Ryan suspirou alto, erguendo as mão direita e esfregando os olhos cansados com força. Permaneceu assim por um par de segundos e Dianna se pegou pensando se não teria como escapar daquilo saindo de fininho. Olhou de soslaio para Lea, que parecia igualmente constrangida, os olhos fixos nos dedos cruzados sobre o colo. Ele apoiou os cotovelos na mesa, ainda esfregando os olhos e quando ele se inclinou, ela pode espiar através do reflexo na janela exatamente atrás dele a manchete que ocupava a tela do notebook naquele momento. A imagem estava espelhada, mas ela a tinha lido tantas vezes desde o restinho de tarde da noite anterior que ela não precisava ler outra vez para falar palavra por palavra o que o site havia publicado e tantos outros haviam copiado no curtíssimo espaço de tempo.
- Isso não é nenhum pouco justo. Eu não sou só chefe, sou amigo. Merecia saber.
- Ryan...
Ele voltou a suspirar, baixou as mãos e olhou com fixação para Lea, quem o havia chamado. Foi o suficiente para que ela se calasse outra vez. Argumentar? Como?
Murphy esperou mais alguns segundos, sustentando o olhar de Lea, que foi a primeira a baixar os olhos, então ele suspirou outra vez, se recostando na poltrona.
- Vocês estão namorando mesmo... ou algo assim?
Dianna's POV
O que ele perguntou mesmo? Oh God... nós estamos namorando? Não, ué. Estamos? Claro que não! Lea é... Lea é... É uma mulher.
Ah sim, Charlie. Claro. Agora você se lembra desse detalhe, né?
Ela me olhou... Ah não, Lea, não me olha assim...
Ela quer que você diga algo.
Eu sei, né?
Então diz!
Mas o que?
Sei lá! Só diz!
Ela não é minha namorada.
Por que?
Porque... Porque... Eu namoraria uma mulher?
Não é uma mulher. É Lea.
E ela não é uma mulher?
Ah mas vá. Você me entendeu. Estou perdendo a paciência.
Ela continua te olhando... Agora o Ryan também, parece que ele percebeu que a coisa agora é contigo. Anda logo, fala alguma coisa.
- Algo assim.
Sorri. Isso, Di... sorri. Sorriso mais falso do mundo né amiga? E para de esfregar as mãos na calça que eles vão acabar percebendo que você tá suando que nem cerveja tirada da geladeira.
Ela ficou satisfeita? Olha lá.
Bom... ela está sorrindo. Suspirou agora. Aquele olhar sumiu, veio outro.
Outro?
É... Outro...
Ai Deus...
Ela é tão linda.
Eu sei.
Você ainda está olhando pra ela.
Eu sei.
Sabe, talvez namorar ela não seja assim uma ideia absurda...
Eu sei.
Será que se eu beija-la aqui e agora o Ryan vai ficar bravo? Ele já sabe mesmo...
Ryan? Que Ryan?
Esse que acabou de pigarrear.
Pelo amor de Deus, Dianna. FOCO.
- Eu repito. Estou chateado, vocês podiam ter me contado, né? Eu preparava o terreno. Gente, só essa manhã eu atendi pelo menos umas dez ligações dos peixões da Fox. Isso os que EU atendi. Tenho certeza absoluta que até agora tem gente ligando pra cá e pros seus assessores. Tenho certeza absoluta.
Ai, Ryan... você não é a primeira pessoa que reclama disso, sabe?
...-...-...-...
- Caramba, né?
Christopher reclamou, entrando na sala tão logo eu abri a porta pra atender a campainha. O porteiro conhecia a galera então ele simplesmente não encrencava quando alguém do cast subia. Só quando era alguém novo ou algo assim. Eles estavam em nosso apartamento o tempo todo também, fazia sentido ele simplesmente não se importar. Chris tirou o casaco e o pendurou no nosso cabide, junto com seu chapéu. Depois se jogou no sofá, ainda calçado. Eu olhei feio pra ele e ele tirou os sapatos com os pés mesmo. Bom, menos mal.
- Não me olhe assim, Agron. Você não está em bons lençóis.
Fechei os olhos, rindo da coincidência absurda.
- Eu acabei de falar isso pra Lea.
- Desde quando? – ele perguntou se acomodando no sofá.
Suspirei, fechando a porta que ainda estava aberta antes de responder.
- Desde o momento que eu vi ela entrando no estúdio do Zach com aquela calça.
- Calça? Que calça? – perguntei me virando, o cenho franzido. Lea tinha respondido, ela ainda estava trabalhando no nosso jantar, mas de novo ela tirou o avental e o colocou de lado no sofá. Talvez tivesse terminado.
- Aquela preta que você costuma usar nos shows.
Me senti corar até a raiz dos cabelos com a intensidade daquele olhar risonho fixo em mim.
- Aquela que ela usa sem calcinha?
Chris perguntou se apossando do meu computador que estava sobre o sofá e ela piscou pra mim, gargalhando com vontade enquanto concordava com ele. Senti meu queixo caindo... MAS COMO...?
A campainha tocou de novo e eu abri meio de costas, ainda boquiaberta.
- Você, Dianna Agron, não vale um tostão furado.
Naya entrou botando o dedo na minha cara. Mark a tira colo, claro. Ele tirou o casaco dela... Mark é todo fofo também, viu?
- Na próxima vez que você mudar de time e sequer me mandar uma sms avisando, eu juro que vou dar na sua cara até minha mãozinha se desenhar nessa sua bochecha branca.
- Santana Lopez, saia já desse corpo que não te pertence! - Heather gritou, saindo do elevador na companhia de Cory. – Oi, gente.
- Vocês combinaram ou...
- Na verdade o Chord viu, avisou todo mundo e nós combinamos de vir aqui disputar um pedaço de carne de cada um de seus corpinhos lindos como punição por vocês não terem aberto o jogo com a gente. Ele deve estar chegando também. – Foi Cory quem respondeu.
Fechei os olhos, balançando a cabeça. Oh Deus...
- Quando iam contar?
- Contar o que? – Lea falou com naturalidade. Ela está lidando com isso muito melhor que eu na verdade. Mesmo de olhos fechados, eu tinha certeza que ela estava sorrindo.
- Como o que? Dianna, você está bem?
Da onde Amber saiu? Como eles chegaram todos juntos? Isso é possível? Eu já posso morrer agora?
Suspirei, por fim fechando a porta. O apartamento já não era lá tão grande. Parecia minúsculo agora e eles todos pareciam incrivelmente barulhentos. Esfreguei os olhos com força. Será que alguém podia me ajudar, por Deus? Será que dá pra perceber que tudo isso é demais pra mim?
Não sei como ela se aproximou... mas senti uma mão delicada me tocando as costas. Sabia que era dela. Não precisava ser pele contra pele pra eu saber que era ela. Eu não estava conseguindo respirar direito, meu olfato definitivamente não estava funcionando, então não foi o cheiro dela que eu senti. Eu simplesmente... sabia. Sabia que era ela. Sabia que estava lá. Entendi quando me tocou. Ela estava comigo, eu não tinha o que temer. Que viessem todos de uma vez só, eu simplesmente não tinha o que temer.
.,.,.,.,.,.
- Aí o Harry me puxou de lado tipo "CARA, O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?" e eu ainda briguei com ele, porque eu queria ir lá pegar a mina de qualquer jeito possível e imaginável. Ele não deixou de novo e eu ameacei bater nele, até que ele gritou que era um travesti. Mano, eu acho que eu nunca fiquei lúcido em tão pouco tempo quanto fiquei naquele dia.
- Que ficou lúcido o que! Eu tô sabendo que você pegou o traveco na boa.
Ri com vontade quando Cory virou a almofada que ele tinha em mãos no rosto de Chord e me recostei no sofá, o braço apoiado no encosto. Ela veio e se recostou em mim, rindo também. Me senti gelar no primeiro contato... Era a primeira vez que eles nos viam juntas... pelo menos daquela forma. Pelo menos depois de saberem. Bom... Ninguém parecia estar dando a mínima atenção pra nós duas e eu me deixei desfrutar do corpo dela assim, tão juntinho do meu. Encostei os lábios na cabeça dela, beijando com delicadeza os cabelos castanhos, enquanto ela ainda ria do mundo de nomes que Cory tinha na ponta da língua para xingar Chord.
Chord fora o último a chegar, carregado de pizzas. Ela reclamou, disse que ninguém ia comer aquilo porque o que ela estava fazendo sim era comida de verdade. Mark abriu a primeira caixa ainda nas mãos de Chord e pegou um pedaço da pizza de calabresa, mordendo-o enquanto perguntava se tinha carne na "comida de verdade" de Lea. Ela suspirou irritada, mordendo o lábio inferior por dentro... eu tive que me segurar pra não agarrar ela ali mesmo. Deus sabe o quanto ela fica linda quando fica com raiva.
Por fim, toda a comida, mas toda mesmo, foi consumida (Deus, como esse povo come!). E naquele momento estávamos todos amontoados na sala, o apartamento era pequenininho, mas eu tenho que confessar que estávamos todos muito confortáveis. Bom... pelo menos eu estava. Não tinha como não ficar confortável quando ela se apoiava em mim daquele jeito.
A campainha tocou. Lea se levantou pra atender, mas eu não deixei. Me levantei também. Ela de todo modo, seguiu para a cozinha para levar a panela enorme usada para fazer a sobremesa (brigadeiro, nham!) em mãos.
Ao mesmo tempo em que me levei a mão até a maçaneta da porta, Cory se levantou, jurando que ia na cozinha buscar uma faca para matar Chord se ele lhe chamasse de "come-come de kinderovo" outra vez.
- Cory pede mulher que já vem com surpresinha!
A sala explodiu em gargalhadas enquanto eu abria a porta da sala. E de repente eu não consegui ouvir mais nada. Simplesmente congelei.
Ele estava de pé, na minha frente. Os olhos frios. Gelados na verdade. Por instinto dei um passo para trás, cogitando fechar a porta de novo, na cara dele.
Alex não se mexeu, só me olhava. Prendi a respiração. O modo como os olhos verdes se fixavam em mim me incomodava demais. A sensação que eu tinha era que a qualquer momento o meu coração ia parar de bater. Ele tinha as duas mãos no bolso do casaco preto. A direita veio para fora, trazendo um papel dobrado. Ele o desdobrou com um único movimento do braço. A folha se abriu.
"Muy amigas por supuesto!"
A maldita manchete do site. Em espanhol ainda, só pra ficar mais impactante. Engoli em seco... senti os olhos também muito secos... mas eu sentia que não podia piscar. Simplesmente não podia. O encarava com olhos arregalados, enormes...
- Isso é verdade?
Ele perguntou. A voz tão fria quanto os olhos. Engoli em seco outra vez, dando um outro passo para trás. Simplesmente não achava voz pra responder. Pude ver quando a ira tomou conta dos olhos verdes. Suas narinas aumentaram, como se ele estivesse puxando o ar com muita força. Cerrou o pulso, amassando a folha de papel... e ergueu a mão. Dei um outro passo para trás, por instinto, louca pra fugir dalí. E então a única coisa que ouvi foi um barulho muito alto. Algo se chocando contra a madeira, eu chutei... E não errei. Cory estava exatamente atrás de mim. Eu quase o podia tocar, mas mesmo assim não o percebi se aproximar. O jeito com que Alex o olhava agora mostrava que ele também não tinha visto o rapaz chegar... Eu nunca tinha percebido o quanto Cory era grande. Ou então ele nunca se mostrara tão grande quanto agora, quando me puxou para trás dele com apenas uma das mãos. A mão que ele tinha usado para bater contra o batente da porta, eu conseguia ver agora, buscou o colarinho de Alex. Os bons centímetros entre os dois se fez valer quando Cory o ergueu do chão sem dificuldade nenhuma, dando um passo em sua direção.
- Eu espero sinceramente que você não tenha nem pensado em fazer o que pareceu que você queria fazer agora há pouco. – Rosnou, dando um passo a mais, praticamente carregando Alex para fora do apartamento. Eu não tinha percebido que ele tinha entrado em minha casa. Um calafrio extremamente incômodo tomou conta de mim quando percebi o quão perto de Lea ele estava agora.
Alex parecia não ter reação. Apenas olhava Cory. Os olhos num misto de confusão e... medo? Isso, medo.
Cory o arrastou mais ou menos até a metade do corredor, então o soltou... soltou não, jogou-o no chão. Alex caiu sentado, se arrastando para um pouco mais longe do outro rapaz, que ainda o encarava.
- Some daqui.
Alex não se mexeu... Cory bufou, ameaçando ir em sua direção. Foi o suficiente para que o outro se erguesse aos tropeços, descendo pelas escadas mesmo.
Quando Cory se voltou para mim novamente, era outra vez o Cory, o nosso Cory. Cruzou por mim na entrada de casa, aproveitando para passar um braço sobre meus ombros, enquanto ele mesmo trancava a porta.
- Eu mesmo vou falar com o porteiro depois.
Falou baixo, me beijando os cabelos. Soltei a respiração por fim... não tinha reparado que tinha parado de respirar. Fechei os olhos, me deixando abraçar. A sala estava em silêncio, só então também eu pude perceber. Me obriguei a sorrir, enquanto voltava pro meu sofá.
- Tudo bem, cara? – Mark perguntou, voltando a se sentar atrás de Naya no puff no canto da sala. Provavelmente ele tinha se erguido quando percebeu a agitação, pronto a ajudar Cory.
- Tudo ótimo. A propósito, Chord já contou a vez que ele cantou uma policial e levou uma multa por causa disso? – Cory respondeu sorrindo, também voltando a se sentar e oferecendo o peito para acomodar Amber como estava fazendo antes de começar a brigar com Chord.
Minha Lea não demorou a vir da cozinha... o modo como sorriu para mim me contou que ela não tinha se dado conta do que acontecera minutos atrás. Sorri, dessa vez com sinceridade, sentindo todo o peso do mundo saindo de cima de minhas costas com um alívio sem tamanho. Abri os dois braços dessa vez, ela praticamente se deitou contra mim. É... eu tinha achado o meu lugar no mundo.
...-...-...-...
- Dianna?
- Uhm? – Oh Deus... Há quanto tempo eu estou calada?
- Está tudo bem?
Não, né? Eu estou na sala do meu chefe levando bronca. Aliás... você é o meu chefe!
- Uhum.
Ryan suspirou, se recostando em sua poltrona outra vez. Nos encarava. Arrisquei uma olhadela meio de lado para Lea, ao meu lado... Ela também me olhava. É, meu amor, estamos encrencadas.
Pera... do que eu acabei de chama-la?
- Vocês vão ter que se mudar.
Ryan disse à queima-roupa. Cortando todo e qualquer outro pensamento meu e me fazendo ter a certeza de que se eu estivesse tomando alguma coisa agora, com certeza engasgaria.
- Como? – Ela parecia tão confusa quanto eu.
- Pelo menos até a gente dar um jeito nessa situação.
Lea riu, debochada.
- Você só pode estar brincando comigo... Sempre moramos juntas.
- É, Lea, mas as coisas mudaram, né gatinha?
- Ryan...
- É por pouco tempo.
- Eu não vou...
- Lea, você tem que ser razoável. Eu estou tentando ajudar.
Ela bufou... Ai Deus, está mordendo o lábio pelo lado de dentro outra vez... Tem certeza que eu não posso beija-la agora?
- Vamos ter que negar também?
Ryan fez um gesto vago com as mãos... parecia tão perdido quanto nós duas. No fundo, no fundo, eu sabia que não era culpa dele também.
- Eu ia falar pra simplesmente ignorar... pra fazer piada... mas como fazer piada quando tem uma foto de você beijando o nariz dela?
Ele apontou pra mim. Corei de novo. Droga, eu não tenho mais quinze anos.
- Nós não temos mais quinze anos, Ryan.
Hey! Desde quando ela ouve meus pensamentos?
Me deixei relaxar na cadeira outra vez. Estávamos há pelo menos uns quarenta minutos naquela sala e com certeza eu não tinha nem previsão de quando ia sair dali.
Dedicado aos fiéis da Santa Seita da Calça Preta.
A história está se encaminhando para o final já.
Eu pretendo escrever uma outra... Faberry dessa vez, e queria levar vocês, queridos leitores, junto comigo.
Estou me segurando pra não começar a escrever já, pra terminar essa primeira pq com certeza o ritmo vai ser outro se eu começar a levar as duas.
Mas quero saber o que vocês acham.
Reviews são importantes também. Dá vontade de escrever, sabe?
Luv ya.
Live.
