Capítulo 14

Antonio Cortez lambuzou os dedos com mostarda e encheu o cachorro quente com a substância amarela e ácida. Ana-Lucia franziu o cenho, e repreendeu o irmão:

- Não devia comer tanta mostarda!

- Ah, deixa o garoto!- disse Sawyer pousando o braço direito ao redor dos ombros da namorada. – Excesso de mostarda de vez em quando não faz mal a ninguém.

Toni sorriu para o namorado da irmã, definitivamente o melhor que ela já tivera. Melhor do que Gabriel, que o estava sempre provocando e jamais o teria levado ao jogo dos Knicks em Nova York e de jatinho ainda por cima. Os olhos do garoto brilhavam ao acompanhar o movimento dos jogadores na quadra, a bola quicando no chão e caindo na cesta.

- Yeah!- vibrou o garoto quando seu time fez mais um ponto.

Ana-Lucia sorriu e encostou a cabeça no ombro de Sawyer. O técnico do time adversário pediu um tempo e o som de música encheu a quadra, animando a torcida.

Trilha sonora: Kiss me/ Sixpence none the ritcher.

O telão principal, posicionado estrategicamente acima das arquibancadas começou a exibir várias cenas de desenhos animados mostrando casais se beijando, cenas muito engraçadas e dentre as cenas eles focavam um ou outro casal e no momento seguinte a tela exibia em letras garrafais: Beije-me! E os casais se beijavam.

Em um desses momentos, a câmera do estádio focalizou em Sawyer e Ana.

- Olha!- gritou Toni, alvoroçado quando viu.

- Oh não!- disse Ana-Lucia, não queria beijar Sawyer na frente do irmão de jeito nenhum, nem no jatinho a caminho de Nova York ela permitira isso.

Mas Sawyer não ligou para a negativa dela, sorriu daquele jeito maravilhoso que destacava as covinhas nos cantinhos da boca e que fazia as pernas de Ana tremerem e o coração disparar. Ele segurou o rosto dela, e tomou-lhe a boca, beijando intensamente. A quadra inteira vibrou com aquele beijo tão apaixonado e Toni colocou uma mão na testa, balançando a cabeça negativamente.

- Vocês dois me envergonham!

Sawyer gargalhou e Ana-Lucia enrubesceu. Todos olhavam para eles, mas logo a atenção foi dispensada porque o jogo recomeçou e Ana-Lucia deu graças a Deus por isso. Depois que o jogo terminou, Sawyer perguntou a Toni onde ele queria jantar e o menino respondeu de pronto que gostaria de ir ao Macdonald's.

Na lanchonete, os três se divertiram comendo sanduíche, milkshake e fritas. Sawyer pensou consigo: há quanto tempo não fazia um programa simples como aquele? Provavelmente desde que Jack fora embora para a Antártida. Percebeu que sentia muito a falta de se divertir daquela 

forma, sem preocupações, sem as formalidades dos jantares oferecidos por sua mãe na mansão dos Ford ou na mansão dos Rutherford.

Uma vez terminado o lanche, eles voltaram ao aeroporto e pegaram o jatinho da Ford de volta para Los Angeles. Toni dormiu logo no início da viagem e Sawyer aproveitou para se aconchegar com Ana-Lucia. Ela estava cochilando e se assustou um pouco quando sentiu um beijo no pescoço.

- Hum!- ela gemeu levemente. – Você me assustou, chico!

- Seu irmão está dormindo!- ele sussurrou e acrescentou, divertido: - Já pensou em fazer amor a dez mil pés do chão?

Ana-Lucia bateu no ombro dele.

- Será que você só consegue pensar em sexo, homem?

- Acho que sim.- ele respondeu, entrelaçando seus dedos das mãos com os dela. – E só tende a piorar depois que eu tiver você e ficar viciado.

- Não brinque comigo!- ela retorquiu em voz baixa, pois o piloto e o co-piloto não estavam muito longe deles. – Os homens tendem a se cansar das mulheres depois do sexo e precisam de novidades.

- Não eu!- respondeu ele.

- E por que se cansou da Shannon?- a pergunta escapuliu de sua boca antes que pudesse parar a si mesma.

Sawyer respirou fundo:

- Não me cansei da Shannon, ela é uma excelente garota, eu apenas nunca a mereci, nunca a amei como deveria e não faz muito tempo, descobri o porquê.

Ana não perguntou por que, mas seus olhos ansiavam por uma resposta assim mesmo:

- Eu não pude amar a Shannon, porque sempre amei você, eu apenas ainda não a tinha conhecido.- ele levou a mão dela aos lábios e se levantou da poltrona.

Ela o acompanhou com o olhar e viu quando ele puxou uma cortina de isolamento entre os pilotos e eles, e ligou um discreto som que ela não tinha notado antes.

Trilha sonora: Take my breath away/ Berlin.

- Que tal esta música para o momento?

- Seu bobo!- ela riu e deixou que ele a erguesse da poltrona e dançasse agarradinho com ela.

Com um movimento, ele puxou as cortinas das janelas, exceto a de Toni que permanecia dormindo profundamente em sua poltrona e Ana pôde ver as estrelas tão de perto que era como se estivesse viajando pelo espaço sideral. A noite estava belíssima.

- Take my breath away...- ele cantarolou.



- My Love...- Ana completou, antes de puxá-lo para si e beijá-lo.

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O dia seguinte foi bastante agitado na academia. Era sábado e Ana-Lucia convencera Kate a cancelar a aula de mambo da terceira idade daquela manhã dizendo que ela precisava de uma folga, pois estava trabalhado muito e além do mais era seu aniversário. Contou com a ajuda de Nikki para manter a amiga longe da academia.

Nikki a convidou para fazerem compras e Kate achou uma boa idéia, porque Jack a tinha convidado para jantarem novamente aquela noite e ela já tinha a resposta sobre a proposta de casamento dele, por isso queria comprar um lindo vestido para impressioná-lo aquela noite, mesmo que lhe faltasse coragem para chamá-lo para sua cama, por suas próprias razões.

Ana prometeu a Kate que se juntaria a ela e Nikki nas compras, mas depois ligou para a amiga inventando que estava muito gripado e não poderia acompanhá-las. Aparentemente, a desculpa colou e Ana pôde se dedicar aos preparativos da festa surpresa de Kate. Seria como um dos bailes tradicionais da Austen Academy, mas de uma forma mais especial em homenagem à bondosa e trabalhadora dona da academia.

Solícita, Shannon ofereceu-se para ajudá-la e Ana não teve outro remédio senão aceitar a ajuda da ex-rival, embora se sentisse muito incomodada em interagir tanto com ela e não contar-lhe que estava namorando com seu ex-noivo.

Apesar desse fato, os preparativos para a festa transcorreram sem problemas e por volta das oito da noite tudo estava pronto. A academia inteira decorada com esmero. Os alunos de Kate, incumbiram-se de preparar um delicioso bolo com cobertura de chantilly e glacê de morango, além de diversos pratos texanos, que Kate iria adorar, pois relembraria de sua terra natal.

Ela não desconfiava de nada. Arrumou-se com seu vestido para jantar com Kate. Um lindo vestido azul escuro, trançado com fitas às costas e folhos um pouco abaixo dos joelhos, que moldavam suas pernas esguias. O decote na frente era um pouco mais ousado do que de costume e se adequava perfeitamente aos seios pequenos valorizando-os. O toque final eram os cabelos soltos, os cachos castanho- avermelhados pendendo por suas costas em cascata.

Jack ficou sem fôlego quando a viu, mas conteve-se para que ela não fugisse como uma gazela assustada, já tinha aprendido que se quisesse ter Kate, deveria ir com calma. Esperava chegar perto dela o suficiente para descobrir qual o motivo de suas hesitações em relação aos carinhos mais ousados dele.

- Onde vamos jantar?- ela perguntou quando eles estavam no carro e Jack respondeu que era uma surpresa.

O anel de diamante que ele havia comprado caso ela dissesse sim a sua proposta de casamento estava bem guardado no bolso do paletó elegante e escuro. Kate tentava relaxar dentro do carro, mas quando percebeu que Jack a levava para Los Canales achou estranho.

- Jack, para onde está me levando?

Ele nada respondeu, apenas sorriu e virou o carro na rua onde ficava a Austen Academy. Ao parar na frente da academia e abrir a porta do carro para ela, Kate ainda o questionou com o olhar, mas Jack tomou-lhe a mão e a conduziu para a entrada.



- Jack, o que está acontecendo?- ela indagou quando adentrou o salão escuro de sua academia e de repente todas as luzes se acenderam e muitas vozes gritaram em uníssono: - Surpresa!

Kate alargou os olhos e levou as mãos ao peito. Viu todos os seus amigos e alunos ali, bem vestidos segurando línguas de sogra e usando chapéus de aniversário infantis. Na parede sob o espelho grande uma enorme faixa com os dizeres: "Feliz aniversário, Kate!"

- Eu não acredito que vocês fizeram isso!- ela balbuciou emocionada e começou a receber vários abraços ao mesmo tempo.

- Foi idéia da Ana!- Paulo sussurrou quando apertou a amiga nos braços.

- Oh, Ana, sua bandida!- Kate exclamou quando a amiga se aproximou para abraçá-la, rindo. – Gripada é?

Sawyer assistiu à cena sorrindo. Shannon bem ao lado dele, muito bem vestida com um vestido esvoaçante de cor lilás e muitas jóias cobrindo-a. Ela estava linda e parecia dizer ao ex-noivo: "Olha só o que você perdeu".

Mesmo que estivessem oficialmente separados, exceto para suas famílias, Sawyer ainda não conseguia se aproximar de Ana na frente da ex, e Ana também não se sentiria à vontade se ele fizesse isso.

Depois de todos os abraços e felicitações, o bolo foi trazido e os convidados cantaram "Parabéns a você" para Kate. Quando todos começaram a se servir de bolo, doces e dos fabulosos pratos apimentados texanos, Ana-Lucia foi até o som e abriu a festa, puxando Karl, um de seus jovens alunos e começou a dançar com ele na pista de dança.

Trilha sonora: All she wants/ Marina Elali.

Sawyer serviu-se de um pedaço de bolo e ficou observando Ana na pista de dança. Vários casais já tinham se juntado a ela e Karl e também se divertiam, dançando. Naquela noite, ela usava um vestido verde, curto e colado ao corpo, mas não era vulgar, e sim muito sexy, ele observou.

As sandálias de salto fino, tornavam as pernas bem feitas mais elegantes, e detalhista como ele era, notou que nada parecia cobrir suas curvas embaixo do vestido, podia ver a suave linha do bumbum quando ela rebolava e a marca das auréolas dos seios no discreto decote. Os cabelos estavam presos à metade com um broche preto em forma de um laço, e mini-presilhas contendo os fios rebeldes que lhe caíam pelo rosto.

A imagem de uma deusa do amor, Sawyer concluiu com um sorriso, rindo da felicidade do rapazinho por dançar com sua professora. Estava tão distraído que não notou que Shannon o observava e percebia a direção que seus olhos azuis e seu coração tinham tomado.

Sentindo-se enraivecida com aquela situação, largou o drink que estava bebendo sobre a mesa e saiu sem se despedir de ninguém, já sabia para onde queria ir.

A pista da dança começou a ficar mais cheia, especialmente quando a música foi esquentando.

Trilha sonora:Tonight/ Addictiv



Ana-Lucia se empolgou quando a nova música começou a tocar e colocou as mãos embaixo dos cabelos, fazendo charme, enquanto seus quadris mexiam como se não tivessem controle. Paulo se aproximou dela e eles começaram a dançar, outro homem, um dos alunos também se aproximou atraído pelo ondeante movimento dos quadris dela. Sawyer se aproximou da pista de dança, não estava gostando nada daquilo, mas parou a si mesmo antes de arranjar uma briga quando percebeu que Ana dançava com os dois somente para provocá-lo, que era ele quem ela queria.

Viu quando ela o chamou com o dedo, antes de mordê-lo sensualmente, excitando-o. Sawyer folgou o colarinho da camisa cinza, desabotoando alguns botões, o que sua garota estava pretendendo excitando-o daquela maneira? Se ela não parasse com isso, ia se esquecer onde estava e possuí-la na pista de dança na frente de todo mundo.

Mas havia Shannon, e ele não o tinha o direto de humilhá-la na academia onde trabalhava, principalmente porque ninguém sabia de seu rompimento com ela. Conteve-se e olhou na direção do vestiário, viu Jack e Kate de mãos dadas caminhando para lá e sorriu.

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Jack entrou no vestiário com Kate e fechou a porta atrás de si. Kate ficou de costas para ele e esfregou a mão uma na outra antes de se virar e indagar a ele:

- Ainda quer se casar comigo?

Em resposta, Jack tirou do bolso do paletó a caixinha com o anel e mostrou a ela. O brilho do diamante ofuscou seus olhos verdes.

- Sim, e você quer se casar comigo?

- Sim.- Kate respondeu com o coração batendo forte.

Jack quase não acreditou na resposta dela, e pediu:

- Repete, amor, repete!

- Quero me casar com você, Jack.

Ele sorriu feliz da vida e a tomou nos braços beijando-a como se fosse a última vez. Alguns minutos depois saíram do vestiário e puxando Kate pela mão, ele foi ao centro da pista de dança. Ela já ostentava no dedo o portentoso diamante.

Ao verem o casal, as pessoas se afastaram e formaram um círculo ao redor deles. Sawyer aproveitou para se aproximar de Ana e colocou os braços em sua cintura possessivamente.

- Que é isso, homem?- ela perguntou preocupada que alguém notasse o jeito íntimo como ele a estava abraçando.

- Tomando conta do que é meu!

Ana revirou os olhos e prestou atenção ao que Jack ia anunciar.

- Eu e Kate acabamos de ficar noivos.- disse ele, orgulhoso e aplausos irromperam. – Estamos muito felizes e queremos convidar todos para o casamento.



Novos aplausos e vivas! Tímida, Kate colocou a cabeça no ombro de Jack e Paulo anunciou que iria tocar uma música para os noivos dançarem.

Trilha sonora: Back atone/ Bryan Macknight

Jack olhou para Kate, apaixonado e segurou sua mão dançando com ela quando a música começou. Outros casais os acompanharam e Sawyer fez o mesmo com Ana. Ela sorriu e deixou-se ser conduzida por ele na pista de dança, logo estavam abraçados e muito à vontade dançando.

- Você viu a Shannon?- indagou Nikki a Paulo quando viu Ana e Sawyer dançando juntos.

- Acho que ela foi embora.- respondeu ele, beliscando um salgadinho.

- Se eu fosse ela, também não ficaria aqui para ver o noivo com outra. Nunca imaginei que a Ana fosse fura-olho!

- Hey, Nikki, cuida da sua vida!- disse Paulo. – Deixa eles e vamos dançar!

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Por volta de 2 da manhã, os convidados já tinha ido embora. Kate disse a Jack que estava cansada e queria que ele a levasse em casa. Ele assentiu e Kate foi se despedir de Ana-Lucia.

- Amiga, eu já vou indo. Obrigada pela festa maravilhosa!

- Oh, amiga, estou tão feliz por você e Jack.- disse Ana, abraçando-a.

- Sim.- ela respondeu feliz, porém um pouco evasiva. – Vou pedir ao Bernard que dê uma varrida na academia e tranque tudo.

- Não precisa Kate, eu o dispensei. Eu posso arrumar tudo.

- Mas Ana, você trabalhou aqui o dia inteiro, além do mais quem te ajudaria se Paulo e Nikki já foram embora?

- Eu posso ajudá-la.- respondeu Sawyer, abraçando-a e pousando o queixo na cabeça dela, a posição era engraçada e deixava evidente a diferença de altura entre ambos.

- Tem certeza?- perguntou Kate, mas Jack respondeu no lugar de Ana.

- Vamos Kate, não percebeu que eles querem ficar sozinhos?

- Oh!- exclamou Kate. – Me desculpem, tenham uma boa noite. – Vejo vocês na segunda-feira!

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Quando eles finalmente saíram, Sawyer fez menção de beijar Ana, mas ela se esquivou, divertida:

- Anda, temos muito trabalho a fazer, pegue uma vassoura!

- Se eu for um bom menino vou comer mais um pedaço de bolo quando terminarmos?- ele perguntou, pegando uma vassoura.

- Até dois!- ela respondeu maliciosa, pegando uma vassoura também.



Começou a varrer para um lado e Sawyer para o outro, mas quando ele se voltou para ela, teve uma deliciosa visão de seu traseiro, ela havia se abaixado para pegar alguns copos descartáveis no chão e o vestido subira, revelando que ela usava sim lingerie, mas uma peça de seda fina, tão discreta que não dava para enxergar nas roupas. Sawyer arfou, era uma calcinha tão pequena, que servia apenas como enfeite, pois não cobria nada.

- Dios!- ele exclamou.

- Quê?- ela indagou, fingindo-se de inocente, sabia perfeitamente que seu vestido tinha subido.

- Amor, você...

- Terminou de varrer?- ela fingiu estar zangada. – Ande logo homem, mexe essa vassoura! Ainda temos que recolher o lixo.

Aquilo era uma tortura e ele não sabia mais quanto tempo iria agüentar até que terminaram de arrumar tudo. Cansados, sentaram no sofá e começaram a comer o bolo que tinha sobrado. Sawyer estava com a boca suja de chantilly e quando percebeu isso, Ana provocou:

- Está todo sujo, me deixe limpá-lo!

Ele pensou inocentemente que ela fosse usar o lenço, mas ao invés disso Ana lambeu cada cantinho sujo de chantilly no rosto dele. E não contente, disse:

- Ainda está sujo!

- Está?- ele indagou, perplexo.

- Sim.- ela respondeu, melando o dedo com uma camada de glacê e passando onde o peito aparecia em meio aos botões entreabertos da camisa dele.

- Ana!- ele exclamou e atrevida, Ana lambeu o glacê do peito dele, fazendo Sawyer deixar escapar um gemido rouco. – Está me deixando louco hoje, chica, o que pretende?

- Quer dançar?- ela perguntou.

- Dançar?

Ana levantou-se do sofá e se dirigiu ao som, escolhendo um cd.

- Você se saiu bem na nossa última aula, dançando zouk, chegou a hora de pôr em prática.

Ele também se levantou do sofá e caminhou até ela.

- Está pronto?- ela indagou com o controle remoto do som na mão. – Serei uma professora mais exigente essa noite.

- Estou pronto há muito tempo.- ele respondeu.

Ela ligou o som e colocou-se em posição para o zouk, jogando o corpo para trás enquanto Sawyer segurava-a pela cintura.

Trilha sonora: Il faut tout blier/ Jamice.



As respirações estavam lânguidas quando começaram a dançar. O bater dos corações frenético. Eles mergulharam na música esquecendo-se de tudo ao seu redor. Os passos do zouk eram sensuais e aumentavam a excitação que ambos sentiam e a ânsia pela consumação física de seu amor. Sawyer manteve o corpo de Ana encaixado ao seu, conforme o ditame da dança, as coxas dela entre uma das suas enquanto se movimentavam para um lado e para o outro, mantendo os quadris conectados.

Normalmente, quando ensinava essa dança na academia, Ana-Lucia atentava aos casais que mantivessem uma distância respeitável, mas isso não era absolutamente necessário entre eles, porque queriam proximidade e quanto mais melhor.

Sawyer puxou o corpo de Ana para tão perto de si, que quando se moveu, sentiu que o sexo dela roçava em sua coxa e gemeu. Ana se apertou contra ele e eles giraram com os corpos unidos, os cabelos dela, massageando-lhe o rosto, a boca dele colada ao seu pescoço.

Ana gemeu também, mas não parou de dançar, continuando a executar os passos. Sawyer a segurou pelos ombros e ela deslizou pelo corpo dele até embaixo, subindo novamente, o rosto quase tocando a masculinidade dele, de forma sugestiva.

As mãos dele se espalmaram nos quadris dela e dessa vez desceram juntos até o chão, encaixados. O vestido de Ana subiu acima das coxas, revelando a lingerie e quando Sawyer subiu com ela terminou de puxar o tecido para cima, tirando o vestido pela cabeça.

Ela não usava sutiã e de repente estava dançando seminua com Sawyer na pista de dança da academia. Ele a subjugou no cambré e os seios lhe foram oferecido em banquete, os mamilos morenos deixando-o com água na boca.

Alimentou-se deles, sugando, lambendo e mordiscando. Ana olhou para a imagem deles no espelho e se sentiu devassa. Pareciam uma escultura pagâ, o homem se alimentando dos seios da virgem em sacrifício.

Ele a ergueu novamente e dessa vez não estava mais dançando, pelo menos não o zouk. Carregou-a para o canto da pista de dança onde tinham macios colchonetes de yoga. Deitou-a lá e começou a despir-se.

Ao vê-lo tirando a roupa, Ana-Lucia se deu conta da situação em que estavam. De repente, não se sentiu mais tão preparada e seu corpo tremeu levemente.

- Sawyer, eu...

Os olhos dele brilhavam como os de um predador que não daria clemência à sua presa.

- Você será minha, nenê...eu vou te possuir, te devorar...

- Não...- disse ela, assustada, embora seu corpo não fizesse caso de seu medo. Estava tão molhada que sentia seu sexo deslizar sob o tecido da seda da calcinha.

- Não tenha medo Ana, eu te amo!- disse ele. – Preciso de você!

- Não, Sawyer!



Ele cobriu a boca dela com a sua, em um beijo selvagem que Ana jamais tinha experimentado. As mãos desceram acariciando-lhe o corpo e pareciam estar em todos os lugares. Quando os dedos dele roçaram sua feminilidade sob a calcinha, Sawyer percebeu que jamais poderia parar, mesmo ela estando tão assustada.

- Ana, você me quer, está tão molhada...o corpo arrepiado de paixão...

- Estou com medo...

- Vai ser bom...vai ser muito bom...

Ana não soube como, mas no minuto seguinte estava nua, só com os sapatos. Sawyer também estava nu, em toda sua glória, deitado em cima dela e não havia nada que pudesse impedir que ele a possuísse, nenhuma roupa entre eles para refrear os instintos.

- Yo te amo cariño mio...te amo...- ele sussurrou em espanhol separando as coxas dela.

Ana fechou os olhos.

- Ana-Lucia, olhe para mim!- ele pediu, alisando os braços dela.

Mas ela não abriu os olhos.

- Ana, olhe para mim!- ele voltou a pedir e dessa vez, ela obedeceu, mas seus olhos escuros estavam cheios de lágrimas.

- Por favor...

- Quero você!- foi tudo o que ele disse antes de pressionar o ponto mais íntimo dela com seu membro.

Ana deixou escapar um soluço e Sawyer beijou-lhe as lágrimas.

- Não acredita que eu te amo?

- Sim...- ela balbuciou...

- Então deixe-me amá-la!

Ele forçou mais um pouco e Ana conteve um grito de dor.

- Baby...

- Está doendo!- ela o acusou.

- Porque você está nervosa, tente relaxar...

Sawyer segurou-lhe os quadris e investiu mais um pouco, indo bem devagar e sentiu Ana estremecer. As coisas estavam bem complicadas, Ana estava muito tensa, ele precisava fazer alguma coisa para relaxá-la. Abraçou-lhe e beijou-lhe levemente os lábios, Ana baixou um pouco a guarda, e ele suspendeu mais o corpo dela.

Ana arregalou os olhos em surpresa sentindo um pequeno espasmo de prazer atingi-la.

- Sentiu isso?- ele indagou.



- Sim.- ela respondeu.

Ele pressionou novamente seu corpo contra o dela e Ana gemeu mais uma vez, começando a ser inundada por prazer. Sawyer então investiu novamente e dessa vez tirou-lhe a virgindade, rompendo-lhe a barreira, tomando o corpo dela.

Ana-Lucia gritou e seus olhos foram tomados por mais lágrimas. Ela tentou empurrá-lo, sentia muito desconforto, mas Sawyer se manteve dentro dela e começou a se mexer devagar, indo e vindo. Sem saber o que fazer, Ana ficou quieta e deixou que ele a possuísse o tempo que quis, sem esboçar reações.

Sawyer estava sentindo um prazer indescritível, mas se condoia por o mesmo não estar acontecendo à sua amada. De repente, Ana sentiu que ele parava de se mover, e abraçando-lhe como se pudesse sufocá-la, ele terminou tudo dentro dela, inundando-a de calor líquido.

Quando ele se afastou, Ana-Lucia abraçou os joelhos e caiu em prantos. Sawyer ficou nervoso e a trouxe para junto de si abraçando-a.

- Oh Ana-Lucia, por favor, não chore! Está agindo como se eu a tivesse estuprado!

- Não é sua culpa!- ela respondeu, soluçando. – Mas é que...

- O quê?

- Não foi como eu pensei que seria.

- E como você pensou que seria?

- Que seria maravilhoso, que eu ficaria louca de prazer, cansada e suada no final de tudo, como nos filmes...

- Oh baby...- ele beijou-lhe a face, com carinho. – Esses filmes são mentirosos, a primeira vez nem sempre é fácil. Eu fiz o que pude para você não sentir dor, mas você estava tão preocupada em sentir que agravou as coisas.

- Está dizendo que a culpa é minha?

- Não, meu amor. Estou dizendo que não precisa ficar assim, que da próxima vez vai ser melhor...

- Não vai ter próxima vez!

- Vai sim, e antes do que você imagina vai gritar de prazer nos meus braços. Me perdoe por ter possuído você aqui, podíamos ter ido pra minha casa...mas é que eu não agüentava mais!

- E agora está satisfeito?

- Claro que não.- ele respondeu. – Só vou ficar satisfeito quando você estiver também. Vem, vamos nos vestir, vamos pra minha casa!

- Não vou pra sua casa!

- Ana, não seja teimosa! Quer chegar em casa pra sua mãe ver você desse jeito? Nós vamos pra minha casa e vamos conversar sobre o que aconteceu, prometo que vou me comportar.



- Não quero me levantar!- disse ela, ainda protegendo o próprio corpo.

Sawyer entendeu o porque, e acariciou os cabelos dela com carinho.

- Não tem que ter vergonha de mim, o que aconteceu entre nós foi natural, as conseqüências disso também...vem meu amor, vamos até o vestiário...eu cuido de você e depois vamos pro meu apartamento.

Ana acabou assentindo. Ele a levou ao vestiário e Ana entrou no banheiro, recompôs-se e se vestiu, Sawyer fez o mesmo e eles foram para o apartamento dele. Durante o trajeto, nada conversaram, mas bem que Ana gostaria de fazer algumas perguntas a ele. Quando chegaram ao apartamento, ele disse a ela que tomasse um banho enquanto ele preparava um leite morno para ela.

Depois que saiu do chuveiro, Ana-Lucia estudou seu reflexo no espelho. Não era mais virgem, isso fazia alguma diferença? Provavelmente não, a única mudança significativa era uma incômoda dorzinha entre as pernas.

Saiu do banheiro e resolveu vestir apenas uma camisa de Sawyer para ficar confortável, deixando de lado mesmo a roupa de baixo. Sentia-se cansada.

Sawyer entrou no quarto alguns minutos depois com o leite e beijando-lhe a testa, disse:

- Está cheirosa!

Entregou o leite à ela e foi tomar um banho, quando voltou Ana tinha tomado todo o leite e estava deitada na cama. Ele usava apenas uma toalha e Ana ficou olhando para ele enquanto se penteava.

Trilha sonora: Put your light on/ Rob Thomas feat Santana.

- Penteia os cabelos antes de dormir?

- Sou um homem vaidoso, querida.- respondeu ele.

Ana-Lucia o fitou dos pés da cabeça, ele era tão lindo, como uma pintura. Fazia frio no quarto e Ana estava morrendo de vontade de um chamego com ele na cama, mas não ousaria admitir, estava com vergonha de seu comportamento assustado na academia. Mas ele parecia adivinhar cada pensamento seu e entrou debaixo das cobertas com ela, tirando a toalha em seguida.

- Vai dormir sem roupa?- ela perguntou.

- Sim.- ele respondeu com naturalidade. – Você também, ou acha que vai dormir com essa camisa?

- Sawyer, você prometeu!

- Sim, prometi, mas quero ao menos sentir o calor do seu corpo no meu, nua. Mesmo assim, vamos conversar. Não gostou de fazer amor comigo?

- Gostei dos seus beijos e gosto de estar com você, mas foi doloroso pra mim!



- Me perdoe, nenê, mas fui cuidadoso, eu disse a você que isso aconteceu porque estava tensa. Eu estava nervoso também, nunca tinha tido uma virgem antes.Tememos o que desconhecemos já dizia meu velho professor de ciências. Acha que sentirá dor de novo agora que já sabe o que vai acontecer?

- Não sei.- ela respondeu. – Nunca tinha tido uma virgem?

- Não, meu amor, você foi a primeira e única!- retrucou ele, se aproximando dela e abrindo os botões da camisa.

- Pare!- ela pediu.

- Não, me recuso a conversar sobre sexo e prazer com você se está vestida, anda, vamos tirar isso!

Ele tirou a camisa que ela vestia e jogou longe, contemplando a sua nudez embaixo das cobertas.

- Você é perfeita, Ana, linda demais! Precisa aprender a conhecer o seu corpo.- elogiou ele, com os olhos fixos nas curvas femininas expostas.

Sawyer afastou as cobertas para que ambos pudessem se ver nus.

- O que acha do meu corpo?

- Você é lindo!- ela elogiou fascinada pelas formas masculinas.

- Tem vontade de me tocar?

Ana não respondeu à pergunta porque se sentiu tímida.

- Sua mãe nunca conversou com você sobre sexo?

- Oh sim, ela me disse que devo manter minhas pernas fechadas!

- Agora entendo porque se sente assim.- disse ele. – Está se sentindo culpada por querer transar comigo e a culpa bloqueou o prazer que você poderia ter sentido. Mas isso pode mudar, e só depende de você.

Ele começou a acariciar-lhe os seios e Ana sentiu gostosos arrepios na espinha.

- Você gosta disso, não gosta?

- Sim...- ela respondeu.

- E também quando eu beijo seus lindos seios, não é?- ele beijou os seios dela e Ana gemeu.

- Oh, sim!

Sawyer sorriu e dos seios traçou um caminho úmido com a língua pela barriga dela, umbigo e coxas, pulando propositadamente a intimidade. Ana sentiu um pequeno pulsar. Ele refez o caminho até chegar aos lábios dela, mas uma vez deixando de acariciar seu ponto sensível.

- Está sentindo seu corpo pulsar?- ele perguntou em voz baixa.



- Aham..- ela respondeu. – Eu quero...

- O que você quer?

- Que você me toque! Como daquela vez!

- Onde quer que eu a toque?

- Sawyer!- ela protestou embaraçada.

- Não vou saber, se você não me disser...

- Você sabe onde...

- Diga-me!

Ana olhou para ele e disse bem baixinho: - Toque minha...- a última palavra foi tão sussurrada que ele mal escutou, mas entendeu perfeitamente.

- Aqui?- ele perguntou, sondando os pêlos escuros da intimidade dela, Ana arquejou o corpo, excitada.

- Sim...por favor...toque-me aí...

Ele começou a acariciá-la lentamente, o dedo explorando o sexo dela, dando-lhe prazer. Ana apertava as coxas e gemia.

- Que gostoso...não pare...

- Me dê a sua mão!

- Quê?

- Ana, me dê a sua mão!- ele pediu.

Ana obedeceu e Sawyer colocou a mão dela sobre a própria intimidade, separando-lhe as pétalas como a uma flor.

- O que vai fazer?

- Apenas sinta, nenê, sinta as reações de seu próprio corpo.

Ela deixou que ele a conduzisse, as mãos unidas tocando o corpo dela e Ana caiu num êxtase maravilhoso, sorria de prazer e empurrava o corpo contra as mãos deles.

- Descubra o que lhe dá prazer, tome as rédeas da sua vida...

- Sim...sim..sim...sim...- ela gritava, sentindo o orgasmo dominá-la, poderoso.

Quando os espasmos cessaram, ela surpreendeu a si mesma, dizendo:

- Eu quero mais, muito mais!

Sawyer deitou em cima dela: - Você pode ter, só depende de você. Quer tentar a segunda vez agora, ou ainda precisa de mais estímulo?



- Eu...- ela começou a dizer e Sawyer riu, beijando-lhe a boca, refazendo todas as carícias no corpo dela outra vez, deixando-a louca. Quando sentiu os lábios dele sugando-lhe o botão de prazer entre suas coxas, gritou bem alto e enterrou os dedos nos cabelos dele, sucumbindo à luxúria. Logo estava implorando por mais outra vez, porém dessa vez sabia exatamente o que queria: - Eu o quero, meu amor, quero senti-lo dentro de mim de novo, agora estou pronta, vamos fazer amor...

Ele não esperou ela pedir de novo, pegou um preservativo na gaveta, colocou-o depressa e a possuiu dessa vez não tão lentamente, Ana sentiu uma pequena dor porque estava sensível, mas passou depressa porque as investidas no corpo dela a impediam de pensar, a não ser no prazer delicioso que experimentava.

Passou a mover-se com Sawyer com ímpeto, beijando-o e trabalhando os quadris rumo ao clímax. Gozou mais de uma vez, de olhos fechados, contorcendo-se na cama. Sawyer a acompanhou momentos depois de seu último orgasmo, gemendo e falando palavras desconexas.

- Jesus Ana!- ele exclamou. – Isso foi incrível.

Ela o beijou, feliz, enrolando-se nele como uma gata.

- Agora me ensine a tocá-lo!

- O quê?- ele indagou exasperado.

- Me ensine a tocar seu corpo, quero fazer de tudo pra te agradar.

- Teremos tempo pra isso, baby, mas agora eu preciso descansar ou não terá mais Sawyer pra amanhã, você quase me matou, morena. Com esse seu corpo gostoso.

- Eu te amo...- ela murmurou, aconchegada a ele.

- Também te amo.- ele respondeu.

Dormiram com os corpos entrelaçados, melados de suor e sexualmente satisfeitos como Ana idealizara. A vida não podia ser mais maravilhosa para Sawyer, finalmente Ana era sua.

Continua...