Epílogo/Página Treze

Dentro da minha casa, o meu lugar mais querido era a pequena sacada na sala de estar. Era noite quando uma coruja amarelada bicou o vidro da janela, chamando-me a atenção. Eu fui até ela, dei-lhe migalhas de minha torrada e apanhei a carta que ela me trazia.

Uma semana havia se passado, desde que concluímos com sucesso a nova poção que mudaria em grande escala a medicina bruxa. Eu estava orgulhosa de ter conseguido, de fazer parte de um projeto tão árduo que dera resultados. Madame Pomfrey me alertou, como anteriormente o sr. Lovegood, para eu não me iludir neste campo. A bruxidade crescia com lentidão, fato, tudo caminhava de modo que todos nós, nascidos trouxas, mestiços e puros sangue pudéssemos aceitar ou conviver sem controvérsia.

Tudo se manteria no anonimato, embora continuaríamos a desenvolver todos os adjacentes de uma vasta lista de enfermidades trouxas. Apenas concluímos uma etapa. Luna convenceu o pai a tomar a poção, depois de horas trancados os dois no seu quarto no hospital. Eu fiquei na minha sala, aflita, caminhando de um lado a outro, rezando que tudo desse certo para eles.

Foi com alívio no peito que Luna bateu a minha porta, dando-me a notícia que tanto ansiei. Diversos exames depois, suas defesas imunológicas voltaram ao nível ideal, sua aparência de cansaço permanente agora era de alguém que dormira demais. Ele ainda continuaria a beber poções similares, pois a leucemia poderia voltar a agredir seu corpo. Eu fiquei contente em ouvir suas palavras de desculpas, mesmo que não concordasse com os meios que usamos.

Abri a carta sentando-me na cadeira da sacada. A noite estava estrelada, clara, quente como há muito tempo não a sentia. Um recorte cai no meu colo, eu o apanhei, reconhecendo ser uma página do Pasquim, portanto, uma carta de Luna. Era um recorte mínimo, de três linhas escondido entre os anúncios de produtos de limpeza e venda de livros usados. Um agradecimento de Luna e Xenofílio Lovegood.

Obrigada por acreditar em mim

Obrigado por não desistir de mim

Luna e Xenofílio Lovegoood

Ron sentou-se ao meu lado, vindo do quarto após o banho. Bocejou, descansando a cabeça no meu ombro, espiando curioso o recorte em minhas mãos.

"De quem é?"

"Luna." - respondi, a voz fraca.

"O que diz na carta?"

"Não sei, ainda não li" - passei a ele o recorte, e abri a pequena carta. Senti meu peito apertar ao ver sua letra miúda; sentia a falta dela.

Estou em Bruxelas. Cheguei há dois dias e já estou de mudança. Vou à Bangladesh, seguirei para Noruega e depois, Nova Zelândia. Quero conhecer cada cantinho inóspito do mundo, desvendar mistérios que a grande maioria ignora. Você não tem idéia do que tenho descoberto, é tudo maravilhoso, Hermione! Papai veio me visitar neste meio tempo, saiba que ele está perfeitamente sadio e disposto. Mandou-lhe lembranças. Eu sinto sua falta, de nossas conversas, dos cafés na cantina do hospital. Espero poder vê-la quando voltar para Londres, um dia. Como anda Ron? Harry? Você? Espero que todos bem. Mande-me notícias, quero saber como anda os resultados da pesquisa, li um pequeno artigo no Profeta Diário que algo realmente gigantesco acontece dentro dos laboratórios de Saint Mungus! Estou feliz e espero que esta carta te encontre no mesmo entusiasmo. Beijos. Luna.

A carta tinha um perfume doce e crítico de lima. O perfume dela. Sim, eu também estou feliz, Luna, afirmei emocionada. Ron dormia com a cabeça no meu colo e me pus a admirar as feições de sua expressão. Contemplei o brilho amarelo das luzes da cidade com a vastidão azulada das estrelas lá no alto. Sim, eu estava feliz. Realizada. Não me arrependi por um momento sequer do que fiz. Dos beijos que trocamos e carícias inocentes. Tudo era leve, doce como os nossos sentimentos de amizade, mesmo que a vida nos trouxesse a amargura de uma doença entre nossos entes queridos. Acredito que, se eu e Luna não nos mantivéssemos fortes, firmes em continuar, não seriamos capazes.

Lembrei-me da nossa conversa em Hogwarts, sobre o passado, presente e o futuro lido nos astros, quando nos deitamos embaixo daquela árvore. Pela primeira vez na minha vida, eu gostaria de poder adivinhar qual seria o futuro para nós duas. Olhar esta noite estrelada dava-me a incrível sensação de liberdade, de cair para cima, como já ouvi dizer por aí.

Luna me fazia sentir-se assim, literalmente.

Tudo foi doce, intenso e amargo na nossa curta relação. E eu estava feliz por ter sido deste modo. Luna também, tinha certeza disso.

Fim


Fonte sobre a leucemia: Wikipédia

Início em: 12/01/2008

Término em: 05/05/2008

N/A: Então. Acabou. Vocês podem me achar maluca em escrever sobre um tema tão difícil e delicado como a leucemia, mas garanto que fiz procurando não ser injusta e não tomar tudo como uma brincadeira de mau gosto. Se vocês olharem bem para a data de início, verão que foram quase 4 meses de trabalho, onde eu desisti, hesitei, parei com a fic por várias semanas seguidas, justamente por esse motivo. Bom, uma vez que comecei E queria ter esse trabalho pronto, eu fui até o fim, correndo pra poder entregar pro challenge, porque acreditei mesmo que foi, depois de pronto, a minha melhor fanfic. Ufa! Obrigada a todo mundo que acompanhou, em reviews Claire (seus comentários no orkut me deram muita força); Quintessência; Leila Sharman; Sandy Mione; Roonil Waslib e Milo-sama e os quietinhos que me deram muitos hits, mas permaneceram em silêncio por algum motivo. Obrigada a todos!