Ela usava a camisola. O fato em si era uma mensagem. A noiva exultante da noite anterior se tornara uma mulher que ele reconhecia muito bem. Quando a vira pela primeira vez, descalça e com olhar de desafio, ela descia do celeiro de feno. Naquele momento, ao levantar as cobertas, encontrava sua silhueta pequena encolhida. Envolta pela cambraia, os pés escondidos sob babados, ela se acomodara bem na beirada da cama.

Com as cobertas entre as mãos, ele suspirou.

— Ah, Isabella.

— Por favor, me cubra — ela pediu baixinho e, ao ser atendida, murmurou: — Obrigada.

Ao mesmo tempo, puxou o lençol até o queixo. A voz abafada o incendiou. Edward curvou-se e tornou a descobri-la. O protesto foi imediato.

— Estou com frio.

— Ora, meu bem, estou disposto a aquecê-la — respondeu ele, esforçando-se para falar com suavidade.

Enquanto se despia e a observava, sentiu uma ponta de remorso ao vê-la encolher-se mais.

Nu e bem consciente de seu constrangimento, ele acomodou-se a suas costas e cobriu os dois. Com o braço em sua cintura, puxou-a para perto, ignorando-lhe a resistência, os protestos e a ereção que ela devia sentir nas costas.

— Quero olhar para você, Isabella.

— Não estou nem um pouco bonita e você já me viu assim.

— Pois acho que continua linda, apesar do rosto machucado.

— Não, Edward. Também não quero que me toque.

Por um instante, ele refletiu sobre sua vontade. Porém,mais do que qualquer coisa neste mundo, ele desejava senti-la entre as mãos. Não com paixão, pois seu estado excluía qualquer manifestação nesse sentido. Poria de lado a carência por seu corpo e se dedicaria a confortá-la. Precisava roçar os lábios em seu rosto inchado como a mãe havia beijado os ferimentos dele na infância distante. E também fazê-la sentir o quanto mais a amava depois da experiência terrível desse dia.

— Isabella, só quero conversar com você, coração — disse numa voz triste. Ela virou-se, esticando-se de costas e com o olho bom fixo no teto.

— Sinto muito. Pensei que se me esfregasse bastante ficaria livre da sensação das mãos dele em mim. Não deu certo.

Edward soergueu-se e, apoiado no cotovelo, curvou-se sobre ela.

— Para mim, meu bem, você está absolutamente limpa. E com um cheiro delicioso — afirmou ele ao satisfazer a vontade de beijar as marcas de sua luta.

— Edward? — O tom de súplica confrangeu-lhe o coração. — Sinto como se não fosse mais a mesma pessoa de ontem à noite. Tenho a sensação de que Rad deixou marcas negras em meu corpo, das quais jamais conseguirei me livrar.

— Você continua sendo minha mulher, Isabella. E meu amor por você não mudou nada. Apenas aumentou. — Tocou-a na testa. — Aqui, já começou a secar. Vai criar uma casca que logo cairá, revelando uma pele nova. — Beijou-a levemente no olho machucado. — Isto também vai desinchar e voltar à cor natural. Os cortes na boca serão os primeiros a cicatrizar e eu poderei beijá- la sem provocar dor alguma— disse ele e sorriu na tentativa de convencê-la.

Ficou em silêncio por uns instantes. Depois, acrescentou:

— Quando isso acontecer, as lembranças deste dia começarão a esmaecer. Você não esquecerá tudo completamente, mas não sofrerá mais como agora — acrescentou.

— Como você pode querer me tocar, Edward? Ele pôs as mãos em mim — murmurou ela

numa voz lacrimosa.

— Jamais vou perder a vontade de acariciá-la, meu amor.

Pura verdade. O amor por Isabella era profundo e muito diferente da atração que havia sentido por outras moças. Lembrou-se da primeira noite em que havia tocado violão para ela. Então, já sabia que a amava, porém, a tinha distraído para não lhe infundir medo.

— Você é minha amiga, lembra-se? E como tal, me ajudou limpando baias, jogando feno pela janela do celeiro, tratando da vaca doente e do potro machucado.

— Estava apenas tentando pagar pelo meu sustento. O que não consegui por causa das roupas que você comprava sem parar para mim.

Ele a beijou com a máxima delicadeza.

— Isabella, Isabella! Você encheu minha vida de alegria. Dinheiro algum do mundo pagaria por isso. — Afastou-se um pouco e observou a camisola. Apesar do esforço, a ereção demandava atenção. — Você vai usar isso a noite inteira? Ou existe uma chance de eu convencê-la a tirá-la?

— Shay me viu lá — disse ela abruptamente. — Não perdeu tempo me olhando. Apenas me cobriu com o casaco dele.

— Eu sei.

E esse fato tinha afastado Shay dali.

— Ele é um homem bondoso, não é? — Isabella perguntou, apertando a frente da camisola. Se ela houvesse visto Shay ir embora, Edward pensou. Mas não havia, o que era uma bênção.

Um dia, ela descobriria o sacrifício de Shay em seu benefício. Nessa noite, ele seria o único a lamentar a partida do homem. O dia seguinte ainda seria cedo demais para Isabella perceber a ausência dele.

— Você quer que eu passe mais ungüento em sua testa?

— Não, dói muito. Aliás, minha cabeça inteira dói.

E ele vinha tentando persuadi-la a… O remorso o proibiu de tudo, exceto de ajudá-la a ficar confortável. Passou o braço sob seu pescoço a fim de acomodar-lhe a cabeça no travesseiro dele. Sem conseguir impedir as lágrimas, ela virou o rosto, escondendo o lado machucado.

— Não vai apagar a lamparina, Edward? — indagou numa voz fraca.

— Está com medo que eu a veja chorar?

— Você já se sente mal sem ter de agüentar minhas lamentações. Não passo de problemas, Edward. E, agora, você está preso a mim.

— Não reclamei de nada, Isabella.

Desanimado, afastou-se de seu lado e sentou-se na beirada da cama. A questão da luz era fácil de resolver. Porém, o que fazer com Isabella o preocupava. Nunca a tinha visto tão desolada. Mesmo a crueldade do pai não lhe tinha abalado o ânimo.

— Isabella, preciso de você — murmurou.

Desolado com o obstáculo que se interpunha entre eles, baixou a cabeça, apoiando-a nas mãos. Se eles não vencessem os acontecimentos desse dia, ele perderia uma parte querida de Isabella, sua natureza exuberante. Sentiu sua mão nas costas.

— Não posso negar-lhe nada, Edward. Você sabe. Mas, não vou conseguir beijar direito.

Minha boca dói muito. Posso fazer o resto, se você quiser. Pressionou um pouco a mão e Edward fechou os olhos.

— Só quero abraçá-la, coração — respondeu ele, envergonhado da mentira e duvidando que conseguisse controlar a ereção. Deitou-se novamente a seu lado e ela ficou à espera.

— Deixe só eu soltar seus cabelos, está bem?

A fita que os amarrava na nuca cedeu com facilidade, permitindo que ele embrenhasse os dedos nos fios sedosos.

— Agora, apóie a cabeça em meu braço se isso não aumentar a dor.

Em silêncio, ela obedeceu, ajeitando o corpo ao dele. Enlaçou-o com um dos braços pelo pescoço, suspirou e aconchegou-se mais.

— Bem melhor estar deitada assim — murmurou, sonolenta.

Sua respiração foi se tornando suave, o corpo relaxou e apenas um suspiro escapou quando

já adormecia.

Edward passou o outro braço a sua volta e pôs-se a massagear-lhe a costas. Ao ouvi-la murmurar, entendeu o próprio nome. Com os olhos fechados, inalou o perfume de seus cabelos. Isabella estava segura entre os braços dele e se recuperaria.

Esta bênção, ele devia a Shay, uma dívida que jamais conseguiria pagar.

O amanhecer trouxe mais neve. Esme preparou o café da manhã para todos, mas a refeição transcorreu quase em silêncio. Pony e Joe apenas conversaram com Edward sobre o que deveriam fazer. Ficou decidido que alimentar o gado era prioridade. Os dois saíram juntos enquanto Edward vestia o casaco a fim de ir ao estábulo também.

— Vou com você. Quero tratar do cavalo — disse Isabella ao pegar o cachecol e o casaco cujos botões Esme havia pregado.

— Foi o que calculei — respondeu ele.

No estábulo, Isabella dirigiu-se logo à baia do cavalo. Alimentou-o generosamente antes fazer o curativo do ferimento. Quando terminou, cobriu-lhe as costas com um cobertor.

— Ele vai ficar bom. Comeu bastante. Dei-lhe até uma porção extra de cereal, Edward.

— Você não quer se encarregar da ordenha? Pony e Joe vão levar feno ao telheiro no pasto

— explicou ele.

— Você também vai? Isabella indagou com olhar incerto.

— Não, tenho trabalho aqui. Quero limpar o lugar dos arreios e passar algum tempo no curral com os potrinhos. Com umas poucas voltas, eles abrirão uma trilha na neve.

— Assim que terminar a ordenha, vou ajudá-lo — prometeu Isabella. Pela porta aberta de trás, ela viu Pony atrelando o carroção.

— Shay não foi tomar o café da manhã. Onde está ele? — indagou, mas arrependeu-se no mesmo instante ao ver o olhar de Edward sombrear-se.

— Ele resolveu se mudar. Foi embora ontem à noite. — Edward forçou um sorriso e deu de ombros. — Segundo me contou, ele sempre foi meio nômade. Também sabia que, nesta época do ano, nós daríamos conta de tudo apenas com a ajuda de Joe e Pony.

Isabella pegou o banquinho tripé e sentou-se ao lado da vaca com o balde entre os joelhos.

Afagou-lhe o flanco e começou a ordenha.

— Ele foi embora por minha causa, não é verdade?

Apertou um pouco os dedos enquanto a tristeza dissipava os fiapos de alegria acumulados nessa manhã. Rad.

— Onde está Rad? — perguntou, sentindo um arrepio ao pronunciar-lhe o nome.

Então, um pensamento terrível assomou-lhe à mente. Teria Shay o forçado a ir embora? Ou pior? A vaca mexeu-se e Edward afrouxou os dedos, murmurando palavras sem nexo para acalmá- la.

— Rad se foi. Recebeu uma lição e tanto. Shay o fez entender que não seria seguro aparecer aqui outra vez.

— Não precisamos contar a ninguém o que aconteceu, não é?

Ela não desejava que sua experiência humilhante e dolorosa fosse comentada.

— Não, claro. Você sabe que os empregados não abrirão a boca. — Edward aproximou-se do compartimento dos arreios. — Quando terminar a ordenha, me avise para eu levar o balde à leiteria.

— Não, eu faço isso.

Seria melhor entrar logo naquele lugar, embora soubesse que jamais o faria sem se lembrar do inferno vivido lá.

Continuou a ordenha. Aos poucos, o leite diminuiu, porém, ela não parou. A vaca mexeu-se, fazendo-a desistir. Não adiantava adiar o inevitável. Levantou-se e pegou o balde. Edward, que a vigiava, perguntou:

— Quer que a acompanhe?

— Não.

Afastou-se depressa, temendo que ele visse o tremor de seus lábios. Saiu do estábulo para a

neve que continuava a cair e já ia fechar a porta quando ouviu a voz de Edward.

— Deixe aberta, Isabella. Vou ficar aqui.

— Está bem.

Sabia que ele a acompanharia com o olhar. Com passos firmes, dirigiu-se à leiteria e sua mão quase não tremeu ao abrir a porta. Entrou e sentiu o coração acelerar. Ignorou-o. Sem querer, o olhar vasculhou os cantos, porém, ela o forçou para o banco onde colocou o balde.

Terminada a tarefa, virou-se para sair quando o ruído de folhas secas, sopradas pelo vento, a assustou. Controlou-se e sorriu.

— Não tenho medo de você, Radley — sussurrou. Onde quer que o homem estivesse, não significava ameaça para ela, tinha certeza. Isso constituía um mistério insolúvel. Apenas, estava convencida de que Radley Bennett não representava mais perigo algum. Ele não passava de uma lembrança ruim que, de forma alguma, jamais lhe envenenaria a mente.

Da porta do estábulo, Edward a viu sair da leiteria e correr para ele. Ao aconchegá-la entre os braços, perguntou:

— Você está bem?

Isabella sorriu, lembrando-se das palavras dele na noite anterior: As lembranças deste dia começarão a esmaecer…

Já tinham. Ela havia dado o primeiro passo, o mais difícil. O seguinte seria fácil. Ergueu a cabeça e puxou a de Edward até que os lábios se tocassem. Foi um beijo delicado com o intuito de mostrar-lhe gratidão pela bondade e por ele ser seu amigo.

Mas ele posicionou a cabeça num ângulo diferente e, com o máximo cuidado, passou a língua por seus lábios, tocando os lugares onde os dentes tinham cortado. Ao mesmo tempo, murmurava sons suaves que lhe despertaram uma leve chama. Ele afastou a boca, deixando-a desejosa pela continuação do beijo. Tocou seu pescoço com os lábios e a língua.

— Você tem um sabor delicioso, Isabella, tão doce.

Ela o abraçou, o corpo ansiando por uma união mais completa, encantada com a persuasão dele e pelas palavras murmuradas.

— Eu te amo, Edward — declarou espontaneamente e repetiu, deixando clara a emoção sentida.

Ele endireitou-se e balançou a cabeça.

— Nós não vamos fazer amor numa baia, Isabella. Mas se eu não me controlar, é o que vai acontecer. Não esqueça isso à noite quando eu esconder sua camisola. Ouviu bem?

— Prometo lembrar — ela disse com o olho bom nublado de lágrimas. Um cavalo relinchou no curral e outro respondeu na entrada da fazenda.

— Alguém está chegando — avisou Edward ao largá-la a fim de espiar pela porta. Viu uma carroça, o cocheiro acenando com a mão.

— Parece Cord McPherson — disse ao olhar para Isabella e vê-la encolher-se.

— Ele vai me ver, Edward.

— Cord ficará sabendo o que aconteceu, meu bem. Terei de contar para ele. Mas, Cord não é indiscreto. Se eu lhe pedir, não repetirá nada.

A carroça já estava bem perto. Em pé na parte de trás, dois meninos gesticulavam e gritavam.

— Olá, sr. Cullen. Viemos buscar nossos potros. — O mais alto pulou ao chão antes de a carroça parar diante do estábulo. — Cord disse que hoje era um bom dia para passearmos. Rachel não pôde vir por causa das crianças. Está muito frio para saírem. Então, ela ficou em casa fazendo tortas para o jantar.

Isabella sorriu da animação dos meninos. Dois potros iriam embora, lembrou-se. Tinha escolhido os melhores para eles. Porém, se preferissem outros, também ficariam satisfeitos. Seu orgulho pelos animais de Edward só era menor do que o dele.

Cord a olhou por sobre o ombro de Edward e ficou sério.

— Isabella?!

— Olá — ela respondeu, recuando para as sombras. — Vou levar os potros para o curral. —

avisou Edward.

Antes que ele pudesse responder, Isabella se afastava. Apanhou um balde, encheu-o com aveia e rumou para a porta dos fundos do estábulo.

No pasto mais próximo e como estavam acostumados, os potrinhos se reuniam sob os galhos sem folhas de umas árvores. Junto à porteira, Isabella os chamou, usando o timbre de voz a que estavam habituados. Com as cabeças levantadas e resfolegando, atenderam-lhe depressa o chamado. Ela abriu a porteira para que entrassem e a fechou novamente. Empurravam-se a sua volta, mas cada um tinha a própria vez de enfiar a cabeça no balde. Alegre, Isabella lhes falava e ria da maneira com que tentavam chamar sua atenção.

— Incrível, Isabella! Você consegue com que comam em sua mão! — elogiou Cord da

cerca.

Ele havia sentado no sarrafo mais grosso de cima enquanto os meninos espiavam pelo vão

dos outros abaixo. Os dois mal continham o entusiasmo.

— São todos lindos — afirmou o mais novo. — Quais podemos escolher, Cord?

— Penso que Edward deve orientá-los. Mas, talvez fosse melhor consultar d. Isabella— Cord respondeu, dirigindo-lhe um olhar bondoso e compreensivo.

— Como a senhora se machucou? Caiu de um dos cavalos de Edward? — perguntou um dos meninos.

— Coisa parecida — Isabella respondeu, grata por ele imaginar a causa.

O fato de os golpes a que havia sobrevivido não passarem pela cabeça dele dizia muito a respeito da educação dada por Cord. Sentiu uma ponta de inveja dos meninos, mas censurou-se. Havia sofrido uma infância infeliz que, felizmente, já começara a esquecer. Nunca mais o pai poderia maltratá-la.

— Escolheu seus prediletos para meus cunhados, Isabella? — indagou Cord.

— Até certo ponto. Três aprendem muito depressa, embora todos sejam dóceis. Mas é difícil não gostar de um animal mais do que dos outros.

— Como das pessoas? — sugeriu Cord.

Ela fez um gesto afirmativo com a cabeça e segurou o cabresto de um baio castanho, com cauda e crina pretas e lustrosas. O animal levantou a cabeça, forçando-a a falar-lhe com severidade, sendo logo obedecida. Levou-o até a cerca.

— Este é um dos melhores. É curioso e esperto. Se você não tomar cuidado, ele se divertirá à sua custa. Pule a cerca e venha vê-lo de perto — ela convidou o mais velho.

Mais do que depressa, o menino obedeceu.

— Olá, rapazinho, você gostou de mim? Fascinado, encostou o rosto na cabeça do potro selecionado por Isabella.

— Pode levá-lo para fora do curral — ela disse ao mesmo tempo em que fazia um sinal para Edward abrir a porteira.

— Bem, o de Harry está resolvido. O que oferece para Jay, Isabella? Que tal aquele mais claro e com uma estrela na testa?

— Seu olhar é de conhecedor de cavalos — respondeu ela ao ir buscar o escolhido.

Teve de empurrar os outros para chegar até ele que desviou a cabeça para impedi-la de pegar o cabresto. Maggie riu ao tirar um pedaço de cenoura do bolso que lhe ofereceu na palma da mão. O potro abocanhou-o e deixou-se levar até a cerca.

— Que tal, gosta dele? — perguntou ao menino cujo largo sorriso dispensava uma resposta.

— Posso agradá-lo como Harry fez com o dele?

Isabella concordou e Jay pulou a cerca tão depressa que quase caiu. O potro recuou um pouco, mas aproximou-se e passou o focinho em seu topete. No auge da alegria, o menino abraçou- o pelo pescoço.

— Ai, Cord, posso ficar com este?

Cord riu de maneira tão contagiosa que Edward o acompanhou.

— Sem dúvida alguma, Jay. Ele gostou de você. Traga-o para fora do curral e passe por dentro do estábulo. Você também, Harry. Isabella lhes dará cordas para puxá-los.

Ela os acompanhou, satisfeita com o bom comportamento dos potros endiabrados. Os meninos iam ficar muito ocupados e os animais, em boas mãos, refletiu. Depois de prender uma corda curta em cada cabresto, ela os levou até a frente do estábulo.

— Edward lhe falou sobre um cachorro? — perguntou a Cord.

— Ele me disse que talvez você tivesse um de resto.

— Um cachorro?! — exclamaram duas vozes.

— Ora, meninos, já que estamos aqui, vamos levar tudo que pudermos. Se o cachorrinho de Isabella está tão bem treinado como os potrinhos…

Seu riso interrompeu Cord e apanhou todos de surpresa.

— Sabe, sr. McPherson, estamos falando de um cachorro já meio crescidinho, mas muito malandro ainda.

— Exatamente o que queremos, d. Isabella — afirmou Harry.

— Isso mesmo — confirmou Jay.

Dessa vez não houve escolha. Embora Rascal ganisse de tristeza, o último filhote de Maisie foi colocado na carroça.

Pouco depois, os potros eram amarrados atrás dela e Cord concluía o negócio. O dinheiro trocou de mãos e Edward enfiou as notas no bolso sem contá-las. Após as despedidas, ele e Isabella viram a carroça tomar a direção da estrada.

— Parte do dinheiro é seu, Maggie. Treinadores de cavalos são muito bem pagos nesta região. Isso sem falar no cachorrinho.

— Já fui paga. Apenas ver a alegria dos meninos me recompensou. E verei o filhote de Maisie sempre que formos visitar os McPherson.

Beau rodeou-lhe a cintura com o braço e a beijou na testa.

— Estou ouvindo Joe e Pony voltando do pasto. Preciso ajudá-los. Por que você não vai para casa onde está mais quente? Esme deve estar acabando de preparar o almoço.

— Está bem — concordou ela soltando-se e dando uns passos.

— Isabella?

— O que foi? Algo errado? Ele sorriu.

— Nada. Quero lhe dizer que estou muito orgulhoso de você. Seu trabalho com os potros foi excelente. Cord admirou sua competência.

O elogio a deixou satisfeita.

— Isabella, lembre-se sempre de que você é o máximo.

— Você quer mesmo que eu vá para casa e ajude Esme ? Não prefere que eu o acompanhe ao estábulo e ponha palha limpa numa baia? — ela o provocou.

Edward a fitou, eufórico.

— Você me faz sentir rejuvenescido. É como se todas as coisas ruins que me aconteceram não tivessem importância. Eu já lhe disse isto antes, mas quero repetir. Isabella Cullen, você enche minha vida de alegria.

Aproximou-se e, pegando-a pela cintura, levantou-a no ar. Apesar das roupas pesadas, Isabella sentia-se leve. Com as mãos firmadas nos ombros de Edward, curvou a cabeça para admirar- lhe os olhos radiantes e os lábios sorridentes que prometiam amor profundo e duradouro.