Capítulo 12

Bella despertou pela nauseia aguda e urgente. Saiu correndo da cama rumo ao banheiro, chegando bem a tempo. Quando terminou o ataque de vômitos, afundou-se fracamente no piso e fechou os olhos, incapaz de reunir a energia suficiente para preocupar-se sobre estar nua no piso do banheiro de um hotel, ou que seu marido de menos de doze horas era testemunha de tudo. Escutou Edward abrir a água; logo sua testa tinha um pano maravilhosamente frio e úmido. Ele atirou da cadeia, algo que ela não tinha podido fazer, e disse:

— Estarei bem atrás.

Como sempre, rapidamente começou a sentir-se melhor depois de ter vomitado. Envergonhada, levantou-se e se enxaguou a boca e se olhou frente no espelho, examinando sua despenteada aparência com um pouco de assombro, quando Edward apareceu com a familiar lata verde na mão.

Já a tinha destampado. Pegou a lata de suas mãos e começou a beber com avidez, inclinando a lata como alguns novatos da universidade engoliam a cerveja. Quando estava vazia, ela suspirou satisfeita e arrojou a lata sobre o cesto como se fosse um soldado vazio de álcool. Logo olhou para Edward, e abriu mais os olhos.

— Espero que não tenha saído para buscar assim —disse ela fracamente.

Ele seguia nu. Maravilhosa e impressionantemente nu. E muito excitado.

Olhou-a divertido.

— Peguei no frigobar —se olhou abaixo, e se intensificou sua diversão. — Há outra lata. Quer que pegar ela?

Bella se levantou e tomou com uma descarada mão seu sexo ereto.

— Não sou a classe de mulher que perde suas inibições depois de um par de Seven-Up —informou ela com extremada dignidade. Fez uma pausa, logo piscou os olhos e o olhou. — Com uma é suficiente.

De algum jeito, ela tinha esperado que retornariam à cama. Não o fizeram. Sua fome era particularmente forte nas manhãs, e depois de uns poucos momentos tempestuosos, encontrou-se de joelhos, meio inclinada sobre a borda da pia, enquanto ele ficava de cócoras detrás dela. A forma que tinham de fazer o amor era crua, rápida e poderosa, e a deixou fraca uma vez mais, estendida no chão. Bella encontrou um pouco de satisfação no fato de que ele estivesse ajeitado a seu lado, com suas pernas largas estiradas sob a penteadeira.

Depois de muito tempo ele disse prazerosamente.

— Pensei que podia esperar até que estivéssemos na ducha. Subestimei o efeito que tem um refrigerante em você, querida... e o que me faz ver ao bebê-la.

— Acredito que devemos fazer algo — refletiu ela, curvando-se nua contra ele e ignorando a frieza do piso. — Precisamos comprar ações da companhia.

— Boa idéia —ele girou a cabeça e começou a beijá-la, e por um momento ela se perguntou se o piso do banheiro ia ter outro exercício. Mas ele a soltou e ficou de pé com agilidade, logo a ajudou a parar-se.

— Quer chamar o serviço de quarto ou prefere ir ao restaurante para tomar o café da manhã?

— Serviço de quarto —ela já tinha fome, e seu café da manhã a estaria esperando quando tomasse banho e vestisse. Disse a Edward o que queria, logo, enquanto ele fazia a chamada, selecionou as roupas que usaria. O vestido de seda estava muito enrugado, assim o levou para banho deixando que o vapor da ducha reparasse o dano.

Tomou uma ducha, mas inclusive assim, algumas rugas permaneceram no vestido quando ela terminou. Deixou correr a água e abriu mais a água quente para aumentar a quantidade de vapor. Sobre um gancho atrás da porta, estava pendurada um roupão com o logotipo do hotel costurado no bolso superior. Tirou-o e se envolveu nele, sorrindo ante o peso e tamanho do objeto, e saiu para ver quanto demoraria para chegar o café da manhã.

Edward não estava no quarto; pôde escutá-lo escutar falar na sala do pequeno apartamento, e se perguntou se o serviço de quarto tinha sido muito rápido. Mas só escutou sua voz enquanto caminhava para abrir a porta.

Ele estava ao telefone, de costas, sentando no braço do sofá. Ela teve a impressão que estava escutando a água da ducha enquanto seguia sua conversação.

— Segue o rastro do pai, assim como de seus comparsas —estava dizendo ele. — Quero apanhá-los todos de uma vez, assim não terei que me preocupar com nenhum fio solto. Quando se acalmar a situação, a Justiça e o Estado podem resolver entre eles.

Bella deu um grito sufocado, toda a cor desapareceu de seu rosto. Edward girou bruscamente a cabeça e a olhou, a maior parte do verde se foi de seus olhos, deixando-os tão agudos e cinzas como o gelo.

— Sim —disse ao telefone, sem afastar o olhar dela. — Tudo está sob controle aqui. Continua pressionando — desligou e se voltou completamente para enfrentá-la.

Ainda não se tinha tomado banho, observou ela aturdida. Seu cabelo não estava úmido; não havia nenhuma umidade delatora em sua pele. Deve ter ido ao telefone logo que ela começou a tomar banho, ficando em movimento para poder enviar seu pai ao cárcere.

— O que fez? —sussurrou ela, suportando apenas a dor que a atormentava. — Edward, o que fez?

Com frieza ele parou e foi para ela. Bella retrocedeu, agarrando as lapelas de seu roupão como se pudesse protegê-la.

Ele olhou com curiosidade para o banheiro, onde o vapor escapava da porta semi-aberta.

— Por que o chuveiro ta ligado?

— Estou tirando as rugas de meu vestido com o vapor —respondeu ela em forma automática.

Suas sobrancelhas se elevaram com ironia. Embora ela não encontrou divertimento no trocadilho, teve o pensamento que evidentemente esta era uma coisa que ele não tinha antecipado.

— Com quem falava? —perguntou ela, com a voz rígida pela dor, a traição e a tensão de ter que manter-se sob controle.

— Meu irmão James.

— O que tem que fazer com meu pai?

Edward a olhou fixamente.

— James trabalha para uma agência do governo; não é o FBI nem a CIA.

Bella sentiu um nó na garganta. Possivelmente Edward não tinha traído seu pai; possivelmente ele já estivesse sob vigilância.

— Quanto tempo esteve seguindo a meu pai?

— James dirige os que o seguem, não faz o mesmo —corrigiu Edward.

— Quanto tempo?

— Desde ontem à noite. Chamei-o enquanto estava tomando banho.

Ao menos não tratou de mentir nem tentou mudar de assunto.

— Como pôde? —sussurrou ela, com os olhos abertos e duros.

— Com muita facilidade —replicou ele, com voz dura. — Sou um oficial da lei. Antes disso, fui um oficial da Armada, ao serviço deste país. Pensa que ignoraria um traidor, inclusive se fosse seu pai? Você me pediu que protegesse você e nosso bebê, e isso é exatamente o que estou fazendo. Quando se limpa o ninho de serpentes, não escolhe com cuidado quais vais matar e a quais vais deixar livre. Extermina a todas.

Sua visão nublou e se sentiu cambalear. OH, Deus, como poderia perdoá-lo se seu pai fosse para prisão? Como poderia perdoar-se a si mesma? Ela era a causa disto. Sabia a classe de homem que era Edward, mas permitiu ignorá-lo porque se tivesse pensado com claridade, e não com suas emoções e hormônios, teria sabido exatamente o que ele faria, o que ele tinha feito. Não tinha que ser um gênio para predizer as ações de um homem que tinha passado sua vida defendendo as leis de seu país, e só um tolo ignoraria a conclusão óbvia.

Ela nem sequer pensou nisso, assim adivinhava que isso fazia a maior tola do mundo.

Escutou-lhe dizer seu nome, com tom insistente, e logo sua visão estava bloqueada por seu grande corpo quando a agarrou por seus braços.

Com desespero, tratou de não perder o sentido, respirando com força para não desmaiar.

— Se afaste de mim —protestou ela, e se impressionou o quão longínqua que escutava sua voz.

— Seguro que o farei —em vez disso, levantou-a em seus braços e a levou a cama, logo a colocou sobre os lençóis enrugados.

Como o tinha feito a noite anterior, sentou-se a seu lado. Agora que estava deitada, sua cabeça limpou rapidamente. Ele estava inclinado sobre ela, com um braço ao lado de seu quadril, encerrando-a no círculo férreo de seu abraço. Não afastou nunca o olhar de seu rosto.

Bella desejou poder encontrar refúgio a sua fúria, mas não havia nenhum. Compreendia os motivos de Edward, e suas ações. Tudo o que podia sentir era um enorme torvelinho de dor, que a sugava para baixo. Seu pai! Tanto como amava Edward, não sabia se poderia suportar se prendiam seu pai por sua culpa. Não era como se fosse um ladrão ou um condutor bêbado. A traição era atroz e impensável. Não importava a que conclusão chegasse sua lógica, simplesmente não podia ver seu pai fazendo algo como isso, a menos que o obrigassem a fazer de alguma forma. Sabia que ela não era a arma que estavam usando contra ele, embora tinha visto envolta nisso, provavelmente quando ele se opôs a algo. Não, Edward e ela teriam dado conta imediatamente que se ela estivesse sendo ameaçada e seu pai não tivesse nada que ocultar, ele teria acudido rapidamente ao FBI antes que ela soubesse o que estava passando.

— Por favor —suplicou ela, agarrando seu braço. — Não pode adverti-lo de algum modo, tirá-lo do meio disso? Sei que ele não te cai bem, mas não o conhece da forma que o conheço eu. Sempre fez o que pensou que é melhor para mim. Sempre esteve aí quando precisei, e a-antes de que o abandonasse me deu sua bênção —sua voz se quebrou em um soluço, e rapidamente o controlou. — Sei que é um esnobe, mas ele não é uma má pessoa! S-se envolveu em algo que não devia, foi por acidente, e agora não sabe como sair sem me pôr em perigo! — Edward, por favor!

Ele pegou sua mão, apertando-a calidamente dentro da sua.

— Não posso fazer isso —disse ele com calma. — Se não fez nada de mau, vai ficar tudo bem. Se for um traidor... —encolheu-se de ombros, indicando a falta de opções. Não levantaria um dedo para ajudar a um traidor, e ponto. — Não queria que se inteirasse de nada porque não queria te incomodar mais do necessário. Sei que não poderei evitar que se preocupe se o prenderem, mas não quero que se preocupe antes do tempo. Já teve bastante com que tratar estes passados meses. Minha primeira prioridade é manter a ti e ao bebê seguros, e farei isso, Bella, sem importar o que for preciso fazer.

Ela o olhou através de seus olhos nublados pelas lágrimas, sabendo que tinha se chocado com o muro de aço de suas convicções. A honra não era só um conceito para ele, era um modo de vida. Entretanto, existia uma forma de que ela pudesse chegar até ele.

— O que faria se fosse seu pai? —perguntou ela.

Um breve espasmo cruzou por seu rosto, lhe dizendo que havia tocado um ponto sensível.

— Não sei —admitiu ele. — Espero que fosse capaz de fazer o correto... mas não sei.

Não havia nada mais que ela pudesse dizer.

A única coisa que podia fazer era advertir seu pai ela mesma.

Afastou-se dele, deslizando-se para fora da cama. Ele levantou seu braço e a deixou ir, embora a olhasse de perto, como se esperasse que desmaiasse ou vomitasse ou desse uma bofetada no rosto. Considerando sua gravidez e seu estado mental, deu-se conta, as três coisas eram possíveis, se relaxasse seu controle só uma fração. Mas não ia fazer nada disso, porque não podia permitir-se perder o tempo.

Abraçou-se ao enorme roupão como se abraçou uma vez a sua camisa.

— O que está fazendo seu irmão exatamente?

Cont.

Ela precisava de toda informação que fosse possível se ia ajudar a seu pai. Possivelmente estava mau. Mas depois se preocuparia com isso e enfrentaria as conseqüências. Sabia que estava atuando por amor e confiança cega, mas isso era tudo o que tinha para continuar. Quando pensava em seu pai como o homem que sabia que era, soube que tinha que confiar nesse conhecimento e em sua honra. Apesar de suas enormes diferenças, nesse aspecto ele era muito parecido com Edward, o homem que tinha desdenhado como genro: a honra era uma parte de seu código, sua vida, sua essência.

Edward ficou de pé.

— Não precisa saber os detalhes, exatamente.

Pela primeira vez sentiu como suas bochechas avermelhavam pela fúria.

— Não jogue minhas palavras contra mim, Edward —disse bruscamente ela. — Pode dizer não, sem ser sarcástico.

Estudou-a, logo assentiu com um brusco movimento da cabeça.

— Tem razão, sinto muito.

Ela foi ao banheiro batendo a porta. A pequena habitação estava quente e úmida pelo vapor. Bella fechou o chuveiro, não tinha ficado nenhuma ruga no vestido de seda. Rapidamente, ela se tirou o roupão e vestiu a roupa intima que tinha levado ao banheiro, logo vestiu o vestido pela cabeça. A seda se aderiu a sua pele úmida; deu um puxão no tecido para colocá-la em seu lugar. A necessidade de apurara sentia através dela como um bater as asas. Quanto tempo teria antes de que o serviço de quarto chegasse com seu café da manhã?

O espelho estava totalmente embaçado. Agarrou uma toalha e esfregou um lado do espelho, logo se penteou rapidamente e aplicou um mínimo de maquiagem. O ar estava tão cheio de vapor que seria uma perda de tempo aplicar muito, mas queria luzir o mais normal possível.

OH, Deus, o extrator de ar estava fazendo tanto ruído que não poderia escutar a chegada do café da manhã. Depressa, desligou-o. Edward deveria ter batido na porta se sua comida estivesse aqui, tranqüilizou-se. Não tinha chegado ainda.

Tratou de recordar onde estava sua bolsa, e pensou como poderia pegá-la e sair sem que Edward soubesse. Seu ouvido era tão agudo, e poderia estar observando-a. Mas o garçom do serviço de quarto levaria seus cafés da manhã para a sala, e Edward, sendo tão precavido como era, observaria todos os movimentos do homem. Essa seria a única vez que estaria distraído, e a única oportunidade que teria para sair do quarto sem que a detectassem. Sua oportunidade seria breve, porque ele a chamaria logo que se fosse o garçom. Tinha que esperar o elevador, estaria perdida, podia descer pelas escadas, mas tudo o que Edward teria que fazer era tomar o elevador, descer ao vestíbulo e esperá-la aí. Com seu ouvido, provavelmente escutaria cada vez que soasse o sino e isso lhe deu uma idéia ela poderia tomar um dos elevadores ou desceu pelas escadas.

Ela abriu um pouco a porta do banheiro, para que ele não pudesse captar o clique do fecho.

— O que está fazendo? —perguntou ele.

Sua voz soava como se estivesse parado justo dentro das portas que conectavam o dormitório com a sala, esperando-a.

—Me maquiando —gritou ela, dizendo a verdade. Limpou-se o suor da testa e a repassou pó. Seu breve momento de fúria tinha terminado, mas não queria que ele soubesse. Deixaria-o pensar que estava furiosa; uma mulher grávida e furiosa merecia muito espaço.

Houve uma batida na porta da sala, e uma voz com acento hispano gritou:

— Serviço de quarto.

Depressa, Bella abriu o tranco, para que o som da água correndo cobrisse uma vez mais seus movimentos. Através da pequena abertura da porta, viu Edward cruzar seu campo de visão, indo responder a batido na porta. Tinha colocado seu coldre novamente, o que queria dizer, como tinha esperado, que estava em guarda.

Deslizou-se fora do banheiro, fechando com cuidado a porta para deixar a mesma pequena abertura, logo se moveu com rapidez ao outro lado do dormitório, fora da linha de visão se por acaso ele olhasse dentro quando passasse pelas portas duplas. Sua bolsa estava em uma das cadeiras, e ela pegou, logo calçou os sapatos.

O carro do serviço de quarto fez muito ruído quando entrou. Através das portas abertas do saguão, pôde ouvir o garçom conversar casualmente enquanto colocava a mesa. A pistola de Edward pôs o garçom nervoso; ela pôde ouvi-lo em sua voz. E seu nervosismo fez que Edward tivesse mais dúvidas dele. Edward, provavelmente, estaria observando-o como um falcão, com esses olhos claros, remotos e glaciais.

Agora vinha a parte delicada. Dirigiu-se lentamente pelas portas duplas abertas, olhando às escondidas pela fresta para localizar seu marido. O alívio fez que tremessem os joelhos; ele estava parado, dando as costas às portas, enquanto observava o garçom. A água correndo estava fazendo seu trabalho; devia estar escutando, em vez de colocar-se no outro extremo da mesa para poder observar o garçom e a porta do banheiro. Provavelmente o fez a propósito, dividindo seus sentidos em vez de diminuir a atenção visual que tinha posta sobre o garçom.

Seu marido não era um homem comum. Escapar dele, inclusive por cinco minutos, não seria fácil.

Respirando fundo, cruzou silenciosamente o espaço aberto, com os nervos de seu corpo tensos enquanto esperava que sua dura mão a agarrasse pelo ombro. Saiu pela porta do dormitório ao corredor e sustentou a corrente para que não fizesse ruído quando a soltasse. Uma vez feito, o seguinte obstáculo era o ferrolho. Moveu seu corpo tão perto da porta como foi possível, usando-o para amortecer o som, e devagar correu o fecho. O trinco deslizou para abrir com uma suave precisão e um pequeno som, apenas perceptível, para ela.

Fechou os olhos e girou o trinco, concentrando-se em manter o movimento suave e em silêncio. Se fizesse qualquer ruído, apanhariam-na. Se alguém caminhasse pelo corredor e falasse com ela, a mudança no nível de ruído alertaria Edward, e a apanhariam. Se o elevador fosse lento, apanhariam-na. Tudo tinha que sair perfeito, ou não teria nenhuma oportunidade.

Quanto tempo teria demorado? Sentia como se já tivessem passado dez minutos, mas o mais provável era que não fora mais de um. Ainda escutava o ruído da baixela no saguão enquanto o garçom arrumava os pratos e pires e os copos de água. Abriu a porta e deslizou através dela, logo transcorreu a mesma agonizante quantidade de tempo para assegurar-se de fechá-la tão silenciosamente como a tinha aberto. Soltou o trinco e correu.

Alcançou os elevadores sem ouvi-lo gritar seu nome e pressionou o botão para descer. Obedientemente se acendeu, e permaneceu aceso. Não escutou o sino de boas-vindas para assinalar a chegada do elevador. Bella se conteve de golpear o botão uma e outra vez em um intento inútil para comunicar sua urgência a uma peça de maquinaria.

— Por favor —sussurrou ela entre dentes. — Depressa.

Teria poder chamar seu pai do quarto do hotel, mas sabia que Edward a deteria se a escutava ao telefone. Também sabia que o telefone de seu pai estava grampeado, o que queria dizer que todas as chamadas seriam gravadas automaticamente. Trataria de proteger a seu pai, mas se recusava a fazer algo que poderia pôr em perigo Edward ou seu bebê, ao conduzir aos seqüestradores direto para o hotel. Teria que chamar seu pai de um telefone público na rua, e uma rua distinta, além disso.

No corredor, escutou o carro do serviço de quarto de novo, quando o garçom abandonava sua suíte. Seu coração pulsava depressa, olhou as portas fechadas do elevador, rogando que se abrissem. Só ficavam segundos de tempo.

O sino melódico soou por cima de sua cabeça.

As portas se abriram.

Ela olhou para trás enquanto entrava, e seu coração quase se deteve. Edward não tinha gritado nem chamado por seu nome. Estava correndo a toda velocidade pelo corredor. Seus movimentos eram tão fluídos e poderosos como os de um jogador de defesa de futebol, e seus olhos ardiam com uma fúria intensa.

Ele quase estava lá.

Com pânico, ela apertou simultaneamente os botões para o saguão para fechar a porta. Retrocedeu quando Edward se jogou para frente, tratando de que sua mão chegasse à porta, que acionaria o sensor de abertura automática.

Não alcançou ao chegar. As portas se fecharam e a caixa começou a descer.

— Maldição! —rugiu ele pela frustração, e Bella estremeceu quando seu punho golpeou contra as portas.

Fracamente, Bella inclinou contra a parede e cobriu o rosto com as mãos enquanto tremia pela reação. Deus santo, nunca tinha acreditado que alguém pudesse estar tão furioso. Ele quase jogava faíscas.

O mais provável era que descesse correndo as escadas, mas tinha que descer vinte e um andares, e ele não se comparava com o elevador... a menos que este se detivera para recolher passageiros de outros andares. Esta possibilidade quase a pôs de joelhos. Observava a mudança de números, incapaz de respirar. Se parasse só uma vez, ele poderia alcançá-la na rua. Se parasse duas vezes, apanharia-a no vestíbulo. Três vezes, e ele a estaria esperando à saída do elevador.

Teria que enfrentar essa fúria, e ela nunca havia sentido tanto medo. Abandonar Edward nunca tinha sido sua intenção. Depois de advertir seu pai, retornaria à suíte. Não tinha medo de Edward em força física; sabia por instinto que nunca a golpearia, mas por alguma razão isso não era muito consolo.

Ela tinha querido vê-lo perder o controle, fora de si no momento final, ao fazer amor, quando seu corpo se fazia em pedaços e ele se rendia ao orgasmo. A náusea incomodava em seu estômago, e estremeceu. Por que tinha desejado uma coisa tão estúpida? OH, Deus, não queria vê-lo zangado nunca mais.

Poderia ser que ele nunca a perdoasse. Poderia ter desperdiçado qualquer oportunidade de que ele a amasse. O pleno conhecimento do que estava arriscando ao advertir seu pai pesou nos ombros todo o caminho para o vestíbulo, uma longa e suave descida, sem nenhuma parada.

O ruído ensurdecedor e o tinido das máquinas caça-níqueis nunca parava, não importava se era muito cedo ou muito tarde. O estrondo a rodeou quando caminhou depressa pelo vestíbulo e saiu à rua. O sol do deserto era deslumbrantemente branco, a temperatura já beirava os trinta e dois graus, embora só era passada a metade da manhã. Bella se uniu aos turistas que lotavam as calçadas, caminhando depressa, apesar do calor. Chegou à esquina, cruzou a rua e continuou caminhando, sem atrever-se a olhar atrás. Edward teria chegado ao vestíbulo já. Rapidamente esquivaria a multidão de máquinas caça-níqueis, logo sairia veloz à rua.

Doeu-lhe o peito, e se deu conta de que estava contendo a respiração outra vez. Aspirou ar e se apressou a pôr um edifício entre ela e a entrada do hotel. Tinha medo de olhar atrás, assustada em ver seu grande e de cabelo acobreado marido correndo atrás dela como um raio, e sabia que nunca poderia correr mais que ele.

Cruzou uma vez mais a rua e começou a procurar um telefone público. Eram fáceis de encontrar, mas conseguir um disponível era algo muito diferente. Por que havia tantos turistas usando os telefones públicos a essa hora da manhã? Bella esperou pacientemente. O sol queimava sua cabeça, enquanto que uma anciã de cabelo azul, com fortificação, dava instruções a alguém sobre quando alimentar seu gato, quando alimentar seu peixe e quando regar seu novelo. Finalmente desligou com um alegre "Adeus, querida", e deu a Bella um doce sorriso quando passou a seu lado. O sorriso foi tão inesperada que Bella quase caiu em lágrimas. Em vez disso, as arrumou para sorrir e caminhou para o telefone antes que alguém se adiantasse.

Utilizou um cartão de chamada porque era mais rápido, e já que estava chamando de um telefone público, não importava como fazia a chamada.

Por favor, Deus, que esteja aí, rogou em silêncio enquanto escutava o tom e logo o repique. Era a hora do almoço onde estava o seu pai; podia estar almoçando com alguém, ou jogando golfe... podia estar em qualquer lugar. Tratou de recordar seu horário, mas não veio nada à mente. Sua relação tinha sido tão tensa nos últimos dois meses que se desligou da vida social e as entrevistas políticas de seu pai.

— Alô?

A resposta foi tão precavida, soava tão precavida, que a princípio não reconheceu a voz de seu pai.

— Alô? —disse ele de novo, soando ainda mais precavido, se fosse possível.

Bella apertou forte o fone na sua orelha, tentando que sua mão não tremesse.

— Papai —disse ela, com voz estrangulada.

Não o tinha chamado papai em anos, mas o velho apelativo se escapuliu passando a barreira de sua idade.

— Bella? querida?

A vida zumbiu em sua voz e ela pôde fazer uma imagem mental dele, endireitando-se no assento de seu escritório.

— Papai, não posso falar muito —ela lutou para manter sua voz calma, para que ele pudesse entendê-la. — Tem que ser cuidadoso. Tem que se proteger. As pessoas sabem. Entendeu?

Ele ficou em silencio por um momento, logo disse com uma calma que estava além dela.

— Entendo. Está a salvo?

— Sim —disse ela, embora não estava segura.

Ainda tinha que enfrentar a seu marido.

— Então te cuide, querida. — Estarei te chamando logo.

— Adeus —sussurrou ela, logo desligou com cuidado pôs o fone em seu lugar tomou o caminho de volta ao hotel. Tinha dado quase dez passos quando foi capturada pelo duro agarre que tanto tinha temido. Não o viu chegar, assim não se pôde preparar. Um segundo ele não estava, e no seguinte estava aí, aparecendo entre a multidão como um tubarão.

Apesar de tudo, estava contente de vê-lo, contente de que tudo acabasse, em vez de temer o primeiro encontro durante cada passo que arrastava para ao hotel. A tensão e o esforço a tinham esgotado. Inclinou-se fracamente contra ele, e ele rodeou seu quadril com um braço para sustentá-la.

Não deveria sair ao sol sem algo que te cubra a cabeça —foi tudo o que disse. — Principalmente se não tiver comido nada.

Ele estava controlado, essa fúria incandescente tinha sido esfriada e conquistada. Entretanto, ela não era tão tola para acreditar que tinha desaparecido.

— Tinha que avisá-lo —disse ela com cansaço. — E não queria que rastreassem a chamada ao hotel.

Eu sei — as palavras foram breves até ao ponto de ser cortantes. — Poderia não fazer nenhuma diferença. Las Vegas está infestada com um certo grupo de gente esta manhã, e pode ter sido observada.

— Estão aqui? —perguntou ela com uma vozinha. — Os seqüestradores?

— Não os originais. Está acontecendo um profundo jogo, neném, e temo que só saltou no meio dele.

O sol queimava sobre sua cabeça desprotegida, aumentando o calor a cada minuto. Cada passo parecia requerer mais e mais esforço. Seus pensamentos se dispersaram. Poderia ter precipitado Edward e a si mesma ao perigo que tanto tinha tentado evitar.

— Possivelmente sou uma garota mimada da sociedade com mais cabelo que cérebro —disse ela em voz alta. — Não quis dizer...

— Eu sei —disse ele de novo, e de forma incrível, ele apertou seu quadril. — E nunca disse que tinha mais cabelo que cérebro. Se couber, é muito pronta, e parece que tem um talento natural para sair às escondidas. Não é muita gente que poderia ter saído dessa suíte sem que eu os ouvisse. Sam, possivelmente. E James. Ninguém mais.

Bella inclinou mais seu peso contra ele. Ela estava a seu lado esquerdo, e sentiu o duro vulto da pistola sob sua jaqueta. Quando a agarrou, por instinto tinha mantido sua mão direita livre, em caso de precisar da sua pistola. O que ele não precisava, pensou ela com cansaço, era ter que suportar seu peso e manter o equilíbrio em um tiroteio. Obrigou-se a endireitar-se longe dele, apesar da forma que seu braço lhe pressionava seu quadril. Ele a olhou de forma interrogativa.

— Não quero te pôr em perigo —explicou ela.

Sua boca se curvou em forma irônica.

— Vê o que quero dizer? Agora está pensando em coisas de combate. Se não fosse tão doce, senhora Cullen, seria uma mulher perigosa.

Por que não brigava com ela duramente? Não podia acreditar que ele superasse sua fúria tão rápido; Edward pareceu o tipo de homem que estranha vez se enfurecia, mas quando o fazia, sem dúvidas era uma ocasião memorável... uma que poderia durar por anos. Possivelmente estava reservando-a para quando estivessem na privacidade da suíte, permanecendo em guarda enquanto estavam na rua. Ele podia fazer isso, guardar sua fúria em um compartimento, pô-la à parte até que fosse seguro tirá-la fora.

Ela se viu estudando a multidão de turistas que os rodeavam, procurando qualquer sinal delator de interesse. Ajudava-a a esquecer-se do incrivelmente fraco que se sentia. Esta gravidez estava fazendo-se sentir com força crescente; embora tinha sido tolo de sua parte ter saído ao sol sem tomar seu café da manhã, e sem um chapéu. Normalmente, não teria tido nenhum problema com o calor neste curto período de tempo.

— Quanto mais faltava para chegar ao hotel?

Concentrou-se em seus passos, nos rostos que a rodeavam. Edward manteve um ritmo lento e parecido, e quando podia, ficava entre ela e o sol. A forma humana ajudava, marginalmente.

— chegamos —disse ele, a fazendo passar à fria e escura caverna do vestíbulo.

Ela fechou os olhos para ajudá-los a ajustar-se da luz brilhante do sol e suspirou com alívio quando sentiu a rajada de ar condicionado sobre ela.

O elevador estava cheio. Edward a pôs contra a parede de atrás, para que ele tivesse um lado a menos para proteger, e também para colocar um muro humano de amparo entre eles e as portas abertas. Sentiu uma débil pontada de surpresa quando se deu conta de que sabia o que ele estava pensando, os motivos por trás de suas ações. Ele faria o que pudesse para evitar que algo lhe acontecesse, e para proteger a estas pessoas, mas se tinha que escolher, ele sacrificaria sem piedade às demais pessoas deste elevador para mantê-la a salvo.

Saíram no andar vinte e um, sem nenhum incidente. Um homem e uma mulher saíram ao mesmo tempo, um casal de meia idade com acento de Rochester. Eles foram pelo corredor que se afastava da suíte. Edward guiou Bella atrás deles, seguindo o casal até que chegaram a seu quarto. Quando passaram a seu lado, Bella olhou o interior do quarto quando o casal entrou; estava desordenada, com uma pilha de bolsas de compras e as roupas sujas que tinham usado no dia anterior.

— Seguros —murmurou ele quando seguiram seu caminho à suíte.

— Não teriam toda essas coisas de turistas se fossem recém chegados?

Lançou um olhar ilegível.

— Sim.

A suíte estava benditamente fria. Ela entrou cambaleando, e Edward pôs a trava e a corrente à porta. Seu café da manhã ainda estava posto na mesa, sem tocar e frio. Ele quase a empurrou a uma cadeira, de todos os modos.

— Come —ordenou ele. — Só a torrada, se não tiver nada mais. Ponha geléia. E beba toda a água.

Ele se sentou no braço do sofá, tomou o telefone e começou a discar.

Só por precaução, ela comeu primeiro a metade de uma torrada, evitando as bolas de manteiga, que não se derreteria sobre a torrada fria de todos os modos. Seu estômago estava tranqüilo no momento, mas não queria fazer nada para incomodá-lo. Comeu a segunda metade com geléia.

À medida que comeu e bebeu em forma metódica, começou a sentir-se melhor. Edward não estava fazendo nenhum esforço para evitar que ela escutasse sua conversação, e ela adivinhou que estava conversando de novo com seu irmão James.

— Se a viram, provavelmente tenhamos meia hora —estava dizendo ele. — Ponha todos em alerta —ele escutou um momento, logo disse. — Sim, eu sei. Estou piorando —ele se despediu com um crítico: — Mantenha frio.

— Manter frio o que? —perguntou Bella, girando em sua cadeira para enfrentá-lo.

Um brilho de diversão iluminou seus remotos olhos.

— James tem o hábito de colocar seu nariz, junto com outra parte de sua anatomia, em zonas quentes. Em algumas ocasiões sai queimado.

— E você não, suponho?

Ele se encolheu de ombros.

— Às vezes —admitiu ele.

Estava muito calmo, muito, inclusive para ele. Era como se esperasse que estourasse uma tormenta. Bella respirou fundo e se preparou.

— De acordo, sinto-me melhor —disse ela, mais acalmada do que se sentia. — Me deixe conhecê-lo.

Olhou-a por um momento, logo, com pesar, negou com a cabeça, pensou ela.

— Terá que esperar. James disse que há uma grande atividade que vai acontecer de repente. Quer dizer, que os problemas estão a ponto de começar.

XXXxxXxxxxxxxxXXXXXxXxXxxXxXxXxxXxXxXxXXxXxXxXxxXxXxXxXxX

Gente nem acredito..... 100 reviews....... amei cada uma... espero que gostem do capitulo.......as coisas vão começar a esquentar agora....... é a parte que eu mais gosto cheia de suspense e adrenalina...... até o próximo capitulo......

Kisus^^