Capítulo 14

Disclaimer: Não me pertencem! Os personagens assim como o contexto e os ambientes são todos da Naoko Takeuchi.

Eles estavam andando lado a lado em silêncio há algum tempo. Minako olhava constantemente, da forma mais discreta que conseguia, para ele enquanto pensava que ele não estava olhando. Kevin, por sua vez, ficava cada vez mais tenso. Andava com as mãos dentro dos bolsos da calça e, por mais que tentasse, não conseguia diminuir a imagem do desconforto que sentia.

"Eu acho que levar alguém em casa não exclui conversas." – Minako comentou com um tom suave.

"Eu não tenho ideia do que conversar com você, Minako." – Kevin respondeu em um tom sério.

"Bom... Essa é uma situação complemente nova para mim..." – Minako falou com um sorriso no rosto – "Mas, não menos estranha..."

"Na verdade, você é a única responsável por isto." – ele ainda estava sério e não a olhava.

"Sério?" – Minako abriu mais ainda o sorriso, encontrando a expressão dura dele e, nem por isso, desfazendo o sorriso – "Nunca fui acusada de provocar situações ruins."

"Acredito que as pessoas tenham dificuldades de te acusar de qualquer coisa." – ele comentou com suavidade.

"Por que?" – Minako perguntou com uma genuína curiosidade e completou com um tom brincalhão – "As pessoas me acham bonita demais para me contrariar?"

"Não. As pessoas..." – ele começou a falar com cuidado, ainda sem olhá-la – "As pessoas te acham tola demais para responsabiliza-la por coisas que provavelmente você nem ao menos tenho consciência."

"Nossa!" – Minako murmurou depois de um tempo – "Obrigada por me informar a opinião das outras pessoas."

O tom de voz dela era calmo, quase divertido. Kevin ficou calado por alguns instantes, ponderando sobre o que responder a ela. Era complicado manter aquele diálogo. Ele tinha acabado de ofendê-la e, mesmo assim, ela parecia não se importar.

"Por que você está agindo assim?" – ele perguntou com calma.

"Poderia perguntar a mesma coisa já que é você que está sendo rude." – Minako respondeu em um tom um pouco mais duro – "Mas eu sei a resposta. Então vamos ser práticos, vá e pergunte ao Zachary. Use a sua autoridade e obtenha a resposta com o seu general."

"É tão difícil me dizer o que vocês descobriram?" – Kevin parou no meio do caminho – "Você desconfia tanto assim de mim?"

"Não e sim." – Minako respondeu ajeitando o cabelo nervosamente – "De fato, não descobrimos nada, é uma suspeita. E, sendo bem honesta, você não está atrás da minha fé em você. Isto não combina com você."

"Como você mesmo me disse no hospital, somos pessoas diferentes do que fomos no passado." – ele respondeu com um sorriso desagradável.

"E isto nos leva a...?"

"Estou te dando uma oportunidade de fazer a coisa certa." – ele completou sem pestanejar.

"Por que, no momento, eu estou errada?" – Minako parecia estar se divertindo muito com aquela conversa.

"Eu sei que vocês suspeitam que o Danburite seja o responsável pelo ataque, Venus." – pela primeira vez, Minako teve certeza que estava na frente de Kunzite, o líder dos Shitennous – "Não queira fazer de mim um tolo. Eu tenho total controle sobre os meus generais, até mesmo quando eles acham que não."

"Então você estava me... testando?!" – Minako levantou as sobrancelhas de um jeito completamente infantil.

"Como disse, estava te dando uma oportunidade de fazer o certo." – ele respondeu sério – "Porque é evidente que você ainda tem sentimentos por ele."

"Claaaro!" – Minako respondeu de imediato, abandonando a expressão infantil de antes e assumindo um ar mais maduro do que o de costume – "Deve ser por isso que estou sozinha no momento e conversando com você aqui na rua. Sério, você merece um prêmio por conclusões rápidas, sem fundamento e erradas!"

"Não me venha com este discurso padrão." – ele respondeu sem se abalar com as palavras dela – "Você está protegendo ele."

"Francamente..." – Minako entrelaçou os dedos nos fios da franja e os puxando para o lado sem muita delicadeza – "É inacreditável! Você não sabe de nada, Kevin, nada! E não tem nenhum direito de me julgar..."

"Ah, não? Por que?" – Kevin abriu um sorriso que não combinava nada com ele – "Porque eu trai o príncipe no passado, claro... Sou um traidor, não é?"

"Não ponha palavras na minha boca!" – Minako sibilou irritada – "Não venha interpretar os meus atos e nem decidir o que eu sinto. Se você quer me chamar de tonta ou ficar tentando provar que não sou eficiente na minha função como senshi, tudo bem. Eu posso relevar isto, simplesmente porque eu sei qual é a verdade e não me importo com a sua opinião ou com a de qualquer outra pessoa. Depois de algum tempo isto não faz mais sentido. Mas você não tem o direito de aparecer aqui, do nada, e me falar sobre os meus sentimentos. Se você ainda tem dúvidas, eu não vou perder meu tempo me justificando com você."

"Minako, você está sendo injusta..."

"Você consegue chegar a um nível que supera todo o cinismo." – Minako respondeu sorrindo e Kevin sentiu dificuldade em decidir se era um sorriso verdadeiro ou não – "Eu briguei com as minhas amigas... Eu abaixei a minha guarda e você me chama de injusta quando me defendo? Tudo bem... Essa conversa acabou aqui."

"Minako..."

Ela levantou a mão sinalizando para ele não continuar. Minako estava irritada, muito mais do que poderia imaginar.

"Eu vou para casa sozinha." – ela completou antes de dar volta e caminhar rapidamente.


"Jason...?" – Rei falou suavemente.

"Vai me bater agora?" – ele perguntou sem esconder um tom de preocupação na voz.

"Cala a boca!" – Rei ordenou antes de puxar o rosto dele contra o dela, o beijando.

Ele não sabia bem o que estava fazendo. A única certeza que tinha, era a de que a sensação que sentia no momento era a coisa mais sublime que o tinha atingido nestes últimos dias. Claro que sua mente, bem lá fundo, o alertava que alguma coisa não estava muito certa. Esta não era uma reação esperada da parte dela e nada no diálogo anterior poderia terminar nisto. Mas, ele não se importava com isto agora.

Jason apertou os braços em torno do corpo dela, tentando aproximar os corpos o máximo possível, enquanto tomava o controle do beijo. Já que a perspectiva era de um final trágico, ele iria aproveitar causa do seu fim da melhor forma possível.


"Deixa eu ver se entendi..." – Makoto iniciou a frase enquanto colocava uma mecha de cabelo atrás do ouvido – "Vocês saíram lá de dentro porque eles estava se olhando?"

"Basicamente." – Usagi respondeu com um suave balançar de cabeça.

"Na verdade eles estavam... Se abraçando." – Ned completou com o cenho franzido, como se aquela informação fosse complexa demais.

"Você não parece muito certo disso..." – Ami falou delicadamente.

"É porque, por mais que eu tenha visto, é complicado de acreditar." – Ned respondeu olhando para a garota.

"Imagina para gente que não viu!" – Makoto falou com um sorriso – "Usagi-chan, onde está a Minako? Ainda não a vi desde que saiu do hospital."

"Ela não disse para onde ia... Só saiu." – Usagi respondeu solicita – "Aliás o Zachary também não disse nada."

"Esse é o comportamento normal dele... Nada de estranho nisso." – Ned comentou enquanto Mamoru entrava na sala – "Príncipe, não será melhor averiguar a situação lá dentro?"

"Não precisa me chamar assim e..." – Mamoru parou a frase no meio como se tentasse escutar algo – "Ainda não tem gritos. Acho que ainda é seguro deixa-los sozinhos."

"Mamo-chan, você tem certeza que avisou todo mundo?" – Usagi perguntou preocupada – "Minako, Kevin e Zachary não apareceram ainda. E nem ao menos responderam."

"Eu avisei, sim..." – Mamoru respondeu acariciando os cabelos da esposa – "Eles devem estar aparecendo por ai..."


Minako abriu a porta do seu apartamento com dificuldade. Sentia tanta raiva no momento que nem ao menos conseguia acertar o furo na fechadura. Quando finalmente entrou em casa, não hesitou em bater a porta com toda a força que conseguiu. Kunzite era, tradicionalmente, irritante. Em uma discussão era pior ainda. Mas aquele Kunzite que estava brigando há alguns minutos atrás com ela era diferente. O Kunzite que ela conhecia jamais teria duvidado dos sentimentos dela para com ele. Mas, também, Minako não podia argumentar contra as evidências: de certa forma ela tinha dado alguns motivos para ele pensar assim. Mas isso não significava que ela iria aceitar facilmente aquilo.

De repente, Minako levantou o olhar e olhou para um ponto fixo da sala. Onde Artemis deveria estar... Desde que tinha voltado do hospital, Minako não tinha visto o gatinho branco. Aliás, não conseguia se lembrar da última vez que o tinha visto, sem ser quando as pedrinhas dos Shitennous desapareceram e ela e Ace tinham brigado. Sem chegar a mover o olhar pelo resto do cômodo, Minako sentiu o que realmente a estava incomodando.

"Você realmente precisa aprender a bater na porta." – ela sibilou irritada sem olhar para ele.

"Eu bati, mas você não estava em casa." – Ace respondeu de onde estava, confortavelmente instalado no sofá.

"Então decidiu entrar no meu apartamento, mais uma vez, sem meu consentimento, de novo?" – Minako perguntou ainda sem se mover.

"Bom... Aqui é bem mais confortável do que o corredor." – ele respondeu sorrindo.

"Onde está o Artemis?" – Minako perguntou, mudando de assunto bruscamente.

"Não tenho ideia. Quando cheguei aqui a casa já estava vazia." – ele respondeu com o que Minako achava ser sinceridade.

"Mesmo?" – Minako perguntou levantando uma das sobrancelhas.

"Por favor, Minako! Eu não fico fazendo mal a gatinhos por ai!" – ele respondeu exasperado.

"E o que você veio fazer aqui?" – Minako desencostou da porta da entrada, lugar de onde nem se lembrava de ter parado no meio do seu rompante de raiva interna.

"Vim ver como você está." – ele respondeu sério – "Fiquei sabendo que você esteve no hospital... Me preocupei."

"Ah... Você soube?" – Minako se aproximou com os braços cruzados. Ace ficou parado por alguns instantes observando a postura dela e suspirou pesadamente.

"Você está desconfiando de mim também." – ele afirmou com suavidade.

"Também, hum?" – Minako ainda estava no mesmo lugar.

"Ziocite foi na minha casa para... Hmm.. Conversar comigo." – ele respondeu evasivamente – "Ele desconfia que o ataque que você e a Rei sofreram foi causado por mim."

"Me desculpe se pareço desconfiada." – Minako começou a falar – "Mas os cortes que estão no corpo da Rei têm particularidades interessantes... Bastante semelhantes aos deixados pelas suas cartas."

"Você acredita que eu seria capaz de te machucar?" – ele perguntou com um tom magoado.

"Não sei..." – Minako demorou a responder – "Mas não tenho dúvidas em relação a você machucar a Rei."

"Então sou culpado pelo simples fato de não me preocupar com sua amiga?" – Ace se levantou do sofá e caminhou em direção a ela.

"Não te declarei culpado..." – Minako murmurou e antes de continuar a falar, recebeu uma mensagem no celular. A garota olhou a tela com os olhos levemente arregalados. – "Zachary está pedindo ajuda... Parece que ele está sendo atacado por um youma."

"Hmmm..."

"Então isso resolve tudo!" – Minako sorriu e quase que ao mesmo tempo desfez o sorriso – "Não que isso seja uma coisa alegre... Mas é que se ele está sendo atacado e você está aqui comigo, não é você, não é?!"


Kevin estava andando sem rumo pela rua. De certa forma, sabia que tinha ido longe demais. Forçado mais do que deveria. Mas ele sabia que essa era a única forma de Minako tomar uma posição... Pelo menos Venus tomaria uma posição nestas circunstâncias. O celular vibrou dentro do bolso do casaco. Ele leu a mensagem sentindo o coração quase parar a cada palavra.


Rei sentiu as costas batendo contra a parede, ao mesmo tempo em que Jason a prensava com o próprio corpo. Ela não sabia onde estava com a cabeça quando começou com aquilo e se ele estava se empenhando tanto em continuar, não era que ia terminar com aquilo. Era evidente que aquilo não ia acabar bem, além do fato de ela ter um namorado e de ter praticamente massacrado Minako pelos mesmos motivos. Mas, ao sentir os dedos dele deslizando pelos cabelos dela, não conseguiu pensar nas consequências.

De repente, Jason bufou irritado e quebrou o beijou. Rei ficou paralisada alguns segundos, sem entender o que estava acontecendo, antes de abrir os olhos e ver que ele estava mexendo no celular. Rei sentiu uma das veias dilatar no pescoço, sentindo, agora, uma vontade incontrolável de bater finalmente nele.

"Você está mandando uma mensagem bem no meio disto?" – ela perguntou moderando o tom irritado, mas era possível identificar a raiva dela.

"Não estou mandando uma mensagem..." – ele respondeu com um olhar que pedia desculpas – "Eu recebi uma mensagem do Zach. Ele está em perigo."

"O que?" – Rei sentiu a raiva esvair junto com a cor do rosto de Jason.


Ami estava olhando fixamente para o celular. Não sabia qual era a forma certa de reagir aquilo. Mamoru e Ned estavam agitados. Poucos minutos depois, Jason saiu do quarto acompanhado por uma Rei ainda de camisola.

"Isso aqui é sério?" – Jason perguntou com o celular suspenso no ar.

"É..." – Ned começou a responder e olhou para Rei do lado de Jason – "Parece que sim..."

"O Kevin está vindo para aqui." – Mamoru respondeu como se não estivesse prestando atenção ao que eles estavam conversando – "E parece que a Minako não virá."

"A Minako não vem por quê?" – Rei perguntou cruzando os braços – "Eu levanto dos mortos e ela nem ao menos vem me ver?"

"Se você não notou, a gente está aqui!" – Makoto resmungou com um aceno de mão.

"Ah, eu vi sim!" – Rei respondeu com suavidade – "Mas é que eu não quero ver vocês."

Ami levantou a cabeça e olhou abismada para Rei. Enquanto Usagi e Makoto arregalavam os olhos.

"Errr... Garotas, nós temos um problema sério aqui, sabiam?" – Ne tentou se fazer presente no meio daquela bagunça.

"Mudança de planos." – Mamoru cortou mais uma vez a conversa – "O Kevin localizou o Zachary e a gente vai para lá. Meninas, vocês ficam aqui."

"Como é que é?" – Makoto se levantou de onde estava.

"Por favor, sem drama!" – Ned pediu educadamente.

"Eu não falei com você!" – Makoto respondeu para Ned, irritada.

"Makoto..." – Mamoru começou a falar com calma – "A Rei ainda está fraca e a Usagi precisa de proteção. É melhor que vocês ficarem aqui."

"Mas eu não preciso de proteção!" – Usagi resmungou e ninguém parecia ouvir – "O Zachary que precisa, oras!"

"E a Minako também pode aparecer!" – Mamoru continuou a falar.

"Mas o intrometido disse que ela não viria." – Rei falou enquanto olhava para as próprias unhas. Não existia nenhuma dúvida sobre quem era o 'intrometido'.

"Rei, não força a amizade." – Mamoru respondeu – "Vocês ficam aqui e a gente vai."

"Mas é que a gente pode ajudar!" – Ami falou pela primeira vez sem esconder a preocupação.

"Sim, vocês podem, mas no momento acho melhor a gente resolver isso." – Ned falou com cuidado – "É uma coisa nossa."

"Tudo bem..." – Ami respondeu timidamente.

"Depois a gente continua a nossa conversa." – Jason murmurou para uma Rei que estava meio constrangida.


"Não é?" – Minako repetiu a pergunta para um Ace que continuava parado – "O que foi, Ace?"

"Nada... É só que você é tão..." – ele começou a falar com suavidade, acariciando o lado da cabeça dela – "Mais tão ingênua."

"Como?" – Minako estava confusa.

Ace sorriu carinhosamente antes de ela começar a sentir uma dor aguda onde tinha levado a pancada na cabeça. A dor era tão intensa que Minako começou a ver pontos escuros antes de cair nos braços dele.