Somebody to Love You

Capítulo 14

"O Kurt copiou uma tática sua".

"Qual delas?"

"Ele bancou o espião". A risada suave indicou que ela não queria ofendê-lo. "Ele foi até Dalton checar a concorrência".

"O Schue o forçou?"

"Não. Foi idéia dele. Quando ele ouviu que Dalton é uma zona anti-intolerância, ele agarrou a chance de escapar de McKinley por um tempo".

"Por quê? O que está havendo?"

"Lembra do Karofsky?"

"O jogador de futebol Neandertal? Com um punho maior que o cérebro?"

"Esse mesmo. Ele está pegando particularmente pesado com o Kurt ultimamente".

"Pesado como?"

Jesse abaixara a voz, uma camada fina de raiva evidente bem abaixo da superfície.

"Ele tem insultado-o. Caçoando de como ele se veste. Empurrando-o contra armários".

"Os caras do glee não protegem o Kurt?"

"Você sabe que o Kurt passa a maior parte do tempo com a Mercedes. Os meninos não ficam muito por perto".

"Mas deviam fazer uma exceção. O Kurt é parte do time. Eles têm o dever de protegê-lo".

"Parece que eles não têm a mesma opinião".

"Qual diabo é o problema deles?"

Percebendo que estava ficando abalado demais por uma situação que não podia mudar, Jesse respirou fundo para se acalmar antes de prosseguir.

"Aquela oferta que fiz antes, de mandar alguns caras de Carmel aí – ainda está de pé. O Kurt é um guri decente. Ele merece coisa melhor do que está recebendo dos seus supostos amigos".

"Considerando que ele foi menos do que gentil quando você estava em McKinley, me surpreende que você se importe".

Não havia julgamento na voz dela, apenas pura curiosidade.

"Ele me lembra de alguém que conheci... Que foi maltratado por ser gay..."

As lembranças o envolveram, tão dolorosas quanto foram na época, e ele se calou abruptamente.

"O que houve?"

"Ele... se matou..."

"Ai, meu Deus, Jesse, eu sinto muito".

"Nós podíamos ter impedido, sabe. Se não fôssemos todos tão egoístas... tão desligados... tão imersos em nossos próprios melodramas... nós o abandonamos para lidar sozinho com tudo, e ele não era emocionalmente forte o suficiente..."

"Não vai chegar a esse ponto com o Kurt, tenho certeza. Ele é bem mais forte do que aparenta".

"Espero que sim, Rach. Mas mantenha minha oferta em mente, ok? O Karofsky e os colegas dele não têm direito de fazer a vida dos outros um inferno apenas porque são diferentes".

Naquele momento ela se apaixonou um pouco mais por ele.


"Como está indo o mashup meninos versus meninas?"

Jesse tentou, mas falhou em, manter o desprezo fora da voz. Quando Rachel anunciou a princípio o objetivo de seu atual trabalho no glee, ele respondera instintivamente, proferindo um quilo de comentários irônicos, acompanhados de uma irônica crítica aos métodos do Prof. Schue. Em resposta, Rachel murmurara alguns protestos em defesa de seu diretor de coral, mas haviam sido de má-vontade, mais por lealdade que por convicção. Jesse os treplicara facilmente, deixando Rachel livre para lamentar a ausência de preparo adequado de seu time para as seccionais.

"Você percebe que ainda não temos uma setlist? Enquanto eu sou perfeitamente capaz de aprender músicas e coreografias no último minuto, o mesmo não se aplica a todos os outros do time".

Ele sorriu à declaração autoconfiante dela, consciente que refletia a opinião dele das habilidades dela.

"Você teria se encaixado tão bem no Vocal Adrenaline".

"A não ser quando se tratasse da funkificação de times concorrentes".

"Com nós dois como cantores principais, não teríamos precisado recorrer a tais medidas. Seríamos indestrutíveis".

"Vamos ser realistas, Jesse. Mesmo sem mim, o Vocal Adrenaline não precisava abalar a oposição. É algo que fizeram pra se divertir".

Seu primeiro instinto foi de negar a acusação, mas ele o sufocou de imediato. Lembrando o prazer sádico que seus colegas de time haviam sentido em cobrir de ovos uma vegan assumida, era óbvio que a impressão dela de todos deles era acurada demais.

"Captei vossa mensagem. Mas, se você estivesse conosco, poderia ter sido capaz de me ajudar a convencê-los".

"Você era o líder deles. Tenho certeza que poderia ter mudado as idéias deles sozinho".

A voz dele era encabulada.

"Provavelmente. Mas eu não tive a vontade – ou a coragem – de fazer o que era certo".

"A maior parte dos homens adolescentes sofrem com isso. Você não queria demonstrar fraqueza, já que sempre havia um ansioso para tomar seu lugar no topo da cadeia".

"Verdade. Apesar de meu talento obviamente superior, havia um sem-número de caras que tinham certeza que deviam capitanear o time – e não hesitavam em atacar qualquer lapso meu, não importa o tamanho".

"A sua transferência para McKinley deve ter te deixado especialmente vulnerável".

"Deixou. Teve um forte conflito pela posição durante minha ausência, e demorou em a rivalidade morrer mesmo depois que voltei. Tive que lutar para recuperar meu lugar de direito".

Ela pôde facilmente detectar o toque de irritação por tal esforço ter sido necessário.

"Foi por isso que você os seguiu".

"Sim. Minha outra opção seria ceder a liderança a alguém que a merecia menos".

"E você preferia parar de respirar".

Você entende. Você me entende. Não me admira que eu te ame.

"Não devia ter sido tão importante pra mim, mas era".

"É claro que era importante. É pelo que você vive".

Vivia. No passado. Eu vivo por algo diferente agora.

"É pelo que você vive também. Como eu disse antes, você e o Vocal Adrenaline teriam sido um par perfeito – contanto que você ignorasse as tendências à crueldade".

"Eu pensei nisso – frequentemente. Houve vezes que até falei com meus pais sobre a hipótese de transferir para Carmel".

Isso teria mudado tudo.

"Por que não foi?"

"Fiquei com medo"

"De que?"

"Do fracasso. Em McKinley, eu sabia que não tinha chance de não entrar no glee. Em Carmel, não havia garantia".

"Sinceramente, Rachel, você era infinitamente melhor que qualquer cantora principal que o Vocal Adrenaline teve em todos os quatro anos que fui membro".

"Você é parcial, Jesse".

"Posso até ser, mas nunca brinco com algo tão importante quanto talento. E você o tem aos montes. Você é meu par, e você sabe muito bem que não faço essa declaração pra qualquer um".

"Eu... Eu não sei o que dizer".

"Não precisa dizer nada. Só se lembre do que eu disse quando o Hudson, o Schue ou qualquer outro naquele seu clube puxe o seu tapete".

"Lembrarei. Obrigada".

O tom dela transmitia a enormidade de sua gratidão.

"De nada. Mas sabe que mudamos de assunto."

"Do que estávamos falando? Esqueci completamente".

"O exercício completamente desnecessário dessa semana. O mashup".

"Ah. Sim. Sabe como é difícil trabalhar com pessoas que não valorizam sua opinião?"

"Tenho que admitir que minha experiência nessa área limita-se ao meu tempo no New Directions".

"Sorte sua. É meu sofrimento constante".

"Eu sei, e queria poder abrir a cabeça desses idiotas que não te apreciam".

"Bom, considerando que você se enrascaria com o diretor Figgins por agredir um punhado de meninas, talvez devesse se satisfazer em me dar sugestões de músicas que podem ter chance em agradar um grupo que inclui a Santana e a Mercedes".

"Parece que você precisa de algo ousado e diferente".

"Deve funcionar".

"Que tal 'Start Me Up'?"

"Os Stones. Hum... Tem possibilidade. São uma banda ousada e divertida".

"Uma resolvida, uma a escolher. Consideraria 'Highway to Hell'?"

"É maculada, Jesse".

"Justo. Nada mais vindo do Vocal Adrenaline".

"Não que a Shelby fizesse más escolhas. Eu só não quero reciclar".

"Isso elimina uma generosa porção do catálogo do Queen então".

"Eu diria que sim".

Ele rapidamente vagou por amostras de várias músicas que veio à mente. Finalmente, escolheu uma que achou que funcionaria.

"'Livin' On a Prayer'?"

"Bon Jovi. Eu gosto".

"Que bom que servi de assistência, senhorita. Sinta-se à vontade de servir-se do meu excepcional conhecimento musical sempre que quiser".

"Não fique convencido, St. James".

"Não posso evitar. Já sou".

"É sim. E na verdade é charmoso".

Apesar de a última parte ser um sussurro, não escapou de sua audição sensível.

"Com certeza vou te lembrar disso na próxima vez que você zombar de minha superioridade arrogante".

Como era freqüente nos últimos dias, sua réplica provocou uma risada de resposta dela, e logo ambos morriam de rir. Pouco depois, tendo notado o adiantado da hora, eles relutantemente se despediram. Uma vez fora do telefone, Rachel preparou-se para a cama, cantarolando 'Hello' contente enquanto o fazia. Há milhares de quilômetros, Jesse ansiosamente voltou a resolver os detalhes de sua futura viagem ao Ohio...


Rachel estava eufórica. Ficara agradavelmente surpresa com a rápida aceitação de Santana às músicas propostas para o mashup. Com o apoio da Cheerio, foi questão de tempo antes que as meninas do glee seguissem o exemplo e abraçassem a mesma escolha. Todas foram entusiasmadas nos ensaios, e estavam confiantes que ganhariam o concurso desse ano por unanimidade.

Apesar de Rachel a princípio ter ficado desconfortável com o figurino escolhido por Mercedes e Tina, eventualmente fora seduzida pelas vantagens dos trajes justos de couro – sobretudo a oportunidade de exalar sensualidade enquanto cantavam, portanto tendo uma vantagem no voto. Enquanto se vestiam em preparação para a apresentação, a mente de Rachel vagou para o garoto que nunca estava longe de seus pensamentos.

Essa roupa teria um belo efeito no Jesse. Tenho que achar um jeito de ele ver.

Assim que a idéia veio à sua mente, ela descobriu a solução. O plano perfeito lhe veio em um lampejo. Rapidamente tirou o telefone da bolsa e acessou a câmera, e ergueu a voz para ganhar a atenção de todas.

"Tina, você está muito gata agora. Posso tirar uma foto?"

Em segundos, todas as meninas tinham os celulares nas mãos. Gritinhos soaram enquanto posavam para a câmera, adotando posição sexy depois da outra. Tendo batido várias fotos de suas colegas de time, elas passaram a dar as câmeras umas para as outras para conseguirem uma lembrança dos próprios figurinos.

Deliciada que seu esquema tinha dado certo, Rachel tomou um momento enquanto as outras iam para a sala do coral. Sorrindo maliciosamente, ela escreveu uma mensagem rápida e anexou a foto antes de mandar para Jesse. Ela não duvidava que geraria a reação exata que estava esperando.


Jesse no momento estava sorvendo uma bebida bastante quente em uma das cafeterias do campus, acompanhado de Nate, um de seus colegas de elenco de 'A Bela e a Fera'. Os dois calouros dividiam várias aulas, e, assim que ambos foram escalados para sua primeira produção estudantil, descobriram que tinham muito em comum. Estavam no meio de um animado debate sobre o uso de legenda em filmes estrangeiros quando o telefone de Jesse vibrou, o som distinto de uma nova mensagem. Pegando o aparelho do bolso do jeans, ele sorriu quando viu a primeira linha da mensagem – Opinião, por favor. Estava sempre mais que feliz de dividir sua opinião – a pedidos ou não – e sua curiosidade o engoliu quando abaixou a tela para ver o que Rachel queria que ele comentasse.

Quando a foto dela apareceu, ele arregalou os olhos, perdeu o fôlego, e sua calça ficou desconfortavelmente apertada. Observando-o do outro lado da mesa, Nate ficou interessado quando notou o nada característico rubor tingir o rosto normalmente impassível do amigo. Impulsivamente, ele arrancou o telefone de Jesse. A foto à mostra fez com que Nate desse um assobio apreciativo.

"Essa é a sua namorada, cara? Se é, você é um sortudo – e se não, pode me apresentar".

Jesse pegou o aparelho e rapidamente o enfiou de volta no bolso antes de encarar Nate. O outro rapaz o observava em expectativa, esperando a resposta para sua pergunta.

"Ela é... Hum... Uma amiga".

"E? Eu sei que tem mais nessa história, St. James, então fale".

"Ela também é minha ex".

"A tua ex tá te mandando uma foto dela mesma usando couro sexy? Ou o rompimento foi horroroso e ela está determinada a te torturar, ou ela te quer de volta".

"Espero que seja a segunda opção".

"Quer dizer que a hipótese da vingança é possível?"

"Se me perguntasse isso há umas semanas, eu teria dito que sim. Mas agora eu tenho quase certeza que já resolvemos tudo. Mas não quero atrair azar, sabe?"

"O que você fez a ela?"

Jesse ficou imediatamente na defensiva.

"Por que acha que eu fiz algo?"

"A culpa, pra começar. Tá escrita na sua testa. Para não falar que já vivi isso uma vez ou duas. Reconheço os sinais".

A ausência de julgamento na voz de Nate fez com que Jesse baixasse a guarda enquanto ponderava o quanto seria aceitável revelar ao primeiro amigo de fato que fizera desde que chegara à UCLA. Decidindo jogar a cautela ao vento, ele decidiu dar a Nate um lampejo do verdadeiro Jesse St. James.

"Eu menti para ela. Eu a usei. Eu me aproximei dela por interesses escusos. E então me apaixonei por ela".


Os dois rapazes engoliram vários outros cafés e perderam a aula da tarde enquanto Jesse desabafava completamente com a única pessoa, além de Rachel, com quem foi completamente honesto sobre as idas e vindas de seu previamente rompido – mas agora retomado – relacionamento. Nate provou ser um bom ouvinte, além de ser alguém capaz de oferecer conselhos úteis nascidos de experiência própria.

"Baseado em tudo que você me disse, acho que é seguro concluir que ela é genuína em seu perdão. Ela deixou o passado para trás e parece disposta em lhe dar uma segunda chance, tornando-o um dos filhos da puta mais sortudos do planeta".

"Estou bem ciente do fato, acredite".

"O objetivo agora é não fazer nada – e quero dizer absolutamente nada, zilch, niente, nothing – que dê a ela motivo para duvidar de você de novo. Porque se der, é de volta à estaca zero. A chance de você conseguir uma terceira chance com ela seria inexistente".

"Não tenho intenção de pisar na bola. É importante demais pra mim".

"Fico feliz em ouvir. Odiaria ter que juntar os pedaços se isso não desse certo".

O tom de Nate era leve, mas Jesse podia ouvir a sinceridade escondida. Pela segunda vez na história recente, um calor desconhecido se espalhou por ele quando percebeu que conhecera alguém que se importava por ele como pessoa em vez de apenas um meio para um final. Para um rapaz que errara tanto, sua vida definitivamente melhorara.

"Então... Sobre o namorado dela... O que acha que eu devia fazer?"

"Seus instintos estão no ponto com esse. Você precisa voltar ao Ohio o mais rápido possível. Acho que sei de um jeito que pode te ajudar..."


"Homens são tão canalhas!"

"Oi pra você também, Rachel. Estou incluso nessa pesada crítica ao meu gênero".

"Sim. Não. Não sei".

"O que te deixou tão irritada hoje?"

"A técnica Beiste se demitiu, e o Prof. Schue nos culpou a todos, mesmo sendo mais culpa do Finn e do Sam".

"Espera um minuto, Rach. O Finn e o Sam fizeram algo tão grave que fez sua técnica de futebol pedir as contas? Preciso ouvir isso".

"Aparentemente eles estão usando-a para cortar o clima".

"O quê?"

"Para resistirem a tentação de irem longe demais quando estão namorando, eles têm fantasiado sobre a técnica Beiste".

Mas que grupo de imbecis patéticos! Você aproveita o momento o máximo possível e, se a garota diz não, então exerce autocontrole. Qual é a dificuldade nisso?

"E a técnica descobriu sobre isso?"

"Sim".

"Que embaraçoso para ela. Que pena que ela deixou os idiotas derrotarem-na, porém. Parecia que ela era uma grande melhora comparada ao Tanaka".

"Eu concordo. Ela parecia uma mulher muito decente, e estou furiosa com o Finn por ser tão insensível".

Finnsensível ataca novamente.

"Bom, por mas que eu adoraria tirar vantagem dessa fabulosa oportunidade para esculhambar seu par, na defesa dele, ele não foi o único".

"Não. O Sam também foi. Os dois caras que têm a infelicidade de namorarem garotas que não cedem".

Amargura e mágoa estavam evidentes na voz dela.

"Ele disse mesmo isso?"

"Não com tantas palavras. Mas a Santana estava mais do que feliz de apontar a solução simples para o problema".

"Todos deviam ser fáceis como ela?"

"Isso. Se todas nós nos dispuséssemos a fazer sexo, ela sugeriu que teríamos um time de futebol vencedor".

"Hummm... Alguns técnicos recomendam a abstinência antes de um jogo. A Santana pode querer repensar seu argumento".

"Tenho certeza que os caras estão basicamente todos do lado dela".

"Não posso discordar. Nós homens somos frequentemente controlados por uma certa parte de nossa anatomia. Infelizmente não é nosso cérebro".

"Jesse, posso perguntar uma coisa?"

"Mas é claro, Rach".

"Como você faz?"

Enquanto ele gostaria de fingir que não entendeu a pergunta dele, sabia que a constrangeria ter que explicar, e queria poupá-la de mais humilhação. Ela não merecia nada menos que total honestidade, mesmo que não fosse a mais confortável das respostas para ele no momento.

"Controle mental sobre o físico".

"É mesmo?"

"É o que funciona pra mim. É fato que não tive muitas chances de pôr a técnica em uso".

"Não teve?"

Ela precisou de um momento para absorver totalmente seu significado.

"Ah".

Ela conseguiu injetar a pequena palavra com uma miríade de emoções, e o coração dele apertou-se à dor que pressentiu entre elas.

"Apesar do meu nome, eu não sou um santo, Rachel. Tive experiências. Na verdade, você é a única que já me disse não".

Ela engoliu em seco.

"Sou?"

"É. É parte do motivo pelo qual saí às pressas naquela primeira vez. Não estava acostumado a ser rejeitado, e não aceitei tão bem assim. E, em uma questão mais prática, eu tão precisava lidar com certa dor latejante que nosso intenso amasso me rendeu".

Uma risadinha borbulhou antes que ela pudesse engolir.

"Está rindo da minha dor?"

Ele tentou soar ofendido, mas fracassou fragorosamente.

"Estava imaginando você num banho frio".

A voz dela ficou um pouco esganiçada quando disse isso, e ele riu.

"Nunca cheguei tão longe. Eu cuidei do meu problema..."

Ele fez uma pausa dramática, e ela prendeu a respiração, antecipando.

"... no seu jardim. Olhando para a sua janela".

Ela fechou os olhos com força, a imagem que ele conjurara em sua mente fazendo com que calor se acumulasse entre suas pernas enquanto seu coração acelerava e sua respiração tornava-se ofegante. Ela nunca seria capaz de olhar para o jardim do mesmo jeito outra vez.

"Como eu devo me livrar dessa imagem, Jesse?"

"Não faço idéia. Mas pode tentar. Alguém me mandou um torpedo muito revelador, e teve um efeito forte sobre mim. Parece estar permanentemente gravado em minha mente".

"Você pode deletar".

O murmúrio rouco da sugestão dela fez com que fisgadas de desejo o percorressem. Como uma garota tão inocente podia ser tão tentadora?

"Sem chance. Aquela foto é o que vai me fazer enfrentar a loucura das semanas a vir – e tornar minhas noites suportáveis".

As palavras dele causaram um rubor furioso às bochechas dela, enquanto ele explicava com riqueza de detalhes como ele planejava usar a foto que ela tão delicadamente prouvera. Logo ela lhe implorava que retornasse o favor e, em momentos, ela se viu rindo amplamente quando a imagem dele – vestido apenas de cueca e camiseta, deitado na cama – encheu a tela de seu celular. Agradecendo, ela despediu-se rapidamente, antes de mergulhar entre os lençóis com a imagem dele plenamente visível no telefone que agora pousava aberto, no travesseiro ao seu lado. Seu coração disparou ao seu último pensamento consciente – naquela noite, ela dividia a cama com Jesse St. James.