Oi pessoal!
Eu voltei, finalmente... depois de um violento bloqueio... é culpa do José de Alencar e seus livros... é impossível ler aquilo e conseguir escrever decentemente depois...
Até porque eu queria um capítulo bom... e depois de três semanas gostei do resultado.
Mel Black Potter: Esse capítulo é para você. :D Espero que goste da parte final... Dá-lhe Drácula!!
Renan: Calma, moço! Haverá o seu capítulo também... ou você acha que eu sou parcial? xD Espere e verá... Ah... haverão mais momentos dignos de Sirius... eu digo e afirmo: ele não morreu!
Janahouse: Valeu pela crítica, mas ainda acho que mais romance do que já tem tiraria a história de seu curso. Pode crer... muitas coisas ainda vão acontecer. Também amo R/T (ou não teria escrito essa fic) e adoro o Sirius. Valeu!
Raiana: Valeu mesmo! Adorei o 11, escrever com o Sirius é ótimo... tem cada bobagem que ele pode dizer, hehe! Brigadão, espero que goste!
Pois bem... a tão esperada missão na Romênia... espero que gostem... eu gostei!
PS.: As últimas 7 páginas foram escritas em 6 horas, ontem... minha bunda ficou quadrada... o motivo? Felicidade! Minha professora de Filosofia se mandou!
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Um Uivo na Noite
CAPÍTULO 12 – Erros – A volta do Conde
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Who ate your heart? – Quem comeu seu coração?
You're cold inside – Você está gelado(a) por dentro
You're not the one I hoped for – Você não é aquele(a) por quem tenho esperado
I'll see you on the other side – Eu te verei no outro lado
I'll see you on the other side – Eu te verei no outro lado
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Pousaram no chão duro do interior de uma caverna. Era um esconderijo simples; sua saída era visível, e o céu escuro e nublado não mostrava nenhuma estrela. A Romênia, nessa noite, não estava tão fria quanto a Inglaterra. O cheiro de floresta e o característico odor de vampiros animalescos invadiram as narinas de Remo; seria uma noite agitada.
-Trouxe-nos para próximo da mansão do Conde, imagino? – rosnou Logan, dirigindo-se à saída da caverna.
-O mais próximo possível, mas ainda assim teremos que andar alguns quilômetros. – falou Rufus. – Muita magia negra cerca a mansão do Conde Drácula, e se simplesmente surgíssemos no interior da mesma, os vampiros que a cercam, ainda fiéis ao Conde, nos interceptariam. E ninguém aqui é tão frufru que não possa caminhar um pouco, não é?
Rufus descobriria em experiências posteriores que chamar, mencionar ou até mesmo dar a idéia de que lobisomens poderiam ser criaturas efeminadas era um ato muito insensato. Aliás, na presente ocasião, só permaneceu vivo porque todos estavam decididos a pouparem energia para a ressurreição do Conde e porque todos achavam que caminhar quilômetros ininterruptamente não era algo realmente desgastante.
Saíram para o ar fresco da noite transilvânica, embrenhando-se na floresta, em silêncio. Havia um ar solene e um tanto quanto irritado entre eles. Os vampiros caminhavam juntos, assim como os lobisomens. Os quatro bruxos e Remo caminhavam mais à frente. Ninguém falava.
Remo se flagrou divagando a respeito da última vez em que tais membros da Ordem (exceto Harry) haviam entrado em uma floresta. Thiago e Lílian estavam junto com eles; procuravam um vampiro que talvez guardasse uma informação acerca do novo esconderijo de Voldemort. Caminhavam em silêncio, olhando para os lados, todos estranhamente muito juntos a Remo – agindo como se ele fosse o cão farejador, o que, na época, lhe rendeu muitas piadas de mal gosto. Para completo desgosto do grupo, ao invés do vampiro irlandês que buscavam, encontraram Vicent, e foi quando a Ordem e o vampiro se conheceram. Foi um início cheio de atritos... Thiago e Remo o odiavam, uma vez que ele estranhamente adorava Lílian e Susan. Sirius apenas ria disso tudo.
Caminharam pelo que lhes pareceu meia hora, quando o primeiro grupo de vampiros animalescos os atacou. Os morcegos gigantes surgiram repentinamente por entre as árvores, guinchando, e no mesmo momento o grupo revidou. As duas dúzias de vampiros levaram quase cinco minutos para serem derrotadas.
-Os morcegos da Romênia são mais divertidos que os ingleses! – reclamou Bruce, com o rosto ensangüentado e um enorme sorriso.
-São mais resistentes. – concordou Logan. – Deveríamos pedir alguns emprestados ao Conde.
Os quatro vampiros apenas reviraram os olhos, irritados.
Continuaram a caminhada, desta vez mais atentos; diversas vezes foram atacados, e, embora estivessem sempre em menor número, não sofreram grandes danos; alguns cortes e arranhões surgiram nos mais desatentos.
Era uma terra montanhosa, com vários córregos. Seria até romântica e poética, não fosse a presença de tantos vampiros e lobos – como perceberiam mais tarde. Lobos puros não atraíam o ódio dos morcegos, em geral; apenas aqueles que estavam contaminados pelo vírus da licantropia o faziam, e, pelo visto, não havia esse vírus por ali.
Depararam-se mais de uma vez com lobos; seus olhos brilhavam na escuridão, observando o grupo forasteiro, preocupados. Os lobos, tal como as outras criaturas, pressentiam a ferocidade contida de lobisomens e vampiros, e mantinham distância destes. Remo nunca havia visto lobos naturais tão grandes e massudos como aqueles. Não era de se esperar que fossem lobos pequenos, pensou, uma vez que eles habitavam em uma terra cheia de vampiros; deveriam ser bons lutadores. Mas aqueles animais apenas os observavam de longe; preveniam-se. Não eram ameaças.
Quando o grupo avistou pela primeira vez a mansão do rei dos vampiros, uma construção que mantinha traços de castelo e casarão aristocrático, entre as montanhas, todos já estavam de ótimo humor. Parecia haver uma alegria insana em despedaçar vampiros animalescos.
Quanto mais próximo estavam do objetivo, mais fortes eram os vampiros que surgiam para barrá-los. Quando se encontravam na orla da mata que dava para o terreno da mansão, um grupo de vampiros humanos os atacou, desta vez exigindo duelos sérios por parte dos aliados. Ao término dessa batalha, somente os vampiros não apresentavam nenhum ferimento.
Rufus não permitiu que eles adentrassem pela porta principal da mansão. Eles contornaram a enorme construção aristocrática, com alguma dificuldade devido ao terreno íngreme em alguns pontos, e, atravessando um córrego que formava uma pequena queda-da-água, depararam-se com a antiga saída para o esgoto da casa. Inutilizada por anos, a entrada estava razoavelmente limpa.
-Rastejando pelo esgoto como um lobo imundo – chiou Lexus, enquanto chapinhavam abaixados pelo cano que dava para o interior subterrâneo da mansão.
-Mais uma palavra e um lobo imundo vai despedaçá-lo. – respondeu Logan, igualmente irritado.
Vampiros costumavam ser arrogantes e apresentar costumes elegantes... era-lhes ultrajante caminhar no mesmo ambiente que ratões e baratas, embora muitos vampiros se alimentassem de ratões. E Drácula não deveria ter nenhuma noção de limpeza ambiental, derramando seu esgoto diretamente no córrego.
Teria sido menos desagradável se Rufus não tropeçasse em um cadáver humano apodrecido e caísse, espalhando esgoto naqueles que estavam ao seu redor. Quando encontraram a saída do cano – um buraco que dava para o porão da mansão, aberto à base de um feitiço explosivo – estavam todos muito mau humorados e fedidos.
Rufus estava jurado de morte àquela altura.
-O Conde foi destruído por Lestat no saguão. – explicou o caçador – O que restou de seus servos originais juntou suas cinzas e as colocou dentro do caixão que ele utilizava para repousar. Ele está escondido em uma câmara secreta no subterrâneo. Provavelmente seus servos aparecerão para nos barrar. Já matei alguns.
Eles caminharam atrás de Rufus, seguindo-o pela enorme mansão. A casa estalava no silêncio. Uma enorme camada de poeira cobria o chão e todos os objetos que outrora decoravam o lugar. Baratas, aranhas, ratos, e todo tido de inseto corriam pela moradia abandonada. O tapete, que em algum dia fora de um vermelho sangue arterial, estava cinza chumbo, e largava nuvens de pó a cada passo dado pelo grupo. Quadros caros, meio comidos pelas traças, continuavam pendurados pelas paredes; alguns eram arcadistas, outros datavam do Renascimento, e outros eram de outras épocas das quais Remo não sabia muito – uma vez que sempre fora muito preguiçoso para estudar história. As paredes eram rebocadas, lisas, um dia haviam sido coloridas. Aquele lugar deveria ter sido o paraíso meio século atrás.
Depois de muitas curvas e descidas, em um ambiente mais frio e sombrio, depararam-se em um longo corredor onde os archotes já estavam acesos. Rufus parou, franzindo a testa; apagou a luz de sua varinha.
-Qual o problema, Guaraná? – perguntou.
-Já tem alguém nos esperando no fim do corredor. – respondeu o caçador.
Caminharam a distância da ponta do corredor onde estavam até a outra ponta. Quinze vultos lhes sorriram, exibindo caninos longos.
Remo reconheceu alguns deles como servos de Lestat.
-O mestre sempre se mantém a par de tudo o que ocorre aqui. – sorriu o maior deles, Damomen, braço direito de Lestat. – Sabemos o que querem, e não vamos permitir tamanho atrevimento.
-E o que queremos? – perguntou, medindo a altura dos outros vampiros. Seria um combate interessantíssimo. Vampiros poderosos em maior número.
-Obter as cinzas do Conde para utilizar seu poder contra o mestre. – respondeu Valerius, outro vampiro de Lestat.
Sirius e Remo trocaram sorrisos sinistros. Quem dera fosse só isso.
-Saia do nosso caminho, Damomen. – falou Vicent, imponentemente. Os outros vampiros pararam de sorrir e o fitaram. Não ousavam enfrentá-lo sozinho. – Para sua própria segurança.
Os vampiros se entreolharam e sorriram, e, repentinamente, não estavam mais ali.
Surgiram às costas e ao centro do grupo, atacando seus inimigos desprevenidos. Antes que pudesse reagir decentemente, Remo sentiu presas afundarem em seu ombro, seus amigos gritando, palavrões e feitiços. Phenom, um dos serventes de Lestat conhecido por conter veneno em suas presas, resolvera enfrentá-lo. Pestanejou e empurrou o vampiro para longe. Apontou-lhe a varinha.
Phenom lhe sorriu, os dentes compridos pingando sangue. Seu sangue. Seu ombro estava quente, dolorido, e sentia aquele calor se espalhar, lentamente, pelo braço e para o peito. Mas já não era a primeira vez que enfrentava aquele vampiro, e sabia que não podia se distrair agora. Sorriu também, antes de atacar.
A diferença entre um vampiro mago e um bruxo comum estava na agilidade; vampiros teleportavam-se em frações de segundo, de um lado para o outro, estavam em um lugar e de repente não estavam mais. Isso dificultava os duelos. Aquele grupo, no entanto, era experiente no combate a vampiros.
Vicent enfrentava Damomen, Sirius combatia dois; dois outros vampiros pareciam muito desejosos de pegarem Harry, que estava em maus lençóis, com o braço inutilizado. Todos os outros enfrentavam apenas um vampiro.
Já obtivera alguns cortes na cara e começava a ficar irritado quando uma pancada varou-lhe o rosto e sentiu-se caindo no chão, confuso.
-Desculpe aí, Remy! – murmurou Sirius, derrubando Sanella de sobre seu peito; aparentemente o ex-prisioneiro deixara sua vampira escapar, e ela aproveitara para derrubar o lobisomem.
Antes que pudesse levantar Phenom lançou-o longe com um feitiço, e viu-se praguejando contra todos os vampiros quando ergueu a varinha, pronto para lançar a maldição mais cruel que conhecia, quando uma flecha prateada surgiu em seu campo de visão, perfurando o peito de Phenom, que recuou guinchando.
-Droga Rufus! – xingou, quando Phenom desapareceu, ainda guinchando. – Ele era meu!
-Estamos com pressa, não é mesmo? – respondeu o caçador, encaixando outra flecha prateada no arco e mirando no vampiro que Sirius ainda não derrotara.
Rufus lançou seis flechas, todas certeiras. Ouviram-se seis reclamações, seis guinchos de vampiros, e, após isso, um a um, os vampiros foram desaparecendo. Restou apenas Damomen, que afastou-se de Vicent e encarou todo o grupo com ódio.
-Não pensem que acabou. – chiou, e desapareceu em um rodopio de capa, deixando para trás um silêncio retumbante.
-Nunca interrompa um confronto entre um vampiro e um lobisomem! – rosnou Logan, avançando em direção a Rufus e agarrando-o com uma mão suja pelo pescoço. O lobisomem deparou-se então com uma flecha prateada apontada diretamente para o espaço entre seus olhos.
-Sou um caçador de vampiros, mas não me importaria de matar um lobisomem. Me solte.
Os dois se encararam ameaçadoramente.
-Parem com isso e vamos adiante, meninas, temos muito o que fazer. – murmurou Remo, puxando Logan pelo ombro e empurrando Rufus para frente, fazendo-os romperem o contato visual. Os outros fungaram irritadamente ao som de "meninas".
-Não sei se vocês perceberam, mas Sanella emitiu o sonar, o que significa que daqui a cinco minutos isso aqui vai estar transbordando de vampiros. – resmungou Rufus, parando diante da porta no final do corredor.
Vampiros tinham a capacidade de emitir gritos altíssimos para atrair companheiros, quando precisavam de ajuda. Esse grito, conhecido como sonar, se comparava ao uivo dos lobisomens.
A porta em questão era muito grande, dupla, de madeira grossa e empoeirada. Um alto-relevo a decorava com a figura de um morcego voando. Não parecia ser aberta há pelo menos meio século.
Rufus puxou um frasquinho vermelho escuro do bolso, e derramou seu conteúdo na porta.
-Sangue de seus antigos servos, que, aliás, estão por chegar. – explicou o caçador.
Os vampiros se remexeram, incomodados. A presença de vampiros inimigos se aproximando os deixava nervosos. Quando o sangue brilhou, clareando a madeira da porta escurecida pelo tempo, Rufus murmurou algumas palavras em latim, que Remo não compreendeu.
-Convoque o líder, diga à porta para nos deixar entrar. – disse Rufus para Vicent.
-Eles estão chegando – murmurou Bruce, virando-se para a outra ponta do corredor.
-Abra-te para teu tesouro, o ouro faremos reluzir novamente, o Lorde irá levantar-se outra vez. – sibilou Vicent.
"Vicent é um péssimo poeta" pensou Remo, revirando os olhos.
-Como você descobriu isso? – perguntou, abismado, para Rufus, quando a porta brilhou e começou a abrir.
-Nem pergunte. – respondeu ele, baixo, encaixando uma flecha no arco. – Conseguir o sangue foi pavoroso.
-Lá vêm eles. – chiou Logan.
-Os lobisomens seguram os vampiros. – falou Rufus, entrando na sala que a porta revelara. – Os vampiros vêm comigo.
-E nós, nem lobisomens nem vampiros, ficamos olhando, certamente. – arremedou Susan, olhando com desinteresse para os vampiros que chegavam.
Um conjunto de quase trinta vampiros, enfurecidos, surgiu chiando e guinchando no corredor, avançando na direção do grupo. Estavam semi-transformados e muito mau-humorados.
-Estamos em desvantagem. – comentou Silver, franzindo a testa.
Remo sacou a varinha. Vicent, Tripnato, Vamac, Lexus e Rufus entraram na sala. Os demais se postaram lado a lado para enfrentar os vampiros.
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A câmara estava empoeirada, mas ainda apresentava um vermelho muito intenso. Era óbvio que deveria representar um quarto fúnebre de luxo. Um caixão jazia no meio do lugar, com o verniz ainda brilhante.
-Abra o caixão. – falou Rufus para Vicent.
O vampiro sibilou alguma coisa, a mão direita estendida sobre o caixão. A tampa deste se abriu; não houve nuvem de pó, nem cheiro ruim. A tampa revelava um almofadado vermelho vivo de veludo, sob o qual estava um pó cinzento grosso que emanava uma aura terrível.
-Eis o velho Conde. – comentou Tripnato. – Sempre sonhei em vê-lo assim.
-Não deixe que ele saiba disso quando acordar. – comentou Rufus.
-Precisamos que venha Lestat. – falou Vicent. – Só podemos despertar o Conde quando seu traidor já estiver aqui.
-Deixe que eu o traga. – sorriu Tripnato.
Rufus teve um arrepio.
O vampiro outrora espião abriu os braços, gargalhando; debaixo de sua capa surgiram dois pequenos morcegos negros, que saíram da sala, desviando dos duelos que ocorriam no corredor, e desapareceram de vista.
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Havia tantos vampiros ali que cada bruxo e lobisomem enfrentavam pelo menos três ao mesmo tempo, o que estava lhes rendendo vários ferimentos. Para os lobisomens, não era exatamente um problema; mas Remo se preocupava com Sirius, Harry e Susan; estes não podiam ser mordidos.
Os três bruxos, no entanto, estavam se saindo razoavelmente bem. Estavam juntos, barrando a porta; Harry conjurara um escudo entre os três e os vampiros, enquanto Sirius e Susan se dedicavam a explodir e massacrar os dez vampiros que tentavam romper a barreira e atingi-los.
Bruce, Logan, Silver e Darkness enfrentavam seus vampiros como podiam, assim como Remo. Logan e Silver haviam se transformado. Suas varinhas jaziam esquecidas no chão.
-Vangloria! – lançou Remo. Luzes prateadas brilharam; um de seus vampiros recuou, carbonizando, tornando-se pó.
Restavam dois... um deles atacou-o antes que pudesse reagir, e mais um corte se somou aos que já estavam em seu rosto.
Não que estivesse preocupado... estava divertido.
Viu os morcegos de Tripnato passarem por eles, mas não deu importância ao fato; estava ocupado. Desviou de uma seta prateada que teria lhe causado estrago e golpeou o vampiro maior entre os olhos, com um soco; ele recuou chiando, enquanto o outro vampiro novamente atacava.
Estava já há algum tempo nesse combate, começava a ficar cansado, quando um arrepio percorreu suas costas e mais um vampiro surgiu no início do corredor. Reconheceu-o pelo cheiro; era Lestat.
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-Abram suas veias, o sangue de vocês deve cobrir toda a cinza.
-Precisamos também de sangue humano e de licantropo, marcado pela prata... creio. – falou Vicent, lançando um olhar ao caçador, ao mesmo tempo em que tirava um punhal de dentro da capa e puxava para cima a manga do braço branco e fino. Os outros três vampiros imitaram o gesto, sem pressa nenhuma, deixando Rufus impaciente.
Não agradava muito ao caçador estar sozinho entre quatro vampiros poderosos, esperando chegar um ainda mais forte e homicida, e revivendo o mais poderoso de todos.
As lâminas dos punhais dos vampiros apertaram as peles brancas, das quais largos filetes vermelhos começaram a correr. O sangue tocou a almofada vermelha do caixão, depositando-se sobre as cinzas, espalhando-se vagarosamente. Somente quando todo o pó estivesse coberto de sangue dever-se-ia acrescentar o sangue humano, e então um pouco de sangue licantropo, tirado à força.
Remo não ia gostar nem um pouco dessa parte.
Quatro pulsos se estenderam sobre o caixão. Os vampiros fitavam as cinzas de Drácula como se pudessem reanimá-las com o olhar. Rufus teve um calafrio, e todos olharam simultaneamente para a saída da câmara vermelha, focalizando o final do corredor, por entre os vampiros, bruxos e lobisomens que se enfrentavam.
-Lestat chegou. – comentou Vicent.
Rufus suspirou.
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Remo conseguira dizimar um de seus vampiros a pedaços quando Lestat avançou rapidamente pelo corredor. O vampiro parecia aterrorizado e insano: seus olhos estavam arregalados e vermelhos, os dentes compridos e afiados, a face contorcida em um grito. O vampiro louro passou com tanta ferocidade por entre os vampiros, bruxos e lobisomens que se combatiam que empurrou Lyan e Logan, e derrubou Harry, sem desviar os olhos da câmara onde jaziam os restos do Conde.
Remo se demorou demais em tentar evitar que os vampiros que enfrentavam Lyan e Logan atacassem Harry, que, caído, já passava maus bocados sob as garras dos que ele próprio enfrentava – e não conseguiu conter Lestat quando este passou por ele. O vampiro entrou apressadamente na câmara. Remo se voltou para Sirius, que tentava ajudar o afilhado. Eles ouviram o som alto de um estalo de osso vindo da direção de Harry. Um grito de dor indicou que ele ainda estava vivo.
Na câmara, Rufus retesou o arco e o disparou no exato momento em que Lestat saltava sobre eles. A flecha perfurou o ombro do vampiro, mas não impediu seu ataque. O caçador caiu no chão com Lestat sobre ele, sentindo o hálito podre de sangue velho do vampiro. Por alguns segundos, tentou afastá-lo, mas vampiros eram inumanamente fortes. Sem que pudesse evitar, os dentes de Lestat se afundaram em seu pescoço.
O grito de Rufus foi alto o suficiente para Remo interromper o duelo que tinha com um dos vampiros que atacara Harry, e adentrar na câmara, ignorando os duelos dos outros. Sabia o significado do grito, e não hesitou; viu os quatro vampiros sobre o caixão, e, ao lado, Lestat sobre o Rufus, demorando-se na mordida.
Mordidas de vampiros doíam; Remo já as sentira muitas vezes. Mas ele era lobisomem, logo, a mordida não trazia grandes perigos além dos causados pelas mordidas comuns. Com simples humanos, a coisa era diferente; a mordida doeria insuportavelmente por muito tempo, geralmente levando a pessoa mordida à insanidade, o que tinha como conseqüência um de dois resultados: o suicídio, ou a escolha por tornar-se vampiro, compartilhando do sangue do vampiro que a mordera, tornando-se uma igual. Rufus seria do tipo que optaria pelo suicídio.
Sem pensar duas vezes, lançou-se sobre Lestat, derrubando-o de sobre Rufus e rolando com o vampiro no chão. O caçador arrastou-se até um canto, contorcendo-se, tentando abafar as exclamaçõxclamaç abafar as se at no chando-o es de dor e controlar a hemorragia. Enquanto isso, Remo mantinha Lestat preso ao chão, com extrema dificuldade.
-Lupin! – exclamou Vicent, erguendo o braço de sobre o caixão e tocando o corte, que se fechou instantaneamente. Postou-se na frente de Remo, que ainda brigava contra Lestat. – Precisamos de sangue humano! Agora! Eu o seguro.
Era óbvio que Vicent ainda queria trocar umas últimas palavrinhas com Lestat; além do mais, Remo teria maior facilidade em convencer algum de seus amigos a dar sangue.
Largou Lestat, que imediatamente saltou sobre Vicent, que se postara entre eles e o caixão. Correu para Rufus, que os observava entre o agonizante e a ausência de espírito. Apontou a varinha para seu pescoço; alguns feitiços e o sangue não escorria mais, mas isso não significava que o caçador estivesse a salvo.
O sangue de Rufus não estava puro, então não poderia ser usado no ritual. Saiu da câmara. Sirius e Susan haviam conseguido tirar os vampiros de cima de Harry. O rapaz ainda estava caído, bastante ferido. O braço semi-morto o salvara; não havia marcas de mordidas, mas ele também não serviria para o ritual, exatamente pelo motivo que o manteve vivo. Susan era meia-vampira; seu sangue também não serviria.
O olhar do lobisomem recaiu sobre Sirius.
-Ah, meu velho... – sorriu. – Almofadinhas! Preciso de você aqui!
Sirius, que estava duelando com tanto afinco que sua varinha lembrava um borrão, virou o rosto para ver quem o chamava. Antes que ele pudesse perguntar o que era, Vicent e Lestat rolaram câmara afora, engalfinhados e brigando como duas feras.
-O que é? – Sirius entrou correndo na câmara, deixando Susan e os lobisomens com o que restava de vampiros.
-Precisamos de sangue humano. – respondeu, levando-o diante do caixão.
Vamac, Lexus e Tripnato haviam fechado os cortes em seus braços. Dentro do caixão, sobre o almofadado vermelho, encontrava-se algo que parecia geléia de morango, uma mistura grotesca de pó de cinzas com sangue, que emanava um cheiro estranhamente intimidador.
Tripnato estendeu o punhal a Sirius. O animago pegou a arma com uma expressão de nojo, limpou-a nas vestes, e por fim estendeu o braço, bastante bronzeado pelo tempo passado nas terras do céu vermelho, dentro do véu. O sangue escorreu ligeiro do pulso de Sirius para dentro do caixão, caindo sobre a massa vermelha, que, para a surpresa dos dois marotos, se agitou. Drácula renascia. O princípio de seu corpo se retorcia, como que aguardando pelo elemento final.
-Agora, sangue de um inimigo, tirado à força. – falou Lexus, erguendo os olhos para Remo, que ainda não havia entendido o que faltava.
Para sua surpresa, sentiu-se agarrado e preso por Vamac e Tripnato, e seu braço foi puxado por Lexus, que cravou em seu pulso a flecha prateada que Rufus trouxera em sua aljava. Remo gritou, mais pela dor do contato com a prata do que pelo ataque; empurrou os vampiros que o seguravam, ajudado por Sirius, e recuou, arrancando a seta de prata do pulso ferido, olhando seus agressores com ódio, tomado pela irracionalidade lupina. Mas os três vampiros riam, olhando exultantes para dentro do caixão. Aquilo permitiu que compreendesse o motivo do ataque.
Seu sangue salpicara dentro do caixão, completando o ritual. A massa sanguinolenta agora se contorcia e esticava, tomando uma forma que lentamente tornou-se humana. Uma aura terrível emanou do caixão enquanto essa transformação ocorria. Remo sentiu-a; instintivamente recuou até a parede, nervoso. Tinha a sensação de que haviam cometido um erro terrível.
Do lado de fora da câmara, os vampiros que seguiam Lestat paralisaram-se. Ao compreenderem o que acontecia, recuaram, aos guinchos, tomados pelo pânico.
Livres de seus combates, Susan e os lobisomens entraram na câmara, ansiosos, Bruce amparando Harry, cuja perna esquerda estava em um formato pouco normal. Apenas Lestat e Vicent permaneceram em duelo, aparentemente tomados por um ódio muito grande para perceberem o que acontecia.
Todos dentro da câmara recuaram junto às paredes; no centro, permanecia somente o caixão de Drácula, cujo corpo criava forma. Remo olhou em volta, avaliando a situação de seus amigos e aliados. Exceto pelos vampiros, todos estavam bastante maltratados. Harry não conseguia andar, e Rufus se erguera com extrema dificuldade, ainda arquejante, encaixando uma flecha no arco.
Remo postou-se ao lado do caçador.
-Não esqueça – murmurou. – Somente ataque depois que ele tiver destruído Lestat.
Rufus assentiu, sem desviar os olhos da incrível transformação que ocorria dentro do caixão. Remo olhou também, cada vez mais apreensivo. Pela aura que sentia, tinha a certeza de que os poderes daquele vampiro eram maiores do que qualquer coisa que pudesse ter imaginado. Cometera um grande erro achando que seria fácil derrotá-lo... Se fosse um ser irracional naquele momento, estaria correndo o mais rápido possível para longe dali.
A massa de sangue agora tinha forma humana, embora ainda não apresentasse uma pele; seus órgãos e músculos eram visíveis, funcionando, vivendo, e, ainda transformando-se para completar-se, o corpo de Drácula sentou-se dentro do caixão, alto e magro, olhos fechados, esticando os braços ainda sem pele para flexionar os dedos ainda sem unhas, ansioso para se sentir vivo novamente.
Conde Drácula ressurgira.
Era um espetáculo belo e terrível, aterrorizante, que foi interrompido com um grito vindo de fora da câmara vermelha.
Vicent finalmente fora derrotado por Lestat, deixando-se cair. O vampiro louro entrou na câmara, enfurecido. Por um momento apenas fitou o antigo mestre, cujo corpo ainda não estava completamente formado. Então, ignorando os outros, avançou, garras estendidas, em direção ao outro.
Drácula apenas virou a cabeça na direção de Lestat; com um gesto rápido de mão, o vôo de Lestat foi interrompido; o vampiro traidor pairou no ar por alguns segundos, e então foi lançado contra a parede.
Remo trancou a respiração, observando a cena. Pelo menos essa parte de seus planos – a destruição de Lestat – parecia funcionar. Os dois vampiros pareciam ter olhos somente um para o outro, ignorando os outros ao seu redor. E Remo e seus aliados, igualmente, faziam questão de não serem notados, permanecendo em silêncio.
Lestat permaneceu pousado na parede, observando seu inimigo com uma expressão feroz, inumana. Asas negras se projetaram de suas costas. Ele adquirira a forma animal, sinal de desespero.
Drácula levantou-se. Seus pés já estavam prontos, apresentando uma pele tão branca quanto possível, e um aspecto forte. A derme subia por suas pernas, no estado final de recomposição. O Conde fitou Lestat longamente, e, por ausência de uma feição, não era possível identificar o que ele pensava ou sentia. Um sibilo frio escapou do buraco que ainda era sua boca:
-Lestat... Maldito.
Em seguida, desapareceu.
Reapareceu diante de Lestat, que chiou e tentou revidar o ataque. Salpicos de sangue caíram, juntamente com um grito fino, no momento em que as compridas e recém formadas garras do Conde, que se utilizava das duas mãos, perfuraram o peito de Lestat. O vampiro louro agarrou os braços do Conde, tentando se soltar; mas foi lançado ao chão. Antes que Lestat pudesse reagir, os pés brancos do Conde pousaram sobre seu peito, e a mão ainda sem pele colocou-se em seu pescoço.
Não foi o estrangulamento que matou Lestat; mas sim o fato de que a outra mão Drácula afundou no peito do louro, e, alguns segundos depois, pondo um silêncio aos gritos de Lestat, removeu-a, com o coração do vampiro na mão.
O Conde ficou de pé, ereto, e levou o coração à face, cheirando-o. Durante esse processo, a pele terminou de formar-se; subiu à cabeça, cobrindo-lhe o crânio e a face, revelando longos cabelos grisalhos e um rosto de cinqüenta e alguns anos, sério e respeitoso, e, naquele momento, pouco sereno.
Ninguém ousou se mexer durante aqueles longos minutos no qual Drácula saboreou a morte do seu traidor. Trocaram olhares preocupados, e apenas isso.
Os olhos azuis do Conde, então, abriram-se, e, desviando do rosto morto de Lestat, voltaram-se para o que havia ao seu redor. Pareceram reconhecer a câmara; fitaram o caixão aberto; então visualizaram aqueles estranhos em seu quarto de descanso.
Drácula encarou-os um a um, com o coração de Lestat ainda diante do rosto. Demorou-se em Susan, e seus olhos apertaram-se de desprezo para os lobisomens. Olhou com indiferença Tripnato, Lexus e Vamac. E então voltou-se para a porta.
Vicent entrava, suas roupas sujas e rasgadas, mas tão altivo quanto sempre.
Os dois grandes vampiros se encararam, e um sorriso surgiu no rosto de Drácula. Vicent se curvou, como faz um servo.
Ainda encarando Vicent, Drácula, num gesto repentino, esmagou o coração de Lestat com a mão. O sangue derivado desse ato respingou em seu rosto, e escorreu por sua mão. Mas ele não se importou. Olhou longamente para Vicent. Seu sorriso se desfez.
Vicent pareceu assustado; e então desapareceu: Drácula o atacara.
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Foi tudo tão rápido que a cabeça de Remo chegou a doer.
De repente, Drácula os atacava, e dezenas de vampiros surgiam, vindo apoiar o Conde. Sirius tomara a liderança, e ordenara aos lobisomens que impedissem os vampiros inimigos de entrar; Remo e Susan, junto com Vamac, Tripnato e Lexus, correram para ajudar Vicent.
Tentar dominar Drácula era igual a poodles tentando dominar um touro desembestado. A força dos vampiros parecia diminuir diante de Drácula. O ódio que havia tomado o rei dos vampiros estava lhes provocando desespero. Situações assim costumavam dar a Remo a força sobre-humana que caracterizava os lobisomens que se deixavam levar pelo instinto. Sem pensar, conseguiu puxar Drácula de cima de Vamac. O Conde, furioso, virou-se para Remo, empurrando-o até a parede, encarando-o com ódio. Ele sabia que era o sangue daquele lobisomem a sua frente que corria em suas veias... e queria vingar-se.
Teria aplicado em Remo o mesmo golpe de garras que usara em Lestat, mas o lobisomem segurou suas mãos. Drácula o olhou, sorrindo de satisfação, deixando os dentes agudos à mostra; e tentou mordê-lo.
Remo afastou-se com dificuldade; e estava começando a fraquejar na tentativa de segurá-lo quando ambos deram um ganido.
Rufus atirara com seu arco. A flecha partira com força suficiente para atravessar Drácula e atingir Remo também. Seu abdômen se aqueceu com o sangue e a dor, e acabou por largar Drácula. O vampiro, no entanto, poderoso demais para ser derrotado com uma única flecha no peito, afastou-se de Remo – a seta da flecha desencravou-se do lobisomem – e virou-se para Rufus, atacando.
Os olhos turvos do caçador ainda focalizavam Remo, para ver se não o havia ferido gravemente, quando Drácula atacou; somente percebeu o que ocorria quando Drácula já o esmagava com seu peso contra a parede.
Um jato prateado afastou o vampiro do caçador; ele se virou chiando em fúria para Susan. Tentou atacá-la, ela desviou. Atacou-a novamente, e foi atrasado por um feitiço de Remo. Virando-se para o lobisomem, lançou, com sua mão, um raio dourado, rápido o suficiente para que Remo não conseguisse desviar ou se defender. Por um momento, pensou que ia morrer; então uma barreira avermelhada iluminou-se à sua frente, desviando o raio. O deslocamento de ar produzido pelo impacto entre o raio e a barreira derrubou o lobisomem no chão.
Remo, Susan, e o próprio Drácula, ficaram surpresos que algum feitiço conseguisse barrar um ataque fatal do poderoso Conde. Ambos se viraram para localizar a origem da barreira. Era Harry, fracamente apoiado sobre a única perna boa.
Drácula lançou tantos ataques quanto o tempo permitiu. Harry conjurou barreiras e mais barreiras, incapaz de sair do lugar. Quando o último feitiço esfolou-lhe o rosto, apesar do escudo, ele olhou irritado para Susan e Remo.
-Eu aceito uma ajuda!
O homem e a mulher despertaram de sua estupidez, e voltaram a atacar Drácula. Apesar de estar entre os três, o vampiro ainda parecia imbatível.
Remo estranhou, então, a ausência dos vampiros que antes os estavam ajudando a combater o Conde. De repente, percebeu, com um repentino pânico, que Vamac, Lexus e Tripnato haviam fugido. Rufus estava fora de combate; Sirius e os lobisomens tentavam conter os outros vampiros, juntamente com Vicent.
Não havia nenhuma chance de derrotarem Drácula naquele momento. As forças também começavam a lhe faltar.
Por fim tantas barreiras e feitiços acabaram exaurindo Harry, e um feitiço de Drácula derrubou-o também, a alguns metros de distância, atrás de Sirius. O ex-prisioneiro, que, junto com os lobisomens, recuava, incapaz de manter afastada por mais tempo o enorme bando de vampiros servos de Drácula, não viu o afilhado, e ao andar para trás acabou tropeçando no garoto e caindo por cima dele.
-Acabou-se, não podemos fazer mais nada! – rosnou Logan, para os outros licantropos. – Vamos sair daqui, e logo!
Drácula viu-os. E não gostou.
-Mais lobos imundos na minha casa... Malditos!
Vicent novamente o conteve, protegendo os lobisomens. Ambos os vampiros fizeram uma acirrada disputa de forças e vontades nos momentos que se seguiram, enquanto Bruce, Logan, Darkness e Silver tentavam convocar grades para conterem os demais vampiros por alguns minutos. Sirius reuniu a eles Harry e Rufus; e lançou um olhar a Remo e Susan pedindo para que todos eles se juntassem para irem embora com Fawkes – que acabara de surgir.
Remo e Susan correram para eles – mas Vicent foi derrubado por Drácula, que avançou em Sirius e nos outros. Em um gesto rápido, Remo conteve o Conde, com um feitiço, e o mesmo se virou e o atacou, novamente derrubando-o no chão.
-Remo! – gritou Sirius, correndo com a varinha na mão para tentar ajudar. Vicent se postou na frente do animago:
-Vai, leva os outros para a segurança. – falou o vampiro, cuja face mantinha as marcas do ataque de Drácula. Sirius relutou, apreensivo. – Não temos tempo, levarei seu amigo, agora LEVE OS OUTROS.
As grades douradas conjuradas por Bruce começavam a piscar e desaparecer. Fawkes piou alto. Sirius se juntou ao grupo, lançando um último olhar a Remo, sob Drácula, e Susan, que tentava afastar o vampiro. Faltando apenas o seu toque na ave vermelha, segurou sua cauda e o braço de Rufus, para levá-lo junto. Em um fogaréu, desapareceram, no exato momento em que as grades sumiam definitivamente, permitindo a entrada dos vampiros.
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Se Remo, em seus sonhos mais delirantes, tivesse imaginado que Drácula poderia ser tão demoníaco, não teria insistido em revivê-lo. Foi o que pensou enquanto tentava evitar sua morte sob aquele vampiro, insensível aos ataques de Susan.
O Conde novamente tentou mordê-lo, e dessa vez Remo não conseguiu evitar; mas com um movimento de corpo conseguiu desviar o pescoço, e sentiu as presas perfurarem seu ombro. Gritou, e tentou derrubá-lo. Não conseguiu.
A chegada de Vicent foi providencial; o vampiro afastou Drácula, permitindo a Remo levantar, amparado por Susan. Remo pensou que se sentiria aliviado; mas a visão de dezenas de vampiros cercando-os não foi animadora. Vicent rolou no chão, imóvel, derrotado, encarando Drácula, e pela primeira vez parecendo exausto. Drácula ergueu-se, sorrindo com maldade, e encarou seus três prisioneiros, e então todos os seus súditos, tão fiéis apesar de meio século derrotado.
Fez-se silêncio, e Remo acreditou que dessa vez estava mesmo ferrado.
Mas Vicent, do chão, sorriu. Quando Drácula compreendeu, Vicent já havia surgido atrás de Remo e Susan e agarrado cada um por um braço. Os três desapareceram.
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Reapareceram na floresta, negra com a noite. Remo e Susan se entreolharam. Ouviram o xingamento de Vicent e desapareceram de novo.
Reapareceram em outro trecho da floresta. E sumiram de novo.
Então Remo entendeu; Drácula os seguia.
-Maldito! – rosnou Vicent, ainda segurando os dois amigos, quando Drácula apareceu diante deles, após o quinto transporte. Mas rosto do vampiro moreno se iluminou; e com um último sorriso zombeteiro para Drácula eles desapareceram novamente.
Quando reapareceram novamente, Remo e Susan estavam tão zonzos que ambos despencaram no chão. Com um misto de descrença, surpresa e alegria, Remo reconheceu o aroma floral e o calor agradável do lugar; estivera ali com Jhonny a última vez. Era a toca de Ravena e Griffyndor, tão querida em suas lembranças.
-Desculpem-me o tombo. – murmurou Vicent, tenso, olhando em volta. – Humanos não gostam muito desse tipo de transporte dos vampiros, mas é mais eficiente que a aparatação.
-Tudo bem. – falou Susan, levantando-se, olhando em volta. Parecia incrédula. – Por que nos trouxe aqui?
-Foi o único lugar em que pensei que o Conde não chegaria. – explicou ele, ainda nervoso, encarando os dois. – Só pode encontrar esta toca quem tem bons sentimentos. Acho que deu certo.
-Deu. – concordou Remo, ainda no chão. Estava em dúvida se conseguiria se levantar; sua cabeça girava e doía bastante. Olhou para Vicent. – Avise aqueles desgraçados que vou matá-los. Eles não podiam ter nos abandonado.
-Vamac, Lexus e Tripnato vão pagar caro, Remo. – avisou Vicent, sério. – Eles se arrependerão do dia em que foram mordidos, vou garantir isso. Teríamos conseguido dominar o Conde se aqueles vermes não tivessem se acovardado.
Os três permaneceram em silêncio, irritados. No entanto, o clima agradável do ambiente e o som do riacho evaporaram a irritação de Remo, e ele esfregou os olhos com a mão, cansado.
-Pelo menos Lestat está morto. E Drácula nunca foi um tirano homicida. Creio que a volta dele vai demorar para ser notada.
-Assim espero. – concordou Vicent. – A menos que o Conde nos persiga obsessivamente a cada movimento nosso, ele não é o nosso maior problema. Ainda podemos considerar essa missão um sucesso. – ele sorriu.
Os outros dois concordaram com um gesto de cabeça.
Vicent suspirou.
-Vou deixá-los aqui, onde ainda é seguro, e ver se nossos aliados estão protegidos ainda, agora que temos mais um desafeto à solta.
E o vampiro desapareceu, antes que os dois respondessem.
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Remo largou-se de costas no chão. Ainda se sentia muito zonzo. O cansaço extremo facilitava esse mal-estar.
-Você está bem? – perguntou Susan, sentando-se em uma pedra e o observando.
Remo não respondeu. Fechou os olhos. A mordida no ombro, o abdômen e o pulso feridos por prata doíam. O veneno transmitido pela mordida de Phenom estava fazendo efeito. E o aroma e as boas energias do lugar o estavam acalmando.
Os dois estavam no gramado que dava para a beira do riacho. A caverna encontrava-se iluminada como sempre, diferentemente do mundo lá fora. E divagar por suas lembranças naquele lugar fazia as feridas doerem menos.
Depois de alguns minutos Susan levantou. Remo abriu os olhos para encará-la.
-Acho que você precisa tratar isso. – ela falou, indicando o ferimento na barriga de Remo. – E aquela água maravilhosa do riacho tem propriedades curativas, lembra?
-Claro. – respondeu, sentando-se. A tonteira havia passado. Susan rasgou um pedaço de sua capa (que já estava rasgada) e foi molhá-la no riacho. Com o pano em forma de bucha, limpou as piores feridas de Remo, evitando encará-lo.
Durante esse processo, ele, ao contrário, procurou os olhos dela o tempo todo. O potencial da água daquele riacho lentamente foi lhe retirando a dor, e inebriando-o, embriagando-o.
Não havia Tonks. Aliás, não havia nenhum problema naquele momento. Havia somente a mulher que amara desde a adolescência, naquele lugar ótimo, onde as lembranças dos dois se acumulavam. Vê-la dedicada em cuidar dele, com o cabelo preso amassado devido aos duelos, e a roupa meio rasgada, não fez nenhum bem para seu autocontrole.
-Acho que agora está melhor. – ela falou, amarrando o pedaço de pano no pulso dele, para controlar o sangramento.
-Está. – respondeu, finalmente encontrando o olhar dela. E encontrou na expressão dela tanta ansiedade quanto no olhar dele.
-Não se deixe levar pelo ambiente. Remo, você está febril. – ela falou, desviando o olhar, colocando as mãos no rosto dele.
-Por que não? – perguntou, ignorando o diagnóstico. Colocou a mão no queixo dela, forçando-a a encará-lo. – O que há de errado?
Ela o encarou, tensa, e então desviou o olhar novamente, levantando-se.
-Precisamos ir embora...
Mas ela não completou a frase. Remo a puxou pelo braço, fazendo com que ela se ajoelhasse, e a beijou. A princípio ela não reagiu, indecisa, e ele a envolveu fortemente com os braços. Há anos sonhava em poder tê-lo novamente, como amante e marido, como sempre deveria ter sido. Quem a buscava e desejava agora era ele. Abraçou-o também, retribuindo o beijo com a saudade de anos. Sentiu tanto calor quanto ele.
Nem um dos dois raciocinou daquele momento em diante.
um canto, contorcendo-se, tentando abafar as exclamaçdo-o de sobre Rufusiro que a mordera, tornando-se uma igual.y, e adentra
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Pois é... parece que Remo se rendeu ao passado e entregou-se à Susan... pelo menos EU acho que ela merece. Ah, tadinha da Tonks...
E o Drácula... terá sido correto despertá-lo?
E Harry e Rufus... eles estavam feridos... ficarão bem?
Esperemos que sim...
A música ainda é "Untitled I"... acho que a letra tem coisas a dizer sobre esses acontecimentos.
Fãs de R/T, não fiquem tristes... ainda há muitas coisas para acontecer.
O bloqueio demorou, mas, enfim, desapareceu... cara... 1X0 pra mim contra o José de Alencar! XD
(me perdoe quem gosta dele... mas Peri, Aurélia e Drácula não combinam... mesmo) (eu ia adorar ver o Drácula morder a Aurélia) (odeio admitir isso, mas O Guarani é legal...)
No próximo capítulo... ah... fiquei com pena do Harry... coitadinho... mas... no próximo capítulo... muita coisa vai rolar. Fiquem de olho!
Abraços!
(torçam pelo Grêmio! 4X0 contra o Boca Júniors! AMÉM!!!)
