Fic: De Mãos Atadas

Resumo: Draco é Comensal da Morte. Sua missão é sequestrar a namorada do Potter, mantê-la em cativeiro e torturá-la. Mas o que fazer com ela agora que decidiu fugir?

Disclaimer: Nada me pertence. Todos os personagens, ambientes e situações pertencem à J.K. Rowling, Warner Bros Pictures e Editoras. Essa fic não possui fins lucrativos e nem a intenção de violar direitos autorais.


Capítulo 13


Nenhum dos dois tinha dormido o suficiente para recuperar as energias desperdiçadas na floresta. Logo, embalados pelo sacolejar do trem, os dois bruxos acabaram adormecendo, lado a lado. Não perceberam, mas Ginny fez o ombro de Draco de travesseiro, e ele recostou sua cabeça na dela.

Ginny abriu os olhos devagar, sentindo um calor em seu rosto. Quando reparou onde estava encostada, corou furiosamente. Lembrava-se de ter adormecido ao lado de Draco, mas não sabia em que momento ele tinha passado o braço sobre seus ombros e ela se acomodado no peitoral dele.

Ao se mexer, tentando se desvencilhar do pesado braço do loiro, ele acordou. Aproveitando que ele retirara o braço de cima dela para se espreguiçar, ela rapidamente pulou para o banco da frente.

- O que foi? Aconteceu alguma coisa? – Ele perguntou ainda sonolento.

"O que foi? Eu apenas dormi agarrada ao meu arquiinimigo." Ela pensou apavorada, sentindo as bochechas pinicarem.

- Você está bem?

- Por quê, Malfoy? Tirou o dia pra me atazanar?

- Só perguntei por que, a qualquer momento, suas bochechas vão explodir. Acho que metade do seu sangue se concentrou nelas. – Ele falou com um sorriso enviesado, sem entender a atitude da ruiva.

E esse comentário só a fez ficar mais irritada e, se possível, mais vermelha.

- Foi culpa sua. Tentou se aproveitar de mim enquanto eu dormia.

- Eu? Me aproveitar de você? – Ele falou com uma cara de descrença. – Não perderia meu tempo, ruiva.

Ela bufou e decidiu sair da cabine. Não aguentaria mais um minuto ao lado de Draco. E não era porque estava com raiva dele, pelo contrário, tinha raiva de si mesma por ter achado tão confortável estar nos braços do loiro.

"Foco, Ginevra, foco. Ele é um Comensal que te sequestrou e quase te matou, é seu inimigo de berço, e uma doninha irritante. Depois que ele lhe despachar na Ordem, vai fugir igual a um cão sarnento com o rabo entre as pernas. É covarde." Ela falava consigo mesma.

Mas, por algum motivo que desconhecia, não conseguia se convencer dos seus próprios argumentos. Por mais que quisesse odiá-lo, em sua cabeça só surgiam imagens dos bons momentos que passaram juntos: os olhares, o contato das mãos, ele cuidando dela e protegendo-a... "Pare já com isso, Ginevra!".

Enquanto percorria todo o vagão, tentando organizar seus pensamentos, o trem deu um solavanco e ela pôde ouvir os barulhos dos freios sendo acionados bruscamente.

Estava parada no meio do corredor. As pessoas colocavam as cabeças para fora da cabine, tentando ver o que tinha acontecido, e Ginny só conseguia ficar parada, olhando para todos os lados, tentando encontrar uma explicação para isso.

Suas pernas não obedeciam aos seus comandos de voltar para a cabine, onde se sentiria segura, ao lado de Draco. Quando menos esperava, uma mão envolveu-lhe a cintura.

Ao olhar para trás, deu de frente com o homem que povoava seus pensamentos.

- O que foi isso, Draco? – Sua voz saiu falha.

- Não sei. Vamos sair daqui.

Ele começou a arrastá-la para o lado contrário. Passaram por três vagões, até chegarem a um vagão de carga.

- O que está acontecendo?

- Acho que estão revistando o trem. Costumam fazer isso quando estão atrás de algum fugitivo.

- Comensais?

- Não, Weasley, centauros! – Ele rolou os olhos no momento em que ela bufou de raiva. – E com certeza devem ter trazido os amiguinhos deles.

- Você realmente está me assustando.

- Dementadores, Ginny. São aliados do Lord.

Nesse momento, ela realmente não prestou atenção ao que ele disse. A única coisa que absorveu foi o fato dele chamá-la pelo apelido.

- Você me chamou de Ginny?

- Eu digo que têm comensais e dementadores atrás de nós e tudo com o que você se importa é o fato de que eu a chamei pelo apelido? – Ela encarou as orbes cinza dele, por trás da máscara.

- É por que soou... diferente.

- Ok, vou reformular: São dementadores, Weasley. São aliados do Lord e estão atrás de nós.

- Eu prefiro Ginny.

Dessa vez foi ele quem bufou de raiva. Não conseguia entender a calma da garota. Acabara de relatar o risco que estavam correndo, e ela só pensava na forma como ele a chamava.

- Será que já foram? – Ela perguntou quando o trem voltou a se mexer.

-Fique aqui, eu vou verificar.

Quando Draco se levantou, Ginny segurou a manga da camisa dele.

- Eu vou com você. É perigoso.

- Por isso mesmo prefiro que você fique. Se... se acontecer algo, mantenha-se escondida. Tome. – Ele estendeu o mapa. – Assim que desembarcar, vá direto para a Ordem. Sempre com cautela.

- Isso está parecendo uma despedida. Não estou gostando nada disso. – Ela disse, encarando-o profundamente.

- Nunca sabemos o que o destino guarda para nós.

Com essa última frase, ele se retirou do vagão. Ginny subitamente sentiu-se só e com medo. Medo por estar sozinha, e medo por ele. Não aguentando mais ficar parada, levantou-se e seguiu o loiro.

Conseguiu alcançá-lo num vagão de passageiros.

- Eu mandei você ficar lá, Weasley. – Ele disse num sobressalto, quando Ginny surgiu às suas costas.

- Eu já disse, prefiro Ginny.

Ele virou-se para ela e a encarou com a sobrancelha levantada.

- O que você bebeu hoje?

Ignorando o comentário dele, espichou o corpo, apoiando-se nos ombros do loiro, e tentou espiar o vagão por trás dele.

- E então, viu alguma coisa? – Ela questionou.

Por tê-la tão próxima, Draco conseguia observava as sardas que estavam espalhadas pelo rosto de Ginny. Descendo um pouco seu olhar, pôde observar os lábios delicados e rubros da garota.

- E então? – Ela questionou, encarando-o.

- Não Wes... Ginny. Eu não vi nada ainda. E você, não vai mesmo ficar no vagão de carga?

- O que você acha? – Ela imitou a expressão dele, erguendo uma sobrancelha.

Depois de observar o pequeno sorriso que tinha se formado nos lábios dela, após chamá-la de "Ginny", e sabendo que ela o acompanharia de perto, virou de costas e começou a andar pelo corredor. Não podia empunhar a varinha, pois estavam num transporte trouxa, mas Draco a segurava firme em seu bolso.

Ginny acompanhava de perto seus passos, também apertando o cabo da varinha em seu bolso.

Percorreram cinco vagões, vasculhando todas as cabines com os olhos. Mas não encontraram nada, nem ninguém suspeito.

Ao chegarem à cabine do maquinista, interrogaram-no, querendo saber o que tinha acontecido.

O senhor de cabelos brancos lhes explicou que viram duas pessoas sobre os trilhos, por isso ele precisou frear. Eram duas mulheres, que disseram ter sido assaltadas e espancadas. Estavam agora acomodadas numa das cabines do trem.

Sem conseguirem arrancar mais informações do motorista, e sendo informados que dali a uma hora seria servido o almoço, Draco e Ginny voltaram para a cabine que ocupavam, e sentaram um de frente para o outro.

- Você acreditou nessa história? – Perguntou a garota.

- O maquinista falou a verdade. Mas tenho certeza de que essas duas não.

- Acha que são comensais?

- Todos os indícios indicam que sim. Temos que ficar alertas.

A moça que servia as refeições parou com seu carrinho na porta da cabine que ocupavam. Depois de escolherem seus pratos, os dois fizeram a refeição em silêncio, perdidos nos próprios pensamentos.

- O que você queria ter sido, Draco?

- Hã? – Ele olhou interrogativamente para a ruiva.

- Se não tivesse essa guerra estúpida, que carreira você teria seguido quando acabasse Hogwarts?

- Não sei. Meu pai tinha uma grande empresa no ramo imobiliário. Ele queria que eu assumisse a presidência. – E Ginny viu uma sombra passar nos olhos do rapaz. – Mas eu acho que o que eu realmente queria era ser curandeiro. Sempre tive facilidade em poções...

- Eu queria ser jornalista. Mas tive de me tornar auror.

- Mas não é algo definitivo, Ginny. É só enquanto durar a guerra.

- Esse é o problema. Quanto tempo durará essa guerra? Quem ganhará? E como ficará o mundo bruxo no pós-guerra?

- Infelizmente teremos de esperar... E mantermo-nos vivos para ver.

Assim que o assunto morreu, um silêncio incômodo pairou sobre eles. As responsabilidades e os sonhos adiados pesavam em suas mentes.

Ao mesmo tempo, ambos se viam impressionados por terem conseguido manter um diálogo descente, sem ironias e sem farpas.

- E o seu pai? – Ginny perguntou baixinho. Desde que ele lhe contara que o pai tinha morrido por culpa dele, a garota ficou curiosa para saber o que realmente tinha acontecido, e se Draco realmente tinha culpa no ocorrido.

Vendo Draco incomodado com a pergunta e sem querer encará-la, Ginevra desistiu do assunto. Em seu íntimo, queria apenas que toda essa história fosse mentira; queria que Draco não fosse tão mau quanto ela imaginava.

- Eu não planejei o que aconteceu. Agi por impulso. – Ele falava olhando para a janela. Sentiu os olhos castanhos fixos em si, mas não quis encará-la. Sabia que, se o fizesse, não conseguiria mais falar. – Tivemos uma briga bem feia. Ele me torturou e fez isso. – Disse virando o rosto e apontando para o lado esquerdo, onde tinha a enorme cicatriz que ia da sua têmpora até o queixo.

- Mas, por quê?

- Meu pai praticamente me obrigou a me tornar um Comensal. Eu queria fugir com minha mãe e ficar neutro nisso tudo. Mas ele não, obedecia cegamente ao Lord. Depois que eu me tornei Comensal, a Guerra começou a ficar mais apertada. Todos os dias, tínhamos um aliado morto. Então o Lord designou meu pai para te sequestrar... Mas ele se recusou. Sabia do risco que estaria correndo e que, se cometesse qualquer erro, não seria perdoado, por nenhum dos dois lados.

"Armou então um plano de fuga. E tudo pelas minhas costas. Ele iria fugir com a minha mãe e me deixaria para trás, para o Lord ter em quem descontar sua raiva. Narcissa, não concordando em me deixar para trás, contou-me tudo, e tentou me convencer a fugir com eles. Mas o ódio pelo meu pai foi maior, e eu fui tirar satisfações."

Draco interrompeu a narrativa, como se estivesse se lembrando de cada detalhe da luta com o seu pai. Sentiu que Ginny sentara ao seu lado, mas não se moveu. Continuou olhando pela janela.

- Tivemos uma briga feia. E eu o denunciei para o Lord, não sem antes acobertar a fuga da minha mãe. Você-Sabe-Quem ficou furioso, e torturou a mim e a meu pai. Matou-o em seguida, na minha frente. E passou para mim a missão que tinha confiado a ele: você!

- Eu não sei nem o que dizer.

- Não sinta pena de mim. Não esqueça de que eu cumpri a missão que me foi dada. – E Draco virou-se, encarando-a profundamente. - Pode ter a certeza de que, se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo novamente. Jamais perdoei a traição do meu pai, e não me arrependo de tê-lo delatado.

Draco não sabia por que tinha revelado seu maior segredo para a garota. Porém, ao mergulhar naqueles olhos cor de chocolate, sentiu um calor dentro do peito. Pela primeira vez Draco Malfoy tinha desabafado, e isso o fazia se sentir bem. A ruiva passava-lhe segurança e amizade, sentimento que ele nunca tinha recebido de forma tão sincera.

Inesperadamente, sentiu os braços finos da garota o envolverem num abraço. Ele retribuiu, sentindo-se mais leve e com aquele estranho frio no estômago, que já se tornara constante quando estava na presença dela.

- Eu sei que Feron estava certo. Você tem um coração Malfoy, e ele realmente não é de gelo. – Ela disse ao se separar do abraço, ainda o encarando.

- Não se engane, ruiva. Eu não sou bom moço. Jamais me igualaria ao Potter.

Dessa vez, a sombra negra passou pelos olhos de Ginny.

- Eu jamais iria tentar te igualar ao Harry, e nem queria isso. O que eu quis dizer, Draco, é que os seus defeitos o tornam mais humano. Todos erram, e isso não faz de você mais fraco.

Ele não conseguia entender qual o feitiço que aquela ruiva lançara nele. Ainda não acreditava que tinha revelado tudo a ela, quando tinha prometido a si mesmo esquecer aqueles acontecimentos – algo que sabia ser impossível – e jamais contá-lo, para quem quer que fosse.

- Agora eu estou em desvantagem. – Ele disse com um sorriso fino nos lábios.

- Como assim?

- Contei meu maior segredo a você. Portanto, terei de matá-la.

- Muito espertinho você, hein? Conta-me um segredo só para ter um motivo para me matar? – Ela cruzou os braços, fazendo uma expressão de falsa indignação.

- Mas podemos entrar em um acordo. Para ficarmos quites, conte-me um segredo.

- Eu não tenho segredos.

- Certo. E sua história com o Potter? Pelo que eu saiba, ela não é pública.

O sorriso nos lábios de Ginny esmoreceu. Draco sabia que estava avançando num campo minado, mas, por algum motivo que ele desconhecia, queria saber o que realmente acontecera com eles e o que ela ainda sentia pelo "Eleito".

Ginny voltou a se sentar de frente para ele. Sem querer encarar as orbes cinza que estavam sobre si, fitou o chão enquanto falava.

- Ele acabou o namoro. Queria me "salvar".

Draco tentou analisar a expressão da garota, mas era difícil fazer isso quando ela olhava para o chão.

- Perda de tempo, não? Você virou alvo do Lord do mesmo jeito.

- A verdadeira razão não foi essa. Isso foi uma desculpa esfarrapada. Ele queria me impedir de ir com eles atrás das Horcruxes. – Disse amarga.

- Mas mesmo assim você continua lambendo o chão onde ele pisa? – Draco falou numa voz arrastada, e não se preocupou com as palavras proferidas quando a imagem da ruiva agarrada ao pescoço do Potter surgiu em sua mente.

- Claro que não, Malfoy. – Ela disse raivosa. - O problema é que a gente não pode mandar no nosso coração. Não se pode escolher por quem você vai se apaixonar perdidamente.

- Isso é besteira. Eu, por exemplo, sempre aprendi a controlar minhas emoções. Nunca me apaixonei por nenhuma garota.

- Isso porque você ainda não encontrou a garota certa. – Dessa vez ela o encarou, com uma sobrancelha erguida.

- E como você sabe que o Testa-Rachada é o "garoto certo" pra você?

- Eu não sei se ele é. Eu sempre gostei do Harry e o idealizei. Depois que passamos a namorar, vi que ele não era nem metade do que eu imaginava. Mesmo assim, acho que ainda gosto dele. – Ela disse num ar tristonho.

- Mas...

- Chega, Draco. Não quero falar disso, ok?

Ele a encarou profundamente. Os olhos castanhos estavam quase negros e sem o costumeiro brilho e calor que transmitiam. Sabia que aquele assunto a machucava. Decidiu não insistir.

Mudaram de assunto e conversaram sobre amenidades durante o resto da tarde, lembrando-se principalmente das aventuras em Hogwarts. Ginny se mostrava uma garota alegre e muito comunicativa. Draco sempre soltava seus comentários sarcásticos que a faziam rir.

Ainda não tinham tomado consciência da atual situação deles. Passaram de inimigos para aliados, e, agora, tornaram-se amigos.

Talvez, todas as ameaças e os riscos que estavam correndo fossem apenas uma peça pregada pelo destino para unir Bem e Mal.


N/A: Olá Pessoas Liiiiiindas Do meu core (S2)!

Olha aí: Muitas reviews = Atualização rápida!

Espero que tenham gostado desse capítulo. Ele foi particularmente complicado de escrever... Era difícil fazer os diálogos mantendo a essência dos personagens... Além de colocar revelações sobre o passado dolorido dos dois...

Pois então... Agora eles são amigos... Mas será q são só isso mesmo?

O cap. 14 já está pronto, com minha Beta Querida... E o 15 já está em andamento...

Não sei se notaram, mas os capítulos estão ficando cada vez maiores... Passei de 4 ou 5 páginas do Word para 7/8...

Só me resta dizer que muuuuuitas emoções estão por vir! E que eu to adorando escrever esses capítulos!


Agradeço às Reviews lindas e maravilhosas que eu recebi! Vocês me deixam muuuito feliz e entusiasmada com a fic:

Schaala, fermalaquias, Gaby Weasley Malfoy (muito feliz em tê-la por aqui, amiga!), Yela, AmandaLuiza, Mimsy Riddle, dudaa, G. Granger, To-chan e Thamiinha.

BEEEEEEEEEIJOOOOOOS imensos para vcs, leitoras queridas!


Acho que isso é tudo...

E, só para lembrar, quanto mais reviews, mais rápido eu posto!

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Beijooooooooos

Tati Black