mas peço; desculpas, desculpas, desculpas³ pela demora. Ia até me alongar aqui, mas já fiquei acordada até uma da manhã ontem e passei o dia todo fazendo prova de biologia e física e estudando química e geografia, então estou realmente caindo de sono e com vontade de ter encontros com a minha cama e meu travesseiro XD

Maaaaaaas, vamos aos agradecimentos; PseudO EscritorA; Alexa McAvoy, Dani Prongs, Alice Dreamer, Flor Cordeiro, MR27, Sakura Diggory, Sophie Ev. Potter e Justine Sunderson, todas já respondidas, espero.

Agoooooora...

B . a - e eu te fiz esperar mais, e por um capítulo corrido e nem tão bom assim. Malz :/

Nathália Gonzáles - obrigada *-*

Nathália - siiiiiiiim, de Aristóteles ;D

Samantha - idem à Gonzáles XD

PS: Genteeeeeee, me perdoa?