Capitulo 14
Julie ainda tentava se acalmar, mas a foto de Mark na mesa lhe encarava de um modo que a fazia se odiar, porque não conseguia acreditar que aquele homem incrível e maravilhoso que tinha conhecido agora estava, muito provavelmente, machucando seu melhor amigo.
Tentou respirar fundo, mas o ar não entrava em seus pulmões e ela se sentia sufocar, colocou as duas mãos no pescoço e antes que pudesse evitar vomitou.
_Ela está muito abalada. – ouviu Jensen dizer.
_Vou levá-la até a enfermaria. – alguém retrucou. – e não se preocupe Jensen, cuidaremos de tudo.
Sentiu seu corpo deixar a cadeira e então desmaiou, o sorriso de Mark em sua mente lhe fazia acreditar que aquilo tudo era apenas um pesadelo e que logo iria acabar.
_Você conhece o Mark, Jensen? – a voz de Jim quebrou o silencio depois que Chad levou a moça para a enfermaria.
_Não, eu... – mordeu os lábios, nervoso. – Eu não o conheço, só o via quando ele... Estava junto com Jared. – as mãos suavam.
Jim fez uma careta de que não estava ajudando em nada e suspirou alto.
_Tudo bem, filho. – disse por fim, depois de um tempo em um silencio incômodo. – Vá descansar, amanhã... – e então olhou o relógio. – ou melhor, daqui a pouco nós vamos fazer uma busca nas redondezas do hotel e... Veremos se achamos algo que nos leve ao seu... Ah... Companheiro. – e sorriu, meio sem jeito com a situação.
_Quer que eu descanse? – perguntou incrédulo.
_Quero. – e como se fosse muito intimo dele acrescentou. – Isso vai te fazer, tenho certeza que conseguira lidar melhor com isso depois de uma boa noite de sono, ou o que restou da noite.
_Não! – disse batendo as mãos na mesa. – Eu preciso fazer alguma coisa! O Misha pode estar em perigo enquanto eu estou aqui, de papo com você! – e apontou o dedo na direção do homem barbudo.
_Tire o dedo da minha cara. – ele disse serio e Jensen engoliu em seco, abaixando a mão. – Ótimo! Se eu disser que você precisa dormir, é porque sei que você precisa, não discuta comigo, posso até não ser nada pra você, mas sinceramente? Você não tem mais ninguém com quem contar a não ser a agencia do governo onde eu trabalho.
Jensen tinha os olhos arregalados.
_Então, você vai dormir e não vai criar qualquer tipo de problema para nós, está bem? – e viu o loiro concordar.
Jensen saiu da sala a passos duros, fechou a mão e quando chegou ao corredor socou a parede, as lagrimas finalmente escorrendo por seu rosto. Deixou o corpo escorregar até o chão e mordeu os lábios com força tentando a todo custo abafar os soluços que deixavam sua garganta.
Pensou em Misha e apertou os olhos, só queria que ele estivesse bem, só queria que o moreno ainda ficasse com ele depois de toda essa loucura que estava acontecendo, porque ele, Jensen, amava aquele homem.
Depois de um tempo jogado no corredor resolver fazer o que Jim lhe disse e rumou para o quarto, ainda revoltado por não poder fazer nada.
Pegou a chave do quarto e abriu a porta. Sentou na cama, o quarto em inteira penumbra. Pensava em Misha, imaginava se ele estava bem ou se estava machucado, mas o pior era não poder fazer nada porque o FBI não tinha pistas sobre o paradeiro dele.
Chad lhe explicou o plano de Jared, eles não agiriam agora, esperariam um pouco mais, esperariam Jared fazer algo contra Jensen, e o loiro já estava ciente de tudo, mas resolveu controlar-se, porque do contrário, nunca mais encontrariam Misha.
Enterrou as mãos no cabelo e chorou como nunca se permitiu, nem mesmo no enterro do seu pai. Estava com medo, com medo de nunca poder se desculpar com Misha, de nunca poder tocá-lo de novo, de não poder viver uma vida com ele, era apenas nisso que pensava.
Lembrou-se do dia em que passaram juntos, tudo tinha sido tão perfeito que ele se perguntou se não estava sonhando todo aquele tempo. Levantou os olhos para o teto e engoliu em seco, fazia muito tempo desde a última vez que sua mãe tinha levado-lhe à igreja, mas naquele momento sentia que era a única coisa que poderia aliviar o peso de seu coração.
_Deus... – chamou, e se sentiu idiota por estar falando sozinho enquanto se debulhava em lágrimas. – Eu... Eu nunca fiz isso... Quero dizer... Já faz tanto tempo... Não sei mais como fazer.
Olhou em volta, esperando que alguma coisa acontecesse, mas não viu nada, então continuou.
_Todo esse tempo eu deixei de acreditar que você era real... Quero dizer eu ainda não sei se acredito, eu só precisava falar e... Me pareceu uma boa idéia... – mordeu os lábios enquanto apertava as mãos nervosamente. – O Misha está em perigo e eu não posso fazer nada, eu nem mesmo sei em que situação ele está... – e novamente as lágrimas escorriam por sua face. – Só... Me ajude, ajude a nós... Por favor.
Ajoelhou-se no chão, sentindo-se a menor pessoa do mundo.
_Eu não sei como se deve pedia a Sua ajuda, mas eu o amo... Não suportaria viver sem ele, então... Por favor, só... Ajude. – mordeu os lábios com força, o gosto ferroso do sangue misturando-se a sua saliva.
Fechou os olhos e dormiu, ali mesmo, no chão.
Misha abriu os olhos azuis, mas não enxergou nada, estava escuro demais para poder ver, o cheiro de mofo infestava o ar e ele sentia o colchão surrado em que estava sentado.
Sentia os pulsos doerem, mas não havia nada os prendendo.
_Tem alguém ai? – perguntou para o vazio, mas tudo permaneceu silencioso, apenas sua respiração era ouvida.
Levantou-se e deu um passo a frente, bateu a canela em um tipo de bacia de ferro e caiu, batendo a cabeça. Ficou em pé novamente e sentiu o sangue escorrer por sua testa, descer pela lateral do nariz e então pingar.
Passou a mão pelo local onde tinha cortado, agradeceu por não ser um corte muito profundo. Foi quando ouviu um barulho de carro se aproximando.
_Ai, meu Deus! – e então voltou ao colchonete, fingindo dormir.
Abriu um dos olhos parcialmente e pode ver quando um homem alto abriu a porta, ele tinha algumas sacolas na mão, mas nenhuma arma visível.
_Ainda está dormindo? – ouviu ele perguntar.
Apertou os olhos, com medo quando o viu se aproximar e agachar ao seu lado.
_Está tudo bem. – disse o homem com a voz mansa. – Eu não vou machucar você. – nenhuma reação de Misha. – Eu juro, estou tentando te proteger goraq eu sei que é amigo da Julie.
Então Misha sentou-se rapidamente encarando o homem.
_A Julie?
_Ah, que bom! Está acordado! – ele disse simplesmente.
_Espere... – disse o moreno receoso. – Eu conheço você.
_Sou o Mark. – disse mexendo em uma das sacolas que estavam em cima da mesa de madeira, o local agora completamente iluminado pela luz do sol.
_Que horas são? Por que eu estou aqui? Você é policial? Por que você me quer? Eu fiz...
_Calma, calma! – disse o loiro olhando pra ele e levantando as mãos, sinal para que ele parasse de falar. – Muitas perguntas. – disse depois de um tempo. – Aqui está. Coma tudo.
Entregou a Misha o que parecia ser uma marmita muito mal feita, mas o moreno estava com tanta fome, que nem se importou.
_Eu vou ajudar você. – disse Mark, sentindo pena pelo modo como ele comia, meio desesperado.
_Vai? – perguntou de boca cheia.
_Sim. – respondeu. – Eu te trouxe pra cá.
_Você? – deixou a comida de lado, encarando o loiro. – Por quê? O que eu fiz?
_Eu não sei o que você fez, mas o Jared não gostou nada. – disse e Misha percebeu o tom irônico de sua voz. – Meu palpite é que você esteja dormindo com o homem que ele quer.
_Eu não estou mais! – disse magoado. – Nós não temos mais nada, ele foi apenas um cliente. – e sentiu o coração apertar.
_Tudo bem, pouco me importa. – disse Mark. – O fato é que... Jared quer você morto e ele teria isso se você não fosse amigo da Julie.
_Espera! – disse finalmente ligando os pontos. – Você é o Pellegrino? O Mark Pellegrino? – o loiro confirmou. – Você é o namorado da Julie!
_Não mais. – retrucou, e Misha pode sentir a dor dele.
_Eu sinto muito.
_Cada um faz suas próprias escolhas não é?
_Ainda pode ser tempo de mudar... – comentou. – Ela gosta de você par valer, de verdade mesmo.
_Isso não importa mais, – disse com pesar. – Eu não sou digno. – e então se recompôs. – O que interessa aqui, é você. Eu tenho um plano, vou te contar tudo e então você me ajuda, porque sozinho eu não sou páreo para o Padalecki.
_O Jared? – os olhos arregalados, mesmo que não estivesse tão surpreso.
_Eu acho que você já fazia alguma idéia disso não é? – Mark arqueou as sobrancelhas e olhou diretamente para Misha.
O moreno concordou. Ouviu atentamente o que ele tinha a dizer, depois de tudo explicado Mark saiu da cabana indo para seu destino, enquanto Misha pensava que talvez, depois que tudo terminasse seria bom dar uma chance a Jensen, para que ele pudesse se explicar, afinal, tinha esperado a vida inteira por alguém como Jensen, não iria desperdiçar a chance de ser feliz com ele por causa de um caso do passado.
Saiu da cabana depois de trocar de roupa. Esgueirou-se pela mata, até achar o carro que Mark tinha lhe dito para pegar. Entrou na picape preta e seguiu pela estrada de terra, iria ao hotel e esperaria o sinal do loiro para enfim poderem começar o plano.
_Jensen! – sentia o corpo chacoalhar. – Jensen, acorde!
_Ah? – apertou os olhos e os abriu parcialmente. – O que foi?
Tentou se levantar e as costas doeram. Chad o olhava atentamente, a expressão preocupada, os olhos fixados em seu rosto, como se tivesse algo errado. O loiro desviou os olhos para o relógio, o objeto marcava 13 horas.
_Por que está dormindo no chão? – ouviu o loiro mais novo perguntar.
_Eu... – lembrou-se de estar rezando a noite passada, e riu de si mesmo, tinha sido muito tolo. – Eu rezei. Acredita? – o tom de voz irônico aparecendo.
Chad sorriu genuinamente e Jensen franziu a testa, não entendo porque ele sorria. Julie apareceu na porta, os olhos inchados e vermelhos e um sorriso enorme em seu rosto.
_Julie?
Ela riu pra ele, colocando a mão na boca, como se não acreditasse e Jensen sentia como se tivesse perdido alguma coisa.
_O que está acontecendo, Chad? – perguntou.
_Deus ouviu suas preces. – ele disse simplesmente.
_O Misha está aqui? – perguntou, levantando-se rápido, mesmo que ainda estivesse dolorido.
_Não. – foi Julie quem falou. – Mark está aqui. – e completou com um sorriso.
_O quê? Aquele desgraçado está aqui? – e correu enfurecido para fora, Chad e Julie atrás dele.
N/a: Aiaiaia' E agora? O que será que vai acontecer? Hehe'
N/a2: Era pra postar ontem, mas a preguiça me dominou, desculpe -.-
