CAPITULO 14

Kate olhou o pátio do condomínio e sorriu envaidecida.
Hurley, Sun, Claire e Charlie haviam enfeitado o lugar com bandeirinhas, guirlandas de papel e vasinhos de flores. Também montaram mesas de armar, cobertas com toalhas de papel coloridas e velas perfumadas boiando em uns copos largos, numa tentativa de de dar um aspecto de luau havaiano à festinha.
A churrasqueira já estava montada, à espera da diversão começar.

A bem da verdade, a decoração mais parecia uma comemoração brega e suburbana de 4 de julho, mas Kate estava achando o máximo.
Ela jamais tivera festas quando criança, de aniversário ou não, cheias de crianças de sua idade. Sua mãe morria de medo de, no meio da festa, com todas as crianças e pais em volta do bolo, Wayne surgisse de repente, bêbado, insultuoso e violento.
Em geral, nas férias que passava com Sam, este lhe fazia uma imitação de aniversário, que apenas os dois comemoravam.
Kate se lembrava dessa época com bastante amargura. Certamente por isso, essa festinha boba e mal arranjada a tocasse tanto e tivesse tanto valor para ela.

Olhando em direção do portão, ela viu Ana Lucia tocando a campainha. Kate resolvera convidá-la de última hora. Afinal, Ana era sua parceira e, caso não conseguisse a própria promoção, ela viria a ser sua superiora. Convinha manter boas relações com Ana.
Além do mais, estava na hora de começar a se enturmar com pessoa de sua profissão, conviver mais com os companheiros de trabalho, gente que a entendesse e a estimulasse na carreira...
"Por que conviver com gente que te puxa pra baixo?"
Kate se lembrou da conversa que teve com Sawyer no carro. Não que ela tivesse seguido o conselho dele, nem nada, apenas resolvera ser gentil com Ana, mesmo que esta sempre fosse uma vaca mal humorada com ela.
Surpreendentemente, Ana Lucia chegou com uma boa cara. Estendeu a Kate um grande pacote:
- Trouxe sorvete pra sobremesa, espero que goste. Valeu por me convidar - observando o lugar, continuou - Bem agradável aqui, dá pra entender por que você se apressou em alugar.

Sorrindo, Kate respondeu:
- O apartamento é ótimo, vou te mostrar...
- Nossa, o pessoal aqui sabe dar uma festa, heim? Banderinhas! - debochou, torcendo a boca.
Sun e Claire estavam acabando de distribuir os guardanapos descartáveis nas mesinhas, enquanto Penny Hume, a inglesa, acendia as velas.
Kate acabara de ser apresentada ao simpático e retraído casal Desmond e Penelope Hume. Pareciam apaixonadíssimos, Kate notou.
A longa e quente tarde californiana começava a ceder e a noite prometia brindar a todos com brisas frescas e suaves.
Com o tempo todos os moradores começaram a se reunir em torno da piscina.

Charlie pegou sua guitarra, Hurley e Jin vinham arrastando um cooler cheio de cervejas e refrigerantes gelados. Desmond começou a acender a churrasqueira. As moças, animadas, distribuiam sanduiches e canapés nas mesas.

Levantando os olhos, Claire avisou:
- Jack chegou, Kate!
Dando uma corridinha até ele, Kate se arrependeu de não ter se produzido mais, ou colocado, pelo menos, um vestido social. Estava de calças cargo, uma blusinha preta, enfeitada com uma estrela de lentejoulas e os cabelos presos sem muita arrumação, no alto.
Jack tinha vindo de terno e gravata, como para uma recepção formal e ela tentou esconder o embaraço, pois todos estavam tão casuais como ela.

"Pelo menos estou maquiada," pensou rapidamente, enquanto apresentava Jack aos amigos.
Dando uma espiada em direção do portão, Kate puxou Hurley e indagou em voz baixa:
- Hurley, o Sawyer avisou se vinha?
- Não, não avisou. Mas é capaz dele chegar mais tarde, o trabalho dele é meio complicado, sabe como é...
Concordando com a cabeça, ela conferiu de novo, esperançosa e voltou a observar Jack, rodeado pelos vizinhos.
Pareciam impressionados com ele. Jack podia ser convencional e previsível, mas causava uma tremenda boa impressão, o que acabava revertendo para ela. Claro, ela devia ser uma grande mulher para ter um cirurgião importante como Jack com ela!
Jack já estava começando a contar suas estórias sobre o hospital onde trabalhava e suas cirurgias para uma plateia embasbacada, quando uma voz arrastada e inconfundível ecoou pelo pátio:
- Ei, nada de começarem o churrasco sem a melhor carne de porco do Sul!

Sawyer!

Kate se virou e sorriu discretamente por vê-lo caminhando pelo pátio, carregando várias sacolas.
Os dois cruzaram os olhares e por alguns segundos muito rápidos, ambos tiveram a noção clara do quanto se sentiam contentes por simplesmetne estarem ali, de frente um para o outro.
Se aproximando de Desmond, ele tirou um pacote volumoso de uma das sacolas:
- Carne de porco de primeira, direto da Georgia, prontinha pra chapa!
Animado, Hurley chegou perto para checar as novas provisões:
- Uau! A carne parece ótima!
Cutucando Hurley, Sawyer acrescentou:
- Achei que não fazia mal um reforço, heim, Prato Fundo!

Se virando pras mesas, ele continuou o show:
- E mais uma salada fria: vegetais orgânicos, broto de bambu, pedaços de frutas e croutons! Uma delicia! Porque - ele encarou Kate, enquanto Sun e Penny desembrulhavam a caixa da salada - eu gosto de cuidar da minha saúde.
Kate virou os olhos, reprimindo o riso pela última tirada. Ele percebeu e sorriu docemente, baixando os olhos e brilhando as covinhas.
Já Hurley, estranhando essa declaração saindo da boca de Sawyer - o único com tanto apetite por fast food quanto ele próprio - indagou ingenuamente:
- Cara! Desde quando?
- Desde sempre, Hugo! Você sabe o quanto eu gosto de comida saudável - replicou Sawyer com ênfase exagerada - eu tenho que cuidar do meu corpão!
Kate e Sawyer se fitaram mais uma vez, silenciososamente, se divertindo com a brincadeira particular.
Hurley o olhou de soslaio, desconfiado. Já conhecia Sawyer o bastante para saber pelo tom de sua voz que ele estava tirando sarro de alguma coisa. E quando ele se dedicava a tripudiar de alguém o melhor era observar de longe.
Por último Sawyer se virou para Claire:
- Olha só, coração, trouxe aquela torta de morangos que você adora e vivia fazendo Charlie sair para comprar a qualquer hora do dia e da noite. Para as senhoras presentes! - acrescentou charmosamente.
Todas as mulheres do local sorriram de volta, incluindo Ana Lucia.

Franzindo a testa aborrecido, Jack perguntou:
- Mas, quem é esse cara? Trabalha numa delicatessen, por acaso? - e balançando a cabeça num tom crítico - Ele está só se mostrando.
Ana Lucia rosnou e repontou, sem olhar para Jack:
- Melhor do que vir para uma festinha de amigos de mãos abanando.
Jack balançou a cabeça mais uma vez:
- Eu fui convidado, Ana. Ninguém me disse que tinha que trazer alguma coisa.
Como ela não respondesse, Jack deixou para lá.
Estranhava como Ana Lucia era tão hostil e distante com ele.
Ele havia se interessado por ela antes dele se envolver com Kate. Jack até tinha a levado para jantar, mas depois disso as coisas murcharam e ela o dispensou. Foi aí que Kate passou a ser uma opção mias viável. Na verdade, o jeito de Kate admirá-loe respeitá-lo foi um doce curativo para seu ego ferido.

Jack se perguntava o porque dessa deserção quase instantânea de Ana.
Essa espécie de coisa, aliás, vivia se repetindo com ele: Jack se interessava por uma mulher e, à princípio, ela se encantava por ele.
Eles saíam algumas vezes, Jack se entusiasmava por ela, começava a aprofundar o relacionamento e, subitamente, a relação esfriava.
Pelo menos por parte da garota. Ela passava a evitá-lo, inventava uma viagem, excesso de trabalho, ou doença na família, como pretexto para não se verem mais.
Algumas duravam alguns meses, outras apenas semanas, ou como Ana Lucia, apenas dias, mas a situação sempre se repetia.

Uma, com quem saíra por alguns meses, fora mais longe e alegara que ele era rígido, egoísta e controlador e que não estava pronto para um relacionamento maduro! Logo ele, que se esforçava tanto para ser maduro!
Ana Lucia não tinha se dado, sequer, ao trabalho de inventar uma desculpa, dissera cruamente que não ela não tinha mais interesse em sair com ele.
Jack não conseguia entender, sempre dava o melhor de si para a companheira em potencial, se dedicava, se esforçava em protegê-la em todos os sentidos. Tentava dar a ela um objetivo, uma direção para suas vidas. Tentava, sinceramente, incluí-las em seu modo privilegiado de viver.
Liderá-las enfim, rumo a uma existência excelente, que ele escolhera para si mesmo.
Estranhamente, elas pareciam não apreciar ou dar valor a tudo isso.
Mas ele apostava como elas davam valor para aquele tal de Sawyer!
Jack conhecia muito bem aquele tipo, conhecera vários pela vida afora: no colégio, na faculdade, até nos hospitais onde trabalhara.
Eles nunca pareciam se esforçar para conseguir o que queriam ou para agradar quem quer que fosse. Tudo era fácil e manso para aquele tipo de homem, conseguir mulheres, passar de ano na escola, se dar nas provas, conseguir promoções, tudo vinha na bandeja para eles!
O tipo que deixava as garotas loucas!
O tipo que elas não abandonavam!
O tipo que Jack desprezava... e invejava ao mesmo tempo. O tipo de homem que, no fundo, ele desejava ser, mas não tinha vocação para tal.
E ver um deles, ali, sorrindo, flertando, fazendo sucesso, de camiseta e jeans, cabelos longos, ao vento, só serviu para deixá-lo inseguro e irritado.

Kate interrompeu seus pensamentos:
- Jack, esse é o Sawyer, ele divide o apartamento com Hurley. Sawyer, esse é Jack, dr. Jack Shepard.
Nenhum dos dois estendeu a mão para apertar, apenas acenaram com as cabeças, medindo um ao outro.
- Como vai? - disse Jack.
- Tudo em cima, doc? - respondeu Sawyer.
Kate sentiu uma vibração hostil entre eles, mas achou que talvez estivesse imaginando coisas.
Reparando na presença de Ana Lucia, Sawyer a cumprimentou:
- Ei, delegada Muchacha! Surpresa te ver aqui...
Ela o saudou:
- Oi, Sawyer, a Kate tinha me contado que você morava aqui.
Jack se virou surpreso para Kate:
- Vocês já se conheciam, Kate? - deslizou o olhar interrogativo para Sawyer.

Kate entrou em pânico, não havia previsto que que cairia nos ouvidos de Jack que ela conhecia Sawyer antes. Teria que inventar uma desculpa e rezar para Sawyer corroborar.
Pensando rápico, ela respondeu o mais fácil:
- Sim, já encontrei Sawyer no trabalho.
- Pois é, somos do mesmo ramo de trabalho - acrescentou Sawyer.
Jack balançou a cabeça:
- Outro policial;;;
- Na verdade, sou recaptador de fugitivos.
Jack pareceu não entender, então Kate explicou:
- Caçador de recompensas.
- Ah! - disse Jack, com um sutil tom de pouco caso.
Bem o trabalhinho sujo que essa espécie de homem faria.

Sawyer percebeu e fez um movimento com a cabeça:
- Eu prefiro 'recaptador de fugitivo", mas até que "caçador de recompensa" fica bonitinho na sua boca, Sardenta!
Kate lhe lançou um olhar zangado pelo uso do apelido.
Jack insistiu:
- Seja como for, é bem menos do que o trabalho de um policial.
Sawyer abaixou a cabeça, pensou um pouco e disse um tanto agressivo:
- Pode ser, dr. Kildare, mas queria ver a polícia botar no xadrez todos os fugitivos que tem por aí, sem a gente por perto pra fazer o trabalho que eles não dão conta. Tá aí uma coisa que eu queria ver!
Ana Lucia não gostava de caçadores, mas Jack lhe dava ainda mais nos nervos:
- Não deixa de ser verdade. Pelo menos quarenta porcento dos fugitivos de fianças são trazidos por caçadores... a gente ia perder tempo demais com isso, se fosse pegar um por um. Melhor vocês fazerem as capturas, enquanto a gente da policia investiga os crimes.
Olhando para Kate, Sawyer disparou:
- Nisso você tá certa, Bocão, caçadores não investigam crimes.
Piscando o olho, ele se afastou e foi para perto de Desmond, que já estava virando as carnes nas chapas da churrasqueira.
Respirando fundo, Jack disse:
- Que sujeito mais insolente!

Zangada com as ironias de Sawyer, Kate se arrependeu de ter ficado tão ansiosa pela presença dele. Que peste!
Jack se aproximou de Charlie, que dedilhava suavemente a guitarra ao lado de Claire e Sun.
Aproveitando a distração dele, Kate foi, disfarçadamente, para perto de Sawyer e falou nervosa:
- Que droga, Sawyer! Eu te disse que Jack não pode saber das investigações, nem que estamos trabalhando juntos!
Se zangando também, ele retrucou:
- Peraí, que que eu tenho com isso? Quem contou que a gente já se conhecia foi a Analulu, não eu. Então, reclama com ela. E quem fez pouco caso do meu trabalho, e do teu, por tabela, foi o rei do terno, ali!
Enquanto xingava Ana Lucia mentalmente, Kate respondeu:
- Mas foi você que ficou fazendo brincadeiras com a salada e tudo o mais!
- Vai dizer que não gostou? Não curtiu o perigo? Qualé, Sardenta, relaxa... o cara não entendeu nada!
Soltando um suspiro alto, ela disse:
- Jack não pode saber, ele vai se aborrecer...
- Ah, é - aparteou ele - o sr. sensível vai se chatear por você estar realizando o seu trabalho, cumprindo com o seu dever! Tinha me esquecido que você só pode fazer isso escondida, por que morre de medo do papai!

Ela o puxou pelo braço, furiosa, os olhos verdes fuzilando de raiva:
- Eu não tenho medo de nada, Sawyer!
Ele deu um passo a frente e falou bem perto do rosto dela:
- Então, prova!
Fervendo por dentro, ela o enfrentou por uns segundos, sem se importar se Jack estava vendo. Mas antes que dizesse alguma coisa, escutou os outros exclamando e recepcionando alguém.

Era um homem de meia idade, completamente calvo, alto, forte e de presença marcante.

Recolhendo a irritação, Sawyer exclamou, de má vontade:
- Olha só: o rajneesh apareceu!
- Quem?
- John Locke, síndico e guru! - informou ele.
- Ele é mesmo um guru? - indagou Kate, satisfeita por mudar de assunto.
- Oficialmente, não. Mas leva o maior jeito. Você não conheceu ele quando alugou o apartamento?
- Não, combinei tudo direto com Claire.

Locke se aproximou de Kate sorrindo.
- Olá, sou Locke, seja bem vinda ao nosso condomínio. Estava ansioso por conhecê-la.
Os dois apertaram as mãos.
- Obrigada, Locke, estou muito contente por estar aqui.
- Qualquer coisa que precisar, é só chamar.

Sawyer tinha razão ao chamá-lo de guru. Locke possuia uma personalidade que irradiava sua força à primeira vista. Persuasiva, atraente e intimidadora, ao mesmo tempo.

Notando Hurley, Locke se dirigiu a ele:
- Como vai, Hugo? Faz tempo que não o vejo.
Tentando disfarçar o constrangimento, Hurley respondeu:
- E aí, Locke, tudo bem?
Hurley sentia um medo quase supersticioso de John Locke pelos exatos motivos que faziam Sawyer apelidá-lo de guru. A estranha facilidade com que Locke enxergava as pessoas assustava muito Hurley.
Aas vezes ele tinha a sensação que Locke sabia tudo sobre ele. Vai que Locke azarava tudo? E Hurley queria tanto manter sua vidinha boa do jeito que estava! Tinha vontade de se benzer quando pensava nisso.
E comer, também, para se animar um pouco. Como o churrasco ainda não estava pronto, ele atacou a tal salada saudável que Sawyer tinha inventado - até que com molho não ficava mal...

Desmond e Jin finalmente começaram a cortar e distribuir as carnes nos prats que cada um ia pegando.
Jack observou Kate misturar a salada com os bifes grelhados e comentou:
- Kate, quando a gente se conheceu você não disse que era vegetariana?
Era verdade, Kate dissera isso, ela gostava de dizer que era vegetariana. Era bacana e politicamente correto, as pessoas sempre pareciam agradadas quando ela se declarava assim. E não era uma mentira, exatamente: Kate não era fanática por carne, gostava de verduras, legumes e frutas, apenas não era radical sobre isso. Se estava num restaurante ou uma reunião como aquela e a carne parecia apetitosa, ela comia naturalmente.

- Eu gosto de comer carne de vez em quando, Jack, você já me viu comendo peixe.
- Peixe, sim, mas nunca te vi comento bacon ou porco.
- Fiquei com vontade, sentindo o cheirinho... - respondeu divertida.
Jack a olhou curiosamente: as vezes ele não tinha a menor noção de quem Kate realmente era.
- Não seja por isso - interveio Sawyer, disposto a criar confusão - a salada que eu trouxe tem até broto de bambu... uma verdadeira delícia!
Empinado a cabeça, Kate desafiou-o:
- Ah, é? Então, por que não está comendo a sua salada?
Topando o desafio, ele deu o troco, malicioso:
- É por que já comi uma hoje. Uma linda garota me pagou o almoço e escolheu uma saladinha boa pra mim. Sei lá, acho que ela se preocupa comigo...

Kate não sabia se dava uma gargalhada ou o esmurrava ali mesmo.
Interessado na conversa, Hurley se meteu:
- Uma garota bonita? Quem? A Ellie do escritório? Ela é demais!

"Ellie", do escritório. Claro, pensou Kate, mulheres não deviam faltar na vida de Sawyer. Mesmo assim, ela queria só ver o que ele ia responder.
- Então, - atiçou ela - foi a Ellie?
Apertando os olhos, se deleitando com o atrevimento dela, ele respondeu:
- É, foi ela mesmo. Ela me adora...

Se lembrando que não tinha tido uma boa discussão com Sawyer desde o dia anterior, Charlie resolveu chateá-lo um pouco:
Que cara de pau deixar uma mulher te pagar o almoço... bem oferecida, também, esse garota, heim?

Meio ofendida, Kate respondeu rindo, a contra-gosto:
- Que machismo, Charlie! Companheiros de trabalho fazem isso o tempo todo. É normal, quando há intimidade e confiança entre amigos.

Sawyer levantou os olhos surpreso por tela ter quase confessado, mesmo sem perceber, que eles eram amigos e que ela confiava nele. Ou será que ele estava vendo demais no que ela falara?
Ele sentiu um estranho ponto, morno e doce, se expandindo no peito e isso o deixou muito confuso.
Transferindo o olhar tranquilo de Charlie para Sawyer, ela notou-lhe a expressão interrogativa e confusa e se sentiu igualmente perturbada pelo que dissera.
Locke foi o único que percebeu o intercãmbiao sem palavras e se perguntou o que estava acontecendo entre aqueles dois. Eles pareciam ter muito mais familiaridade do que afirmavam.

Insistindo perverso, Charlie resolveu insistir mais um pouco:
- É, pode ser algum costume sulista do Sawyer, né?
Reagindo, Sawyer retrucou para Charlie, que sorria malicioso:
- É mesmo, tem muita coisa esquisita no mundo! Outro dia mesmo, eu peguei um cara que roubava roupas íntimas femininas para fins inomináveis!
Todos protestaram, chocados, contra a perversidade do mundo. Sawyer sorriu ameaçador e brincalhão para Charlie, que entendeu o recado e murmurou:
- Detesto tarados! Quer outra cerveja, Sawyer? Eu pego...